quarta-feira, 20 de março de 2019

Quero emigrar para a Madeira!


Não é segredo para ninguém que os enfermeiros sempre foram melhor tratados nas ilhas do que no Continente.
Agora, enquanto que o nosso Governo insiste, ou informa ou recomenda ou o raio que o parta, que é para contar pontos a partir da passagem para os 1201 eur, (de vingança pela Greve Cirúrgica) o outro Governo, o Regional, opta pelo justo, opta que não se faça como no continente e se roube dessa forma os pontos que os enfermeiros ao longo dos anos foram acumulando. É o verdadeiro roubo de igreja!
Será a Madeira um país?
Será que a Madeira não é Portugal?
Será que não somos todos portugueses?
Será que uns são filhos da mãe e outros filhos d......

Sendo assim, quero ir para a ilha!

Mas dizem-me... ahhh mas eles têm um Governo regional autónomo!
Pois é... é o que nos falta, autonomia!

Mais uma vergonha continental...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O pinheirinho do Bloco!







Neste Natal o meu hospital teve duas boas iniciativas. Não podemos ser sempre críticos!
Aconselhou que não se enviassem, entre serviços, os tradicionais emails de Natal que entupiam o tráfego naquelas semanas pré-natalícias.
(Agora só falta continuarem esse bom espírito de gestão e controlarem melhor a difusão e destinatários dos emails enviados, porque eu não tenho nada que saber e nem quero saber que o diretor do serviço social ou do departamento de cirurgia ou neurologia ou etc, vão de férias e quem o está a substituir é X ou Y. É que ainda hoje tive meia hora a apagar emails).

A outra boa iniciativa foi um concurso de pinheirinhos de Natal no átrio principal, na entrada do Hospital. Concorriam os serviços que quisessem e no fim é escolhido o vencedor. Não sei se já foi a decisão, mas eu elegeria o do Bloco Operatório. Não sei quem foram os(as) artistas, mas estão de parabéns.
Deixo-vos com as imagens e os votos de continuação de Boas Festas e se não nos virmos, um ano repleto de saúde, felicidade, amizade, paz, solidariedade, fraternidade, prosperidade, amor!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A minha opinião sobre a Greve Cirúrgica 2


Há umas semanas atrás escrevia sobre a greve cirúrgica (GC), sobre o respeito pela sua iniciativa, mas também sobre alguma apreensão sobre a forma como estava organizada e como o dinheiro era gerido. 
Não tinha nada contra, nem a favor.
Não me opunha, nem apoiava.
Hoje, mudo a minha posição e irei apoiar, a GC 2 de todas as formas, caso se concretize, contribuindo para o fundo e incentivando outros.

E porquê?

A dúvida que tinha sobre a sua possível ilegalidade foi ultrapassada, os tribunais não a proíbem.
Apesar de ASPE e SINDEPOR terem rasgado o acordo de formas de luta em conjunto que tinham com o SEP, ao terem enveredado pela GC, sem lhes passar cavaco, apesar de achar ter sido uma sacanice oportunista, dou de barato, pouco me interessa. Esta greve não lhes pertence, pertence aos enfermeiros, como todas as outras. Mesmo a serem eles a decretá-la e porque era preciso que algum sindicato a decretasse, eu vejo esta greve como um movimento inorgânico, como pelos vistos agora se tem caracterizado. Não acredito em teorias da conspiração.
A GC, mesmo tendo o apoio incondicional da bastonária, figura onde não me revejo e por quem nutro uma antipatia significativa, pois já me atacou e provocou a nível pessoal, também dou de barato, pouco me interessa. Esta greve também não lhe pertence, apesar de lhe reconhecer mérito, porque tem dado o corpo às balas e não têm sido poucas. Mais uma vez não acredito em teorias de conspiração.
Outro motivo da minha mudança de posição prende-se com a classe médica, na representação do seu bastonário, que tem comprovado de facto, os fracos comentários que fui retendo, sobre a sua pessoa, principalmente no meu local de trabalho, onde ele também exerceu. Não pode garantir que não morram doentes devido à GC, diz o senhor, intensificando o alarmismo do povo e desviando as atenções de todos os lobbys médicos, com os quais se devia preocupar.
Fica-lhe mal, mas fazendo uma análise mais aprofundada, involuntariamente acabou por contribuir para a GC,  porque esta e todas as greves pretendem, de certa forma, fazer soar o alarme. Contudo seria bom que tranquilizasse o cidadão, referindo que a GC é às cirurgias programadas e quem define se um doente necessita de uma cirurgia urgente ou programada são os médicos, logo se alguém morrer a responsabilidade é de... ?
Por último, a minha mudança de posição ficou consolidada em definitivo quando, em pleno momento de luto da enfermagem, devido ao acidente com o helicóptero do INEM, a Sra ministra decide chamar os enfermeiros de criminosos. No dia seguinte telefona à ordem e sindicatos, pedindo desculpa e que o transmitissem aos enfermeiros. 
Muito prometia esta senhora, mas afinal é habilidosa. Da minha parte nunca terá perdão, porque não teve a humildade e a frontalidade de pedir desculpa publicamente,dirigindo-se a nós enfermeiros, sem intermediários, principalmente aos que estão sob pressão em greve.
A FENSE e o seu eterno líder também já deram sinais que se iriam aproximar da GC. Também não é de todo uma das minhas referências, mas também dou de barato, pouco interessa.
Quanto ao SEP, continua como sempre entre a espada e a parede. Se as negociações correm mal, o que é o mais provável pelo que se vê, serão os eternos culpados, os "Não me representam!" . Se há um volte-face e as negociações vão de encontro às nossas reivindicações, o que é pouco provável, será graças a GC/ASPE e SINDEPOR e não ao SEP.
Há o argumento de que estão em negociações, mas os resultados têm sido ridículos, o empastelar por parte do governo tem sido constante, muito pela ferrugem da (não) progressão. Mas também, pelos vistos há ministérios que negoceiam em plena greve. Com todos os sindicatos alinhados, não teriam muita hipótese de fechar portas.
O SEP terá que perceber a realidade . As greves convencionais não têm, nem tiveram os resultados que esperávamos e já passamos por imensas, a maioria já saturou.
Nenhuma, de todas as greves que me recorde, teve o impacto que a GC está a ter. Será inteligente desperdiçar este clima, esta fase e principalmente a determinação dos colegas dos blocos em greve?!
O SEP tem a sua estratégia há muito definida, dificilmente cede e se desvia dos objectivos traçados, porém a maioria dos colegas não vai compreender, nem aceitar isso. Assim prevejo que a próxima greve, na última semana de Janeiro, será ainda pior que a última de Novembro,caso não apoiem a GC.
Seria muito simples julgo eu, a parte complicada está feita. Bastaria apoiar. O efeito psicológico na classe e o tremor no Governo iriam ser imensos.
Faço um apelo a todos os sindicatos/movimentos, respeitem as perspectivas de cada um e ponham os orgulhos de lado.

Bom Natal meus amigos! 



quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A escola de hoje e de ontem


Ontem fui à minha antiga escola C+S (5° ao 9°ano) para comprar umas senhas para um jantar de Natal que lá vai haver.
Entrei e deu-me aquele sentimento nostálgico.
Guardo muito boas recordações daquela escola.. Era bom aluno, bom a correr e a jogar a bola, cheguei a ser delegado e sub-delegado de turma!!! 😁 Tinha amigos mais velhos, era respeitado, tive sorte, passei ao lado dos bullyings. 
De negativo, só me recordo quando era caloiro e uns imbecis do 9° C, que tomavam banho ao mesmo tempo que a minha turma, gozavam-me por não ter pêlos púbicos, na altura não percebia que quantos menos pêlos no corpo, melhor. 

Sabia exactamente o que estava de diferente na escola e já passaram mais de 25 anos.
Recordei os sitios onde passávamos os intervalos. Acho que o primeiro era de 5 minutos, depois 10 e o maior 15 minutos e depois voltava a descer, era assim, não? Em todos eles jogávamos futebol nos banquinhos de cimento, com uma bola de ténis. Era chegar à sala tarde e a suar.
Recordei os pães com chocolate Avianense no Bar, a 15 escudos.
Recordei os sítios onde decorávamos à última da hora a matéria para os testes, fazíamos as cábulas para os testes de fisicó-quimica, a sala de trabalhos manuais, o refeitório, a papelaria, a sala dos profs.... 
Naquele tempo não havia porteiros, com maior ou menor dificuldade saíamos para ver as miúdas das outras escolas e para algumas aventuras no monte Santa Luzia. Bons tempos.... 
Agora tudo ou quase tudo é diferente. Já não se vê tantas crianças a correr ou a jogar nos espaços ao ar livre, aliás não vi nenhuma. Entro na zona mais interna da escola, mais propriamente numa zona de mesas no corredor e vejo a maior parte dos putos a olhar para o telemóvel e quando falo em telemóveis não me refiro aqueles que apenas dão pra ligar, refiro-me a telemóveis com internet. Umas miúdas viam uns vídeos de música, uns rapazes jogavam videojogos e um outro via um video porno.
Bom, não estou nada contra o video porno, porque também os vi naquela idade. Deverão ser muito poucos os rapazes que com aquela idade não terão curiosidade , mas o que é preocupante é ser visto na escola. O que é preocupante é que o telemóvel passou a ser o foco e não a miúda ou o miúdo do 6°E, ou a bola de futebol ou a corda de saltar ou a macaca, ou o convívio entre amigos. 
Estamos perante um problema que vai levar a outros problemas de saúde publica/mental e ainda não percebemos bem o impacto que isso vai ter.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

QUAL O PROBLEMA DA GREVE CIRÚRGICA !........?


Aproxima-mo-nos de mais um momento importante na história recente de enfermagem e como tenho uma "costela" ou um gosto especial por História de Enfermagem, não poderia deixar de registá-lo no PDDSE, apesar do pouco tempo que tenho tido para o blogue, nesta fase. Para memória futura então, escrevo sobre a Greve Cirúrgica (GC) que aí vem.

Há muito que ando para escrever sobre ela, mas tenho adiado, porque sejamos francos, tenho alguma apreensão em ser enxovalhado pelos muitos "fundamentalistas" que temos na nossa classe e acreditem, temos muitos, pelo menos no Facebook abundam, julgo que hoje em dia, no meio virtual, se chamam haters - Ou estás comigo, ou és um idiota, odeio-te! Basicamente é este o princípio e como estou numa de fase Zen, evito o conflito, evito pôr-me a jeito, mas por outro lado, a minha opinião nunca poderia ficar condicionada por isso, até pela importância do assunto. Hoje em dia não é nada fácil ter e expor publicamente uma opinião controversa...

A pergunta no título pode ser feita de duas maneiras. A primeira pode ser feita em tom de confrontação - Mas afinal, qual o problema da greve cirúrgica ! 
Ao que responderia - Eu não estou contra a GC! Aplaudo os mentores deste e de outros movimentos, percebo completamente este momento de desgaste, frustração e revolta que os origina, faço parte dele. Repito, este é ou poderá vir a ser um momento histórico para a enfermagem.
A GC, independentemente de nos trazer resultados ou não, já constituiu mais uma demonstração de coesão e força, rapidamente se percebeu que o objectivo dos 300 000 eur seria facilmente alcançado e muito ruído na comunicação social e meio político houve e certamente haverá, em seu torno. É um sinal de alarme para o governo. Portanto na minha opinião, apesar das reticências foi e é positiva.

A segunda maneira, pode ser feita numa simples interrogação - Qual o problema da greve cirúrgica?

Não me oponho à GC, nem isto é uma forma de dissuadir seja quem for do que quer que seja, trata-se de uma opinião, um conjunto de dúvidas e questões no meio de tantas outras. 
Não apoiei monetariamente e já explicarei o porquê, mas estou solidário com os colegas dos Blocos que vão aderir e espero sem qualquer tipo de cinismo, que não venham a ter problemas, porque não o merecem.
A ideia da GC é inteligente e não é inédita. Em tempos o SEP desenhou-a, mas não foi avante, porque esbarrou em vários constrangimentos legais e não terá tido este apoio avassalador, que esta hoje tem. Se calhar foi esse o problema, quem sabe. Hoje a internet, as redes sociais, dão-nos outro poder, que no passado seria impossível. Mesmo assim, na minha opinião, a forma de organização da GC e toda a sua logística tem riscos e levanta-me algumas questões, principalmente sobre o assunto dinheiro. 

Porquê 300 000 eur? Quem gere, como gere, como vai ser distribuído? De quem é a conta e porque está em nome individual? Porque não numa conta dos sindicatos que estão a apoiar? As finanças, os descontos, como vai ser? Há base legal ? Há alguma base legal para estar a pagar a alguém para não trabalhar? Será ético? É moralmente aceite estar a pagar a alguém para fazer uma greve por tempo prolongado, quando "eu" raramente a faço e nunca participo nas manifestações?

Depois há a questão dos SIGICS, onde já se leu que alguns dos abrangidos pela greve iriam fazer SIGIC (a ser verdade, é preocupante), depois houve um erro básico de decretação que me levou a pensar que não se sabe bem o que se está a fazer. Enfim, várias dúvidas tive, dúvidas essas às quais não encontrei respostas na mesma rede social utilizada para a sua divulgação e quando assim é prefiro ficar quieto. 
Não apoio, não me oponho, mas tenho as minhas reservas que julgo que serão as de muitos e quer queiram, quer não, são legítimas e deveriam ser abordadas claramente, porque se é para abrir o jogo, é para abri-lo todo!

Para os haters, pelo menos vejam que fui honesto, disse explicitamente que não contribuí para a GC e o porquê, não fiz como aqueles que aplaudiam, mas não deram um tostão!
Concluindo, a minha posição é neutra, de abstenção. Nem tudo nesta vida tem que ser carne ou peixe, eu escolho a outra opção.
Acima de tudo, a luta continua, nesta e noutras frentes!

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Regresso para a guerra! - Greve de Outubro!


Olá, Olá colegas, companheiros de luta!
Tenho estado ausente. Outras prioridades. Enfermeiro que é enfermeiro tem sempre prioridades!
Há meio ano ausente, mas sempre por perto e por cá sempre andarei!
Umas vezes mais, outras vezes com menos frequência, mas nunca deixarei de teclar quando me apetecer, apesar de já por algumas vezes me terem tentado desligar.
É sempre bom fazer umas pausas, assim regressámos revigorados!

E é com este espírito revolucionário e impulsionador que venho apelar à GREVE!

É certo que todos estamos fartinhos de greves, é certo que somos quem mais greves faz, é certo que alguns não gostam do formato da greve, é certo que outros queriam uma greve sem fim, é certo que muitos querem todos os sindicatos unidos, é certo que muitos já não acreditam nos sindicatos, outros nunca acreditaram nem apoiaram, mas...

Mas... a greve quer se queira quer não, é a nossa arma mais poderosa!
Clichés à parte, estamos em guerra, o Governo já há muito que nos declarou guerra, uma guerra de desrespeito e indiferença! E temos que ir para a guerra com as únicas armas que temos: a Greve, a voz e a força do número! Somos muitos, utilizemos isso em nossa vantagem!

Isto vai-se alongar, é o que eles pretendem, mas nunca ninguém viu guerras curtas. A resposta está a intensificar-se, 6 dias de greve por sectores, repartidos em 2 semanas. Não agrada a todos o formato, nunca há-de agradar! Somos a classe que mais greves faz?! É triste, mas dá-me o alento que pelo menos lutámos e mostrámos a nossa indignação uma e outra e outra vez, as vezes que forem necessárias. Podemos sair derrotados, mas pelo menos saberão que nunca nos vão calar enquanto não nos aproximar-mos daquilo que achámos justo.

Greves por tempo indeterminado? Já vimos que não funcionam e são ilegais.

União total sindical? É inviável e não é o fundamental, não fiquem presos por isso! Estão 4 sindicatos unidos! Óptimo! Não se entendem em alguns assuntos, é a vida!... mas tiveram o bom senso de definir medidas de luta em conjunto. Não está presente o sindicato do senhor que está reformado?! Temos pena, siga o seu caminho, os outros seguem outro.

Muitos não acreditam nos sindicatos? Ok, os sindicatos também falham, mas são o único meio de tentarmos chegar ou pelo menos aproximar-mo-nos daquilo que considerámos justo.
Os movimentos de redes sociais são e foram importantes, mas são efémeros, ou pelo menos não são permanentes. Pelo menos aproveitemos estes movimentos para mais uma vez fazer uma grande manifestação... Se estes Movimentos querem efetivamente um avanço para a enfermagem, então apelem à greve, apelem à Manif! Que não seja por discórdias de conteúdo ou represálias do passado que não o façam! O momento não está tão tumultuoso como em Setembro do ano passado, mas deveria! A manifestação é tão ou mais importante, até porque é a proxima!

Vamos à luta! Mais uma vez! As vezes que forem necessárias!

terça-feira, 3 de abril de 2018

Koalas, focas e vacinas!


Olá a todos!
Provavelmente não é o momento mais oportuno para publicar este post de crítica à Ordem e à sua Bastonária, depois de esta ter sido galardoada pela Associação das mulheres empreendedoras com um "Óscar das mulheres" e depois de ter saído em alta do debate televisivo do Prós e Contras sobre a vacinação. Mesmo assim... uma pessoa tem que dizer o que pensa...

Alguém reagiu de uma forma negativa ao apadrinhamento de um Koala no Zoo de Lisboa, por parte da Ordem dos Enfermeiros? (link)
É que eu fico preocupado comigo mesmo... será que sou insensível?! Será que sou um exagerado, será que me estou a deixar levar pela antipatia que tenho pela Ordem?

Eu adoro animais, adoro mesmo, sempre os tive e sempre os protegi. Adoro vídeos de gatinhos a fazer diabruras, rio-me que nem um perdido, ainda hoje me tremeram os olhos quando vi um vídeo de um pastor alemão a receber o dono que tinha estado em ausência prolongada. Adoro ver na SIC, ao final da manhã, o programa dos animais selvagens,onde se incluem koalas. Se há animal simpático e fofo é o koala! Adorooo koalas!

Isto é só uma tentativa talvez inglória, uma atenuante, para que não seja muito trucidado, como habitualmente, pelos enúmeros fãs de Facebook, da Ordem e Ana Rita Cavaco (ARC), pelo que vou escrever de seguida.

Relativamente à Ordem e mais concretamente a sua Bastonária, ao contrário de muitos admiradores, não morro de amores pela sua postura e conduta. Não aprecio o estilo de ARC e ela sabe, já tive inclusivamente direito a uma provocação pessoal da sua parte, mas deixo andar, não me incomodo. Pronuncio-me perante situações que considero más, como foi este último exemplo, daquela que supostamente iria ser a discussão da carreira, em Braga e foi uma feira e pronuncio-me perante o que considero positivo, apesar de não ser tão frequente como o inverso.

Então aqui vai,
Se quero proteger os animais, faço-o a título individual . Se a senhora Bastonária quer proteger animais que o faça também... a título individual.
Os enfermeiros queixam-se que pagam muito de quotas e perguntam para quê. Pelo menos exigem que esse dinheiro seja utilizado para resolver vários problemas da classe, não para proteger uma espécie animal.
Será que o zoo não tem verbas para o proteger? Será que necessitam mesmo deste apoio ou isto é mais uma manobra de marketing ?
Será que o koala ia ficar entregue à fome, ao frio e à doença?
O apoio pode ser de 5, 10, 5000 ou 10000 eur, para mim é indiferente o valor, o problema está na acção conjugada com inacção perante assuntos que deveriam ser prioritários.
Os membros da Ordem aceitam este tipo de iniciativa? Isto é discutido em Assembleia? Naquela que se fez há poucos meses, com aviso em cima da hora, talvez não...

E já escolheram o nome para o Koala? Já não vão a tempo. Já foi votado na page de FB da Ordem.
Chama-se  Bunji!! Muito fofo!

Enquanto tento acabar este post, surge o "Prós e Contras" sobre a Vacinação e como não me identifico com aqueles que apenas vêem o lado negativo, será justo também elogiar e reconhecer a capacidade de ARC em defender publicamente a enfermagem.
Tem que se reconhecer que consegue sobrepôr os seus argumentos perante opositores, tem presença em debate e possui de facto um certo estilo populista que muitos apreciam, característica chave de quem tem uma boa escola política, como ela certamente a tem.
Não vi o debate completo, apenas vi as suas intervenções, publicadas no FB da Ordem. Não será muito justo ocultar os argumentos opositores, mas enfim, quem quisesse via o programa... deu para perceber que disse algumas verdades, que certas pessoas (Bastonário da Ordem dos Médicos) mereciam ouvir e deixou a Directora da DGS com uma ligeira ecolalia.

Já que falamos em animais e para sirva de registo para mais tarde recordar e rir, esta foi também a época em que o Ministério da Saúde adquiriu uma foca/peluche/robot, para acalmar os doentes! Tecnologia Japonesa! 5000 eur de inutilidade!


Gostava de ver esta expressão tão ternurenta do Adalberto, quando tivesse a pensar no que fazer com os Enfermeiros!
Pelos vistos até gracejou, disse que poderiam oferecer uma foquinha a cada ministro! Eu acrescentaria - já que está comprovado "cientificamente" que diminui a ansiedade, sugiro que ofereçam também uma foquinha a cada unidade funcional de equipas de enfermagem, pelo país fora!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Greve 22 e 23 de Março - Para os que exigem União

Hoje é o primeiro dia de Greve de Enfermagem, deste ano de 2018.
Para memória futura, dia 22 e 23 de Março, greve decretada pelo SEP.
Acompanho pouco as páginas de Facebook de Enfermeiros, mas dá para perceber que há várias reacções a esta greve.

Há os que efectivamente vão fazer, porque não querem saber quem a decreta, estão sim é conectados às justificações de greve (que na parte final colarei) e revoltados pela passividade e desrespeito do governo. Felizmente esta será a grande maioria.
Há os que são anti-SEP e qualquer que seja a iniciativa, desde que seja do SEP, eles não estarão lá.
E há os que não fazem greve porque estão à espera que os sindicatos se unam. A minha reflexão vai para estes.

Compreendo perfeitamente o desejo, eu também gostava que houvesse união. Acredito que com união sindical talvez tenhamos uma força maior, mas já vimos que isso a curto/médio prazo não irá acontecer.
Já tivemos provas e mais provas que isso é inviável, eles não se entendem, eles desprezam-se. Como te podes unir a alguém que te ofende e que acima de tudo tem perspectivas dispares para a profissão?

Talvez quando as lideranças mudarem, talvez (e é um talvez muito remoto) haja união.

E vamos estar à espera (sentados) que isso aconteça ou vamos agir agora da mesma forma que se agiu nos últimos meses de 2017 ??
Ok, pedem união, mas se já com 2 sindicatos a união era difícil, o que será agora com 4 ??!! Vamos estar à espera que os 4 se unam??!!
Eu sou sócio do SEP, mas farei sempre uma greve de outro sindicato, desde que seja legal e desde que considere legítimas as reivindicações.

Por isso, ou continuamos em força, ou dispersámos... É esta a minha visão.



Pelo descongelamento das progressões com a contagem dos pontos justamente devidos, a todos os enfermeiros independentemente do tipo de contrato de trabalho.

Pela publicação imediata do IRCT aplicável aos CIT, no BTE, até à 1ª semana de março.

Pela contratação imediata, até 20 de março, de 500 enfermeiros.

Pela contratação de mais 1.000 enfermeiros entre abril e maio.

Pela ocupação integral dos 774 postos de trabalho colocados a concurso para as ARS.

Pela publicação dos avisos de abertura de concursos para a admissão pelas Instituições do Setor Público Administrativo até à 1ª quinzena de março, com o número de postos de trabalho acordados em 2017.

Pelo pagamento do suplemento remuneratório para enfermeiros especialistas em março, com efeitos a janeiro/2018.

Pela fixação do protocolo negocial relativo à revisão da Carreira de Enfermagem.

Pelo efetivo pagamento do trabalho extra/”horas a mais” em março e abril.

Pela obrigatoriedade do cumprimento da legislação sobre horários de trabalho, em todas as instituições.

Pela manutenção da missão das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) colocada em causa através da proposta de reconfiguração das URAP.

Pelo reforço dos meios das UCC e a concretização do compromisso para a discussão do plano de abertura de novas.

Pela harmonização das condições de trabalho e remuneratórias, entre os enfermeiros de todas as Unidades Funcionais, pelo pagamento regular dos incentivos financeiros nas USF modelo B e pela transição de maior número de USF modelo A a B.

Pela alteração da orientação do Ministério da Saúde relativa ao registo biométrico na consideração da organização, funcionamento e aspectos legais relativos às equipas de enfermagem.


Pela retoma do funcionamento da Comissão de Reforma da Saúde Pública, parada desde dezembro/2017, e da consequente continuidade do trabalho que estava em curso. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Discussão sobre a futura carreira - Take 1 - Um Teatro no Museu


No passado dia 23 estive presente em Braga, no Museu D. Diogo de Sousa, num Plenário organizado pela Secção Regional Norte da Ordem dos Enfermeiros, naquele que se esperava que fosse um debate sobre as questões que envolvem a futura carreira de Enfermagem.

O que aconteceu foi tudo menos um debate, foi um espectáculo deplorável, foi um daqueles momentos que me deixou perplexo com o quão baixo algumas pessoas conseguem descer e me fez envergonhar por pertencer à mesma classe destas pessoas que estavam na plateia.
Como é possível estes enfermeiros e enfermeiras exigirem respeito e união, se logo à partida eles próprios rasgam essas premissas?

O que se esperava que fosse um encontro de (re)conciliação, discussão, partilha de ideias e acima de tudo, exposição de perspectivas e interpretação de todos os condicionalismos que envolvem a construção de uma carreira, acabou por ser um teatro bem encenado, marcado pelo achincalhamento, principalmente ao Presidente do SEP, José Carlos Martins (JCM). Acabou por ser, para ele e para o SEP, um presente envenenado, que decerto o deixou derrotado e possivelmente descrente.

Alguns dos intervenientes, ou artistas (acho que encaixa melhor) faziam transparecer que eram super enfermeiros e enfermeiras, que adoravam a profissão e adoravam as "suas equipas" e os "seus enfermeiros". Eu pergunto, será que se consegue ser assim tão bom, quando não se tem o básico - que é o respeito pelo outro? 
Pegavam no micro e começavam a disparar farpas, berravam e levantavam o dedo em riste, como se estivessem a repreender e confrontar um filho. 
Desafiavam até para a troca de cargos no imediato!! Eles e elas sim, iriam conseguir mudar o rumo da Enfermagem em Portugal!
Provocavam e ofendiam e no fim tiravam selfies com o auditório do Museu como pano de fundo, para pôr de troféu no Facebook, para os seus admiradores meterem o maior número de likes possível, tipo celebridade!

Fui para casa a pensar que é nestas alturas que o título deste Blog faz todo o sentido... Senti-me desmotivado e revoltado ao estar a assistir àquele circo, mas não poderemos valorizar apenas o que consideramos negativo, há o outro lado também na classe.

Acredito nas boas intenções do Presidente da Secção Norte, justificadas pela intervenção inicial onde apelou à união e ao bom senso dos intervenientes, "sem stresses" e que colocassem de lado toda a revolta evidente, mais notória nas redes sociais. Foi para mim, aliás, uma das poucas pessoas que esteve ao nível neste encontro entre Sindicatos/Ordem e individualidades famosas facebookianas.

JCM tentou numa fase inicial abordar questões que envolvem a construção de uma carreira, realçando o facto de esta não se circunscrever apenas a uma grelha salarial. Salientou outros domínios, nomeadamente a formação, as dotações seguras, a penosidade e o desenvolvimento profissional. Foi de facto (mal ou bem) o único sindicalista da mesa que falou da futura carreira em concreto, todos os outros apenas referiram o que já é sabido, que é a defesa de uma categoria de enfermeiro especialista.

JCM acabou por exacerbar o seu defeito, que até pode ser considerado uma virtude, tem de facto um raciocínio e discurso extremamente rápido, o que por vezes leva à incompreensão, como se verificou pela queixa de uma das intervenientes. Também é certo que essa senhora e a grande maioria presente não estava ali para ouvir JCM, estava para apupá-lo, interrompê-lo no raciocínio e prejudicá-lo no desenvolvimento do seu discurso.
Não é fácil falar para uma larga audiência, ainda pior o é quando se é vaiado.
JCM teve azar, pois tudo começou mal com a falha dos audiovisuais que lhe roubaram minutos preciosos para a sua exposição e depois andou a correr contra o tempo, falando demasiadamente rápido. Quis cumprir com o tempo que lhe deram, ao contrário de outros que não cumpriam e falavam e falavam mas nada de novo diziam.
Mas pelo menos falou da carreira, enquanto que o Presidente do SE manteve o seu discurso divagante, provocador e egocêntrico, centrado no passado e obcecado continuamente pela Enfª Maria Augusta, penúltima bastonária. A Presidente da ASPE e o Presidente da Sindepor, fizeram basicamente campanha pura, apelando às sindicalizações nos seus sindicatos recém-formados.
Este facto também é perfeitamente compreensível, porque vendo bem, eles foram responder às questões da moderadora do Plenário, que não foi capaz de conduzi-los para o que de facto interessava. Não estávamos ali para ouvir as diferenças que os novos sindicatos trazem, estávamos lá para ouvir novas perspectivas para a construção da futura carreira.

Aqui surge o que para mim foi o pior deste Encontro, que foi a moderadora, por sinal jornalista. 

Como é possível alguém que tem no seu código profissional o dever de isenção, ser completamente tendenciosa??! Como é possível, neste contexto alguém que vá moderar um evento desta índole, perguntar - "porque é que o SEP tem sempre a mesma cassete, está constantemente preso à geringonça política e não se une a outros sindicatos e se senta à mesma mesa negocial?!"
Foi ao JCM como poderia ter sido a qualquer outro líder sindical, que seria um absurdo e de uma provocação tamanha, tal pergunta.
A reacção na plateia e na mesa foi de estupefacção por um lado e de riso e escárnio por outro. Curioso também o facto desta senhora jornalista apenas ter provocado o dirigente do SEP, salvaguardando todos os outros.
Há quem diga já, que esta senhora jornalista é da confiança da Sr Enf Bastonária. Não sei se será ou não, mas que parecia haver alguma intimidade, lá isso parecia.
Curioso também o facto de apenas terem tido a oportunidade de intervir aqueles que estavam pela defesa da categoria de especialista e aqueles que eram anti-SEP. 
A moderadora foi incapaz ou não teve a habilidade de procurar alguém que defendia a outra perspectiva, mesmo quando vários dirigentes do SEP pediam para intervir. Quero acreditar que não tenha sido propositado, mas que foi lamentável, isso não tenho dúvidas.

A mensagem transmitida pela Sr Bastonária, foi a que já é conhecida. Temos uma Ordem que se inclina para matérias sindicais, justificando esse facto, pela procura daquilo que é o mais benéfico para os enfermeiros. Mantêm a pressão e a vontade incondicional da categoria de enfermeiro especialista e pretendem, tal como o MNEESMO estar presentes nas negociações como observadores. Em cada frase proferida por Ana Rita Cavaco (ARC), era uma euforia na plateia a fazer lembrar os concertos dos Beatles. Foi de tal forma intensa que a própria Bastonária pediu para se acalmarem os ânimos, senão não conseguia acabar o discurso previsto. Era uma plateia de extremos, ora vaiava quando o JCM abria a boca, ora aplaudia quando ARC juntava 3 palavras. O aspecto menos negativo que o SEP poderá retirar de tudo aquilo, é que provavelmente 3/4 da plateia eram ELOS da Ordem, ou simpatizantes e apoiantes incondicionais da Ordem.
Eu não tenho nada contra a Ordem, mas também não estou a favor, não me revejo nestas posturas e principalmente nestas formas e meios para atingir um fim.
Eu defendo uma Ordem que de facto se preocupe e manifeste pelas questões sindicais que envolvem os enfermeiros, mas também defendo uma Ordem que dê espaço aos Sindicatos. Ok... Querem ser observadores, tal como o MNESMO?! Que sejam! Analisando bem a situação, nem vejo grande mal, porque dessa forma, talvez comecem a perceber a complexidade de uma mesa negocial. Talvez comecem a perceber que por muito que se queira e exija, eles (Governo) é que têm a faca e o queijo na mão e impõe de um momento para o outro caso queiram. Talvez comecem a perceber o sentimento, quando eles (Governo) falham com o compromisso, falham com a palavra e dessa forma talvez deixem de atacar tanto os sindicatos (neste caso o SEP, que é o mais atacado) e passem a protegê-los, porque quer queiram, quer não, são eles que têm assento para a negociação.
Sobre a categoria de enfermeiro especialista eu compreendo perfeitamente os dois lados da barricada. Percebo o porquê de se querer uma categoria de especialista, mas também percebo os condicionalismos que daí advêm, com as implicações/limitações para a categoria de (apenas) enfermeiro, principalmente a nível remuneratório. Isso será matéria para o próximo post...

Temos que ser realistas, a tão desejada união, o entendimento entre sindicatos, nestas condições é impossível, infelizmente.
Como querem ir para uma mesa negocial em conjunto com o governo, se há interpretações divergentes?! Se não há propostas e projectos comuns?! Isto não torna logo à partida, inviável a união sindical??
Sejamos pragmáticos e justos. Se o SEP defende uma perspectiva, ninguém os pode obrigar a alterá-la apenas para que haja o tal consenso sindical que muitos falam, para todos se sentarem à mesma mesa.

Muitos poderão acreditar que é com este estilo da provocação, ofensa por um lado e populismo por outro, que chegaremos a algum lado. Eu não acredito, mas se assim for, que seja.

domingo, 28 de janeiro de 2018

SuperNasty


Recentemente a SIC apresentou um formato de programa "pedagógico" (as aspas estão a negrito) já utilizado noutros países europeus. Intitula-se SuperNanny e logo a partir do lançamento virou do avesso o Facebook.
Confesso que o meu primeiro impacto foi de que aquilo parecia interessante, talvez pudesse aprender algo, aproveitar alguma ideia, mas depois comecei a pensar - Há aqui alguma coisa que não bate certo, isto não parece muito legal, muito ético. 
Depois com o desenrolar do programa, quando chegamos ao apogeu do caso, com os berros da criança, definitivamente percebi, que aquilo que estava a ver era incorrecto, era um erro.
A primeira e principal questão que se coloca é a protecção da criança. A protecção da sua imagem e da a sua identidade. Os pais nunca podem partir do pressuposto que aquela criança, quando for maior, vai aceitar que a sua privacidade fosse assim exposta. A SIC que pense nas consequências que a revelação da identidade da criança poderá trazer. Todos sabemos que as crianças são más (quando querem) entre elas.
Outra questão que me pareceu muito estranha... Não acham que havia por ali muita encenação? Se uma equipa de filmagem entrasse nas vossas casas, por muito terroríficos que fossem os vossos filhos, eles não se comportariam com mais cuidados, tendo em conta os estranhos e o aparato??!! Enfim, é só um palpite...
Percorrendo o assunto no Facebook encontrei esta sublime sugestão, que republico, com as devidas autorizações da autora:

"Cada um dos que concorda com o programa "SuperNanny" vai colocar aqui o nome completo, data de nascimento, morada e contacto telefónico.
Cria-se desde já uma base de dados de futuros voluntários para um programa chamado "Super-Olddy" onde os vossos filhos chamarão uma especialista em Gerontologia, para os ajudar a saber lidar com as dificuldades que a vossa velhice lhes trará.
Vai ser giro ver-vos a babar e a gemer e chegar ao final do programa já com a troca de fralda feita e sem refilarem!"

Como o assunto prometia, eis que um Tribunal do sul decide, estes dias, suspender o programa. Da minha parte merece um aplauso, afinal a justiça portuguesa não é tão fraca como às vezes parece. 
A SIC apresenta o seu lamento e acrescenta que na Suécia e Reino Unido o programa é aceite! 
Poderíamos responder-lhes - Então vamos propor o envio de alguns juízes portugueses para lá, porque algo não está bem no sistema judicial daquele lado...

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Opinião sobre actualidade - O ano começa quente!



Bom dia a todos! Antes de mais gostaria de vos desejar um 2018 repleto de felicidade, saúde e dinheiro, necessariamente por esta ordem.

A Ordem dos Enfermeiros convocou uma AG com 48 horas de antecedência, sendo que um dos dias era feriado. Resultado: num momento importante para a enfermagem, estiveram presentes 0,1% dos enfermeiros.
Considero um erro grave de planificação, agora se foi ou não propositado, fica ao vosso critério, eu guardo para mim a minha opinião sobre isso. (Subscrição do Comunicado)
Os "famosos" especialistas anti-SEP do Facebook, rapidamente foram encontrar outro assunto, que para mim é um não-assunto: o SEP não se pronunciava sobre as fotos e posição dos colegas de Faro, que revelavam as degradáveis condições nos serviços.
Não aprecio exercer papel de advogado, mas não lido bem perante discurso incendiário e injusto.

Vi na TV e internet, intervenções e movimentos sindicais (do SEP para ser mais específico) sobre esta grave temática. Vi na Guarda, vi em Guimarães e vi em Faro.
Ao longo dos anos tenho visto os avisos constantes à tutela por parte deste sindicato sobre a elevada falta de enfermeiros por este país fora, quer em cuidados saúde primários, quer em secundários. Todos sabemos que mais enfermeiros não vão apagar estas lamentáveis imagens, mas iriam minimizar e muito.
Que me recorde, desde há uns anos a esta parte, estas imagens repetem-se, não é de agora, não é só em Faro! É um pouco por todo o país. Deixemos de nos virar uns contra os outros e concentremo-nos na: denúncia e solução. 
Mas atenção à forma como a denúncia é feita. Se por um lado é importante haver impacto, por outro a legalidade deve ser uma das nossas prioridades. Com as imagens trazidas a público, houve de facto um bom impacto porque o assunto está a ser debatido, mas também houve o mau impacto com muitos a condenarem o facto de enfermeiros fotografarem doentes naquelas deploráveis condições. Algumas reacções foram exageradas, outras foram legitimas. A denúncia deverá ser feita pela via legal. Temos a Ordem, temos o Marcelo, temos a comunicação social. Não devemos assumir um papel que compete aos media. Quem é que não se recorda, ainda a bem pouco tempo, de uma câmara oculta ter entrado num hospital e filmado condições semelhantes? Eles que façam este trabalho "sujo", caso contrário o cidadão condena e não apoia a enfermagem.
Os sindicatos têm que se focar na falta de enfermeiros nos serviços, que consequentemente conduz à degradação das condições para os doentes. E é o que acho que têm feito. 
A Ordem, por sua vez tem nas suas prioridades a defesa das melhores condições para o utente, que podem (em grande parte) ser alcançadas com mais profissionais. O assunto é o mesmo, a abordagem é que é diferente. A Bastonária já se pronunciou sobre esta matéria e tocou num ponto importante, que se prende com o facto dos hospitais "esconderem" doentes e "limparem" serviços, quando alguém importante passa.

Continuemos a fazer o que nos compete! Na saúde só vejo os enfermeiros a tomarem atitudes sobre isto. Nem tudo está mal na enfermagem!



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Médico a dias

Linha da Frente (XIX) - Episódio 31 - RTP Play - RTP


Um dos objectivos deste blog é servir como uma reserva de registos de determinados acontecimentos ou factos, para que pelo menos eu nunca apague da memória coisas más e coisas boas. Fazendo um flashback são mais as coisas más, mas com elas vamos apre(e)ndendo e evoluindo.

Este foi o mês em que se tornou público que o Estado gastou mais de 100 milhões em médicos tarefeiros e foi também o mês, continuando com a política como pano de fundo, que Leitão Amaro, deputado e comentadeiro televisivo afirmou com toda a convicção que a Legionella , pela lei do anterior governo, passou a estar totalmente proibida! Brilhante, diria eu!

Vou reflectir um pouco apenas sobre o primeiro tema, o segundo só está ao alcance de humoristas.

No passado dia 2 de Novembro a RTP apresentou uma reportagem preocupante. (ver vídeo, clicando no link)
Não é que não soubéssemos já o que se passava, mas agora alguns pormenores da rede foram desmontados.

Se os médicos trabalham em 3, 4 ou mais locais e se andam exaustos é porque o permitem.
Se recebem 18000 por mês, é porque alguém permite. É um absurdo, mas nem é o mais grave e pouco me interessa o que os outros recebem, preocupo-me é com o que os enfermeiros recebem.

O que não se pode permitir é a negligência que daqui advém. Se trabalhar 12 horas é duro, imaginem 48 ou 72 horas e depois no dia seguinte outras tantas, noutro hospital. Ninguém é de ferro, os erros aparecem e vidas estão em jogo. 
Os hospitais "contratam" os tarefeiros nestas condições, mas depois lavam as mãos em caso de erro, "não têm vínculo com a instituição", respondem eles.

A RTP procura respostas, mas nenhum hospital aceita responder. Ou estão indisponíveis ou acham o assunto "inoportuno" (que lata!). A negligência é de quem a comete e de quem a permite. 
Como é possível numa instituição, trabalharem funcionários que não têm qualquer tipo de ligação com ela? Não é concebível!

As empresas de recrutamento também não dão entrevistas, enquanto a mama durar há que estar em silêncio. O Estado quer acabar com aquilo que começa em "x" e acaba em "anço", mas já está em funções há 2 anos e o sistema mantém-se. Mais de 100 milhões gastos, distribuídos por várias empresas sugadoras de recrutas. Falta descobrir quem mais é que tem ganho com isto.
Esses 100 milhões davam para melhorar o SNS, aumentar o número de profissionais de saúde e melhorar as suas condições contratuais e laborais.

Isto é uma sucessão de irregularidades, uma sucessão de crimes! E espero que isto não caia no esquecimento!



#Juntossomosmaisbaixos



Acho que o lema #Juntossomosmaisfortes pouco se aplica a nós, enfermeiros. 

Sejamos realistas, nós nunca estivemos realmente unidos e temo que nunca haveremos de estar. Tivemos alguns esboços de união, mas depois tudo volta à casa anterior.

Na discussão nas redes sociais, muito poucos são aqueles que procuram consensos, a maioria é a partir a loiça toda, com insultos, provocações e falta de respeito. 
As instituições que nos representam não se entendem e é praticamente garantido que enquanto as pessoas forem as mesmas, nunca se haverão de entender. Gostava de estar enganado, para nosso bem, mas o mal-estar é tão intenso, que não vejo como alterar este meu pessimismo. O exemplo parte daqui e chega até ao comum enfermeiro que aponta o dedo ao colega ao lado.

Um dado representativo desta desunião foi a greve do passado dia 27 de Outubro com uma adesão de 35 - 40%.
Uma grande parte dos colegas não fez greve porque está contra o SEP.
Outra parte não fez greve porque os motivos não os afectavam.
E outra boa parte não fez greve porque nem sequer sabia o porquê e o contexto da greve.
Não se deve a este facto a escolha do título. Cada um faz, acompanha e lê aquilo que quer. O título deve-se à nossa postura e atitude, perante o outro e perante a enfermagem.

Tirem as conclusões que quiserem...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A Digníssima bastonária não deveria ter facebook








A Bastonária da Ordem dos Enfermeiros não deveria ter Facebook, é extremamente reactiva, não se consegue conter e manter-se distante e discreta numa discussão cujo cenário pouco interessa. Se quer ter facebook que o tenha de forma privada, apenas para os seus amigos e família. Essa é a minha opinião.

Há uns dias atrás lia um post publicado no facebook por uma colega, na página "ENFERMEIROS". Leio os comentários e só consigo retirar uma conclusão. As declarações de Ana Rita Cavaco têm tanto de lamentável como de perigoso.

A Bastonária Ana Rita Cavaco têm todo o direito de ter preferências e cores politicas e todo o direito de não gostar deste ou daquele sindicato,  mas ocupando o cargo que ocupa, na minha opinião, deveria guardar os gostos para si ou pelo menos disfarçar um pouco melhor. Dizer que os "enfermeiros não devem gastar energias com esta greve" decretada pela Frente Comum, que como sabem, engloba o SEP, é grave.

O desprezo de ARC pelo SEP já  vem de muito longe. Atingiu o seu cume quando na celebre assembleia Ordem/FENSE/CNESE, sai cá para fora a noticia de que a CNESE (SEP) abandonava a reunião, não assinava o memorando de entendimento e é colocado como o mau da fita perante a classe. O que passou despercebido ou ocultado é que a FENSE também criticou duramente esta iniciativa e também não assinou rigorosamente nada.  Conclusão: a Ordem continuava a alimentar o ódio dos enfermeiros pelo SEP, salvaguardando a FENSE e isto tudo por causa de um assunto que não poderia ter solução. Mais uma vez era o SEP que abandonava os enfermeiros..  

Nestes últimos meses aconteceram situações muito estranhas com perseguição e ameaças de processos disciplinares a colegas.  Fico até com receio de após publicar este post,  ser alvo de escrutínio.
Continuando a análise aos comentários expostos nas imagens, Ana Rita Cavaco escreve que "o senhor Nuno Agostinho, enquanto delegado do SEP, se preparava para dar informações erradas aos enfermeiros..." Ora... mas o que é isto?! Lavagem de roupa suja ao mais alto nível. O colega preparava-se, notem bem, preparava-se para dar informações erradas!! Ele não deu informação nenhuma (e mesmo que tivesse dado), preparava-se para dar e é enxuvalhado de uma forma medonha.
Já é mau quando o comum do enfermeiro vem para o facebook atirar achas pra fogueira, agora quando vem a mais alta figura de enfermagem do país, que exemplo é que se está  a dar?

Para mim quem desempenha cargos de extrema responsabilidade não deveria ter conta de facebook, porque ao tê-la está (pelo menos para mim) a passar a mensagem de que está a perder tempo com futilidades, tempo esse precioso para o que de facto interessa - discussão e evolução da enfermagem em sede própria.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O clima "azevedou" graças à dívida dos autocarros


Artigo de opinião 
por Guilherme de Carmo

Da mesma forma que critiquei o SEP por não ter aderido à última grande manifestação de enfermagem, devo agora aplaudir,  por se ter mantido sereno e coerente perante os fortes ataques de colegas alimentados e iludidos pela FENSE. 
A FENSE construiu uma máquina demolidora,  constituida por sócios e simpatizantes com perfis de FB verdadeiros e outros duvidosos.  Desta forma apelou-se insistentemente à dessindicalização em massa de sócios do SEP, para descredibilizá-lo ou até, se possível,  erradicá-lo,  acenando com promessas que agora se veio a confirmar não serem cumpridas. 
Assinaram um acordo que está a milhas daquilo que prometiam.

Pergunto agora a todos os colegas que pisaram o SEP,  se

A FENSE NÃO TE REPRESENTA?!

Criou-se uma aliança de ódio,  contra-informação e difamação movida por um grupo de amigos.  Alguns desses amigos agora viraram inimigos. 
Por isso aplaudo a serenidade do SEP,  soube esperar.

"Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar"
Zun Tsu

"Inimigos de fraca índole, facilmente se tornam inimigos entre eles."
Guilherme de Carmo


O episódio  dos autocarros insolventes é um exemplo de tudo isto.
Ao que consta,  segundo a (única) versão, na altura da manifestação em Lisboa,  a despesa seria partilhada por Ordem e FENSE.
Na altura todos eram muito próximos, eram conferência de imprensa em conjunto,  eram selfies,  tshirts azuis e passagens triunfantes pela multidão em manifestação. O SEP era o carrasco. 
Agora o clima "azevedou" graças à divida.
A ser verdadeira a versão,  repito,  a ser verdadeira a versão do acordo de partilha de despesas,  a Ordem fica mal na selfie e os que idolatram ARC,  deverão talvez repensar a paixão.

Sobre a dívida em si,  duas notas:
Os autocarros decerto teriam jacuzzi.

O dinheiro das novas admissões de sócios da FENSE,  decerto dará para saldar a dívida.

domingo, 15 de outubro de 2017

E agora? O que esperar do MNEnf?



Olá a todos!
Antes de mais agradeço as mensagens de parabéns no Facebook! Relembro que a esta data nasceu o Blog, há 9 anos atrás. Não fui eu que nasci! Mas é sempre bom cantarem os parabéns duas vezes por ano.... ou não.
Enfim, o que interessa é o gesto!
Aproveito esta data especial para algumas reflexões...

Estes últimos meses são dignos do verdadeiro drama televisivo; amizades, inimizades, amores, ódios, traições, vinganças, ilusões, discussões, aproximações, afastamentos, insultos, venerações, calculismo, oportunismo,  etc etc.. 

Há medida que vou escrevendo este post, vários acontecimentos foram surgindo, ao ponto de ter tido que alterar o conteúdo e até o titulo. Inicialmente o titulo era: "Porquê que o MNenf não me representa?" Agora o contexto já é outro.

Há uns dias atrás nasceu o MNEnf. Foi tudo com enorme aparato e suspense como se tratasse do nascimento dos Salvadores da Enfermagem. Para mim não passou do nascimento de um movimento de consagração de estrelas do e de momento.

Enquanto lia o primeiro comunicado fiquei logo desanimado. Um dos rostos não me convencia de todo. E por isso na altura afirmava que o MNenf não me representava. E porquê?
Porque um dos nomes deste Movimento é um enfermeiro cujo nome e escrita inunda o Facebook, um enfermeiro que ofende todos os que se afastam dos seus ideais, todos os que não pensam da mesma forma que ele e que têm uma perspectiva e expectativa diferente para a profissão. Desce a níveis muito baixos, basta consultarem a sua página e o seu movimento (e não Movimento) no Facebook para comprovarem. Para mim, uma pessoa que exige Respeito ao Ministro, mas que não sabe respeitar o outro, não me poderia representar em nada.

Vamos por exclusão de partes. 
O primeiro nome da lista é um enfermeiro que merece toda a consideração. Apesar de não me identificar com algumas das suas posições, liderou um movimento que mal ou bem, quer se queira, quer não, despoletou o "despertar da besta". 
O último nome da lista é alguém que também merece alguma consideração, pela coragem de ter saído do manto protector de silêncio dos chefes e juntar-se à luta, ficou famosa por declarações emotivas apesar de pouco produtivas na TV e a partir daí foi presença assídua no debate virtual. Nascia mais uma estrela do e de momento. O momento e a estrela já se desvaneceu porque a senhora acaba de se auto-excluir do MNenf. Terão sido erros de estratégia? Justificou a saída porque pensava que o MNenf era independente de sindicatos. Então ela não era uma das maiores admiradoras da FENSE? Agora já não gosta da FENSE, ficou desapontada com o seu líder, por ter suspenso uma greve.
Já se falou muita coisa sobre a origem e destino desta senhora, cuja veracidade desconheço... Cenas nacionalistas, que saiu do Movimento, porque vôos mais altos se aproximam. Vamos aguardar para ver.

Entretanto, o nome do meio da tríade de rostos do MNEnf e que eu acima critiquei decide também abandonar o MNEnf. Já não está em posição de redigir o "guião" deste drama. Pega-se também com o senhor que "criou os diplomas que fizeram emergir a classe das trevas e do servilismo". Eram todos amigos unidos para erradicar o SEP e agora já não se dão, zangaram-se.
Isto sem sombra de dúvidas seria um bom guião para uma série da Fox.



Eu não me identifico com a FENSE, é notório, mas também não me identifico com aqueles que a veneravam e agora deitam abaixo. Afinal qual foi o problema dos "praças velhas" cancelarem ou suspenderem a greve? Conseguiram o compromisso de negociação do ACT, logicamente cederam, como tem sido habitual em ambas as estruturas sindicais. Se apelamos ao bom senso deles (governo), também teremos que ter bom senso. Apesar do nosso passado não merecer esta postura, temos que ter consciência no presente e fé no futuro. 
Há colegas que acordaram há dois ou três meses e querem tudo, já, aqui e agora! Ainda não entenderam que há assuntos que não são para agora. Até aqui demos um passo, não é pequeno nem grande, foi um passo... na questão das 35h, horas extra/suplementares e "suplemento" aos especialistas. Não era de todo o que queríamos, principalmente no "suplemento" mas é o que está... por enquanto.  
A partir de agora é um novo passo com o ACT.

Voltando ao MNEnf...
Já saíram dois nomes que não me convenciam, um por inteiro, outro por metade. Quais as cenas dos próximos capítulos? Os mentores do Movimento sairão do anonimato? Estou na expectativa. Apenas um pormenor continua a incomodar-me. Num dos comunicados referem que são independentes a nível sindical: "(...) completamente independente de estruturas sindicais (...)", mas a contradição vem num comunicado seguinte: "(...) início imediato da carreira especial de enfermagem, tendo por base o ACT da FENSE." Algo não combina.

Entretanto tive uma interessante conversa com um dos responsáveis do MNEnf, que não interessa quem. Não me afirmou categoricamente que isto da independência foi uma falha, mas também me disse que quer o melhor para a enfermagem, independentemente do sindicato que vença a batalha do acordo.