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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Em Viana há um novo corredor na Urgência

(ATENÇÃO: ESTA FOTO É RETIRADA DA NET, NÃO SE TRATA DA UNIDADE MENCIONADA NESTE POST)

Em Viana já se pode correr livremente pelo corredor do Serviço de Urgência e as macas já circulam sem que sejam como um carrinho de choque.
Um mês após a publicação do post "Ainda se morre nos corredores das Urgências", onde procurei alertar entidades e acima de tudo cidadãos, sobre a decadência desta realidade que se vive um pouco por todo o país, é com dever de consciência e sentimento de felicidade que noticio que agora, pelo menos no nosso Hospital em Viana do Castelo, o risco de se morrer num corredor de Urgência é diminuto ou provavelmente nulo. 
Recentemente foi aberta, para os utentes do Serviço de Urgência deste Hospital, a Unidade de Decisão Clínica (UDC), que recebe os utentes que anteriormente aguardavam no corredor. Esperada e desenhada já há vários anos, esta é uma mudança que procura minimizar ou eliminar as precárias condições de conforto e vigilância dos utentes que esperavam, várias horas, até mesmo dias, por uma decisão clínica.
As condições não são como as noticiadas na SAPO, onde os utentes têm direito a uma cama, continua a ser uma maca, mas se a estadia do doente for curta, aceita-se. O problema está quando não o é, o que acontece com frequência.
Além da melhoria no que diz respeito à privacidade do utente, com a criação desta UDC realço outros improvements como a presença de luz natural e a sua forma estrutural em U deitado, o que possibilita para os enfermeiros, visão com campo aberto para todos, ou quase todos os utentes.
Relativamente ao número de vagas já ouvi versões diferentes, na mesma página da SAPO são 25, na Rádio Alto-Minho, já são 20, outros até falam à volta de 30. Lamento mas não disponho do número certo, o que disponho é da imagem da Unidade de Decisão Clínica de Braga e outros hospitais quando estão a abarrotar, por isso em alturas criticas, ou há a capacidade de drenar eficazmente os utentes, ou voltamos ao mesmo e acabamos a dar razão aos mais cépticos que mesmo com a criação da UDC não acreditam que a médio, longo prazo, deixarão de haver doentes nos corredores da Urgência em Viana. Eu sou mais optimista, daqui a meio ano falamos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Improvements no Serviço de Urgência


Da mesma forma que critico falhas no nosso Serviço de Urgência, (ainda há pouco tempo, uma delas estava neste post), devo realçar também as boas mudanças. 
Já se pode voltar a circular no corredor do Serviço de Urgência de uma forma menos caótica. 
Pelo menos não há tantos obstáculos de largo volume (camas) de um e de outro lado do corredor. Voltaram as macas, que ao parece, são novas e por enquanto parecem eficientes. 
Evidente que é mau ter macas no corredor, mas camas seria muito pior. 
Outra boa mudança prende-se com a vigilância hemodinâmica do doente, agora já temos muitos mais monitores, tanto na Admissão de utentes (1ª observação), como na Unidade Polivalente (internamento da Urgência). Para quem não é da área, um monitor apresenta o ritmo cardíaco, dá-nos valores de tensão arterial e dá-nos sinais de como o doente está a respirar, entre outras coisas.

 Viana não tem um serviço de urgência de top, mas alguns passos estão a ser dados.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Gincana no Corredor do Serviço de Urgência


Grande parte das macas do corredor do Serviço de urgência foram substituídas por camas modernas e aparentemente mais cómodas para o doente.
Louvámos a intenção de quem tomou tal decisão, de facto os doentes que continuam a permanecer longas horas a fio, no corredor, merecem pelo menos, menos desconforto.
No entanto há algo importante a relembrar a quem tomou tal decisão: Leis da física.
Se já anteriormente, com as macas encostadas à parede, de um e de outro lado do corredor, seria tarefa difícil para os Assistentes Operacionais, passarem com os doentes em maca ou cama, num corredor carregado de obstáculos, tornou-se agora por razões físicas, quase impossível.
O princípio básico de que um corredor de um Serviço de Urgência deva estar desimpedido para situações de emergência, desapareceu agora com esta mudança.
Por vezes temos as melhores das intenções, mas como dizia o outro, "é preciso ber! Ber!"
Finalizo questionando se camas no corredor, não será também um convite para deixar os doentes no Serviço de Urgência...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Urgência implementa mudanças importantes


Assistimos recentemente a mudanças consideráveis na estrutura e organização do Serviço de Urgência:

1ª A Urgência pediátrica passou a pertencer ao Serviço de internamento de Pediatria, deixando de ser da responsabilidade dos enfermeiros do Serviço de Urgência.

2ª O Serviço de Urgência passou a ter apoio presencial dos técnicos de cardiologia, nomeadamente para a realização de electrocardiogramas.

3ª A Triagem Geral passou a funcionar 24 horas no pré-fabricado, anexo ao Serviço de Urgência, mais conhecido pelos "contentores". Anteriormente estas instalações funcionavam das 8h às 24h, assegurando os cuidados aos doentes menos graves, com 1 enfermeiro e 2 médicos (clínica geral).


Muitas reclamações pairam no ar, todas elas devido à terceira mudança. A minha opinião vai de encontro a essas reclamações.
De louvar as duas primeiras medidas. É imperativo que uma criança, em qualquer que seja o contexto, seja cuidada por um(a) enfermeiro(a) especializado(a) em Pediatria e é benéfico para o doente ter um técnico de cardiologia por perto.
Totalmente contra a terceira medida, tal como todos os colegas que comentam sobre o assunto.

Analisemos o que se está a passar.
Os doentes que estão a aguardar decisão de uma especialidade médica, permanecem, ate à 1h - 2h da manhã, na primeira metade do Serviço de Urgência propriamente dito, que é uma estrutura construída com tijolos e cimento, ou seja, um edifício. 
Depois ou têm alta ou são encaminhados para os diferentes internamentos, ou ainda (o que acontece com mais frequência) são desviados para a segunda metade do Serviço de Urgência propriamente dito, mais conhecido pelo OBS macas ou vulgarmente chamado "corredor". Desta forma, como decerto concluem, na tal primeira metade do Serviço de Urgência propriamente dito, deixa de haver doentes.
Todos os outros doentes, que anteriormente passavam às 24h, para o Serviço de Urgência propriamente dito, permanecem no pré-fabricado, o tal "contentor", um espaço ladeado por painéis de pladur, ou outro qualquer material pouco resistente, um espaço ôco e desviado do principal circuito de emergência, onde os doentes e profissionais se queixam frequentemente do frio e/ou das constantes alterações de temperatura, devido aos fraquíssimos aparelhos de ar condicionado e pelo ar que circula entre a terra e a placa de pladur do chão.
Todos os doentes que chegam durante a madrugada, são encaminhados então para este contentor e o Serviço de Urgência propriamente dito, nomeadamente a primeira metade, continua vazio.

Perguntam vocês, qual a vantagem desta mudança? Não sei, respondo eu. 
Há quem diga que é para "limpar" o serviço de urgência propriamente dito aos olhos dos maiorais, há quem diga que é para que os médicos das especialidades sejam obrigados a despachar os doentes e há ainda quem diga que é para dar uso a uma estrutura que custou e continua a custar largos milhares de euros em aluguer, ao contribuinte.

O que eu sei é enumerar as desvantagens do não encerramento do contentor entre as 0h - 8h, comecemos então:

1ª Frio/mudanças bruscas de temperatura para o doente e profissionais. (No Verão será o calor extremo)
2ª Distanciamento entre elementos da equipa de enfermagem, o que é um RISCO em situações de emergência.
3ª Distanciamento entre enfermeiros e restantes elementos da equipa multidisciplinar (médicos e auxiliares), o que é um RISCO em situações de emergência.
4ª Falta de material específico para responder a situações de emergência.
5ª Distanciamento da Sala de Emergência (nos casos em que é necessário levar o doente do contentor para a sala de emergência)
6ª Distanciamento da Sala de Emergência (nos casos onde o médico tem que se deslocar do seu local de trabalho, ou seja, do contentor para a sala de emergência)
7ª Ausência de médico para assistir um doente emergente (nos casos onde o doente emergente entra directamente para a sala de emergência, não tendo o médico conhecimento imediato do que está a acontecer, o que leva a que se perca tempo e profissionais a chamá-lo)
8ª Distanciamento do Segurança/Porteiro do local onde efectivamente estão os doentes, o que provoca ainda mais insegurança em situações de conflito (cada vez mais frequentes).
9ª Desaproveitamento do espaço físico do Serviço de urgência propriamente dito que, mesmo com os seus defeitos, é muito superior ao contentor.
10ª Ruído permanente em dias de chuva, provocado pelo som das gotas a baterem nas placas

Caro colega, caro cidadão, o que pensa disto?   

Nota: a repetição de "Serviço de Urgência propriamente dito" e "contentor" foi propositada.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Um dia no Serviço de Urgência, visto por uma acompanhante.

Em qualquer trabalho temos que saber lidar com a crítica, mas também precisamos que o valorizem. Aqui fica um precioso exemplo, retirado do JORNAL O COURA, que abrange toda a equipa multidisciplinar





terça-feira, 4 de junho de 2013

Querido mudei a entrada do Serviço de Urgência!


Olá amigos!

Voltei! Estavam com saudades? Voltei sim e volto em grande, com uma ideia genial! Desculpem.. quando tenho ideias assim, fico empolgado...

Conhecem a entrada do nosso Serviço de Urgência? 
A maioria decerto que sim, mas já pararam uns minutos por lá, para reflectirem um pouco sobre o degredo que é a NOSSA entrada do Serviço de Urgência, o rosto do NOSSO hospital e a entrada do local de  trabalho de muitos? Convido-vos a fazê-lo. Esta imagem é uma pequena amostra, pois obviamente, não seria sensato andar a tirar várias fotos, mas espero que a minha descrição abra os olhos a todos os utentes do NOSSO hospital!

Podemos começar pela pintura. Será certamente de um amarelo-esverdeado-branco sujo, sim acho que seja essa a cor. 
Depois temos uma conduta metálica de 7 metros talvez, que na imagem se consegue ver uma parte, no canto superior direito, que qualquer dia, tenho receio que ceda e caia na cabeça de alguém (pelo menos estarão perto da assistência), tendo em conta a sua inclinação e deformação. De lá saem fios de electricidade (deduzo eu), que se penduram, nos postos telefónicos. Aqui a imagem é bem elucidativa, um telefone para dois postos e reparem bem na categoria dos postos... limpinhos, limpinhos.. bolas, onde é que eu já ouvi isso. 
Bom adiante, depois temos 2 vasos-cinzeiros (a imagem apenas mostra um), pretos das beatas, mesmo bem pertinho à entrada dos doentes, como que a convidar ao fumo (é bom porque desta forma os doentes iniciam desde logo a nebulização). Temos também  a barra metálica no canto inferior direito da foto, com igual inclinação, provavelmente da quantidade de pessoas que lá se encosta e senta.
A tal conduta metálica atravessa o local onde os veículos param para deixar os doentes e desagua numa sala de espera que de espera nada tem, pois ninguém se atreve a lá esperar. Aqui o cenário é ainda mais dantesco. Esta sala, caros utentes, é um dormitório e um local de passagem de muitos jovens que saem da discoteca e vão comer uma sandes à máquina que lá está. O cheiro é fétido de urina, o chão está levantado e cravado das marcas das beatas e o wc nem se fala, parece o de uma discoteca no final da noite. 
É esta a imagem que queremos para o nosso hospital acreditado?
Bem sei que uma boa parte das pessoas que vai ao Serviço de Urgência está doente, mas será que não ficaria um pouco menos doente, ao ver uma entrada com categoria?

Por isso lembrei-me dos funcionários do SIE. É um serviço com tantos funcionários, que decerto poderiam retirar algum tempo para fazer umas obras e arranjos. Fica a sugestão.

Caso esta não seja atendida, vou fazer uma proposta ao "Querido mudei a casa". Não estou a brincar, estou mesmo a falar a sério! E quando quero, consigo.




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ruptura explosiva


Em Março de 2009 desabafava convosco sobre o facto de discordar com a divisão da equipa de enfermagem em 2 equipas distintas, SU e UP (ex-OBS). Já nessa altura previa-se certas situações que hoje se confirmam. Em Janeiro de 2010, confirmava-se a mau ambiente instalado.

Passados 3 anos, mantenho a minha opinião, a divisão da ex-super equipa do Serviço de Urgência, trouxe mais problemas do que soluções.
Analisemos...
Para começar o ambiente entre enfermeiros das duas equipas não é de todo saudável, para não dizer mau. Grande parte dos que estão lá dentro (UP) critica pesado o trabalho que é feito pelos colegas de cá de fora (SU), esquecendo-se rapidamente que há uns anos atrás estavam nesse mesmo lado, fazendo as mesmas coisas, com as mesmas dificuldades, com os mesmos problemas de sempre.  
A maior parte parte dos que estão cá fora critica duramente a postura dos que estão lá dentro, pelo elitismo, por se mostrarem fechados e críticos na admissão dos doentes, que todos sabemos o motivo de, ocasionalmente, não chegarem à UP nas condições ideais.
Alguns de fora já dizem que só falta pôr muros na UP. Outros revoltam-se e emocionam-se pelo mau ambiente que se criou e principalmente pela mudança radical de mentalidades de alguns que estão lá dentro, completamente indiferente ao que se passa cá fora.
Com a divisão dos enfermeiros, dividiram-se também os Assistentes operacionais e hoje ainda não se sabe bem quem vai fazer um internamento da UP durante a noite. Será o maqueiro? Será a auxiliar? Cada qual tem a sua ideia e informação. E é mesmo durante a noite, quando os chefes não estão, que os conflitos acontecem. Os poderosos decidem, as consequências são para os que estão abaixo.
A UP pode estar com um turno tranquilo e cá fora o SU estar ao rubro, que a assistente operacional de dentro, tem ordens para lá permanecer, porque estamos a falar de um serviço autónomo. Resultado: uma única auxiliar para as limpezas ao chão, tratamento de lixos e para todos os cuidados aos vários doentes do SU. Ou seja, uma pode estar a descansar e outra a fazer o trabalho de duas ou mais... o espírito de equipa entre Assistentes Op. parece que também está a ir pelo mesmo caminho do dos enfermeiros.

Depois temos o grande problema que surgiu recente, o enfermeiro de fora (SU) perdeu quase por completo a autonomia de gestão de doentes candidatos à UP. Era algo que fazíamos na perfeição, seleccionando os doentes mais críticos e dependentes. Agora quase que é preciso pedir um requerimento para um doente ser admitido na UP... o médico tem praticamente a totalidade do "poder" nesta matéria. Os problemas devido a este facto já começam a chover, notando-se que, quem chega primeiro é que tem a vaga, ou seja, podemos ter um doente independente a ser admitido para a única vaga, quando temos uma lista de dependentes e críticos ainda em espera. Depois acontecem situações como uma doente sub-85, acamada, há 3 dias no corredor, só foi admitida porque o enfermeiro de cá de fora reparou no quadro das datas de admissões de OBS MACAS e teve a sorte de ter uma vaga após um óbito na UP, pedindo à médica para internar o doente. Sim!! ouviram bem, agora a UP é um internamento, com toda aquela burocracia inerente a um internamento... só em folhas de papel Deus me livre...
Por falar em gastos, questiono quais os ganhos em termos de dinheiro após a criação da UP?? A meu ver o saldo é negativo.
Claro que alguns departamentos melhoraram na UP, há almofadas topo de gama, parece mais asseado e organizado, mas não seria de esperar coisa diferente, tendo em conta que há uma pessoa responsável pela gestão do Serviço, mas também poderia estar assim com uma única equipa... bastava querer. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mesmo com a mais que conhecida falta de enfermeiros, eles estão a ser mandados para casa.



Nesses "tantos outros" que este documento refere, inclui-se a ULSAM.
Por todo o país, em vários serviços de saúde, cada vez se fala mais em enfermeiros despedidos ou em risco eminente de despedimento, isto quando a Ordem, sindicatos e o próprio Ministério da saúde, assumem desde há muito tempo, que há uma considerável falta de enfermeiros no SNS.
Este facto está mais que comprovado, basta ver o instrumento que foi criado para a classificação de doentes, que nos demonstrava, clara e inequivocamente, que eram necessárias muitas mais horas para que os doentes tivessem cuidados de qualidade. Essas muitas mais horas só poderiam ser atingidas com mais enfermeiros, como é óbvio.
Não conheço a realidade nas outras Unidades de saúde, mas pelo menos na nossa (ULSAM), tenho alguma percepção do que é que se está a passar. E o que está a passar cá para fora é que o "factor C" continua a ser determinante. Vêem-se coisas incríveis, do género: ser renovado rapidamente o contrato de um assistente operacional, que por acaso é filho de uma funcionária do hospital, enquanto que vários enfermeiros encontram-se numa situação extremamente delicada e problemática. Alguns já foram mandados para casa e continuam com a incerteza do regresso, outros em actividade, estão em ameaça de não renovação de contratos.
Um destes exemplos encontra-se no meu serviço (SU), onde o gestor do serviço precisa de muito jogo de cintura para fazer os horários, isto devido à falta de pessoal de enfermagem. Havendo falta de pessoal, há um elevado acréscimo de horas para a equipa, com a agravante do possível não pagamento de horas extraordinárias. (isso é outro grave problema)
Mesmo assim, com a falta de pessoal no meu serviço, um casal de enfermeiros encontra-se actualmente em risco de não renovação de contrato. Estes dois elementos, que constituem uma mais valia para o serviço, correm o risco de perder o emprego, isto após há cerca de um ano, terem decidido sair de um outro hospital, onde tinham um contrato sem termo.
Chegámos ao absurdo de frequentemente ter que andar a ligar para casa de enfermeiros a pedir para virem trabalhar, porque não há pessoal suficiente para os turnos. Chegámos ao absurdo do enfermeiro chefe sistematicamente ter que integrar as equipas de prestação, porque não há pessoal suficiente para os turnos e... na fase em que aguardávamos a chegada de novos enfermeiros, eis que surge a notícia de que dois poderão sair. Como é isso possível, perguntarão, não sei meus amigos, não sei onde é que isto vai parar.

Nota: quando falei do contrato renovado do assistente operacional, devo referir que existe igualmente uma elevada falta de assistentes. Não ponho em causa esta renovação específica, ponho sim a não renovação de contratos de enfermeiros.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desabafo urgente

Caro Guilherme e restantes colegas do SU do HSL (ULSAM). Por momentos achei que já tinhamos batido no fundo e era impossivel piorar, enganei-me. Aquilo que era desrespeito pela dignidade profissional dos enfermeiros transformou-se em violação da dignidade humana das pessoas que exercem enfermagem naquele serviço. Acontece que agora já sou mais cauteloso quando me questiono se será ainda possivel piorar mais, pois acredito que embora díficil basta pensar um pouco para encontrar uma ideia manhosa para tapar mais um buraco.

Outra questão que me coloco é até quando isto irá continuar?
Obviamente que não consigo responder. Todos os meus anteriores prognósticos foram totalmente erróneos.
A equipa de enfermagem está totalmente fraccionada e desgastada, que nem para lutar consegue arranjar forças, torna-se facilmente manipulável. A maior parte dos colegas perdeu o respeito por si próprios.

Reconheço que mesmo nestas condições parte significativas dos colegas conseguem manter um nível de qualidade e profissionalismo magnificos. Agora peço-vos um esforço mental para imaginar enfermagem de urgencia/emergência se se cumprissem algumas metas fundamenais:

- racios seguros;
- horários normais (35h/semana);
- formação em serviço;
- supervisão clinica em enfermagem;
- organização dos medicamentos e material de consumo clinico;
- integração e acompanhamento dos elementos recém-chegados;
- equipa de transferência de doente crítico;
- reuniões de serviço para aferir formas de actuação, resolver confiltos e estabelecer objectivos alcansáveis;
- manutenção adequados dos equipamentos;
- dotação de Assistentes Operacionais adequadas;
- orientação desses mesmos Assistentes Operacionais sobre estratégias de trabalho e objectivos a atingir;
- Reuniões multiprofissionais para construir objectivos e estratégias comuns (respeito efectivos pelas várias classes profissionais, nomeadamente os menos diferenciados, porque como seres humanos são iguais ao director de serviço ou ao primeiro ministro)
...
.....

Ops, desculpem estava a sonhar!
Voltando à realidade.
Este comentário serve apenas para desabafar. Não vai trazer qualquer mais-valia. Tem o valor que lhe os leitores lhe queiram dar. Para mim ajudou a fazer um pouco se psicoterapia.

Não me identifico por razões óbvias.
Perguntarão vocês porquê? E eu repondo... Já vi coisas que pensei não serem possiveis.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Serviço de urgência com falta de soluções

Ano após ano, com início da época de férias sente-se a angústia da equipa de enfermagem pelo excesso de carga de trabalho.
Para aqueles que desconhecem como as coisas funcionam, numa empresa normal os rácios podem ficar diminuídos durante as férias, porque o trabalho de X pode esperar, ou até pode ser substituído pelo de Y, ou a produção pode até passar a ser menor, mas numa empresa de saúde, isso não pode acontecer. Os rácios têm que ser mantidos e assim, com as férias, surgem os problemas que tardam a ser solucionados. Os que lá estão, quer queiram quer não, têm que dar resposta e fazer bastantes mais horas do que aquelas estipuladas.
Na minha opinião, quando há problemas deste género num hospital o serviço de urgência deveria ser o primeiro a ser resguardado com um reforço de recursos humanos, nem que fosse temporário. Mas ano após ano a história repete-se e a indignação da equipa pela inércia sucessiva dos responsáveis aumenta.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quem são os responsáveis?

Gostava de saber a vossa opinião.
Imaginem o seguinte cenário de um qualquer hospital.

Um sector do Serviço de Urgência que engloba:

  • Uma sala de emergência onde chegam os doentes efectivamente emergentes que como calculam exigem muito tempo cuidado e atenção dos enfermeiros,
  • Uma sala de "agudos" onde são observados doentes em estado crítico e onde se prestam os mais variados cuidados a doentes do foro cirúrgico, médico, ortotraumatológico e outros.
  • Uma sala de Pequena Cirurgia que recebe diariamente várias dezenas doentes com feridas, escaras, abcessos, queimaduras, etc 
  • Uma "sala de espera de ortopedia" onde aguardam medicação e outros procedimentos vários doentes observados por Ortopedia, acabando muitos destes por ter que ser preparados para o Bloco Operatório e por fim,
  • Um corredor com vários doentes em maca encostados à parede ("OBS" Macas), necessitados dos mais variados cuidados como medicação, vigilância de Sinais Vitais, alimentação, higiene, posicionamentos, etc etc etc…
Há vários turnos onde se verifica nenhum doente neste corredor o que quer dizer bom trabalho da equipa médica e de enfermagem ou pouca afluência, mas há também muitos turnos em que estão dezenas de doentes neste mesmo corredor, o que quer dizer, das duas uma, trabalho ineficaz da equipa médica ou internamentos e OBS lotados.

Estão a imaginar? Isto é só uma panorâmica geral...

Para este sector descrito estão 2 enfermeiros que tem que se coordenar e saber trabalhar em equipa.
Um mais “responsável” pelo tal corredor e ortopedia e o outro mais “responsável” por todas as outras áreas descritas. Importante realçar que quando entra um doente para a Sala de Emergência ou Sala de Agudos deverão estar presentes os 2 enfermeiros durante o tempo que for necessário (que poderá ser bastante), o que faz com que todas as outras áreas fiquem desfalcadas da vigilância de enfermagem. Importante também acrescentar que frequentemente há transferências de doentes para outros hospitais, com acompanhamento por um destes enfermeiros.

Agora imaginem que um dos doentes que está em "OBS Macas", numa maca há 2 ou 3 dias, desenvolve escaras (úlcera ou ferida em doentes acamados) devido à sua débil condição física e/ou incapacidade de se virar na maca.

Lanço a seguinte questão,
Na vossa opinião quem são os responsáveis em ordem decrescente?


sábado, 19 de março de 2011

Alta e andor!

"Tem aqui a receita e a carta para o IPO. Pode ir, tem alta.
E agora como vou embora doutora?
Isso agora é problema seu, desenrasque-se."

Concordo que o hospital tenha normas rígidas para o pedido de ambulâncias para transporte de doentes, mas é preciso ter bom senso na resposta e além disso deveria ser também norma avaliar a situação dos diferentes doentes.
Agora assistimos ao velho ditado "paga o justo pelo pecador", durante anos não houve controlo, pedia-se ambulâncias a torto e a direito, inclusivamente para pessoas auto-suficientes e fisicamente capazes.
Agora qualquer pessoa que fale e dê uns passos tem alta sem transporte, sem que se avalie a situação pessoal, familiar e social.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Enfermeiros fogem da Urgência

Já por algumas vezes AQUI no PDDSE falei de stress e burnout. É um tema que me preocupa particularmente, pela saúde mental de todos nós.
A Urgência caracteriza-se por ser um dos serviços que mais problemas cria a esse nível. Não é novidade para ninguém, toda a gente o sabe. Devia haver um exame tipo psicotécnico para saber se uma pessoa teria ou não o perfil ou capacidade para trabalhar na Urgência. Aqueles que tivessem seriam de seguida encaminhados para um psiquiatra (esta era a brincar).
Bom isto é o exagero, mas qualquer um de nós deve ter um bocado de louco ou masoquista, para suportar vários anos seguidos de trabalho na Urgência.
O problema não está em trabalhar na Urgência, antecipando o que alguns de vos poderão comentar, o problema está em trabalhar na Urgência sem condições, sem motivação e sem recursos, principalmente humanos.
Por isto e por muitos outros motivos já discutidos neste blog, enfermeiros com largos anos de experiência em Urgência, disseram "basta" e apresentaram pedido de transferência.
O mais preocupante no meio disto tudo é que estes que fogem e outros tantos que têm ideias de fugir são profissionais competentes e reconhecidos como bons colegas.
Pergunto onde é que isto vai parar, se mesmo aqueles amantes e peritos em emergência estão saturados e com ideias de partir?

sábado, 20 de novembro de 2010

Reclamações

O texto seguinte é da responsabilidade do seu autor. O blog pddse neste caso e tal como em momentos anteriores, apenas serve de meio de exposição de factos.
Cada qual retira as ilações que entender 
Recebemos então o seguinte pedido via email:

"Exmo. Sr. Moderador do blog.

Este email serve para demonstrar o meu descontentamento com o hospital de Viana do Castelo (ULSAM), e venho pedir que esta reclamação, pois já fiz 3 exposições no livro de reclamaçôes, seja publicada no blog como um post, com o titulo, A DOENÇA DO HOSPITAL DE VIANA DO CASTELO. Peço que,caso autorize a publicação do post, este seja da forma original como segue em email.

A DOENÇA DO HOSPITAL DE VIANA DO CASTELO (ULSAM)


ANTÓNIO MARTINS PARADELA JÚNIOR, meu pai, está novamente internado na cama 21, piso 4, cirurgia 1. Este internamento foi decidido após uma espera de 26 horas nos corredores da URGÊNCIA, chamado na ULSAM de VIANA DO CASTELO, de OBS - MACAS, com horas de visitas marcadas, como se estivesse o doente num OBS. Um corredor de loucos !
Os maqueiros batem com as camas nas macas por falta de espaço, auxiliares que gritam de um lado para o outro, parece que estão no "Campo d' Agonia", os enfermeiros correm de um lado para o outro porque não são suficientes, os médicos saem da urgência para o bloco e o doente fica sem saber nada sobre o seu diagnóstico, porque só pode ser dito pelo médico que o acompanha e o mesmo está no bloco. O resultado de uma TAC mandada fazer às 9h45m, só chega ao conhecimento dos familiares às 21h30m.
O meu pai entrou na urgência no dia 7 de Outubro de 2010, às 21h45m, e subiu para internamento, no dia 8 de Outubro de 2010, às 23h50m. Apesar dos seus 87 anos, não é permitido acompanhante, porque está em OBS - MACAS, no corredor de um manicómio, onde todos gritam e ralham, e ninguém tem razão.
Sra. Ministra Ana Jorge, permita-me que lhe faça um convite especial. Venha passar 26 horas em OBS - MACAS, nos corredores da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo. Ofereço-lhe a MACA I, do Sr. António Martins Paradela Júnior, meu pai, a quem AMO muito, como com certeza a Sra. Ministra, ama o seu. Venha sentir na própria pele o desespero da espera, da solidão, do afastamento da família junto com a doença, razão pela qual permanecemos nesse corredor o tempo que nos obrigam.
Por onde anda a Sra. Ministra Ana Jorge? Em 3 meses é a terceira vez que exponho neste livro o meu descontentamento (14/10/2010), e nunca obtive resposta do seu gabinete. Isto só prova que a saúde também está muito mal no seu Ministério. Venha para a rua, venha para os hospitais. O que os olhos não vêem, o coração não sente!
Os utentes, que também são contribuintes é que sofrem com a má gestão feita dos dinheiros públicos. E agora só se ouve falar em "CONTENÇÃO".
ABUNDÂNCIA PARA OS MAIS FAVORECIDOS, CONTENÇÃO PARA OS MAIS NECESSITADOS.

É isto que a Sra. Ministra tem para nos dar ?!
É este o país que temos ?!
Espero que a Sra. Ministra esteja bem de saúde e se lembre da saúde dos outros. Onde estão os direitos dos doentes? Será que os mesmos só têm deveres? A Sra. Ministra, sabe quais são os seus deveres? Ou só sabe os seus direitos ?
O HOSPITAL DISTRITAL DE VIANA DO CASTELO, hoje, ULSAM, foi construído para prestar cuidados de saúde cinco estrelas, só que, quatro já caíram e a quinta está balançando.
Isto é um exemplo da saúde da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo, com certeza o câncer já tem ramificações suficientes para infectar muitos utentes que por ali passam. É caso para dizer, pensem, antes de ficar doentes!.

LÚCIA FRANCISCA PARADELA
Rua do Calvário Nº 89
Vila Mou - Viana do Castelo
Estrada da Papanata Nº 73 - 1º Esq.
Viana do Castelo
Contribuinte – 124572650"

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O pingue-pongue de doentes


Nós enfermeiros temos que admitir que temos mau feitio. Mais cedo ou mais tarde, quem não o tem, há-de ter. Temos mau feitio, reclamámos, esbracejámos, mas o pior é que isto acontece entre nós próprios. Somos maus uns para os outros.
Por que razão um doente chega a um serviço de internamento, depois de subir uns tantos pisos e é recambiado para trás, porque, por exemplo, o enfermeiro da urgência não lhe pôs a tração cutânea??!
Da mesma forma que o enfermeiro receptor considera um abuso enviar o doente sem a tração, é legítimo o enfermeiro emissor considerar uma canalhice recambiar o doente, sem que antes se procure uma justificação para o sucedido.
Pior ainda é quando o enfermeiro emissor está cheio de trabalho e o receptor está a ler revistas.
E pior pior, é quando o doente chega lá cima com a tração, mas é retirada e recolocada ao jeito do receptor.
E pior pior pior é o dinheiro gasto em material.
E pior pior pior pior é o tempo que o maqueiro perde a levar, trazer e voltar a levar o doente.
E pior pior pior pior pior é o para o doente, que anda de um lado para o outro, quando deveria estar quietinho.
E pior pior pior pior pior pior é permitir que se tenha que colocar a tração na Urgência, procedimento este sem qualquer sentido naquele momento, já que os pesos (que é o que faz a tração propriamente dita) são colocados lá em cima.
É daquelas coisas que não fazem sentido nenhum, mas que persistem, porque sempre se fez assim.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Des(arranjos) no SU


Recentemente notaram-se algumas reviravoltas físicas no serviço de Urgência.
PRIMEIRA: Os utentes da triagem geral passam todos a ser observados no antigo SAG (Serviço atendimento gripe) e com eles foram 2 médicos de clínica geral, 1 ENFERMEIRO E 1/2 AUXILIAR DE ACÇÃO MÉDICA.
SEGUNDA: Os médicos ortopedistas mudaram de gabinete.
Hoje vou apenas dedicar-me a reflectir sobre a segunda reviravolta, porque a primeira vai dar-me muitas dores de cabeça e já é tarde, quero ver se durmo.
Os médicos ortopedistas reclamaram ao serviço de higiene e segurança no trabalho problemas por causa da temperatura do gabinete e conseguiram a mudar de gabinete. Com esta mudança, ficam crianças a aguardar consulta, no corredor da urgência, onde volta e meia estão doentes a despirem-se na maca em frente. Caros senhores gestores, quando se faz uma mudança é preciso analisar todo o contexto envolvente!
Os enfermeiros também se queixam das péssimas condições de trabalho na sala de tratamentos de curta duração, mas possivelmente não estão a ser tão inteligentes como os ortopedistas, porque (penso eu) ainda não se queixaram ao tal serviço de segurança no trabalho. Será que se o fizessemos, iria haver mudança? Nada custa tentar...
Por algumas vezes referi as fracas condições de trabalho nesta sala em posts anteriores. Vejamos mais uma vez:
1. WC minúsculo, sem material de apoio, sem ajudas técnicas (para deficientes físicos) já para não falar na sanita continuamente entupida. Trata-se do primeiro wc do hospital para o utente, o que dá a imagem da higiene no hospital e possivelmente é o que tem as piores condições.
2. Espaço geral reduzidíssimo, onde são precisas várias "ginásticas" para fazer passar uma maca e uma cadeira de rodas.
3. Espaço e distribuição de lixos péssima! Um hospital que deveria dar o exemplo na reciclagem e ideias práticas no depósito de lixo constata-se, pela falta de espaço, uma improvisação ineficaz.
4. 3 computadores numa secretária de 1,5mt, todos amontoados e estupidamente lentos.
5. Impossibilidade de um profissional sentar-se e escrever no computador, isto porque a abertura de armários e o facto de se retirar material debaixo da tal secretária, o impede. O que leva a que os profissionais escrevam de pé, com as costas curvadas, levando a médio longo prazo, baixas por lombalgias
6. Ar (des)condicionado 
7. Sistema de portas ineficaz
8. Sistema de cortinas que separam os doentes ineficaz, levando a que, nem os profissionais tenham espaço para prestar cuidados, nem os doentes tenham privacidade.
Quem quiser que continue...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Guerra entre aliados



O ambiente da nossa equipa está a deteriorar-se. Tal como se previa num anterior post, a equipa está mesmo a ruir. Já não se nota o espírito de entreajuda, que nos caracterizava, agora é mais o espírito de "cada um que se amanhe".
Em OBS, com o serviço continuamente carregado, com doentes ventilados a olho, cada um se defende com as armas que tem, do ataque do invasor. O invasor é a urgência geral, por sua vez bombardeada ininterruptamente por doenças ou pseudo-doenças. E aqui também, igualmente com as armas e estratégia militar de cada um, procura-se aliviar o campo de batalha, escoando os feridos o mais rapidamente possível, levando ao aperto do hospital de campanha (OBS). É isso mesmo meus amigos, estamos em guerra! Soldados e cabos já começaram a disparar e a guerra promete durar. Que se emita um tratado de paz, tratado este que partirá da boa vontade dos tenentes e generais. Será que estes se entendem? Vamos esperar que sim... caso contrário haverão baixas evitáveis no campo de batalha. Esta das baixas saiu-me bem... estou a ficar perito em trocadilhos

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Aos meus colegas do SU


Esta é uma carta destinada para a caixa de reclamações/sugestões do SU. Gostava que os enfermeiros do SU a lessem e manifestassem aqui neste blog a sua aprovação ou reprovação. Caso aprovem, refiram se, tal como eu, a assinam. Caso assinem, ela há-de chegar às vossas mãos. (ainda não sei é como, porque eu não vos a posso entregar)

Em qualquer local de trabalho torna-se essencial um ambiente minimamente saudável. Num serviço de prestação de cuidados ao utente mais ainda se tornará, por razões evidentes. Com um ambiente cordial e harmonioso a eficiência será potencializada, assim como o atendimento e bem-estar do utente.
É sabido que o conflito é comum nas relações inter-pessoais, devido à complexidade das diversas situações com que diariamente nos deparamos, o que não é compreensível é o conflito criado sem sentido.
Enumeras foram as vezes em que os enfermeiros desta equipa relataram no seu seio, como forma de descomprimir, situações lamentáveis e evitáveis, criadas nas tais relações inter-pessoais. Quase nunca estas situações, muitas vezes com graves contornos, são expostas a quem de direito, por receio de que o ambiente de trabalho se deteriore ainda mais, ou até porque as pessoas não se querem incomodar ainda mais.
Os enfermeiros encontram-se no meio de uma cadeia de classes, por conseguinte, estabelecem um maior volume de interacções profissionais. Consequentemente, são os que mais sentem a pressão do possível conflito, são os que mais o vivenciam e são os que mais sentem necessidade de uma intervenção exterior.
No nosso meio, a relação médico enfermeiro será indubitavelmente a mais decisiva, porém, lamentavelmente, é a que mais atritos gera. Não se pretende denunciar esta ou aquela situação lamentável, nem se pretende denunciar este ou aquele médico que tiveram atitudes infelizes. Pretende-se alertar as pessoas que têm a capacidade de mudar o rumo da situação, para evitar que estes episódios sejam frequentes e que evoluam para desfechos ainda mais infelizes, como por exemplo, possíveis agressões físicas, (como já aconteceu).
Sendo assim sugerimos:
Formação obrigatória para todos os profissionais, com o tema (p.e.) – “Saber estar, saber respeitar em trabalho em equipa”, ou consulta de psicologia obrigatória para todos os funcionários de (p.e) 5 em 5 anos, ou sempre que o profissional achasse importante.
Poderia ser uma medida inovadora e quiçá pioneira no nosso sistema nacional de saúde.

Os signatários,

Guilherme de Carmo

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Agora é convosco.. leiam, discutam, sugiram, cá vos espero..

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um dia na vida de um Enfermeiro da Admissão - Último episódio


Cenas do último capítulo,
(...) Tenho que render novamente a colega da Triagem que fica radiante por me ver. Começo a triar,
Episódio IV
Utente ySr Enfermeiro, desde a semana passada, enquanto estava a ver o festival Eurovisão da canção, que tenho um formigueiro neste braço e uma pontada nas costas…
Seguro a gargalhada, a Triagem às vezes também nos proporciona momentos deliciosos. À sexta triagem entra a vmer repentina para a sala de emergência, soa o alarme estridente, dirijo-me à sala e levo já na mão uma pulseira vermelha. Devido a esta hora crítica do jantar, apenas um colega se encontrava na sala, juntamente com a equipa do carro amarelo. Passados segundos tinham chegado os médicos. Senti-me no dever de ficar a ajudar, afinal de contas enfermeiros de urgência são para estas situações. Tratava-se de uma senhora de 80 anos, que de repente, em casa, tinha-se lembrado de deixar de respirar. Durante 20 minutos tentamos reverter o inevitável, o desfecho não tinha sido favorável. Volto à triagem, 20 minutos ausente, 20 utentes em espera.
E.ABoa noite! Então que se passa?
Utente XDoí-me a barriga.
E.ADesde quando?
Utente XDesde ontem, mas hoje já estou melhor.
ENTÃO QUE RAIO ESTÁ CÁ A FAZER??! Imaginei dizer. Aquele principio de que, quando temos uma dor, tentámos resolver em casa, se melhorarmos, tanto melhor, se as coisas piorarem é que começamos a pensar em ir ao médico, a esta (e a outras) pessoa(s) não se aplicava, ou melhor, aplicava-se ao inverso.
Mais umas queixas e regressa a colega da Triagem, não lhe deixo um panorâma muito agradável, explico que aconteceu algo (im)previsto. Preparo-me para o último sprint, 3 internamentos em espera, 2 folhas de terapêutica de doentes que iam ficar em OBS…Macas, ou seja, um “OBS” onde se encostam os doentes em maca a uma parede, que muitas vezes parecia interminável. A cada um destes é atribuída uma letra, seguindo o abecedário, já ia na H. Era comum a competição para ver quem tinha tido mais macas, havia uns tantos enfermeiros que já se gabavam, por ironia, de ter chegado a ter a Maca B’, ou seja, tinham dado a volta ao alfabeto.
Um dos internamentos tinha ficado esquecido na secretária dos cirurgiões somente há 5 horas. Bem achava estranho aquele doente que se encontrava na Twilight Zone, nem num lado, nem no outro, mas também, mea culpa talvez, não me tinha dado ao trabalho de ir ver o que é que se passava com ele, talvez por permanecer calmo, indiferente à confusão em seu redor, talvez fosse daquele tipo de doentes tão crivado de hospitais, que se tornara imune à impaciência da espera. Tratava-se de um doente reencaminhado do Hospital de S. João, nem se justificava por ali passar, nada foi feito por enfermagem, apenas uma nota de circunstância.
Seria uma sorte, com a quantidade de exames em espera, conseguir um maqueiro para levar pelo menos um internamento antes das 23h, hora de passagem de turno. O meu colega continuava tarefeiro, no trinómio análises/soro/medicação, ao mesmo tempo que barafustava com a lentidão dos computadores. Com a impaciência, clicava sucessivamente até que davam o tilt. Esta Admissão mais parecia uma mini-central de computadores arcaicos que bloqueavam sistematicamente devido ao uso ininterrupto, o ruído que emitiam era oco e desgastante. O sistema Alert (programa criado para coordenar todos os procedimentos num SU) anda a 100 rotações por minutos, os enfermeiros da Admissão andam a 200, claro que dariam o pifo.
E.AEntão leva-me este internamento, se faz favor? Está prontinho!
Maqueiro 2Está bem. Onde está o processo?
Uii, estarei a ouvir mal?! Entrego-lhe o processo surpreendido e digo adeus e as melhoras ao senhor que estava esquecido. E assim terminava o tempo dos internamentos, senão ouvíamos das boas dos colegas lá de cima. Pego numa das folhas de terapêutica, escolho a de baixo, provavelmente a primeira a ser deixada na banca. Um senhor que tinha tido um pós-operatório complicado, tinha estado nos Intensivos e depois terá tido uma alta precoce. Continuava a perder sangue sabe-se lá por onde. Onde iria ficar? “OBS” Macas.
Tentámos numa última arfada, deixar o painel menos cintilante. Conseguimos finalmente atingir a meta, desta feita seria um atraso de 20 minutos. Nada mau…
Chega o colega da noite para receber o turno.
E a história termina da mesma forma que tinha começado,
E.AComo é tão bom ver-te! Deixa-me passar o turno que já estou saturado.
Casa, banho, cama… para a minha princesa.
Princesa - Então amor trabalhaste muito?!
E.A - Trabalhei…
Princesa - Também respondes sempre o mesmo, e adormece no meu peito.
FIM
Retiro-me com a escolha do Dj, espero que gostem,

domingo, 17 de maio de 2009

Um dia na vida de um Enfermeiro da Admissão - Episódio II


Cenas do último capítulo,
Médico 1 – ENTÃO O DOENTE AINDA NÃO ESTÁ EM OBS ???!!!
Final do Episódio I

Episódio II (O post anterior é o 1º episódio)

E.AJá comuniquei ao maqueiro, mas está ocupado.
Médico 1Não quero saber, quero o doente em OBS já!
Ouvindo a gritaria, lá aparece outro maqueiro para levar o senhor. E assim se ocupa a única vaga em OBS, com mais 2 ou 3 candidatos.
Colega de turnoSão 18 horas, convém lanchar, já tou a desfalecer.
E.AVai lá, rápido, e pede pra me reservarem 2 croissants e uma empada de marisco.
Colega de turnoA sério?!
E.ANão! Tou a brincar! Duas empadas antes.
Familiar 1Sr. Enfermeiro, já chegaram as análises do meu pai?
E.AVá ao gabinete do médico e pergunte, as análises são com ele.
NeurologistaSr Enfermeiro preciso fazer não uma, mas duas P.L’s.
E.ADoutor, estou sozinho aqui, quando puder…
NeurologistaEu fico à espera na sala do chefe de equipa.
Vai ser bonito… Vou adiantando o painel, atraso passa uma hora.
Avio 5 utentes, lombalgias, cólicas abdominais, dor de garganta, etc.. poderei dizer aviar, porque actuo em série, como nas fábricas, mal dá pra falar com as pessoas. Chega a senhora da Gastro, não tenho lugar para ela em OBS, não está muito estável, e agora?! Tenho que passá-la para a frente, os colegas vão me comer vivo. Vejo uns sinais vitais, confirma-se. Faço uma nota à pressa, ponho o soro mais pingado, inicio uma transfusão de sangue e levo eu mesmo a senhora para a frente, pois tinha conseguido finalmente o maqueiro para me fazer o internamento que agora já deveria estar pronto há 4 horas, o da peixeira terá que esperar. Rezo para que o doente não leve nenhuma surpresa desagradável para os colegas lá de cima, senão serei trucidado.
E Rezo, Avé Maria, cheia de graça, livrai-nos dos nossos pecados e fazei com que as onze horas cheguem depressa, obrigado e Amén!
Durante a reza, chega mais um internamento, este de cirurgia, tratava-se de uma senhora que estava apenas há 9 horas na admissão, vestida de negro, lenço à cabeça, permanecia sentada, imóvel, num cadeirão. Tinha pedra na vesícula.
NeurologistaEntão enfermeiro! As minhas PL’s?! Não posso esperar mais!
E.AOlhe vamos lá… Seja o que Deus quiser, Ele Olhará por os doentes que cá ficam!
Começamos a P.L, não era fácil. Estávamos na Sala de Agudos (fora da Admissão), até que alguém interrompe,
Médico 2Onde está o enfermeiro da Admissão?
E.A Está a olhar para ele.
Médico 2Preciso de um enfermeiro na Admissão!! O seu colega?
E.AFoi lanchar.
Médico 2Então vocês entram às 16h e vão lanchar!?
Pensei em fazer ao senhor um ensino sobre a necessidade de uma alimentação saudável e intervalada, a importância do lanche na dieta do indivíduo, designadamente naqueles que trabalham a sério, mas apenas respondi,
E.ANão Doutor, entrámos às 15:30. O meu colega já deve estar na Admissão.
Lá se conseguiu a P.L, corro pró lanche, já estou atrasado, engulo as empadas em dois minutos e sigo para cima. Ao contrário da fama conhecida, os enfermeiros da urgência também comem em dois minutos.
Regresso, tenho que ir prá Manchester, apenas 1 utente para triar. A colega que lá estava ainda não tinha parado de atender pessoas, foge num ápice e em silêncio, talvez tivesse em transe.
Trio dois, trio três, tiro liro, . Aproveito e levo um doente para Ortopedia, o maqueiro das fichas estava a fazer outro serviço, ou não. Passo pela Admissão, o colega continuava na correria, o atraso surpreendentemente era de 30 minutos. Vou picar um jovem, tinha dores de cabeça. Plano tipo: Análises, paracetamol na veia e soro. Dilema: perco o meu precioso tempo a questionar o médico sobre a necessidade das análises, paracetamol na veia e soro, ou seja, todo o plano?! Para isso teria que questioná-lo 40 vezes, não podia ser… Se calhar tem tido vómitos, será esse o motivo.
E.AVou-lhe dar uma pica, tiro um pouco de sangue para análises e ao mesmo tempo deixo um soro, pode ser?
JovemSim, responde franzindo o sobrolho, como que a estranhar a necessidade.
E.AEntão também tem vómitos?
JovemEu não… Só me dói a cabeça… há dois dias.
Questiono-me, revoltado, se este e outros médicos saberão da existência da “circular” que diz que neste tipo de situações, sem que o doente tenha tido vómitos, é preconizado dar paracetamol comprimidos. Abro a gaveta, já não há sistemas de soro, vejo o maqueiro, peço delicadamente para me ir buscar. Espero 10, 20, 30 segundos, como diria a minha mãe, “manda e faz serás servido”, lá vou eu então procurá-los. Volto a Manchester, mais valia Londres, cinco doentes em espera. Ao terceiro regressa a colega, volto para a frente da batalha. Vejo o meu colega da admissão com cara de pouco amigos,
E.AEntão que se passa?
Final do episódio II