segunda-feira, 25 de abril de 2016

Relíquias, d(os) doentes!


Os doentes não nos oferecem apenas momentos de stress, oferecem-nos também, além dos contributos para a experiência profissional, momentos de humor e sabedoria popular, entre outros.
Uma simpática senhora, brindou-me, a propósito de já nem sei o quê, com o seguinte cantar. Ficou animada com o meu interesse e perguntou-me, Quer que eu o escreva Sr Enfermeiro? Nem é tarde nem é cedo, este é digno de Blog, para figurar no meu álbum de recordações, pensei. Então escreva você, que eu vejo mal e assim foi:

Havia em Fafe um doutor
Personagem de valor
Mas de génio exaltado
Um dia meteu-se num restolho
Levou um soco no olho
E teve de ser operado

Onde foi fazer a operação
Disse-lhe o cirurgião
Já um tanto comovido
Colega tem de ter paciência
Mas para bem da sua existência
Tem que pôr um olho de vidro

Onde foi comprar o olho
Disseram-lhe para pôr de molho
À noite, quando se fosse deitar
Para que de manhã ele entre
Sem ter que se magoar

O patrão disse ao criado
Põe um copo bem lavado
Em cima da cabeceira
E depois tirou o olho
Pô-lo no copo de molho
de estimação verdadeira

Mas era Verão e fazia calor
E o bondoso do doutor
Acordou meio zarolho
E tendo da sede mágoa
Deitou mão ao copo de água
- Catrapuz - engole o olho

Mal se acaba de deitar

Diz que sente rabiar
Uma espécie de lombriga
Começou a sentir dores
E a evacuar sem poder
Era tal o sofrimento
E com vergonha o doutor
Chamou o criado para ver

Quando o criado entrou
E seu patrão encontrou
Em certa posição, berra
Tenha cautela ó patrão
Porque nessa posição
Perdeu a Alemanha a guerra.

Ó rapaz vê se te ajeitas
E pelo buraco espreitas
Qual a dor que me devora?
O rapaz espreitou com jeito
Ó patrão é um sujeito

Que está com um olho à porta
Que quer sair cá para fora

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