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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Pense duas vezes antes de entrar


O Serviço de Urgência esteve em obras, levou umas pequenas remodelações.
A antiga sala de enfermagem/gabinete do enfermeiro chefe, passou a ser uma sala de ortopedia.
Esta era uma sala utilizada por todos os grupos profissionais, servindo muitas vezes de copa, sala de convívio ou descanso e acima de tudo sala de passagem, pois quem pretendia instalações sanitárias, passava por lá, mas não esqueçamos, era uma sala dos enfermeiros!
Alguns não concordam com esta mudança, outros não se manifestaram, eu cá até achei que houve melhorias, principalmente para o doente.
Agora os enfermeiros reúnem-se numa outra sala, mais pequena e quando pensava eu que íamos ficar mais resguardados, continuamos a ter uma sala de passagem, para que outros interrompam passagens de turno, assinem livros de ponto, etc, etc (mas aqui a culpa também é nossa, os livros de ponto de outros profissionais não deveriam estar lá).
Não sou um defensor de divisões radicais e apesar de ter ficado indignado com a relíquia de aviso na nova sala de ortopedia (foto em cima), começo a percebê-lo. Por isso, recomendo que deixemos de ser totós e sugiro um aviso para a nossa sala:


Só para terminar e mudando de assunto, acho que deveriam deslocar o aviso (foto em cima), para a porta de entrada do gabinete e colocar um "mesmo" entre "Pense" e "duas"... tipo um reforço de ideia.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Um dia no Serviço de Urgência, visto por uma acompanhante.

Em qualquer trabalho temos que saber lidar com a crítica, mas também precisamos que o valorizem. Aqui fica um precioso exemplo, retirado do JORNAL O COURA, que abrange toda a equipa multidisciplinar





sábado, 31 de março de 2012

Pernas para que te quero


Há uns dias atrás entrou um rapaz no Serviço de Urgência com uma fractura muito complicada na perna, ou seja, tinha a perna virada do avesso. Ia no lugar do morto, no carro de um colega tuningueiro (*) que se espatifou, por excesso de velocidade.
Foi operado e depois internado no serviço de Ortopedia e aí as coisas complicaram ainda mais. Consta que quem entrava na enfermaria onde o rapaz estava, sentia logo um cheiro a podre, sinal que aquela perna não estava muito famosa. Os enfermeiros lá iam alertando os ortopedistas, mas estes diziam que não havia perigo, pois o doente já estava com antibiótico. Como se previa, mais uma vez a coisa deu para o torto e o jovem chegou mesmo a assinar o consentimento para se amputar a perna. O ortopedista perguntou-lhe: "Queres assinar a tua certidão de óbito?". O rapazinho respondeu: "Desculpe, não tou a perceber..."
Nem eu percebia se tal ouvisse e provavelmente teria fugido, mesmo com uma perna só. Teria feito como o outro cirurgião que salvo erro tinha uma apendicite e pegou no carro e foi para o Porto.
Bom, mas adiante... o rapaz lá safou a perna graças a prudência de um outro médico, ponderado e já com larga experiência. Foi transferido e ainda hoje conserva a sua perninha.
É por estas e por outras que tenho pavor que algo aconteça aos meus... e a mim.

(*) digo colega, porque amigos deste eu não queria, tuningueiro refere-se à moda parola dos tunings 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Retalhos

Alguns cirurgiões observam o doente como se ele já tivesse na mesa de operações. Não informam o que vão fazer, por que é que o vão fazer, nem sequer de que jeito o vão fazer. Fazem-no sem pudor, de forma crua e visceral, tal como se tivessem a palpar uma fruta ou um pedaço de carne.
E não são os cirurgiões os únicos que manifestam este total desrespeito pelo corpo do outro… também enfermeiros e outros médicos. Há tempos um gastroenterologista destapa um doente na maca, olha para a barriga que tinha uma sonda e lamenta-se junto ao doente, dizendo “Que trampa!”
Justo será dizer que também há (boas) excepções. Outras escolas, outra educação, outro conceito de vida

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O pingue-pongue de doentes


Nós enfermeiros temos que admitir que temos mau feitio. Mais cedo ou mais tarde, quem não o tem, há-de ter. Temos mau feitio, reclamámos, esbracejámos, mas o pior é que isto acontece entre nós próprios. Somos maus uns para os outros.
Por que razão um doente chega a um serviço de internamento, depois de subir uns tantos pisos e é recambiado para trás, porque, por exemplo, o enfermeiro da urgência não lhe pôs a tração cutânea??!
Da mesma forma que o enfermeiro receptor considera um abuso enviar o doente sem a tração, é legítimo o enfermeiro emissor considerar uma canalhice recambiar o doente, sem que antes se procure uma justificação para o sucedido.
Pior ainda é quando o enfermeiro emissor está cheio de trabalho e o receptor está a ler revistas.
E pior pior, é quando o doente chega lá cima com a tração, mas é retirada e recolocada ao jeito do receptor.
E pior pior pior é o dinheiro gasto em material.
E pior pior pior pior é o tempo que o maqueiro perde a levar, trazer e voltar a levar o doente.
E pior pior pior pior pior é o para o doente, que anda de um lado para o outro, quando deveria estar quietinho.
E pior pior pior pior pior pior é permitir que se tenha que colocar a tração na Urgência, procedimento este sem qualquer sentido naquele momento, já que os pesos (que é o que faz a tração propriamente dita) são colocados lá em cima.
É daquelas coisas que não fazem sentido nenhum, mas que persistem, porque sempre se fez assim.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Crónicas estapafúrdias vol IX - Conversas de sala 5













Médico - Então o que lhe aconteceu?
Utente - Olhe Doutor, tive uma queda em Lisboa e parti o pé, fui observada no S. José e o médico, com o meu consentimento, achou que deveria pôr o gesso cá em Viana, por causa da viagem longa.
Médico - Esse filho da puta não quis foi trabalho!!
Utente - Como?! Olhe desculpe, mas foi com o meu consentimento e trago aqui o diagnóstico...
Médico - Pelo menos esse filho da puta podia ter escrito uma carta para eu lhe responder
Utente - Esses problemas entre vós, não me interessam para nada, quero é o meu problema resolvido...

Mais tarde...
Médico - Então a menina o que estava a fazer por Lisboa?
Utente - Em trabalho..
Médico - E o que faz?
Utente - Sou podologista
Médico - Então não sabe tratar da sua pata?
Utente - Se tivesse pata ia ao veterinário!!
Médico - Tou a ver que não se pode brincar com a menina!
Utente - Brincar é uma coisa, falta de educação é outra! Desde o início da consulta que está a ser malcriado!

E mais uma utente que abandona o serviço sem o seu problema resolvido
E mais uma no livro amarelo, para encher e nada se fazer... escusado será dizer que todas as crónicas estapafúrdias são baseadas em factos reais

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As aventuras de um grevista


Em pleno dia de greve...
Na sala de espera de Ortopedia, de um Serviço de Urgência que não o nosso, aguardavam há já horas mais que suficientes, várias pessoas com problemas do foro ortopédico.
- Srª Enfermeira, tem aqui um miúdo com fractura do punho, que é preciso pôr um gesso! Diz o Ortopedista.
- Estou de greve. Responde secamente a enfermeira
- É sempre a mesma história!! Maldita greve! Para quê enfermeiros licenciados?! Berra, para toda a gente ouvir o seu desagrado.
- Ao menos a enfermeira licenciada e que por acaso está de greve, está aqui desde as 8h da manha, hora que o senhor também deveria cumprir, mas não!! Chegou às 11:30! E além de mais, não sei se sabe, mas pôr um gesso, não é da minha competência, é da sua!
- Mais valia trabalhar com auxiliares, que não precisam de ser licenciados! Olhe, minha senhora - dirigindo-se para a mãe do miúdo - Se o seu filho tiver alguma deficiência, a culpa é da enfermeira!

Mais uma triste história verídica...
Quem quiser acrescentar mais histórias lamentáveis, como esta, faça o favor!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Crónicas estapafúrdias vol. II - "Sem palavras"


Estou radiante! Recebi até agora poucas, mas estupendas "crónicas estapafúrdias", enviadas pela "formiguinha", pelo "Nel", "shadow chronicles", "bla....bla.."; "Glosa" e uma última de uma colega anónima que decerto vos terá sensibilizado.
Enquanto lia a história da "formiguinha" (Não, não é uma fábula, pelo contrário) dei por mim a imaginar o cenário, começando de certa forma a inventar. Espero que ninguém me leve a mal, sem querer de forma alguma distorcê-las, permitam-me que às vezes comece a divagar sobre elas..

Era um domingo de manhã, a equipa estava toda preparada, nos seus rostos adivinhava-se o receio. O CODU tinha telefonado, "Atropelado, com aproximadamente 80 anos, quase amputação do membro inferior esquerdo e péssimo estado do membro inferior direito". Quando o CODU ligava, normalmente não era para dar boas notícias, desenvolto o enfermeiro da área de trauma\reanimação apressou-se a reunir o anestesista, o cirurgião e o ortopedista. O Enf. P tinha telefonado ao seu colega da equipa da vmer para saber mais detalhes, A vítima é trazida pelos bombeiros, a vmer está noutro acidente, acrescentou. Além do velhinho vir sem os cuidados da vmer, ainda lá vem outro acidente, desabafava alguém. É a lei de Murphy, quando algo está mal, só tem tendência a piorar!

Lá vêm eles! Entram em passo de corrida, 3 bombeiros ainda jovens, suados e descorados. " Foi atropelado por um carro que fugiu", informa um.
A Sala de Emergência já estava aberta, a passagem entre macas foi rápida. O Sr. João estava obnubilado, pálido, muito provavelmente hipotenso pelo volume de sangue perdido. Ambas pernas com ligaduras colocadas à pressa, tingidas de sangue e coágulos. Foi o que conseguimos fazer, lamentava o bombeiro que aparentava mais experiência, ao reparar no descrédito do enfermeiro que as cortava. A perna esquerda estava de facto desfeita, teria que ser amputada, na direita via-se uma fractura (muito) exposta. O Sr. João começava a acordar e com ele as dores que se tornavam lancinantes. Tinha a perfeita noção de onde estava, o TCE deveria ter sido ligeiro. Num ápice tinha um expansor plasmático e sangue em perfusão, as tensões estavam a subir, a morfina começou a fazer efeito. O stress começava a atenuar, a anestesista mantinha-se à cabeça dando indicações sobre as drogas e tentando tranquilizar dentro do possível o Sr. João, o cirurgião ocupava-se fundamentalmente do tórax, os enfermeiros tinham iniciado as perfusões e iam adiantando registos de sinais vitais. O Sr. João estava calmo, sabia a gravidade da situação, mas era uma pessoa forte, habituada aos dissabores e imprevistos da vida.

Eis que surge em cena o Dr. E, médico ortopedista, médico dos "ossos" como frequentemente se auto-apelidam, "Ó avózinho, umas das pernas já se foi e a outra....vamos lá ver!!!!" na altura a formiguinha ficou sem palavras, o ambiente tinha sido abalado, ficaram todos sem palavras... incluindo o Sr. João.
nota: porque pra meu agrado, este blog não é lido apenas por profissionias de saúde, aqui vai: CODU - centro de orientação de doentes urgentes; VMER - viatura médica emergência e reanimação; TCE - traumatismo crâneo-encefálico
Espero ansiosamente as vossas crónicas estapafúrdias!!!