quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Imagino-me com 43 anos de carreira...


A notícia da enfermeira de Braga acusada por homicídio por negligência deve-nos preocupar a todos!
Para mim a principal responsabilidade deste erro, é de quem aumenta o número de horas de carga de trabalho semanal, é de quem aumenta abruptamente a idade de reforma em profissões consideradas de grande risco, com elevada penosidade, como é enfermagem. 
Desconheço pormenores deste lamentável acidente, lamento profundamente pelos familiares da vítima e pela profissional envolvida, apenas leio notícias sumárias, mas o que me saltou desde logo à vista e que me preocupou profundamente, foi quando li "enfermeira com mais de 30 anos de carreira". 
Imagino-me com mais de 30 anos de carreira, imagino-me com 43 anos de carreira para ser mais preciso (!), que é o que me espera, imagino os meus colegas e posso garantir-vos, irei assistir a muitos erros destes. 
Com 65 anos a prestar cuidados de saúde aos doentes, tenho muitas, mas muitas dúvidas se não cometerei um erro que comprometa a saúde de uma pessoa.
Pensem nisso... enfermeiros e utentes!



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Crónicas estapafúrdias Ep. 14 - Salvar a alma ou salvar uma vida?


Vmer é chamada para uma provável PCR numa igreja.

À chegada, a missa continuava e baixinho para não se perturbar o sermão do padre, alguém segredava:
É ali! É ali!
Deitada no chão encontrava-se a vítima. Por cima a senhora que prontamente iniciou manobras, dizia:
Já comecei com a massagem!!
Ok, mas pode parar que o senhor está acordado, assegurava o profissional.
Finalmente a vítima consegue falar e explica:
Acho que adormeci... estava a tentar explicar à senhora, mas ela não me deixava.

Apesar da cómica situação, acho que mais vale tentar salvar uma vida, do que continuar a assistir à missa. De todos os crentes presentes, é aquela senhora que dou mais valor, é aquela senhora que preferia ter a meu lado, quer adormecesse (o que seria bem provável) quer tivesse às portas do outro lado.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Para quem julga que os enfermeiros ganham bem...

Recomendo a todos a leitura do artigo do Enfº Mauro Germano, colaborador do Forum Enfermagem, com uma exímia compilação de dados que comprovam de forma inequívoca que a competência, risco, penosidade, exigência, responsabilidade, etc da profissão não é de todo compatível com o vencimento.
Principalmente aos que julgam que os enfermeiros ganham bem.
Visita aqui.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Greve por regiões... estratégia falhada?


No último terço do telejornal, como já tem sido habitual, vejo com tristeza a notícia da greve de enfermagem. Aqui, desde logo se vê a importância que é dada a uma greve que a meu ver não faz sentido, nos moldes em que foi programada.
Uma greve por fases e por regiões, não é, na minha óptica, a melhor estratégia.
Mais desiludido ainda fiquei quando vejo que nem os dados de adesão foram recolhidos, ai questionei-me: Então qual o sentido da greve? Será que já prevêem maus resultados, que nem se dão ao trabalho de os recolher?
Sempre aqui no Blog e no local de trabalho manifestei-me como um defensor do sindicato de enfermagem mais activo (SEP), apoiando aqueles que reconheço como capazes de defender a classe e que muitas vezes são criticados sem fundamentos, mas desta vez, as criticas fazem sentido.
Já há vários anos que ouço muitos colegas afirmarem que só uma greve por tempo indeterminado  faria com que as nossas reivindicações fossem levadas a sério. Eu sou um dos que também defende essa ideia, mesmo aderindo a outras formas de luta. 
Apesar de vivermos tempos difíceis, apesar de cada vez levarmos menos dinheiro para casa, sou a favor de um sacrifício maior, que pelo menos terá maior probabilidade de ter valido a pena.
Chegou o momento de considerar esta hipótese. 
Se não houver adesão, a culpa nunca poderá ser do sindicato. A culpa será de todos os enfermeiros que a pediram, mas que não aguentaram o barco.  

domingo, 13 de outubro de 2013

E já passaram 5 anos!


5 anos
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Faz hoje 5 anos que nasceu o PDDSE! O meu vicio, o nosso muro de lamentações.
Faz hoje 5 anos que nasci como Guilherme! A mesma pessoa, outra identidade.
Obrigado por fazerem parte!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Uma nova parceria com o site Forum Enfermagem: O Big Bang da Enfermagem



Estou a ficar famoso, recebi um convite do conhecido site Forumenfermagem para opinar sobre um assunto à minha escolha, um convite para ser um opinion maker, fica mais bonito.

Clica neste link, fica a conhecer o meu artigo e para quem desconhece o site, recomendo vivamente que o acompanhem, porque acho que fazem um bom trabalho.

domingo, 29 de setembro de 2013

Se eu mandasse no hospital.


Se eu mandasse, não permitia que houvessem funcionários que passassem mais tempo em conversa e passeio pelos serviços, corredores e bar, do que propriamente a trabalhar.

Se eu mandasse, não permitia que houvessem serviços com o dobro ou triplo de funcionários do que aqueles que efectivamente são necessários. Pelo menos recolocaria esses funcionários (a mais) em locais onde seriam úteis, desviando-os de um serviço onde se atropelam uns aos outros.

Se eu mandasse não permitia que novos assistentes operacionais (novos também em experiência e idade) fossem admitidos e colocados a fazer tarefas consideradas leves, enquanto que outros com problemas de saúde incapacitantes e com atestados para trabalhos moderados, permanecessem, desde há vários anos, em locais onde o trabalho "mais pesado" é exigido e constante. Um exemplo gritante passa-se no Serviço de Urgência, onde permanecem várias assist. operacionais com os tais atestados para trabalhos moderados, que se recusam (e bem provavelmente) a fazer qualquer tipo de trabalho "mais pesado" e como decerto compreendem, num serviço de urgência, o trabalho é maioritariamente pesado.

Se eu mandasse eliminava com os atrasos sistemáticos (em 30 - 60 minutos) de entrada em serviço de determinadas especialidades médicas. Diga-se em abono da verdade, Medicina Interna cumpre horários, por que razão pediatria e ortopedia, não cumpre?

Se eu mandasse eliminava com as saídas de serviço antes do estipulado, por grande parte dos clínicos gerais. O turno acaba efectivamente às 20h, mas para alguns, acaba sistematicamente às 19:30.

Se eu mandasse estabelecia regras rígidas nos tempos para refeição de todos os funcionários. Não se admite ver enfermeiros, médicos e assistentes operacionais abusarem sistematicamente no tempo que têm para a pausa de refeição.

Falo como contribuinte, para contribuintes. É isto que vejo, uma fraca gestão de recursos humanos, uma passividade com certos hábitos enraizados, uma permissividade à calaceirice. 
Depois não se admirem com os cortes de pessoal... é que depois paga o justo pelo pecador. Os cortes que muito são falados no panorama nacional, são indiscriminados, não distinguem o trabalhador do calaceiro, o corte é radical.
Por hoje fico por aqui...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Opiniões IX - A vergonha das faculdades de medicina


O espaço "Opiniões" são comentários de visitantes, que considero relevantes. O meu único trabalho é editar um pouco o texto e eventualmente fazer um título, como este. 
Para mim é um prazer ter este espaço no PDDSE, por isso convido-te para opinar. 

Desta vez uma anónima, que é licenciada em enfermagem, mas que agora estuda medicina, oferece-nos um excelente testemunho sobre o que é que os médicos pensam dos outros profissionais de saúde e a cultura que perdura e é transmitida pelas faculdades de medicina... promete.

Sou licenciada em Enfermagem e actualmente sou aluna de Medicina. Muitas vezes em aulas da faculdade, os próprios professores durante as aulas fazem uma espécie de "lavagem cerebral" aos alunos sobre o quão magnifica é a Medicina e o quão importante é num serviço hospitalar, por exemplo. Como se fossem os donos do mundo... Apercebo-me muitas vezes que falam da Enfermagem e dos outros profissionais de Saúde com um certo desdém até. 
Apesar de ser muito acarinhada pelos meus colegas de curso de medicina, sei que eles me vêem como uma "enfermeira frustrada que entrou em medicina". 
Para os meus colegas de curso de enfermagem, sei que eles me vêem como uma espécie "de traidora da enfermagem", portanto, posso dizer que as palavras de colegas de enfermagem de encorajamento, neste novo desafio, foram poucas, muito poucas mesmo. 
Contudo, pela minha experiência académica, sei que ambas as profissões completam-se e bastante... Muitas vezes em conversas de café, realmente oiço pessoas a dizer que os enfermeiros são uns inúteis, mas prontamente respondo sempre que os enfermeiros podem ser os maiores aliados dos médicos porque podem antecipar muitas complicações e são também os melhores gestores nos serviços.
Que adianta o melhor cirurgião do mundo operar cem pacientes numa semana se depois não existem enfermeiros nas enfermarias a dar continuidade aos tratamentos e a gerir planos de altas?

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

ASAE no Bar do Hospital?


Circula no hospital a notícia de que a ASAE fez uma inspecção no Bar do hospital. A ASAE não sei se terá sido, mas que vi por lá uma senhora a fazer umas anotações e pedir o livro de reclamações, vi.
Umas horas depois o Bar fechava, com um papel à entrada a dizer "em manutenção".
Os bolos, pães e afins foram "oferecidos" à Urgência e o pessoal aproveitou.
No dia seguinte já estava aberto. Tentei perceber o que tinha mudado e, a olho nu, nada vi, tudo parecia igual.
Já há muito tempo que andava para falar do Bar do hospital, mas pelo facto de nós, portugueses, lidarmos mal com a crítica, passava de assunto. Agora talvez seja um bom momento.

Antes de mais devo dizer que tenho imenso respeito e consideração pelas funcionárias do Bar.
A principal responsabilidade pelo fraco funcionamento do Bar é, na minha opinião, de quem gere.

Há alguns anos atrás o Bar foi remodelado, criando dessa forma uma infraestrutura capaz de trazer melhorias na qualidade geral, porém não se verificou melhoria nenhuma. 
A ASAE terá lá ido para fiscalizar e penalizar incumprimentos em questões de higiene e conservação de produtos, eu aproveito a deixa e vou "penalizar" a alimentação e os preços. 
As ementas não mudam, não há variedade e originalidade. A qualidade nutricional é fraca, arroz e batatas fritas é o acompanhamento permanente e diga-se, igualmente fraco. Vegetais, pouquíssimos, já para não dizer que não há opções para vegetarianos. 
Cada vez há mais inovação na alimentação, programas de TV e até canais sobre novos conceitos em culinária, porque não utilizar algumas ideias?? 
É de lamentar, um Bar de um hospital que deveria dar o exemplo em nutrição, ter ementas pouco saudáveis. 
Os preços das refeições são aceitáveis, mas os preços de todos os restantes produtos, são exageradamente elevados, para um estabelecimento que tem regalias financeiras, em comparação com os estabelecimentos comerciais do exterior. Ou seja, (corrijam se estiver enganado) não pagam impostos, ou pagam menos impostos, não pagam renda e têm centenas de sócios, que pagam mensalmente 1,5 eur, sócios esses que são os clientes e funcionários do hospital. 
Não é por isso de estranhar, que cada vez se vêem menos clientes, muitos (cada vez mais) optam pela marmita trazida de casa.
A crise veio ajudar para a queda, mas a falta de qualidade e inovação também. 
O Bar, mesmo a praticar preços mais baixos, poderia ser um dos estabelecimentos de restauração mais rentáveis da cidade. Provavelmente já é um dos mais rentáveis e talvez por isso, quem gere se acomodou, mas ainda mais poderia ser, já que tem um bom espaço e tem um enorme potencial de clientes, que não têm grande leque de opções. 
Tudo isto que acabo de dizer é partilhado por muitos funcionários do Hospital, por isso, espero que, caso os responsáveis tenham conhecimento deste post, o vejam como uma crítica construtiva e não destrutiva. O meu objectivo é que os responsáveis revejam as estratégias/objectivos, procurem a mudança, para a satisfação do cliente, que sou eu e muitos outros como eu.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Só mais uma coisinha Sr Bastonário...


Depois de rever o último post, um dos mais visualizados desde sempre no PDDSE (agradeço à página "Enfermeiros" do Facebook), chego a conclusão que ainda ficou algo por dizer ao Sr Bastonário.
Além disso, parece que esta discussão sobre a Triagem de Manchester (TM), vai continuar.
No programa da manhã da TVI, ouvimos mais um médico a criticar a TM.
Pareceu-me não ser tão ignorante como o Sr Bastonário da Ordem dos médicos (OM), mas mesmo assim deixou claro que a TM seria melhor, se fosse feita por médicos. Seria uma TM onde, de uma forma muito rápida (!!!) o doutor conseguia perceber a história clínica e fazer uma avaliação geral do doente, para assim decidir para onde deveria encaminhá-lo! Fantástico! Apenas se esqueceu, o coitado, que tem 1 ou 2 minutos para triar e que tem 15 ou 20 pessoas lá fora à espera. Ia ser bonito. 
A resposta surgiu por parte de uma enfermeira convidada (peço desculpa, mas não anotei nomes de ninguém) e, apesar de não ter tido possibilidade de ouvir tudo o que disse, pelo menos achei que tinha mais argumentos do que o nosso Bastonário da OE. Só torci o nariz quando a senhora disse que as pessoas vão à Urgência para serem atendidas por médicos e não por enfermeiros. O que seria dos doentes se nós não os atendêssemos?... bom saiu-lhe mal, talvez fosse a pressão da situação.
A questão do desemprego dos médicos, como justificação para o ataque do Bastonário da OM, veio à baila e, de facto dou razão a um anónimo que dizia que, tal como os enfermeiros, os médicos estão a começar a sobrar em Portugal e agora procuram desesperadamente agarrar funções, que no passado não lhes interessavam para nada.

Finalizando então o Memorando, para o sr Bastonário e seus colegas,

O que o Sr. Bastonário da OM se esqueceu de referir é que há colegas seus que medicam e pedem exames sem ver o doente! Que medicam e pedem exames, apenas com a descrição da queixa efectuada pelo enfermeiro da TM! 
Questiono então, se a TM é mal feita pelos enfermeiros, como é que alguns dos seus colegas a valorizam de tal forma, ao ponto de nem olharem para o doente para decidir o que é que lhe vai ser feito!!??
Fazendo um pequeno desvio, o Sr Bastonário que me explique também, o que dizer a um doente que nos diz: "Vai-me dar uma medicação, Sr enfermeiro? Mas eu ainda não fui visto pelo medico! Só passei pelo enfermeiro da triagem!! Hilariante não? Mais uma vez, quem dá a cara a situações embaraçosas, são os enfermeiros

Sr Bastonário, Sr Ministro lanço-lhes um desafio: meio ano de TM feita por enfermeiros e outro meio ano feita por médicos.
No final vamos analisar detalhadamente os resultados, reclamações, intercorrências, tempos de espera, erros forçados e erros não forçados (como no ténis) e depois falámos.
Mais uma vez e para que fique claro, os enfermeiros não se opõem que os médicos façam TM, opõem-se é que a façam, enxovalhando e tentando correr com os enfermeiros.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Memorando da triagem de Manchester para o Sr Bastonário da Ordem dos médicos














Estou incrédulo, indignado e revoltado, o profissionalismo dos enfermeiros foi posto em causa injustamente, com base em pressupostos que não têm qualquer fundamento.

Vejo na TVI uma reportagem onde é dito pela Ordem dos médicos (OM), que a Triagem de Manchester (TM) é mal feita pelos enfermeiros e que deveria ser feita por médicos, pois têm mais competência para efectuar um diagnóstico. Exemplificam com um caso, onde foi dada uma pulseira verde (pouco urgente - tempo máximo de espera 120 mnts) a uma doente, que no momento de observação médica entrou em paragem respiratória.
De seguida vejo a reacção do Bastonário da Ordem dos enfermeiros e, por muito que se tenha esforçado, não deu uma resposta à altura e devidamente justificada, mas dou-lhe um desconto porque a sua área, enquanto profissional, nada tinha a ver com triagem e urgência. 

Sendo assim e porque tenho várias centenas de horas de experiência em TM, sei que estarei à altura de responder à injusta e acima de tudo errada declaração da responsabilidade da OM, proferida por alguém que notoriamente não tem consciência nem conhecimento do que é a TM.

Para quem desconhece e para contextualizarmos, a TM é um sistema de classificação de prioridades e encaminhamento dos utentes que recorrem ao Serviço de Urgência. É efectuada desde há 10 anos por enfermeiros, ou seja desde a sua implementação em Portugal. É um sistema aplicado em vários países e, posso quase garantir, que em todos eles é feita por enfermeiros.

No início da sua implementação foram criadas equipas de formadores (médicos e enfermeiros) que, numa sessão teórica e prática, num total de 8 horas (!),  explicaram os seus princípios e aplicação. Portanto trata-se de uma formação de curta duração e propositadamente de processos extremamente simples. Estes formandos eram em 99% dos casos, enfermeiros. Recuando, entre várias dezenas de enfermeiros, recordo um médico a assistir a esta formação, no entanto posso garantir que nem esse médico, nem nenhum médico em Portugal tem um minuto de TM na prática, e porquê? Porque rapidamente perceberam que a TM não é um sistema de atribuição de diagnósticos, como o Sr Bastonário da OM refere, porque rapidamente perceberam que era uma trabalho extremamente desgastante, onde têm que ser efectuada uma observação rápida e individual (1-2 minutos) de um número situado em 3 dígitos de doentes , por dia. Num turno de 8 horas, para um triador, poderão passar cerca de 150 utentes, onde lhe são colocadas questões simples, como p.e: “De que é que se queixa?”, questões e respostas pormenorizadas são sempre evitadas, porque esse não é o objectivo que está preconizado para a TM, esse será o objectivo do médico e do enfermeiro, no momento da observação clínica do doente, já num gabinete médico, numa sala de tratamentos, numa sala de emergência, ou em qualquer sala de observação, já no Serviço de Urgência propriamente dito. Portanto e para que o Senhor Bastonário da OM perceba, a TM funciona como uma antecâmara do Serviço de Urgência.

Devido a este volume excessivo de admissões de utentes nos Serviços de Urgência, problema já sobejamente conhecido e entranhado no nosso SNS e, como todas estas admissões “passam” pela TM, é fácil perceber que os erros podem sempre acontecer, como acontecem e irão continuar a acontecer, seja um enfermeiro, seja um médico a triar, caso o sistema de saúde e a mentalidade e cultura portuguesa se mantenham.
Além disso, está mais que confirmado que este sistema de TM criado no Reino Unido, tem as suas lacunas. É um sistema falível, facto já confirmado por vários profissionais (médicos e enfermeiros) da minha esfera profissional. Diariamente há várias situações onde o triador não consegue “encaixar” o problema do utente no sistema da TM, por isso, Senhor Bastonário, o erro aconteceu. Foi lamentável, foi um erro, mas aconteceu, como muitos outros aconteceram e como muitos outros acontecerão, seja um médico, seja um enfermeiro, o triador! Agora o que fazer para evitar? Revejam o sistema de classificação da TM! Encontrem soluções para a avalanche de admissões nos Serviços de Urgência!
Para que fique claro, os enfermeiros não se opõem que os médicos façam TM. Muitos até agradecem, porque não gostam de triar, e porquê? Porque além do que tenho dito, a TM é um local de grande risco e responsabilidade, quando algo corre mal, como se viu pela acusação do Bastonário da OM, os dedos apontam-se desde logo ao enfermeiro da TM. 

Mas o que o senhor Bastonário da OM não referiu, foram as infindáveis situações, em que o enfermeiro da TM tria um doente com prioridade laranja (muito urgente – tempo de espera máximo 10 mnts) e o médico critica a prioridade e acima de tudo o encaminhamento do doente, achando que é excessiva e incorrecta. Muitos destes casos são efectivamente urgentes, como Enfartes e AVCs e afinal o enfermeiro estava certo e o médico estava errado. 

O que o senhor Bastonário da OM se esqueceu, foi de referir que doentes triados com cor laranja para uma especialidade, por vezes esperam pelo atendimento muito mais do que os 10 minutos preconizados, por desvalorização ou pela não presença física no Serviço de urgência por parte do(s) médico(s) de determinada especialidade, o que faz com que muitas vezes o enfermeiro da TM anda feito “barata tonta” a sua  procura, para lhe comunicar pessoalmente que aquele doente precisa de um atendimento rápido, atrasando o seu próprio trabalho.
O que o senhor Bastonário da OM se esqueceu de referir foi, que há colegas seus que, mesmo estando desocupados, não chamam os tais doentes com pulseira verde, pensando talvez que a TM estipula um tempo de espera e não um tempo máximo de espera. O que quero dizer com isto é que, muitas vezes doentes com pulseira verde esperam 2 horas pelo atendimento, quando poderiam esperar 30 minutos.
Sintetizando, a TM é um sistema imperfeito e que tem que ser feito com rapidez, dando azo ao erro. Erros há muitos e quem os comete somos todos, seja construtivo e encontre forma de os minimizar! Senhor Bastonário da OM, repense o que disse e peça desculpa aos enfermeiros, caso contrário eu sou a favor de instauração de um processo contra si e contra a OM.

A Ordem dos Enfermeiros que acorde e não deixe passar impune esta acusação, ela existe essencialmente para a defesa da classe e é para isso que pagámos quotas!



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Exaustão profissional! Eu avisei!



Burnout, distress, são alguns dos temas que dou mais relevo no PDDSE. Talvez porque sejam temas que me assustam... Vejam as etiquetas na barra lateral e confirmem.
Pois... tanto tenho falado, tanto tenho avisado, na esperança de que haja forte discussão, visibilidade, impacto, para que, quiçá, os responsáveis tomem medidas e... está aqui a prova: "Enfermeiros de Ponte de Lima acusam sintomas de exaustão"
Estes foram os que tiveram alguma iniciativa e expuseram o problema (neste caso ao SEP), mas o problema não fica só por Ponte de Lima, é demasiadamente amplo.
Quem trabalha em saúde sabe, que se contam pelos dedos da mão, as instituições a nível nacional, que têm nos seus serviços, profissionais em número capaz de responder às necessidades.
Com a sobrecarga para os que lá estão, vem isto e pior que isso, vem a diminuição da qualidade dos cuidados prestados



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A ceia do hospital


É tão bom trabalhar à noite e lá pras 3h, 4h da manhã, quando a fome aperta, comer a ceia!
Quem não gosta do pão, que se for lançado à cabeça de alguém, é capaz de provocar uma contusão?
Quem não gosta do pão de leite ou croissant que se desfaz em farelos ao toque, com sabor a plástico?
Quem não gosta do sumo ácido, muito bom para uma azia nocturna?
E o pacotinho de compota de sabor fabricado, cheia  de E´s, espessantes, conservantes, etc?
E a saqueta de descafeínado que ninguém usa?

Para quem não sabe, a ceia é constituída por um conjunto de "alimentos", se assim os podemos denominar, fornecida pelo hospital a todos os funcionários, no turno da noite.
É paga com o dinheiro do subsídio de alimentação de cada funcionário e é (pelo menos em Viana) má a todos os níveis: nutritivo, qualitativo.

Abro aqui um espaço de discussão sobre este tema, aberto também a profissionais de outros hospitais, de forma a tentar perceber como é a ceia nos outros locais.
Reclamem, sugiram! Abro uma página do facebook na expectativa de que se crie um movimento de indignação: "Por uma ceia decente"

Façam likes, comentem e partilhem, a ver se isto muda e nos tratam com um pouco mais de consideração!



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O emigrante está a mudar!

Tempo de férias, tempo de regresso dos nossos emigrantes.
Por estes dias, inevitavelmente, são vários os que vemos no Serviço de Urgência.
Reparo que andam mais calmos, mais ponderados, mais afáveis!
Ainda sou do tempo em que raro era o dia de Verão em que não haviam conflitos com emigrantes, as reclamações, as queixas eram habituais, algumas com razão, outras nem por isso, mas o espetáculo no corredor, esse, era quase sempre garantido.
Agora parece-me que a mentalidade, a postura mudou... haverá alguma explicação científica??
Confesso que no passado sentia-me irritado e ofendido quando diziam (frequentemente) que em Portugal era "o fim do mundo" e que em França é que era tudo muito bom, atitudes que geravam um certo esteriótipo desfavorável ao emigrante.
Agora já posso dizer que esse esteriótipo está a desvanecer-se e a aumentar o respeito e consideração que tenho pelos nossos emigrantes.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Greve 9 e 10 de Julho


A visibilidade e importância da última greve geral, tal como disse num post recente, passou muito pela enfermagem.
Agora colegas, é não deixar morrer este impacto e continuar esta luta contra a degradação das condições de trabalho, entre outros assuntos que continuam "pendentes" para os enfermeiros!

A união faz a força!
Mostra que estás contra estas políticas! Não esperes que outros lutem por ti!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Enfermagem na noticia de abertura da greve geral!

Hoje no telejornal das 13h, na SIC, a notícia de abertura, como seria de prever, foi a greve geral. 
Os primeiros dados fornecidos foram os 80% de adesão dos enfermeiros
Dei logo um grito de alegria, primeiro pela monumental adesão, mas acima de tudo, porque dos 30 minutos de reportagem sobre a greve, o primeiríssimo assunto referido, dizia respeito à enfermagem!

Meus amigos, isto é um sinal!! É um sinal de união, um sinal de que estamos prontos para o que der e vier, mas acima de tudo é um sinal, de que "eles" estão atentos aos enfermeiros..  

quarta-feira, 26 de junho de 2013

40 horas?! N Ã O! - Pela tua segurança, pela segurança dos doentes!



Tenho assistido a vários lamentos e preocupações sobre a questão das 40 horas de trabalho semanais. Ou melhor... tenho assistido a vários lamentos e preocupações dos enfermeiros por uma série de ofensas e abusos à nossa profissão, mas recentemente o que mais se tem falado é mesmo das 40 horas.

Afinal em que ficámos? Vamos permitir mais este roubo?

Temos estudos e mais estudos que comprovam que um numero superior a 35 horas de trabalho semanal é prejudicial para a qualidade de vida de profissionais de saúde, neste caso, enfermeiros.

Fala-se também que a eventual passagem para as 40 horas, não traz nenhum acréscimo salarial.
E estão já a ver onde isto vai levar... mais desemprego, menos admissões de novos enfermeiros.

Temos um vencimento que em vez de subir, desce.

Trabalhamos por turnos, 24 horas/dia, 365 dias/ano e sofremos corte brutal nessas horas suplementares (noites, fins de semana, feriados, natais e afins)

Temos uma carreira que se eclipsou.

Vemos os professores que tudo conseguem, porque lutam e provocam mudança. Ainda hoje o líder da Fenprof dizia em jeito de conclusão de mais uma vitória dos professores: "Se lutarmos, por vezes podemos perder, mas se baixarmos os braços, perdemos sempre" Subscrevo!

Vamos permitir mais esta exploração? Vamos ficar calados? Vamos dizer não à greve e dar razão ao governo?

Vamos permitir que interfiram ainda mais na nossa qualidade de vida, que já não é de todo saudável??

Por estas e por outras mexe-te! Greve a 27 de Junho! Paralização nacional!! Mobilização nacional!!

Acorda!!


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um bom conselho para evitar embaraços


Nunca deduzam relações de parentesco entre o doente e acompanhante, ou seja, nunca perguntem, por exemplo,
É seu pai?
Podemos ter o azar de ouvir,
Não, é meu marido!
Ou então, pior ainda, o contrário,
É seu marido?
Não, é meu pai!
São vários os exemplos de relações de parentesco que podemos estabelecer, que causam embaraço para os 3 lados e que nos podem levar a pensar que mais valia estarmos calados...

Eu caí uma vez, desde então pergunto sempre: É seu familiar?
Assim já não corro riscos.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Mais tristes notícias...


Dezenas de enfermeiros e assistentes operacionais despedidos do Curry Cabral em Lisboa (ver notícia aqui)



Tentativas de suicídios disparam 50% no Alto-Minho entre 2011 e 2012, onde a Unidade de referência é a ULSAM (reportagem SIC)

terça-feira, 11 de junho de 2013

Unidade Polivalente da ULSAM - no rumo certo


Como em tudo na vida, temos que saber reconhecer quando não temos razão. Em tempos escrevi aqui que não concordava com a divisão da equipa de enfermagem do Serviço de Urgência. Foram tempos conturbados, onde muitos partilhavam a mesma opinião, desagradados com a divisão e consequente restruturação de serviços em Unidade Polivalente e Urgência Geral.
Hoje, passados alguns anos, reconheço que foi o melhor, a Unidade Polivalente tornou-se um serviço mais organizado a vários níveis, com benefícios para o doente. Apesar da clivagem entre equipas, apesar das relações se terem tornado mais distantes entre elementos, apesar de ser mais complicado gerir vagas na Unidade Polivalente, quem mais interessa, sai beneficiado.
Parabéns a quem fez esforços para a formação da Unidade Polivalente

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O post mais lido de sempre no PDDSE!

O último post teve:

17000 visualizações
400 partilhas no facebook e
dezenas de comentários !!!! Apenas em 24 horas! E continua a subir!
Fico feliz por ter contribuído para o aumento do nosso "ego" enquanto enfermeiros.
Toda a gente gosta de ver o seu trabalho valorizado, mas como também alguém disse, é igualmente importante aceitar os erros, para conseguir melhorar.

Obrigado Mª José Carranca


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Um dia no Serviço de Urgência, visto por uma acompanhante.

Em qualquer trabalho temos que saber lidar com a crítica, mas também precisamos que o valorizem. Aqui fica um precioso exemplo, retirado do JORNAL O COURA, que abrange toda a equipa multidisciplinar





terça-feira, 4 de junho de 2013

Querido mudei a entrada do Serviço de Urgência!


Olá amigos!

Voltei! Estavam com saudades? Voltei sim e volto em grande, com uma ideia genial! Desculpem.. quando tenho ideias assim, fico empolgado...

Conhecem a entrada do nosso Serviço de Urgência? 
A maioria decerto que sim, mas já pararam uns minutos por lá, para reflectirem um pouco sobre o degredo que é a NOSSA entrada do Serviço de Urgência, o rosto do NOSSO hospital e a entrada do local de  trabalho de muitos? Convido-vos a fazê-lo. Esta imagem é uma pequena amostra, pois obviamente, não seria sensato andar a tirar várias fotos, mas espero que a minha descrição abra os olhos a todos os utentes do NOSSO hospital!

Podemos começar pela pintura. Será certamente de um amarelo-esverdeado-branco sujo, sim acho que seja essa a cor. 
Depois temos uma conduta metálica de 7 metros talvez, que na imagem se consegue ver uma parte, no canto superior direito, que qualquer dia, tenho receio que ceda e caia na cabeça de alguém (pelo menos estarão perto da assistência), tendo em conta a sua inclinação e deformação. De lá saem fios de electricidade (deduzo eu), que se penduram, nos postos telefónicos. Aqui a imagem é bem elucidativa, um telefone para dois postos e reparem bem na categoria dos postos... limpinhos, limpinhos.. bolas, onde é que eu já ouvi isso. 
Bom adiante, depois temos 2 vasos-cinzeiros (a imagem apenas mostra um), pretos das beatas, mesmo bem pertinho à entrada dos doentes, como que a convidar ao fumo (é bom porque desta forma os doentes iniciam desde logo a nebulização). Temos também  a barra metálica no canto inferior direito da foto, com igual inclinação, provavelmente da quantidade de pessoas que lá se encosta e senta.
A tal conduta metálica atravessa o local onde os veículos param para deixar os doentes e desagua numa sala de espera que de espera nada tem, pois ninguém se atreve a lá esperar. Aqui o cenário é ainda mais dantesco. Esta sala, caros utentes, é um dormitório e um local de passagem de muitos jovens que saem da discoteca e vão comer uma sandes à máquina que lá está. O cheiro é fétido de urina, o chão está levantado e cravado das marcas das beatas e o wc nem se fala, parece o de uma discoteca no final da noite. 
É esta a imagem que queremos para o nosso hospital acreditado?
Bem sei que uma boa parte das pessoas que vai ao Serviço de Urgência está doente, mas será que não ficaria um pouco menos doente, ao ver uma entrada com categoria?

Por isso lembrei-me dos funcionários do SIE. É um serviço com tantos funcionários, que decerto poderiam retirar algum tempo para fazer umas obras e arranjos. Fica a sugestão.

Caso esta não seja atendida, vou fazer uma proposta ao "Querido mudei a casa". Não estou a brincar, estou mesmo a falar a sério! E quando quero, consigo.




terça-feira, 14 de maio de 2013

O Bastonário da Ordem apoia um inimigo da enfermagem!


Já nada me surpreende. Agora percebo porque muita gente falava dos interesses políticos do actual bastonário da O.E.
Vejam o post publicado pela Cogitare em Saúde e confirmem o apoio de Germano Couto a Manuel Pizarro, para a candidatura à Câmara do Porto. Para os mais esquecidos, Manuel Pizarro foi e é um inimigo para a nossa classe.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Crónicas estapafúrdias Ep. 13 - Um queijo e uma saca de batatas


Tomei a liberdade de publicar um comentário de um anónimo, que se enquadra na mouche no espaço das "Crónicas estapafúrdias". 
Então aqui vai:

Qualquer semelhança com a realidade é mera "coincidência".
Cenário: Consultório pago pelos contribuintes.
Marcolina - Ai Sô Doutor não tenho passado bem, e vim fazer pedir exames...
Médico - Não votasse no "fdp" do Passos Coelho, agora ando eu aturar histéricas e a ser mal pago! Quem decide se precisa de exames sou eu, não é a senhora...(com tom altivo e prepotente)
Marcolina - Mas Sô Doutor eu deixei-lhe um queijo e uma saca de batatas junto ao seu carro. E na semana passada quando foi ver a minha mãe lá a casa disse para vir cá falar ... (tom humilde e infantil)
Médico - Ah pois..! - após silêncio e suspirar, inicia o famoso "algoritmo" do SAM para diagnósticos não especificados, nem caí bem\ nem caí mal- Pronto! Leva aqui uma receita e uma análises e vá falar com a Srª. Enfª.
Adoro as tagarelices ético- profissionais e filosóficas das Ordens profissionais." Blá blá discurso paternalista... blá blà negligência médica..Blá blá respeito pela pessoa." O portuguesinho no seu melhor a ser humilhado por ignorantes de canudo académico com vestígios de ideação politica frustrada. Ah, e os enfermeiros é que têm a conotação de sabichões de trazer por casa...Fantástico!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Manifestações dos CITs - Mantêm-se o impasse...

(Junto à entrada de utentes do Hospital. Segundo informação do SEP marcaram presença aprox. 70 enfermeiros)

Terminou o segundo dia de greve dos enfermeiros a contrato individual de trabalho (CIT) da ULSAM. Este dia ficou marcado pela presença de cerca de 60 enfermeiros na ARS Porto (imagem acima), com o encontro entre enfermeiros/SEP e responsáveis da ARS.
Segundo informação do SEP não há novidades em relação ao reposicionamento dos CITs, aguardando-se indicações da ACSS.
Este sindicato assegurou ao PDDSE que novas formas de luta aproximam-se, tendo em conta este impasse e a consequente persistência da desigualdade salarial entre CTFP e CIT.
Tal como assinala a faixa da esquerda "Para trabalho igual, salários e direitos iguais!"
Os enfermeiros a CIT apelam à compreensão e união por parte dos seus colegas a CTFP