terça-feira, 4 de abril de 2017

Mini-resenha histórica da Guerra OE-SEP

Vivem-se momentos conturbados em enfermagem. Temos que ver o lado bom da coisa, pelo menos falam mais em nós, pode ser que se vire a nosso favor..
A relação entre Sindicato (*) e Ordem dos Enfermeiros (OE), como dizem os nossos primos brasileiros, nunca foi muito amistosa, era marcada, a meu ver por uma pseudo-tolerância e sorrisos amarelos. Agora estalou o verniz de vez. Façamos uma mini-resenha histórica:

Tudo começou na Assembleia Geral (AG) da OE, onde se previa barulho, depois da polémica "As contas da Ordem" na TVI. Coloquei seriamente a possibilidade em lá ir, mas a distância e outros compromissos demoveram-me. Pelo que se leu nas redes sociais, consta que de um lado havia a "facção" OE e do outro a "facção" sindicato.
A "facção" OE queixa-se de que o Sindicato organizou uma "facção" do Contra. Muitas vozes se ergueram a reprovar o facto... eu aplaudo. E porquê?
Não terá o OE também se organizado para ter uma votação de aprovação massiva? A AG aconteceu no dia 25 e nesse mesmo dia, na véspera e no dia seguinte havia o Encontro dos Órgãos da OE com os ELOS em Sesimbra. Este Encontro normalmente realiza-se logo no início do ano, com o objectivo de o planear, desta vez foi já perto de Abril, logo no momento da AG, coincidências?! Falemos um pouco desse Encontro.


Tá falado...
Depois de tudo o que se disse dos dinheiros gastos na OE, custa um pouco ver isto. Cada um que faça as suas reflexões.
Voltando atrás. A meu ver, caso o SEP se tenha mesmo organizado, respondeu na mesma moeda. Manifesta-se contra esta direcção e tem toda a legitimidade, porque efectivamente além de os colegas que lá apareceram serem sindicalizados, antes disso também são membros da OE, com direito de voto, tal como os outros. Vejo estes colegas, além de interessados num bem comum, que é a melhoria das condições para os enfermeiros, preocupados também com a verdade e transparência na OE. Quem os critica, está a pôr em causa a sua consciência, pois eu não acredito que alguém tenha lá ido votar, sem o ter feito em consciência e de livre e expontânea vontade. Não acredito que alguém tenha perdido grande parte de um sábado a mando de alguém, para um voto no não, só porque sim. Se houve alguém ou alguns que tenham organizado um movimento ou ajuntamento, tanto melhor.. nós só lá vamos organizados.

Sobre a AG propriamente dita e pela informação que tive acesso e pelo que li, na minha opinião, foi uma meia vergonha. O relatório de contas foi chumbado com 232 votos contra, 183 a favor e 7 abstenções, mas no momento de votação do plano de actividades e orçamento para 2017, a grande maioria dos enfermeiros do contra, já tinha abandonado a sala, porque tinham que estar nos autocarros cedidos pela OE, às 20:30, para partir rumo a norte. Esta informação foi inclusivamente relembrada pelo presidente da AG, não tivessem os enfermeiros esquecidos que tinham que se pôr a andar, para pelo menos meia parte da AG correr dentro do desejável! Resultado: 174 votos a favor, 25 abstenções e 1 contra. A conclusão que eu faço é que, o plano de actividades e orçamento para 2017 foi aprovado devido à falta de organização da AG. A AG terá já começado tarde, andou-se a perder tempo em discussões inusitadas e discursos que deveriam ter durado 3 minutos, mas duraram 30, mesmo com a Assembleia em assobio. Adivinhem de quem terá sido.

A guerra continuou e continua, com a vontade expressa da OE em querer ser observadora nas negociações entre Sindicatos e Ministério. Na minha opinião também tem toda a legitimidade em querer sê-lo. Não pode, mas tem o direito em querer. Não pode porque não é legal, nem está inserido naquilo que deveriam ser as suas funções. Se outros o fazem, é com eles. Querem alterar isso? Sugiram a discussão e a mudança da lei. As negociações só por si já são difíceis, imaginem então com alguém que não tem sido muito aliado, nas costas a inspeccionar. Eu se fosse "negociador" não me iria sentir muito à vontade.
Depois da nega, surgiu o ataque directo ao SEP,


Aqui confesso o meu medo e incredulidade. Perante: "a Ordem irá exercer a sua regulação sobre todos os enfermeiros e estará atenta à actuação dos dirigentes sindicais nos seus locais de trabalho", teremos que pensar seriamente com quem é que estamos a lidar? Quem é que nos está a representar? Quem tal afirma, só poderá ser perigoso(a) e vingativo(a). Recuamos ao tempo em que os sindicatos moviam-se na clandestinidade?! Vigiados e intimidados?
Isto faz-me lembrar aquele cliente que é barrado pelo porteiro, à entrada de um bar, por não reunir as condições necessárias para entrar, mas não desiste, chama a polícia e ameaça: "Não perdes pelas demora!" hic!
O ataque foi incompreensivelmente apenas dirigido ao SEP, no entanto pela menos nesta matéria, todos os outros sindicatos partilharam a mesma posição, como se comprova na figura seguinte. Será que vão alterar o comunicado na page da OE? É que o título deveria ser: "Governo e sindicatos boicotam direito..."

Para terminar leio no Correio da Manhã mais um ataque infeliz da OE ao SEP e à ex ex Bastonária Enf Maria Augusta. Parece que as granadas já estão prontas antecipadamente e são lançadas no momento que consideram mais oportuno, mais desapropriado e desconexo, diria eu.
Desta vez foram ao fundo do baú buscar uma que roça o ridículo. Queixam-se que a Enf Guadalupe foi até a Austrália e Japão com a viagem paga pela OE. Não disseram é que foram lá em trabalho, como delegação, Ordem, Sindicato e Associações profissionais, em conjunto, a um congresso internacional onde o pressuposto seria de que as despesas eram pagas pela Ordem.


Faz um pouco lembrar aquele tipo que se vira para o outro e diz:
Olha, lembras-te há 10 anos atrás, quando nós éramos mais ou menos amigos e eu te paguei uma viagem à Madeira? Afinal não o queria ter feito e agora estou chateado... devolves-me o guito?

Além disso também não convém falar muito em congressos internacionais. É que ainda há pouco tempo houve alguém que foi a um, na Suiça, durante vários dias, mas o que apareceu nas redes sociais foram fotos dos Alpes. Foram 2 horas de congresso, o resto é paisagem.


(*) Sempre que me refiro a Sindicato, refiro-me ao SEP. É o único que conheço e reconheço. Os outros sei que existem. Com todo o respeito, mas não passa disso.

1 comentário:

  1. Os fatos são bem diferentes, até 2016 o Sep e OE eram a mesma coisa , a gestão do Sep era da Maria Augusta, Todas as cordenadas eram da Mº Augusta , A promiscuidade era muito elevada . Com a Entrada do Germano , apareceram mais divisões.
    SEp não aceitou a separação das aguas, uma coisa é a OE outra coisa é Sindicatos.

    SEP nunca permitiu a proximidade de outros sindicatos com a Ordem ! porque? Porque?

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