quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Injustiça Racial (uma questão de rácios)


A gestão de recursos humanos é provavelmente a pasta mais complexa numa administração hospitalar. Definir os rácios ideais para uma Unidade, mobilizar e integrar trabalhadores aos quais lhes foram atribuídos "serviços moderados", são alguns exemplos que comprovam essa complexidade.

No meu hospital (e em qualquer hospital) poucas são as Unidades que requerem "serviços moderados" e muitos são os trabalhadores com "serviços moderados".
Ora, isto é um problema grave, que causa sérios desequilíbrios na "produção" hospitalar e que conduz aquilo que eu denominarei de Injustiça "racial". Não se refere a raças ou racismo, mas sim a rácios!
Injustiça "racial" para mim é encontrar, por exemplo, Unidades com mais de 30 doentes internados, muitos deles totalmente dependentes, para 2 enfermeiros e 1 assistente operacional e no lado oposto, Unidades de consulta (maioritariamente) médica, com 3 enfermeiros e 2 assistentes operacionais. Estará tudo invertido?!

As primeiras, como disse, têm internados vários doentes acamados, com necessidade de uma multiplicidade de cuidados e como este blog não pretende ser apenas para profissionais, passo a enumerá-los de uma forma básica e fria:
posicionamentos na cama para evitar escaras;
levantes da cama e mobilização, para evitar atrofia muscular e monotonia p.e, para o doente;
massagem corporal;
administração de medicação; soros e sangue, entre outros
avaliação de sinais vitais;
pensos simples e complexos, como por exemplo a escaras profundas;
cuidados de higiene (total ou parcial por rotina ou as vezes que forem necessárias) e conforto a doentes totalmente dependentes, assim como ajudar/supervisionar os mesmos cuidados a doentes com alguma autonomia;
alimentar doentes dependentes via oral ou via sonda;
cuidados a traqueostomias, colostomias, etc
quando necessário, algaliar, colocar sondas no tubo digestivo, sondas rectais, cateteres nas veias, aspirar secreções através de uma sonda e aspirador respiratório;
colher sangue para análises;
reanimar doentes que entram em colapso cardiaco e/ou param de respirar;
registar num computador tudo isto e muito mais;
fazer trabalho administrativo, como por exemplo organizar papeladas e atender telefones, entre outros;
fazer a admissão de doentes (questionário/avaliação de vários parâmetros);
fazer ensinos aos doentes e família, preparação para alta;
colaborar em técnicas médicas específicas;
transferir (acompanhar) doentes interna e externamente e at last but not at least;
ouvir o doente, dialogar com o doente e dar-lhe a mão quando ele(a) assim precisar/quiser, coisas que alguns acharão básicas mas imprescindíveis, que aprendemos ao longo da nossa vida, académica ou não, que aprendemos nos congressos de Ética, Cuidados Paliativos, Dor, etc e que no final todos batem palmas (gestores, administradores e porventura ministros incluídos) e chegam à conclusão que não se faz mais porque não há tempo, nem pessoal, enfim... outros assuntos.
Todo este trabalho (e mais algum que decerto esqueci) é efectuado pelos enfermeiros (dois), com a colaboração sintonizada de assistentes operacionais (um) que, para além disso, têm sob a sua responsabilidade funções de mensagueiro, limpeza de instalações e dispositivos, etc. Isto tudo para um turno de 8 horas.

As segundas (para quem já perdeu o fio à meada, é favor ver o final do penúltimo parágrafo), são Unidades de consulta, onde o trabalho de enfermagem e de assistentes operacionais, é importante mas periférico, ou seja, o que conta efectivamente ali são os actos médicos, que obviamente precisam do apoio do enfermeiro e assistente operacional, mas não passa disso... apoio e pouco mais. E que me desculpem os mais sensíveis, mas é a percepção que tenho.

Nas primeiras vemos enfermeiros stressados, num correrio para tentar cumprir em benefício do doente, enfermeiros que muitas vezes passam e atrasam as suas próprias refeições e saem em desgaste das Unidades para casa, passado meia ou uma hora da hora que deveriam sair e vemos enfermeiros irritados com as condições de trabalho e que aderem em bloco às greves.

Nas segundas vemos enfermeiros relaxados, várias vezes sentados, aparentemente com um volume de trabalho perto do moderado e que raramente ou nunca fazem greve, porque irritação e indignação no trabalho é coisa que não lhes assiste. Ainda bem que assim é e que assim seja, pois não desejo isso a ninguém.
Não me oponho a que estes colegas estejam sentados, relaxados, até nem me oponho aos rácios que têm. Oponho-me sim é aos rácios das primeiras.

Infelizmente há alguns exemplos de injustiça "racial" nos hospitais. Um que considero demasiadamente grave é no meu contexto profissional e que talvez já tenha sido aqui abordado várias vezes: número reduzidíssimo de assistentes operacionais (vulgarmente designados auxiliares e maqueiros) que desempenham um vasto leque de tarefas, que não é necessário estar a enumerá-las e o que acontece diariamente é ter que procurar e esperar por um assistente operacional, porque efectivamente eles estão sobrecarregados e não se conseguem multiplicar para responder ao volume de trabalho que este contexto (Urgência/Emergência) requer. Por outro lado, vou a um Serviço de Obstetricia, onde encontro sempre várias assistentes operacionais em.... digamos, stand by.
Para reflectir...
Abraço!

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Greve 13 e 14 de Outubro - Água mole em pedra dura tanto bate até que fura



Compreendo aqueles que dizem que estão cansados de tanta greve. Todos estamos, ninguém as quer, mas enquanto não virmos alguma evolução no sentido de chegarmos aos objectivos que todos consideramos mais que justos, as greves e a sua continuidade são inevitáveis.
Não compreendo aqueles que dizem que nada se consegue, porque algo se consegue sempre. Por muito pouco que possamos considerar que seja, uma simples pressão faz pelo menos com que nos sentemos e discutamos com aqueles que têm o poder de decisão.
Não consigo compreender aqueles que não fazem greve. Só conseguiria perceber, se fossem contra admissão de mais enfermeiros, contra as progressões, aberturas de concursos para principais, contra a reposição do valor das horas de qualidade, pagamento de h. extra, etc etc, (ver comunicado) mas decerto não o são. Então porquê?
"Porque trabalhamos mais que num dia normal e ganhamos menos!"
ERRADO! Trabalham mais porque são cobardes, porque têm receio de assumir que não fizeram determinado procedimento, porque tal procedimento não é uma necessidade impreterível, não é uma emergência para a saúde daquele doente e o "ganhar menos" é outro mito, porque quem faz greve e assegura os cuidados mínimos as 8 horas do seu horário normal, vai receber o seu vencimento na integra. 
Temos a razão e a lei do nosso lado, porque razão haveremos de nos colocar uns contra os outros, porque um faz greve e outro não faz e o que não faz tem o direito a ser rendido e fica indignado porque o colega que faz greve também tem um direito que prevalece sobre o seu, o direito à opção de não o render e este por sua vez também fica indignado porque está a lutar e a defender um princípio que provavelmente o seu colega não grevista também defende. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Nem os super-enfermeiros escapam ao surrealismo das noites.


Fazer noites é uma merda. Por cada noite que faço sinto-me a envelhecer ao cubo. Envelheço literalmente, sinto-o. E isto está estudado. Nós temos um bioritmo, um ciclo, onde estamos em actividade ou acordados cerca de 16, 17 horas e 7 ou 8 horas a dormir. Uns mais outros menos, mas para nenhum, esse ciclo pode ser quebrado. Os sonos não se antecipam, nem se reduzem a um par de horas, nem se fazem no pico do dia, com os ruídos externos. Depois o pior nem é a noite em si, são os dias seguintes, onde vais tentar reorganizar o sono: fizeste noite, estás cansado, dormes de manhã, perdes o almoço, acordas lá para o inicio da tarde, chegas à noite já não tens sono, vais adormecer muito mais tarde que o habitual e novamente vais dormir menos que o razoável, porque na manhã seguinte, provavelmente vais ter que acordar cedo.
Fazer noites não tem preço, não se paga. Não quero que me paguem para desinsuflar saúde do meu corpo, mas tenho que as fazer e vou envelhecendo. Muitos não dão valor, principalmente os governantes, que nos pagam por isso com um suplemento cómico. Os ignorantes dizem que vamos para lá dormir, como se fossemos dormir as 9 ou 10 horas do turno. Saberão lá eles que a noite é o turno mais difícil, pois é na noite que muitos doentes, mais idosos por regra, ficam confusos e agitados, levando-nos muitas vezes ao descontrolo emocional, impaciência e irritabilidade. Nem os super-enfermeiros escapam ao surrealismo das noites, mesmo os mais calmos e atenciosos atingem um ponto de colapso e bufam como uma panela de pressão. Não há hipótese, toca a todos.. O mau-humor instala-se,  é bioquímico e quem leva a fava é o doente. É mesmo assim, não se surpreendam, reconheçam a verdade, muitas vezes o doente leva com os nossos desafogos.
As noites destroem-nos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Na ressaca da greve de 29 de Julho


A adesão à greve nacional de 29 de Julho andou pelos 70%.
Quais são os motivos para que 30% dos enfermeiros portugueses não manifeste a sua indignação na mais visível e determinante resposta à injustiça e indiferença perante a classe e utentes?

a) Não concordo que haja admissão de mais enfermeiros.
b) Não concordo que se pague as horas suplementares e extraordinárias condignamente.
c) Não concordo que todos os enfermeiros façam 35h.
d) Desconhecia os motivos da greve.
e) Não quero perder um dia de ordenado, porque pode comprometer a minha economia doméstica.
f) Não quero receber menos uns euros ao final do mês por ter estado a prestar serviços mínimos.
g) Não gosto do sindicato, porque o sindicato nunca fez nada por mim.
h) Estou satisfeito com a conjectura que envolve a enfermagem.
i) Já tenho as 35h, os outros não me interessam, porque eles também não se interessaram por mim.

Então, em que sub grupo te inseres? Ou pertences aos 70%?

Os números em Viana ainda foram mais baixos, rondando uma média de 60% nos diferentes turnos.
Vejo hospitais com uma adesão entre os 90-100%, como S. José em Lisboa, Pombal, Torres Novas, Peniche, Santarém, Fundão, Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Portimão, Tondela, Famalicão e Aveiro e penso... cá por Viana o pessoal está mesmo satisfeito, ainda bem!!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

35 horas, mas não para todos !?!


Após alguma incerteza e inverdade, após avanços e recuos, as 35h vão finalmente ser devolvidas aos enfermeiros. Foi uma temporada extremamente difícil marcada por uma tremenda injustiça e discriminação entre a classe. 
Trabalhar 40 horas semanais, por si só já é duro, fazê-las sem ver um único acréscimo no vencimento, ultrapassa todos os limites daquilo que é direito laboral actual.
Defendo as 35h para qualquer área, mas mais ainda para a enfermagem, por sabermos e está comprovado, que o trabalho em saúde é de maior desgaste e risco, principalmente pelo trabalho por turnos.
Ontem, dia 2 de Junho, na Assembleia da República, ficou decidido as 35h apartir do próximo dia 1 de Julho, sem faseamentos, para os CTFP, com votos favoráveis do PS, PCP, Verdes, BE e PAN e votos contra (como seria de prever) da direita.
Esta foi uma batalha ganha, muito pela pressão do Sindicato e quando digo sindicato refiro-me apenas ao singular, porque o que se viu foi movimento do Sindicato dos Enfermeiros, mais concretamente do SEP, não vi sindicatos de outros sectores muito preocupados com esta matéria.
A batalha foi ganha, mas não a guerra, porque o que se pretende é que as 35h sejam para todos, independentemente do vínculo (posição marcada pela PCP, Verdes e BE), porque caso contrário estamos a fazer com que a injustiça persista, já que os CITs não foram abrangidos.
Da mesma forma que os CITs que já faziam as 35h se solidarizaram com esta luta, aderindo a greves por esta causa, espero eu, que quando os CTFP tiverem as 35h, se solidarizem pela luta que agora se adivinha, dos CITs com 40h.
Dia 6 de Junho haverá uma nova etapa decisiva sobre esta matéria, numa reunião entre Ministério da Saíde e SEP, onde se pretende negociar um Acordo colectivo de trabalho (ACT) para a aplicação das 35h semanais aos CITs.
Lutar pelos nossos direitos, por justiça laboral afinal faz sentido!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quer que a sua filha fique uma baleia como você?



Há umas semanas atrás, assisti ao novo programa da SIC: "E se fosse contigo?"
O assunto era o preconceito e discriminação relativamente a pessoas com excesso de peso.
Uma das entrevistadas referiu que uma certa altura, numa consulta à sua filha, uma médica perguntou se ela queria que a filha ficasse uma baleia como ela. (17:20)
Foi uma médica, poderia ter sido outro qualquer profissional de saúde. Uma boa parte de nós, onde eu me incluo, já fez, em contexto de trabalho, directa ou indirectamente, algum comentário depreciativo a algum doente obeso.
Nunca assisti a absurdos deste tipo, mas muito ouvimos em passagens de turno, conversas informais, conversas com os doentes, etc.. Isto é um lembrete para mim e para qualquer um de vós, para não esquecermos que o doente já sabe que é gordo e provavelmente já sabe o que tem que fazer para lutar contra isso. A questão está em ajudá-lo nesse passo.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Relíquias, d(os) doentes!


Os doentes não nos oferecem apenas momentos de stress, oferecem-nos também, além dos contributos para a experiência profissional, momentos de humor e sabedoria popular, entre outros.
Uma simpática senhora, brindou-me, a propósito de já nem sei o quê, com o seguinte cantar. Ficou animada com o meu interesse e perguntou-me, Quer que eu o escreva Sr Enfermeiro? Nem é tarde nem é cedo, este é digno de Blog, para figurar no meu álbum de recordações, pensei. Então escreva você, que eu vejo mal e assim foi:

Havia em Fafe um doutor
Personagem de valor
Mas de génio exaltado
Um dia meteu-se num restolho
Levou um soco no olho
E teve de ser operado

Onde foi fazer a operação
Disse-lhe o cirurgião
Já um tanto comovido
Colega tem de ter paciência
Mas para bem da sua existência
Tem que pôr um olho de vidro

Onde foi comprar o olho
Disseram-lhe para pôr de molho
À noite, quando se fosse deitar
Para que de manhã ele entre
Sem ter que se magoar

O patrão disse ao criado
Põe um copo bem lavado
Em cima da cabeceira
E depois tirou o olho
Pô-lo no copo de molho
de estimação verdadeira

Mas era Verão e fazia calor
E o bondoso do doutor
Acordou meio zarolho
E tendo da sede mágoa
Deitou mão ao copo de água
- Catrapuz - engole o olho

Mal se acaba de deitar

Diz que sente rabiar
Uma espécie de lombriga
Começou a sentir dores
E a evacuar sem poder
Era tal o sofrimento
E com vergonha o doutor
Chamou o criado para ver

Quando o criado entrou
E seu patrão encontrou
Em certa posição, berra
Tenha cautela ó patrão
Porque nessa posição
Perdeu a Alemanha a guerra.

Ó rapaz vê se te ajeitas
E pelo buraco espreitas
Qual a dor que me devora?
O rapaz espreitou com jeito
Ó patrão é um sujeito

Que está com um olho à porta
Que quer sair cá para fora

terça-feira, 1 de março de 2016

A Bastonária tocou na ferida... com a mão toda


A Bastonária dos enfermeiros, Ana Rita Cavaco cumpriu a sua promessa eleitoral de maior visibilidade para a enfermagem. Conseguiu numas semanas aquilo que o anterior senhor bastonário não conseguiu num mandato inteiro, protagonismo... mas protagonismo pelos piores motivos. Congratulo-a porque trouxe à baila um assunto emergente, polémico e delicado, como é a eutanásia, "tocou na ferida", mas tocou com a mão toda, não se preparou adequadamente para tão ilustre debate e painel da Rádio Renascença, meteu os pés pelas mãos com o "coma insulínico", com o "estas coisas acontecem por debaixo do pano" com os "médicos sugeriram administrar insulina". Os médicos sugerirem? O que quis dizer com isso? Os médicos não sugerem! Foi um desabafo de algum médico?
Coma insulínico??! Alguma vez proporcionar o coma insulínico é uma forma de eutanásia?!! Parece-me mais uma forma de tentativa de homicídio. "Estas coisas"?! Que coisas?  Administração de fármacos para provocar deliberadamente a morte ou interrupção de medidas invasivas e não invasivas que sustentam a vida? É que estas duas premissas conduzem à morte, mas reflectem conceitos distintos e o último sim, o último existe no SNS, talvez fosse por aqui que a Senhora Enfermeira Bastonária deveria ter começado. Foi infeliz, quis ser frontal e assumir uma posição corajosa, pró-eutanásia, que é aquela que eu defendo, mas falhou e envergonhou a classe, por muito menos já vi demissões, depois lançou um remendo, mas talvez já tenha ido tarde, porque a polémica já chegou ao Ministério Público, Ministro da Saúde e até ao ainda não empossado PR.
Acho até estranho como é que alguém que trabalhou em Centros de Saúde, Saúde 24 (saiu após um processo disciplinar) e Centro de Anti-dopagem, ou seja, um percurso profissional fora dos hospitais, fora de cuidados diferenciados, possa ter uma experiência, um conhecimento, uma abordagem de algo que se passa em hospitais ou Unidades de Cuidados. 
Eu defendo de forma inequívoca a eutanásia, como já em anos anteriores defendi neste post. Defendo-a depois de um debate público, defendo-a como última medida, após estruturadas e esclarecidas reuniões ou uniões entre profissionais de saúde - doente - família, para que não haja sequer a ínfima dúvida do que é que se pretende, como vai ser feito, com que finalidade e quais as repercussões. 
Defendo-a para que na morte, assim como na vida, haja dignidade.

Ana Rita Cavaco depois de ter criado algum mal estar entre a Ordem e Sindicatos ao querer entrar em "terrenos" sindicais inicia, inconscientemente ou não, uma guerra com a classe médica, com estas polémicas declarações. O que poderemos esperar? Uma Bastonária arrojada, corajosa, que ajude a proporcionar uma evolução na Enfermagem, ou uma Bastonária descuidada, inapropriada e perigosa? O tempo dará uma resposta. Apesar de tudo desejo-lhe sorte, pois é o que nós precisamos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Site do SEP bloqueado para os enfermeiros



Já há uns meses tinha reparado que o site do SEP (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) estava bloqueado no hospital. Pensava que seria qualquer erro, problema de internet, mas não. Tive acesso à informação que foi por "ordens superiores" que vedaram o acesso apenas para os enfermeiros, ao site do SEP. Eu não queria acreditar. Será mesmo? Alguém fez o teste e de facto o site estava bloqueado para enfermeiros, mas não estava para as outras classes profissionais.  Porque razão alguém se haveria de dar ao trabalho de tal acto?
Será que o SEP é visto como um inconveniente para o hospital, um inimigo? Para mim é uma instituição que procura defender os direitos da maior classe a nível hospitalar: enfermagem, é uma instituição que procura (mal para uns, bem para outros) elucidar e proporcionar caminhos para o entendimento entre patrão e funcionário, dentro das premissas legais. A ser verdade, o que terão eles feito de mal para serem bloqueados? 
Como em qualquer empresa que se preze, redes sociais e outros sites lúdicos sempre tiveram e muito bem, bloqueados, mas um site meramente informativo e importante para o apoio legal, laboral e sindical da maior classe a nível de cuidados de cuidados de saúde, porque está vedado?
Não se entende até, que se possa ter acesso a páginas de desporto, apostas, filmes, etc e não se possa ter acesso à pagina da mais representativa e relevante plataforma de defesa da classe de enfermagem.
Seja qual for a origem e a causa da decisão, é na minha opinião grave, que nos dias de hoje recuemos décadas, para tempos onde a liberdade de acesso à informação era condicionada.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

E depois da greve!


Depois da greve de 29 de Janeiro, chego à conclusão que:

1. Ainda há muitos enfermeiros satisfeitos com as 40h, enfermeiros esses que passaram das 35h para as 40h, vendo o seu ordenado reduzido em vez de aumentado.
2. Ainda há muitos enfermeiros que não fazem greve, por perderem um dia de vencimento. Sei que ganhamos pouco, mas será a perda de um dia de vencimento que vai pôr em causa um orçamento familiar mensal? O ganho desta causa não será superior a esta perda passageira?
3. Ainda há muitos enfermeiros que fazem greve sem convicção, apenas a fazem para não terem que seguir turno, prova disso é a diminuição da percentagem de adesão: 77 -» 70,5 -» 68,5
4. Ainda há enfermeiros que mesmo com motivos de greve mais que legítimos, preferem seguir turno a fazer greve.
5. Ainda há enfermeiros que não sabem que se fizerem greve, assegurando os serviços mínimos, vão receber posteriormente esse dia de trabalho, praticamente na totalidade.
6. Ainda há enfermeiros que em dia de greve fazem tanto ou mais do que num dia normal de trabalho.

Finalizada esta greve falta-nos saber como é isto vai ficar.

Sempre vamos passar para as 35h?
Quando?
E quem?

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Não gastes o nome da Assistente Operacional!




Todos nós enfermeiros deveríamos fazer um teste e contar quantas vezes ao longo de um turno, solicitamos algo à Assistente operacional (AO). Porventura será difícil contabilizar porque são imensas.. Depois disso fazer uma análise de quantas solicitações poderiam ou deveriam ter sido evitadas.
Não sou nenhum advogado das AOs, mas por vezes incomoda-me o abuso por parte de alguns colegas que são capazes de estar sentados, ver a AO ocupada com algo, mas mesmo assim sobrecarregá-la com mais uma tarefa, quando poderiam levantar o quadril e fazê-la. Há duas hipóteses, ou julgam (mal) que com essa atitude alguém que tenha o poder de mudança, repare e constate que de facto são necessárias mais AOs e concretiza a mudança, ou então nasceram em berço de ouro e julgam que há criadas.
Qual a dificuldade ou o problema de ir buscar um suporte de soros, de ir buscar um cobertor, uma almofada, ou um copo de água para o doente? Qual a dificuldade de colocar um urinol ou uma arrastadeira, quando a AO está indisponível no momento? De ajudar na alimentação, um doente com limitações físicas? Qual a dificuldade de ir buscar algo que nós próprios vamos utilizar?
Por vezes tenho a noção que há colegas que gastam o nome da AO.
Sei perfeitamente que somos enfermeiros e devemos fazer única e exclusivamente aquilo que à enfermagem diz respeito, mas há limites e há o bom senso. Sei que devemos  defender a admissão de mais AOs, mas não é desta forma que haveremos de o conseguir. As Aos podem-se queixar do excesso de trabalho, que não me parecem que tenham poder, por si só, de mudar os rácios. Começa pelos enfermeiros e médicos exigirem mais profissionais AOs. Compete aos gestores comprovar por A+B que é fundamental admitir mais AOs para o harmonioso funcionamento dos serviços e para evitar, acima de tudo, os tempos mortos à espera de uma AO ocupada. 
Miguel Sousa Tavares dizia e muito bem que os doentes não podiam exigir muito dos enfermeiros tendo em conta o que ganham, eu acrescento que nós também não podemos exigir muito de uma AO, tendo em conta o que ela ganha.
Estamos a falar de alguém que ganha pouco mais que o ordenado mínimo nacional, isto se trabalhar muitas horas nocturnas e executa um trabalho de elevada responsabilidade que requer formação específica, estamos a falar de alguém que num período de 8 horas tem que: lavar chão, desinfectar aparelhos, monitores, cadeiras, cadeirões, ajudar na alimentação de doentes, ajudar na higiene de doentes, servir de estafeta, limpar camas, fazer camas, levar arrastadeiras e urinóis, ajudar os doentes com a difícil tarefa de colocar arrastadeiras e urinóis, pô-los a lavar, ajudar na deslocação de doentes, limpar mesas, limpar bancas, limpar WCs, repor material, arrumar material, tratar dos lixos, preparar carros de higiene, limpar vómitos, preparar sistemas de aspiração, preparar tabuleiros de material, colaborar em técnicas de enfermagem, colaborar em situações de emergência, ajudar no posicionamento de doentes e de tempos a tempos efectuar as limpezas mais profundas, porque como sabemos, não pode estar limpo apenas o que está à vista, etc, etc..
Estamos a falar de alguém que não tem sob a sua responsabilidade 1 ou 2 doentes, tem 10, 20 ou 30. Sou da opinião que em determinados serviços e unidades, o triângulo de rácios de classes profissionais está invertido. Vejo AOs no vértice do triângulo quando deveriam estar na base.
Justo será dizer que também assisto ao oposto, serviços e unidades com AOs na base do triângulo, quando deveriam estar no vértice, mas isso já é assunto para outras dissertações.


(nota: referir o termo AO no masculino seria o mais correcto, mas não é o mais adaptado, porque apesar de desde há uns tempos a esta parte, começarem a aparecer AOs homens, esta classe profissional é maioritariamente feminina. Pelo menos na minha realidade deve rondar aí os 99%. De referir também que neste meu post excluo os maqueiros, porque apesar de serem AOs, são maqueiros.)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Trabalhos moderados: um entrave à eficiência dos serviços?


Este é um tema delicado e que leva a muita ginástica da gestão em serviços de saúde.

Há pessoas com fortes limitações que de facto necessitam que lhes seja atribuído um trabalho moderado.
Há pessoas com limitações, com a atribuição de trabalho moderado mas provavelmente não justificado. Limitações todos temos, mas alguns também têm alguma apetência dramática, adicionada a uma preguicite crónica.
Há pessoas debilitadas, com problemas de saúde, em serviços de alta exigência física e há pessoas robustas, no esplendor da sua juventude, em serviços de pouca ou nenhuma exigência física.

Em serviços de saúde há poucos trabalhos que são moderados.
É preciso levantar, carregar, transportar, mobilizar, transferir, puxar, cortar, segurar, correr, empurrar, dobrar e agachar. Para isso é preciso força, é preciso gente.
Por vezes, o que vemos são poucos funcionários em serviços que requerem muito movimento e trabalho físico e no sentido oposto, muitos funcionários em serviços que não requerem muito movimento e trabalho físico... isto devido à grande questão: Trabalhos moderados.
Como disse, não é fácil gerir este assunto. É necessário uma avaliação rigorosa das juntas médicas, assim como um homogeneização na distribuição de recursos humanos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Daqui a uns anos seremos enfermeiros medíocres


Actualmente, quer a nível interno, quer externo, somos conceituados. Já fomos elogiados publicamente por diversas individualidades e temos o respeito (da maioria) dos portugueses, lá fora a imagem é semelhante, já que somos requisitados por várias países, desde europeus a asiáticos.
Daqui a uns 10, 15 anos esta imagem vai começar a desvanecer e daqui a uns 20, 25 anos seremos enfermeiros medíocres. E porquê que tenho esta premonição?
É preocupante actualmente a qualidade dos alunos finalistas em enfermagem: conceitos teóricos muito fracos, postura, interesse e comunicação abaixo do razoável, destreza e capacidade técnica zero. Claro que há excepções, mas a maioria é assim.
As escolas têm responsabilidades? Têm também, porque parece-me que estagnaram na formação, desinvestiram no aluno. Será porque em poucos anos aumentaram exponencialmente o número de alunos admitidos (para depois irem para o desemprego)?
Actualmente o aluno quando lá chega, sejamos realistas, é um aluno a razar o medíocre, que entra para enfermagem com médias de 10, 11. É claro que este aluno pode tornar-se um excelente enfermeiro, mas também passou a tornar-se mais provável não o ser, comparativamente há uns bons anos atrás. Há uns bons anos atrás, entrava-se para enfermagem com médias de 15, 16 e até 17! É incontornável a diferença entre estes dois tipos de aluno, a nível de interesse, motivação, capacidade, conhecimento, postura, etc..
No meu tempo, nos estágios, havia maior investimento, interesse e iniciativa do grupo de alunos, havia também maior aproximação dos professores aos campos de estágio. Agora vê-mo-los apenas numa reunião inicial, intercalar e final, sem que o acompanhamento na prática tivesse sido feito, sem que se apercebessem sequer que um aluno finalista chega a um campo de estágio sem ter praticado técnicas básicas de enfermagem e pior que isso, sem ter noções de como é que elas são aplicadas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Alguém me convence a votar na Ordem?


Aproximam-se as eleições para a Ordem dos Enfermeiros.
Há uns dias escrevia de forma categórica que não ia votar. Hoje já coloco algumas reticências nessa afirmação.
Nunca votei, sempre achei e continuo a achar que temos uma Ordem fraca, irrelevante, nunca vi muita acção nem protagonismo, apenas viagens, obras imponentes, luxos e anúncios infelizes. Por isso sempre tive à margem das decisões, o que não é de todo correcto, mas a desmotivação falava mais alto para a abstenção e só o facto de entrarem todos os meses milhares de euros naqueles cofres, para sabe-se lá o quê, deixava-me e deixa-me revoltado.
Nunca fui nem sou anti-Ordem, tenho a perfeita noção que é necessária para a evolução da enfermagem, que a sua criação surgiu pela vontade e movimento dos enfermeiros, mas a visibilidade e o impacto que ela tem tido, junto dos enfermeiros, é quase zero. Todos os comentários que fui recebendo ao longo destes anos, em relação a aspectos que envolvem a Ordem, por parte de pessoas de confiança e com conhecimento de causa, nunca foram nada abonatórios, pelo contrário. Será que vai ser mais do mesmo ou haverá mudança?
Talvez esvazie a mente e leia os programas de cada um, talvez não...
Caso haja algum que se comprometa a reduzir pelo menos para metade o valor das quotas, avisem-me!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Regulamentos de horários - Queremos ou não queremos?


Ainda em dia de aniversário do Blog, levanto a discussão a temática do regulamento de horários de enfermagem, que tanto se tem falado por estas bandas.
Tanto nos preocupa que levou a uma enchente ao auditório do nosso Hospital, para esgrimir factos e opiniões com dirigentes do SEP, enchente essa que nunca se terá verificado para discussão de outros assuntos tão ou mais importantes para a enfermagem. Enfim, percebe-se e não se percebe.

Pontos a reter:

1- Em enfermagem, os turnos de 12 horas são ilegais e o sindicato, neste caso (SEP) não pode defender uma ilegalidade, por isso e por outros atropelos denunciados, propôs um regulamento de horário, que foi avaliado pela Administração e, pelo que consta, será implementado.

2- Todos os enfermeiros têm as suas preferências, uns preferem fazer turnos de 8 horas, outros 12, outros até nem se importariam de 24. Uns não querem fazer noites, outros não querem fazer tardes. Uns são rigorosos e exigem uma folga a seguir a uma noite, outros não se importam de trabalhar, porque até têm outro emprego e precisam de ceder, para receber. Todos têm o seu direito, mas para que seja possível conciliar os direitos e deveres de cada um, terá que haver um regulamento justo e abrangente, que contrarie o que demasiadamente se verifica, que se prende com o facto de uns serem persistentemente beneficiados em detrimento de outros, no que concerne à equitatividade de turnos.

3- Todos gostaríamos de estar mais dias em casa. Com 35h/semana e turnos de 8 horas já é complicado, mas ainda se torna, com 40h/semana. Os turnos de 12 horas iriam minimizar este prejuízo, mas todos temos que ter a noção e está estudado e comprovado, que turnos que ultrapassam as 8 horas são um risco para o utente e profissional, devido ao cansaço. E todos sabemos o desgaste a que muitas vezes estamos sujeitos.

4- Cada serviço, mediante a sua especificidade e motivação da equipa, pode em conjunto com a Administração, chegar a um "acordo" sobre a tipologia de horário. Poderá eventualmente acordar em turnos de 12 horas, mas em caso de problema grave associado à prestação de cuidados de saúde por um enfermeiro, nem Ordem nem Sindicato virá em defesa. Além disso, em caso de denúncia e visita da ACT, quem come a fava é a instituição.

5- Todos estes problemas terminariam e (quase) todos iríamos passar novamente a preferir turnos de 8 horas, se as 35h/semana regressassem. Esta é a batalha que se mantém a nível sindical e judicial e que muitos ilustres já defenderam para a função pública. É uma batalha muito nossa, porque sabemos que temos uma profissão de maior desgaste e por isso só com união e horizontes alinhados lá regressaremos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Greves institucionais desconvocadas.



A greve em Viana, assim como as greves previstas para outras instituições foram desconvocadas.
Finalmente há cedências da parte do governo nalgumas matérias, nomeadamente nos reposicionamentos do CITs, mas não só.
Finalmente algum avanço, apesar de não ser o desejado.
Formas de luta mais radicais, como se comprova, têm o seu impacto. Vale a pena continuar a lutar por aquilo que é justo.
Mais novidades sobre todas as matérias para breve!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Fase decisiva - greves institucionais dependem do resultado da reunião entre o governo e sindicatos



Só o Ministério da Saúde/Governo será responsável pela concretização das greves institucionais já agendadas e de outras que possam vir a ser.
Reunião amanhã, dia 23, 15h30. O SEP considera esta reunião determinante para evitar as greves já agendadas:
- na Unidade Local do Alto Minho e Hosp. de Guimarães - 25 a 30 de set.
- nos Hospitais Tâmega e Sousa e da Póvoa da Varzim – 2 de out. –
- Hospital de Santarém – 26 de out. a 1 de novembro.
E para evitar que outras greves institucionais possam vir a ser agendadas.
Em causa a revalorização salarial dos enfermeiros, a reposição das 35h, a revalorização dos enfermeiros especialistas, entre outras matérias.
Sobre a justa reivindicação de proceder à harmonização salarial dos enfermeiros com CIT, na última reunião o Ministério da Saúde afirmou que não inviabilizava que as instituições avançassem para a harmonização. Neste contexto, nas reuniões entre o SEP e os Conselhos de Administração da ULSAM e Hospital de Guimarães foi assumido pelos respectivos presidentes que estariam disponíveis para proceder a esse reposicionamento.
Neste contexto, e face ao posicionamento do Ministério da Saúde a 15 de Setembro, o SEP espera que na reunião de amanhã esta questão seja “arrumada” de vez.
A não ser assim, o Ministério da Saúde/Governo serão responsáveis pela concretização das greves agendadas e de todas as que possam vir a ser!
http://www.sep.org.pt/files/2015/09/Setembro_-_reunio_MS_23.pdf

Entretanto em Viana...

 Após reunião de 9 horas com o CA do ULSAM determinou a assinatura de um memorando. Consulta a pagina do SEP para leitura do memorando.

É importante estarmos activos, informados e acima de tudo unidos

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Mais um post sobre exaustão nos prof. de saúde


Tem a sua piada este cartoon, mas quando os erros acontecem por causa da mensagem que ele pretende passar, a piada perde-se toda.
É o meu maior "medo" enquanto profissional - a probabilidade de errar e comprometer a saúde de alguém.
Com horas nocturnas, turnos sucessivos, com fracos e curtos períodos de descanso, a mente desleixa-se e torna-se errante. Os erros estão ao nosso lado, no dia a dia, uns mais ligeiros, por vezes mais graves.
A responsabilidade é de cada um de nós, que presta cuidados, mas também é de quem impõe 40 horas de trabalho semanal, de quem faz horários com pouco critério e de quem decidiu por turnos de 24h de trabalho. (*)

(*) turnos de 24 h afecta a classe médica. Esperemos que nunca chegue à enfermagem, julgo que nunca acontecerá... mas é algo que eu considero completamente incompreensível, quer pela saúde dos profissionais, quer pela segurança dos utentes.


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O que se passa com as chefias em Viana?

Já há alguns meses que os enfermeiros chefes andam em reuniões com a Administração.
Os comentários que se vão ouvindo são que os problemas persistem, parece não haver entendimento e o ambiente consta estar quente e azedo. Pareceres, advogados, Ordem, sindicatos, até um deputado socialista está envolvido (ver imagem). Afinal o que se passa?

De uma forma geral e e independentemente destas reuniões, a percepção que eu já tinha é que a enfermagem tem perdido poder e autonomia. As chefias não estão nem de perto nem de longe, como estavam há 20, 10 anos atrás. Será positivo ou negativo?

Para bem da enfermagem, dos enfermeiros e principalmente para bem da nossa da nossa instituição, seria importante um célere acordo.

Para vosso conhecimento e porque este documento é publico, decidi partilhar...


domingo, 23 de agosto de 2015

Greve dia 20 de Agosto - Adesão preocupante em Viana..


Quais as interpretações após mais uma greve de enfermagem?

Se a nível nacional fiquei mais ou menos animado com uma adesão a rondar os 70%. A nível local fiquei desapontado... 30% de adesão.

Não podemos ficar demasiadamente optimistas com uma adesão geral de 70%. Não é um numero animador, isto porque num passado recente, a adesão foi superior.
Para o governo pode ser um sinal de recuo.
Este resultado demonstra que deveremos continuar atentos, que não podemos esmorecer e que acima de tudo não podemos desistir dos inúmeros assuntos que estão pendentes há demasiados anos. A razão está do nosso lado, apenas queremos o que é justo.
Este é o período essencial, o período pré-eleitoral.

E o que correu mal a nível local?

Haverá maior motivação profissional?
Haverá mais medo?
Ter sido feriado municipal?
Descrença nos sindicatos?


domingo, 2 de agosto de 2015

É Barato!


11,10 Eur por 3 pacotinhos...
Depois é por isto que as pessoas não compram o que lhes é prescrito ou recomendado...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Não sou assim tanto enfermeiro


Penso que todos já devem ter conhecimento da ultra-humilhação que os enfermeiros têm sido sujeitos nestes últimos anos. Anteriormente já era humilhação pelo vencimento, carreira congelada, corte radical de suplementos, sobrecarga de horários, falta de pessoal, licenciatura não reconhecida e remunerada como tal, 40 horas, etc etc
Mas agora tem sido ultra. Antros de trabalho que oferecem 2,5 eur/hora (ia escrever locais, mas antro é a denominação mais apropriada), Unidades onde os enfermeiros têm que limpar o chão e é melhor parar por aqui para não ficarmos mais mal dispostos. 
Temos a Ordem a condenar estes factos, mas recebe as quotas dos coitados que aceitam isto. Sim para mim são coitados e sim aceitam. Aceitam porque querem à força ser enfermeiros. Ora isto não é ser enfermeiro. Quem é enfermeiro valoriza o seu ofício, tem orgulho na arte apesar de estado em que está. 
Por um lado tenho pena destes coitados (peço desculpa, não consigo chamar-lhes colegas porque estão a ser coniventes com a ultra-humilhação à nossa classe), tenho pena porque vivem na ilusão que um dia tudo vai melhorar. Desenganem-se porque quem vos "oferece" 2,5 eur /hora, nada vai melhorar, porque quem te humilha nunca te há-de valorizar.
Por isso digo que não sou assim tanto enfermeiro, preferia ser especialista em desodorizantes, que sempre seria muito mais digno do que ser (esse) enfermeiro.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Enfermeiro Graduado vs especializado (*)


Desde que a carreira de enfermeiro-chefe se eclipsou, surgiu um novo cargo - enfermeiro coordenador.
Alguns apressaram-se a tirar a especialidade, com o objectivo de ter mais "créditos" para assumir este novo cargo nos serviços. Apesar de um enfermeiro com especialidade poder ser um bom gestor, uma especialidade não confere capacidade de gestão, nem pretende conferir.
Os enfermeiros com especialidade, apesar de, actualmente, não verem reconhecimento, quer remuneratório quer estatutário, pretendem acrescentar mais-valias para a prática. O que vemos hoje em dia são enfermeiros a investir em especialidades médico-cirúrgicas ou de reabilitação por exemplo, mas a intenção é a coordenação e não a aplicação dessas aprendizagens para a melhoria dos cuidados ao doente.
Defendo que um enfermeiro que pretenda coordenar uma equipa deva ter formação para o efeito.
Defendo que entre um enfermeiro mais graduado e um enfermeiro com especialidade, seja o primeiro o escolhido para assumir funções de chefia.
O mesmo se aplica para seleccionar responsáveis de turno.
Caímos no ridículo de ver jovens enfermeiros com especialidade, com poucos anos de experiência, a assumir lideranças quando na mesma equipa há enfermeiros com vasta experiência e capacidade de liderança.
Não digo que os novos não sejam capazes de tal exigência, mas prefiro os velhos.
Não digo que todos os mais graduados terão perfil de líder, mas com os perfis certos e semelhantes, entre um e outro, seria o mais graduado que eu colocaria a liderar.

(*) entende-se por enfermeiro especializado, aquele que detém a especialidade numa determinada área, mas que apesar de desempenhar funções (ou não) nessa área, não é remunerado nem reconhecido como enfermeiro especialista.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Paralisação dos TAE vs Greve de enfermagem









Hoje o telejornal abre (e bem) com a notícia sobre a paralisação dos técnicos de emergência, sublinhe-se que não foi uma greve.
Há uns dias atrás, com os 2 dias de greve dos enfermeiros, tivemos notícias flash, no último terço dos telejornais e alguns canais nem relevância deram ao acontecimento.
Sei que tivemos ofuscados pelo fenómeno JJ, mas isto só prova que somos pouco importantes para a opinião pública.
Fico satisfeito pela visibilidade que deram aos técnicos de emergência e espero que consigam justiça, no lado oposto, fico desiludido com aquilo que representámos para a comunicação social.
O que está errado?
Será que precisamos de nos atirar para o chão e empurrar polícias, como os lesados do BES? 
Não tenho dúvidas que sim, neste país só o futebol e violência têm audiência.

Outro ponto à parte a reter, é a greve de 1 mês que os técnicos de emergência anunciam. Será que precisamos seguir este formato?
Não tenho dúvidas que sim

Erros de comunicação entre enfermeiros e médicos


Uma das piores coisas que me podem fazer em trabalho é desvalorizar as informações que dou, relativamente ao estado de um doente e pior que isso é recebê-las com sarcasmo e indelicadeza.
Sei que trabalhámos sob pressão, com falta de pessoal e sei que há profissionais que não conseguem lidar com várias situações críticas ao mesmo tempo, mas ninguém (pelo menos os profissionais de saúde) têm uma responsabilidade directa nisso.
Há médicos que respeitam o que lhes é comunicado, alguns agradecem até, porque aquela informação é importante para o sucesso do seu trabalho, para o sucesso do trabalho em equipa, outros precisam de desenvolver essa capacidade, porque caso contrário cai por terra o sentido de cooperação, confiança e segurança entre elementos de uma equipa que tem objectivos comuns. Além disto, o que eventualmente poderá acontecer é o emissor "passar-se da cabeça" e responder igualmente mal... ou pior.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Greve 4 e 5 Junho - A última fase de pressão até às eleições.


Temos deveres, mas também temos direitos!
Este é o momento para nos unirmos, na luta pelos nossos legítimos direitos.
Demasiados assuntos pendentes desde há anos, para os enfermeiros. Bem sabemos quais são, não vale a pena repetirmo-nos a enumerá-los.

Todos estamos cansados de greves e lutas, que por vezes pensamos que não levam a lado nenhum, mas ficarmos parados e coniventes com as irregularidades e injustiças a que estamos sujeitos, isso é que não leva mesmo a lado nenhum.
Eu penso assim, e tu?