quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Enfermeiros fogem da Urgência

Já por algumas vezes AQUI no PDDSE falei de stress e burnout. É um tema que me preocupa particularmente, pela saúde mental de todos nós.
A Urgência caracteriza-se por ser um dos serviços que mais problemas cria a esse nível. Não é novidade para ninguém, toda a gente o sabe. Devia haver um exame tipo psicotécnico para saber se uma pessoa teria ou não o perfil ou capacidade para trabalhar na Urgência. Aqueles que tivessem seriam de seguida encaminhados para um psiquiatra (esta era a brincar).
Bom isto é o exagero, mas qualquer um de nós deve ter um bocado de louco ou masoquista, para suportar vários anos seguidos de trabalho na Urgência.
O problema não está em trabalhar na Urgência, antecipando o que alguns de vos poderão comentar, o problema está em trabalhar na Urgência sem condições, sem motivação e sem recursos, principalmente humanos.
Por isto e por muitos outros motivos já discutidos neste blog, enfermeiros com largos anos de experiência em Urgência, disseram "basta" e apresentaram pedido de transferência.
O mais preocupante no meio disto tudo é que estes que fogem e outros tantos que têm ideias de fugir são profissionais competentes e reconhecidos como bons colegas.
Pergunto onde é que isto vai parar, se mesmo aqueles amantes e peritos em emergência estão saturados e com ideias de partir?

14 comentários:

  1. Subscrevo na íntegra.

    Assaltam-me a todos os segundos os mesmos pensamentos.

    O problema é que toda a gente aceita que a Urgência é para "sofrer"... quando deveria ser simplesmente para atender pessoas em estado crítico, não para deixar em estado crítico quem atende.

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  2. Já agora convido-o a ver o meu post :
    http://saudeeportugal.blogspot.com/2011/02/seguranca-nos-cuidados-na-urgencia.html

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  3. Oi, amigo Guilherme!
    Vc, me surpreende todos os dias!

    Antes q vc me pergunte, pela positiva.
    Já disse num de seus post, o doente sai do SU, morto, e o acompanhante, completamente LOUCO!

    Abraço grande!
    L.F.P

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  4. Por vezes sair do SU é apenas um ciclo que se fecha. Isto porque em Portugal , não há aposta em equipas conjuntas para o SU.Acrescido a isto em quase todas as urgências há doentes internados nos corredores. Isto leva a uma saturação, e a repetição de situações leva à partida e rumo a outros desafios.

    No SU os Enfermeiros são uma equipa que trabalha contra o tempo e de forma continua enquanto que os seus parceiros de luta diária a equipa de médicos muda todos os dias, pois não há uma equipa fixa dce médicos para o SU.

    Os nossos utentes por seu lado recorrem diáriamente ao SU por causas não urgentes e não são penalizados por isso. Enquanto isso e por causa disto outros casos que deveriam ser prioritarios não são atentidos nos tempos correctos da triagem de Manchester...

    Um bom Post para uma temática interessante. No "meu SU onde permaneci 9 anos e de onde saí poucos restam de uma equipa original, bastou um (eu) começar a sair para os outros o seguirem fruto da repetição de situações sem solução à vista que levaram à saída. E muitos deles eu inclusivé sempre pensamos que nunca iriamos sair, mas o nosso SU pode ter sido caso único ou talvez não.

    Abraço forte

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  5. a pergunta impoem-se: o colega trabalho no SUC do Hospital Santa Maria, Lisboa?!
    Ou esta situacao desrita e transversal a todos os SU?!
    A unica palavra que me ocorre para descrever o que me vai na alma e "Fodasse!"

    ABC

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  6. A augusta fez uma plástica...


    http://i24.photobucket.com/albums/c47/powerverde/carinhalarocapikeno.jpg

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  7. Isso acontece porque a grande maioria dos SU não têm sequer as mínimas condições. Posso referir, por exemplo, o SU da minha área de residência não tem as mínimas condições aliás, mais parece um hospital de um campo de batalha em pleno Iraque! Corredores completamente atulhados de macas com doentes, pessoas a gritarem por não serem atendidas a tempo e horas, níveis de ruído que quase "fura os tímpanos" a qualquer um, normalmente só há três enfermeiros de serviço, sendo que um fica na triagem (ou seja, restam 2 para prestar cuidados aos doentes), médicos esses então nem se fala, quando se encontra 1 num corredor é como encontrar um tesouro perdido, visto que passam a vida no bar a "cafeínar" e a pôr a conversa em dia. As instalações têm tantas condições que nem uma sala de reanimação tem (os doentes críticos são atendidos no balcão de tratamentos em conjunto com as pessoas que estão a fazer soroterapia e medicação), por falar em balcão de atendimento, são tantas e tantas vezes que está atulhada de pessoas a fazer soroterapia e os restantes doentes na mesma situação vão para a sala de aerossois, ficando esta também entupida. Por falar em doentes críticos, já assisti a um enfermeiro "insuflar" um doente em PCR com um pcket mask por não haverem insufladores manuais e tubos endotraqueais. O único serviço de exames de diagnóstico que funciona relativamente aceitável são os RX, as ecografias e os ECG's, porque as análises clínicas, o tempo de espera por elas é caótico! Depois temos uma administrativa que é tão competente, tão competente e é tão entendida em controlo de infecção hospitalar que não deixa os acompanhantes dos doentes ficarem à porta do hospital à espera, obrigando-os a esperarem na sala de espera dos adultos (uma sala normalmente cheia de pessoas aos espirros e a tossir por tudo quanto é lado, cheias de gripes e outras doenças infecciosas), ou seja, uma pessoa vai ao hospital acompanhar um familiar e sai de lá com uma valente gripe, lindo não é???
    Ah é já me esquecia, por falar no enfermeiro da triagem, este é muitas vezes obrigado a abandonar a triagem para ir socorrer um doente crítico que entra, atrasando assim o serviço. Já para não falar que os enfermeiros da triagem estão constantemente a serem maltratados e, por vezes agredidos até, por doentes que acham que a "cor" foi mal atribuída!
    Com condições destas, há cérebro e corpo que aguente? Não nos podemos esquecer que os enfermeiros são humanos e também estão sujeitos aos vastos malefícios que o stress provoca no organismo humano, quer à parte física, quer psíquica...

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  8. Olá a todos!
    Em jeito de comentário geral,
    Convido-os a lerem o post do Mauro, demonstra na perfeição os riscos de burnout. Exelente post do Mauro (link em cima)
    ABC,
    não trabalho em Lisboa, trabalho em Viana. Mas pelo que se vê aqui nos comentarios, esta é uma situação transversal
    Henrique,
    De certeza que não és enfermeiro ou outro prof de saude?? Olha que parece..
    E esse hospital que referes bem que parece um bem perto de Viana
    Essa da pocket mask é brutal..
    Abraço

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  9. Caro guilherme,
    garanto-lhe que não sou prof de saúde, sou um estudante do 12ºano com um grande sonho, ser enfermeiro. Posso-lhe dizer que são tantas e tantas vezes que sou apelidado de futuro limpa-cus e técnico de halibut, aliás sempre que refiro a alguém sobre a minha paixão pela enfermagem, sou sempre insultado com esses "nomes carinhosos". Pela razão de ser insultado é que procuro através dos meios que posso descobrir o que realmente é a profissão de enfermagem, procurando também diversos "debates" sobre o assunto com familiares meus enfermeiros e posso confessar também que sou completamente viciado em séries médicas/enfermagem (Nurse Jackie, E.R, Hawthorne etc) isto tudo para mostrar a essas mesmas pessoas o quanto importantes são os enfermeiros na área da saúde, talvez daí os nomes técnicos que disse e que o fizeram suspeitar de poder ser prof de saúde. Posso-lhe dizer que este hospital a que me referi no comentário anterior fica muito longe de Viana, é um hospital do distrito de leiria. A situação da pocket mask que referi é verídica. Eu após um dia com vómitos violentos e após o enfermeiro da saúde 24 me ter aconselhado a dirigir ao hospital, estava eu muito bem já a fazer soro quando um doente que estava à minha frente entra em PCR e o enfermeiro teve que o insuflar com uma pocket mask! O que aconteceu depois eu não sei porque uma outra enfermeira tirou-me de lá para a sala de aerossóis...
    Abraço

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  10. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

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  11. Caro comentador das, 14:05/02 de Março.
    Que lindo!
    Podia ter feito o mesmo comentário com educação e respeito por todos.
    Mas, pelos vistos, além de parecer ter se queimado, está hábituado a aceitar tudo que lhe dão e fazer, tudo que lhe mandam. será??

    Quem ainda não cresceu, foi o senhor, que veio para o blog, ofender, sem argumentos.

    Lamento tanta falta de nobreza!!
    Respeite, se quer ser respeitado!!

    O SR.ADMINISTRADOR É UM VERDADEIRO, SENHOR, REMOVEU A SUA MENSAGEM!

    Desculpe guilherme, mas eu já tinha lido e não consigo deixar de expressar, o meu sentimento.

    Abraço!
    L.F.P

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  12. ola LFP!
    caramba está mesmo online no blog! só deixei estar uns segundos esse infeliz comentario desse anonimo. Nao se preocupe de vez em quando recebo este tipo de comentarios... é normal num blog... nem todos podem ter ideias construtivas, ou ter classe. Mas so tenho dois trabalhos... lamentar e eliminar
    G.

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  13. Caros comentadores e administrador de blogue, concordo com tudo aquilo que foi dito, no entanto permitam-me que introduza o seguinte comentário:
    Os tempos de descanso são necessários para a recuperação da fadiga e das exigências emocionais a que os enfermeiros estão sujeitos na urgência, no entanto, o duplo, triplo e quádruplo emprego nestes profissionais é uma realidade, como é que podemos exigir algo se nós próprios contribuimos para o desgaste. Dou um exemplo será que um enefermeiro que faça noite numa urgência e vá fazer manhã num hospital/clinica particular tem o discernimento para executar as suas tarefas......
    Sei que vão chover comentários de que os médicos fazem 24 h e ninguèm diz nada......

    Seguindo o post e site do mauro relativamente ao erro clínico, um estudo britânico evidencia que se os médicos que fazem 24 h e que descansam habitualmente 4 h, fizessem um descanso de mais 1 hora reduziriam os erros em cerca de 35%.
    Por vezes olhamos para tudo o que está á nossa volta e esquecemos que ás vezes tb somos nós o foco do problema.

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