
Ao longo da nossa curta/longa experiência como enfermeiros decerto que já nos deparamos com situações que mexeram connosco de alguma forma. Umas deitam-nos abaixo, outras engrandecem-nos, umas deixam-nos enfurecidos, outras fortalecem-nos. Mas acima de tudo há situações que marcam, que sensibilizam. Esta é uma delas,
A mãe do Eduardo já o teve fora de tempo, mas não seria por isso que seria indesejado, muito pelo contrário. A mãe teve uma gravidez de risco, o período fértil tinha sido ligeiramente ultrapassado. O Eduardo nasceu prematuro e de saúde débil. Foi a partir desse momento que se tornou o protegido da família. Era o menino querido dos olhos da mãe. Também era o único macho de três irmãos. Tinha os olhos doces, cor de mel, de um sorriso fino e meigo. Tinha 14 anos e costumava ser titular nos juvenis do Fão, jogava a central com número 5 às costas, o do seu ídolo, Fernando Couto. Nos últimos tempos tinha perdido a titularidade, passava os tempos mais nos hospitais. Tinha perdido 12 quilos em 9 meses, sofria de anorexia.
A sua fragilidade e superprotecção tinham alimentado o distúrbio.
Permanecia sereno, deitado numa maca, com sua mãe em pé, a seu lado. O seu coração trabalhava lentamente, era a forma do seu corpo responder ao défice de proteínas. Tinha alturas que batia a 30 pulsações por minuto, mas com o estímulo da conversa que com ele mantínhamos, logo subia para valores razoáveis. A Pediatra adoptou uma postura radical logo desde o início, o que eu não condenei, achei que podia funcionar esta terapia abrupta, Eduardo, tu podes morrer, se o teu coração continua a bater desta forma, podes morrer. Sua mãe chorou de imediato e eu engoli em seco. Ele apenas comunicava com os olhos, dando a entender que percebia a gravidade da situação. A médica também se comoveu e moderou o discurso, Tu não tens amigos? Sim, respondeu. E então não queres continuar a ter?! Olha o mundo lá fora, tens tanta coisa a tua espera. O dia ajudou, amanhecia lá fora, e mesmo dali dava para saborear aquele dia de Verão perfeito.
Os raios de sol penetravam timidamente pela vidraça e o silêncio da manhã reinava quando o Eduardo também chorou. As lágrimas deslizavam pela sua face esguia, a sua expressão permanecia quase inalterável. Aquelas lágrimas poderiam ser a sua salvação, senti-as como o sinal de mudança.
A sua fragilidade e superprotecção tinham alimentado o distúrbio.
Permanecia sereno, deitado numa maca, com sua mãe em pé, a seu lado. O seu coração trabalhava lentamente, era a forma do seu corpo responder ao défice de proteínas. Tinha alturas que batia a 30 pulsações por minuto, mas com o estímulo da conversa que com ele mantínhamos, logo subia para valores razoáveis. A Pediatra adoptou uma postura radical logo desde o início, o que eu não condenei, achei que podia funcionar esta terapia abrupta, Eduardo, tu podes morrer, se o teu coração continua a bater desta forma, podes morrer. Sua mãe chorou de imediato e eu engoli em seco. Ele apenas comunicava com os olhos, dando a entender que percebia a gravidade da situação. A médica também se comoveu e moderou o discurso, Tu não tens amigos? Sim, respondeu. E então não queres continuar a ter?! Olha o mundo lá fora, tens tanta coisa a tua espera. O dia ajudou, amanhecia lá fora, e mesmo dali dava para saborear aquele dia de Verão perfeito.
Os raios de sol penetravam timidamente pela vidraça e o silêncio da manhã reinava quando o Eduardo também chorou. As lágrimas deslizavam pela sua face esguia, a sua expressão permanecia quase inalterável. Aquelas lágrimas poderiam ser a sua salvação, senti-as como o sinal de mudança.
Assim o espero Eduardo, o mundo espera por ti.