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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Encerramento de valências no Hospital de Viana?



O mandato deste ministro da saúde vai ficar marcado pelas abruptas reformas, encerramento de valências, encerramento de SAPs, serviços de urgência, etc e cortes brutais na despesa que trazem graves repercussões em doentes com patologias crónicas.
Todos tivemos efectivamente noção que isto iria acontecer, que a saúde iria sofrer, mas talvez não esperássemos esta intensidade, esta razia.
Mais surpreendidos ficámos com o facto de a saúde ser o sector mais atingido pela crise em Portugal. Alguém percebe porquê? Será que está a ser um exagero desmesurado? Ou será que alguns encerramentos fazem sentido? São estas as minhas duvidas. Não tenho consciência exacta das estatísticas no nosso hospital, mas tenho a percepção de que (p.e) o Serviço de Obstetrícia faz todo o sentido, mas o mesmo já não poderei dizer em relação ao Serviço de Neonatologia, que anualmente apresenta um número demasiadamente curto de internamentos. 
Poderei estar enganado e poderei ferir várias susceptibilidades, mas é esta a minha percepção, é isto que tenho ouvido até por pessoas da área. 
Seria viável uma fusão do Serviço de Pediatria com Neonatologia? Não sei... alguém entendido na matéria que se pronuncie. 
 Mesmo assim eu sou contra o encerramento radical de valências no nosso hospital, apesar de concordar que, aqui, alguns parênteses poderão ser colocados.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pânico na Urgência Pediátrica

A Urgência Pediátrica é certamente o pior sector de trabalho para o(a) enfermeiro(a) do Serviço de Urgência.
As queixas dos profissionais que lá trabalham são contínuas e demasiadamente graves.
Reivindicámos:

  • 2 elementos de enfermagem em permanência no turno da Manha e tarde (já para não falar da noite… É desumano deixar a Urgência Pediátrica à responsabilidade de apenas 1 enfermeiro. É impensável este sector ter 3 ou 4 pediatras para apenas 1 enfermeiro).
  • 1 assistente operacional de permanência (há apenas uma assistente para a Triagem e Urgência Pediátrica, dois locais extremamente exigentes).
  • Melhores e mais eficazes formas de segurança de profissionais e utentes (qualquer pessoa entra na Urgência pediátrica, quer por uma porta de acesso aos contentores, quer pela conivência dos porteiros e os episódios de ofensas aos enfermeiros e médicos são constantes).
  • Maior controlo do número de acompanhantes (pelo mesmo motivo anterior).
  • Maior e mais adaptado espaço físico (isto só será possível com obras ou com a nova Urgência que se fala... Há dias em que este local mais parece um cenário dantesco, com as crianças e pais amontoados num espaço ínfimo sentados no chão e em escadas.
  • Algum bom senso e critério da parte médica. (muitos são os pediatras que dão indicação aos pais de trazerem a criança a urgência como se de uma consulta externa se tratasse. Além disso nota-se cada vez mais um aumento absurdo e inexplicável nas prescrições, principalmente de procedimentos clínicos. Imaginam o que é um enfermeiro a executar 6 ou 7 procedimentos clínicos prescritos pelos 3 ou 4 pediatras para cada criança?! Parece que as prescrições são feitas como que se o enfermeiro se tratasse de uma máquina fabril.
  • Uma larga sensibilização aos pais para recorrer ao Serviço de Urgência só em caso estritamente necessário (aqui também os enfermeiros têm responsabilidades e deveres)
Espero que isto chegue a quem manda!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Missão sorriso - S. Pediatria ULSAM

"Este ano, para além de poder contribuir, é você quem decide quem vamos apoiar."
Em 2009 estão a concurso 27 projectos oriundos de Hospitais Pediátricos, Maternidades ou Hospitais com serviço de Pediatria e/ou Obstetrícia
Este ano, a Missão Sorriso, convida a população a votar no projecto apresentado pelo hospital da sua localidade.
Toda a População Pediátrica do Alto Minho, isto é, cerca de 44.000 crianças e jovens, que são os utentes do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Luzia.
OBJECTIVO
Remodelar o Serviço de Internamento de Pediatria, de modo a criar condições para que as crianças e adolescentes fiquem internadas por grupos etários, num ambiente mais seguro e confortável. Transformar as enfermarias em quartos com um máximo de duas camas e instalações sanitárias privativas. Climatização de todo o Serviço, melhorando o bem-estar dos doentes, e criando condições mais favoráveis à cura. Criar espaço lúdico para os jovens (até aos 18 anos) internados, independente do dos mais pequenos.
Vamos ajudar este projecto a vencer!
Há 27 projectos em concurso, mas só 5 serão contemplados.
Para votar basta "clicar" no link
Precisamos da ajuda de todos os amigos!!!!!!
Vamos fazer com que a região do ALTO MINHO tenha melhores cuidados Pediátricos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Morangos com pimenta




Assusta-me pensar como serão as nossas crianças/adolescentes no futuro. Liga-se a televisão, vemos desenhos animados parvos e violentos (que é feito das Aventuras de Tom Sawyer, do Dartacão, da Alice no país das Maravilhas e do Benji e Oliver?!); séries tipo CSI's, NCIS's e outras que tais, onde o crime é o cenário principal (volta MacGyver, que saudades!); Concursos musicais género Ídolos e Nasci pra cantar ou Só um pode ganhar, onde se apresenta o mundo virtual da fama aos principais alvos, crianças e jovens, sedentos de protagonismo e afirmação (volta Bota Botilde, estás perdoada!) e por último temos o ex libris da parvoíce da televisão nacional, a novela Morangos com açucar, que já lá vai na 8ª ou 9ª série e promete ir para a 47ª ou mais, onde os putos são malcriados com os pais e entre eles, comem fastfood e os melhor sucedidos, nesse vazio conto, são aqueles que são mais bonitos, têm mais pinta e sabem cantar ou dançar, (já não se produzem novelas tipo, Meu pé de laranja lima, Roque Santeiro e Tiêta do Agreste). Aii a Tiêta.. Tiêta do Agreste, Lua cheia de tesão, É lua, estrela, nuvem, Carregada de paixão.. ops, desculpem já estava a cantarolar.

Bom adiante, mas perguntam vocês o que é que isto tem a ver com enfermagem??! Tem tudo.. cabe ao enfermeiro proporcionar uma boa saúde infantil, e como tal, educar, principalmente os pais, encontrando alternativas ao lixo da TV nacional (salvo raras excepções). Como estamos na época do download, que saquem As Aventuras do Tom Sawyer, olha eu vou fazê-lo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Eduardo, uma criança anorética


Ao longo da nossa curta/longa experiência como enfermeiros decerto que já nos deparamos com situações que mexeram connosco de alguma forma. Umas deitam-nos abaixo, outras engrandecem-nos, umas deixam-nos enfurecidos, outras fortalecem-nos. Mas acima de tudo há situações que marcam, que sensibilizam. Esta é uma delas,
A mãe do Eduardo já o teve fora de tempo, mas não seria por isso que seria indesejado, muito pelo contrário. A mãe teve uma gravidez de risco, o período fértil tinha sido ligeiramente ultrapassado. O Eduardo nasceu prematuro e de saúde débil. Foi a partir desse momento que se tornou o protegido da família. Era o menino querido dos olhos da mãe. Também era o único macho de três irmãos. Tinha os olhos doces, cor de mel, de um sorriso fino e meigo. Tinha 14 anos e costumava ser titular nos juvenis do Fão, jogava a central com número 5 às costas, o do seu ídolo, Fernando Couto. Nos últimos tempos tinha perdido a titularidade, passava os tempos mais nos hospitais. Tinha perdido 12 quilos em 9 meses, sofria de anorexia.
A sua fragilidade e superprotecção tinham alimentado o distúrbio.
Permanecia sereno, deitado numa maca, com sua mãe em pé, a seu lado. O seu coração trabalhava lentamente, era a forma do seu corpo responder ao défice de proteínas. Tinha alturas que batia a 30 pulsações por minuto, mas com o estímulo da conversa que com ele mantínhamos, logo subia para valores razoáveis. A Pediatra adoptou uma postura radical logo desde o início, o que eu não condenei, achei que podia funcionar esta terapia abrupta, Eduardo, tu podes morrer, se o teu coração continua a bater desta forma, podes morrer. Sua mãe chorou de imediato e eu engoli em seco. Ele apenas comunicava com os olhos, dando a entender que percebia a gravidade da situação. A médica também se comoveu e moderou o discurso, Tu não tens amigos? Sim, respondeu. E então não queres continuar a ter?! Olha o mundo lá fora, tens tanta coisa a tua espera. O dia ajudou, amanhecia lá fora, e mesmo dali dava para saborear aquele dia de Verão perfeito.
Os raios de sol penetravam timidamente pela vidraça e o silêncio da manhã reinava quando o Eduardo também chorou. As lágrimas deslizavam pela sua face esguia, a sua expressão permanecia quase inalterável. Aquelas lágrimas poderiam ser a sua salvação, senti-as como o sinal de mudança.

Assim o espero Eduardo, o mundo espera por ti.