domingo, 8 de março de 2009

Carta aberta à Sr Enfª Directora


O meu nome é Robin e sou enfermeiro do serviço de urgência.
Quando soube que desejava reunir com os enfermeiros do SU, para escutar as suas opiniões e discutir o que os enfermeiros poderiam fazer para melhorar o serviço, fiquei impressionado, digo-lhe mesmo maravilhado. Nunca ninguém o tinha feito. Falou-se que seria necessária uma mudança, mas toda a gente foi da opinião que a mudança não dependia exclusivamente da enfermagem, a enfermagem, como muitos médicos afirmam, é quem “segura” este serviço de urgência. Mesmo assim alguma coisa teria que mudar nos enfermeiros, fiquei com a sensação que seria obrigatório mudar qualquer coisa, só porque se tinha que mudar. A mudança, Srª directora, é um dos pressupostos de uma boa gestão e eu sei que é isso mesmo que pretende, porque de facto vejo-a com competência, mas garanto-lhe que a mudança nem sempre é benéfica e muito menos o será se a totalidade dos enfermeiros não a deseja.
Passo a explicar, foi dito à equipa que a decisão já estava tomada, era irreversível, aí o tumulto instalou-se… “Então para que é que nos quiseram ouvir?!”, “Afinal já estava tudo decidido!” e os enfermeiros uniram-se e fizeram um documento onde estão claras todas as razões que desacreditam neste projecto.
Esta ideia de separação do SU em unidades funcionais OBS e Urg. Geral, o propósito de tudo isto, é uma ideia muito interessante, mas só quando se construir uma nova urgência, a nova urgência que todos desejamos!! Por enquanto não Srª Directora. Com todo o respeito, ainda não tem a perfeita percepção da realidade desta Urgência, acabou de chegar, vem de outra realidade, apesar de conhecer os seus créditos. E é bom que venham pessoas de fora conhecedoras de outras realidades e com outra mentalidade, mas ainda não conhece a urgência, nunca lá trabalhou, nunca lá passou umas horas seguidas naqueles turnos alucinantes que todos, os que lá estão, conhecem. Não sabe que não há ninguém que deseje ser enfermeiro unicamente do OBS, já para não falar dos que não desejam ficar unicamentamente na urgência geral. Todos querem continuar com a polivalência, que é o que caracteriza um enfermeiro de urgência. O trabalho tornar-se-ia extenuante apenas num sítio em exclusivo. É evidente que tenho em conta que muitas decisões tomadas pelas gestões, em qualquer que seja a área e contra o desejo dos trabalhadores, possam ser muito válidas. Agora quando 100% dos trabalhadores estão contra e apontam justificações é porque alguma coisa não está bem. E afinal de contas somos nós quem lá está, dia a dia, hora a hora, ano após ano.
Por Robin dos Hospitais

sexta-feira, 6 de março de 2009

Manifestação de enfermeiros dia 13


Caro Guilherme, aproveito o teu blog para lançar um apelo a todos os enfermeiros, se assim o permitires.
Colegas,
Atravessamos uma crise, não se trata da crise que por aí se fala, é a crise em enfermagem.
Querem-nos impor uma carreira miserável, com uma posição remuneratória inicial de 1000 euros, quando temos licenciados, que não são mais que nós, com um início de carreira a rondar os 1400 euros. Os professores fizeram os seus complementos e foram de imediato reposicionados de acordo com o seu novo grau… e os enfermeiros?! Querem-nos impor uma avaliação de desempenho estupidamente injusta, onde se vai beneficiar muito provavelmente os lambe-botas. Querem-nos impor uma carreira estratificada, onde nem todos têm a possibilidade de atingir o topo, querem acabar com os suplementos, enfim … quem andar atento facilmente perceberá o atentado.
A luta tem sido difícil e já longa, mas meus amigos a guerra está a terminar, as eleições aproximam-se, senão nos mexermos agora, depois vai ser tarde. Pensem que é o nosso futuro que está em causa, participem em todas as formas de reivindicação, façam-se ouvir!!
Dia 13 de Março, estão todos os enfermeiros convidados para a Manifestação em Lisboa, junto aos aposentos da Ministra, não esperem que os outros lutem por nós!!
Tens transporte gratuito, convívio garantido, só não te pudemos ir buscar a casa..
Organizem-se nos serviços, façam trocas, passem a palavra, pensem que agora é o momento!!
Inscrições estão abertas nos serviços, ou então liguem para 914869019 ou 963168306

Por "um colega"

segunda-feira, 2 de março de 2009

Porque deixei de ser médico


Não sei como era a medicina há umas décadas atrás mas sei no que transformou… São anos e anos de estudo, afogados em teoria e em que a prática e o contacto humano são postos de lado. Depois há um exame teórico, um único exame, duas horas de vida que nos dão uma nota, como se de uma etiqueta se tratasse e deixamos de ser pessoas para ser números… Com esse número escolhemos uma especialidade, na maioria das vezes sem saber o que nos espera… Se me perguntassem hoje se voltava a escolher a mesma coisa a resposta seria não. Se me perguntassem se tinha escolhido tirar o curso de medicina a resposta também seria não. Porquê? Tenho vergonha do que vejo no dia-a-dia hospitalar…
Há vários tipos de médicos e a sua forma de trabalhar é bem visível no serviço de urgência:
-O Sr. Dr. A, que já nasceu cansado, por isso não vê doentes, independentemente do tempo de espera, até porque o trabalho não faz bem á pele;
- O Sr. Dr. B, que vê essencialmente os seus doentes da privada, será que depois lhes cobra a consulta?!
- O Sr. Dr. C que sai 3 horas para almoçar e 2 para jantar porque, afinal, tem de estar com a família ou já tinha aquela almoçarada marcada há algum tempo com os amigos;
- O Sr. Dr. D que anda sempre de um lado para o outro a tratar de “questões logísticas” e que por isso não tempo para ver doentes;
- Por fim o Sr. Dr. E, a excepção, aquele que trabalha, que se preocupa realmente com os doentes, que não gosta de os deixar à espera porque não gostaria que lhe fizessem o mesmo… Este tipo de médicos, em vias de extinção, são os mais criticados, olhados de lado pelos outros colegas.
Os internos ainda vão a tempo de fazer a sua escolha, mas quantos vão preferir o caminho fácil ao tortuoso? Será que num futuro próximo ainda vamos encontrar alguém que se dedique realmente ao trabalho? Será que este tipo de médico vai conseguir remar contra a maré ou também, um dia, vai desistir dos princípios que o fizeram escolher a profissão?

Por “In determinado”
(ESTA FOI A 1ª RESPOSTA AO DESAFIO, CONTINUO À VOSSA ESPERA! - Guilherme de Carmo)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Desafio


10000 visitas… apesar de achar estes contadores estatísticos estranhos ou pouco fidedignos, é com orgulho que o menciono. O blog atingiu um nível e repercussão que eu não estava à espera, muito se elogiou, muito se falou, pelo bem e pelo mal.
Algumas pessoas atribuíram demasiada importância a alguns acontecimentos, posts, ao blog em si. Tinha idealizado algo restrito, quase como familiar, mas a internet de restrito não tem nada e depois algumas pessoas assustaram-se…
Não se trata da morte anunciada, como se vaticinou, acho que é o momento oportuno para fazer uma pausa, um retiro reflexivo. Mas o blog, o conceito continua e agora lanço um desafio. Escrevam um post, há por aqui pessoas muito criativas, com espírito crítico, com sentido de humor, conjuguem tudo isto e surpreendam-me, surpreendam-nos. Escolham uma foto para o post, se quiserem escolherei eu, identifiquem-se, nem que seja um nome fictício… estas são as regras, agora é a vossa vez. Podem falar do que quiserem (da mesma maneira que eu falo de música e cinema, etc), do que sempre quiseram falar, não se esqueçam que este se tornou um bom meio de divulgação, mas entendam que se achar o post inadequado, não o publicarei, são esses os riscos. Um conselho útil, não sejam extensivos, um post curto é muito mais facilmente lido. Enviem para Email: guilhermedecarmo@iol.pt, ou através dos comentários.
Até um dia

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Brutus, o Sr. Serafim e a Dona Lurdes


O Brutus é um cão de grande porte, este tipo de cães geralmente não dura mais que 7 ou 8 anos. A veterinária suspeita de uma encefalite ou uma neoplasia cerebral. Os donos estão tristes, o Brutus já não se acha capaz de ser aquele cão de guarda imponente, que quando ladrava fazia tremer o intruso mais incauto, perdeu a sensibilidade proprioceptiva e em momentos de maior stress, como idas ao veterinário, perde o controle de esfíncteres esvaíndo-se em merda. Merda pra isto, mas que vida de cão é esta? Pensará ele.. A médica de animais, prudentemente sugeriu aguardar uma semana para avaliar a evolução, mas avisou que eutanasiar poderá ser a melhor solução para terminar com o sofrimento do cachorro. O mundo animal parece estar mais avançado, eutanasiar já é palavra do vocabulário.
O Sr Serafim trabalhou toda a vida, homem sério, de bom trato. Pelas minhas contas há mais de 5 anos foi-lhe diagnosticado neoplasia intestinal, neste último ano perdeu por completo a pouca qualidade de vida que ainda lhe restava, a metastização do tumor, deteriorou por completo a sua condição física e mental, é completamente dependente em todas as necessidades básicas. A família agoniza com o seu sofrimento, exaspera com os seus gritos que aumentam apenas com um toque.
A D. Lurdes criou os 2 netos que hoje têm 14 e 11 anos. Apesar de passar os sessenta, aparenta menos dez. Calma, mas eléctrica, mulher de sete ofícios, teve uma vida difícil, mas rica e farta, nasceu na Venezuela e chegou a estar emigrada no Canadá, agora dedicava-se ao campo e às oliveiras. Foram estas inocentes árvores que a atiraram para o suplício, caiu de uma e fracturou a coluna cervical. Passa os dias entre o serviço de Ortopedia e cuidados intensivos. Estabiliza, ortopedia, pára de respirar, intensivos. A fractura é superior, atingiu a vértebra C4, a função respiratória está seriamente comprometida, o que ainda a mantém viva é uma traqueostomia. Mantém o seu perfeito juízo e já manifestou o desejo de morrer. Os filhos amam-na, daquele jeito de amar, que apenas os mais afortunados têm a possibilidade de perceber, revezam-se para, sempre que permitido, permanecerem junto dela e depois choram e desacreditam no Deus que trouxe ao mundo os seus filhos e o pão para as suas mesas.
A vida para ela já não faz qualquer sentido e sem o manifestar condena quem a prolonga, reanimando-a sucessivamente, Perdoai-lhes senhor, porque eles não sabem o que fazem, reza ao Salvador. Para ela e ao contrário do parecer dos filhos, já não tem vida de relação, não os encara, mal lhes fala. A única relação baseia-se no alívio disfarçado dos filhos de ainda puderem ver a mãe querida viva. Tamanho egoísmo que só pensam no seu pseudo-conforto.
Muitas vezes vejo escrito em diários clínicos e notas de enfermagem, “sem vida de relação”, a verdade nua e crua e a garganta entala-se-me. A vida vive do afecto e da relação, que é o seu verdadeiro motor. O resto é conversa. Quando médicos e enfermeiros escrevem “sem vida de relação” apesar de cair mal, procuro ser realista e penso, É um facto. O desenlace ideal, seria uma morte junto da família, do lar, da terra, morte serena, em paz, com a família consciencializada que é o melhor a fazer. Agora quem não passa por elas não compreende, nem muito menos sabe o que significa eutanásia. A igreja traça-lhes as ideias e o juízo.

E se o Sr Serafim fosse o papa, e a Dona Lurdes mãe de um ministro? Talvez apressassem o debate público, esclarecessem e constituíssem a eutanásia como um direito constitucional (evidentemente sustentado em princípios bioéticos) desembrulhada de preconceitos e ignorância. Sabemos que a realidade do país, o próprio sistema de saúde não estão ainda preparados para lidar com a eutanásia, comecem a trabalhar nesse sentido.

G.

Nota: recomendo o filme Mar Adentro, vejam um pouco em cima

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

As socas carpe diem


Nem todas as aquisições podem ser um fiasco, encontrem o médico das socas Carpe diem e perceberão o que digo. Tem uma escola enriquecedora, onde se aprende a valorizar a dor do doente, o sofrimento da doença.
Viver o dia é o seu lema. Uma grande ajuda para neste meio triunfar. Médico de convicções, educado e ponderado. Capaz de passar horas da madrugada no bloco a operar e vir depois à urgência resolver situações inacabadas. Frontal e preciso, disse a quem de direito que este era o pior serviço de urgência em termos organizacionais em que alguma vez tinha trabalhado. É alguém que admiro, porque ao contrário de muitos, tem prazer e orgulho no seu trabalho. Outros que têm, não o deveriam.
G.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Crónicas estapafúrdias vol. V - Tragédias


Plagiando o Capitão, durante 8 horas consecutivas ouvimos o matraquear de maleitas. Sr. Enfermeiro dói-me o peito, Sr. Enfermeiro falta de ar, Sr. Enfermeiro vomitei, Sr. Enfermeiro dei cabo dos dedos, Sr. Enfermeiro ando triste, Sr. Enfermeiro dói-me a barriga, perco sangue, é a febre, é a alergia, é o pé, são os dentes, é a tosse, são os ouvidos, são os gazes. Sr. Enfermeiro não come, não mija, Sr. Enfermeiro bebeu demais, comeu demais, não bebe, não come. Caiu de 5 metros, caiu de 10, de 20. Sr. Enfermeiro partiu o braço, a perna, o queixo, as costelas, os dentes… chegaaa!! Mit tausend Teufeln!! Só tragédia porra. Por que é que de vez em quando, não nos vêem visitar só pra dizer:
Sr. Enfermeiro hoje não me queixo de nada, sinto-me mesmo bem;
Sr. Enfermeiro você é impecável;
Sr. Enfermeiro onde é que você arranjou tanto estilo?!
Sr. Enfermeiro trago-lhe aqui estes chocolates.. gosta do negro ou de leite?
Sr. Enfermeiro ganhou o 3º prémio do Euromilhões;
Sr. Enfermeiro sou o homem mais feliz do mundo, hoje fui pai;
Sr. Enfermeiro, vim aqui de propósito só pra dizer que os enfermeiros são pessoas excepcionais;
Sr. Enfermeiro, trago-lhe aqui um capuccino, gosta de vanila ou moka?
Sr. Enfermeiro o Benfica ganhou a liga dos campeões;
Sr. Enfermeiro a Juventude de Viana é campeã nacional;
Sr. Enfermeiro o Cavaco mandou o Sócrates de frosques...
Mas não… é só tragédia…
G.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ben X, um dos filmes da minha vida

Recentemente vi o filme Ben X.
Há filmes que marcam e este é um deles.
A história (verídica) gira em torno de um jovem com síndrome de Asperger, uma s. do espectro autista e que consequentemente é vítima de bullying.
Mas a história tem muito mais que estes temas complicados e anexados pelos automatismos da sociedade egocêntrica e preconceituosa.
Let's look at the trailer

Mais um ataque a enfermagem...



Estava aqui a ler um email que tem já umas semanas e digo-vos,
Estou indignado, revoltado...
Então não é que o presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência, disse que os enfermeiros "não têm competências nem as habilitações necessárias para fazer parte de uma equipa de ambulância"?!
É incrível... Nós fizemos mal a alguém?! O mundo da saúde cada vez é mais triste, enrolado em mentira e difamação; é a hiper-competitividade, em que as pessoas lançam as mais absurdas acusações sem qualquer base de argumento, para tentar melhorar a sua própria situação.
Querem os TAE's ocupar os lugares dos enfermeiros?!
Até aqui não temos trabalhado em parceria e com frutos?
Quem é que faz a formação dos TAE's?! Não são também os enfermeiros?! O aprendiz volta-se contra o professor..
Como é possível atacarem uma classe (enfermagem), que tem anos de provas dadas em pré-hospitalar, no INEM, nas Corporações de Bombeiros, na formação, etc, etc..
Deixo-vos com as palavras do tal senhor presidente... Para melhor perceber, visitem o site da Fórum enfermagem, que vou adicionar à minha lista de Blogs e afins que vou visitando (na coluna do lado direito)
"Antes de prosseguir, o Presidente do STAE frisou que a defesa da criação da Carreira dos Técnicos de Ambulância de Emergência quer-se que possa incluir também os bombeiros, que tenham formação e desempenhem idênticas funções, dado que actualmente estes são responsáveis por cerca de 65% do auxílio pré-hospitalar prestado.De seguida explicitou que estes técnicos são os únicos que têm competências pré-hospitalares e o INEM é o único que detém ambulâncias profissionais com equipas compostas por estes técnicos. O facto de a carreira não existir origina carência de técnicos devidamente habilitados, pelo que o INEM recorreu à requisição de enfermeiros para suprir as necessidades, sendo que estes não têm as competências nem as habilitações necessárias para fazer parte de uma equipa de ambulância."
G.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A enfermeira mais simpática do Serviço de Urgência

Há uns tempos ouviu-se na Urgência,
Vá ter ali com aquela enfermeira! apontando para o outro lado do corredor.
Mas qual enfermeira?! perguntava a senhora.
Olhe, é a enfermeira mais simpática da urgência, você descobre...
Aquilo deixou-me a pensar, é difícil escolher a enfermeira mais simpática da urgência. É injusto escolher apenas uma.
Lembro-me de, no post "O Início... 2ª versão", no meio das lamentações, que no fundo foram o propósito do blog, ressalvar o prazer que tinha, de trabalhar com a generalidade dos meus colegas. Assegurei que mais tarde os relembraria.
Mas quem é a enfermeira mais simpática?! Não é propriamente fácil ser-se simpático na Urgência, vamos sendo prestáveis, uns dias mais animados, outros dias mais exasperados.
Acima de tudo admiro o espírito, a força, o dinamismo das nossas colegas mulheres... os homens que me desculpem, mas não é o vosso tributo.
Para a Ana, Adriana, Anabela, Carmen, Delfina, Graça, Mabilda, Maria João, Lurdes, Raquel, Teresa, Sara, Andreia, Paula M., Rita, Sandra B., Susana, Rosa Olívia, Ângela, Cristina, Daniela, Goreti, Karine, Luísa, Carmo, Paula P., Carla, Lígia, Sónia, Vânia e Sandra R. e todas as outras que por cá passaram, a minha admiração. Continuem a segurar a Urgência, é que nós, homens, somos um pouco mais impulsivos, é importante manter a impulsão e o travão, nivelados na balança.
Continuem a colorir esta Urgência, que às vezes parece tão cinzenta e a assegurar que, parafraseando o Filipe, somos a melhor equipa do mundo.
É importante durante a vida, relembrar e elogiar aqueles que consideramos, porque depois pode ser tarde.
Beijos
G.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A estrutura dos Serviços de Urgência


Este post vai de encontro à sondagem lançada aqui mesmo ao lado. Consta que hoje aconteceu algo de extraordinário para a equipa de enfermagem do serviço de Urgência. As enumeras lamentações dos elementos da equipa foram finalmente ouvidas por quem tem o poder de decisão – a direcção de enfermagem. Esta, ao que parece, apresentou-se com um estilo inovador, baseado no diálogo, na cooperação e com uma ideia fundamental: MUDANÇA. Parece que todos estavam de acordo que a mudança na urgência é urgente, mas que não depende exclusivamente dos enfermeiros. Ideias interessantes foram debatidas, notou-se optimismo, pelo interesse dos órgãos de gestão de incluir a equipa na tomada de decisões, mas receio pela ideia chave que foi proposta: A equipa de enfermagem ser dividida em duas, OBS /Urgência geral. Este é o espaço para se reflectir sobre os prós e os contras dessa proposta. Pelo que percebi, o objectivo será potencializar cada unidade funcional, tornando OBS e Urgência Geral dois serviços distintos e independentes. Mas será esta uma das soluções?! Não será possível atingir os mesmos objectivos de outra forma?!
Não acredito que metade da equipa deseje ficar única e exclusivamente em OBS e outra metade na Urgência Geral. A equipa ficou de se pronunciar e apresentar projectos. Podem aqui começar a reflexão.
Ate já!
G.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Fórum Sindicatos


O meu amigo colaborador Shadow pediu, eu cumpri ,
Entramos num novo ano e a luta por uma carreira digna na nossa profissão continua acesa. Tenho recebido vários emails sobre o que se vai passando e as notícias não são animadoras. Parece que o Ministério da Saúde continua a evitar os enfermeiros, adiando decisões, divergindo em medidas. A luta vai-se arrastando há já muito tempo, tanto que até já vamos perdendo a noção. Reparo numa maior mobilização, no entanto continuamos muito inertes. Muitos nos queixamos, muitos falamos no incrível movimento dos professores, mas parece que grande parte de nós continua metidinho no seu canto. Muitos ainda não perceberam, que se estiverem informados, unidos e esclarecidos, estão no caminho para fazer tremer o SNS.
Criticamos os sindicatos, a Ordem, mas desses, muitos nem num lado nem no outro, pagam quotas, participam. Compreendo também a frustração, mas é o momento para a deixarmos de parte.
Sendo assim, abro aqui este espaço para o debate em torno de:
Qual a tua opinião sobre o papel dos sindicatos?
Qual a tua opinião sobre o papel da Ordem?
Quais são os pontos emergentes para actuar, na tua opinião?
Quais as soluções?
Aguardo as vossas opiniões
Abraço
G.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Alcoolismo em profissionais de saúde - parte II


NOTA PRÉVIA: Caros participantes, a síntese que vão ler de seguida trata-se de um artigo da revista SÁBADO nº 221, cujo título é: Médicos viciados. Para lerem o artigo completo, pesquisem, "revistas online" no google e solicitem a revista.
1. Não se trata da minha parte de nenhum "ataque" aos médicos, que fique bem claro! Como já referi nada tenho contra os médicos, apenas me incomoda a arrogância e elitismo de alguns. Tenho muito respeito e consideração pela classe médica. Ser médico, não é nada fácil. As recompensas são benéficas, os dissabores podem ser catastróficos.
2. Este é um trabalho de investigação da jornalista Isabel Lacerda, que descobri por conversa com uma amiga e que serve de complemento ao penúltimo post, Alcoolismo em profissionais de saúde.
3. É importante reforçar o "PROFISSIONAIS DE SAÚDE". Na minha opinião o artigo é muito completo, mas será injusto, pois retrata apenas a classe médica, quando a questão abrange todas as classes. Não serão apenas médicos, os profissionais de saúde com este problema. Claro que para efeitos de audiência, vende muito mais, MÉDICOS VICIADOS, do que enfermeiros viciados ou auxiliares viciados, etc. Sendo assim, mais uma vez, que fique claro que acho este artigo pertinente, completo e interessante, mas INJUSTO, não venham por aqui os anónimos azucrinar-me a cabeça.
«A médica era viciada em drogas duras e foi apanhada a roubar. Castigo: aposentação. (...) Atendia vários doentes ao mesmo tempo enquanto os tratava por "tu" e fumava cigarros, (...). Há vários anos que as pessoas da região lhe conheciam a dependência de drogas duras - heroína e cocaína. Muitos doentes recusavam ser atendidos por ela. Mais de 10 registaram as suas queixas no livro de reclamações. Já em 2005 os colegas do posto médico se tinham juntado para exigir que ela fizesse análises ao sangue. Recusou. (...) Há médicos dependentes de drogas pesadas. Mas ainda são mais os que abusam de outras substâncias como álcool e comprimidos, para relaxar ou ganhar energia. A maioria dos estudos comparativos conclui que a propensão para o abuso de substâncias aditivas lícitas (medicamentos) é mesmo superior nos médicos do que nas restantes profissões. Num trabalho sobre stresse e esgotamento na classe médica, Maria Antónia Frasquilho, psiquiatra e investigadora, afirma, baseada em estudos internacionais: constata-se que os médicos recorrem aos tóxicos para aliviarem o sofrimento emocional - 12% a 14% abusam do álcool ou dependem de tóxicos. (...) A dependência química alia-se à dependência de álcool e assume uma dimensão e gravidade superiores às de outras profissões com status sócio-económico equivalente.
(...) os médicos têm altas taxas de stresse, insónia, ansiedade, depressão e suicídio (...). A psiquiatra nomeia as longas horas de trabalho, a frustração com o declínio das condições técnicas e humanas para exercer a medicina e a desilusão (...). Conheço muitos médicos que me dizem: "Só aguentei a Urgência tomando pastilhas, porque a minha vontade era fugir."
Luís Santos (nome fictício), médico de um hospital de Lisboa (...). Começou a tomar comprimidos no fim da faculdade (1975/76): "havia matérias extremamente árduas e um colega desafiou-me a tomar uns estimulantes." (...), um delegado de informação médica abordou-o com uns novos comprimidos que dizia serem óptimos para quando se estava de banco: "Foram os melhores que alguma vez tomei. Acho que era anfetamina ou coisa do género" (...) Ao fim de muitos anos, o médico, (...), reconheceu que tinha um problema de adição a comprimidos e também ao álcool, (...). Procurou um psiquiatra. Mas ainda foi pior. "Ele insistiu que eu estava enganado, que o meu problema era depressão." Receitou-lhe antidepressivos - vários. (...) A dependência durou mais de 20 anos. Sendo médico, Luís tinha acesso fácil à substância em que era viciado: prescrevia-se a si próprio. (...) Ele próprio explica que doses altas de estimulantes podem provocar efeitos com os de doentes bipolares na fase eufórica: "A pessoa perde alguma noção dos limites e do bom senso, acha que é o super-homem. (...) Por sorte, a sua especialidade não é cirúrgica. (...) E diz que nunca foi trabalhar "com os copos". Porque nas alturas em que lhe dava para beber até adormecer, ou faltava no dia seguinte ou faltava durante semanas ou meses - metia baixa.
No Brasil, um estudo da Universidade de São Paulo sobre os hábitos de consumo de médicos em tratamento de toxicodependência ou uso nocivo de substâncias revela que o padrão mais frequente é a associação de álcool e drogas (36,8%), seguido do álcool isolado (34,3%) e das drogas (28,3%). Uma profissional de saúde aposentada conta à SÁBADO como, ao longo da sua carreira, sempre em Lisboa, se cruzou com médicos com os três problemas: " Um especialista em medicina interna, na casa dos 40 anos, assim que chegava ia direito a um armário de medicamentos e tomava um tranquilizante. Dizia que o acalmava a tarde toda." Noutro hospital, um cirurgião com mais de 50 anos que tinha dores provocadas por um traumatismo de guerra, enchia-se de analgésicos, especialmente antes de entrar no bloco operatório. Só que os tomava com whisky. Nos intervalos entre operações engolia mais comprimidos e bebia mais whisky. Chegava a esvaziar uma garrafa por dia. "Que eu saiba, nunca teve nenhum acidente cirúrgico", "E depois havia outro internista, com menos de 40 anos, completamente alcoólico. Chegou a estar duas vezes internado, em coma. Acabou por morrer em deterioração orgânica provocada pelo álcool." (...) Domingos Neto, ex-director do Centro Regional de Alcoologia do sul. O psiquiatra especializado em adições já tratou mais de uma dezena de médicos com problemas de alcoolismo: "Uns estão óptimos, com uma vida profissional excelente. Outros não estão assim tão bem." Um dos problemas do abuso do álcool (...): "É uma espécie de toxicodependência de estimação dos portugueses." Mesmo os médicos têm dificuldade em reconhecer o seu problema. (...), têm maior renitência do que a população em geral em procurar ajuda e são melhores a esconder os sintomas. (...) Mesmo quando percebem que alguma coisa está errada, o alheamento, o corporativismo ou o receio tornam a ajuda e a denúncia raras (nenhum dos profissionais de saúde que relataram situações à SÁBADO falou com superiores ou com os colegas). Muitos poucos processos originados por esses motivos chegam à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS). E, destes, menos ainda terminam em sanções aos profissionais: as reacções, adianta fonte da IGAS, acabam quase sempre em recomendações de atenção às entidades. Além disso, a SÁBADO sabe que, nos últimos anos, os planos de actividade da Inspecção não tem previsto nenhuma acção de fiscalização a este tipo de situações. O Ministério da Saúde não quis comentar o assunto (...).
Em Lisboa, o hálito de um conhecido cirurgião não engana quem trabalha com ele. O seu comportamento muito menos. "É completamente irascível, anda sempre aos berros, maltrata toda a gente, ameaça os colegas de nunca mais operarem na vida", conta uma enfermeira. Com a perda de precisão, os erros, mesmo em cirurgias simples, apareceram. "Enganava-se e cortava artérias; numa operação a um quisto dermóide atrapalhou-se tanto que deixou a rapariga com uma cicatriz horrível (...). No momento em que percebia os enganos reagia quase sempre da mesma maneira: batia com os pés no chão, atirava com os instrumentos cirúrgicos, gritava: "Sou mesmo um estúpido, sou uma besta!" Há cerca de oito anos, numa cirurgia a uma hérnia, de repente o enfermeiro-instrumentista perguntou: " Mas isso não era o canal espermático?" Pausa. Gritos (do próprio cirurgião a chamar nomes a si próprio por ter cortado no sítio errado). Nova pausa, para se acalmar: "Cale-se! Não fale do que não sabe. Não era nada, está tudo bem." Mas era. Toda a gente que estava no Bloco percebeu que era. Só que ninguém disse nada. O rapaz de 20 e poucos anos nunca soube do erro que pôde eventualmente ter-lhe atrofiado um testículo. Formalmente, nunca nenhum colega fez queixa dos abusos do cirurgião, mas a SÁBADO sabe que foram várias as recomendações informais que chegaram à direcção de pelo menos um dos hospitais por onde passou para que ele fosse afastado dos blocos operatórios. Nunca nada foi feito. O médico continua com os seus excessos, verbais e de consumo, embora ultimamente se tenha dedicado mais a funções administrativas. "Pode haver tendência para proteger o colega, mas isso faz-lhe mal. Uma atitude firme da parte do superior ("Ou te tratas ou vais ter problemas connosco") é muito mais humana e benéfica do que a tolerância", sublinha o psiquiatra Domingos Neto. Até porque, se quase nenhum alcoólico procura ajuda sem pressão dos familiares, amigos ou colegas, nos médicos - está provado - os tratamentos têm taxas de sucesso superiores. Sobretudo se, como acontece nalguns países, a sua recuperação (de álcool e/ou drogas) for feita em centros de tratamento especializado só para profissionais clínicos. Nos Estados Unidos há pelo menos 40 instituições destas. Em Portugal a tentativa que houve em 2001, em Coimbra, acabou em menos de um ano: "Ainda atendemos cerca de 12 médicos, a maioria com problemas de álcool. Aquilo funcionava na base da boa vontade, por iniciativa da Ordem dos Médicos, mas necessitava de condições logísticas e financeiras para continuar", explica o psiquiatra mentor da iniciativa, Morgado Pereira.
O elevado estatuto social da classe médica e a própria natureza da profissão faz com que os próprios tenham renitência em recorrer aos serviços de saúde públicos, onde estão mais expostos e podem, inclusive, cruzar-se ou ficar internados ao lado de pacientes. A secção regional do sul da Ordem está a acompanhar o Programa de Atenção Integral ao médico Enfermo, de Barcelona (...): "Permite um internamento incógnito - a pessoa vai com um nome de código".
Em Portugal, os profissionais de saúde representam 3,2% dos Alcoólicos Anónimos (AA). (...) Carlos Ferreira (nome fictício) foi um deles. Começou a beber ainda durante o curso e só parou 20 anos mais tarde (...) o álcool estragou-lhe a carreira de gastroenterologista no IPO de Lisboa. Mas proporcionou-lhe outra: " Quando entrei nos AA comecei a ler tudo que havia sobre adições em Portugal. Depois fui para o Canadá estudar medicina de adição. Quando regressei tornei-me também psicoterapeuta." Há 15 anos que trata pessoas com os mesmos problemas pelos quais já passou. Deixa um recado: "Os médicos têm de perceber e aceitar que o alcoolismo é uma doença crónica como a hipertensão, a doença cardiovascular ou pulmonar (...) não se pode deixar que estejam a exercer - para o bem delas e para o bem dos doentes, porque esses é que não têm culpa nenhuma.
(...) O marido de Zélia Ferreira foi atendido por um médico visivelmente alcoolizado. Morreu poucas horas depois: "Tinha os botões da bata desencontrados e os sapatos a chinelar. Até pensei - raio de médico, parece que está a dormir" (...) Morreu a caminho do segundo hospital. Deixou duas filhas e uma viúva inconformada: Zélia Ferreira escreveu uma queixa no livro amarelo do hospital e iniciou um processo em tribunal contra o médico. A reclamação originou um inquérito na IGAS, que terminou com a mera recomendação para que as sub-regiões de saúde instaurem formas de monitorizar e prevenir este tipo de situações. O processo judicial não passou da instrução, em 2007. (...) De nada valeram as 11 testemunhas apresentadas pela viúva, todas a referir o habitual estado de embriaguez do clínico geral.
Paulo Agostinho (...) levou a filha de 8 anos, engripada e febril ao mesmo hospital (...) À saída perguntou na secretaria se era permitido ouvir música na urgência, (...) "Nisto aparece o médico a dizer que o rádio tinha desaparecido, como se eu o tivesse roubado." Levantou-se a confusão e Paulo chamou a PSP - insistia em ser revistado para desfazer as dúvidas. Mas quando a polícia chegou, o pedido das dezenas de utentes que lá estavam foi outro: "Ponham-no (o médico) a soprar ao balão!". A polícia não chegou a testar a alcoolemia, mas umas semanas depois Paulo Agostinho recebeu um telefonema do director do hospital e mais tarde alguém lhe disse que o médico tinha sido retirado das urgências nocturnas. Esse médico tem hoje 60 anos. Continua a exercer».
A minha opinião:
1. Por que é que as entidades competentes se escondem atrás do problema, por que é que não encontram soluções? "O Ministério não comenta? Porquê?
2. Todos sabemos que há médicos que têm pavor, detestam a Urgência, fazem-na por obrigação, daí vem os comprimidos para relaxar. Não há formas de se dedicarem àquilo que gostam e deixar a urgência para outros, aqueles que gostam (criar "urgencistas", p.e.).
3. A causa do problema também está no próprio SNS, alguns motivos que foram apontados no artigo são da exclusiva responsabilidade do SNS. Questões organizativas, condições de trabalho, melhoria infra-estruturas, aumento das equipas, ......
4. Médicos que se auto-prescrevem, como é possível?!
Obrigado Patrícia, este post não existiria sem a tua preciosa ajuda.
G.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Save Miguel


Vejam isto, vale a pena! Não tem nada a ver com enfermagem.
O pddse também não é só enfermagem e todas as questões associadas a saúde, senão começa a cansar.
Como se consegue aliar humor a uma boa causa, clica aqui SAVE MIGUEL

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alcoolismo em profissionais de saúde


Há uns tempos atrás, nos meus apontamentos, tinha anotado um tema que cada vez mais me parece tabu. Escândalos e notícias tristes depressa se propagam neste hospital e, vendo bem, em qualquer local de trabalho no nosso país. As boas notícias, excluindo o aumento de vencimentos, demoram mais um pouco a alcançar um destino, nesta corrente de propagação de informação.
Depois foi lançada a já tão badalada bomba pelo Sr. Tasqueiro (quem desconhece, recomendo consultar os comentários ao post “Crónicas estapafúrdias vol. IV – Ruídos”).
Pensei que seria o momento oportuno para abordar o tal tema tabu, o alcoolismo em profissionais de saúde.
Para ter um suporte científico, comecei por pesquisar no Google académico, trabalhos sobre o tema. Surpreendentemente encontrei zero. Inseri “alcoolismo em profissionais de saúde” no motor de busca e as centenas de trabalhos de investigação/artigos que surgiram, incidiam sobre alcoolismo numa amostra aleatória de pessoas e enfatizavam o papel dos profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros, no combate ao problema.
Outros trabalhos direccionavam-se para burnout. Duas premissas importantes: o burnout pode conduzir ao alcoolismo; Os profissionais de saúde são das classes mais propícias a desenvolver burnout. Associando-as, facilmente concluímos que os profissionais de saúde correm algum risco de consumir álcool em excesso. Porque é que não encontro então, estudos sobre isso??! Se calhar sou um nabo a pesquisar.
Ser profissional de saúde, tem as suas recompensas, as suas amarguras. Há um vasto leque de vantagens e inconvenientes, já por demais conhecidos. Lidar com o insucesso, fadiga, stress, sofrimento dos outros, problemas familiares associados à ausência ou não, etc, pode levar a angústia, depressão e por possível sucessão, a vícios, onde o álcool assume posições de liderança.
É problemático ser alcoólico, é ainda mais problemático ser um profissional de saúde alcoólico. Porém, na minha opinião, é muito mais que problemático, é gravíssimo, é ultra-condenável, permitir que estes profissionais estejam em trabalho, sem que haja vigilância, acompanhamento e tratamento.
Em grandes locais de trabalho como Portucel e Estaleiros Navais, onde os trabalhadores desempenham cargos de alta responsabilidade, há vigilância rigorosa dos níveis de alcoolemia nos trabalhadores. No nosso hospital, onde evidentemente os trabalhadores desempenham cargos de ainda maior responsabilidade, já vi testes de alcoolemia, mas foram aqueles que a GNR vem fazer aos traumatizados em acidentes de viação. Agora em funcionários??! Nunca vi, nem nunca ouvi falar. Posso estar enganado, mesmo que esteja, é impossível que este controle seja eficaz. O Sr. Tasqueiro lançou a bomba que toda a gente tem conhecimento, mas que finge não ter. É um problema de saúde pública, é um problema nosso, dos nossos gestores e responsáveis pelos departamentos de medicina no trabalho. Acordem senhores, qualquer dia pode ser tarde. Enfrentem o problema, não discriminem, encontrem saídas.
G.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Um bom conselho

Nem todos os discursos são enfadonhos, como os do Sócrates, Manuela F. Leite, etc...
Vale a pena ouvir este senhor, fundador da Macintosh e Pixar.
Apesar de estar escrito que está legendado em português, quem o disse deve ser brasileiro.
Só não concordo muito com o seu conceito de envelhecer, tudo o resto acho que é uma boa lição para a vida.
O video seguinte é a 1ª parte, se quiserem continuar, vejam a 2ª parte, clicando aqui

G.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Crónicas estapafúrdias vol. IV - Ruídos


Um Serviço de Urgência é um sítio cheio de vida, de movimento, de riso, de choro, de choque, de gestos e por tudo isto, de barulho excessivo. Existe um médico de alta patente, alérgico ao ruído. Quase sempre acorda mal-disposto. Quando é confrontado com mais que um assunto ao mesmo tempo, ou quando começa a ouvir barulho a mais então essa má disposição triplica. Consta que durante a azáfama que é um turno da manhã em OBS terá dito, após o telefone tocar continuamente, Ao 3º toque do telefone, é para atender!!. A Enf. P. respondeu, enquanto se ocupava com a higiene da D. Fátima, com ajuda da Auxiliar D. R., Não vamos parar o que estamos a fazer! E o telefone tocou e tocou...
Outra Doutora, igualmente de alta patente, incomodou-se também com a gargalhada de uma enfermeira. Terá pedido: Srª Enfermeira, não se importa de se rir atrás do armário.
Confesso que também me incomoda um pouco o barulho excessivo, às vezes nem nos apercebemos do ruído que fazemos, principalmente no turno da noite. O bom silêncio, aquele que provoca tranquilidade, é importante para o processo de cura e para o nosso bem-estar. Agora garanto-vos, não vou deixar de fazer o que estava a fazer, para atender um telefone e de certeza que não me vou rir atrás de um armário, até porque já não os há.
G.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os artistas dos hospitais


A hierarquia do futebol assemelha-se em quase tudo à dos hospitais.
Os presidentes dos clubes são os administradores hospitalares, tanto uns como outros gerem (mal ou bem) os dinheiros, as contratações e decidem as politicas a ser implementadas.
Os Enf. chefes são os treinadores, fazem os horários, tal como o treinador decide quando se treina e quando se folga, tramam a vida a vida a um gajo que não gostem da mesma maneira que um treinador queima um bom jogador, só porque teima que não deve jogar. Depois orientam e rentabilizam a equipa.
Tony hoje jogas a ponta de lança, vais prá Manchester; Brandão vais pró miolo, no meio-campo, ficas com a reanimação; Ana Bela, jogas a trinco na Admissão, vais ter que correr muito, joga simples e rápido. Na defesa em OBS, joga a Delfina, o Tiago e a Lígia.
Eii chefe hoje falta o Adão!
Não faz mal, jogamos menos um.
Oh chefe, mas hoje é um jogo (turno) complicado!!
Vocês são capazes disso e muito mais, somos raçudos, invencíveis!
Oh chefe mas andar a jogar sistematicamente com menos um… qualquer dia vai correr mal e vamos perder pontos (vidas)! Temos que começar a pedir jogadores (enfermeiros) emprestados!
Não dá! Os outros clubes (serviços) também estão desfalcados!
Porra, contratem! Anda aí tanto jogador sem clube (trabalho).
Quem manda é o administrador, eu não tenho voto na matéria…


No fim da hierarquia estão os enfermeiros, que são os jogadores. Apesar de no futebol os jogadores serem os últimos da hierarquia, são os que ganham mais, já que são eles os artistas, os que proporcionam o espectáculo. Ora, nós, os enfermeiros, de uma forma geral, também somos os artistas, somos criativos e decisivos (qualidades vitais a um bom jogador), somos nós que também proporcionamos o espectáculo, que também não aconteceria se não houvesse utentes, neste caso os adeptos (que são aqueles senhores que aplaudem, elogiam, mas que também insultam se for necessário).
Agora questiono, se somos os artistas, por que é que ganhamos menos?!
Temos que falar com os nossos empresários (sindicatos) a ver se conseguem negociar o contrato. Mas os patrões dos clubes (ministério) não estão para aí virados. Temos que fazer greve, como o Estrela da Amadora.
G.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal dos hospitais II



O post anterior falava de filhos desnaturados, no lado oposto temos os verdadeiros filhos, os filhos de coração.
A Dona Catarina tem 53 anos e carrega com ela há três, um cancro no intestino já disseminado. Fala com ternura e sem pressas, com olhar fixo, face encovada e com os lábios quase estáticos. A pele é seca e tem um tom acinzentado, os braços são delgados, procuro-lhe uma veia. Não tem saúde, mas é feliz, tem o amor dos filhos.
O filho já não se lembrava de mim, ela topou-me logo pela pinta.
Enquanto retirava das suas veias escondidas um pouco de sangue para análises, o filho mantinha-se debruçado na maca, abraçado aos ombros da mãe, segredava-lhe palavras com meiguice.
Dona Catarina vou dar-lhe uma medicação para a dor, nós estamos por aqui, se continuar com dor, é só chamar.
Pois é mãe, se precisares chamas o Sr. enfermeiro, e fazes outra medicação, não se justifica ficares com dores!
Acrescentava com a voz embargada, dando a entender que a mãe era de poucas queixas.
Expliquei ao Jaime, seu filho, quanto tempo demoravam as análises e outras coisas básicas de funcionamento. Agradeceu-me e nos seus olhos enevoados via-se a tristeza da necessidade de ter a mãe no corredor da urgência no dia de Natal.
G.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal dos hospitais I



Retiro-me temporariamente do prazer do calor da família nesta noite de consoada, para partilhar convosco algo que me atormenta.
No dia 23 de Dezembro a urgência estava calma, estranhamente calma, normalmente quando assim é, algo de mal se avizinha.
Dia 24 passei na urgência, reparei nas macas apinhadas, de um lado e de outro, no "corredor dos despejos". É a denominação certa, literalmente os velhinhos são despejados pelos seus familiares. Nunca quis acreditar que um filho, já pai ou mãe de família, fosse capaz de abandonar a avó dos seus filhos pelo corredor do hospital, só porque esta urinava na fralda, mal se mexia, precisava de ajuda para comer e porque por vezes gritava sem se perceber porquê (não seria grito de dor, mas sim associado a demência).
Será que esta besta conseguirá estar tranquilo e alegre neste jantar especial?!
Como são capazes de fazer perguntas/afirmações deste género:
Sr. Enfermeiro, acha que dá para ficar cá a minha mãe?
Olhe Sr. Enfermeiro, tem doido a barriga ao meu pai há já uns dias, decidimos hoje trazê-lo cá

O Natal dos hospitais não é o que o Jorge Gabriel, a Catarina Furtado e o Goucha apresentam nos canais. O Natal dos hospitais é este.
Paz e amor
G.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

SICKO - A vergonha


"Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos Eu fico puto Eu fico louco Eu fico logo mordido (...).
Quando eu vejo esses babacas esses panacas esses pamonhas Que tem coragem de ir pra rua com boné ou camiseta Com as cores da bandeira mais nojenta do planeta!(...)
Amigo cê tá perdido enganado iludido
Já devia ter sabido o que são os Estados Unidos Um país infeliz
O mais hipócrita da terra Malucos suicidas e imbecis que adoram guerra Misturados num lugar cheio de farsa e preconceito
Me diz porque essa merda de bandeira no seu peito?
O quê que cê quer dizer quando verte uma camisa exaltando os opressores que te pisam?
O quê que cê quer passar pra pessoa que olhar pro seu peito e não entender de que lado você tá?
Mas não precisa responder Cê tá do lado de baixo Você é uma fêmea no cio e o Tio Sam é o seu macho Você é o capacho dos norte-americanos
Por isso ainda acho que existe algum engano Porque eu não me rebaixo a passear vestido Com a roupa do inimigo: os Estados Unidos."

in Gabriel o Pensador - filho da pátria iludido
(não encontrei a música no youtube)

O nosso sistema nacional de saúde não é perfeito, todos sabemos que apresenta graves lacunas, contudo há piores… e bem piores. Um dos países que mais abomino é os Estados Unidos da América.
Abomino porque adoram armas, são broncos, vivem da e para a guerra e muitas vezes metem-se onde não são chamados. Julgam-se os donos do mundo, ignoram toda a cultura e história de outras civilizações, são parolos, incultos, obesos e só mais uma vez, são broncos.
Permitiram os dois mandatos possíveis sucessivos, com a política do cowboy tirano Bush, mesmo depois das atrocidades que cometeu no primeiro, (à primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer).
Têm desportos estúpidos como futebol americano e wrestling.
Pensam que vivem o verdadeiro sonho americano quando na verdade vivem o pesadelo americano, pelo menos no fundamental, que é a saúde, graças a um sistema podre, escabroso e bárbaro, completamente controlado por companhias seguradoras que unicamente visam o lucro. Recomendo vivamente o filme Sicko, de Michael Moore, polémico realizador norte-americano, para melhor perceberem toda esta teia. Vejam o seguinte excerto, vão ficar abismados, revoltados, sensibilizados, vão deixar de, pelo menos por uns tempos, se queixar do nosso pobre país, que eticamente, afinal, não é assim tão pobre.

Se tiverem a gostar ou a odiar, neste caso vai dar ao mesmo, continuem, pois o youtube possibilitou todo o filme/documentário, deixo-vos aqui todas as partes, vale a pena, garanto-vos
G.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Palavras mágicas


A educação assume um papel preponderante na vida das pessoas, com ela tudo se torna mais simples, mais acessível. Grande parte das vezes nem damos por ela, é algo natural. Podemos valorizar o facto de alguém ser demasiadamente bem-educada, há quem elogie, há quem torça o nariz (acho que há um dito popular sobre isso, mas não me ocorre).
Quando num primeiro contacto me abordam sem o mínimo desejável de boas maneiras, apertasse-me logo o estômago, faço o que me compete, mas sem a prontidão e simpatia com que devia. Penso que há na Bíblia um versículo qualquer que diz para tratar o próximo com amabilidade, independentemente de este te ter tratado com indiferença ou arrogância. Se não há, deveria haver. Nem sempre consigo, mas tenho treinado. Às vezes as pessoas percebem e aprendem.
Desabafo sobre este tema porque em muitos turnos, o meu trabalho consiste em escutar as queixas de várias dezenas ou mesmo a passar a centena de pessoas, mediante esta(s), determino uma prioridade e um encaminhamento, a conhecida triagem de Manchester, onde se vira à esquerda (outros queriam que se virasse à direita, não percebi porquê), mas também porque entre as relações profissionais, deparo-me enumeras vezes com falta de educação. Ainda há bem pouco tempo alguém comentava num post recente, “e como é que vós tratais/chamais os auxiliares?” da minha parte peço desculpa se alguma vez tratei mal, a má disposição que às vezes trazemos de casa, reflecte-se no comportamento, nas maneiras, por isso se diz que os problemas ficam em casa, mas muitas vezes não ficam.
Entre profissionais...
Surge repentina uma administrativa e diz-me no corredor, Preciso falar com a Dr. T, Não sei onde está, respondo. Ficamos por ali, resposta ou reacção perfeitamente normal. Boa tarde! Viu a Dr. T? Precisava falar com ela, Olhe que não sei onde está, mas espere um minuto e já a ajudo. E encontraria a Dr. T, como é costume nos enfermeiros, temos a capacidade de encontrar toda a gente, nos mais inesperados locais. Cá está! A administrativa resolveu o seu problema com apenas mais umas palavras! Simples..
Entre profissionais e utentes…
Na triagem, Bom dia Srº Enfermeiro, olhe dói-me a barriga e já não dou de corpo há 3 dias, Mas dói-lhe muito, pouco?… é uma dor branda, suporta-se. Pela sua simpatia e boas maneiras, até permitiria uma pequena mentira se tivesse dito muito. Teria levado a pulseira amarela, mas como era sincera e percebia facilmente que há quem venha pior, foi ela própria, correcta, levando a verde.

A minha atitude arrefece logo quando entram, sentam-se e dizem secamente, Tou com gripe, doe-me a cabeça! Algumas vezes procuro dar no instante, subtilmente, uma lição de boas maneiras, entoando com decibéis aumentados, BOM DIA! Algumas enxergam e rebobinam, apesar de não ser um bom dia, fica sempre bem. Outras vezes, deixo passar, atendendo à possível distracção ou dor que a provoque. Mas como está a dor? Dói-me muito! Aumentando ela desta vez os decibéis, Se não me doesse acha que vinha para aqui?! Já vi quase tudo, penso, Olhe eu tenho que lhe fazer perguntas para poder triar da melhor maneira, há quanto tempo lhe dói? Começou há pouco, E tomou alguma coisa? Não tenho nada em casa. De 0 a 10, como está a sua dor? Imagine que 0 é sem dor, 10 é a pior dor que alguma vez teve, uma dor insuportável. Eh pá, então é 9, 10. Tu queres ver.. cefaleias, laranja.. é pra medicina, raciocino irónico… vão-me comer vivo!

(APARTE: Por estatística mental, 95% dos utentes na triagem, quando questionados através da escala de dor, nunca responderam menos de 7. Seriam todos laranjas… mas não são, porque os enfermeiros têm um 6º sentido, não há ninguém melhor que nós para conhecer, avaliar a dor, diariamente lidamos com ela, conhecemos-lhe as manhas, os silêncios, as expressões.)
Assim se percebe a importância das palavras mágicas: Bom dia, Se faz favor, Obrigado… mas sem exageros, ora vejam



Abraço
G.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Deixa andar...

APELO: Aos poucos que sabem e aos muitos que julgam saber a identidade do Guilherme, peço que saibam ser discretos. Muito boa gente faz as mais incríveis associações e teorias de conspiração. Esqueçam quem é o G! O G. somos todos nós, aqueles que gostam de um bom debate, de um bom tema, que gostam de pensar e no fundo divertir-se um pouco.



Cada vez mais me convenço que vivemos no país do deixa andar.
A lei do deixa andar aplica-se a vários níveis da vida pessoal, profissional, social e política.
O marido trai a mulher (ou vice-versa) e… deixa andar. As contas no final do mês começam a falhar, mas sempre dá para um empréstimo para um plasma e… deixa andar. Os filhos tiram más notas sucessivas, têm mau comportamento e… deixa andar.
O projecto de obras está mal feito e… deixa andar. As estradas andam continuamente a ser esburacadas e… deixa andar.
Os ministros falham sucessivamente com as promessas e… deixa andar. A Ana Jorge brinca com os enfermeiros e… deixa andar. O défice, a inflação aumentam e… deixa andar. O boy continua a arranjar o job e… deixa andar.
O processo Casa Pia arrasta-se e… deixa andar. O Pinto da Costa não paga pelos crimes e… deixa andar. O Glorioso não vai à liga dos campeões e… deixa andar, o Quique não mete o Cardoso e… deixa andar. (estas duas últimas foi para descomprimir um pouco)
A parte que mais nos toca: Nos hospitais faltam enfermeiros (já para não falar dos AAM, médicos, etc) e… deixa andar.

Vivemos num contra-senso… temos enfermeiros a ir trabalhar para a Irlanda, Espanha e Austrália, a ir para pastelarias, lojas do shoping, etc, enquanto que por cá, pelos serviços, continuam a faltar. Esta é a base do problema, mas o que me traz por cá nem é isso.

Como devem imaginar, os enfermeiros também adoecem, facilmente tem problemas físicos e psíquicos. Outro dia li uma expressão do nosso pensador “Melga” – enfermo(eiro) no post Euromilhões dos hospitais…. E de facto esta associação de enfermo com enfermeiro faz todo o sentido. Os enfermeiros andam doentes e ficam doentes quando têm que trabalhar com menos elementos devido à falta de quem efectivamente anda doente.

Existe um serviço do hospital que tem um plano de trabalho composto por 9 enfermeiros de manha, 9 à tarde e 6 à noite. Deve pensar-se que à noite os doentes deixam de o ser, portanto 6 enfermeiros é mais que suficiente. Claro que 9 é impensável, mas 7 é o mínimo que se pode pedir. Este também é um grande problema, mas mais uma vez o que me traz por cá nem é isso.

O que me traz por cá é sentir e viver a revolta de uma equipa que se vê privada de outro elemento apenas porque não houve possibilidade de o substituir em virtude da sua falta por doença, ou doença fictícia (não sejas assim Guilherme, isso é outro assunto).
9 já são poucos.. agora 8?!!

RT vai faltar o Feliciano, ligou agora mesmo! Tamos fo&#’%s.. Liga ao ERC, pode ser que resolva! Ao ERC?! Ainda acreditas no pai Natal?

Mas não resolve e… deixa andar
Quem leva com a fava?! Quem lá está… redobram-se em esforços, tapam buracos, andam a 200 à hora para ir desenrascando, porque no desenrasca também somos bons.

Alarme! Catástrofe! Multi-vítimas!! Um acidente ali nos acessos da A28 com 10 politraumatizados!! Eh pá e agora?! Ainda por cima a Joana foi levar um doente a Braga! Tamos fo%#’&s mais uma vez. Vamos chamar os colegas do Bloco que estão em prevenção, como o Melga disse! Melga?! Mas quem é o Melga?! Oh pá é um gajo que tem umas ideias fixes! De facto… ponham esse tipo a presidente do conselho!

De prevenção não sei se estão, agora que os colegas do Bloco são intocáveis, disso não tenho dúvidas. Alguma vez foram mobilizados?! Não me parece, mas posso estar enganado... a ver se aparece por aqui algum bloquista a defender-se... Abram alas como diz o nosso Noddy.

Não nos esqueçamos, mal ou bem tudo se vai fazendo, vai-se desenrascando, os “gestores” depressa concluirão, Ora se um faz o trabalho de dois, em vez de aumentar vamos é diminuir o rácio.
Boicote!!
A todos aqueles que trabalham por 2 e por 3

G.

Nota: RT – responsável turno; ERC – Enfermeiro responsável ao Centro

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Crónicas estapafúrdias vol. III - Dr. M&M


Não se trata de algum médico viciado em M&M, o M está associado ao facto de ser um apaixonado por música e por coincidência associado também ao seu próprio nome... Passo a explicar,
O Dr. M&M é um médico calmo, acho que nunca o vi a subir o tom de voz, acorda todos os dias as 6h para dar a sua caminhada e mergulho matinal, o seu momento Zen. Tem bom gosto.. Mar e musica, novamente o M&M… Curioso.
A Dona Prazeres tinha passado o dia muito bem-disposta, gostava de meter conversa com as enfermeiras para falar das novelas. Já tinha recuperado de um edema agudo do pulmão, mas chegando a noite a conversa era outra.
Mitologicamente, a noite corresponde às trevas, ao lado negro, ao diabo. Não poderia deixar de fazer todo o sentido, pelo menos para os enfermeiros e doentes com idades mais avançadas, como a Dona Prazeres. Por muita lucidez que os nossos idosos possam ter, caindo a noite, caem muitas vezes também os seus sentidos de orientação e percepção. A agonia, a agitação está instalada, estão numa cama estranha, rodeados de estranhos, estão num mundo novo, obscuro e desconhecido. Ninguém acalmava a Dona Prazeres, nem mesmo o haloperidol atenuava o seu desespero. A enfermeira só desejava nunca mais fazer noites, ou outros doentes, pediam saturados, Alguém que lhe ponha uma venda na boca, por favor!!

O Dr. M&M fazia endoscopias, costumava perguntar, Quer com ou sem música? Surpreendidos respondiam, Oh dôtor, você é que sabe… Então vai com! E cantava… É uma forma original e inovadora de tranquilizar num exame que de tranquilo nada tem.
Cantou também ao ouvido da Dona Prazeres, num novo esforço de tréguas, chamada a terapia da música ou musicoterapia, para ser mais técnico,

Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim,
Tudo o que eu sonhei,
Tu serás assim,
Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim e tudo o que eu te doooou…


Só faltavam os óculos escuros…
E a Dona Prazeres adormeceu ao som do refrão do poeta Abrunhosa

Nunca percam a originalidade!
Um abraço
Espero as vossas crónicas ansiosamente.
Nota para os não profissionais de saúde (leigos soa mal) – haloperidol é um medicamento neuroléptico para tratamento de sintomas psicóticos, utilizado para controlar agitação e agressividade.
G.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Helpo - O nosso mundo é humano


Natal!! Época de sonhos, fantasia, presentes e alegria!! E... no topo do pinheirinho, hipocrisia...
Dar, receber, dar, receber, o rebuliço dos presentes, às vezes não recebemos e ficamos discretamente intrigados. Altura remotamente pré-definida para pelo menos uma vez no ano tentar ou fingir ser generoso.
E se neste Natal em vez de recebermos presentes, recebermos sorrisos?!
Nunca se questionaram,
Será que o que eu faço é suficiente?
Será que não devo deixar uma marca nesta breve "passagem" da minha existência?
Será que não posso contribuir para tornar alguém menos infeliz?
Será que não devo participar numa causa maior? (sem querer plagiar o Modelo)
Será que não posso possibilitar oportunidades a alguém?
Será que não posso provar que a humanidade ainda não é completamente indiferente?
Será que não posso dar o exemplo?
Aos nossos filhos..

Os nossos filhos têm oportunidades, aos nossos filhos damos playstations e gameboys, GiJoe's e Barbies, telemóveis, bicicletas e às vezes motas e carros. Aos nosso filhos damos amor, carinho e atenção; damos lápis, canetas e cadernos, damos roupa de marca e sapatilhas Nike e Adidas.
Este Natal tornem os vossos filhos mais humanos, menos materialistas, é a melhor prenda que algum dia receberão. Não estou de forma alguma a julgar a educação que lhes damos, mas todos vemos o exagerado egocentrismo das crianças dos nossos dias. Sentem-nos à vossa beira e contem-lhes uma história:
Era uma vez uma menina chamada Ana. A Ana tem 7 anos e vive em Moçambique, um país pobre em África. Em África as crianças morrem de fome e de falta de vacinas. A Ana não conhece os pais, apenas uma irmã que ajuda a cuidar dela. Anda na 2ª classe da escola primária de Namialo, às vezes não tem sala de aula, aprende no recreio, anda descalça porque não tem quem lhe dê umas sapatilhas. Adora a escola, é muito atenta e tem bom comportamento. Este Natal o que ela mais queria era uns lápis de cor, porque adora pintar. O seu sonho era ser pintora.
E se este Natal tivermos menos prendas para darmos um presente também à Ana?! E se juntássemos todos os meses um dinheirinho para a Ana e os amigos terem material para a escola e puderem ter mais roupa e comida?!

Não tenho dúvidas que concordariam de imediato.
Neste Natal visita http://www.helpo.pt/ e entra no programa de apadrinhamento de crianças à distância ajudando crianças como a Ana, porque “o nosso mundo é humano”
Feliz Natal para todos!
Beijos e abraços.
G.