segunda-feira, 27 de julho de 2015

Não sou assim tanto enfermeiro


Penso que todos já devem ter conhecimento da ultra-humilhação que os enfermeiros têm sido sujeitos nestes últimos anos. Anteriormente já era humilhação pelo vencimento, carreira congelada, corte radical de suplementos, sobrecarga de horários, falta de pessoal, licenciatura não reconhecida e remunerada como tal, 40 horas, etc etc
Mas agora tem sido ultra. Antros de trabalho que oferecem 2,5 eur/hora (ia escrever locais, mas antro é a denominação mais apropriada), Unidades onde os enfermeiros têm que limpar o chão e é melhor parar por aqui para não ficarmos mais mal dispostos. 
Temos a Ordem a condenar estes factos, mas recebe as quotas dos coitados que aceitam isto. Sim para mim são coitados e sim aceitam. Aceitam porque querem à força ser enfermeiros. Ora isto não é ser enfermeiro. Quem é enfermeiro valoriza o seu ofício, tem orgulho na arte apesar de estado em que está. 
Por um lado tenho pena destes coitados (peço desculpa, não consigo chamar-lhes colegas porque estão a ser coniventes com a ultra-humilhação à nossa classe), tenho pena porque vivem na ilusão que um dia tudo vai melhorar. Desenganem-se porque quem vos "oferece" 2,5 eur /hora, nada vai melhorar, porque quem te humilha nunca te há-de valorizar.
Por isso digo que não sou assim tanto enfermeiro, preferia ser especialista em desodorizantes, que sempre seria muito mais digno do que ser (esse) enfermeiro.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Enfermeiro Graduado vs especializado (*)


Desde que a carreira de enfermeiro-chefe se eclipsou, surgiu um novo cargo - enfermeiro coordenador.
Alguns apressaram-se a tirar a especialidade, com o objectivo de ter mais "créditos" para assumir este novo cargo nos serviços. Apesar de um enfermeiro com especialidade poder ser um bom gestor, uma especialidade não confere capacidade de gestão, nem pretende conferir.
Os enfermeiros com especialidade, apesar de, actualmente, não verem reconhecimento, quer remuneratório quer estatutário, pretendem acrescentar mais-valias para a prática. O que vemos hoje em dia são enfermeiros a investir em especialidades médico-cirúrgicas ou de reabilitação por exemplo, mas a intenção é a coordenação e não a aplicação dessas aprendizagens para a melhoria dos cuidados ao doente.
Defendo que um enfermeiro que pretenda coordenar uma equipa deva ter formação para o efeito.
Defendo que entre um enfermeiro mais graduado e um enfermeiro com especialidade, seja o primeiro o escolhido para assumir funções de chefia.
O mesmo se aplica para seleccionar responsáveis de turno.
Caímos no ridículo de ver jovens enfermeiros com especialidade, com poucos anos de experiência, a assumir lideranças quando na mesma equipa há enfermeiros com vasta experiência e capacidade de liderança.
Não digo que os novos não sejam capazes de tal exigência, mas prefiro os velhos.
Não digo que todos os mais graduados terão perfil de líder, mas com os perfis certos e semelhantes, entre um e outro, seria o mais graduado que eu colocaria a liderar.

(*) entende-se por enfermeiro especializado, aquele que detém a especialidade numa determinada área, mas que apesar de desempenhar funções (ou não) nessa área, não é remunerado nem reconhecido como enfermeiro especialista.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Paralisação dos TAE vs Greve de enfermagem









Hoje o telejornal abre (e bem) com a notícia sobre a paralisação dos técnicos de emergência, sublinhe-se que não foi uma greve.
Há uns dias atrás, com os 2 dias de greve dos enfermeiros, tivemos notícias flash, no último terço dos telejornais e alguns canais nem relevância deram ao acontecimento.
Sei que tivemos ofuscados pelo fenómeno JJ, mas isto só prova que somos pouco importantes para a opinião pública.
Fico satisfeito pela visibilidade que deram aos técnicos de emergência e espero que consigam justiça, no lado oposto, fico desiludido com aquilo que representámos para a comunicação social.
O que está errado?
Será que precisamos de nos atirar para o chão e empurrar polícias, como os lesados do BES? 
Não tenho dúvidas que sim, neste país só o futebol e violência têm audiência.

Outro ponto à parte a reter, é a greve de 1 mês que os técnicos de emergência anunciam. Será que precisamos seguir este formato?
Não tenho dúvidas que sim

Erros de comunicação entre enfermeiros e médicos


Uma das piores coisas que me podem fazer em trabalho é desvalorizar as informações que dou, relativamente ao estado de um doente e pior que isso é recebê-las com sarcasmo e indelicadeza.
Sei que trabalhámos sob pressão, com falta de pessoal e sei que há profissionais que não conseguem lidar com várias situações críticas ao mesmo tempo, mas ninguém (pelo menos os profissionais de saúde) têm uma responsabilidade directa nisso.
Há médicos que respeitam o que lhes é comunicado, alguns agradecem até, porque aquela informação é importante para o sucesso do seu trabalho, para o sucesso do trabalho em equipa, outros precisam de desenvolver essa capacidade, porque caso contrário cai por terra o sentido de cooperação, confiança e segurança entre elementos de uma equipa que tem objectivos comuns. Além disto, o que eventualmente poderá acontecer é o emissor "passar-se da cabeça" e responder igualmente mal... ou pior.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Greve 4 e 5 Junho - A última fase de pressão até às eleições.


Temos deveres, mas também temos direitos!
Este é o momento para nos unirmos, na luta pelos nossos legítimos direitos.
Demasiados assuntos pendentes desde há anos, para os enfermeiros. Bem sabemos quais são, não vale a pena repetirmo-nos a enumerá-los.

Todos estamos cansados de greves e lutas, que por vezes pensamos que não levam a lado nenhum, mas ficarmos parados e coniventes com as irregularidades e injustiças a que estamos sujeitos, isso é que não leva mesmo a lado nenhum.
Eu penso assim, e tu?

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O caso do bulliyng na Figueira, visto por mim.


Ontem as redes sociais foram inundadas com partilhas e comentários sobre o caso de bulliyng de adolescentes na Figueira da Foz.
Recusei-me a ver o video, porque já sabia que iria ficar mal disposto, revoltado e de certa forma, deprimido por ver o que o ser humano é capaz de fazer.
Hoje em dia já tenho o bom senso de triar e não ver muito lixo que passa pelas redes sociais, lixo esse que é prejudicial à nossa harmonia espiritual, consequentemente à nossa saúde. Por isso, fica o conselho.
Mas era inevitável, os telejornais abriram com essa notícia, fui como que "forçado" a ver.

Mais do que a estupidez e a brutalidade dos adolescentes, revolta-me a estupidez e a brutalidade dos comentários dos adultos que leio nas redes sociais, alguns deles de figuras públicas.
Claro que depois de ver o vídeo dá vontade de dar um par de tabefes a todos os agressores, desde às que batem, aos que amarram, passando pelo(a) que filma, mas nunca poderia passar de uma vontade, de um pensamento, para talvez tentar aliviar a fúria que aquelas imagens nos proporcionam, porque caso contrário estaríamos a descer ao mesmo nível dos agressores.
Não entendo as pessoas que têm uma fome imensa por julgar os outros, por ameaçar e insultar. A totalidade ou quase totalidade dos comentários que leio, contêm insultos e ameaças de alto grau de complexidade e gravidade, algumas chegam às próprias páginas dos agressores. Já pararam para pensar que isso é bulliyng também?
Imaginam se agora uma das adolescentes se suicida? É possível... depois de tudo o que se está a passar e depois de todos os insultos e ameaças que é alvo. Como é que tu, que insultas e ameaças te sentirias?
Não seria melhor escrever quem é que são os responsáveis, além dos agressores?
Não seria melhor escrever quais são as soluções para que isto seja minimizado? Sim minimizado, porque isto sempre houve e sempre haverá, não se iludam.

Além de todos os agressores, os responsáveis são os pais, são as escolas, são os facebooks, os Ídolos, as casas dos segredos, as novelas, os desenhos animados, and so one and so one...
Soluções? repensar o sistema educativo, formar e responsabilizar os pais. Proibir alguns conteúdos televisivos, responsabilizar os meios de comunicação social, and so one and so one

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Quando as mães espremeram as mamas



Para que daqui a uns anos recordemos que este foi o mês em que se soube que hospitais exigem provas de leite às mães trabalhadoras, por coincidência enfermeiras.
Porque não devemos esquecer quando nos pisam.

Há dois pontos que considero relevantes neste caso.

1. Como é que médicos põe em causa a veracidade de um atestado passado por um colega.

2. Entende-se a causa desta absurda medida. Há mães que de facto não estão a amamentar e estão a usufruir da licença de amamentação, mas essas são as mães que necessitam desse tempo para estar com os seus filhos, precisam desse tempo para criar os seus filhos. Que se discuta este caso para que se chegue talvez à conclusão que é importante a mãe e/ou o pai, terem uma redução de horário para estarem mais presentes na educação dos seus filhos, pelos menos até os 12, 14 anos, diria eu.


Aplaudo a Ordem dos médicos, com estas considerações

domingo, 26 de abril de 2015

Luís Gouveia Andrade: médicos e enfermeiros – quando 1 + 1 é maior do que dois


Circula na net, um excelente artigo do Jornal Médico.pt, cujo autor é o médico Luís Gouveia Andrade.
De seguida, selecciono alguns excertos, mas consultem aqui o link com o artigo na integra. No final faço o meu curto apontamento.
" (...) penso ser consensual que os dois grupos que mais interagem com os pacientes e entre si são os médicos e os enfermeiros.
A relação entre estes dois grupos tem sofrido evoluções ao longo do tempo mas pauta-se ainda por desequilíbrios diversos, com origens diversas, que geram uma percepção enviesada das competências de cada um e, por consequência, afectam toda a cascata de comunicação. Quem é o principal prejudicado neste processo? O doente.
Pessoalmente, nunca consegui compreender as dificuldades de relacionamento entre profissionais que exercem a sua função na saúde, que têm como missão central proporcionar bem-estar aos doentes (...).
Por um lado, vejo os médicos a encararem os enfermeiros como seus subordinados, a quem não devem explicações, exigindo somente a execução de gestos de enfermagem de uma forma acrítica e não modulada por critérios clínicos. Por outro lado, vejo na Enfermagem um sentimento de frustração e de revolta face aos médicos, por considerarem que estes dedicam menos tempo aos doentes, que não os envolvem nas decisões terapêuticas e por se sentirem menosprezados por eles. E pior do que isso, este clima de conflito é estimulado desde a Faculdade, onde os alunos são logo formatados para verem nos outros grupos não parceiros mas “seres” diferentes de quem se deve desconfiar…
As actividades exercidas por médicos e por enfermeiros são, obviamente, distintas mas são absolutamente complementares. Os gestos que cada um executa e o modo como são executados são centrais para o sucesso terapêutico. 
A transmissão desse calor humano deveria ser, deve ser, da responsabilidade de todos os que estabelecem contacto com os pacientes (...). Mas, pela maior frequência de contacto, é aos médicos e enfermeiros que cabe a maior “fatia” nessa corrente afectiva.
A ausência de uma eficiente cooperação entre estes dois grupos implica má comunicação, aumento do risco de erro e um ambiente global de desconforto que é facilmente captado pelos doentes, aumentando a sua ansiedade, diminuindo a sua confiança nas equipas e prejudicando a sua recuperação.
Os meios para se conseguir uma saudável colaboração entre enfermeiros e médicos são múltiplos: a participação conjunta em reuniões clínicas, a discussão em comum dos processos clínicos dos doentes, a manutenção de fichas clínicas devidamente preenchidas e organizadas por ambos e uma regular comunicação entre ambos. 
É igualmente importante que as respectivas competências sejam respeitadas e que cada um saiba qual o seu papel na prestação de cuidados de saúde. Contudo, essa compartimentação de funções não deve ser estanque e o espírito de entreajuda e de bom senso deve imperar. (...)
A comunicação em saúde assume um papel preponderante e, quando ela falha, os riscos que se correm são elevadíssimos. O número de mortes em ambiente hospitalar relacionadas com falhas de comunicação tem sido alvo de inúmeros relatórios e é significativo. E mais do que isso, são mortes facilmente evitáveis.
Provavelmente, o aspecto mais importante no que se refere à criação de um bom ambiente de colaboração entre médicos e enfermeiros passa apenas pelo respeito mútuo, pela saudável convivência entre todos, pela clara definição dos papéis e competências de cada membro da equipa, pela existência de uma liderança inequívoca, pela capacidade de assumir erros e definir estratégias para que não se repitam e, como referi, por uma comunicação constante, clara e eficaz. (...)
Enfermeiros e médicos, trabalhando em conjunto, respeitando o seu espaço, respeitando-se entre si e comunicando abertamente, serão capazes de oferecer aos seus doentes uma abordagem verdadeiramente holística, onde cabe o tratamento da doença, o conforto afectivo e o respeito que lhes é devido.
Para um doente pode ser tão importante a eficácia de um medicamento ou de uma intervenção cirúrgica como é uma palavra amiga, um gesto de carinho, alguns minutos de atenção. Enfermeiros e médicos podem e devem conjugar todo o seu saber técnico e o seu humanismo para proporcionarem aos pacientes tudo o que eles precisam e merecem.
Se o fizerem em conjunto, em equipa, num espírito de sã cooperação, os resultados serão excelentes e, seguramente, muito superiores aos obtidos individualmente.
A união faz a força: eis um chavão que aqui adquire a sua máxima verdade…"
Depois de ler este artigo, confesso que fiquei com aquela sensação de inveja... o artigo é tão verdadeiro, traduz tão bem aquilo que eu sinto, que queria ter sido eu a escrevê-lo! Fica também a sensação que muito do que aqui está escrito é uma utopia. A realidade, de facto, tal como pretende dizer o autor, não é esta. O que fazer então? Os indícios estão lá... começar por mudar a "formatação" nas Faculdades. 
Dessa forma, talvez daqui a 15, 20 anos chegaremos a essa utopia, que outros países mais avançados, já atingiram. 

domingo, 19 de abril de 2015

Alcoolismo na saúde



Não se compreende como é que um bar de um hospital vende bebidas alcoólicas.
Não se compreende como é possível um funcionário beber seis cervejas (33 cl) ao longo de um turno.
Também não se compreende como alguém é capaz de fumar num serviço de reparações de equipamentos, num serviço de componentes mecânicos e eléctricos. (Já tinha escrito sobre este assunto em particular, num post anterior, mas repito, porque a situação mantém-se)

Já várias vezes abordámos estas problemáticas (vide etiquetas alcoolismo, drogas), o que fazer então para combatê-las?

terça-feira, 7 de abril de 2015

Rewind, get set go!




Em resposta ao seguinte comentário sobre a eliminação do post anterior: 
"Realmente custa-me muito estar a escrever aqui,um comentário desagradável, (...).O meu desagrado tem a ver com a eliminação do post anterior, a que se referiam ao serviço de urgência e UCI, foi retirado por que é que será? já não há democracia aqui no blog?sinceramente que falta de respeito....."

Poderemos dizer que há dois tipos de bloggers, os bloggers temáticos e os bloggers problemáticos. 
O primeiro aborda assuntos triviais, como sobremesas ou crochet e aí pode ou não identificar-se. O segundo escreve sobre assuntos delicados e não pode identificar-se.
E porque razão não se pode identificar?
Porque o mundo, por muito que nos custe, não é um lugar perfeito, onde cada um pode escrever ou desenhar o que lhe apetece.
Eu pertenço mais ao segundo tipo.
Sendo assim, um blogger problemático (BP), tem que preservar o seu anonimato se quer uma total liberdade de expressão. Quando o seu anonimato é comprometido, a sua liberdade de expressão fica desde logo condicionada.
Por isso eu sou e serei o Guilherme de Carmo, mais condicionado enfim, isto porque cometi erros e a minha capa foi destapada por alguém, alguém que eu pensei que a resguardasse, mas assim não sucedeu. 

Mas um BP não tem capa nem quer ser um herói, quer sim ser um impulsionador de ideias, um gerador de argumentos. É alguém que busca a verdade, verdade essa inconveniente por vezes. É alguém que acredita na justiça e desacredita em tabus.

Um BP não é o senhor da palavra, para isso teria uma página onde escrevia para si próprio. Um BP tem uma opinião e deseja que outras surjam. Espera uma concordância ou uma discordância argumentada.
Tem um ponto de vista, às vezes certo outras vezes errado, e sente-se feliz quando alguém tem a capacidade de o saber mudar.
Um BP corre sempre riscos, corre o risco de ser mal interpretado, corre o risco que leitor conduza o que está escrito, para o lado que lhe convém.
Um BP sabe que não pode ou não deve mencionar instituições e/ou pessoas e respeita essa premissa como sagrada. Sabe que não pode ou não deve publicar imagens e vídeos de pessoas e instituições e respeita essa premissa como sagrada. Orienta-se pelo dito, "enfia a carapuça, quem quer".

Um BP é vertical não muda a sua opinião consoante as circunstâncias, é firme nas suas convicções e é o único responsável por aquilo que escreve.
Um BP sabe em quem pode confiar, sabe quem lhe garante uma verdade incondicional.

Eu sou um BP, tenho um orgulho imenso no que construí.
Mas antes disso sou um profissional que luta para o ser diariamente, sou um profissional que dispensa atritos com quem quer que seja.
E depois disso e acima de tudo,
Sou pai e há riscos que não se correm.

Em memória do meu avô que me "passou" os valores de justiça e liberdade incondicional.

terça-feira, 17 de março de 2015

Nasceste para ser enfermeira

Nasceste para ser enfermeira, para cuidares dos mais vulneráveis.
O teu dom era especial, transmitias segurança e conforto aos teus meninos, aos teus doentes.
Vão sentir a tua falta... Nós vamos sentir muito a tua falta.
Todos falam de ti com um carinho desmesurável.
Já não é o mesmo sem ti, fica um vazio.
Saudades daquele teu jeito divertido, irrequieto.
O teu exemplo de profissionalismo e humanismo perdurará.
Nunca me vou esquecer de ti madrinha.

quinta-feira, 12 de março de 2015

O senhor que (não) trabalhava no Hospital

Era uma vez um senhor que (não) trabalhava no Hospital de Viana como administrativo. 
Ele tinha um poder especial, o poder de trabalhar de forma não presencial. 
O hospital pagava-lhe, mas ele nunca estava presente para trabalhar. Minto... vi-o uma, talvez duas vezes, ao longo dos vários anos de dispensas sindicais e politicas que usufruía. Há gente que nunca lhe pôs os olhos em cima. Alguns dos próprios colegas só o conheciam de nome!
Conseguia ter a capacidade de multiplicação  do direito de dispensa sindical e adição ao direito de dispensa para cargos políticos, ao ponto de estar eternamente dispensado. Fantástico e apreciável esse senhor!
O Estado pagava-lhe para ele dirigir a sua actividade sindical. Fantástico e apreciável este Estado também. Tinha tempo para dirigir uma Junta de uma terriola qualquer e ainda tinha tempo para ser árbitro de futebol ao mais alto nível!!! Só não tinha tempo para trabalhar! 
Não! Não é comédia! É a realidade!
Hoje é director da Segurança Social de Viana do Castelo!
Mais um vómito...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Subcontratação, favorecimento, precariedade


Subcontratação, favorecimento, precariedade são conceitos cada vez mais em voga no nosso meio.

Empresas de subcontratação nascem como cogumelos, com lucros incríveis à custa da exploração e precariedade de contratos dos seus trabalhadores. O desespero e a esperança de que melhores dias virão, leva a que estas pessoas aceitem o chulanço. Mais revoltante ainda se torna este jogo de interesses, quando os gestores destas empresas desempenham cargos de destaque nas empresas requisitantes. Que vómito é este? Enoja-me este sistema, revolta-me este governo, indigna-me esta conivência e passividade. Somos o país do favorecimento, do facilitismo, da corrupção! Vergonha!

Primeiro foram os assistentes operacionais, com histórias de favores pelo meio dos contratos, contratos estes, execráveis.
Depois foram os médicos, aqui já do conhecimento público, com as notícias de lucros milionários por parte das empresas de subcontratação, com a colocação de médicos à tarefa, devido à paranóia do surto da gripe.
Agora são os enfermeiros com contratos de 2 meses pela mesma paranóia. Como é possível? Onde anda a Ordem dos enfermeiros? Enfermagem era o exemplo do profissionalismo e responsabilidade, com processos de integração planificados, rigorosos e dentro de um período de tempo razoável. Agora a integração nos serviços deve demorar talvez um turno... se tanto. Os erros são inevitáveis, quem são os responsáveis? 

São necessários mais enfermeiros? Evidentemente que sim. Não é pela paranóia das gripes que o são, são necessários mais enfermeiros desde há anos! Não é de agora. Agora vê-se até nas redes sociais anúncios "urgentes!" de contratação de enfermeiros...
O Ministério não constata a realidade, não prevê, não planifica, depois cede a alarmismos.
São necessárias empresas para contratar profissionais?! Não há gestores suficientes num hospital para assumir a contratação? É assim tão complicado lançar um concurso e seleccionar candidatos? Bom é pagar milhões a oportunistas!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

4644 € perdidos na Ordem dos enfermeiros


A conta é simples

9 € x 12 meses x 43 anos de trabalho = 4644 € entregues à O.E, por cada enfermeiro, ao longo da sua carreira.

Pra quê? Pergunto eu.

Com este dinheiro casava-me!

Até dói...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mortes nas Urgências - médico a solução, enfermeiro a besta


Olá Olá amigas e amigos! 
Tenho de facto andado desaparecido, não tenho tempo pra nada. Muito trabalho, muitos turnos... o que por um lado é bom, porque ganho muito dinheiro com as horas suplementares, mas por outro é mau, porque não tenho tempo para as lições de piano, fazer esqui alpino, ver a casa dos segredos, enfim... não dá.
Bom, tema do dia, ou da semana, ou da época: MORTES NAS URGÊNCIAS.
Primeiro ponto pessoal (e este é principalmente para os não profissionais em saúde). 
As pessoas anteriormente já morriam nas Urgências, ok? E morriam em espera. Aliás os doentes morrem todos à espera... à espera de melhorar, mas infelizmente não melhoram. Por vezes melhoram e principalmente nesta época, alguns vão para casa pior do que o que vinham. 
Estou a ser um bocado sarcástico, parvo até, mas é propositado, isto para que se perceba que, sim, ok, é mau o que se está a passar neste período, com as mortes de doentes em espera de observação, maaas coisaaaas máaaas aconteceeem durante todo o anooooo nas Urgências em Portugaaaal (parecia o ministro da economia agora, lembram-se?) Genial genial.
Mas ok, é melhor que nada, é bom que se fale, pelo menos agora. O que não aceito é a forma como tudo vem cá para fora, o jeito distorcido com que a comunicação social trata este assunto, colocando o médico como a solução e o enfermeiro como a besta. Mania da perseguição? Não! Vejamos. A falta de médicos é de facto um (e não o) grande problema, mas a falta de enfermeiros e acima de tudo a FALTA DE ASSISTENTES OPERACIONAIS, são efectivamente os outros grandes problemas. Para piorar o cenário, colocam o enfermeiro como um provável culpado do "crime" ao noticiar coisas do género: Doente com pulseira verde morre, depois de esperar 6 horas por um atendimento. A cor da pulseira é totalmente irrelevante para o problema. Os doentes morrem, não pela cor da pulseira que o enfermeiro atribui, mas sim pela deterioração do seu estado ao longo das várias horas de espera. Uma pulseira verde, neste caso, estabelece que o doente poderá esperar em hipotéticas condições de segurança durante 2 horas, tudo o que vem a seguir deixa imediatamente de ser da responsabilidade do enfermeiro da triagem. Depois há outra questão, que é exactidão, ou falta dela, da triagem de Manchester, mas isso são outras questões.
Resumindo, a solução para tudo isto passa apenas por dois conceitos: GESTÃO E RECURSOS, ou recursos e gestão, onde os recursos são multidisciplinares e a gestão é inteligente... Bem vou acordar agora..
Até breve amigos!
Só uma curiosidade pessoal, estão a ver a foto? Equivale a um vinte avos do corredor da Urgência de Viana... agora pensem

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Curtas estapafúrdias Vol. XII


Você é enfermeiro ou é fantasia?

Esta foi a pergunta que um doente me fez.

Parece disparatada a pergunta, mas demonstra a resistência da lucidez contra o sub-mundo da fantasia, da alucinação, que grande parte dos doentes idosos experimentam, enquanto pernoitam num local estranho.

Eu disse-lhe que era o Robin dos Bosques... era preferível continuar a fantasia do que passar pela realidade.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Improvements no Serviço de Urgência


Da mesma forma que critico falhas no nosso Serviço de Urgência, (ainda há pouco tempo, uma delas estava neste post), devo realçar também as boas mudanças. 
Já se pode voltar a circular no corredor do Serviço de Urgência de uma forma menos caótica. 
Pelo menos não há tantos obstáculos de largo volume (camas) de um e de outro lado do corredor. Voltaram as macas, que ao parece, são novas e por enquanto parecem eficientes. 
Evidente que é mau ter macas no corredor, mas camas seria muito pior. 
Outra boa mudança prende-se com a vigilância hemodinâmica do doente, agora já temos muitos mais monitores, tanto na Admissão de utentes (1ª observação), como na Unidade Polivalente (internamento da Urgência). Para quem não é da área, um monitor apresenta o ritmo cardíaco, dá-nos valores de tensão arterial e dá-nos sinais de como o doente está a respirar, entre outras coisas.

 Viana não tem um serviço de urgência de top, mas alguns passos estão a ser dados.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Enfermeiros, o que é que dizem os vossos olhos?


Depois de mais de 25000 visitas ao post anterior, com a entrevista no Alta Definição de Daniel Oliveira ;) achei que deveria dar continuidade a esta ideia, que pelos vistos, para minha alegria, pegou.
Fica uma compilação dos "gostos" e "não gostos" de todos os colegas que aderiram. 
Ahhh! E hoje surgiu-me uma e acho que muita gente se vai identificar:


"Gosto muito de trabalhar quando joga o Benfica. Por duas razões: evito o sofrimento de ver o jogo e o serviço naquelas duas horas fica muito mais calmo, pois só lá estão os verdadeiros doentes."



Lembrem-se que tudo isto se trata de gostos e gostos não se criticam, quanto muito, comentam-se.



Então aqui vai:




Não gosto de depois de 3 dias seguidos com 17hr de trabalho em cada, fazer o meu melhor com os recursos que tenho e ainda ouvir:"não sei porque se queixam (os enfermeiros) afinal sou eu (com os meus descontos) que vos pago o chorudo ordenado"

Gosto da diferença que gestos simples, como OUVIR, fazem toda a diferença.

Não gosto de estar ausente em datas especiais.

Gosto de sentir, mesmo que de quando em vez, que vale a pena.

Não gosto de correr contra o relógio, e ainda assim sentir que muito ficou por fazer.
Gosto de sentir que, mesmo que não o consiga com todos, marquei diferença na vida de alguém.

Não gosto de querer estar com família e amigos, e não conseguir por horários constantemente contrários.

Gosto de GOSTAR DO QUE FAÇO... mas NÃO GOSTO NADA de sentir o que me vai na alma e que pode deitar por terra a vontade de ser ENFERMEIRA... e sim, não me pagam para ser Enfermeira...

Eu gosto de pessoas que fazem o seu trabalho de acordo com as suas competências. 


Não gosto de pessoas que criticam os outros mas não fazem uma reflexão profunda sobre o seu Eu... é mais fácil ter uma palavra negativa sobre os outros que uma positiva...

Não gosto de ver desperdiçar tempo e ouvir dizer "não tive tempo"

Gosto de sentir que dei tudo de mim nas situações mais complexas.

Não gosto de "empatas" e irresolutos nas tomadas difíceis de decisão.

Gosto das palavras "Bom dia" , "Como estão as coisas?", " Precisas de ajuda?" e "Obrigado"

Não gosto que me ignorem , fingindo que não me estão a ver e se esqueçam das minhas funções.

Não gosto quando enfermeiros, médicos e assistentes operacionais querem ou se vêm obrigados, ou obrigam a substituir-se em funções para as quais não estão qualificados nem mandatados.

Não gosto de arrogâncias nem manias de superioridade seja de quem for.

Não gosto de ouvir "eu é que tenho de andar a fazer o seu trabalho" especialmente dito na frente de utentes.

Gosto de entrar e sair nas horas estipuladas pelas escalas.

Não gosto de ver "fugas" ao serviço, incumprimento de escalas nem turnos continuados na impossibilidade de substituição de alguém por carência de recursos.

Não gosto quando tratam o doente por "oh meu amor" ou "oh meu anjo", ou quando dizem "vá-se queixar a...", "não há pessoal", "não há roupa", "cale-se, para fazer o filho não gritou assim" e detesto quando pura e simplesmente ouvem o doente a chamar e pura e simplesmente fingem não ouvir, viram as costas e ignoram.

Não gosto dos calaceiros que passam a vida a queixar-se quando está nas mãos deles parte da resolução dos problemas.

Não gosto de hierarquias prepotentes nem de compadrios oportunistas.

Gosto de respeitar as hierarquias quando se dão ao respeito.

Não gosto de pessoas que dizem coisas antagónicas em diferentes contextos, quer dizer não gosto de pessoas mentirosas.

Gosto de gerir conflitos retirando deles o melhor para a dignidade do relacionamento e para humanização das práticas.

Não gosto de ver o incumprimento das regras básicas de triagem de resíduos.

Não gosto quando as pessoas falam alto, excepto quando para alguém que ouve mal.

Não gosto de dar más notícias.

Gosto de receber elogios relacionados com a minha comunicação, desempenho, apresentação e organização.

Não gosto quando trocam uma fralda cheia de urina e não lavam a área detesto ver pessoas com fralda só por comodismo funcional porque não há pessoal suficiente para um atendimento humanizado. Detesto ouvir dizer "faça na fralda" a pessoas capazes de utilizar um urinol ou arrastadeira se lha chegassem.

Não gosto de "favores" porque as coisas devem funcionar dentro das competências profissionais num ambiente e espírito de partilha e colaboração profissional.

Não gosto que as chefias sejam as principais culpadas dos principais problemas que se vão passando nos serviços,

Não gosto de pensar que, além das chefias, pessoas que acham também que mandam no serviço vão causando conflitos com disses que disses e vão hostilizando os demais elementos da equipa, como bullying se tratasse. 

Não gosto que a televisão, e em especialmente numa determinada telenovela em horário nobre, dá a imagem de enfermeiros fornicadores com médicos/ enfermeiros maus como às cobras, prontos a lixar o próximo, devido ás suas frustrações, quiçá;

Não gosto de saber que colegas licenciados em enfermagem, mas nunca enfermeiros porque ainda não tiveram a oportunidade de o serem estejam a pagar 10 euros de cotas mensais;

Não gosto, não... detesto pensar que eles têm apenas oportunidades fora do país... e quando as têm, têm a certeza que Portugal é um destino de férias;

Não gosto que ostracizem colegas, que tal como eu, já não querem ser mais enfermeiros, como se de Judas nos tratássemos; 

Não gosto que ainda haja a mentalidade tacanha popular do que o enfermeiro não passa de um mero empregado do médico.

Não gosto do "ai não gostas das condições que te damos? Olha que há gente que não se importava nada de estar no teu lugar!"

Não gosto de ter noção que passámos quatro anos num curso com cadeiras "da treta" em vez de adquirir bases bem mais consolidadas em cadeiras bem mais importantes.

Gosto de um sorriso sincero como gratificação de alguém a quem disse “em que posso ajudar?” “Bom dia, sou o seu enfermeiro durante as próximas 8 horas, disponha…”; “A sua filha ligou e mandou-lhe um beijinho”; …

Gosto mais de fazer, mais do que mandar fazer;


Não gosto do egoísmo e do facilitismo;


Não gosto de pó, manchas e lixos nos cantos e brechas;


Gosto do material arrumado;

Gosto de falar baixo e ser ouvido e que me falem baixo.


Gosto de perceber o porquê de tomadas de decisão.


Não gosto de quem fala muito, mas não faz nada;


Não gosto da área da psiquiatria


Não gosto de horas extraordinárias programadas!


Gosto de quem ensina dando um bom exemplo


Não gosto de vassalagem;


Não gosto de errar, mas erro…


Gosto de uma morte tranquila;

Não gosto da dor, do pânico e da solidão;


Gosto da firmeza das decisões;


Não gosto da indiferença à pessoa (doente/família/colaborador)


Não gosto de por “bolinhas” em centenas de intervenções;


Não gosto de leite branco e achocolatado nas ceias, e do pão duro;

Gosto de pessoas que compreendem os momentos de maior fragilidade de quem está doente.


Não gosto de ver "cegueira" no cumprimento de procedimentos.


Gosto de pessoas que tomam os procedimentos como meios para atingir os objectivos e não como fins em si mesmo.

Gosto de pessoas que cumprem integralmente as suas funções mesmo nos locais mais ermos onde sabem que ninguém os está a ver.


Não gosto de pessoas bem comportadinhas só porque estão próximos do Big Brother.


Gosto de pessoas que se consideram em aprendizagem permanente.


Não gosto de pessoas que acham que sabem tudo e não têm nada para aprender.

Não gosto de pessoas que me atiram "cascas de banana" usando "má-fé"

Não gosto da cobardia daqueles que receiam confrontar as autoridades institucionais com os verdadeiros factos.


Não gosto de enfermeiros arrogantes que se servem da razão da força sem saber usar a força da razão.



O que é que dizem os teus olhos?

Dizem que estou momentaneamente infeliz pela forma como somos tratados pelo poder mas ainda tenho a esperança de ver dias melhores.

O que dizem os teus olhos?

Pessimismo...

A lista está aberta... quem quiser é só continuar

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Guilherme de Carmo no Alta definição!



Em dia do meu aniversário (já nem me lembrava... e por isso o meu muito obrigado a quem me felicitou, na minha página do facebook) ofereço-vos um excerto da entrevista que o Daniel Oliveira do Alta Definição me fez!
Fica aquela parte em que ele pergunta "o que é que gostas e o que é que não gostas" e eu acrescento... em contexto profissional.


Gosto de ter tempo para fazer com calma, aquilo que deve ser feito.

Não gosto da sensação de bloqueio em situações mais complexas.

Gosto das palavras "Bom dia" e "Obrigado"

Não gosto quando enfermeiros querem substituir o médico e quando enfermeiros se vêm obrigados a substituir o médico.

Gosto de sair às 8:30 da manhã e ver as pessoas ir para o trabalho e eu para a cama.

Não gosto quando tratam o doente por "oh meu amor" ou  "oh meu anjo".

Gosto do espírito de equipa.

Gosto de uma assistente operacional que se antecipe, que não seja necessário dizer-lhe o que é preciso fazer.

Não gosto de médicos indelicados ou arrogantes.

Não gosto daqueles que só se sabem queixar, mas que afinal de contas são uns verdadeiros calaceiros.

Gosto de ver uma boa liderança, no dia a dia e em situações de emergência.

Não gosto quando não se tem nenhum cuidado com reciclagem.

Não gosto de tricotomias

Gosto de trabalhar quando chove torrencialmente (excepto na área de trauma).

Não gosto quando as pessoas falam permanentemente alto, como se tivessem a falar para alguém que ouve mal.

Não gosto de comunicar por telefone, a morte de um doente, ao seu familiar.

Gosto de saber ter a capacidade de valorizar um bom trabalho.

Não gosto quando trocam uma fralda cheia de urina e não lavam a área.

Não gosto quando tenho que sugerir algo a um médico em benefício do doente e inconscientemente parece que estou a pedinchar algo... como se fosse para mim ou para os meus.


Guilherme o que é que dizem os teus olhos?

Dizem que não me pagam para ser enfermeiro.

E tu? Do que é que gostas e o que não gostas?

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Greve 24 e 25 Setembro - Cala-te de uma vez por todas e acorda pra vida!


A todos as enfermeiras e enfermeiros que repetidamente dizem coisas do tipo:

"Eu não faço greve porque não serve de nada"
"Eu não faço greve porque não estou para perder o dinheiro"
"Eu não faço greve, porque a greve devia ser por tempo indeterminado"

Apenas digo e que me perdoem os mais sensíveis:

CALEM-SE! Tenham vergonha na cara e ponham a mão na consciência! Se todos pensassem como vós, como haveria de ser??! Seria a vergonha total! Ainda bem pior estaríamos!
Ficas a aguardar por resultados, com os esforços de outros?!
Não serve de nada é ir trabalhar caladinho, ou ficar em casa quando há manifestações!
Estás sempre a lamentar-te e não fazes greve??! Cala-te de uma vez por todas e acorda pra vida!
É por causa do dinheiro?? Não sei se sabes mas vais recuperá-lo caso faças os mínimos.
Devia ser por tempo indeterminado?? Ia ser bonito... tão mal ficaríamos... somos uma classe de cobardes e donas de casa!

Hoje é assim, doa a quem doer!
O eterno grevista não enfia a carapuça!

sábado, 30 de agosto de 2014

Greve em Viana - uma (metade) vergonha...


Os números da greve (85%) até que foram bons, mas a manifestação foi uma vergonha.
Por motivos pessoais, desta vez não consegui estar presente, mas pelo que vi e pelo que soube, apenas meia dúzia de colegas deram a cara, sem receios de aparecer na tv. Grande parte dos colegas eram do CS e P. Lima, do hospital, que representa a maioria, estavam pouquíssimos... vergonhoso!
É por estas e por outras que somos uma classe que não vamos a lado nenhum!
Era uma oportunidade única de aparecer, de mostrar ao país a nossa indignação!
Era uma oportunidade única de aparecer nos canais de TV e dizer aos portugueses os motivos da nossa insatisfação e dos atropelos na saúde.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Greve de enfermagem na ULSAM - O que achas?



Que eu tenha memória, penso que será algo inédito.
Dia 28 e 29 deste mês, todos os enfermeiros de toda a Unidade Local de Saúde do Alto-Minho (ULSAM), terão oportunidade de se fazerem ouvir, terão oportunidade de manifestar toda a sua indignação e sentimento de injustiça e desconsideração.

Achei oportuno abrir este espaço para discussão.
Concordas com o formato desta greve? Quais as expectativas?
O que estás disposto a fazer?
Aderes à greve?

Quantio a mim, concordo plenamente com o formato desta greve, as expectativas não são altas, mas esta greves que se têm vindo a fazer de norte a sul, já estão a ter grande eco na opinião pública.
Eu estou disposto, como sempre, a lutar pela dignidade da nossa profissão, pela justiça relativamente a questões monetárias e acima de tudo pela segurança e qualidade de cuidados.
Aderir à greve? Sempre! Enquanto não achar que estejamos onde deveríamos estar, ou seja, enquanto não nos reconhecerem como licenciados.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

A minha resposta à ignorância do Ministro sobre a exaustão dos enfermeiros


Mesmo sem fazer nada pela enfermagem via o Ministro da saúde como alguém dotado intelectualmente, com um discurso seguro e ponderado. Como prova disso mesmo, o seu nome ja avançou por um par de vezes para outros altos cargos.
Esta imagem desvaneceu a partir do momento em que diz que a "exaustão dos enfermeiros se deve a trabalho no público e privado". A partir deste momento passou a ser alguém precipitado, injusto (já o era) e acima de tudo ignorante, alguém sem capacidade de se informar sobre a verdadeira realidade dos problemas da enfermagem, problemas esses que, por muito que não pareça, são da sua responsabilidade.
Mais uma vez vou tentar entrar em contacto com o senhor pra lhe explicar que:

Se há enfermeiros que acumulam, ou têm mais que um emprego, para ser mais preciso, é porque o Sr Ministro o permite e é porque eles assim o entendem. Cada qual sabe da sua vida. Se quiser evitar este fenómeno coloque contratos de exclusividade. Mas isso iria ser complicado sr ministro, porque depois teria que se mexer nos médicos e não seria muito conveniente, ora não?!
O número de enfermeiros que têm mais que um emprego é insignificante em comparação com a grande maioria que tem um, por isso Sr ministro, ao analisar os problemas da classe não fale em minorias.
Um enfermeiro que acumula empregos fá-lo, não porque tem prazer em trabalhar largas dezenas de horas por semana e estar ausente de casa, fá-lo porque ganha mal com um emprego apenas, fá-lo porque quer outra estabilidade para a sua família.
A maioria dos enfermeiros onde eu me incluo, não tem mais que um emprego, mas acumula funções, (tal como escreveu um colega num interessante texto que circulou e cujo nome não encontro), somos enfermeiros e por diversas vezes somos administrativos, auxiliares e médicos, simplesmente porque há desorganização e falta de pessoal em todos os sectores.
Tenha respeito pelos enfermeiros, pare de dizer asneiras e comece a trabalhar para dar maior segurança e motivação à classe!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

75% dos enfermeiros à beira da exaustão emocional


Mais de dois em cada três enfermeiros estão à beira da exaustão emocional. As condições de trabalho são cada vez piores e muitos, se pudessem, mudariam de profissão. As conclusões são de um estudo realizado em Portugal pela Universidade Católica. (notícia SIC)


Se por um lado fico satisfeito ou aliviado talvez, por investigadores com créditos, exporem aquilo que nós bem sabemos há muito, por outro lado já enerva vermos estudos e mais estudos sempre a falar dos problemas dos enfermeiros e tudo continuar igual.

Se no inicio deste Blog o título causou alguma celeuma, hoje em dia pelo que se confirma pelo estudo, começa a fazer todo sentido.

O PDDSE já fala nisto desde 2008, desde o ano do seu início! Mas parece que ninguém nos ouve...
Aqui ficam alguns posts sobre o assunto:

Agressões/assédio moral - uma nova epidemia (Out 2008)

(Dis)stress em enfermagem (Nov 2008)


Ganhem juízo (Nov 2009)

Nervos à flor da pele (Nov 2009)



Bom acho que vou ficar por aqui senão a lista não acaba, vendo bem, mais de metade dos posts deste blog abordam este tema... não fosse este uma das causas do blog..




sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Encerramento de valências no Hospital de Viana?



O mandato deste ministro da saúde vai ficar marcado pelas abruptas reformas, encerramento de valências, encerramento de SAPs, serviços de urgência, etc e cortes brutais na despesa que trazem graves repercussões em doentes com patologias crónicas.
Todos tivemos efectivamente noção que isto iria acontecer, que a saúde iria sofrer, mas talvez não esperássemos esta intensidade, esta razia.
Mais surpreendidos ficámos com o facto de a saúde ser o sector mais atingido pela crise em Portugal. Alguém percebe porquê? Será que está a ser um exagero desmesurado? Ou será que alguns encerramentos fazem sentido? São estas as minhas duvidas. Não tenho consciência exacta das estatísticas no nosso hospital, mas tenho a percepção de que (p.e) o Serviço de Obstetrícia faz todo o sentido, mas o mesmo já não poderei dizer em relação ao Serviço de Neonatologia, que anualmente apresenta um número demasiadamente curto de internamentos. 
Poderei estar enganado e poderei ferir várias susceptibilidades, mas é esta a minha percepção, é isto que tenho ouvido até por pessoas da área. 
Seria viável uma fusão do Serviço de Pediatria com Neonatologia? Não sei... alguém entendido na matéria que se pronuncie. 
 Mesmo assim eu sou contra o encerramento radical de valências no nosso hospital, apesar de concordar que, aqui, alguns parênteses poderão ser colocados.

sábado, 26 de julho de 2014

IS THIS THE WORLD WE CREATED? - para que ninguém esqueça



Dr. Mads Gilbert com uma jovem vítima das Forças de Ataque de Israel que os judeus consideram “o exército mais ético do mundo” durante a operação Protective Edge — Limite Protetor — de Julho de 2014.

A carta abaixo foi escrita de Gaza pelo médico voluntário norueguês Dr. Mads Gilbert, PhD e professor e chefe da Clínica de Emergência do Hospital Universitário no norte da Noruega. O Dr. Mads escreve:.

Queridos amigos

A noite passada foi terrível. A invasão por terra da faixa de Gaza pelas forças de Ataque de Israel resultou numa multidão de pessoas aleijadas, arrebentadas, sangrando, tremendo de frio e morrendo — isso inclui todo tipo de palestinos feridos, de todas as idades, todos civis, todos inocentes.

Os heróis que dirigem as ambulâncias e todos os hospitais na faixa de Gaza estão trabalhando em turnos de 12 a 24 horas, e mostram rostos cansados e estão fatigados pela carga desumana de trabalho. Os motoristas de Shifa estão há quatro meses sem receber seus salários, mas mesmo assim cuidam, fazem triagens e tentam entender o caos incompreensível causado pelos corpos, tamanhos, partes de corpos humanos, pessoas capazes de andar ou que não são capazes de andar, pessoas que estão respirando ou que pararam de respirar, pessoas sagrando e pessoas que não estão sangrando. Em uma palavra: HUMANOS! SERES HUMANOS! Mas todos esses seres humanos estão NOVAMENTE sendo tratados como ANIMAIS por um grupo fardado de assassinos que se considera “o exército mais ético do mundo”. Existe mesmo algo muito doentio na mentalidade israelita.

Meu respeito pelos feridos é infinito, por causa da determinação contida que demonstram no meio da dor, da agonia e do choque. Minha admiração pelos auxiliares e voluntários também é infinita. Minha proximidade com os “sumud” palestinos — pessoas que estão arraigadas na terra — me dá forças, apesar de que existem momentos em que eu quero gritar, segurar-me firme em alguém, chorar, cheirar a pele e os cabelos de uma criança “morna” coberta de sangue, e nos proteger a nós mesmos num abraço sem fim — mas nós não podemos nos dar a esse luxo e nem eles também.

Rostos cinzentos — Oh! Não! Não outro grupo de dezenas de aleijados e ensanguentados, que criam um verdadeiro lago de sangue no chão da sala de emergências. Pilhas de bandagens encharcadas de sangue pingando que precisam ser removidas e trocadas — Oh! — o pessoal da limpeza, por todos os lados, limpando o sangue e recolhendo bandagens, pele humana, cabelos, roupas e cânulas — as sobras da morte — tudo levado embora para que possam estar prontos novamente para repetir, outra vez, todo o processo.    

Mais de 100 casos chegaram em Shifa nas últimas 24 horas que é uma quantidade de vítimas que deveriam ser atendidas em um grande hospital bem equipado, mas aqui, — não temos quase nada: falta electricidade, água, materiais descartáveis, remédios, mesas para cirurgias, instrumentos cirúrgicos, monitores — tudo está enferrujado e parecem objetos de algum museu hospitalar de dias passados. Mas as pessoas aqui não reclamam, esses heróis. Ele seguem adiante, como guerreiros, indo ao encontro do problema com uma resolução enorme.

E enquanto escrevo essas palavras para vocês, sozinho em uma cama, minhas lágrimas correm, lágrimas mornas, mas inúteis de dor e tristeza e medo. Digo a mim mesmo: isso não está acontecendo!
E então, agora mesmo, a orquestra da máquina de guerra de Israel dá início a sua nefasta sintonia, outra vez: tiros de artilharia pesada vindos do mar dos barcos de guerra israelenses, o barulho ensurdecedor dos caças F-16, o barulho doentio dos drones — são chamados pelo árabes de “Zenanis” os murmuradores — além do inúmeros helicópteros apaches. A vasta maioria desse material foi fabricado e servido pelos Estados Unidos da América para Israel.

Sr. Obama — você tem um coração?

Eu te convido — venha passar uma noite — apenas uma noite connosco aqui em Shafir. O senhor poderia vir disfarçado com alguém da limpeza, talvez.

Eu tenho plena convicção que sua atitude poderia mudar a história.

Ninguém que tenha um coração e detenha poder conseguiria se afastar das imagens de uma noite em Shifa, sem assumir a determinação de dar um fim a essa matança do povo Palestino.

Mas os indivíduos sem coração e sem misericórdia já planearam outra “dahyia” — a doutrina da Dahyia é uma estratégia militar estabelecida pelo general israelita Gadi Eizenkot e diz respeito a uma guerra assimétrica em áreas urbanas, na qual o exército, de forma deliberada, procura destruir a infraestrutura civil, como um meio de infligir enorme sofrimento na população civil para estabelecer a detenção de todos. 
Os rios de sangue continuarão correndo hoje a noite. Eu posso ouvir os assassinos afinando seus instrumentos de morte.

Por favor, façam o que for possível. Isso, ISSO não pode continuar.

Mads

Gaza, Palestina Ocupada.

Dr. Mads Gilbert, PhD.


PERANTE TUDO ISTO A MINHA BOCA FICA SECA, A PELE GELADA.... O ASSASSÍNIO DE CRIANÇAS... VITIMAS INOCENTES, UMA GUERRA SEM FIM, MOVIDA PELO ÓDIO, PELA ESTUPIDEZ, PELA RELIGIÃO...
E O MUNDO PERMITE...
O MEU RESPEITO POR ESTE MÉDICO E TODOS OS OUTROS MÉDICOS, ENFERMEIROS, AUXILIARES E SOCORRISTAS QUE DIARIAMENTE VIVEM UM FILME DE TERROR, COLOCANDO AS SUAS PRÓPRIAS VIDAS EM RISCO, PARA TENTAR SALVAR UMA VIDA
PERANTE TUDO ISTO SÓ ME VEM A CABEÇA ESTA MÚSICA... DO MELHOR CANTOR DE TODOS OS TEMPOS