sábado, 18 de dezembro de 2010

Como entupir um serviço de urgência

Este post, tal como todos os outros, não passa de uma mera opinião do autor. Os autores nem sempre têm razão e o verdadeiro autor é aquele que sabe dar a mão à palmatória


Porque razão os doentes ficam então acumulados no serviço de urgência? Há uma série de motivos, como por exemplo:

  • Banalização do serviço de urgência pela população em geral;
  • Fecho de SAP´s;
  • Ausência de medicina interna em Ponte de Lima durante a noite;
  • Ausência de determinadas especialidades em dias e períodos específicos;
  • Recobros no serviço de urgência de doentes de ortopedia submetidos a intervenções cirúrgicas consideradas simples;
  • Serviços de internamento lotados, em alguns casos, com doentes que apenas aguardam a “oficialização” da alta,
  • etc, etc (quem quiser que continue)
Mas um dos principais motivos e será esse o tema central do post, passa por uma certa passividade ou inércia propositada de alguns médicos em drenar os doentes, principalmente durante a noite.
Um dos exemplos mais flagrantes é quando ficam retidos no serviço de urgência doentes críticos e instáveis, quando temos, por exemplo, 5 vagas numa unidade intermédia. A isto se chama a evidência do poder médico numa espécie de revolta contra decisões superiores. A decisão superior, neste caso foi retirar o médico em permanência na referida unidade.
Se foi uma boa ou má decisão, é outro assunto. O que está em questão é que, quem sofre é sempre o elo mais fraco, é o doente que está instável e a equipa de enfermagem que por diversas vezes assegura os cuidados a estes doentes, sem as mínimas condições de organização e equipamentos, precisamente porque o serviço está lotado, já para não falar que não compete aos enfermeiros assegurar determinadas responsabilidades. 


19 comentários:

  1. A todos esses pontos acrescentaria a fraca resposta dos centros de saúde às necessidades dos seus utentes, nomeadamente o tempo de espera exagerado para uma consulta, um grande numero de utentes sem médico de família e por vezes um certo descartar de trabalho e de responsabilidade por parte de alguns clínicos gerais, que encaminham indevidamente os doentes para o SU.
    Infelizmente esta é uma das realidades no meu local de trabalho.

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  2. Caro amigo,Guilherme
    Com o seu post, o comentário do amigo,ERNurse e tudo o que passei, no SU e internamentos da(ULSAM),me responda se souber:de quem é a culpa?,da sra.Ministra,da Administração,dos Médicos,dos srs.Enfermeiros,dos Utentes...?Ninguém faz nada!?Continuamos sem soluções,para um problema tão grave.INACEITÁVEL!!!CUMPRIMENTOS,L.F.P

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  3. Nem de propósito, foi defendida uma tese de Mestrado na passada sexta-feira na Faculdade de Economia do Porto, onde todos todos os motivos desta desregulação foram evidenciados. Precisamente, focalizada na nossa realidade Distrital. Aliás, quem esteve nas Jornadas em Ponte de Lima já percebeu um pouco desta desregulação.Fico por aqui porque não me sinto no direito da apropriação das conclusões deste trabalho. Mas relativamente ao "post" anterior acrescentaria ainda a referenciação dos lares e os efeitos da crise. Bom Natal.

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  4. possivelmente a maior responsabilidade será do ministério da saúde, seguidamente a administração e em seguida os seus profissionais. Todos têm responsabilidades.
    Quanto aos enfermeiros e agora direccionando mais para os da urgencia, posso dizer-lhe que somos nós que "enchemos" um sistema informático que foi criado recentemente, com reclamações, reinvidicamos, queixamo-nos às chefias, reclamamos melhores condicões de trabalho e para os utentes, "corremos" para que tudo seja efectuado atempadamente, ouvimos e damos a cara as reclamações/agressividades dos acompanhantes, sem sermos os responsaveis pelas longas esperas. Não é por ser enfermeiro, mas acho sinceramente que não temos responsabilidades neste caso particular, porque além de mais, cada vez os enfermeiros têm menos poder de decisão, menos poder a nivel de gestão e também não internamos nem damos altas (nem queremos)

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  5. Se bem percebi, quando falava de passar o doente para uma unidade intermédia, esta não tinha médico à noite.
    Nesse caso transferir um doente instável para uma unidade sem médico seria negligenciá-lo
    Se o doente estava instável, não me parece que uma unidade (seja ela qual for) sem médico seja o local mais apropriado p a estar. Daí q me pareça que o melhor local para estabilizar o doente seja com um médico à cabeceira, mesmo não se situando numa unidade intermédia.

    Tem toda a razão a afirmar que não está bem, mas, dadas as circunstâcias até me parece a decisão mais acertada

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  6. user ULSAM PdL & VCT21 de dezembro de 2010 às 17:55

    conclusão: a culpa é de todos!!!!*





    *excepto dos enfermeiros

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  7. Caro Ze Estebes,
    o problema referido neste post é bastante complexo e envolve outros factos que não quis estar a levantar porque não seria esse o tema do post.
    Um dos problemas começa com as 24h que os médicos fazem. Como se sabe os médicos são humanos e têm que dormir, mas os doentes não escolhem horas para vir ao serviço de urgência. E se há profissionais responsaveis que sabem que têm que fazer esforços, também há o inverso, médicos que são chamados e dão indicações por telefone ou nem aparecem.
    O que me incomoda, a mim e a muitos outros, é que se há uma unidade especializada para doentes criticos instaveis com vagas e se a urgência está cheia e sem condições, como frequentemente costuma estar, o melhor local para esse doente ser vigiado é nessa unidade. As equipas que se reorganizem , que exponham os problemas, mas que não façam o doente pagar pelos erros e pela desorganização

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  8. neste caso particular se fores conhecedor desta situaçao concordaras que os enfermeiros nao terao responsabilidades. Poderao ser culpados noutra coisa qualquer. Agora na urgencia entupida que e essa a questao do post, nos estamos constantemente a tentar desentupir

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  9. TENTANDO DESENTUPIR? COMO SE VALESSE A PENA, O ESFORÇO! SE ALGUNS MÉDICOS,ANDAM PASSEANDO,COM OS SEUS BELISSIMOS ESTETOSCÓPIOS AO PESCOÇO E NEM OLHAM PARA OS DOENTES.E OS RESULTADOS,POR EXEMPLO: DE UMA TAC,DEMORA 12 HORAS!FALA A VOZ DA EXPERIÊNCIA! CUMPRIMENTOS;LÚCIA F.PARADELA

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  10. A culpa é de todos, embora com cotas de responsabilidade diferentes.

    (generalizando)

    Somos passivos.
    Deixamos que abusem de nós, e não temos coragem de exigir os nossos direitos/dignidade pessoal e profissional, quer com os nossos superiores, quer com os nossos pares.

    Por o outro lado, no que respeita aos nossos deveres, somos ainda piores.
    Não usamos os nossos conhecimentos/competências para exercer Enfermagem a sério. Resumindo é só asneiras. Bem, fazer colheitas de sangue e administrar terapêutica, nisso somos bons.

    Os médicos, depois da meia-noite, encostam todos os doentes numa cama/cama de OBS com uma folha de terapêutica/cuidados, para poderem ir dormir.
    Os enfermeiros ficam, como numa linha de montagem, a despachar os doentes, zangados, porque também querem descansar.

    Pela manha, chegam os chefes (médicos e enfermeiros) olham para os doentes deitados com um soro "espetado", e acham que melhor não há.

    É uma vergonha que profissionais não usem de toda a sua "sabedoria" para produzir ganhos em saúde, eficaz convalescença, ou pelo menos qualidade de vida/redução do sofrimento.

    Pior é os seus superiores, não usem do seu estatuto e das suas "supostas" competências acrescidas, para garantir um bom desempenho da equipa que lideram. Passam o tempo nos gabinetes com trabalho administrativo. Este tipo de tarefas qualquer pessoas seria capaz de o fazer.
    Mas, estar junto da sua equipa, a conduzi-la no bom caminho, a aumentar efectivamente a sua produtividade, isso sim não é tarefa para qualquer um. É preciso ser um bom líder.

    Sou o primeiro a reconhecer a minha cota de responsabilidade, mas estou a tentar melhorar. Façam o mesmo...

    Um abraço. Bom Natal

    Espero um ano 2011, Melhor. "Dúvido!"

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  11. Então como vamos produzir ganhos em saúde?
    Somos responsáveis por o serviço estar constantemente entupido?? Em que sentido?
    Se reclamamos com o médico por ele deixar um doente na urgencia, ele vira costas e diz que ele é que manda. Não temos poder nenhum, essa sim será a nossa culpa! Enfermagem cada vez mais perde a autonomia e "poder"

    Concordo inteiramente contigo no que referes sobre as chefias.. é puramente trabalho administrativo... estão afastadas das equipas

    G.

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  12. LAMENTO TER QUE REPETIR:FAZEM DOS SRS.ENFERMEIROS,UNS LACAIOS,(NO BOM SENTIDO DA PALAVRA).CUMPRIMENTOS;L.F.P

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  13. "Os enfermeiros ficam, como numa linha de montagem, a despachar os doentes, zangados, porque também querem descansar".
    Enf. Abel, agradecia que fosses mais explícito. Quem esta zangado e quer descansar? O Dte ou o Enfermeiro?

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  14. eu posso responder pelo Abel... penso que a resposta é enfermeiro

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  15. Para o anónimo das 18h 32 de 26/12
    O típico português (com letra pequena) a opinar sobre tudo e por todos. Se é enfermeiro (também com letra pequena) porque não pedes transferência para a Urgência, para saberes o que e trabalhar? Se é utente nem resposta merece. Mas não posso deixar de dizer que é por este reconhecimento que cada vez mais estamos fartos de trabalhar muitas vezes para alem das nossa forças

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  16. Abel Campos (abel.campos@clix.pt)27 de dezembro de 2010 às 14:01

    A todos quantos tenham dúvidas sobre as minhas palavras, sabem onde me encontar, ou então pelo meu email.
    Como podem compreender não explicitar ideias a anónimos, ou seja sem perceber a quem me dirigo especificamente.

    Atenção: Sou o primeiro a ter a noção de que: Quando aponto um dedo para outros, tenho 4 apontados para mim.

    Abraço.
    Feliz 2011. - Depende de nós, também -

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  17. eu sou o anonimo das 18:32 e não percebi a revolta... eu apenas disse, respondendo ao anonimo das 00:04, que o que o colega queria dizer é que era o enfermeiro que ficava zangado, pois tambem queria descansar.. acho que houve ai um mal entendido qualquer de certeza

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  18. Bom nem tenho mt hábito de vir comentar mas tb n podia ficar indiferente a este tópico.
    1º Existem patologias que necessitam de um periodo de observação de forma a verificar se o tratamento é adequado ou se é necessário avançar para uma cirurgia (no caso de especialidades cirurgicas) outras que necessitam de um controlo + apertado (que poderá ser na OBS ou infelizmente na OBS macas);
    2º recobros de pequenas cirurgias ortopédicas, surgem no seguimento de ser um pequeno recobro não havendo necessidade de internamento (que custaria mt mais ao hospital) para (+ uma vez) serem avaliados no dia seguintes e poderem ir à sua vida;
    3º Mts doentes não possuem motivo de vinda ao SU (de acordo com normativa do ministério) e deeriam deslocar-se ao respectivo centro de saúde (mas compreendo que seja díficil e mts vezes impossivel serem vistos por médicos nos centros de saúde mas isso será outro assunto);
    4º Especialidades como Medicina possuem doentes com patologia carregada e diversa sendo por isso necessário um bom juizo de ideias de forma ao tratamento que se propoe não estrague mt (pq sim vai estragar) noutro lado, Cirurgia tem o problema da pequena cirurgia e um gabinete individual (e enquanto n se definir uma organização diferente vai haver sempre problemas), Ortopedia possui doentes mts vezes simples, mas em numero em demasia pois cada queda ou entorse simples que não cura em 5 dias é sinónimo de urg...;
    5º Continuo a defender que existem poucos profissionais (médicos/enfermeiros/auxiliares) para a carga de trabalho que se verifica em alguns dias. O erro está no desenrascanço, em se conseguir fazer o trabalho com pouco número (ou mesmo efectuar trabalhos que não nos compete)e assim disfarçar as falhas em dias de pouco trabalho, algo que não se verifica num dia em que haja, nem digo mts, mas 3 politraumatizados a urgencia para!

    Enfim apenas pequenos pontos de reflexão.
    abraco

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