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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal dos hospitais II



O post anterior falava de filhos desnaturados, no lado oposto temos os verdadeiros filhos, os filhos de coração.
A Dona Catarina tem 53 anos e carrega com ela há três, um cancro no intestino já disseminado. Fala com ternura e sem pressas, com olhar fixo, face encovada e com os lábios quase estáticos. A pele é seca e tem um tom acinzentado, os braços são delgados, procuro-lhe uma veia. Não tem saúde, mas é feliz, tem o amor dos filhos.
O filho já não se lembrava de mim, ela topou-me logo pela pinta.
Enquanto retirava das suas veias escondidas um pouco de sangue para análises, o filho mantinha-se debruçado na maca, abraçado aos ombros da mãe, segredava-lhe palavras com meiguice.
Dona Catarina vou dar-lhe uma medicação para a dor, nós estamos por aqui, se continuar com dor, é só chamar.
Pois é mãe, se precisares chamas o Sr. enfermeiro, e fazes outra medicação, não se justifica ficares com dores!
Acrescentava com a voz embargada, dando a entender que a mãe era de poucas queixas.
Expliquei ao Jaime, seu filho, quanto tempo demoravam as análises e outras coisas básicas de funcionamento. Agradeceu-me e nos seus olhos enevoados via-se a tristeza da necessidade de ter a mãe no corredor da urgência no dia de Natal.
G.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal dos hospitais I



Retiro-me temporariamente do prazer do calor da família nesta noite de consoada, para partilhar convosco algo que me atormenta.
No dia 23 de Dezembro a urgência estava calma, estranhamente calma, normalmente quando assim é, algo de mal se avizinha.
Dia 24 passei na urgência, reparei nas macas apinhadas, de um lado e de outro, no "corredor dos despejos". É a denominação certa, literalmente os velhinhos são despejados pelos seus familiares. Nunca quis acreditar que um filho, já pai ou mãe de família, fosse capaz de abandonar a avó dos seus filhos pelo corredor do hospital, só porque esta urinava na fralda, mal se mexia, precisava de ajuda para comer e porque por vezes gritava sem se perceber porquê (não seria grito de dor, mas sim associado a demência).
Será que esta besta conseguirá estar tranquilo e alegre neste jantar especial?!
Como são capazes de fazer perguntas/afirmações deste género:
Sr. Enfermeiro, acha que dá para ficar cá a minha mãe?
Olhe Sr. Enfermeiro, tem doido a barriga ao meu pai há já uns dias, decidimos hoje trazê-lo cá

O Natal dos hospitais não é o que o Jorge Gabriel, a Catarina Furtado e o Goucha apresentam nos canais. O Natal dos hospitais é este.
Paz e amor
G.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Helpo - O nosso mundo é humano


Natal!! Época de sonhos, fantasia, presentes e alegria!! E... no topo do pinheirinho, hipocrisia...
Dar, receber, dar, receber, o rebuliço dos presentes, às vezes não recebemos e ficamos discretamente intrigados. Altura remotamente pré-definida para pelo menos uma vez no ano tentar ou fingir ser generoso.
E se neste Natal em vez de recebermos presentes, recebermos sorrisos?!
Nunca se questionaram,
Será que o que eu faço é suficiente?
Será que não devo deixar uma marca nesta breve "passagem" da minha existência?
Será que não posso contribuir para tornar alguém menos infeliz?
Será que não devo participar numa causa maior? (sem querer plagiar o Modelo)
Será que não posso possibilitar oportunidades a alguém?
Será que não posso provar que a humanidade ainda não é completamente indiferente?
Será que não posso dar o exemplo?
Aos nossos filhos..

Os nossos filhos têm oportunidades, aos nossos filhos damos playstations e gameboys, GiJoe's e Barbies, telemóveis, bicicletas e às vezes motas e carros. Aos nosso filhos damos amor, carinho e atenção; damos lápis, canetas e cadernos, damos roupa de marca e sapatilhas Nike e Adidas.
Este Natal tornem os vossos filhos mais humanos, menos materialistas, é a melhor prenda que algum dia receberão. Não estou de forma alguma a julgar a educação que lhes damos, mas todos vemos o exagerado egocentrismo das crianças dos nossos dias. Sentem-nos à vossa beira e contem-lhes uma história:
Era uma vez uma menina chamada Ana. A Ana tem 7 anos e vive em Moçambique, um país pobre em África. Em África as crianças morrem de fome e de falta de vacinas. A Ana não conhece os pais, apenas uma irmã que ajuda a cuidar dela. Anda na 2ª classe da escola primária de Namialo, às vezes não tem sala de aula, aprende no recreio, anda descalça porque não tem quem lhe dê umas sapatilhas. Adora a escola, é muito atenta e tem bom comportamento. Este Natal o que ela mais queria era uns lápis de cor, porque adora pintar. O seu sonho era ser pintora.
E se este Natal tivermos menos prendas para darmos um presente também à Ana?! E se juntássemos todos os meses um dinheirinho para a Ana e os amigos terem material para a escola e puderem ter mais roupa e comida?!

Não tenho dúvidas que concordariam de imediato.
Neste Natal visita http://www.helpo.pt/ e entra no programa de apadrinhamento de crianças à distância ajudando crianças como a Ana, porque “o nosso mundo é humano”
Feliz Natal para todos!
Beijos e abraços.
G.