terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

RE...CI...CLA...GEM

Eu digo devagar pois há muita gente que parece que desconhece esta palavra... para estas, o lixo é todo no mesmo saco. Ou são daltónicas ou então ignorantes, porque até os miúdos da 2ª classe sabem quais as cores para reciclar.
Nos hospitais há formações para a separação de lixo, mas mesmo assim há muitos enfermeiros, médicos e assistentes operacionais que não separam lixo nenhum, é tudo pro mesmo saco, ou então nem para um saco vai, fica mesmo ali na banca (esta é mais para os médicos que fazem gasimetrias e deixam o invólucro em cima da banca de trabalho do enfermeiro), mas isso é outro assunto que diz respeito ao respeito, à educação e higiene.
O assunto de hoje é mesmo reciclagem e o apelo que faço para que se mude de atitude. É um pouco incomodativo, tanto para o emissor como para o receptor, ter que dizer,  "Olha que essa caixa do medicamento é para o saco azul, Olhe que essas luvas usadas são pró saco branco, Olha que esses toalhetes de limpar as mãos são pró saco preto", etc etc, porque somos todos adultos com formação. Por isso por favor, aqueles que não reciclam, mudem de atitude, pensem no futuro dos vossos filhos. Sejam o exemplo para todos os outros que não a fazem.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PEDITÓRIO NACIONAL - Roupa para o Hospital de Viana


Esta ideia surgiu a partir de um comentário de uma assídua leitora, no post anterior.
Não se trata de ironia, nem de sátira. A ideia é mesmo lançar um peditório.
Já várias vezes falei do problema da falta de roupa para os doentes, especialmente no meu serviço (Serviço de Urgência), mas parece que nos outros Serviços o problema é o mesmo.
É sistemático haver rupturas nos stocks, é sistemático não haver lençois, cobertores e pijamas.
É sistemático ter que andar a "pedinchar" roupa a outros serviços, quando eles também não têm capacidade de resposta e pouco ou nada emprestam.
É lamentável ter que dizer a um doente que não temos um cobertor para lhe dar, uma almofada, ou um pijama em condições.
Por isso, caros amigos, abro aqui um espaço para o vosso espírito de solidariedade.
Pensem no efeito que isto não teria?? Imaginem só? No mínimo, quem gere iria ter vergonha. Mas o objectivo seria mesmo mudar o estado da situação.
Claro que por enquanto não há contas, nem NIBs, nem nada do género, apenas aguardo a vossa receptividade a esta ideia.. O que dizem em contribuir? Nem que fosse com 1 Euro. Eu alinho. E tu?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A "C R I S E" afecta os cuidados de saúde


Ao contrário do que o Ministro assegurava, a "Crise" afecta mesmo os cuidados de saúde, não tenham dúvidas disso. Ainda recentemente alertei para esta mesma situação (aqui), mas agora ainda estou mais convencido disso.
Há várias questões que se colocam, a principal é que a "Crise" nunca afectaria os cuidados de saúde se a gestão nos hospitais fosse adequada. Já por várias vezes temos falado disso no PDDSE, não fosse "administrador hospitalar" a etiqueta mais frequente no Blog. Resume-se ao simples facto de se gastar muito dinheiro no acessório e pouco no essencial e não se investir para acabar com aquilo que faz aumentar o gasto.
Deixemo-nos de economia e falemos de realidade...
A realidade é que com a "Crise", aparecem pela primeira vez as situações confrangedoras de processos super-lentos para renovação de contratos (que ainda não se sabe bem se vão ser renovados).
A realidade é que com a "Crise" o material de consumo clínico no hospital escasseia cada vez mais.
É lamentável ter vários doentes que necessitam de oxigenoterapia e ter que seleccionar alguns em detrimento de outros, porque as balas ou "botijas" de oxigénio esgotaram. 
É lamentável não ter um cobertor para um doente, porque (das duas uma) ou o serviço de distribuição é péssimo ou não há mesmo roupa.
É lamentável não ter uma seringa de 5cc
É lamentável não ter um plano duro
É lamentável...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Por 100 anos que viva, não me vou esquecer do que a doutora me disse


O Nelinho tinha pouco mais de 20 anos e já era alcoólico. Bom rapaz, filho da terra e de gente boa e humilde.
De manhã já estava na tasca a entornar e à tarde a tombar.
Vários foram os episódios de urgência do Nelinho por convulsões no meio da rua e outros tantos no Centro de Saúde, a tratar as consequências das quedas.
Depois de assistir pessoalmente a novo espalhanço do Nelinho à porta do Centro de Saúde, onde ficou com a cara pior que um chapéu do pobre, a médica decide propor-lhe uma nova saída.
Nelinho, Se eu te arranjar uma consulta com o psiquiatra, tu vais?
Bou doutora! Quero curar este bício filho da puta.. 
A médica liga logo na hora pró especialista.
Nelinho ele vai ajudar-te mas tens que ficar internado!
Tá bem doutora, se tem que ser… Mas só na sexta-feira, porque na quinta tenho que tratar da baixa.
Assim foi… E hoje o Nelinho é presidente do rancho, ajuda idosos, conduz a carrinha da junta e só bebe água, porque o álcool é um bício filho da puta. 

Naquele dia a vida do Nelinho mudou, tinha mudado mesmo antes do internamento, no momento em que a médica lhe disse algo.
Por 100 anos que viva não me vou esquecer do que a médica me disse naquela terça-feira! Tudo depende da nossa cabeça, se a cabeça não quer, não há volta a dar. Costumava repetir como resumo das maiores aprendizagens da sua vida.
Passados vários anos, durante a preparação de uma palestra, a médica precisava saber o que é que afinal naquela terça-feira, tinha dito de tão importante ao Nelinho, ao ponto de lhe mudar a vida.
Conseguiu encontrar forma de o rever na consulta e no meio de algumas recordações e boas noticias sobre a nova vida do Nelinho, finalmente questionou:
Então Nelinho, afinal o que é que eu te disse naquele dia, de tão importante?
Você não se lembra doutora? Por 100 anos que viva nunca me vou esquecer do que me disse.
Já não recordo Nelo, já faz muito tempo.
Disse-me,  Nelo tu tens que deixar de beber!!
E deixou mesmo…

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Os enfermeiros são os que mais levam nos dentes

Insegurança, agressões, insultos, ameaças, etc etc, são temas que me preocupam seriamente.
Já há uns anitos, nos primeiros posts do Blog, levantava (aqui) estes violentos temas.

Os anos passam e continuamos a levar nos dentes, a ser ameaçados, insultados, etc etc, mas o pior é que as incidências aumentam e soluções não as vejo.
Recebi um email de uma colega sobre os dados estatísticos (da DGS), relativos às agressões físicas e verbais a profissionais de saúde e fiquei assustado.
Acho que devemo-nos preocupar e acima de tudo mexer, pois é a nossa segurança que está em causa.
Como podem ver nos gráficos, as incidências não são ocasionais, são frequentes, estão a aumentar e isto sem contabilizar as incidências não denunciadas.
Os enfermeiros, naturalmente, são os que mais apanham, seguidos dos médicos. Confiram isso e muito mais no documento integral
Caso leves nos dentes (a ver se não...), tem em conta estas importantes recomendações . Para terminar, vejam que, ainda por cima, as mulheres são as mais atingidas.. A desviar qualquer ideia sexista, a apanhar, que apanhem os homens...


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mistério no piso 4


Ainda há bem pouco tempo, na sala de espera do piso 4, onde se unem 3 serviços (Intensivos, Ortopedia e Bloco), havia uma televisão daquelas modernas, para que as visitas/familiares dos doentes se pudessem distrair um pouco, nas várias horas que por vezes têm que aguardar.
Consta que essa televisão foi oferecida por um entidade sem fins lucrativos (?), se não estou em erro, pela Liga dos Amigos do Hospital. (Deve ser mesmo a Liga dos Amigos, porque (honra lhes seja feita) eles oferecem muita coisa ao hospital).
Tive que ir ver com os meus próprios olhos e de facto, naquele espaço onde costumava estar uma televisão para as visitas, encontrei o vazio.
Então onde pára a televisão? Mistério... Terá sido mais um bem material desviado para o exterior, por pessoas menos sérias, já conhecidas da casa?? Desta vez parece que não... pelo menos não foi para o exterior.... Consta que foi desviada, a pedido de um iluminado cirurgião, para a copa ou sala de pausa ou outra sala qualquer, do Bloco.
Agora pergunto, a televisão não era para as visitas?! E agora a sala de espera vai ficar sem televisão, porque alguém se lembrou que ficava melhor no Bloco, para que os profissionais pudessem ver televisão com melhor definição, nos seus momentos de pausa?!
Que raio de lata...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mesmo com a mais que conhecida falta de enfermeiros, eles estão a ser mandados para casa.



Nesses "tantos outros" que este documento refere, inclui-se a ULSAM.
Por todo o país, em vários serviços de saúde, cada vez se fala mais em enfermeiros despedidos ou em risco eminente de despedimento, isto quando a Ordem, sindicatos e o próprio Ministério da saúde, assumem desde há muito tempo, que há uma considerável falta de enfermeiros no SNS.
Este facto está mais que comprovado, basta ver o instrumento que foi criado para a classificação de doentes, que nos demonstrava, clara e inequivocamente, que eram necessárias muitas mais horas para que os doentes tivessem cuidados de qualidade. Essas muitas mais horas só poderiam ser atingidas com mais enfermeiros, como é óbvio.
Não conheço a realidade nas outras Unidades de saúde, mas pelo menos na nossa (ULSAM), tenho alguma percepção do que é que se está a passar. E o que está a passar cá para fora é que o "factor C" continua a ser determinante. Vêem-se coisas incríveis, do género: ser renovado rapidamente o contrato de um assistente operacional, que por acaso é filho de uma funcionária do hospital, enquanto que vários enfermeiros encontram-se numa situação extremamente delicada e problemática. Alguns já foram mandados para casa e continuam com a incerteza do regresso, outros em actividade, estão em ameaça de não renovação de contratos.
Um destes exemplos encontra-se no meu serviço (SU), onde o gestor do serviço precisa de muito jogo de cintura para fazer os horários, isto devido à falta de pessoal de enfermagem. Havendo falta de pessoal, há um elevado acréscimo de horas para a equipa, com a agravante do possível não pagamento de horas extraordinárias. (isso é outro grave problema)
Mesmo assim, com a falta de pessoal no meu serviço, um casal de enfermeiros encontra-se actualmente em risco de não renovação de contrato. Estes dois elementos, que constituem uma mais valia para o serviço, correm o risco de perder o emprego, isto após há cerca de um ano, terem decidido sair de um outro hospital, onde tinham um contrato sem termo.
Chegámos ao absurdo de frequentemente ter que andar a ligar para casa de enfermeiros a pedir para virem trabalhar, porque não há pessoal suficiente para os turnos. Chegámos ao absurdo do enfermeiro chefe sistematicamente ter que integrar as equipas de prestação, porque não há pessoal suficiente para os turnos e... na fase em que aguardávamos a chegada de novos enfermeiros, eis que surge a notícia de que dois poderão sair. Como é isso possível, perguntarão, não sei meus amigos, não sei onde é que isto vai parar.

Nota: quando falei do contrato renovado do assistente operacional, devo referir que existe igualmente uma elevada falta de assistentes. Não ponho em causa esta renovação específica, ponho sim a não renovação de contratos de enfermeiros.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Turbo-anestesista na PPP de Braga

Assunto: Doentes anestesiados em simultâneo pelo mesmo médico no Hospital de Braga
Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República

No dia 14 de Novembro de 2011, um médico anestesista do hospital de Braga, gerido em regime de Parceria Público-Privada (PPP) pelo grupo Mello, anestesiou, simultaneamente, vários doentes operados em diferentes salas do bloco operatório do Hospital de Braga, o que constitui uma má prática susceptível de colocar em risco a vida dos doentes. Esta situação, que é contrária às orientações internacionais e também da própria Ordem dos Médicos sobre esta matéria, repetiu-se por diversas vezes ao longo desse dia. Acresce salientar que é física e tecnicamente impossível monitorizar o que se passa em todas as salas ao mesmo tempo.

O anestesista em questão foi escolhido pelo grupo Mello para o cargo de director clínico do novo Hospital de Braga. O referido médico ficou conhecido por, em 2009, ter abandonado o serviço de urgência do hospital para participar numa inauguração de um campo de golfe, ausentando-se durante oito horas, sem se fazer substituir, apesar dos registos hospitalares assinalarem a sua entrada às 8h37 e a saída às 9h48 do dia seguinte.

Em declarações ao jornal que denunciou a anestesia simultânea de vários doentes pelo mesmo clínico, tipo turbo-anestesista, o médico refuta a acusação. No entanto, as explicações avançadas não são convincentes, nem esclarecedoras, uma vez que colidem com a informação contida nos próprios registos individuais das cirurgias realizadas nesse dia, a que o Bloco de Esquerda teve acesso.
Os registos das cirurgias mostram que o médico foi o anestesista responsável, em horas coincidentes, em 2 ou 3 salas simultaneamente.

No período da manhã, até às 14h, houve sete doentes operados, nesta situação. Por exemplo, o médico anestesiou em duas salas diferentes – uma era de Ortopedia (sala 10) e a outra de Urologia (sala 4) – onde decorriam procedimentos cirúrgicos que não podem ser feitos com a tal anestesia tópica/local, mencionada nas declarações feitas hoje pelo médico à imprensa.

No período da tarde, outro exemplo desta prática irregular, em que uma das suites operatórias era Oftalmologia. Mesmo quando na presença de técnicas cirúrgicas "mais simples" a presença do médico de anestesia é fundamental, conforme prática corrente e obrigatória no Serviço nacional de Saúde (SNS) e internacionalmente. Cita-se a este propósito o Parecer da Direcção do Colégio de Especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos: “A presença de um especialista em anestesiologia, ainda que a cirurgia decorra sob anestesia tópica, é sempre imprescindível. Eventuais complicações durante a cirurgia, que sempre poderão surgir mesmo a cirurgiões experientes e até o grupo etário em que habitualmente a cirurgia da catarata é realizada são motivos bastantes, mas não únicos, para que o anestesiologista esteja efectivamente presente”.

Ainda no período da tarde, uma doente sujeita a procedimento cirúrgico diferenciado ginecológico das 14h10 às 17h16, “partilhou” o anestesista em questão com outra sala de Urologia, onde decorria um procedimento igualmente diferenciado, das 15h25 às 15h55, e ainda com três outros doentes da sala de Oftalmologia (das 15h às 16h21, das 16h34 às 16h55 e das 17h06 às 17h24). Ou seja no mesmo horário foram anestesiados 5 doentes em três salas distintas.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:

1.Já decretou o Ministério da Saúde a abertura de algum inquérito para apurar os factos e os motivos por que ocorreu a situação acima descrita?

2.O gestor do contrato relatou o ocorrido ao Ministério da Saúde?

3.Considera o Ministério da Saúde compatível a acumulação de funções de director clínico do Hospital de Braga com o exercício de actividade clínica no mesmo hospital?

4.O número de anestesistas no Hospital de Braga é suficiente para assegurar o normal funcionamento no bloco operatório, de acordo com as boas práticas e normas vigentes?
 
Palácio de São Bento, 21 de Novembro de 2011.

O Deputado, João Semedo

retirado do blog tabanikadepayalvo

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Em quem votar pra Ordem? Estou desordenado...

A, B, C, D, E, F, G..
Tava a ver que chegávamos à Z. Hoje é o último dia para decidir o voto na Ordem e ainda não estou completamente convencido. São tantas as listas, as ideias e as promessas, que até estou confuso.
Fiquei desiludido com a anterior Ordem. Gostava de uma bastonária mais interventiva e corajosa.. assim tipo Marinha Pinta. Podem-me dizer que se fez muito trabalho, mas o que é real é a posição atual da enfermagem… de rastos. E para mim a enfermagem não precisa tanto de congressos e conferências e viagens, precisa é de intervenção. Mesmo assim considero o seu percurso pela enfermagem e desejo-lhe tudo de bom.
Quem virá? Não sei… mas já li muitas promessas, muita demagogia e acima de tudo muitos cortes uns nos outros. São blogs a fazer campanha, outros blogs a cortar forte e feio… Já é o habitual nos enfermeiros. Quem escapará neste fogo cruzado?
Tudo me leva a crer que a luta andará entre A e C.. Talvez pelo impacto e poder da campanha.. Mas já por lá vi caras que em nada me agradam, pessoas que me desiludiram. Depois é só notícias degradantes tanto da A, como da B. Será verdade, será mentira? Não sei…  
Na B não votarei pela persistência da candidata em ser bastonária sem ter o tempo serviço necessário, pelo curriculum demasiadamente político e duvidoso. Que seja paciente e aguarde o seu momento, não gosto de pessoas com pressa.
Na do senhor que tinha ou tem um sindicato, nunca na vida. Quando o ouvi falar em Viana, Deus me livre! Tanta, mas tanta letra que fiquei aparvalhado. E depois o seu trabalho no seu sindicato, acho que era mais para desfazer do que fazer.
Resta-me a lista G, acabei de ler o seu programa. Não conheço as pessoas. Gostei do curriculum do Enfº Sérgio, que concorre a bastonário. Apreciei alguns objetivos traçados, mas não fiquei completamente satisfeito. Resta-me votar em branco ou votar neste senhor e pedir a alto e bom som que nos leve pelo melhor caminho, porque sinceramente a enfermagem nesta última década tem estado em queda livre.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Roupa de "plástico" para os doentes


No meu hospital procura-se poupar naquilo que é mais barato e indispensável. Poupa-se nos lençóis, cobertores, almofadas, pijamas, ou seja tudo que seja roupa.
Poupa-se tanto ao ponto de ocasionalmente não haver cobertores, ao ponto de nunca haver uma almofada para posicionar um doente (talvez pensem que não é necessário posicionar doentes na Urgência, talvez pensem que os doentes fiquem 2 ou 3 horas no Serviço de Urgência no máximo, talvez pensem que os colchões das macas sejam de pressões alternas).
Poupa-se tanto ao ponto de praticamente deixarem de haver pijamas e batas (em tecido/algodão) para passar haver batas num material tipo plástico. (não sei o que fica mais caro, se ter um stock de roupa de algodão e lavá-lo ou ter kits de “roupa de plástico” que são usados uma vez e deitados fora.
Esse kit, além de desproporcional para muitos doentes, não deve ser muito confortável.
Há que dar mérito à famosa senhora que manda no serviço das roupas. Do jeito que ela corta, poupa e manda, bem que o seu serviço deve ser lucrativo.
Poupem naquilo que é caro e dispensável... Um dos exemplos está neste recente post.
Sejam exemplares no básico, só assim é que se conseguem serviços de excelência e hospitais verdadeiramente acreditados.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Enfermagem faz greve à greve


Decerto o José Carlos Martins (Presidente SEP) não se importará que publique as suas palavras de reflexão em torno da greve de 24 de Novembro. 
Acho que será a mensagem ideal para todos nós.

"De acordo com os dados disponibilizados pela CGTP e o balanço final feito pelas Centrais Sindicais, esta Greve Geral foi um importantíssimo dia de protesto e exigência nacional, com uma significativa paralisação do geral dos trabalhadores e uma fortíssima expressão do sector dos transportes. Mesmo em dia de Greve Geral e com paralisação dos transportes, a Manifestação em Lisboa juntou milhares de trabalhadores.

Os Enfermeiros deram o seu contributo. Os dados de adesão a esta Greve Geral são inferiores aos da última Greve Geral (24/Nov/2010) e, naturalmente, bastante inferiores às Greves de Enfermeiros em torno da Carreira. Todos sabemos que a insatisfação e a revolta contra as medidas do Governo são muito superiores ao n.º dos que fizeram Greve. Mas, então, porque não fizeram Greve? Cada um terá as suas razões objetivas e subjetivas. Serão diversas. Mas, certamente, haverá uma grande “mancha” onde a resignação … o não acreditar que é possível, com a luta, mudar … a ausência de esperança em que as “coisas” melhorem … determinou a sua não adesão (isto em articulação com a perda de um dia de salário … que não é o caso no Turno da Noite=Minimos). Para além das pressões e das precariedades.

Neste contexto, de profunda impregnação social da inevitabilidade das medidas movida pela máquina de propaganda do Governo, a nossa/vossa  acção de informação, esclarecimento e de mobilização foi fundamental. Vai continuar a ser fundamental. Cada vez será mais determinante. Isto porque, contrariamente ao “comum” dos enfermeiros,  somos dos que temos consciência que:
- a guerra é longa – é um combate de desgaste – os resultados não se atingem no imediato, após uma batalha, após uma Greve
Teremos de fazer muitas mais guerras… muitas mais Manifestações e Greves … MAS A HISTÓRIA DEMONSTRA, ATÉ “AO TUTANO”, QUE É O MOVIMENTO DE LUTA ORGANIZADO DOS TRABALHADORES QUE PROMOVE/DETERMINA AS MUDANÇAS, AS MELHORIAS, O PROGRESSO… E ELES (GOVERNOS, PATRONATO, FINANÇA) SABEM ISTO …e por isso nos querem desgastar, abater, desalentar.
ESTÃO ROTUNDAMENTE ENGANADOS.
É A CONSCIÊNCIA DISTO QUE NOS MOVE E DÁ ALENTO PARA AS PRÓXIMAS BATALHAS QUE SE AVIZINHAM

A LUTA CONTINUA
FORÇA
ABRAÇO
JCMARTINS"

Concordo em pleno com tudo isto. É por tudo isto que este blog tem o nome que tem. Porque às vezes dá vontade de desistir ao ver tanta descrença e acomodação na maioria dos enfermeiros. 
Só te queixas, criticas tudo e todos, falas mal da Ordem, dos sindicatos. Mas já paraste para pensar?? Já paraste para pensar o que é que tu fizeste para mudar de rumo. Que moral tens tu para criticar, se nem uma greve geral de trabalhadores fazes? Que moral tens tu, se nem no momento de maior expressão de revolta do povo, correspondes com o maior sinal de indignação. Que moral tens tu, se nem uma palha moves pela luta? Sim, porque só com a luta é que se chega lá. A história assim o prova. É pelo dinheiro perdido? É pela descrença? E se todos desacreditarem, para onde vamos?
E se todos acreditássemos, para onde iríamos?
Acorda




sábado, 19 de novembro de 2011

Médicos recebem "subsídio" de "reanimação" ??!



Consta que existe no nosso hospital um certo "subsídio" de cerca de 800 eur/mês para alguns médicos. Esse "subsidio" é-lhes pago por fazerem trabalho de reanimação.

Agora questiono?

E os outros médicos que também integram as equipas de reanimação não teriam igualmente direito a esse "subsídio"?

E os enfermeiros que também integram as equipas de reanimação não teriam igualmente direito a esse "subsídio"?

É que todos têm papel de igual importância no trabalho de reanimação.

Discriminações aparte, A QUE PROPÓSITO ESTE "SUBSÍDIO" EXISTE? 

O trabalho de reanimação não faz parte das funções de qualquer médico?

E os médicos já não são pagos  pelo seu trabalho?

ENTÃO COMO É POSSÍVEL QUE EXISTA ESTE "SUBSIDIO"?

COMO É POSSÍVEL QUE, NOS TEMPOS EM QUE VIVEMOS, SE PERMITA A VERGONHA QUE É ESTE "SUBSÍDIO"?

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Enfermeiros contratados vão pro desemprego


Achei importante publicar o seguinte comentário enviado no último post,


A denúncia parte do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que fala em perigos para a saúde pública: 100 enfermeiros do Hospital de São João (HSJ), no Porto, estão a perder o emprego por não verem renovados os seus contratos.
A administração do HSJ só confirma 9 casos. Em comunicado, o SEP salienta que são 14.000 horas de cuidados de enfermagem por mês que deixarão de ser prestados aos utentes do hospital. “Todos estes enfermeiros, à semelhança do que acontece em outras instituições, ainda que em situação precária, foram admitidos para fazer face a necessidades permanentes. Estes enfermeiros são necessários! O seu despedimento demonstra a irresponsabilidade do Governo”, realça o sindicato.
Para o SEP, “o aumento dos riscos e as suas consequências resultantes da diminuição de enfermeiros (…) será da responsabilidade do Conselho de Administração do Hospital, dos ministros da Saúde e das Finanças e, por último, do primeiro-ministro”. “Inadmissivelmente, os ministérios da Saúde e das Finanças continuam sem tomar medidas que permitam a permanência dos enfermeiros em situação precária nos serviços”, critica o sindicato, lamentando que a administração do hospital ainda não tenha respondido a um pedido de reunião feito pelo SEP.
Fátima Monteiro, do SEP, refere que já foram dispensados do São João “dezenas de enfermeiros” contratados, estando os restantes a sair à medida que terminam os seus contratos. Segundo Fátima Monteiro, o hospital tem atualmente cerca de 1.700 enfermeiros, mas nalguns serviços a saída de contratados está a reduzir o número de enfermeiros para menos de metade. “É uma situação alarmante. Depois admirem-se que a taxa de infeção hospitalar suba, como foi revelado recentemente num estudo”, frisou.
Fonte do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João referiu que “no dia de hoje contam-se em 9 o número de contratos de trabalho de enfermeiros (…) que terminaram e ainda não foram renovados”. Em causa está o despacho 12.083/2011, de 15 de Setembro, dos ministérios das Finanças e da Saúde, que obriga os hospitais a enviarem às administrações regionais de saúde e esta ao Ministério da Saúde “informação detalhada e casuística” que demonstre a imprescindibilidade de contratação ou renovação de contratos.
O MESMO SE ESTA A PASSAR NA ULSAM!!!!!!!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Que desperdício!



Há um programa interessante na cabo onde um chef de renome, dono de cadeias de restaurantes famosos, vai tentar relançar restaurantes que estão em pré-falência.
Gordon Ramsey, o chef, é implacável na crítica e ríspido no relacionamento, mas o que é certo é que o homem consegue reanimar aqueles restaurantes. Trata-se de um excelente gestor pois não está com rodeios para eliminar os obstáculos para o sucesso.

Num dos episódios alertou o patrão para o desperdício, para o exagero de comida confecionada. Rapidamente percebeu que esse seria um dos motivos para o insucesso do restaurante em “crise”, ensinando ao patrão que um dos segredos para uma boa gestão passava por evitar o desperdício.


E perguntam-me vocês, mas por que carga de água está este lunático a falar em culinária, chefs e gestão de restaurantes, num blog de saúde?!

Eu explico, tudo isto foi para chegar ao ponto-chave deste post, que é o Combate ao desperdício. Portanto fui dar uma grande volta e no fundo o post começa agora. Peço desculpa, às vezes dá-me para estas coisas.


Em qualquer sistema empresarial que se preze, o desperdício é evitado, caso contrário alguém vai acabar por sofrer as consequências.

A minha realidade, que como vocês sabem é um Serviço de Urgência, pertence a um grande sistema empresarial de nome, ULSAM. A ULSAM é uma Unidade de Saúde, que tal como muitas outras Unidades de Saúde, luta para evitar o défice e diminuir os milhões de eur de prejuízo do estado, responsáveis pela crise do país.

O combate à crise depende exclusivamente de uma boa gestão e uma boa gestão começa nas pequenas coisas, como por exemplo a eliminação do desperdício.

Muito haveria por fazer para se poupar num hospital e mais ainda se poderia fazer com os gastos na saúde de uma forma geral, alguns desses temas já foram cá discutidos e brevemente voltarão a ser, mas hoje falaremos apenas no desperdício.

No meu serviço, lamentavelmente, vejo muito desperdício. O local onde ele se torna absurdamente evidente é na Triagem Geral. Alguns médicos de clínica geral prescrevem sistematicamente terapêutica desnecessária, sem qualquer critério ou justificação clínica. Não sou eu apenas que o digo, toda a gente o diz, mas o que é certo é que a situação mantém-se e uma simples indisposição é corrida com soro, antipirético EV, análises a sangue e urina, RX, etc, etc. Já para não falar das prescrições efetuadas sem os doentes serem vistos e das prescrições efetuadas como que a "castigar" a vinda desnecessária do utente ao SU (ex: 2 ampolas Atarax IM, que doi que se farta e furosemida sem qualquer justificação, para o utente urinar várias vezes etc etc). 

Seria oportuno que o programa ALERT só deixasse que uma prescrição ou pedido fosse consumado, caso o clínico digitasse uma justificação, mas que não fosse um simples (.) como frequentemente se vê. Aí talvez se entendesse por que razão a uma pessoa com tonturas, logo à partida se prescreva soro fisiológico.

Não há turnos iguais, mas eles serão completamente diferentes, se estamos a trabalhar com os médicos  X e Y, que prescrevem desmesuradamente ou com os médicos Q e W que prescrevem criteriosamente.

O dinheiro que o hospital não pouparia se não contivesse estes gastos inusitados, este desperdício sem fim, chamem o Gordon Ramsey.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Quero receber menos 20 eur ao final do mês

Já é de conhecimento geral que os vencimentos da função pública acima dos 1000 euros, vão sofrer os cortes dos “subsídios” de Natal, Férias e o rai q´o parta.


A minha reflexão sobre isso:


Sou contratado. Tenho um contrato sem termo. Não pertenço, nem nunca pertenci aos quadros da função pública. Tenho um vencimento base de 1020 eur (mas ao fim do mês, com os descontos, levo bem menos do que isso).
Trabalho há quase 10 anos e hoje levo menos dinheiro para casa, do que quando iniciei funções.
Nunca subi na carreira porque ela deixou de existir desde que comecei a trabalhar.


Posto isto, gostava de partilhar convosco as seguintes observações:


Para os benefícios como ADSE ou ex-ADSE, estatuto de bolseiro e outros e para os legítimos direitos, como o pagamento dos suplementos correspondentes às horas de valor (fins-de-semana, feriados, noites) e outros, nunca fui considerado um triste de um funcionário público, mas sim um ludibriado contratado e por isso não tinha, nem tenho esses direitos consagrados na lei e ganhos com justiça no passado
Para ficar sem os “subsídios” de Natal, férias e o rai q´o parta, já sou triste de um funcionário público.
Sendo assim e como se não bastasse, por causa de 20 eur, vão-me roubar (a mim e a tantos como eu) aquilo que é meu (nosso) por direito.


Essa corja anda mas é a gozar com a nossa cara. Até quando vamos ficar serenos, passivos ao roubo?


Com toda a convicção vos digo, tenho mais desprezo por estes políticos sujos e canalhas, do que o desprezo que tenho a um ladrão de multibanco.
Achei então oportuno criar um movimento no facebook “Quero receber menos 20 eur ao final do mês!”, cujo apelo é o seguinte:


"Sr Passos Coelho, não quero ganhar tanto ao final do mês!! Recebo 1020, peço-lhe encarecidamente para passar a receber 1000!! 
Fiquem com esses 20 eur, para ajudar nas vossas despesas e nas despesas do estado, que contribua para voarem novamente em primeira classe, que contribua para pagar um pouco mais aos gestores de empresas públicas que estão tão desgraçadinhos, na miséria. Podem até deixar estar os subsídios ou reformas vitalícias para os políticos como Duarte Lima, coitados que trabalham tanto são tao honestos e ganham tão pouco. Que contribua para pagar os flops dos estádios, auto-estradas e que o utilizem para dar seguimento as ideias fantásticas dos TGV´s, aeroportos, e outros projetos inteligentes e que contribua também para revitalizar o BCP BPN e toda a banca miserável que está nas lonas..
Agora tu que ganhas 1020 eur, ou que até estás solidário com esta causa, junta-te a ela, nunca se sabe até onde ela pode chegar." 


nota: (todos os factos descritos na primeira pessoa, mas muitos como eu encontram-se na mesma situação. As aspas são utilizadas como sarcasmo porque subsídio de férias e Natal nunca deveria existir, é dinheiro nosso por direito.. Não é nenhuma esmola nem nenhum subsidio).