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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Problemas psiquiátricos aumentam nos enfermeiros


Tenho reparado num fenómeno muito preocupante para a enfermagem e por inerência, para a população em geral. Nos últimos anos aumentaram significativamente os "casos psiquiátricos" nos enfermeiros. Não é preciso muitas investigações e estatísticas para chegar a esta conclusão, está aos nossos olhos.
Vemos enfermeiros em estados de depressão, cabisbaixos e deprimidos, outros em estados de "negação crónica", onde tudo está sempre mal, onde um simples diálogo com quem quer que seja, será uma discussão, um conflito, outros em estados de loucura... loucura mesmo (*); vemos baixas prolongadas e recorrentes e eu questiono-me, quando é que chegará a minha vez?? Sim!... Não tenham dúvidas que há uma grande probabilidade de chegar a nossa vez, não tenham dúvidas que com o aumento dos anos de serviço, aumentam as probabilidades de enlouquecer-mos. Até aqueles que nós vemos como exemplo da pureza e integridade mental não escapam.
Temos uma profissão de desgaste rápido, de risco e absentismo elevados e todas estas más notícias para a profissão (desde há uns anos a esta parte), não ajudam em nada para a harmonia, paz de espírito, qualidade de trabalho, satisfação e motivação profissional que tanto se deseja e necessita, em enfermagem... e não só.
Fico preocupado porque penso demasiadas vezes que a minha sanidade mental enquanto profissional de saúde, não vai ser eterna. Fico preocupado porque custa-me ver estes enfermeiros doentes a "cuidarem" de outros doentes.

Vocês já pensaram por que é que rapidamente esgotam os stocks de comprimidos de diazepan no Serviço de Urgência??? Ok, o povo também anda a enlouquecer e muitos são prescritos, mas muitos outros vão para consumo da casa, para consumo próprio de enfermeiros e médicos. 
Posto isto, deixo-vos uma questão, 
Como anda a vossa sanidade mental? 


(*) loucura mesmo é quando não se bate mesmo nada bem da cabeça, com aqueles comportamentos a razar o  obsessivo-compulsivos e/ou paranóico, para ser mais científico.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os artistas dos hospitais


A hierarquia do futebol assemelha-se em quase tudo à dos hospitais.
Os presidentes dos clubes são os administradores hospitalares, tanto uns como outros gerem (mal ou bem) os dinheiros, as contratações e decidem as politicas a ser implementadas.
Os Enf. chefes são os treinadores, fazem os horários, tal como o treinador decide quando se treina e quando se folga, tramam a vida a vida a um gajo que não gostem da mesma maneira que um treinador queima um bom jogador, só porque teima que não deve jogar. Depois orientam e rentabilizam a equipa.
Tony hoje jogas a ponta de lança, vais prá Manchester; Brandão vais pró miolo, no meio-campo, ficas com a reanimação; Ana Bela, jogas a trinco na Admissão, vais ter que correr muito, joga simples e rápido. Na defesa em OBS, joga a Delfina, o Tiago e a Lígia.
Eii chefe hoje falta o Adão!
Não faz mal, jogamos menos um.
Oh chefe, mas hoje é um jogo (turno) complicado!!
Vocês são capazes disso e muito mais, somos raçudos, invencíveis!
Oh chefe mas andar a jogar sistematicamente com menos um… qualquer dia vai correr mal e vamos perder pontos (vidas)! Temos que começar a pedir jogadores (enfermeiros) emprestados!
Não dá! Os outros clubes (serviços) também estão desfalcados!
Porra, contratem! Anda aí tanto jogador sem clube (trabalho).
Quem manda é o administrador, eu não tenho voto na matéria…


No fim da hierarquia estão os enfermeiros, que são os jogadores. Apesar de no futebol os jogadores serem os últimos da hierarquia, são os que ganham mais, já que são eles os artistas, os que proporcionam o espectáculo. Ora, nós, os enfermeiros, de uma forma geral, também somos os artistas, somos criativos e decisivos (qualidades vitais a um bom jogador), somos nós que também proporcionamos o espectáculo, que também não aconteceria se não houvesse utentes, neste caso os adeptos (que são aqueles senhores que aplaudem, elogiam, mas que também insultam se for necessário).
Agora questiono, se somos os artistas, por que é que ganhamos menos?!
Temos que falar com os nossos empresários (sindicatos) a ver se conseguem negociar o contrato. Mas os patrões dos clubes (ministério) não estão para aí virados. Temos que fazer greve, como o Estrela da Amadora.
G.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Deixa andar...

APELO: Aos poucos que sabem e aos muitos que julgam saber a identidade do Guilherme, peço que saibam ser discretos. Muito boa gente faz as mais incríveis associações e teorias de conspiração. Esqueçam quem é o G! O G. somos todos nós, aqueles que gostam de um bom debate, de um bom tema, que gostam de pensar e no fundo divertir-se um pouco.



Cada vez mais me convenço que vivemos no país do deixa andar.
A lei do deixa andar aplica-se a vários níveis da vida pessoal, profissional, social e política.
O marido trai a mulher (ou vice-versa) e… deixa andar. As contas no final do mês começam a falhar, mas sempre dá para um empréstimo para um plasma e… deixa andar. Os filhos tiram más notas sucessivas, têm mau comportamento e… deixa andar.
O projecto de obras está mal feito e… deixa andar. As estradas andam continuamente a ser esburacadas e… deixa andar.
Os ministros falham sucessivamente com as promessas e… deixa andar. A Ana Jorge brinca com os enfermeiros e… deixa andar. O défice, a inflação aumentam e… deixa andar. O boy continua a arranjar o job e… deixa andar.
O processo Casa Pia arrasta-se e… deixa andar. O Pinto da Costa não paga pelos crimes e… deixa andar. O Glorioso não vai à liga dos campeões e… deixa andar, o Quique não mete o Cardoso e… deixa andar. (estas duas últimas foi para descomprimir um pouco)
A parte que mais nos toca: Nos hospitais faltam enfermeiros (já para não falar dos AAM, médicos, etc) e… deixa andar.

Vivemos num contra-senso… temos enfermeiros a ir trabalhar para a Irlanda, Espanha e Austrália, a ir para pastelarias, lojas do shoping, etc, enquanto que por cá, pelos serviços, continuam a faltar. Esta é a base do problema, mas o que me traz por cá nem é isso.

Como devem imaginar, os enfermeiros também adoecem, facilmente tem problemas físicos e psíquicos. Outro dia li uma expressão do nosso pensador “Melga” – enfermo(eiro) no post Euromilhões dos hospitais…. E de facto esta associação de enfermo com enfermeiro faz todo o sentido. Os enfermeiros andam doentes e ficam doentes quando têm que trabalhar com menos elementos devido à falta de quem efectivamente anda doente.

Existe um serviço do hospital que tem um plano de trabalho composto por 9 enfermeiros de manha, 9 à tarde e 6 à noite. Deve pensar-se que à noite os doentes deixam de o ser, portanto 6 enfermeiros é mais que suficiente. Claro que 9 é impensável, mas 7 é o mínimo que se pode pedir. Este também é um grande problema, mas mais uma vez o que me traz por cá nem é isso.

O que me traz por cá é sentir e viver a revolta de uma equipa que se vê privada de outro elemento apenas porque não houve possibilidade de o substituir em virtude da sua falta por doença, ou doença fictícia (não sejas assim Guilherme, isso é outro assunto).
9 já são poucos.. agora 8?!!

RT vai faltar o Feliciano, ligou agora mesmo! Tamos fo&#’%s.. Liga ao ERC, pode ser que resolva! Ao ERC?! Ainda acreditas no pai Natal?

Mas não resolve e… deixa andar
Quem leva com a fava?! Quem lá está… redobram-se em esforços, tapam buracos, andam a 200 à hora para ir desenrascando, porque no desenrasca também somos bons.

Alarme! Catástrofe! Multi-vítimas!! Um acidente ali nos acessos da A28 com 10 politraumatizados!! Eh pá e agora?! Ainda por cima a Joana foi levar um doente a Braga! Tamos fo%#’&s mais uma vez. Vamos chamar os colegas do Bloco que estão em prevenção, como o Melga disse! Melga?! Mas quem é o Melga?! Oh pá é um gajo que tem umas ideias fixes! De facto… ponham esse tipo a presidente do conselho!

De prevenção não sei se estão, agora que os colegas do Bloco são intocáveis, disso não tenho dúvidas. Alguma vez foram mobilizados?! Não me parece, mas posso estar enganado... a ver se aparece por aqui algum bloquista a defender-se... Abram alas como diz o nosso Noddy.

Não nos esqueçamos, mal ou bem tudo se vai fazendo, vai-se desenrascando, os “gestores” depressa concluirão, Ora se um faz o trabalho de dois, em vez de aumentar vamos é diminuir o rácio.
Boicote!!
A todos aqueles que trabalham por 2 e por 3

G.

Nota: RT – responsável turno; ERC – Enfermeiro responsável ao Centro