quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Enfermagem multi-usos


Pois então desenganem-se aqueles que pensavam que este blog era exclusivo à sátira da classe médica! os principais culpados do elitismo dos Senhores Doutores, caros colegas enfermeiros, somos nós!! repito, somos nós! e isto está mais que provado.. enquanto continuarmos a julgar que tiramos o curso de "Enfermagem multi-usos" e que conseguimos e devemos fazer o nosso e o que não é nosso, não vamos longe.. porque não nos concentramos no domínio das nossas acções? ainda tanto temos a progredir.., .. enquanto continuarmos a servir de amparo sistemático aos médicos, não vamos longe.. (dou-vos um exemplo simples, inventado, mas com contornos reais : Dr W após alguns minutos de procura, pergunta ao Sr. Enfermeiro onde está o processo do Sr da cama 27, o senhor enfermeiro responde durante a massagem à zona de pressão no calcanêo do Sr Celestino, "Deve estar mesmo ai à sua beira doutor!" "Olhe que não" returque confiante. Enfermeiro interrompe a massagem e dirige-se ao processo que afinal estava mesmo ali à beira e entrega ao Sr Dr... PORQUÊ?? Por que é que não respondemos "procure! se tivesse disponível até o ajudava".. por que é que temos que servir de maezinha que encontra tudo em casa?!
..ou então após duas tentativas sem sucesso o Sr. Dr volta a pedir as folhas de internamento ao enfermeiro, mas desta vez como se tivesse a pedir ao seu filho de 6 anos pela 43ª vez pra ir lavar as mãos que eram horas de jantar "Eu quero as folhas de internamento!! ora aqui podemos ter várias hipóteses de resposta:
a) voltar a fazer de conta que não ouvimos
b) "vá ver se eu estou no messenger"
c) "quer ver que se calhar tão aqui no bolso! ahhh.. afinal não.."
d) "vá ver se eu estou com o Sr Celestino"
e) "será que eu tirei o curso de administrativo e estou aqui a cuidar de pessoas?! tu queres ver?!
ou então.. e parvoíces aparte, simplesmente:
f) "não é da minha competência"
por muito que me custasse e porque sou uma pessoa de bem, teria que escolher a f)
Agora por que é que não se consegue enfrentar o problema e não ir de facto buscar a merda da folha??! tiramos o curso para tratar pessoas doentes ou tratar das vontades de outros?! Mudemos de atitude! Sejamos inteligentes! Atitudes inteligentes mudam mentalidades..

Nós de facto regulamos todo um funcionamento do hospital, temos que ser realistas, sem qualquer tipo de presunção, o hospital vive dos enfermeiros, como o coração vive das artérias, recordo até uma mente médica brilhante que terá afirmado qualquer coisa deste género "O que seria deste hospital sem os enfermeiros?!" confirmo que sem qualquer ponta de ironia.. quando assim é, merece o elogio.. foi mesmo brilhante.
Mas podemos continuar a ser parte vital do funcionamento hospitalar sem nos rebaixarmos, sem que nos façam passar por humilhações.. não! não pensem que é termo exagerado.. é mesmo assim.. assisti.. experienciei..
Agora companheiros, o problema começa no nosso próprio meio! Vejo tanta amargura.. parece que às vezes estamos todos uns contra os outros.. parece não!! Estamos! Os de ortopedia mulheres contra os homens, os de cirurgias contra os de especialidades, os de medicina contra os da urgência, os intensivos contra o bloco, as de neonatologia contra as de pediatria........... e todos uns contra os outros.
Por que é que não fazemos uns jogos sem fronteiras?! Ou então uma liga de Serviços com respectivo totobola e tudo!.. ora, medicina p7 vs ginecologia 1, cirurgia 2 vs Unidade Exames x, Bloco vs Consulta externa x, Intensivos vs oncologia 2, Urgência vs Morgue 1, e resolvíamos a questão?

Por que é que ficamos ofendidos e decidimos participar uns dos outros quando recebemos um doente com a fralda suja? eu sei que não é fácil de digerir.. mas as falhas resolvem-se dialogando.. Será que alguém é verdadeiramente enfermeiro ao aperceber-se que o doente necessitava de uma higiene, mesmo antes de ir para outro serviço, por muito trabalho que tivesse?! eu acho que não é.. claro que isto leva à eterna discussão.. e é um pormenor.. mas é importante.. várias questões se levantam e desde aguardo-as (vá lá, confessem-se)
Agora que me digam que ponderaram "recambiar" um doente, porque ele tinha uma mancha de sangue no lençol?!.. não consigo perceber.. só demonstra a tal amargura que la para cima referi.. felizmente a colega ponderou bem.. mas nem devia ponderar!
Depois acontecem episódios tristes mas hilariantes, como quando um saudoso colega recebe um telefonema, onde questionavam o porquê de o doente recebido não estar algaliado e após discussão, prevalece ou deixa-se que prevaleça a ideia de que o doente deveria ser algaliado pelo serviço de origem.. e assim foi.. mas neste caso o serviço de origem foi ter com o doente.. ou seja este colega subtilmente, traz consigo o material e coloca no outro serviço a sondita ao doente.. mas no fim fez questão de passar pelo colega reclamador (que por acaso estava a relaxar na copa) e atirar: "Adeuzinho, está algaliado o senhor" eu acho que me iria custar a digerir.. e a vós?
Até breve
Aguardo os vossos comentários!! senão não tem piada!
G.

15 comentários:

  1. Caro, colega Guilherme!
    Depois de uma curta visita pelo seu blog não podia de manifestar a minha solariedade acerca de muitas questões por si abordadas, principalmente no momento de descontentamento, desalento e desmotivação que vivemos em enfermagem neste momento, e tenho a certeza que a maioria dos colegas tambem o vivem.
    E isso não só pelas grandes mudanças que nos esperam as quais nos vão ser negados direitos conquistados a pulso ao longo de muitos anos e com o esforço conjunto de gerações de enfermeiros, mas tambem pelo dia a dia que vivemos nos nossos locais de trabalho em que ás vezes parece que travamos grandes batalhas de sobrevivência.E sobrivemos a politicas castradoras de administrações economicistas, sobrivemos a chefias aliadas ás administrações e ás muitas tarefas que não nos competem mas que continuamos passivamente a exercer e que nos gastam tempo precioso para cuidar dos doentes.
    É em todos os dias experimentamos ou assistimos a cenas por si descritas, em que durante um dia de trabalho ouvimos chamar Srºenfº preciso disto;onde está isto e aquilo, e que se repetem sucessivamente. E de onde vem esta necessidade constante da nossa presença, será que as herdamos dos tempos da Florence e de gerações de enfermeiras/freiras tão prestáveis e submissas, pode até ser mas a sua continuidade e a sua extinção depende de nós.
    Mas se uns dias remamos contra a maré, outros deixamo-nos ir com ela.
    E porque eu Não quero deixar de ser enfermeira, mas SIM quero deixar de ser: auxiliar médica ou de enfermagem, secretária, administrativa, técnica de farmácia, gestora de stocks, de eqipamentos, psicologa, técnica de informática, electricista, porteira, barbeira cabeleireira, pedicure,etc....

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  2. ola!!
    Em comentario a ultima parte do teu texto, na minha opiniao é com tristeza que olho para a "classe" de enfermeiros (e ponho "" porque de classe temos mt pouco)... Se em vez de nos preocuparmos com essas mesquenhices de que falas, o dte vem assim, n fizeram isto... o discuro q bem deves conhecer!!!! enfim:( e se fossemos mais UNIDOS tenho quase a certeza que mts lutas q ultimamente a nossa profissao passa conseguiriamos conquistar os nossos direitos...
    Acho q ta na altura de nos unirmos.... O q mais me irritam é q apontam quando algo falhava a outro colega, mas devemos ter sempre presente q quando apontamos 1dedo a 1 colega temos os restantes dos dedos da mao a apontar para nós....

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  3. Ora aqui está uma reflexão pessoal que manifesta o que todos pensam, mas que ninguém, ou mais correctamente poucos, a encaram como a atitude a seguir!! É tempo de dar o salto... acompanhar a mudança que é necessária e fundamental, para definitivamente, ser exigido o respeito que merecemos, em prol do salutar desempenho profissional! Vamos manifestar, apontar e exigir a mudança do que não está bem!! Este blog era permente... Estarei por cá... dignificar é a palavra de ordem!
    Um abraço Guilherme!!

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  4. ola colega!!!
    este é um blog que todos os enfermeiros deveriam ler, pois escreves mts verdades do nosso dia-a-dia, que nos leva a reflectir sobre o que fazemos e atitudes que tomamos para com os nossos colegas de profissao... é lamentavel as "guerras" e mesquinhices que vivemos entre pessoas da mesma classe profissional....
    Ainda hoje ocorreu no meu posto de trabalho uma situaçao semelhante às que descreves... Mas pior do que nós criticarmos o trabalho de outro serviço, são as chefias que ouvem as "queixinhas" dos colegas e se dão ao trabalho de ligar para o outro serviço a fazer queixa a chefe do outro serviço sobre algo q aconteceu....
    Para ser mais concreta, hoje o meu serviço levou ao Bo o doente do 1º tempo operatorio, o dte disse ao colega do BO q o soro lhe estava a doer 1 bocado... passado pouco tempo de o doente ter dado entrada no BO, a chefe do bloco liga para o piso para dizer a enfª-chefe que o doente levada um cateter nao funcionante.... Onde é q nos estamos?? seremos perfeitos e senhores do saber q podemos apontar o dedo ao trabalho de outro colega??? Isto é RIDICULO... Mas mais ridiculo é as chefias alimentarem estas "guerras" e estas mentalidades retrogadas... Deu-me logo a volta ao cerebro e pensei logo no teu blog...
    Antes de criticarmos deveriamos pensar no momento seguinte podemos ser nós a errar...

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  5. "Mas pior do que nós criticarmos o trabalho de outro serviço, são as chefias que ouvem as "queixinhas" dos colegas e se dão ao trabalho de ligar para o outro serviço a fazer queixa a chefe do outro serviço sobre algo que aconteceu...."
    por estas e por outras é que às vezes gostaria de deixar de o ser..nem mais!

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  6. ainda pior são os chefes que nos obrigam a fazer relatorios de incidentes a denunciar colegas por mesquinhices ainda mais insignificantes que essas!

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  7. Caro Guilherme:Embora não sabendo quem tu és,certamente já trabalhei contigo.Identifico-me perfeitamente com tudo o que tu escreves. Conheço perfeitamente as "vivências" desse local que em tempos já foi um paraíso, e do qual lamento profundamente não ter saudades.Recordo-vos a vós, isso sim com saudades, e recordo momentos girissimos em que nos divertiamos com os disparates desses senhores "alfabeto" que tão bem idêntifico.Bem haja. Continua a pisar calos. Eles não gostam!!!!...

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  8. Hj estou com alguma pressa... ja li vários textos e nao consigo deixar de pensar... como é que só agora soube deste blog? penso ttas vezes assim... "porque deixei de ser enfermeiro ou melhor, porque é que às vezes gostaria de deixar de o ser.." amo a minha profissao mas, em apenas 4 anos, ja pensei tts vezes nisso... até agora... o cuidar dos doentes, estar para eles tem prevalecido... até qdo?????

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  9. a cada um aquilo que merece22 de novembro de 2008 às 21:56

    a divisao da classe nao se deve as pessoas, mas aos profissionais e estes foram forma(tados)dos muito novinhos de tal forma que deixaram de questionar e automatizaram os comportamentos,dos quais o mais relevante é a responsabilidade sobre o doente de tal forma que basta alguem dizer que este vai ser prejudicado, que todas as reivindicações caem por terra(do mesmo modo que basta dizer a um menino que vai para o ceu e este logo adquire o comportamento que dele se dejesa, ou então outra melhor - e se fosse a tua MÃE......esta e mesmo forte... e pega sempre... ou não... bem seja como for com este peso na consciencia são todos manipulados e usados por todos senao vejamos: quando se mostra o que ganha a classe dirigente logo todos se revoltam e se unem contra eles, situação aproveitada pelo chefe para afirmar que faz o possivel e o impossivel para defender os enfermeiros, para pedir mais enfermeiros, até auxiliares mellor e mais material mas a administração nao deixa, entretanto, os manipulados apoiam o chefe.
    Outro modo eficiente é a promoção de alguem a assistente de chefe porque um manda arrumar frascos e o outro vai, minando a coesão do grupo ou seja a tecnica de dividir para reinar. O toque final surge quando o chefe descobre o "lambe botas" deste modo tudo o que acontece no serviço vai ter como chefe e este controla demonstrando a cada na melhor oportunidade, que lhe fica a dever um favor, com a promessa de que será cobrada. poe hoje é tudo com a promessa de que haverá mais

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  10. se nos deixasemos de guerras,porque já sabemos o historial do DR.X,e se nos unissemos mais na reenvidecação da grelha salarial dos nossos colegas e na avaliação de desempenho?E se nos unissemos mais quando estamos a executar as nossas funções e houvesse mais espirito de equipe...

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  11. Quanto aos jogos sem fronteiras, vou falar um pouco sobre as famosas controvérsias entre SUxMedicina.
    Não é que eu concorde com estes atritos entre as diferentes equipas de enf. do hospital, mas existem situações que de facto só revelam a falta de respeito q os colegas do SU têem pelas equipas dos internamentos (não são todos os colegas, mas alguns).
    Aquilo q mais me chateia é saber desde as 18h q vamos ter uma admissão do SU( uma vez q no SAPE o dt já aparece internado no serviço) e este chegar às 22:55.
    Eu sei, também tenho alguma experiência de trabalho no SU), q não existem rotinas nesse serviço, q a transferencia está feita "administrativamente" mas o dt ainda está à espera de fazer uma ECO/TAC ou de resultados de análises. Também sei q no SU os dts são recebidos 5 minutos antes da passagem de turno e até mesmo durante a realização da mesma. No entanto, se por parte dos colegas existisse um pouco mais de sensibilidade em vez de estarem "à espera" dos últimos 15 min. do turno para enviarem o dt para cima, poderiam fazê-lo com mais alguma antecedência (não e preciso 2h, bastam 30/45 min.) Assim, não estavamos sempre a sair 30 e mutas vezes mais minutos depois das 23:30- fim da passagem de turno) concerteza os colegas do SU tambem gostam de sair a horas (até porque desde que nos tiraram a PT, cada vez que saio 5 minutos atrasada sinto que estou a ser roubada pela intituição) e o dt seria muito melhor acolhido no serviço, uma vez que a sua admissão não seria feita a "correr".
    Esta "guerra" é muito antiga (desde que comecei a trabalhar, e não foi assim há tão pouco tempo como isso, esta situação acontece). Já assisti a episódios de chefes dos referidos serviços insultarem-se via telefone, já assisti a insultos mutuos entre colegas dos referidos serviços por situações como esta.
    Não concordo com esses comportamentos e jamais tive um comportamento como esse. Penso só que se existisse um pouco mais de sensibilidade dos colegas do SU(de alguns colegas, não são todos!!) estes atritos eram resolvidos.
    Se calhar a alguns colegas o que fazia falta era virem uns tempos trabalhar na medicina. Talvez aí vissem as coisas de outra prespectiva.
    Ah, outra coisa.... se calhar alguns colegas não consideram isso uma urgência...mas providenciem refeições aos dts que ficam horas e horas no SU.
    Acontece frequentemente o dt subir à 1h ou 2H e estar no SU desde as 14h e sabem quantas refeições ingeriu???? 0 zero...(já sei que teve que estar em jejum para fazer ECO/TAC), mas no fim excluindo os dts com protocolo de AVC e outras raras situações, não precisam de estar em dieta nula!!! Como devem saber, no internamento a ementa a essa hora passa por uma chávena de chá e um pacote de bolachas (quando a copeira deixa na copa)!!! Já várias vezes abdiquei da minha ceia para dar a um doente que chega a essa hora e só pede "por amor de Deus, arranje-me qualquer coisa para comer"!!! Não acho que mereça receber uma medalha por fazer isso, em primeiro porque a ceia também não é propriamente uma manjar dos deuses, mas como se costuma dizer "quem dá o que tem a mais não é obrigado".
    Vamo-nos por no lugar do doente, se fosse conosco ou algum familiar nosso, também não gostariamos que isso acontecesse....



    Para finalizar, estou a gostar imenso deste blog.... Parabens Guilherme!!!

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  12. Cara MIKITO
    Finalmente recebo um comentario de uma colega que identifico perfeitamente como pertencente aos Serviços de Medicina!! isto porque ja poderei ter recebido sem saber... Infelizmente não tenho os vossos emails... gostaria de os ter para juntar à lista de contactos do Guilherme, para serem notificados de novos posts e assim entrarem no(s) debate(s). Mas vejo que o blog de certa forma ja ai chegou! Mais uma vez estou RADIANTE!

    Acho que a generalidade dos colegas do SU respeita os colegas do(s) internamentos(s). Eu pelo menos devo dizer que admiro o vosso trabalho, que decerto é bastante desgastante a todos os níveis. Não me lembro de "enviarem" um doente às 22:55, mas também não trabalho 24h... portanto acredito que (raras vezes) o façam. Sempre temos esse cuidado (volto a frisar, a grande maioria) de não encaminhar o doente poucos minutos antes da passagem de turno.
    Mas agora repara:
    »muitas vezes há pressões "externas" para o doente subir.
    »muitas vezes já andamos ha 3, 4, 5, horas a "implorar" ao maqueiro que leve o doente. digo implorar porque às vezes parece que nos estão a fazer um favor (mas isso são outras histórias)
    » muitas vezes ou a maioria das vezes, o doente sobe a essa hora, porque a vaga em OBS é mesmo precisa pra outro doente, que provavelmente está há horas em coma na admissão, com N doentes lá "entupidos"
    » muitas vezes (sendo um internamento de um doente da admissao) é preciso retirá-lo de lá, porque é preciso espaço para encostar outra maca

    é triste, mas é mesmo assim..
    estas coisas deviam vos ser ditas, porque não acredito que mandem um doente às 22:55 de má fé, esperando que voçes saiam 20 minutos depois do tempo ( nós também saimos e sabemos o "roubo" que poderá ser, principalmente depois do fim da PT como tu muito bem referes).
    Também não percebo porque é que o colega que recebe o turno deixa-te a cuidar desse doente que subiu tarde e não te vai substituir.. acho mal.. é um pouco o espirito de equipa ou a falta dele.
    Quanto às refeições, mais uma vez concordo contigo
    Mas repara mais uma vez
    » os erros acontecem e esses sao frequentes, isto porque é impossivel muitas vezes, controlar tudo. Esse doente que chegou ao teu serviço cheio de fome provavelmente veio da admissao, e eu costumo dizer que a admissão às vezes mais parece o Vietname... sim seria um bom titulo para um post.. apenas nos ocupamos com técnicas, e nem chegamos a conhecer os doentes, apenas queremos "despachar" mais uma vez é triste o termo, mas é mesmo assim. Agora que muitos doente passam fominha é lamentavel mas é verdade.. mas se a urgencia tivesse mais enfermeiros e auxiliares, as coisas seriam muito mais simples.... mas isso tambem sao outras historias
    Beijinhos e volta sempre! e se quiseres manda mail pro meu mail guilhermedecarmo@iol.pt com vossos emails

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  13. Sei que este tema já tem algum tempo mas não posso deixar de me manifestar. E fico consternada por perceber que, na maioria dos comentários, continua a ser bem expressivo que cada elemento só pensa em si próprio, não pensa na globalidade do sistema e acima de tudo, na responsabilidade que deve ter. Não quero com isto dizer que não concorde com o que foi dito, mas muito mais há a reflectir sobre cada um de nós.
    Um dos pontos que considero importantes é que reparamos muito nas atitudes que os outros colegas têm. E já pensamos nas nossas? Será que nunca nenhum de nós criticou atitudes de colegas indevidamente ou sem analisar melhor a situação? Todos nós temos tendência para falar do passo do colega do lado, mas não analisamos as dificuldades que ele teve para dar esse passo, tal como nos acontece a todos. Se um colega não quer receber de imediato um doente, se calhar é porque ainda tem que dar uma data de altas e vai ter novo doente "encostado". Ningúem funciona sózinho, tudo depende de um sistema, e um sistema que tem muitos erros. Mas também é verdade que muitos colegas querem é empurrar o serviço e não pensam ou não questionam a razão pela qual o colega age de determinada forma. E não seria mais fácil haver comunicação entre os colegas? Custa muito perguntar: Dá? Não dá? Quando pode ser? Tem que ser, é urgente! E porquê?
    Na classe tudo á dificil, basta começar pela identificação das pessoas ao telefone, pois é uma minoria que se identifica, e uma grande parte quase recusa dizer quem é.... parecendo que se escondem atrás de um telefone. Não será a falta de comunicação um grande problema base? Mesmo esses ditos doentes que o SU envia para os serviços... não seria mais fácil gastar 1 mint a avisar que dentro de x tempo vão subir n doentes? Os colegas do internamento também poderiam programar o seu internamento.
    E Recuando um pouco.... com essa falta de comunicação, as pessoas ficam a barafustar e como é óbvio apresentam a sua versão. Mas todas as histórias têm 2 versões e ambas podem não estar correctas. E esses chefes que se insultam só demonstram que de chefes só têm o ordenado, nem o nome lhes é digno.
    Para mim, na base desta questão do "empurra o doente" NUNCA se deveria colocar a questão "e se fosse um dos nossos?". Isso quer dizer que quem já não tem "nossos" não tem problemas em esquecer o melhor apoio ao doente.... Devemos é pensar que estamos no trabalho para desempenhar algo, para exercer as nossas funções, independentemente de quem é, independentemente dos "Se". Temos que ser acima de tudo bons profissionais e isentos de determinadas mesquenhices.
    Mas concordo também que faz parte do ser humano criticar o outro, mas se não for construtivo, era bom que todos tivessemos o cuidado de o fazer em privado, como desabafo, mas sem ofensas aos colegas, pois amanhã o papel inverte-se e não gostamos. E só não acontece a quem não trabalha.
    E para terminar, indo ao inicio do texto do blog... concordo que os enfermeiros fazem muita coisa que não é da sua área mas sim de outras. Mas um facto não é referido. Todos se queixam de serem AAM, administrativos, maqueiros..... mas nenhum se queixa de ser "médico", pois o erro de muitos enfermeiros começa por QUEREREM fazer actos médicos e até se gabam muito disso. Se for para entubar um doente ou outra tarefa deles ficam muitos satisfeitos parecendo heróis mas as suas tarefas como dar banhos evitam. E se fazem actos médicos, porque se sentem comprometidos ou furiosos por fazer actos de outras classes? Seria algo interessante a pensar.

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  14. Cara anonima, concordo com tudo que dizes. Só ha um senão... telefonar às vezes não passaria de um acto de cortesia. Se houvesse tempo para planear tudo, concordo contigo, mas muitas vezes é impossivel.. como disse por ai, não são só os enfermeiros que querem "empurrar" os doentes internados, há todo um conjunto de pormenores. Mas realmente tratamo-nos muito mal, falta de comunicação, respeito, etc etc.. é por isso que eu cada vez mais desacredito na nossa "classe".
    Beijinho e volta sempre

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