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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Injustiça Racial (uma questão de rácios)


A gestão de recursos humanos é provavelmente a pasta mais complexa numa administração hospitalar. Definir os rácios ideais para uma Unidade, mobilizar e integrar trabalhadores aos quais lhes foram atribuídos "serviços moderados", são alguns exemplos que comprovam essa complexidade.

No meu hospital (e em qualquer hospital) poucas são as Unidades que requerem "serviços moderados" e muitos são os trabalhadores com "serviços moderados".
Ora, isto é um problema grave, que causa sérios desequilíbrios na "produção" hospitalar e que conduz aquilo que eu denominarei de Injustiça "racial". Não se refere a raças ou racismo, mas sim a rácios!
Injustiça "racial" para mim é encontrar, por exemplo, Unidades com mais de 30 doentes internados, muitos deles totalmente dependentes, para 2 enfermeiros e 1 assistente operacional e no lado oposto, Unidades de consulta (maioritariamente) médica, com 3 enfermeiros e 2 assistentes operacionais. Estará tudo invertido?!

As primeiras, como disse, têm internados vários doentes acamados, com necessidade de uma multiplicidade de cuidados e como este blog não pretende ser apenas para profissionais, passo a enumerá-los de uma forma básica e fria:
posicionamentos na cama para evitar escaras;
levantes da cama e mobilização, para evitar atrofia muscular e monotonia p.e, para o doente;
massagem corporal;
administração de medicação; soros e sangue, entre outros
avaliação de sinais vitais;
pensos simples e complexos, como por exemplo a escaras profundas;
cuidados de higiene (total ou parcial por rotina ou as vezes que forem necessárias) e conforto a doentes totalmente dependentes, assim como ajudar/supervisionar os mesmos cuidados a doentes com alguma autonomia;
alimentar doentes dependentes via oral ou via sonda;
cuidados a traqueostomias, colostomias, etc
quando necessário, algaliar, colocar sondas no tubo digestivo, sondas rectais, cateteres nas veias, aspirar secreções através de uma sonda e aspirador respiratório;
colher sangue para análises;
reanimar doentes que entram em colapso cardiaco e/ou param de respirar;
registar num computador tudo isto e muito mais;
fazer trabalho administrativo, como por exemplo organizar papeladas e atender telefones, entre outros;
fazer a admissão de doentes (questionário/avaliação de vários parâmetros);
fazer ensinos aos doentes e família, preparação para alta;
colaborar em técnicas médicas específicas;
transferir (acompanhar) doentes interna e externamente e at last but not at least;
ouvir o doente, dialogar com o doente e dar-lhe a mão quando ele(a) assim precisar/quiser, coisas que alguns acharão básicas mas imprescindíveis, que aprendemos ao longo da nossa vida, académica ou não, que aprendemos nos congressos de Ética, Cuidados Paliativos, Dor, etc e que no final todos batem palmas (gestores, administradores e porventura ministros incluídos) e chegam à conclusão que não se faz mais porque não há tempo, nem pessoal, enfim... outros assuntos.
Todo este trabalho (e mais algum que decerto esqueci) é efectuado pelos enfermeiros (dois), com a colaboração sintonizada de assistentes operacionais (um) que, para além disso, têm sob a sua responsabilidade funções de mensagueiro, limpeza de instalações e dispositivos, etc. Isto tudo para um turno de 8 horas.

As segundas (para quem já perdeu o fio à meada, é favor ver o final do penúltimo parágrafo), são Unidades de consulta, onde o trabalho de enfermagem e de assistentes operacionais, é importante mas periférico, ou seja, o que conta efectivamente ali são os actos médicos, que obviamente precisam do apoio do enfermeiro e assistente operacional, mas não passa disso... apoio e pouco mais. E que me desculpem os mais sensíveis, mas é a percepção que tenho.

Nas primeiras vemos enfermeiros stressados, num correrio para tentar cumprir em benefício do doente, enfermeiros que muitas vezes passam e atrasam as suas próprias refeições e saem em desgaste das Unidades para casa, passado meia ou uma hora da hora que deveriam sair e vemos enfermeiros irritados com as condições de trabalho e que aderem em bloco às greves.

Nas segundas vemos enfermeiros relaxados, várias vezes sentados, aparentemente com um volume de trabalho perto do moderado e que raramente ou nunca fazem greve, porque irritação e indignação no trabalho é coisa que não lhes assiste. Ainda bem que assim é e que assim seja, pois não desejo isso a ninguém.
Não me oponho a que estes colegas estejam sentados, relaxados, até nem me oponho aos rácios que têm. Oponho-me sim é aos rácios das primeiras.

Infelizmente há alguns exemplos de injustiça "racial" nos hospitais. Um que considero demasiadamente grave é no meu contexto profissional e que talvez já tenha sido aqui abordado várias vezes: número reduzidíssimo de assistentes operacionais (vulgarmente designados auxiliares e maqueiros) que desempenham um vasto leque de tarefas, que não é necessário estar a enumerá-las e o que acontece diariamente é ter que procurar e esperar por um assistente operacional, porque efectivamente eles estão sobrecarregados e não se conseguem multiplicar para responder ao volume de trabalho que este contexto (Urgência/Emergência) requer. Por outro lado, vou a um Serviço de Obstetricia, onde encontro sempre várias assistentes operacionais em.... digamos, stand by.
Para reflectir...
Abraço!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Assistentes Operacionais roubados


Ficamos frustrados, indignados por nos pagarem muito abaixo do justo, para aquilo que é a nossa competência e responsabilidade. Ficamos revoltados com os cortes no vencimento, com o corte nas horas extraordinárias.

Agora imaginem como se sente um Assistente operacional que trabalha no duro (os que trabalham) e recebe 400 eur, sem direito a ser recompensado pelas horas extraordinárias, caso faça turnos extra.

No mesmo meio temos os 2 extremos,alguns  médicos com vencimentos, que nos dias que correm, podem ser considerados milionários, com o acréscimo de lhes serem bem pagas as muitas horas extra que fazem e no outro extremo funcionários com o salário mínimo nacional, que nem horas extraordinárias recebem.

Os sindicatos andam a dormir, o governo a roubar o pobre e os portugueses a taparem os olhos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Serviço de Urgência ameaça ruptura por falta de Assistentes Operacionais.


O Serviço de Urgência está a entrar num ponto de ruptura devido a falta de Assist. Operacionais. Para que se entenda a profundidade desta delicada questão, seria importante recuar. Neste serviço, a categoria de Assistente Operacional subdivide-se em duas, vulgarmente designadas: Auxiliares (mulheres) e Maqueiros (homens). Este ponto prévio, já foi alvo de análise num antigo post ("O problema dos maqueiros") e por isso não vou aqui discutir se deveria ser assim, ou não, mas para quem está de fora e para o que de seguida será dito, é importante perceber que existem essas duas "sub-categorias".

Continuando então, é incompreensível, aos meus olhos e aos olhos de muitos, que num Serviço de Urgência esteja escalada UMA Auxiliar, quando deveriam estar TRÊS presentes. É incompreensível que por sistema estejam escalados dois Maqueiros, quando deveriam estar três presentes. Para muitos poderá ser um problema pouco significante, mas quando vos digo que os cuidados de saúde são fortemente prejudicados devido à falta de Assistentes Operacionais, vocês certamente pensarão duas vezes se levam o vosso filho ou a vossa mãe, para um Serviço com falta de pessoal. 
Quem vive diariamente o Serviço tem a perfeita noção que três Auxiliares já é pouco, para um Serviço com demasiados períodos intensos, agora imaginem uma! Uma para auxiliar nos cuidados ao doente emergente, para limpar as instalações, para serviços de estafeta, para repor material, para auxiliar nos cuidados ao doente nas diferentes áreas do Serviço de Urgência (Admissão, Pediatria, Triagem, Reanimação, Trauma, Ortopedia, Macas) e quando digo cuidados, refiro-me a todo tipo de cuidados (higiene, técnicas, posicionamentos, etc), para três mulheres já não é fácil, agora imaginem para UMA! Quem tem responsabilidades nisto? Quem decidiu que assim fosse?
Será que é muito caro admitir Auxiliares?? Para o ordenado miserável que lhes pagam certamente que não é... há médicos que ganham 50 vezes mais.
Porém o problema não passa só pela não admissão de mais Assist. Operacionais, o problema é mais grave do que isso e é o que mais se tem vindo a falar nos corredores da Urgência, é a quantidade alarmante de baixas médicas por "doença" destes funcionários. 
O fenómeno poderá ser típico nos portugueses e poder-se-à estar a avolumar nos últimos anos com a crise económica/social mas, mesmo assim, porque é que o Serviço de Urgência tem uma quantidade absurda de Assist. Opercionais com baixa???
Quem investiga a veracidade dessas baixas?
Quem é responsável por manter nos quadros do Serviço de Urgência, Assist. Operacionais com graves problemas funcionais, aos quais são atribuídos "cuidados moderados"? Mas o que são cuidados moderados num Serviço de Urgência!!?? Não há cuidados moderados num Serviço de urgência!! Como colocam uma senhora que tem graves problemas de coluna (suponho eu) num cargo onde é necessário ajudar a transferir doentes de maca para maca, por vezes de 2 em 2 minutos??? E depois, como não consegue fazer esse serviço, tem que chamar e esperar por outro colega, com outras funções. 
Quem são os responsáveis?
E quem enfrenta as consequências da falta de Assist. Operacionais? São os doentes que não são atendidos atempadamente, são os enfermeiros porque ficam sem ajuda e são os próprios Assist. Operacionais que lá estão, que têm que se multiplicar em serviços, porque estão em número reduzido.

Digo-vos com toda a sinceridade, é triste a situação dos Assist. Operacionais, são mal pagos, trabalham nestas condições e ainda por cima não lhes é pago os suplementos do trabalho nocturno, como pagam a todas as outras categorias profissionais .. mas isso é ainda outra rude questão... por enquanto ficamos por aqui.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Trabalhar no Novo Hospital de Braga


Acho que seria importante que todos tivessem conhecimento acerca da realidade de um hospital Publico privado, ou melhor Privado (e muito pouco de ) público. Trata-se de um relato de um enfermeiro (anónimo) do hospital Escala-Braga, cujo objectivo será decerto difundir a sua mensagem ao maior número de pessoas possível. O meu comentário segue no final

“Trabalhar no Novo Hospital de Braga

Como Enfermeiro no novo Hospital de Braga, venho manifestar a minha insatisfação e preocupação, pela forma como foram calculados os rácios do número de doentes por Enfermeiro, em quase todos os serviços de internamento.
É humanamente impossível prestar cuidados de saúde de excelência. A Sr.ª Enfermeira Directora, com a conivência das Enfermeiras Chefes dos serviços de internamento, disponibiliza diariamente das 20:30 horas às 09:00 horas apenas dois Enfermeiros e um Técnico Operacional (Auxiliar de Acção Médica) para um total de 30 doentes internados. Durante a tarde, fins de semana e feriados, todo o dia, cada enfermeiro fica responsável por 10 doentes!
Gostaria de lembrar que somos um Hospital Central (do SNS), de doentes agudos e instáveis, que requerem muita vigilância e cuidados diferenciados. Para além de que é referência para toda a região do Minho (mais de um milhão de habitantes).
A agravar as condições de assistência médica tem sido prática recorrente, e por decisão da administração, encerrar alas completas de determinadas especialidades. Obrigando, consequentemente, à passagem dos doentes para outros serviços, muitas vezes, de especialidades totalmente diferentes, e com outras especificidades.
Isto acontece por motivos puramente economicistas, que colocam em causa os interesses primordiais do doente. Mas também os profissionais de Saúde são afectados com estas políticas da administração do Hospital. Muitos têm sido frequentemente mudados de serviço, dispensados, por vezes, acontece a meio de uma jornada de trabalho, etc. Isto traduz-se, obviamente, numa enorme instabilidade profissional e familiar (sim, porque, não se lembram estes senhores, mas também temos famílias, que também sofrem com toda esta situação). Obviamente, com todas estas ocorrências, os enfermeiros, nunca são integrados nos novos serviços (muitas vezes, radicalmente diferentes), e deparam-se com 10 doentes, ou mais, ao seu cuidado, com características e cuidados exigidos, com os quais podem os profissionais não estar tão familiarizados. Sofremos nós, os enfermeiros, mas sofrem ainda mais os doentes.
A agravar este cenário, assistimos mensalmente, a mudanças na organização do tempo de trabalho. Em poucos meses de vida, este novo hospital já nos proporcionou os mais diversos e engenhosos tipos de horários! Tudo para tentar economizar mais alguns trocos! Seja por omissão de passagens de turno ou por redução de elementos em determinadas sobreposições, mais uma vez, as opiniões e interesses dos profissionais, não são tidos em conta. E muito menos pensa o Hospital se estas constantes alterações nas rotinas de trabalho afectam os doentes.
Quase todos os dias confrontamos as nossas Enfermeiras Chefes com as dificuldades que enfrentamos: o número reduzido de profissionais (Enfermeiros e Assistentes Operacionais) nos respectivos turnos de trabalho; a dificuldade de vigilância dos doentes; a impossibilidade de prestar cuidados de saúde de excelência. Para espanto nosso, as nossas chefias (Enfermeiras Chefes) não nos apresentam soluções e “choram como Madalenas arrependidas”!
Custa-nos entender que tenham este tipo de atitudes, quando a maioria delas antes da Parceria Público Privado com o Grupo Mello eram reivindicativas e firmes quanto aos rácios do número de doentes por Enfermeiro. E, algumas delas, ainda têm a “lata” de responder agora que “temos de ajudar o Grupo Mello”.
Nós profissionais, pensava-mos que ia ser um orgulho inaugurar um Hospital novo, com condições de resposta muito boas para todos: profissionais e doentes. Enganámo-nos redondamente! Condições para os doentes e visitas, sim. Melhorou substancialmente. Embora já se comece a notar que a escolha, da generalidade dos materiais, foi de péssima qualidade. Já existem muitas coisas estragadas e partidas, ainda com tão pouco tempo de uso (o ar condicionado continua a não funcionar correctamente, o sinal nas TVs é vergonhoso, inúmeras fechaduras danificadas tal como o porta papel dos WC, etc.)
Quanto às condições de trabalho para nós profissionais, falta quase tudo… Só para dar dois exemplos: os gabinetes de Enfermagem são minúsculos (não cabemos todos, nas passagens de turno, quando transmitimos aos colegas que nos vêm substituir, toda a informação importante dos doentes que estão internados); e é inadmissível não haver uma televisão para que consigamos estar despertos durante a noite (já que passamos 24 horas por dia com o doente); mas em cada enfermaria de duas camas, existem duas televisões LCD).
É também preocupante, que em certos períodos (feriados e fins de semana), exista apenas um maqueiro para dar apoio a todos os serviços de internamento do Hospital. Por norma, e na melhor das hipóteses, um exame “urgente” pedido de manhã é realizado ao final do dia, ou então no dia seguinte. Tem sido, muitas vezes, a boa vontade dos Enfermeiros e dos Assistentes Operacionais a evitar que muitos doentes não agravem o seu estado clínico ou algo mais grave, porque não realizaram um determinado exame atempadamente. Tudo porque o Hospital não quer pagar a mais alguns maqueiros.
A alimentação dos doentes, é também uma situação embaraçosa. É recorrente faltarem dietas, outras vêm incorrectas. Muitas vezes a porção do peixe e /ou da carne, é minúscula, etc. Tudo isto, começou apenas a acontecer, e de forma sistemática, após a privatização da cozinha do hospital.
Não menos frequente, é o facto de muitas vezes, quando se pede medicação à farmácia para os doentes, aparecer uma nota a dizer que o fármaco está esgotado. O que obriga o médico, a prescrever uma alternativa, se existir. Outra solução, que tem acontecido, é pedir à família para ir comprar a uma farmácia do exterior. Só assim o doente que está internado num hospital do SNS, pode fazer convenientemente a sua medicação; para não falar da medicação diária para o doente internado (designada unidose), que chega aos diversos serviços “tarde e a más horas”, mal identificada e com inúmeras faltas, enfim uma “balbúrdia”, o que nos obriga a nós Enfermeiros a uma atenção redobrada, para não haver troca de medicação.
E que dizer do ultraje, que é o parque de estacionamento do novo Hospital para os funcionários?! Ser obrigado a pagar 40,00€, ou mais, por mês, para poder exercer a profissão, é no mínimo um abuso. Para um Assistente Operacional, por exemplo, representa num ano o subsídio de Natal.
Para terminar, quero ainda denunciar o facto de existirem neste Hospital muitas disparidades no que toca à remuneração de profissionais iguais, que desempenham as mesmas funções. Após a privatização, profissionais que já trabalhavam há muitos anos no Hospital de São Marcos, foram “forçados” a mudar o seu contrato e, consequentemente, a trabalhar mais horas (de 35h para 40h semanais). No entanto, passaram a receber menos dinheiro, pois os suplementos nocturnos e de fim-de-semana, foram reduzidos de 50 e 100% para 25% e 0%. Ora, se estes profissionais, continuam a desempenhar as mesmas funções e a trabalhar para o mesmo SNS, não se compreende a sua desvalorização financeira, quando outros colegas mantêm a mesma remuneração.
Com tudo isto, penso que os profissionais de Saúde e a população utente do novo Hospital de Braga, ficou a perder em relação ao “velhinho” Hospital de São Marcos. Os profissionais de Saúde sentem-se desmotivados com todas estas situações. Eu próprio, sinto vergonha de ser Enfermeiro (profissão que sempre adorei e adoro) no novo Hospital de Braga. Aqui não me considero Enfermeiro, mas sim um “Jornaleiro” (sem desprazer pelos jornaleiros), a prestar cuidados a doentes, que necessitam de atenção da nossa parte, e que não a têm, pois já não temos tempo para lha dar.
Este sentimento aqui expresso por mim, é comum a todos os profissionais desta Instituição.
Com tudo isto, eu espero que a nossa Ordem, os Sindicatos, a Entidade Reguladora da Saúde e os Líderes parlamentares dos vários partidos pelo círculo de Braga, tomem uma posição, para que se possa mudar algo no nosso Hospital. Temos de voltar a prestar cuidados de Saúde de excelência, e a ter orgulho de ser Enfermeiro e de trabalhar no Hospital de Braga.

Um Enfermeiro"

Apesar de haver um ou outro pormenor que achei irrelevante que o autor referisse, pois a maioria das pessoas não entenderão (como a TV para os profissionais poderem ver), são gritantes as mudanças para pior no nosso sistema de saúde, tanto para os doentes, como para os profissionais. Algumas delas já aqui no PDDSE têm sido referidas, mas nunca é demais voltar a lembrar. A ver se despertámos para a podridão em que isto se está a tornar. A crise não pode ser a desculpa pelas injustiças que se cometem desde muito tempo antes de se ouvir falar em crise.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Só uma pergunta...



O conceito de auxiliar de acção médica (AAM) nos serviços de saúde vai (e bem) mudar.

Cada vez se ouve falar mais em formações, cursos, etc.

Agora pergunto, será que depois destas mudanças as AAM ou assistentes operacionais vão continuar a fazer e desfazer as camas aos médicos?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desabafo urgente

Caro Guilherme e restantes colegas do SU do HSL (ULSAM). Por momentos achei que já tinhamos batido no fundo e era impossivel piorar, enganei-me. Aquilo que era desrespeito pela dignidade profissional dos enfermeiros transformou-se em violação da dignidade humana das pessoas que exercem enfermagem naquele serviço. Acontece que agora já sou mais cauteloso quando me questiono se será ainda possivel piorar mais, pois acredito que embora díficil basta pensar um pouco para encontrar uma ideia manhosa para tapar mais um buraco.

Outra questão que me coloco é até quando isto irá continuar?
Obviamente que não consigo responder. Todos os meus anteriores prognósticos foram totalmente erróneos.
A equipa de enfermagem está totalmente fraccionada e desgastada, que nem para lutar consegue arranjar forças, torna-se facilmente manipulável. A maior parte dos colegas perdeu o respeito por si próprios.

Reconheço que mesmo nestas condições parte significativas dos colegas conseguem manter um nível de qualidade e profissionalismo magnificos. Agora peço-vos um esforço mental para imaginar enfermagem de urgencia/emergência se se cumprissem algumas metas fundamenais:

- racios seguros;
- horários normais (35h/semana);
- formação em serviço;
- supervisão clinica em enfermagem;
- organização dos medicamentos e material de consumo clinico;
- integração e acompanhamento dos elementos recém-chegados;
- equipa de transferência de doente crítico;
- reuniões de serviço para aferir formas de actuação, resolver confiltos e estabelecer objectivos alcansáveis;
- manutenção adequados dos equipamentos;
- dotação de Assistentes Operacionais adequadas;
- orientação desses mesmos Assistentes Operacionais sobre estratégias de trabalho e objectivos a atingir;
- Reuniões multiprofissionais para construir objectivos e estratégias comuns (respeito efectivos pelas várias classes profissionais, nomeadamente os menos diferenciados, porque como seres humanos são iguais ao director de serviço ou ao primeiro ministro)
...
.....

Ops, desculpem estava a sonhar!
Voltando à realidade.
Este comentário serve apenas para desabafar. Não vai trazer qualquer mais-valia. Tem o valor que lhe os leitores lhe queiram dar. Para mim ajudou a fazer um pouco se psicoterapia.

Não me identifico por razões óbvias.
Perguntarão vocês porquê? E eu repondo... Já vi coisas que pensei não serem possiveis.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vergonhoso

Sabiam que há Administrações hospitalares que diminuem o rácio de assistentes operacionais dos serviços, por estarem alunos de enfermagem em estágio?
Nota: não é no hospital de Viana... Consta que é lá prós lados de Braga..
É por esta e por tantas outras como esta que o título deste blog faz todo o sentido..

sábado, 4 de setembro de 2010

Mais de metade dos utentes do SNS não diz "Obrigado"


Um estudo efectuado pela Universidade de Aveiro em parceria com porquedeixeideserenfermeiro.blogspot.com, chegou a conclusão que, em cada 20 utentes dos serviços nacionais de saúde,

12 não cumprimentam os profissionais
11 não agradecem o(s) serviço(s) prestado(s)
3 tem atitudes ofensivas (injúria, ameaça, desrespeito, insinuação).

NOTA: Todos estes dados são pura invenção. Não passam de uma mera estatística mental do autor, que encontrou assim uma forma de expôr a cruel evidência - a medida que passam os anos, a sociedade (TODOS NÓS) perde as boas maneiras e os bons costumes.

sábado, 10 de julho de 2010

A Novela do Sr Salomão


Recentemente enviaram, para um post antigo do blog, um "comentário", que tudo leva a querer que seja mais uma das façanhas incríveis do nosso sistema (laboral e judicial), embora não compreenda alguns lançes, que o autor poderá explicar posteriormente. Pelo seu conteúdo achei que seria importante dar-vos a conhecer. O Sr Salomão faz então a seguinte queixa:

"NENHUM FUNCIONARIO PUBLICO, ESTÁ LIVRE DE PASSAR POR UMA NOVELA COMO A MINHA.
ULSAM+ACSS+ESTADO NÃO QUEREM ASSUMIR ERRO DA LEI 53/2006 E TENTAM ENCOBRIR.
DURANTE 23 MESES ESTIVE ENGANADO NA MOBILIDADE ESPECIAL,SEM ME PAGAREM ORDENADO E A LEI A QUE ESTAVA AFECTO, NÃO ME PERMITIA TRABALHAR PARA O PRIVADO E SEM SUBSIDIOS.
QUEREM ABAFAR O ERRO
E AGORA QUEM PAGA O ERRO?

Sou funcionário público do ministério de saúde (ULSAM), estive em mobilidade especial (lei53/2206) involuntariamente, durante 23 meses. A secretaria-geral nunca me pagou nada, dizendo que o meu processo se encontrava em análise, a lei a que estava afecto (53/2006) não me permitia trabalhar para empresas privadas. Puseram-me na miséria total, vendi tudo para sobreviver e estou endividado, perdi a minha casa, pedi comida a porta do GAF, no meio de toxicodependentes e alcoólicos para marcar a vez de chegada, debaixo de chuva e frio, tinha que fazer 3 km por dia a pé para alimentar a minha família. No fim a secretaria-geral do ministério de saúde ( Dra. Sandra Cavaca) decretou nulidade, remetendo-me para a unidade local de saúde do alto Minho (hospital de Viana do Castelo) onde eu era auxiliar de apoio e vigilância, e todas os direitos de indemnização teriam que ser feitos ao hospital, que cometeu o erro de me enviar e publicação no diário da republica, a minha colocação em sme. Por sua vez o presidente da ULSAM Dr. Martins Alves, não assume o erro descartando-se de que o erro é cometido por a administração central do serviço de saúde (ACSS). Ando em tribunal administrativo de Braga e nada se resolve, está agendada nova audiència para dia 16 Novembro de 2010, que tenho que provar que passei fome, que vendi tudo para sobreviver e que estou cheio de dividas de prestaçoes que não pude cumprir e estou com medo que ainda vou perder o processo com o estado,em suma passei de funcionário publico a miserável. Fui admitido de urgência novamente no hospital e ao fim de 16 anos de quadro da função pública ganho 485 euros e ainda estou no 1º nível e estou com o ordenado penhorado em 320 euro mês, tudo por um engano que não foi meu, eu só queria regressar ao trabalho. Em 2600 casos em mobilidade especial, eu fui o unico desgraçado, tenho vergonha do meu país.
Bem hajam
Atenciosamente
Salomão Mário d'Almeida Santos e Vasconcelos Mendes
tlm 916346420
B.I. Português
Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga
PS: durante este periodo enviei vário emails a pedir ajuda ao Exmo sr Primeiro ministro José Socrates,e a Ministra da saúde

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Coisas que nos caem mal - "Está todo cagado!"


Abro aqui um novo espaço de reflexão/discussão sobre atitudes do nosso dia a dia, que nos caem mal. Infelizmente há muitas coisas que me caem mal, não fosse este blog ter o título que tem.
Uma delas é quando profissionais de saúde dizem uns para outros - Este doente está todo mijado/cagado! - junto ao infeliz doente e junto a outros doentes e/ou acompanhantes.
O lamentável facto, na minha opinião, só se poderá dever à banalização do triste acontecimento. Já é tão natural encontrar um doente "cagado ou mijado" que as pessoas não medem o que dizem. Se já não é de bom tom referi-lo em conversas entre colegas, mau será quando o próprio doente e outros estão presentes. Não bastava o desconforto de estar "cagado ou mijado", tinha que alguém proporcionar o duplo desconforto ao referi-lo da forma mais rude. Eu nestas situações costumo pôr-me do lado de lá e imaginar-me todo "cagado ou mijado" e o quanto iria achar oportuno que terceiros o soubessem.
Pensem nisso e digam lá se não é verdade!
Nota: Este espaço também é teu por isso, conta lá o que te cai mal.

domingo, 29 de novembro de 2009

O novo quê??!!


Há dias, foi publicado na revista Sábado um ranking dos melhores hospitais do país. Será importante frisar o "um ranking" e não o ranking. A classificação foi a seguinte:
1º CH Lisboa Norte
2º Hospital S. João - Porto
3º Hospital Universidade de Coimbra
4º Hospital S. Teotónio - Viseu
5º CH Cova da Beira - Covilhã
6º CH Coimbra
7º IPO Lisboa
8º CH Alto Minho - Viana do Castelo
9º CH Lisboa Ocidental
10º Hospital da Feira - S.ta Mª da Feira
Depois também se estabeleceram rankings por áreas, a de traumatismos e lesões acidentais saiu nessa edição. Outras se seguirão,
1º Hospital S. Teotónio - Viseu
2º Hospital Amadora Sintra
3º Unidade Local Saúde Guarda
4º CH Tâmega-Sousa
5º CH Alto Minho - Viana do Castelo
A minha primeira reacção traduziu-se por uma sensação ambígua, se por um lado satisfeito por ver o Hospital onde trabalho, o hospital do meu distrito (Viana), no top ten nacional, por outro, fiquei com dúvidas quanto à credibilidade dos critérios de avaliação, pois apesar de achar que temos (algumas) boas equipas, este hospital está longe, na minha opinião, de ser considerado uma referência... ou então o país anda mesmo muito mal servido.
Depois a credibilidade que vejo nestes dados continuou em queda, após a segunda classificação, a dos traumatismos e lesões acidentais. 5º lugar para CH Alto Minho??! Agora é que ponho mesmo em dúvida os critérios utilizados.
Depois fui pesquisar um pouco mais e encontrei no DE pormenores da reportagem que os jornalistas da Sábado fizeram num hospital de Lisboa e assim desacreditei de vez neste ranking. Em linhas gerais dão o completo protagonismo aos médicos (*), elevando-os a seres iluminados, atirando mais uma vez os enfermeiros para o ridículo. Não acreditam?! Então cliquem na carta publicada no DE e fiquem a conhecer todos os pormenores desta triste reportagem da Sábado.


(*) Não me julguem frustrado, ou invejoso por dizer que estão a atribuir completo protagonismo aos médicos. Apenas o refiro porque não tolero ingratidão e muito menos injustiça. O que sempre defendi é que, os médicos têm o seu protagonismo, os enfermeiros têm o seu e os auxilares também o têm. Todos, numa equipa multidisciplinar têm o seu protagonismo. Ahhh mas os médicos é que decidem e tomam as atitudes que salvam vidas! Dirão alguns. Aos quais eu antecipo-me na resposta, Claro que sim! E os enfermeiros também.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nervos à flor da pele


Passou há dias uma reportagem na RTP 2 sobre um tema que eu acho que devemos estar atentos e que já por algumas vezes se falou no pddse - Burnout ou sindrome exaustão. Vejam a reportagem, está muito interessante, na minha opinião. Cliquem no seguinte link - Nervos à flor da pele

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O problema dos Maqueiros


Sou contra a designação MAQUEIRO. Ao maqueiro associamos maca, indivíduo no qual o seu trabalho gira em torno de uma maca. É um termo, a meu ver, um tanto ou quanto redutor. Até porque sabemos que, no caso deste SU, para alguns maqueiros, o seu trabalho não fica unicamente confinado a uma maca. Às vezes repõem material, uma vez ou outra, a muito custo, colocam um urinol a um doente e uma vez já vi um maqueiro a limpar um vomitado... minto, duas. Numa das vezes estragou tudo quando, após o elogio de UMA auxiliar de acção médica, disse, "Isto devia ser para vós". Ora, daqui só me ocorre um termo - MACHISMO em bruto.
A ideia de que o maqueiro só serve para desempenhar funções exclusivamente de carga, trabalho de peso, só para homens, já devia ter terminado há muito, até porque a categoria de MAQUEIRO, já há muito foi extinta, agora são todos e muito bem, assistentes operacionais. Pena é que só o são de carreira, na teoria, porque na prática continuam como maqueiros.
Da mesma forma que eu vejo uma auxiliar a "puxar" macas, por que é que não vejo um maqueiro a mudar uma fralda?! Por que é que eu vejo uma auxiliar a ser escalada como maqueira e não vejo um maqueiro a ser escalado como auxiliar?! As mulheres são mais que os homens, é??!
Claro que neste momento não estou a ver muitos maqueiros com perfil para Auxiliar de acção médica na íntegra, capazes de ajudar a prestar cuidados ao doente, participar nas limpezas, esterilizações, etc, mas com formação tudo se consegue.
É evidente que se houvessem mais assistentes operacionais por turno, este problema não se colocaria e as coisas talvez pudessem continuar como estão. Mas não há... Nas circunstãncias actuais e com um serviço atómico, não se justifica perder 5 minutos atrás de uma auxiliar para preparar o doente para o internamento e mais 10 minutos para conseguir um maqueiro para o levar (e no fim desses 10 minutos já não pode porque é a passagem de turno ou a divisão para a refeição). Seria 2 em 1, um elemento assumia estas duas responsabilidades, quer fosse maqueiro, quer fosse auxiliar... o tempo que não se ganharia...
Quando vou ao Porto ou a Braga transferir doentes já reparo noutra cultura, os auxiliares fazem todos o mesmo, quer sejam homens ou mulheres. Em Viana é que mais uma vez continuamos atrasados.