terça-feira, 25 de outubro de 2011

Porque é que há enfermeiros e médicos tão gananciosos?



Não sou contra o duplo emprego de um prof. de saúde (caso o segundo seja considerado como que um part time, um local onde se vá fazer mais umas horas).
Sou profundamente contra tudo o que seja mais que isso.
Quem não conhece enfermeiros e médicos que trabalham em vários locais, com um total de horas semanal inacreditável??
Cada um faz o que quer com o seu tempo, mas o que coloco em causa é o rendimento destas pessoas. Nalguns o rendimento não é muito afectado, cumprem as suas funções de forma eficaz (pelo menos por enquanto), mas em muitos é afectado e em larga escala. Arrastam-se, dormem nos gabinetes durante o dia, são pouco tolerantes, falam mal para as pessoas, trabalham menos, produzem menos, erram mais… Isto vê-se, mas também se comprova em estudos. (justo será acrescentar que este tipo comportamento é mais evidente nos médicos, pois são aqueles que fazem mais horas seguidas)
E será que estas pessoas têm qualidade de vida? É pelo dinheiro que fazem horas a fio? É que a trabalhar desse jeito nem tempo têm para o gastar… Podem estar a poupá-lo prá herança.
Desfrutem da vida...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Médicos costa-riquenhos com férias pagas pelo governo português


Ainda no mandato socretino, Foram contratados vários médicos costa-riquenhos para tentar atenuar a falta de médicos no país. O problema é que passados 4 meses estes médicos continuam em turismo pago, com um bónus de 1800 eur mensais.

Mais uma façanha do Sócrates em parceria com a ordem dos médicos..

Parece que tudo estará preso por um acordo de reciprocidade... Caso haja algum médico português que queira trabalho na Costa Rica. (lol)… só da pra rir mesmo

Mais uma vergonha neste nosso país que até está tão bem de economias..

O que são 1800 eur, vezes 4 meses, vezes número de médicos contratados? Nada!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

3 anos de PDDSE



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Após 3 anos, são números que me enchem de orgulho e que me levam a pensar que aquilo que começou por uma curiosidade, uma brincadeira, tornou-se uma página de reflexão e discussão, com alguma credibilidade e visibilidade.
 Nada seria sem a vossa participação, colaboração e apoio.
Os problemas nas relações entre profissionais de saúde, os problemas entre profissionais de saúde e utentes, os conflitos, os conflitos de interesses, as injustiças nas carreiras, o que se deve louvar, o que deve repudiar, os momentos divertidos, os momentos infelizes, o desrespeito do profissional para com o sistema, o desrespeito do sistema para com o profissional, os podres na saúde, os podres na formação, os podres nas escolas, os podres nos serviços, os momentos caricatos, os momentos difíceis, os bons momentos, as mágoas, as revoltas, as más atitudes dos enfermeiros, as más atitudes dos médicos, as más atitudes dos auxiliares e as boas atitudes também, os stresses, as paranóias, os vícios, as polémicas, as ideias, as sugestões e os pensamentos.
Foi tudo isto e mais ainda…
E assim espero que continue… mas que os factos positivos se sobreponham aos negativos, ao contrário do que até aqui.

Obrigado!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Triste saúde

…doente com 42 anos com diagnóstico de fibromialgia há 5 anos, seguida em reumatologia, vem com dores musculares. Estava a tomar Lyrica, Cymbalta e Cloxam e estava melhor. Porém, por razões financeiras, foi-lhe mudada medicação para Fluoxetina, Daizepan, Diclofenac e Trazodona e tem vindo a piorar…

Custa-me ler isto, quando temos toxicodependentes que são isentos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Trabalhar no Novo Hospital de Braga


Acho que seria importante que todos tivessem conhecimento acerca da realidade de um hospital Publico privado, ou melhor Privado (e muito pouco de ) público. Trata-se de um relato de um enfermeiro (anónimo) do hospital Escala-Braga, cujo objectivo será decerto difundir a sua mensagem ao maior número de pessoas possível. O meu comentário segue no final

“Trabalhar no Novo Hospital de Braga

Como Enfermeiro no novo Hospital de Braga, venho manifestar a minha insatisfação e preocupação, pela forma como foram calculados os rácios do número de doentes por Enfermeiro, em quase todos os serviços de internamento.
É humanamente impossível prestar cuidados de saúde de excelência. A Sr.ª Enfermeira Directora, com a conivência das Enfermeiras Chefes dos serviços de internamento, disponibiliza diariamente das 20:30 horas às 09:00 horas apenas dois Enfermeiros e um Técnico Operacional (Auxiliar de Acção Médica) para um total de 30 doentes internados. Durante a tarde, fins de semana e feriados, todo o dia, cada enfermeiro fica responsável por 10 doentes!
Gostaria de lembrar que somos um Hospital Central (do SNS), de doentes agudos e instáveis, que requerem muita vigilância e cuidados diferenciados. Para além de que é referência para toda a região do Minho (mais de um milhão de habitantes).
A agravar as condições de assistência médica tem sido prática recorrente, e por decisão da administração, encerrar alas completas de determinadas especialidades. Obrigando, consequentemente, à passagem dos doentes para outros serviços, muitas vezes, de especialidades totalmente diferentes, e com outras especificidades.
Isto acontece por motivos puramente economicistas, que colocam em causa os interesses primordiais do doente. Mas também os profissionais de Saúde são afectados com estas políticas da administração do Hospital. Muitos têm sido frequentemente mudados de serviço, dispensados, por vezes, acontece a meio de uma jornada de trabalho, etc. Isto traduz-se, obviamente, numa enorme instabilidade profissional e familiar (sim, porque, não se lembram estes senhores, mas também temos famílias, que também sofrem com toda esta situação). Obviamente, com todas estas ocorrências, os enfermeiros, nunca são integrados nos novos serviços (muitas vezes, radicalmente diferentes), e deparam-se com 10 doentes, ou mais, ao seu cuidado, com características e cuidados exigidos, com os quais podem os profissionais não estar tão familiarizados. Sofremos nós, os enfermeiros, mas sofrem ainda mais os doentes.
A agravar este cenário, assistimos mensalmente, a mudanças na organização do tempo de trabalho. Em poucos meses de vida, este novo hospital já nos proporcionou os mais diversos e engenhosos tipos de horários! Tudo para tentar economizar mais alguns trocos! Seja por omissão de passagens de turno ou por redução de elementos em determinadas sobreposições, mais uma vez, as opiniões e interesses dos profissionais, não são tidos em conta. E muito menos pensa o Hospital se estas constantes alterações nas rotinas de trabalho afectam os doentes.
Quase todos os dias confrontamos as nossas Enfermeiras Chefes com as dificuldades que enfrentamos: o número reduzido de profissionais (Enfermeiros e Assistentes Operacionais) nos respectivos turnos de trabalho; a dificuldade de vigilância dos doentes; a impossibilidade de prestar cuidados de saúde de excelência. Para espanto nosso, as nossas chefias (Enfermeiras Chefes) não nos apresentam soluções e “choram como Madalenas arrependidas”!
Custa-nos entender que tenham este tipo de atitudes, quando a maioria delas antes da Parceria Público Privado com o Grupo Mello eram reivindicativas e firmes quanto aos rácios do número de doentes por Enfermeiro. E, algumas delas, ainda têm a “lata” de responder agora que “temos de ajudar o Grupo Mello”.
Nós profissionais, pensava-mos que ia ser um orgulho inaugurar um Hospital novo, com condições de resposta muito boas para todos: profissionais e doentes. Enganámo-nos redondamente! Condições para os doentes e visitas, sim. Melhorou substancialmente. Embora já se comece a notar que a escolha, da generalidade dos materiais, foi de péssima qualidade. Já existem muitas coisas estragadas e partidas, ainda com tão pouco tempo de uso (o ar condicionado continua a não funcionar correctamente, o sinal nas TVs é vergonhoso, inúmeras fechaduras danificadas tal como o porta papel dos WC, etc.)
Quanto às condições de trabalho para nós profissionais, falta quase tudo… Só para dar dois exemplos: os gabinetes de Enfermagem são minúsculos (não cabemos todos, nas passagens de turno, quando transmitimos aos colegas que nos vêm substituir, toda a informação importante dos doentes que estão internados); e é inadmissível não haver uma televisão para que consigamos estar despertos durante a noite (já que passamos 24 horas por dia com o doente); mas em cada enfermaria de duas camas, existem duas televisões LCD).
É também preocupante, que em certos períodos (feriados e fins de semana), exista apenas um maqueiro para dar apoio a todos os serviços de internamento do Hospital. Por norma, e na melhor das hipóteses, um exame “urgente” pedido de manhã é realizado ao final do dia, ou então no dia seguinte. Tem sido, muitas vezes, a boa vontade dos Enfermeiros e dos Assistentes Operacionais a evitar que muitos doentes não agravem o seu estado clínico ou algo mais grave, porque não realizaram um determinado exame atempadamente. Tudo porque o Hospital não quer pagar a mais alguns maqueiros.
A alimentação dos doentes, é também uma situação embaraçosa. É recorrente faltarem dietas, outras vêm incorrectas. Muitas vezes a porção do peixe e /ou da carne, é minúscula, etc. Tudo isto, começou apenas a acontecer, e de forma sistemática, após a privatização da cozinha do hospital.
Não menos frequente, é o facto de muitas vezes, quando se pede medicação à farmácia para os doentes, aparecer uma nota a dizer que o fármaco está esgotado. O que obriga o médico, a prescrever uma alternativa, se existir. Outra solução, que tem acontecido, é pedir à família para ir comprar a uma farmácia do exterior. Só assim o doente que está internado num hospital do SNS, pode fazer convenientemente a sua medicação; para não falar da medicação diária para o doente internado (designada unidose), que chega aos diversos serviços “tarde e a más horas”, mal identificada e com inúmeras faltas, enfim uma “balbúrdia”, o que nos obriga a nós Enfermeiros a uma atenção redobrada, para não haver troca de medicação.
E que dizer do ultraje, que é o parque de estacionamento do novo Hospital para os funcionários?! Ser obrigado a pagar 40,00€, ou mais, por mês, para poder exercer a profissão, é no mínimo um abuso. Para um Assistente Operacional, por exemplo, representa num ano o subsídio de Natal.
Para terminar, quero ainda denunciar o facto de existirem neste Hospital muitas disparidades no que toca à remuneração de profissionais iguais, que desempenham as mesmas funções. Após a privatização, profissionais que já trabalhavam há muitos anos no Hospital de São Marcos, foram “forçados” a mudar o seu contrato e, consequentemente, a trabalhar mais horas (de 35h para 40h semanais). No entanto, passaram a receber menos dinheiro, pois os suplementos nocturnos e de fim-de-semana, foram reduzidos de 50 e 100% para 25% e 0%. Ora, se estes profissionais, continuam a desempenhar as mesmas funções e a trabalhar para o mesmo SNS, não se compreende a sua desvalorização financeira, quando outros colegas mantêm a mesma remuneração.
Com tudo isto, penso que os profissionais de Saúde e a população utente do novo Hospital de Braga, ficou a perder em relação ao “velhinho” Hospital de São Marcos. Os profissionais de Saúde sentem-se desmotivados com todas estas situações. Eu próprio, sinto vergonha de ser Enfermeiro (profissão que sempre adorei e adoro) no novo Hospital de Braga. Aqui não me considero Enfermeiro, mas sim um “Jornaleiro” (sem desprazer pelos jornaleiros), a prestar cuidados a doentes, que necessitam de atenção da nossa parte, e que não a têm, pois já não temos tempo para lha dar.
Este sentimento aqui expresso por mim, é comum a todos os profissionais desta Instituição.
Com tudo isto, eu espero que a nossa Ordem, os Sindicatos, a Entidade Reguladora da Saúde e os Líderes parlamentares dos vários partidos pelo círculo de Braga, tomem uma posição, para que se possa mudar algo no nosso Hospital. Temos de voltar a prestar cuidados de Saúde de excelência, e a ter orgulho de ser Enfermeiro e de trabalhar no Hospital de Braga.

Um Enfermeiro"

Apesar de haver um ou outro pormenor que achei irrelevante que o autor referisse, pois a maioria das pessoas não entenderão (como a TV para os profissionais poderem ver), são gritantes as mudanças para pior no nosso sistema de saúde, tanto para os doentes, como para os profissionais. Algumas delas já aqui no PDDSE têm sido referidas, mas nunca é demais voltar a lembrar. A ver se despertámos para a podridão em que isto se está a tornar. A crise não pode ser a desculpa pelas injustiças que se cometem desde muito tempo antes de se ouvir falar em crise.

sábado, 24 de setembro de 2011

Esgotaram os colares cervicais


Há uns dias atrás o Primeiro-ministro assegurava que a qualidade dos cuidados de saúde não ia ser posta em causa, com todas esta políticas de austeridade.
No nosso hospital de Viana consta que já não há dinheiro para pagar aos fornecedores de colares cervicais. Estes cansaram-se de não receber e cortaram com o fornecimento.
O estado tem fama de ser mau pagador.. Já toda a gente o sabe, já há vários anos ouço falar em dívidas a fornecedores, bombeiros, etc...
Agora não ter dinheiro para pagar um colar cervical, que é uma material relativamente barato e imprescindível, é algo que nos deve deixar bastante apreensivos.

Então Dr. Passos coelho? É esta a qualidade que assegura?
Vamos passar a fazer imobilizações cervicais com os olhos...

sábado, 17 de setembro de 2011

Curtas estapafúrdias Vol IX - O ecstasy e o psicopata


Na triagem geral

Entra no su um casal de adolescentes, queriam um médico urgentemente. Tinham tomado ecstasy e estavam em pânico.
Após observação o próprio médico oferece comprimidos de diazepan.
Um dos jovens agoniados questiona:

"E isto não me vai fazer mal Sr doutor??!" 

Na triagem Manchester….

"Dói-me as mãos, os punhos e este ombro. Ate já fui vista por um psicopata… "

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Só uma pergunta...



O conceito de auxiliar de acção médica (AAM) nos serviços de saúde vai (e bem) mudar.

Cada vez se ouve falar mais em formações, cursos, etc.

Agora pergunto, será que depois destas mudanças as AAM ou assistentes operacionais vão continuar a fazer e desfazer as camas aos médicos?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Casarder



Um idoso chega de taxi à urgência e passados uns tempos, já lá dentro, entra em paragem cardio-respiratória. É entubado, ligado ao ventilador, efectuada uma série de cuidados emergentes e levado para a Unidade de cuidados intensivos.

Já na UCI, após melhorar acorda e diz: "tenho que me ir embora que tenho o taxi à minha espera..."

Faz-me lembrar o outro que tinha a casa quase a arder mas tinha q ir embora porque tinha uma consulta

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Enfermagem intercontinental


Deixo-vos com uma pequena conversa por email, sobre a realidade da Enfermagem no Brasil.
Email enviado pelo Thiago, colega brasileiro:

"Olá Guilherme, há tempos tivemos uma rápida conversa através de seu blog sobre a enfermagem e ser enfermeiro. Sou enfermeiro, formando pela Universidade Federal da Bahia, atualmente estou desempregado, uma forte crise abate a grande área da saúde no Brasil, pela saturação de mão-de-obra, independente da categoria profissional (enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos...) e a escassez de postos de trabalho. Sofremos muito pela precarização do trabalho, pelos baixos salários (de € 332,00 a 1400,00), jornada de trabalho ainda não estabelecida, em média 36 horas semanais. Estamos na luta por 30 horas semanais, assim como as outra categorias, por um piso salarial nacional de 1969,00, ambos projetos de lei que estão tramitando no congresso nacional, faltando apenas a aprovação no senado. Temos problemas com a fragmentação da enfermagem, temos enfermeiros - bacharel universitário, técnicos de enfermagem - nível médio de ensino, equivalente ao enino secundário português, e auxiliares de enfermagem - nível fundamental, equivalente ao ensino básico. Um dos maiores problemas é que as lutas se tornam fragmentadas e individuais, além da falta de capacitação constante através de uma educação permanente e crítica.
Enfim, continuo lendo e seguindo o seu blog e divulgando para os amigos!"

Resposta:

"Ola Thiago!
Em Portugal a situação é semelhante. a questão das 30 horas não se coloca cá.. há horários de 35h e 40h principalmente.
Os auxiliares de enfermagem vao começar a aparecer... ainda desconheço em que moldes.
Nos últimos tempos lutou-se intensamente por uma carreira mais digna, com  justos salários, no entanto esta crise global atenuou a luta...
Basicamente estamos uma merda...
Abraço e volta sempre! vou publicar a nossa conversa.. é importante os leitores portugueses terem a perspectiva dai"

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A gorjeta

Outro dia quiseram oferecer-me 10 eur pelo meu trabalho, pelo minha atenção em proporcionar o melhor cuidado ao doente, em procurar uma melhoria ao doente, no fundo quiseram pagar-me por ser enfermeiro.
À amável senhora, amada esposa do doente que batalhava para respirar, expliquei: “Agradeço, mas deixe estar, o estado já me paga”. Resposta típica de quem no passado se sentia um pouco ofendido nas várias vezes que uma situação semelhante ocorreu ao longo da minha carreira. Fazia-me sentir um pouco como o garçon ou o bagageiro que recebe gorjetas (sem menosprezo).
Mas digo-vos uma coisa, este sentimento acabou. Fui para casa a pensar “Eu devia ter aceite aqueles 10 eur… o estado paga-me, mas paga mal e porcamente… 10 euros sempre da pra ir várias vezes à padaria… ou algumas, que o pão tá um roubo.”
A minha perspectiva mudou naquele dia, o orgulho vai-me cair e com toda a sinceridade e frontalidade vos digo, vou passar a aceitar “gorjetas”. É dado de coração e o dinheiro escasseia.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cultura machista nos assistentes operacionais

Ser assistente operacional ou melhor, ser uma boa assistente operacional não é nada fácil. Elas trabalham que se fartam. Reparem que estou a realçar o sexo feminino, porque também há assistentes operacionais masculinos.
No fundo pertencem todos a mesma carreira e todos têm ou deveriam ter os mesmos deveres funcionais, no entanto elas aspiram e limpam o chão, limpam armários, bancas e WC´s. Aquecem, preparam e dão refeições aos doentes. Vestem, despem e lavam doentes. Desinfectam e fazem camas. Transportam o que for necessário, inclusivamente macas. Colaboram nos diferentes cuidados médicos e de enfermagem como p.e. algaliações, entubações, aspirações, punções, posicionamentos, banhos na cama etc. Têm responsabilidades na esterilização, roupa de doentes e fardas de enfermeiros. Lavam e desinfectam material e repõem caso seja necessário. Transportam e colocam arrastadeiras e urinóis, limpam vómitos, reúnem o lixo, mudam os sacos de lixo, etc etc..
Os assistentes operacionais homens transportam macas e um ou outro tipo de material e repõem material (a maioria contrariado... dizem que não faz parte dos seus deveres). Quando um toma a iniciativa de fazer algo que está "subentendido" ser função da assistente operacional mulher, é criticado pelos seus colegas homens.
A culpa não será deles, a culpa é de quem instituiu ao longo dos anos uma certa cultura machista dos assistentes operacionais  homens ("maqueiros") e de quem é responsável pela gestão e formação de recursos humanos. Conheço alguns hospitais, principalmente da zona norte onde esta cultura não existe. Assistentes operacionais são todos, com as mesmas funções, independentemente do sexo. Se um assistente operacional homem tiver que mudar uma fralda fá-lo, tal como a assistente operacional mulher o faz.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O funcionário ausente

O funcionário ausente é aquele que recebe o vencimento por trabalhos não prestados.
Por outras palavras é pago, mas não trabalha… nem sequer põe os pés no trabalho… não faz um corno, népia, zero, rien.

E perguntam vocês como é isso possível? Também quero!
Então metam-se na política e no sindicato e adquiram uma licença de dispensa vitalícia…

Crise? Qual crise? Este é o pais do xico esperto e dos xicos burros que permitem este tipo de vergonha.
Eu tinha vergonha na cara…

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desabafo urgente

Caro Guilherme e restantes colegas do SU do HSL (ULSAM). Por momentos achei que já tinhamos batido no fundo e era impossivel piorar, enganei-me. Aquilo que era desrespeito pela dignidade profissional dos enfermeiros transformou-se em violação da dignidade humana das pessoas que exercem enfermagem naquele serviço. Acontece que agora já sou mais cauteloso quando me questiono se será ainda possivel piorar mais, pois acredito que embora díficil basta pensar um pouco para encontrar uma ideia manhosa para tapar mais um buraco.

Outra questão que me coloco é até quando isto irá continuar?
Obviamente que não consigo responder. Todos os meus anteriores prognósticos foram totalmente erróneos.
A equipa de enfermagem está totalmente fraccionada e desgastada, que nem para lutar consegue arranjar forças, torna-se facilmente manipulável. A maior parte dos colegas perdeu o respeito por si próprios.

Reconheço que mesmo nestas condições parte significativas dos colegas conseguem manter um nível de qualidade e profissionalismo magnificos. Agora peço-vos um esforço mental para imaginar enfermagem de urgencia/emergência se se cumprissem algumas metas fundamenais:

- racios seguros;
- horários normais (35h/semana);
- formação em serviço;
- supervisão clinica em enfermagem;
- organização dos medicamentos e material de consumo clinico;
- integração e acompanhamento dos elementos recém-chegados;
- equipa de transferência de doente crítico;
- reuniões de serviço para aferir formas de actuação, resolver confiltos e estabelecer objectivos alcansáveis;
- manutenção adequados dos equipamentos;
- dotação de Assistentes Operacionais adequadas;
- orientação desses mesmos Assistentes Operacionais sobre estratégias de trabalho e objectivos a atingir;
- Reuniões multiprofissionais para construir objectivos e estratégias comuns (respeito efectivos pelas várias classes profissionais, nomeadamente os menos diferenciados, porque como seres humanos são iguais ao director de serviço ou ao primeiro ministro)
...
.....

Ops, desculpem estava a sonhar!
Voltando à realidade.
Este comentário serve apenas para desabafar. Não vai trazer qualquer mais-valia. Tem o valor que lhe os leitores lhe queiram dar. Para mim ajudou a fazer um pouco se psicoterapia.

Não me identifico por razões óbvias.
Perguntarão vocês porquê? E eu repondo... Já vi coisas que pensei não serem possiveis.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Serviço de urgência com falta de soluções

Ano após ano, com início da época de férias sente-se a angústia da equipa de enfermagem pelo excesso de carga de trabalho.
Para aqueles que desconhecem como as coisas funcionam, numa empresa normal os rácios podem ficar diminuídos durante as férias, porque o trabalho de X pode esperar, ou até pode ser substituído pelo de Y, ou a produção pode até passar a ser menor, mas numa empresa de saúde, isso não pode acontecer. Os rácios têm que ser mantidos e assim, com as férias, surgem os problemas que tardam a ser solucionados. Os que lá estão, quer queiram quer não, têm que dar resposta e fazer bastantes mais horas do que aquelas estipuladas.
Na minha opinião, quando há problemas deste género num hospital o serviço de urgência deveria ser o primeiro a ser resguardado com um reforço de recursos humanos, nem que fosse temporário. Mas ano após ano a história repete-se e a indignação da equipa pela inércia sucessiva dos responsáveis aumenta.

terça-feira, 14 de junho de 2011

TV enfermagem

Passo por aqui para vos recomendar o novo canal de enfermagem, "TV enfermagem".
Não sei se será bem bem novo, mas pelo menos parece e promete. Digo isso porque já no ano passado tinha falado num canal de enfermagem, mas não sei se será o mesmo.
Seja como for aborda assuntos que são do nosso interesse e eu gosto sempre de divulgar tudo o que seja pela enfermagem.
Além disso fiquem atentos porque pode ser que apareça numa reportagem! (olha o gajo convencido.... :))

Beijos

ps tive a ver melhor e afinal parece que é mesmo novo...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O cliente tem (quase) sempre razão.

Uma idosa cai e dá uma pancada no cotovelo com uma ferida aberta. A ferida é suturada e o cirurgião e a interna preparam-se para lhe dar alta quando ela diz:
E não vou fazer RX ao braço shor doutor?
Não, não é necessário, respondem os médicos.
Passados segundos…

Olhe que eu parti o braço, peça-me um rx por favor!
Você não partiu o braço fique descansada! Mexe bem, ora tá a ver!
A mulher pouco convencida, insiste indignada pela terceira vez..

E vai-me mandar embora sem o rx!?
Pronto para ficarmos descansados eu peço-lhe o rx, mas garanto-lhe que não tem nada, mas tá bem..

E não é que tinha mesmo uma fractura do olecrâneo..(cotovelo)
Grande lição que aprendemos, o cliente tem sempre razão... Ou quase sempre..

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quem são os responsáveis?

Gostava de saber a vossa opinião.
Imaginem o seguinte cenário de um qualquer hospital.

Um sector do Serviço de Urgência que engloba:

  • Uma sala de emergência onde chegam os doentes efectivamente emergentes que como calculam exigem muito tempo cuidado e atenção dos enfermeiros,
  • Uma sala de "agudos" onde são observados doentes em estado crítico e onde se prestam os mais variados cuidados a doentes do foro cirúrgico, médico, ortotraumatológico e outros.
  • Uma sala de Pequena Cirurgia que recebe diariamente várias dezenas doentes com feridas, escaras, abcessos, queimaduras, etc 
  • Uma "sala de espera de ortopedia" onde aguardam medicação e outros procedimentos vários doentes observados por Ortopedia, acabando muitos destes por ter que ser preparados para o Bloco Operatório e por fim,
  • Um corredor com vários doentes em maca encostados à parede ("OBS" Macas), necessitados dos mais variados cuidados como medicação, vigilância de Sinais Vitais, alimentação, higiene, posicionamentos, etc etc etc…
Há vários turnos onde se verifica nenhum doente neste corredor o que quer dizer bom trabalho da equipa médica e de enfermagem ou pouca afluência, mas há também muitos turnos em que estão dezenas de doentes neste mesmo corredor, o que quer dizer, das duas uma, trabalho ineficaz da equipa médica ou internamentos e OBS lotados.

Estão a imaginar? Isto é só uma panorâmica geral...

Para este sector descrito estão 2 enfermeiros que tem que se coordenar e saber trabalhar em equipa.
Um mais “responsável” pelo tal corredor e ortopedia e o outro mais “responsável” por todas as outras áreas descritas. Importante realçar que quando entra um doente para a Sala de Emergência ou Sala de Agudos deverão estar presentes os 2 enfermeiros durante o tempo que for necessário (que poderá ser bastante), o que faz com que todas as outras áreas fiquem desfalcadas da vigilância de enfermagem. Importante também acrescentar que frequentemente há transferências de doentes para outros hospitais, com acompanhamento por um destes enfermeiros.

Agora imaginem que um dos doentes que está em "OBS Macas", numa maca há 2 ou 3 dias, desenvolve escaras (úlcera ou ferida em doentes acamados) devido à sua débil condição física e/ou incapacidade de se virar na maca.

Lanço a seguinte questão,
Na vossa opinião quem são os responsáveis em ordem decrescente?


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Finalistas mal preparados

Sempre critiquei a abertura desmesurada de escolas de enfermagem. Para mim este é um dos principais motivos da decadência da enfermagem, já discutido várias vezes no PDDSE aqui e aqui.
Como consequência vemos alunos finalistas mal preparados para a vida profissional. Inseguros, sem brilho, sem brio e com pouca bagagem teórico-prática.
Mas o pior é que a culpa não é deles.
A culpa é deste fenómeno que a Ordem dos enfermeiros permitiu, a culpa é das suas Escolas e dos seus planos curriculares que passam por campos de estágio em Lares, Consultas externas e Unidades de cuidados continuados. Isto até ao último ano de curso, sem que os alunos passem por serviços cruciais para a aprendizagem, como por exemplo internamentos de cirurgia e medicina.
A enfermagem está a ir pelo pior caminho possível em Portugal...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O elogio de Miguel Portas aos enfermeiros



Ba lá... alguma coisa para aumentar o nosso ego que tem andado tão em baixo.

Não é por este elogio que o digo, mas sempre achei o Miguel Portas uma pessoa sensata e inteligente. É um dos poucos políticos que admiro... vendo bem, deve ser o único. Prova disso é o video em baixo... Recomendo, tal como o primeiro.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

III Passeio de bicla - "É disto que eu gosto!"


Recebi na minha caixa de correio um convite aberto a todos os interessados, para o espetacular passeio à serra amarela 

"Dia 8 de Maio mais uma subida à serra Amarela em BTT . Passeio livre a todos os amantes da modalidade, em pleno Parque Peneda Gerês e passagem pela Ermida. O ponto de encontro vai ser junta a Pousada de Juventude em Viana do Castelo às 8 horas, ou Entre Ambos-os-Rios às 9h, estrada Ponte da Barca Lindoso, para depois ir até ao ponto de partida que vai ser no Castelo do Lindoso."

nota: Levar reforço alimentar, e alguns trocos para o almoço... e uma bicicleta afinada 
Fim da aventura prevista para qualquer hora a partir das 16h.

MAbreu

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vergonhoso

Sabiam que há Administrações hospitalares que diminuem o rácio de assistentes operacionais dos serviços, por estarem alunos de enfermagem em estágio?
Nota: não é no hospital de Viana... Consta que é lá prós lados de Braga..
É por esta e por tantas outras como esta que o título deste blog faz todo o sentido..

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Engenharias no Hospital


Custa-me a acreditar quando a incompetência é promovida.
No meu hospital parece que tudo passa pelo aval de um senhor que de saúde nada percebe.
Ele decide, ele manda, ele insiste, ele controla, ele não ouve, só ele é que sabe..
Há várias histórias e jogadas desse senhor…
Consta que havia um concurso para escolher um ecógrafo para Obstetrícia. Os obstetras testaram alguns e optaram por um determinado. Mas eis que surge o senhor que manda e decide por um ecógrafo que nem a concurso foi.
Huum.. Cheira-me a esturro...
Agora os  obstetras (que são aqueles profissionais que utilizam efectivamente o ecógrafo) são obrigados a utilizar um aparelho que não gostam, porque o senhor que sabe tudo, decidiu que assim fosse, porque ele é que sabe, ele é que decide e a opinião dos profissionais de SAÚDE nada interessa.

Em obras também é perito...

Obras na psiquiatria... ele é que sabe, ele é que manda e no final da obra as camas não entravam na enfermaria... Fantástico

E outras tantas haveria por contar...

Mais uma seta do Robin dos hospitais

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O livro das (s)ocorrências

Leio o livro de “ocorrências” de enfermagem e entre os vários problemas eternamente insolúveis e as várias lamentações esquecidas o que salta mais a vista são as infindáveis transferências efectuadas por enfermagem.
Enfº X efectuou a transferência do doente Z para hospital S. Marcos, saiu às 20h chegou às 23h, enfº P efectuou transferência de um doente para hospital S. João, saiu às 12 regressou as 14:30…
Tenho a sensação que se escreve apenas pelo acto descritivo, como se fosse um diário de bordo. Qual o sentido? Justificar a necessidade de mais um enfermeiro por turno? Justificar a necessidade de uma equipa de transferência? Dizem que sim... Mas não estamos a conseguir... E já lá vão anos, anos, anos e mais anos e o problema persiste.
Ainda num post recente falou-se deste problema das transferências, seria bom que os nossos superiores lá do piso 8 percebessem de uma vez por todas que se trabalhar com 7 enfermeiros na urgência já é por si só problemático para não dizer caótico, imaginem o que será com 6.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pânico na Urgência Pediátrica

A Urgência Pediátrica é certamente o pior sector de trabalho para o(a) enfermeiro(a) do Serviço de Urgência.
As queixas dos profissionais que lá trabalham são contínuas e demasiadamente graves.
Reivindicámos:

  • 2 elementos de enfermagem em permanência no turno da Manha e tarde (já para não falar da noite… É desumano deixar a Urgência Pediátrica à responsabilidade de apenas 1 enfermeiro. É impensável este sector ter 3 ou 4 pediatras para apenas 1 enfermeiro).
  • 1 assistente operacional de permanência (há apenas uma assistente para a Triagem e Urgência Pediátrica, dois locais extremamente exigentes).
  • Melhores e mais eficazes formas de segurança de profissionais e utentes (qualquer pessoa entra na Urgência pediátrica, quer por uma porta de acesso aos contentores, quer pela conivência dos porteiros e os episódios de ofensas aos enfermeiros e médicos são constantes).
  • Maior controlo do número de acompanhantes (pelo mesmo motivo anterior).
  • Maior e mais adaptado espaço físico (isto só será possível com obras ou com a nova Urgência que se fala... Há dias em que este local mais parece um cenário dantesco, com as crianças e pais amontoados num espaço ínfimo sentados no chão e em escadas.
  • Algum bom senso e critério da parte médica. (muitos são os pediatras que dão indicação aos pais de trazerem a criança a urgência como se de uma consulta externa se tratasse. Além disso nota-se cada vez mais um aumento absurdo e inexplicável nas prescrições, principalmente de procedimentos clínicos. Imaginam o que é um enfermeiro a executar 6 ou 7 procedimentos clínicos prescritos pelos 3 ou 4 pediatras para cada criança?! Parece que as prescrições são feitas como que se o enfermeiro se tratasse de uma máquina fabril.
  • Uma larga sensibilização aos pais para recorrer ao Serviço de Urgência só em caso estritamente necessário (aqui também os enfermeiros têm responsabilidades e deveres)
Espero que isto chegue a quem manda!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Integração de enfermeiros no novo Serviço de Cardiologia

A todos os colegas tenho que manifestar a minha felicidade quando soube que no projecto de criação/remodelação do S. Cardiologia, no que respeita aos recursos de enfermagem, foi projectado um período de integração (5 semanas) com passagem por vários serviços específicos na área da cardiologia. Adicionando a este período o facto de se tratar de enfermeiros provenientes de unidades bastante diferenciadas, parece-me que se está a desenvolver um processo adaptativo consistente, que garanta a segurança e qualidade dos cuidados de enfermagem.
Com isto só me resta felicitar o responsável pelo projecto de integração destes enfermeiros. Digo mais, gostaria de o felicitar pessoalmente.

Abel Campos


Concordo inteiramente com o Abel, devemos acima de tudo, realçar aquilo que se faz bem e não apenas aquilo que se faz mal, contrariando assim o negativismo característico deste blog
Aproveito desde já para desejar as maiores felicidades às enfermeiras Mabilda e Lurdes. São ambas uma perda enorme para o Serviço de Urgência e tudo merecem pois são duas excelentes pessoas e profissionais. E tal como avisei aqui, os bons profissionais continuam a sair da urgência… quem se segue??