Depois de mais de 25000 visitas ao post anterior, com a entrevista no Alta Definição de Daniel Oliveira ;) achei que deveria dar continuidade a esta ideia, que pelos vistos, para minha alegria, pegou.
Fica uma compilação dos "gostos" e "não gostos" de todos os colegas que aderiram.
Ahhh! E hoje surgiu-me uma e acho que muita gente se vai identificar:
"Gosto muito de trabalhar quando joga o Benfica. Por duas razões: evito o sofrimento de ver o jogo e o serviço naquelas duas horas fica muito mais calmo, pois só lá estão os verdadeiros doentes."
Lembrem-se que tudo isto se trata de gostos e gostos não se criticam, quanto muito, comentam-se.
Então aqui vai:
Gosto da diferença que gestos simples, como OUVIR, fazem toda a diferença.
Não gosto de estar ausente em datas especiais.
Gosto de sentir, mesmo que de quando em vez, que vale a pena.
Não gosto de correr contra o relógio, e ainda assim sentir que muito ficou por fazer.
Gosto de sentir que, mesmo que não o consiga com todos, marquei diferença na vida de alguém.
Não gosto de querer estar com família e amigos, e não conseguir por horários constantemente contrários.
Gosto de GOSTAR DO QUE FAÇO... mas NÃO GOSTO NADA de sentir o que me vai na alma e que pode deitar por terra a vontade de ser ENFERMEIRA... e sim, não me pagam para ser Enfermeira...
Eu gosto de pessoas que fazem o seu trabalho de acordo com as suas competências.
Não gosto de pessoas que criticam os outros mas não fazem uma reflexão profunda sobre o seu Eu... é mais fácil ter uma palavra negativa sobre os outros que uma positiva...
Gosto de sentir que dei tudo de mim nas situações mais complexas.
Não gosto de "empatas" e irresolutos nas tomadas difíceis de decisão.
Gosto das palavras "Bom dia" , "Como estão as coisas?", " Precisas de ajuda?" e "Obrigado"
Não gosto que me ignorem , fingindo que não me estão a ver e se esqueçam das minhas funções.
Não gosto de ouvir "eu é que tenho de andar a fazer o seu trabalho" especialmente dito na frente de utentes.
Gosto de entrar e sair nas horas estipuladas pelas escalas.
Não gosto de ver "fugas" ao serviço, incumprimento de escalas nem turnos continuados na impossibilidade de substituição de alguém por carência de recursos.
Não gosto quando tratam o doente por "oh meu amor" ou "oh meu anjo", ou quando dizem "vá-se queixar a...", "não há pessoal", "não há roupa", "cale-se, para fazer o filho não gritou assim" e detesto quando pura e simplesmente ouvem o doente a chamar e pura e simplesmente fingem não ouvir, viram as costas e ignoram.
Não gosto dos calaceiros que passam a vida a queixar-se quando está nas mãos deles parte da resolução dos problemas.
Gosto de respeitar as hierarquias quando se dão ao respeito.
Não gosto de pessoas que dizem coisas antagónicas em diferentes contextos, quer dizer não gosto de pessoas mentirosas.
Gosto de gerir conflitos retirando deles o melhor para a dignidade do relacionamento e para humanização das práticas.
Não gosto de ver o incumprimento das regras básicas de triagem de resíduos.
Não gosto quando as pessoas falam alto, excepto quando para alguém que ouve mal.
Não gosto de dar más notícias.
Gosto de receber elogios relacionados com a minha comunicação, desempenho, apresentação e organização.
Não gosto quando trocam uma fralda cheia de urina e não lavam a área detesto ver pessoas com fralda só por comodismo funcional porque não há pessoal suficiente para um atendimento humanizado. Detesto ouvir dizer "faça na fralda" a pessoas capazes de utilizar um urinol ou arrastadeira se lha chegassem.
Não gosto de "favores" porque as coisas devem funcionar dentro das competências profissionais num ambiente e espírito de partilha e colaboração profissional.
Não gosto que as chefias sejam as principais culpadas dos principais problemas que se vão passando nos serviços,
Não gosto de pensar que, além das chefias, pessoas que acham também que mandam no serviço vão causando conflitos com disses que disses e vão hostilizando os demais elementos da equipa, como bullying se tratasse.
Não gosto que a televisão, e em especialmente numa determinada telenovela em horário nobre, dá a imagem de enfermeiros fornicadores com médicos/ enfermeiros maus como às cobras, prontos a lixar o próximo, devido ás suas frustrações, quiçá;
Não gosto de saber que colegas licenciados em enfermagem, mas nunca enfermeiros porque ainda não tiveram a oportunidade de o serem estejam a pagar 10 euros de cotas mensais;
Não gosto, não... detesto pensar que eles têm apenas oportunidades fora do país... e quando as têm, têm a certeza que Portugal é um destino de férias;
Não gosto que ostracizem colegas, que tal como eu, já não querem ser mais enfermeiros, como se de Judas nos tratássemos;
Não gosto que ainda haja a mentalidade tacanha popular do que o enfermeiro não passa de um mero empregado do médico.
Não gosto do "ai não gostas das condições que te damos? Olha que há gente que não se importava nada de estar no teu lugar!"
Não gosto de ter noção que passámos quatro anos num curso com cadeiras "da treta" em vez de adquirir bases bem mais consolidadas em cadeiras bem mais importantes.
Gosto de um sorriso sincero como gratificação de alguém a quem disse “em que posso ajudar?” “Bom dia, sou o seu enfermeiro durante as próximas 8 horas, disponha…”; “A sua filha ligou e mandou-lhe um beijinho”; …
Gosto mais de fazer, mais do que mandar fazer;
Não gosto do egoísmo e do facilitismo;
Não gosto de pó, manchas e lixos nos cantos e brechas;
Gosto do material arrumado;
Gosto de falar baixo e ser ouvido e que me falem baixo.
Gosto de perceber o porquê de tomadas de decisão.
Não gosto de quem fala muito, mas não faz nada;
Não gosto da área da psiquiatria
Não gosto de horas extraordinárias programadas!
Gosto de quem ensina dando um bom exemplo
Não gosto de vassalagem;
Não gosto de errar, mas erro…
Gosto de uma morte tranquila;
Não gosto da dor, do pânico e da solidão;
Gosto da firmeza das decisões;
Não gosto da indiferença à pessoa (doente/família/colaborador)
Não gosto de por “bolinhas” em centenas de intervenções;
Não gosto de leite branco e achocolatado nas ceias, e do pão duro;
Gosto de pessoas que compreendem os momentos de maior fragilidade de quem está doente.
Não gosto de ver "cegueira" no cumprimento de procedimentos.
Gosto de pessoas que tomam os procedimentos como meios para atingir os objectivos e não como fins em si mesmo.
Gosto de pessoas que cumprem integralmente as suas funções mesmo nos locais mais ermos onde sabem que ninguém os está a ver.
Não gosto de pessoas bem comportadinhas só porque estão próximos do Big Brother.
Gosto de pessoas que se consideram em aprendizagem permanente.
Não gosto de pessoas que acham que sabem tudo e não têm nada para aprender.
Não gosto de pessoas que me atiram "cascas de banana" usando "má-fé"
Não gosto da cobardia daqueles que receiam confrontar as autoridades institucionais com os verdadeiros factos.
Não gosto de enfermeiros arrogantes que se servem da razão da força sem saber usar a força da razão.
O que é que dizem os teus olhos?
Dizem que estou momentaneamente infeliz pela forma como somos tratados pelo poder mas ainda tenho a esperança de ver dias melhores.
O que dizem os teus olhos?
Pessimismo...
A lista está aberta... quem quiser é só continuar












No Hospital de Braga existe uma grande desorganização bem patente. Falta de sinalização adequada dos diferentes serviços e funcionários antipáticos, desde os que estão ao balcão a receber as pessoas até aos médicos que as tratam.
Infelizmente tive que recorrer a diferentes serviços e fiquei muito mal impressionado. Vai-se para uma fila antes de ir à consulta e depois da consulta tem que se ir novamente para a mesma fila para validar os papeis ( receitas, próxima consulta, etc.). Por vezes depois das cinco, após a consulta, já não está ninguém ao balcão (apesar de existirem vários médicos a dar consulta), e isso pode significar ter que regressar ao hospital no dia seguinte para validar os papeis ou pedir alguma informação adicional. O telefone não funciona. Ninguém atende o telefone no Hospital de Braga. Já fiquei um dia inteiro a tentar ligar de 10 em 10 minutos sem sucesso. Toca toca e ninguém atende.
O pessoal que está nos balcões a receber as pessoas no Hospital de Braga por vezes é muito antipático, a um simples pedido de informação por vezes reagem mal, respondendo de uma forma completamente inadequada. O Hospital funciona mal, está mal sinalizado, por vezes é preciso perguntar o que se deve fazer, em que zona de espera esperar, qual foi o nome que foi chamado pelo intercomunicador (o sistema de som funciona mal, muitas vezes não se percebe qual o nome que estão a chamar) etc. Os utentes não sabem estas coisas, principalmente se é a 1ª vez. Da forma como os funcionários respondem parece que os doentes são obrigados a adivinhar.
Certos profissionais de saúde, em algumas zonas do Hospital, podem ser encontrados na cavaqueira uns com os outros. Aconteceu-me isso quando me mandaram entrar num dos corredores e procurar a enfermeira de serviço. Esta estava numa animada conversa com uma colega do serviço. Quando me apresentei, e disse que ia fazer um exame, levantou-se com um ar muito contrariado e lá foi para o gabinete do médico onde eu ia fazer o exame. Noutra situação foi preciso ir buscar o meu processo pois não estava em poder do médico que fazia a consulta. A auxiliar não estava ocupada mas também foi contra a vontade ao outro piso buscar o processo. Ao regressar ainda desabafou com o médico, dizendo que não devia ter sido ela a ir buscar o processo, porque quando chegou lá abaixo os colegas daquele serviço estavam na conversa e podiam muito bem ser eles a trazerem o processo. Mas que desorganização, inércia, falta de vontade de trabalhar, e tanto costume de passar o tempo a conversar em vez de trabalhar... E os contribuintes a pagar!
Alguns médicos atendem os pacientes sem o mínimo de consideração nem profissionalismo. Foram contratados médicos da América Latina, que me deixaram muitas dúvidas quanto à sua competência. Porque? Porque não gostam de explicar as suas decisões e conclusões. Ora o doente tem o direito de saber da sua situação, de qual o diagnóstico, dos fundamentos médicos, etc. Penso que um dos piores médicos que anda ali é o diretor do serviço de Urologia. Evitem este médico. Parece um animal de tanta insensibilidade. Trata os doentes como coisas. Cuidado, muito cuidado. Este senhor nunca devia ter seguido a carreira de médico. Este apesar de ser português também não gosta de explicar nada aos doentes. Não cumprimenta o doente com um Bom dia ou Boa tarde. Quase que não dirige a palavra ao doente nem gosta que este lhe dirija a palavra. Deve ser bruxo e adivinha o que o paciente tem sem sequer saber muito bem do que ele se queixa. Quem realmente sabe o que está a fazer não tem problemas em responder às dúvidas dos doentes, mas este individuo reage mal a perguntas, parece que se sente questionado... Fujam deste médico, é o meu conselho. No Hospital tratam-no por "professor". Se ensina em alguma universidade isso talvez explique as manias que ele tem, mas sinceramente não é bom ter um "médico" destes a ensinar outras pessoas... Que médicos vamos ter no futuro com professores destes?