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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Em Viana há um novo corredor na Urgência

(ATENÇÃO: ESTA FOTO É RETIRADA DA NET, NÃO SE TRATA DA UNIDADE MENCIONADA NESTE POST)

Em Viana já se pode correr livremente pelo corredor do Serviço de Urgência e as macas já circulam sem que sejam como um carrinho de choque.
Um mês após a publicação do post "Ainda se morre nos corredores das Urgências", onde procurei alertar entidades e acima de tudo cidadãos, sobre a decadência desta realidade que se vive um pouco por todo o país, é com dever de consciência e sentimento de felicidade que noticio que agora, pelo menos no nosso Hospital em Viana do Castelo, o risco de se morrer num corredor de Urgência é diminuto ou provavelmente nulo. 
Recentemente foi aberta, para os utentes do Serviço de Urgência deste Hospital, a Unidade de Decisão Clínica (UDC), que recebe os utentes que anteriormente aguardavam no corredor. Esperada e desenhada já há vários anos, esta é uma mudança que procura minimizar ou eliminar as precárias condições de conforto e vigilância dos utentes que esperavam, várias horas, até mesmo dias, por uma decisão clínica.
As condições não são como as noticiadas na SAPO, onde os utentes têm direito a uma cama, continua a ser uma maca, mas se a estadia do doente for curta, aceita-se. O problema está quando não o é, o que acontece com frequência.
Além da melhoria no que diz respeito à privacidade do utente, com a criação desta UDC realço outros improvements como a presença de luz natural e a sua forma estrutural em U deitado, o que possibilita para os enfermeiros, visão com campo aberto para todos, ou quase todos os utentes.
Relativamente ao número de vagas já ouvi versões diferentes, na mesma página da SAPO são 25, na Rádio Alto-Minho, já são 20, outros até falam à volta de 30. Lamento mas não disponho do número certo, o que disponho é da imagem da Unidade de Decisão Clínica de Braga e outros hospitais quando estão a abarrotar, por isso em alturas criticas, ou há a capacidade de drenar eficazmente os utentes, ou voltamos ao mesmo e acabamos a dar razão aos mais cépticos que mesmo com a criação da UDC não acreditam que a médio, longo prazo, deixarão de haver doentes nos corredores da Urgência em Viana. Eu sou mais optimista, daqui a meio ano falamos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Injustiça Racial (uma questão de rácios)


A gestão de recursos humanos é provavelmente a pasta mais complexa numa administração hospitalar. Definir os rácios ideais para uma Unidade, mobilizar e integrar trabalhadores aos quais lhes foram atribuídos "serviços moderados", são alguns exemplos que comprovam essa complexidade.

No meu hospital (e em qualquer hospital) poucas são as Unidades que requerem "serviços moderados" e muitos são os trabalhadores com "serviços moderados".
Ora, isto é um problema grave, que causa sérios desequilíbrios na "produção" hospitalar e que conduz aquilo que eu denominarei de Injustiça "racial". Não se refere a raças ou racismo, mas sim a rácios!
Injustiça "racial" para mim é encontrar, por exemplo, Unidades com mais de 30 doentes internados, muitos deles totalmente dependentes, para 2 enfermeiros e 1 assistente operacional e no lado oposto, Unidades de consulta (maioritariamente) médica, com 3 enfermeiros e 2 assistentes operacionais. Estará tudo invertido?!

As primeiras, como disse, têm internados vários doentes acamados, com necessidade de uma multiplicidade de cuidados e como este blog não pretende ser apenas para profissionais, passo a enumerá-los de uma forma básica e fria:
posicionamentos na cama para evitar escaras;
levantes da cama e mobilização, para evitar atrofia muscular e monotonia p.e, para o doente;
massagem corporal;
administração de medicação; soros e sangue, entre outros
avaliação de sinais vitais;
pensos simples e complexos, como por exemplo a escaras profundas;
cuidados de higiene (total ou parcial por rotina ou as vezes que forem necessárias) e conforto a doentes totalmente dependentes, assim como ajudar/supervisionar os mesmos cuidados a doentes com alguma autonomia;
alimentar doentes dependentes via oral ou via sonda;
cuidados a traqueostomias, colostomias, etc
quando necessário, algaliar, colocar sondas no tubo digestivo, sondas rectais, cateteres nas veias, aspirar secreções através de uma sonda e aspirador respiratório;
colher sangue para análises;
reanimar doentes que entram em colapso cardiaco e/ou param de respirar;
registar num computador tudo isto e muito mais;
fazer trabalho administrativo, como por exemplo organizar papeladas e atender telefones, entre outros;
fazer a admissão de doentes (questionário/avaliação de vários parâmetros);
fazer ensinos aos doentes e família, preparação para alta;
colaborar em técnicas médicas específicas;
transferir (acompanhar) doentes interna e externamente e at last but not at least;
ouvir o doente, dialogar com o doente e dar-lhe a mão quando ele(a) assim precisar/quiser, coisas que alguns acharão básicas mas imprescindíveis, que aprendemos ao longo da nossa vida, académica ou não, que aprendemos nos congressos de Ética, Cuidados Paliativos, Dor, etc e que no final todos batem palmas (gestores, administradores e porventura ministros incluídos) e chegam à conclusão que não se faz mais porque não há tempo, nem pessoal, enfim... outros assuntos.
Todo este trabalho (e mais algum que decerto esqueci) é efectuado pelos enfermeiros (dois), com a colaboração sintonizada de assistentes operacionais (um) que, para além disso, têm sob a sua responsabilidade funções de mensagueiro, limpeza de instalações e dispositivos, etc. Isto tudo para um turno de 8 horas.

As segundas (para quem já perdeu o fio à meada, é favor ver o final do penúltimo parágrafo), são Unidades de consulta, onde o trabalho de enfermagem e de assistentes operacionais, é importante mas periférico, ou seja, o que conta efectivamente ali são os actos médicos, que obviamente precisam do apoio do enfermeiro e assistente operacional, mas não passa disso... apoio e pouco mais. E que me desculpem os mais sensíveis, mas é a percepção que tenho.

Nas primeiras vemos enfermeiros stressados, num correrio para tentar cumprir em benefício do doente, enfermeiros que muitas vezes passam e atrasam as suas próprias refeições e saem em desgaste das Unidades para casa, passado meia ou uma hora da hora que deveriam sair e vemos enfermeiros irritados com as condições de trabalho e que aderem em bloco às greves.

Nas segundas vemos enfermeiros relaxados, várias vezes sentados, aparentemente com um volume de trabalho perto do moderado e que raramente ou nunca fazem greve, porque irritação e indignação no trabalho é coisa que não lhes assiste. Ainda bem que assim é e que assim seja, pois não desejo isso a ninguém.
Não me oponho a que estes colegas estejam sentados, relaxados, até nem me oponho aos rácios que têm. Oponho-me sim é aos rácios das primeiras.

Infelizmente há alguns exemplos de injustiça "racial" nos hospitais. Um que considero demasiadamente grave é no meu contexto profissional e que talvez já tenha sido aqui abordado várias vezes: número reduzidíssimo de assistentes operacionais (vulgarmente designados auxiliares e maqueiros) que desempenham um vasto leque de tarefas, que não é necessário estar a enumerá-las e o que acontece diariamente é ter que procurar e esperar por um assistente operacional, porque efectivamente eles estão sobrecarregados e não se conseguem multiplicar para responder ao volume de trabalho que este contexto (Urgência/Emergência) requer. Por outro lado, vou a um Serviço de Obstetricia, onde encontro sempre várias assistentes operacionais em.... digamos, stand by.
Para reflectir...
Abraço!

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Gincana no Corredor do Serviço de Urgência


Grande parte das macas do corredor do Serviço de urgência foram substituídas por camas modernas e aparentemente mais cómodas para o doente.
Louvámos a intenção de quem tomou tal decisão, de facto os doentes que continuam a permanecer longas horas a fio, no corredor, merecem pelo menos, menos desconforto.
No entanto há algo importante a relembrar a quem tomou tal decisão: Leis da física.
Se já anteriormente, com as macas encostadas à parede, de um e de outro lado do corredor, seria tarefa difícil para os Assistentes Operacionais, passarem com os doentes em maca ou cama, num corredor carregado de obstáculos, tornou-se agora por razões físicas, quase impossível.
O princípio básico de que um corredor de um Serviço de Urgência deva estar desimpedido para situações de emergência, desapareceu agora com esta mudança.
Por vezes temos as melhores das intenções, mas como dizia o outro, "é preciso ber! Ber!"
Finalizo questionando se camas no corredor, não será também um convite para deixar os doentes no Serviço de Urgência...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Assistentes Operacionais roubados


Ficamos frustrados, indignados por nos pagarem muito abaixo do justo, para aquilo que é a nossa competência e responsabilidade. Ficamos revoltados com os cortes no vencimento, com o corte nas horas extraordinárias.

Agora imaginem como se sente um Assistente operacional que trabalha no duro (os que trabalham) e recebe 400 eur, sem direito a ser recompensado pelas horas extraordinárias, caso faça turnos extra.

No mesmo meio temos os 2 extremos,alguns  médicos com vencimentos, que nos dias que correm, podem ser considerados milionários, com o acréscimo de lhes serem bem pagas as muitas horas extra que fazem e no outro extremo funcionários com o salário mínimo nacional, que nem horas extraordinárias recebem.

Os sindicatos andam a dormir, o governo a roubar o pobre e os portugueses a taparem os olhos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Trabalhar no Novo Hospital de Braga


Acho que seria importante que todos tivessem conhecimento acerca da realidade de um hospital Publico privado, ou melhor Privado (e muito pouco de ) público. Trata-se de um relato de um enfermeiro (anónimo) do hospital Escala-Braga, cujo objectivo será decerto difundir a sua mensagem ao maior número de pessoas possível. O meu comentário segue no final

“Trabalhar no Novo Hospital de Braga

Como Enfermeiro no novo Hospital de Braga, venho manifestar a minha insatisfação e preocupação, pela forma como foram calculados os rácios do número de doentes por Enfermeiro, em quase todos os serviços de internamento.
É humanamente impossível prestar cuidados de saúde de excelência. A Sr.ª Enfermeira Directora, com a conivência das Enfermeiras Chefes dos serviços de internamento, disponibiliza diariamente das 20:30 horas às 09:00 horas apenas dois Enfermeiros e um Técnico Operacional (Auxiliar de Acção Médica) para um total de 30 doentes internados. Durante a tarde, fins de semana e feriados, todo o dia, cada enfermeiro fica responsável por 10 doentes!
Gostaria de lembrar que somos um Hospital Central (do SNS), de doentes agudos e instáveis, que requerem muita vigilância e cuidados diferenciados. Para além de que é referência para toda a região do Minho (mais de um milhão de habitantes).
A agravar as condições de assistência médica tem sido prática recorrente, e por decisão da administração, encerrar alas completas de determinadas especialidades. Obrigando, consequentemente, à passagem dos doentes para outros serviços, muitas vezes, de especialidades totalmente diferentes, e com outras especificidades.
Isto acontece por motivos puramente economicistas, que colocam em causa os interesses primordiais do doente. Mas também os profissionais de Saúde são afectados com estas políticas da administração do Hospital. Muitos têm sido frequentemente mudados de serviço, dispensados, por vezes, acontece a meio de uma jornada de trabalho, etc. Isto traduz-se, obviamente, numa enorme instabilidade profissional e familiar (sim, porque, não se lembram estes senhores, mas também temos famílias, que também sofrem com toda esta situação). Obviamente, com todas estas ocorrências, os enfermeiros, nunca são integrados nos novos serviços (muitas vezes, radicalmente diferentes), e deparam-se com 10 doentes, ou mais, ao seu cuidado, com características e cuidados exigidos, com os quais podem os profissionais não estar tão familiarizados. Sofremos nós, os enfermeiros, mas sofrem ainda mais os doentes.
A agravar este cenário, assistimos mensalmente, a mudanças na organização do tempo de trabalho. Em poucos meses de vida, este novo hospital já nos proporcionou os mais diversos e engenhosos tipos de horários! Tudo para tentar economizar mais alguns trocos! Seja por omissão de passagens de turno ou por redução de elementos em determinadas sobreposições, mais uma vez, as opiniões e interesses dos profissionais, não são tidos em conta. E muito menos pensa o Hospital se estas constantes alterações nas rotinas de trabalho afectam os doentes.
Quase todos os dias confrontamos as nossas Enfermeiras Chefes com as dificuldades que enfrentamos: o número reduzido de profissionais (Enfermeiros e Assistentes Operacionais) nos respectivos turnos de trabalho; a dificuldade de vigilância dos doentes; a impossibilidade de prestar cuidados de saúde de excelência. Para espanto nosso, as nossas chefias (Enfermeiras Chefes) não nos apresentam soluções e “choram como Madalenas arrependidas”!
Custa-nos entender que tenham este tipo de atitudes, quando a maioria delas antes da Parceria Público Privado com o Grupo Mello eram reivindicativas e firmes quanto aos rácios do número de doentes por Enfermeiro. E, algumas delas, ainda têm a “lata” de responder agora que “temos de ajudar o Grupo Mello”.
Nós profissionais, pensava-mos que ia ser um orgulho inaugurar um Hospital novo, com condições de resposta muito boas para todos: profissionais e doentes. Enganámo-nos redondamente! Condições para os doentes e visitas, sim. Melhorou substancialmente. Embora já se comece a notar que a escolha, da generalidade dos materiais, foi de péssima qualidade. Já existem muitas coisas estragadas e partidas, ainda com tão pouco tempo de uso (o ar condicionado continua a não funcionar correctamente, o sinal nas TVs é vergonhoso, inúmeras fechaduras danificadas tal como o porta papel dos WC, etc.)
Quanto às condições de trabalho para nós profissionais, falta quase tudo… Só para dar dois exemplos: os gabinetes de Enfermagem são minúsculos (não cabemos todos, nas passagens de turno, quando transmitimos aos colegas que nos vêm substituir, toda a informação importante dos doentes que estão internados); e é inadmissível não haver uma televisão para que consigamos estar despertos durante a noite (já que passamos 24 horas por dia com o doente); mas em cada enfermaria de duas camas, existem duas televisões LCD).
É também preocupante, que em certos períodos (feriados e fins de semana), exista apenas um maqueiro para dar apoio a todos os serviços de internamento do Hospital. Por norma, e na melhor das hipóteses, um exame “urgente” pedido de manhã é realizado ao final do dia, ou então no dia seguinte. Tem sido, muitas vezes, a boa vontade dos Enfermeiros e dos Assistentes Operacionais a evitar que muitos doentes não agravem o seu estado clínico ou algo mais grave, porque não realizaram um determinado exame atempadamente. Tudo porque o Hospital não quer pagar a mais alguns maqueiros.
A alimentação dos doentes, é também uma situação embaraçosa. É recorrente faltarem dietas, outras vêm incorrectas. Muitas vezes a porção do peixe e /ou da carne, é minúscula, etc. Tudo isto, começou apenas a acontecer, e de forma sistemática, após a privatização da cozinha do hospital.
Não menos frequente, é o facto de muitas vezes, quando se pede medicação à farmácia para os doentes, aparecer uma nota a dizer que o fármaco está esgotado. O que obriga o médico, a prescrever uma alternativa, se existir. Outra solução, que tem acontecido, é pedir à família para ir comprar a uma farmácia do exterior. Só assim o doente que está internado num hospital do SNS, pode fazer convenientemente a sua medicação; para não falar da medicação diária para o doente internado (designada unidose), que chega aos diversos serviços “tarde e a más horas”, mal identificada e com inúmeras faltas, enfim uma “balbúrdia”, o que nos obriga a nós Enfermeiros a uma atenção redobrada, para não haver troca de medicação.
E que dizer do ultraje, que é o parque de estacionamento do novo Hospital para os funcionários?! Ser obrigado a pagar 40,00€, ou mais, por mês, para poder exercer a profissão, é no mínimo um abuso. Para um Assistente Operacional, por exemplo, representa num ano o subsídio de Natal.
Para terminar, quero ainda denunciar o facto de existirem neste Hospital muitas disparidades no que toca à remuneração de profissionais iguais, que desempenham as mesmas funções. Após a privatização, profissionais que já trabalhavam há muitos anos no Hospital de São Marcos, foram “forçados” a mudar o seu contrato e, consequentemente, a trabalhar mais horas (de 35h para 40h semanais). No entanto, passaram a receber menos dinheiro, pois os suplementos nocturnos e de fim-de-semana, foram reduzidos de 50 e 100% para 25% e 0%. Ora, se estes profissionais, continuam a desempenhar as mesmas funções e a trabalhar para o mesmo SNS, não se compreende a sua desvalorização financeira, quando outros colegas mantêm a mesma remuneração.
Com tudo isto, penso que os profissionais de Saúde e a população utente do novo Hospital de Braga, ficou a perder em relação ao “velhinho” Hospital de São Marcos. Os profissionais de Saúde sentem-se desmotivados com todas estas situações. Eu próprio, sinto vergonha de ser Enfermeiro (profissão que sempre adorei e adoro) no novo Hospital de Braga. Aqui não me considero Enfermeiro, mas sim um “Jornaleiro” (sem desprazer pelos jornaleiros), a prestar cuidados a doentes, que necessitam de atenção da nossa parte, e que não a têm, pois já não temos tempo para lha dar.
Este sentimento aqui expresso por mim, é comum a todos os profissionais desta Instituição.
Com tudo isto, eu espero que a nossa Ordem, os Sindicatos, a Entidade Reguladora da Saúde e os Líderes parlamentares dos vários partidos pelo círculo de Braga, tomem uma posição, para que se possa mudar algo no nosso Hospital. Temos de voltar a prestar cuidados de Saúde de excelência, e a ter orgulho de ser Enfermeiro e de trabalhar no Hospital de Braga.

Um Enfermeiro"

Apesar de haver um ou outro pormenor que achei irrelevante que o autor referisse, pois a maioria das pessoas não entenderão (como a TV para os profissionais poderem ver), são gritantes as mudanças para pior no nosso sistema de saúde, tanto para os doentes, como para os profissionais. Algumas delas já aqui no PDDSE têm sido referidas, mas nunca é demais voltar a lembrar. A ver se despertámos para a podridão em que isto se está a tornar. A crise não pode ser a desculpa pelas injustiças que se cometem desde muito tempo antes de se ouvir falar em crise.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desabafo urgente

Caro Guilherme e restantes colegas do SU do HSL (ULSAM). Por momentos achei que já tinhamos batido no fundo e era impossivel piorar, enganei-me. Aquilo que era desrespeito pela dignidade profissional dos enfermeiros transformou-se em violação da dignidade humana das pessoas que exercem enfermagem naquele serviço. Acontece que agora já sou mais cauteloso quando me questiono se será ainda possivel piorar mais, pois acredito que embora díficil basta pensar um pouco para encontrar uma ideia manhosa para tapar mais um buraco.

Outra questão que me coloco é até quando isto irá continuar?
Obviamente que não consigo responder. Todos os meus anteriores prognósticos foram totalmente erróneos.
A equipa de enfermagem está totalmente fraccionada e desgastada, que nem para lutar consegue arranjar forças, torna-se facilmente manipulável. A maior parte dos colegas perdeu o respeito por si próprios.

Reconheço que mesmo nestas condições parte significativas dos colegas conseguem manter um nível de qualidade e profissionalismo magnificos. Agora peço-vos um esforço mental para imaginar enfermagem de urgencia/emergência se se cumprissem algumas metas fundamenais:

- racios seguros;
- horários normais (35h/semana);
- formação em serviço;
- supervisão clinica em enfermagem;
- organização dos medicamentos e material de consumo clinico;
- integração e acompanhamento dos elementos recém-chegados;
- equipa de transferência de doente crítico;
- reuniões de serviço para aferir formas de actuação, resolver confiltos e estabelecer objectivos alcansáveis;
- manutenção adequados dos equipamentos;
- dotação de Assistentes Operacionais adequadas;
- orientação desses mesmos Assistentes Operacionais sobre estratégias de trabalho e objectivos a atingir;
- Reuniões multiprofissionais para construir objectivos e estratégias comuns (respeito efectivos pelas várias classes profissionais, nomeadamente os menos diferenciados, porque como seres humanos são iguais ao director de serviço ou ao primeiro ministro)
...
.....

Ops, desculpem estava a sonhar!
Voltando à realidade.
Este comentário serve apenas para desabafar. Não vai trazer qualquer mais-valia. Tem o valor que lhe os leitores lhe queiram dar. Para mim ajudou a fazer um pouco se psicoterapia.

Não me identifico por razões óbvias.
Perguntarão vocês porquê? E eu repondo... Já vi coisas que pensei não serem possiveis.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Coisas que nos caem mal - "Está todo cagado!"


Abro aqui um novo espaço de reflexão/discussão sobre atitudes do nosso dia a dia, que nos caem mal. Infelizmente há muitas coisas que me caem mal, não fosse este blog ter o título que tem.
Uma delas é quando profissionais de saúde dizem uns para outros - Este doente está todo mijado/cagado! - junto ao infeliz doente e junto a outros doentes e/ou acompanhantes.
O lamentável facto, na minha opinião, só se poderá dever à banalização do triste acontecimento. Já é tão natural encontrar um doente "cagado ou mijado" que as pessoas não medem o que dizem. Se já não é de bom tom referi-lo em conversas entre colegas, mau será quando o próprio doente e outros estão presentes. Não bastava o desconforto de estar "cagado ou mijado", tinha que alguém proporcionar o duplo desconforto ao referi-lo da forma mais rude. Eu nestas situações costumo pôr-me do lado de lá e imaginar-me todo "cagado ou mijado" e o quanto iria achar oportuno que terceiros o soubessem.
Pensem nisso e digam lá se não é verdade!
Nota: Este espaço também é teu por isso, conta lá o que te cai mal.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nervos à flor da pele


Passou há dias uma reportagem na RTP 2 sobre um tema que eu acho que devemos estar atentos e que já por algumas vezes se falou no pddse - Burnout ou sindrome exaustão. Vejam a reportagem, está muito interessante, na minha opinião. Cliquem no seguinte link - Nervos à flor da pele

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O problema dos Maqueiros


Sou contra a designação MAQUEIRO. Ao maqueiro associamos maca, indivíduo no qual o seu trabalho gira em torno de uma maca. É um termo, a meu ver, um tanto ou quanto redutor. Até porque sabemos que, no caso deste SU, para alguns maqueiros, o seu trabalho não fica unicamente confinado a uma maca. Às vezes repõem material, uma vez ou outra, a muito custo, colocam um urinol a um doente e uma vez já vi um maqueiro a limpar um vomitado... minto, duas. Numa das vezes estragou tudo quando, após o elogio de UMA auxiliar de acção médica, disse, "Isto devia ser para vós". Ora, daqui só me ocorre um termo - MACHISMO em bruto.
A ideia de que o maqueiro só serve para desempenhar funções exclusivamente de carga, trabalho de peso, só para homens, já devia ter terminado há muito, até porque a categoria de MAQUEIRO, já há muito foi extinta, agora são todos e muito bem, assistentes operacionais. Pena é que só o são de carreira, na teoria, porque na prática continuam como maqueiros.
Da mesma forma que eu vejo uma auxiliar a "puxar" macas, por que é que não vejo um maqueiro a mudar uma fralda?! Por que é que eu vejo uma auxiliar a ser escalada como maqueira e não vejo um maqueiro a ser escalado como auxiliar?! As mulheres são mais que os homens, é??!
Claro que neste momento não estou a ver muitos maqueiros com perfil para Auxiliar de acção médica na íntegra, capazes de ajudar a prestar cuidados ao doente, participar nas limpezas, esterilizações, etc, mas com formação tudo se consegue.
É evidente que se houvessem mais assistentes operacionais por turno, este problema não se colocaria e as coisas talvez pudessem continuar como estão. Mas não há... Nas circunstãncias actuais e com um serviço atómico, não se justifica perder 5 minutos atrás de uma auxiliar para preparar o doente para o internamento e mais 10 minutos para conseguir um maqueiro para o levar (e no fim desses 10 minutos já não pode porque é a passagem de turno ou a divisão para a refeição). Seria 2 em 1, um elemento assumia estas duas responsabilidades, quer fosse maqueiro, quer fosse auxiliar... o tempo que não se ganharia...
Quando vou ao Porto ou a Braga transferir doentes já reparo noutra cultura, os auxiliares fazem todos o mesmo, quer sejam homens ou mulheres. Em Viana é que mais uma vez continuamos atrasados.