Por um anónimo.
O maior "roubo" do hospital de Viana e Ponte de Lima prende-se com o que está a acontecer no departamento de medicina. Existem profissionais a aguardar renovação do contrato há mais de dois meses e os serviços sem capacidade para satisfazer as necessidades de cuidados necessários para os doentes que continuam a ser internados. Todos os responsáveis têm conhecimento mas até agora nada fizeram. Não estou a falar dos responsáveis mais próximos das equipas,na sua maior parte têm-se desdobrado para conseguirem as soluções possíveis ajudando as equipas e permanecendo junto das mesmas. Existem muitas outras pessoas a quem cabe a tomada de decisão, mas nem sequer aparecem para explicar o que está a acontecer, depois de tanta asneira junta.....essas pessoas ainda lá continuam e nunca são responsabilizadas por nada...e a culpa continua sempre a ser dos outros. Existem horários com débitos de mais de 1000 horas de cuidados e com trabalho extra programado que se depararam em plena época de férias com a espera da renovação dos contratos.....e a solução está sempre a ser imputada aos mesmos, àquelas equipas que dão o seu melhor para cuidar dos doentes que continuam a ser internados. É uma VERGONHA o que está a contecer, nunca se verificou um tão grande desrespeito pela cultura organizacional como agora. Desrespeito pelos profissionais e pelos doentes...e não estou a falar do contexto do nosso país...a culpa não é da crise.....a culpa nesta situação tem rosto e nome.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Roubos nos hospitais
Publicada por
Guilherme de Carmo
Como se combate o roubo nos hospitais por parte dos seus funcionários?
Desaparecem as coisas mais incríveis no nosso hospital: desde computadores, armários, mesas a caixas de iogurtes, medicamentos e fraldas.
A instituição, a meu ver, pouca responsabilidade tem... só se tivesse verbas para colocar video-vigilância em todo o lado, porque as coisas desaparecem dos sítios mais inóspitos.
Os ladrões variam pelas diferentes classes profissionais, todos sabem quem são, mas tudo continua igual.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Cartaz polémico às portas da cidade
Publicada por
Guilherme de Carmo
É duro dizê-lo, é duro lê-lo, mas é a realidade... então com o símbolo das Festas d´Agonia, como pano de fundo, ainda mais duro é.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Motivos da estagnação da Enfermagem no séc. XXI
Publicada por
Guilherme de Carmo
Não se assustem com o título, não se trata de nenhuma tese de Mestrado, mas até bem que poderia ser.
Como todos sabem, enfermagem atravessa uma crise sem precedentes, não é novidade para ninguém.
Quem são os responsáveis?
Governo, Ordem e Sindicatos, não necessariamente por esta ordem, contudo os principais responsáveis somos nós, enfermeiros.
Fomos nós que há anos atrás perdemos a oportunidade de ficar a ser remunerados como licenciados, pois haviam muitos pruridos em recém-licenciados passarem a ganhar mais que profissionais com carreira, seria melhor esperar que todos os bacharéis acabassem o trágico Ano Complementar... como diria um bom amigo, BOOOOAAA!
Fomos nós que pouco unidos e visíveis estivemos no momento das negociações da carreira e depois é a carreira que se vê, ou nem se vê.
Fomos nós que sempre fomos muito macios em época de manifestações e greves.
Somos nós que sempre estivemos dispostos a alimentar guerrinhas inúteis entre sindicatos e a descredibilizar sem fundamento, as suas actividades. Leio comentários pelos Blogs e ouço frequentemente acusações que me tiram do sério, "Ai, o meu Sindicato é o maior, o outro não vale nada.", "Estes gajos do sindicato são uma cambada de incompetentes, não fazem nada.", "Ai não sou sindicalizado, porque não vale a pena, nunca conseguem nada"
Parem mas é de reclamar e façam alguma coisa pela vossa classe profissional!
terça-feira, 7 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
As diferenças entre professores e enfermeiros
Publicada por
Robin dos Hospitais
Na semana passada via na TV uma professora do quadro, com a sua situação profissional segura e assegurada, a lutar numa manifestação, pelos seus colegas que passam por um momento de injustiça devido ao horário zero. Pensei... nunca vi disto em enfermagem, UNIÃO.
Quem não se lembra também da mega-manifestação de professores, que causou tumulto na opinião pública e muito amargo de boca ao governo? Pensei... nunca vi disto em enfermagem, FORÇA.
Quem não conhece aquele senhor de bigodinho da FENPROF, que tantas vezes aparece a falar na comunicação social? Já repararam que os professores falam a uma só voz, com uma única e poderosa plataforma sindical (FENPROF)? Penso... nunca vi disto em enfermagem, COORDENAÇÃO
PENSEM NISSO TAMBÉM
Robin dos Hospitais, um enfermeiro contratado
domingo, 22 de julho de 2012
Bastonário é uma figura de estilo
Publicada por
Guilherme de Carmo
Para que serve um Bastonário?
Qual o seu poder?
Que influência exerce nas decisões do estado?
Depois de recentemente ter constatado que, após o apelo do Bastonário para que se reduzisse em 10% as vagas para o acesso à licenciatura em enfermagem, tudo continua na mesma, ou seja, não se registou nenhuma redução de vagas, só posso concluir que o Bastonário é uma figura talvez de estilo, onde a influência que ele exerce nas decisões do estado é ZERO.
Portanto, o número de enfermeiros desempregados continuará a aumentar, a emigração continuará a aumentar e as escolas públicas e privadas continuarão a encher os bolsos. Estamos a investir em formação para depois exportá-la... Parabéns Portugal! Os outros países agradecem.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Sindicato dos enfermeiros (SE) envergonha a classe de enfermagem
Publicada por
Guilherme de Carmo
Já leram? Leiam tudo e com atenção, é que seria importante todos os enfermeiros saberem quem é que nós temos a representar sindicatos de enfermagem.
Como é que há pessoas tão baixas e malvadas?!
Para mim em nada me interessam as cores dos sindicatos e muito menos todas estas "guerrinhas sindicais" que muitos alimentam e que são um dos principais motivos para enfermagem estar como está hoje.
Estou profundamente incrédulo e estupefacto em constatar que um dos sindicatos que representa a minha classe profissional, desceu tão baixo, é inimaginável o quão baixo desceu. Podia ter sido qualquer um, que a minha opinião manter-se-ia, mas não, foi o Sindicato dos Enfermeiros (SE) que envergonhou duramente a classe, numa atitude reles, de enxovalho público a uma enfermeira, no site oficial do seu sindicato.
A Sr. Enf Paula Maia que se demita, o SE se ainda quer sair disto com alguma dignidade, que emita um pedido de desculpas público, tenham vergonha na cara, é mau demais para ser verdade.
Já li este triste episódio várias vezes e ainda estou para acreditar em como é que é possível terem feito o que fizeram.
Depois aparecem alguns frustrados nos comentários do post, a criticar a questão da colega, a pôr em causa a sua carreira, a defender o SE e como se não bastasse, a atacar o SEP que não é chamado para esta matéria. É por estas e por outras que Enfermagem está como está, só nos atacámos uns aos outros, só nos rebaixamos.
Por muito desconexa que possa ser a sua questão, nunca, mas nunca deverá ser tornada pública. E pior que isso é a resposta provocatória e irónica que lhe dão. Já pensaram que cada serviço de saúde tem as suas normas, procedimentos, que por muito mal que tenham sido formulados, estarão enraizados há anos??
Haja o mínimo de respeito...
Haja o mínimo de respeito...
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Problemas psiquiátricos aumentam nos enfermeiros
Publicada por
Guilherme de Carmo
Tenho reparado num fenómeno muito preocupante para a enfermagem e por inerência, para a população em geral. Nos últimos anos aumentaram significativamente os "casos psiquiátricos" nos enfermeiros. Não é preciso muitas investigações e estatísticas para chegar a esta conclusão, está aos nossos olhos.
Vemos enfermeiros em estados de depressão, cabisbaixos e deprimidos, outros em estados de "negação crónica", onde tudo está sempre mal, onde um simples diálogo com quem quer que seja, será uma discussão, um conflito, outros em estados de loucura... loucura mesmo (*); vemos baixas prolongadas e recorrentes e eu questiono-me, quando é que chegará a minha vez?? Sim!... Não tenham dúvidas que há uma grande probabilidade de chegar a nossa vez, não tenham dúvidas que com o aumento dos anos de serviço, aumentam as probabilidades de enlouquecer-mos. Até aqueles que nós vemos como exemplo da pureza e integridade mental não escapam.
Temos uma profissão de desgaste rápido, de risco e absentismo elevados e todas estas más notícias para a profissão (desde há uns anos a esta parte), não ajudam em nada para a harmonia, paz de espírito, qualidade de trabalho, satisfação e motivação profissional que tanto se deseja e necessita, em enfermagem... e não só.
Fico preocupado porque penso demasiadas vezes que a minha sanidade mental enquanto profissional de saúde, não vai ser eterna. Fico preocupado porque custa-me ver estes enfermeiros doentes a "cuidarem" de outros doentes.
Vocês já pensaram por que é que rapidamente esgotam os stocks de comprimidos de diazepan no Serviço de Urgência??? Ok, o povo também anda a enlouquecer e muitos são prescritos, mas muitos outros vão para consumo da casa, para consumo próprio de enfermeiros e médicos.
Posto isto, deixo-vos uma questão,
Como anda a vossa sanidade mental?
(*) loucura mesmo é quando não se bate mesmo nada bem da cabeça, com aqueles comportamentos a razar o obsessivo-compulsivos e/ou paranóico, para ser mais científico.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Enfermagem bateu no fundo.
Publicada por
Guilherme de Carmo
Agora penso que muitos de vós, entenderá o porquê do título e sub-título deste Blog.
Não deve haver um enfermeiro que não sinta vergonha por tudo isto que se está a passar. Se já antes, as notícias de enfermeiros a trabalhar de graça e a tostões, nos deixavam estupefactos e revoltados, imagino agora, COM ENFERMEIROS NO SNS A RECEBER 4 EUR/HORA.
É uma vergonha para o país, é uma vergonha para a Ordem, é uma vergonha para os sindicatos, é uma vergonha para nós, enfermeiros.
Isto bateu mesmo no fundo... custa-me fazer este tipo de comparações, mas profissionais de saúde licenciados a receber menos que uma empregada doméstica?!
Isto já não vai lá com petições, manifestações ou "grevinhas"!
Colegas, acordem! É um insulto grave à classe, isto é greve a 100% por tempo indeterminado, para estourar! Este é o momento para enfermagem, de uma vez por todas, se unir e dizer BASTA! É agora, ou então esqueçam um futuro melhor. Por este caminho, para os que já têm anos de carreira, o futuro será pior.
Lutem pelos que estão a chegar, lutem por vós!
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Enfermagem intercontinental II
Publicada por
Guilherme de Carmo
Olá enfermeiro Guilherme, nesta tarde de quinta-feira, me vi em reflexão sobre meu papel quanto enfermeiro e inevitavelmente lembrei-me do nosso contato anterior. Em saudosismos fui ao teu blog e li o primeiro post presente: "ALERTO PARA O CONTEÚDO DA MENSAGEM DO BASTONÁRIO A PROPÓSITO DO 10 DE JUNHO". Triste esta situação putefra ao qual a enfermagem está. Me entristece saber que esta é uma dura realidade não apenas nas Terras Lusitanas, mas também nas latino-americanas. Sou graduado há mais de ano e até o momento não consegui um emprego, ou pior um subemprego. Vivo de aulas esporádicas para enfermeiros em cursos de atualização e preparatórios para concursos e processos seletivos. O Brasil não está a passar a mesma crise financeira que se alastra pela Europa, mas estamos em forte crise de desemprego, principalmente para a saúde.
As vezes me sinto envergonhado por dizer que sou enfermeiro, afinal nada consegui e tão pouco conseguirei por um bom tempo. Tenho a cada dia tentado acreditar e ter esperanças que na luta sindical, na luta trabalhista e formação de profissionais críticos esta dura realidade irá mudar, mas as esperanças estão por fim. O Estado Brasileiro humilha seus professores, devasta suas universidades, escolas e colégios.
A nossa educação acadêmica já passou por momentos gloriosos, nossos serviços de saúde, sejam eles públicos ou particulares também. Enxergamos emergências lotadas, falta de verbas, materiais, altos índices de mortalidade materna, mortalidade infantil e não por falta de recursos, mas pela má administração e corrupção dos nossos governantes.
A promiscuidade política está a destruir um país, uma nação...
Queria saber de ti amigo de longas léguas além mar, ainda tens esperança na enfermagem? Acredita que um dia teremos um lugar ao sol?
Abraços fraternos,
Enf. Thiago Fiel
Olá Thiago, é com emoção que leio as tuas palavras. Partilho e tua tristeza e revolta e lamento do fundo do coração.
É tal e qual como dizes, a responsabilidade é dos nossos governantes incompetentes. Cá em Portugal vivemos uma crise na enfermagem (e geral) muito por culpa do excesso de vagas para estudantes de enfermagem, para as escolas encherem os bolsos e só agora, passados 10 anos, é que se lembraram que talvez fosse melhor diminuir em 10% as vagas para admissão para estudantes de enfermagem... enfim.
Não tens que te sentir envergonhado, porque tens uma profissão das mais dignas que existe, uma profissão de excelência, pena é toda essa situação que vives, mas como se diz por ai, vamos torcer para que as coisas dêem uma volta! E vamos ter esperança que sim, caso contrário vens para Europa e cá encontras trabalho (mas não em Portugal :( ).
Esperança na enfermagem??! É uma boa questão... um lugar ao sol, nem num futuro muito longínquo imagino, nem para os enfermeiros, nem para muitas outras classes, talvez só para os gestores e administradores... mas acredito que vamos melhorar, porque piorar mais que isto, acho que é difícil, pois neste momento parece que estamos no fundo, mas como diriam muitos pessimistas, "isto ainda não é nada e ainda vai piorar..." a ver vamos.
Um grande abraço e que tudo corra pelo melhor!
segunda-feira, 11 de junho de 2012
ALERTO PARA O CONTEÚDO DA MENSAGEM DO BASTONÁRIO A PROPÓSITO DO 10 DE JUNHO
Publicada por
Guilherme de Carmo
Por: Ana
"Está tudo doido?
Na mensagem do Bastonário para os enfermeiros da Diáspora (http://www.ordemenfermeiros.pt/comunicacao/Paginas/MensagemBastEnfermeirosDiaspora10junho2012.aspx) a propósito do dia 10 de junho de 2012 e falando da necessidade de empreendedorismo face ao problema do desemprego na Enfermagem apontando o exemplo da Enf.ª Isabel Santos Melo cita o Enf. Germano Couto mais um "curioso" exemplo:
"Têm surgido exemplos desses também em Portugal. Um deles em Miranda do Douro de duas jovens enfermeiras que resolveram transformar uma situação de desemprego numa oportunidade, trabalhando voluntariamente a troco de casa e alimentação. Não julgo que essa seja uma situação que se deva prolongar indefinidamente, mas reconheço o espírito de abnegação e empreendedorismo destas profissionais e que gostaria de destacar. Tenho esperança que esta situação precária venha a dar lugar a uma situação condigna."
Mas está tudo doido? Um exemplo de mendicidade em que 2 jovens Enfermeiras trabalham a troco de comida e roupa lavada é apontado como um exemplo de empreendedorismo???
Eu chamo a isto uma situação de desespero e nunca empreendedorismo. Quererá por ventura o Enf. Germano Couto mais exemplos destes???
É assim que se luta pela dignificação da Classe?
É reconhecendo como "normal" a mendicidade na Enfermagem e até "maquilhando" a mesma adjectivando-a pomposamente com palavras como "abnegação" e "empreendedorismo" que conseguiremos um reconhecimento e justa remuneração do nosso trabalho?
Vários têm sido os Colegas que se insurgem contra esta situação. E agora vemos o nosso Bastonário elogiar esta situação? Já ficaria descontente com a inexistência do repudiar desta situação mas vejo-me agora chocada com o ELOGIO que o Enf. Germano faz.
Passamos a ter uma situação de mendicidade (pois é disso mesmo que se trata) com o carimbo de aprovação, pasme-se, da Ordem dos Enfermeiros."
"Está tudo doido?
Na mensagem do Bastonário para os enfermeiros da Diáspora (http://www.ordemenfermeiros.pt/comunicacao/Paginas/MensagemBastEnfermeirosDiaspora10junho2012.aspx) a propósito do dia 10 de junho de 2012 e falando da necessidade de empreendedorismo face ao problema do desemprego na Enfermagem apontando o exemplo da Enf.ª Isabel Santos Melo cita o Enf. Germano Couto mais um "curioso" exemplo:
"Têm surgido exemplos desses também em Portugal. Um deles em Miranda do Douro de duas jovens enfermeiras que resolveram transformar uma situação de desemprego numa oportunidade, trabalhando voluntariamente a troco de casa e alimentação. Não julgo que essa seja uma situação que se deva prolongar indefinidamente, mas reconheço o espírito de abnegação e empreendedorismo destas profissionais e que gostaria de destacar. Tenho esperança que esta situação precária venha a dar lugar a uma situação condigna."
Mas está tudo doido? Um exemplo de mendicidade em que 2 jovens Enfermeiras trabalham a troco de comida e roupa lavada é apontado como um exemplo de empreendedorismo???
Eu chamo a isto uma situação de desespero e nunca empreendedorismo. Quererá por ventura o Enf. Germano Couto mais exemplos destes???
É assim que se luta pela dignificação da Classe?
É reconhecendo como "normal" a mendicidade na Enfermagem e até "maquilhando" a mesma adjectivando-a pomposamente com palavras como "abnegação" e "empreendedorismo" que conseguiremos um reconhecimento e justa remuneração do nosso trabalho?
Vários têm sido os Colegas que se insurgem contra esta situação. E agora vemos o nosso Bastonário elogiar esta situação? Já ficaria descontente com a inexistência do repudiar desta situação mas vejo-me agora chocada com o ELOGIO que o Enf. Germano faz.
Passamos a ter uma situação de mendicidade (pois é disso mesmo que se trata) com o carimbo de aprovação, pasme-se, da Ordem dos Enfermeiros."
sábado, 9 de junho de 2012
Sabe o que é o olecrâneo?
Publicada por
Guilherme de Carmo
Entra na Triagem, um miúdo de 9 anos com pinta de intelectual, acompanhado pela mãe.
A mãe explica,
Caiu a brincar, tem uma ferida no cotovelo, nao consegue esticar o braço.
E ele completa,
Devo ter fracturado o olecrâneo
segunda-feira, 28 de maio de 2012
A todos os enfermeiros: Vamos ajudar o João a decidir o seu futuro.
Publicada por
Guilherme de Carmo
Recebi este email, o qual me orgulho de publicar,
"Muito bom dia!
Peço desde já desculpa por não me identificar, mas peço que me compreenda, pois não fico muito à vontade em lhe dar a minha identidade, sem ofensa alguma. Obti o seu mail apartir do blog porquedeixeideserenfermeiro.blogspot.pt (admiro muito os seus post's). Sou estudante do 12ºano, no distrito de Setúbal e como tal este é ano da minha candidatura ao ensino superior.
Eu tenho interesse em seguir Enfermagem, contudo as informações que encontrei na internet não me desfazem por completo as dúvidas acerca do curso e da profissão e a maior parte da informação são páginas brasileiras. Gostaria de saber qual o seu lado positivo da enfermagem, o bom da profissão que o fez levar a segui-la. Gostava também de esclarecer um dúvida que me intriga bastante: o quão é preciso ser psicologicamente forte para poder seguir esta área, isto é, sei que na profissão fazem tratamentos com pacientes que podem ferir a sensibilidade e aos quais eu tenho dúvidas se seria capaz de os realizar tais como traqueostomias ou sondas vesicais. Aos enfºs estes processos também lhes "fazem impressão" contudo têm a capacidade de se abstrair do sofrimento do paciente e meter as impressões de lado ou simplesmente têm uma mente forte e aguentam tudo? Mais uma única pergunta, como é o dia-a-dia do enfermeiro? As rotinas, o convívio com os colegas, etc etc.. Seria muito importante para mim que me pudesse responder, se assim entender, pois eu não tenho alguém próximo que exerça a profissão e que me pudesse explicar todas estas dúvidas.
Muito obrigado! 
A MINHA RESPOSTA:
Olá! Antes de mais trata-me por tu! Vou tratar-te por João, para ser mais fácil a comunicação, não leves a mal! Não sei se és M ou F, mas caso sejas F, penso que as F's não se incomodam tanto como os M´s na eventual troca de sexos.
É de facto gratificante receber este pedido de ajuda de um jovem que está numa fase muito importante da sua vida e por isso, faço desde já o apelo a todos os enfermeiros que se interessam pelo futuro dos nossos jovens, a responder a estas simples questões que o João coloca.
João, fiz um "apanhado" de posts desde o início deste Blog, que te poderão interessar e levar a perceber as vantagens e desvantagens em optar por seguir a carreira de enfermagem. Muito provavelmente, caso leias, vais levantar muitas reticências e pontos de exclamação/interrogação em relação à enfermagem, isto porque muitos dos posts são de crítica, lamentações, desabafos, ou seja, aspectos negativos, mas deixa que te diga que a enfermagem também tem alguns aspectos positivos... (curioso que primeiro escrevi "muitos", mas rapidamente corrigi para "alguns") que também são mencionados neste Blog.
Vou então, por ordem cronológica, referir os posts e depois é só consultares na barra lateral direita "Arquivo". Ao clicares vais ter acesso aos comentários dos leitores, o que também é importante, pois não te deves "fiar" só na minha opinião ;)
Enfermagem Multi-usos (OUT/2008)
(Dis)Stress em enfermagem (NOV/2008)
Natal dos hospitais II (DEZ/2008)
Os artistas dos hospitais (DEZ/2008)
Quem cuida quem (Abril/2009)
Desabafo de 1 enfermeiro (Abril/2009)
Um dia na vida de 1 enfermeiro da admissão (4 episódios) (JUN/2009)
Enfermeiros atirados aos leões (AGO/2009)
Opiniões II - A crise na Enfermagem (OUT/2009)
Nervos à flor da pele (NOV/2009)
Ganhem juízo (NOV/2009)
Opiniões III - Evidências e lamentações (DEZ/2009)
Enfermagem, classe profissional ostracizada in Jornal O Público (JAN/2010)
Os desabafos de um enfermeiro açoriano (JUN/2010)
Opiniões VI - A mãe enfermagem (JUN/2010)
A erosão nos hospitais (JUL/2010)
A década da decadência VOL I, II e III (OUT/2010)
Reconhecimento (JAN/2011)
O elogio de Miguel Portas aos enfermeiros (MAI/2011)
Finalistas mal preparados (MAI/2011)
Os enfermeiros são os que mais levam nos dentes (JAN/2012)
Estes posts provavelmente vão responder-te directamente a algumas dúvidas tuas, no entanto haverá outros que abordam questões relacionadas com a enfermagem de uma forma mais periférica.
Agora respondendo directamente às tuas questões: Fui para enfermagem com algum receio, pois como qualquer jovem da tua idade, não tinha noção do que é ser enfermeiro. Houveram pessoas que me aconselharam e que me disseram que a enfermagem era uma profissão bonita e que tirando o curso, depois poderia optar por vários caminhos dentro dessa área. Este facto não deixa de ser verdade, enfermagem é uma profissão muito digna e pode ser muito interessante e há vários caminhos a seguir. Caso tires o curso, depois podes optar por uma especialização (p.e. saúde materna, pediatria, reabilitação, psiquiatria, etc, etc), no entanto o problema é que a carreira de enfermagem em termos "legais", sofreu duros golpes e hoje em dia, não se abrem vagas para estes enfermeiros especialistas (apesar de haver trabalho a fazer), nem são reconhecidos, nem recompensados monetariamente como tal. Ou seja, muitas vezes são aproveitados as habilitações destes enfermeiros pelas instituições, mas o enfermeiro não vê o retorno do seu investimento, porque não é pago como especialista.
Quem possui aquela vertente humana, que é o gosto de ajudar alguém, proporcionar o bem-estar e aliviar o sofrimento, a dor, então enfermagem será uma boa opção. Esse é o lado positivo da enfermagem, incluindo aqui, o proporcionar uma morte digna à pessoa. A morte não pode ser encarada como o lado negativo. O enfermeiro deve construir a capacidade de saber lidar com a morte, ajudando a tornar este processo menos doloroso para a pessoa e seus familiares. Temos que ter presente que a morte é um processo natural, nascemos, vivemos e morremos, tão simples como isso. A morte inesperada e em idades improváveis é bem mais difícil de enfrentar, no entanto, de um modo geral, os elementos das equipas apoiam-se uns aos outros. Enfermagem também é muito isso... o espírito de equipa, caracterizado pela partilha, confidência, camaradagem. Claro que também há chatices, como em todo o lado.
O lado positivo da enfermagem também é a sua diversidade de áreas. Podes trabalhar em diferentes contextos e em poucos o trabalho é rotineiro, repetitivo e monótono. Quanto mais souberes, quantos mais conhecimentos tiveres, mais diversificado é o teu trabalho, mais partido disso tira o doente.
Quanto à questão que colocas do "psicologicamente forte", penso que as pessoas mais sensíveis ao sofrimento do outro devido a intervenções invasivas, conseguirão ser enfermeiros, sem dúvida alguma. Lembro que no meu primeiro dia de estágio tive que sair da enfermaria após ver um doente com uma ulcera de pressão (aquelas "lesões" que aparecem a doentes acamados por tempo prolongado), com o passar do tempo, fui-me habituando, passou a ser normal. O importante é perceber que com um bom plano, as coisas vão melhorar e que com prevenção, não voltarão a surgir. Plano e prevenção são duas palavras-chave em enfermagem.
Nenhum enfermeiro aguenta tudo. Às vezes pode parecer que aguentam, mas temos que ter a noção que é necessário descomprimir para o nosso bem-estar físico e mental. Pode haver alguns que se abstraem ao sofrimento dos outros, ao ponto de nada fazerem para o aliviar. Esses serão os maus profissionais. Mas há aqueles que têm a capacidade de se abstrair, mas saber agir, aí é que está o segredo. Nunca deverás levar o sofrimento dos outros para casa. Sofrimento faz parte da vida humana e há sofrimento no mundo muito mais intenso do que aquele que hás-de ver enquanto enfermeiro, num hospital português/europeu.
Quanto ao dia-a-dia do enfermeiro e o convívio, depende do caminho que segues. Imagina que vais para um Centro de saúde, terás um horário mais fixo e regular, muito provavelmente trabalhando de 2f a 6f, eventualmente alguns sábados, com umas folgas pelo meio da semana e isto sempre trabalho diurno. Se fores para um hospital, eventualmente vais trabalhar por turnos, podes ter que trabalhar num domingo ou feriado, durante a noite, no Natal , Páscoa, passagem de ano (mas nem sempre claro, roda por todos). A nível de carga semanal, até não nos podemos queixar, está definido por lei que o horário de trabalho para um enfermeiro são de 35h semanais. Há profissões onde trabalham muitas mais horas. O convívio depende do espírito das equipas. Há boas relações entre enfermeiros e entre enfermeiros e médicos, mas também há maus ambientes, como em todo o lado. Depende muito das chefias, das condições de trabalho que são criadas e do volume de trabalho. Quantas mais condições de trabalho tiveres, quanta mais segurança em trabalho, volume de trabalho adequado, sem ser excessivamente elevado, melhor é o ambiente e relação profissional.
O teu trabalho depende sempre do bom funcionamento de outras categorias profissionais. Quando os profissionais são poucos, o caldo pode-se entornar.
João, espero que tenha sido esclarecedor. Alguma questão cá estarei!
Boa sorte, abraço!
G.
A MINHA RESPOSTA:
Olá! Antes de mais trata-me por tu! Vou tratar-te por João, para ser mais fácil a comunicação, não leves a mal! Não sei se és M ou F, mas caso sejas F, penso que as F's não se incomodam tanto como os M´s na eventual troca de sexos.
É de facto gratificante receber este pedido de ajuda de um jovem que está numa fase muito importante da sua vida e por isso, faço desde já o apelo a todos os enfermeiros que se interessam pelo futuro dos nossos jovens, a responder a estas simples questões que o João coloca.
João, fiz um "apanhado" de posts desde o início deste Blog, que te poderão interessar e levar a perceber as vantagens e desvantagens em optar por seguir a carreira de enfermagem. Muito provavelmente, caso leias, vais levantar muitas reticências e pontos de exclamação/interrogação em relação à enfermagem, isto porque muitos dos posts são de crítica, lamentações, desabafos, ou seja, aspectos negativos, mas deixa que te diga que a enfermagem também tem alguns aspectos positivos... (curioso que primeiro escrevi "muitos", mas rapidamente corrigi para "alguns") que também são mencionados neste Blog.
Vou então, por ordem cronológica, referir os posts e depois é só consultares na barra lateral direita "Arquivo". Ao clicares vais ter acesso aos comentários dos leitores, o que também é importante, pois não te deves "fiar" só na minha opinião ;)
Enfermagem Multi-usos (OUT/2008)
(Dis)Stress em enfermagem (NOV/2008)
Natal dos hospitais II (DEZ/2008)
Os artistas dos hospitais (DEZ/2008)
Quem cuida quem (Abril/2009)
Desabafo de 1 enfermeiro (Abril/2009)
Um dia na vida de 1 enfermeiro da admissão (4 episódios) (JUN/2009)
Enfermeiros atirados aos leões (AGO/2009)
Opiniões II - A crise na Enfermagem (OUT/2009)
Nervos à flor da pele (NOV/2009)
Ganhem juízo (NOV/2009)
Opiniões III - Evidências e lamentações (DEZ/2009)
Enfermagem, classe profissional ostracizada in Jornal O Público (JAN/2010)
Os desabafos de um enfermeiro açoriano (JUN/2010)
Opiniões VI - A mãe enfermagem (JUN/2010)
A erosão nos hospitais (JUL/2010)
A década da decadência VOL I, II e III (OUT/2010)
Reconhecimento (JAN/2011)
O elogio de Miguel Portas aos enfermeiros (MAI/2011)
Finalistas mal preparados (MAI/2011)
Os enfermeiros são os que mais levam nos dentes (JAN/2012)
Estes posts provavelmente vão responder-te directamente a algumas dúvidas tuas, no entanto haverá outros que abordam questões relacionadas com a enfermagem de uma forma mais periférica.
Agora respondendo directamente às tuas questões: Fui para enfermagem com algum receio, pois como qualquer jovem da tua idade, não tinha noção do que é ser enfermeiro. Houveram pessoas que me aconselharam e que me disseram que a enfermagem era uma profissão bonita e que tirando o curso, depois poderia optar por vários caminhos dentro dessa área. Este facto não deixa de ser verdade, enfermagem é uma profissão muito digna e pode ser muito interessante e há vários caminhos a seguir. Caso tires o curso, depois podes optar por uma especialização (p.e. saúde materna, pediatria, reabilitação, psiquiatria, etc, etc), no entanto o problema é que a carreira de enfermagem em termos "legais", sofreu duros golpes e hoje em dia, não se abrem vagas para estes enfermeiros especialistas (apesar de haver trabalho a fazer), nem são reconhecidos, nem recompensados monetariamente como tal. Ou seja, muitas vezes são aproveitados as habilitações destes enfermeiros pelas instituições, mas o enfermeiro não vê o retorno do seu investimento, porque não é pago como especialista.
Quem possui aquela vertente humana, que é o gosto de ajudar alguém, proporcionar o bem-estar e aliviar o sofrimento, a dor, então enfermagem será uma boa opção. Esse é o lado positivo da enfermagem, incluindo aqui, o proporcionar uma morte digna à pessoa. A morte não pode ser encarada como o lado negativo. O enfermeiro deve construir a capacidade de saber lidar com a morte, ajudando a tornar este processo menos doloroso para a pessoa e seus familiares. Temos que ter presente que a morte é um processo natural, nascemos, vivemos e morremos, tão simples como isso. A morte inesperada e em idades improváveis é bem mais difícil de enfrentar, no entanto, de um modo geral, os elementos das equipas apoiam-se uns aos outros. Enfermagem também é muito isso... o espírito de equipa, caracterizado pela partilha, confidência, camaradagem. Claro que também há chatices, como em todo o lado.
O lado positivo da enfermagem também é a sua diversidade de áreas. Podes trabalhar em diferentes contextos e em poucos o trabalho é rotineiro, repetitivo e monótono. Quanto mais souberes, quantos mais conhecimentos tiveres, mais diversificado é o teu trabalho, mais partido disso tira o doente.
Quanto à questão que colocas do "psicologicamente forte", penso que as pessoas mais sensíveis ao sofrimento do outro devido a intervenções invasivas, conseguirão ser enfermeiros, sem dúvida alguma. Lembro que no meu primeiro dia de estágio tive que sair da enfermaria após ver um doente com uma ulcera de pressão (aquelas "lesões" que aparecem a doentes acamados por tempo prolongado), com o passar do tempo, fui-me habituando, passou a ser normal. O importante é perceber que com um bom plano, as coisas vão melhorar e que com prevenção, não voltarão a surgir. Plano e prevenção são duas palavras-chave em enfermagem.
Nenhum enfermeiro aguenta tudo. Às vezes pode parecer que aguentam, mas temos que ter a noção que é necessário descomprimir para o nosso bem-estar físico e mental. Pode haver alguns que se abstraem ao sofrimento dos outros, ao ponto de nada fazerem para o aliviar. Esses serão os maus profissionais. Mas há aqueles que têm a capacidade de se abstrair, mas saber agir, aí é que está o segredo. Nunca deverás levar o sofrimento dos outros para casa. Sofrimento faz parte da vida humana e há sofrimento no mundo muito mais intenso do que aquele que hás-de ver enquanto enfermeiro, num hospital português/europeu.
Quanto ao dia-a-dia do enfermeiro e o convívio, depende do caminho que segues. Imagina que vais para um Centro de saúde, terás um horário mais fixo e regular, muito provavelmente trabalhando de 2f a 6f, eventualmente alguns sábados, com umas folgas pelo meio da semana e isto sempre trabalho diurno. Se fores para um hospital, eventualmente vais trabalhar por turnos, podes ter que trabalhar num domingo ou feriado, durante a noite, no Natal , Páscoa, passagem de ano (mas nem sempre claro, roda por todos). A nível de carga semanal, até não nos podemos queixar, está definido por lei que o horário de trabalho para um enfermeiro são de 35h semanais. Há profissões onde trabalham muitas mais horas. O convívio depende do espírito das equipas. Há boas relações entre enfermeiros e entre enfermeiros e médicos, mas também há maus ambientes, como em todo o lado. Depende muito das chefias, das condições de trabalho que são criadas e do volume de trabalho. Quantas mais condições de trabalho tiveres, quanta mais segurança em trabalho, volume de trabalho adequado, sem ser excessivamente elevado, melhor é o ambiente e relação profissional.
O teu trabalho depende sempre do bom funcionamento de outras categorias profissionais. Quando os profissionais são poucos, o caldo pode-se entornar.
João, espero que tenha sido esclarecedor. Alguma questão cá estarei!
Boa sorte, abraço!
G.
sábado, 12 de maio de 2012
Publicidade ao enfermeiro
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Guilherme de Carmo
Antes de mais, neste dia especial para a enfermagem, o meu abraço a todos os enfermeiros que se preocupam pelo bem-estar do doente e por melhorar no exercício das suas funções. Deixo-vos com um comentário de uma colega acerca do anúncio lançado pela OE.
(...) Mesmo assim espero que publique o meu "grito de alma":
A pensar no Dia Internacional do Enfermeiro, a OE criou (ou ao que parece copiou dos Colegas Brasileiros) um spot publicitário (de gosto duvidoso - algo que poderá ser constatado pelos comentários que tecerei em seguida sobre o mesmo) de 30 segundos que passará 68 vezes em 4 canais diferentes de TV ( 2 em sinal aberto e 2 em cabo ) e que há de passar inúmeras vezes em 189 Salas de Cinema.
Perante tantos números que nos são dados a conhecer no site da OE, só quero saber mais um número: quanto custa esta brincadeira?
Como é que num País em Crise como o nosso, em que há gente a passar fome, doentes que não têm dinheiro para os medicamentos e para taxas moderadoras, com tantos Enfermeiros desempregados e outros tantos a verem-se forçados a emigrar como é que se cai neste ridículo?
O que hão de dizer as pessoas quando ouvirem os Enfermeiros a reclamar por melhores salários, melhores condições de trabalho, a afirmar que há muitos Enfermeiros no desemprego e outros que emigram?
Que legitimidade há para reclamar quando um Spot de 30 segundos (que já de si não deve ser barato- equipas criativas, equipas de filmagem, actores) e todos os tempos de antena e espaços publicitários em salas de cinema?
Um Spot que terá custado largas dezenas de milhares de Euros para dizer o quê? Que os Enfermeiros querem um abraço ou que estão cá para dar um abraço?
Se o País não estivesse na Crise em que está e a situação dos Enfermeiros Portugueses fosse outra seria a primeira a apoiar, mas assim?
Quando tudo aperta o cinto passamos a ideia que não podia estar mais errada de que os Enfermeiros estão tão bem que até podem dar-se ao luxo de gastar largas dezenas de milhares de Euros em marketing e publicidade.
Isto fora todo o que demais se fará.
Meu Deus! Será que a Direcção da OE perdeu o juízo? Será que não há bom-senso?
Não viram que durante 6 anos o Sócrates e tantos outros políticos antes deste viveram da fumaça do marketing mas que obra concreta nada? Que de concreto só mesmo o que custou todo o circo!
E que fomos nós fazer? Embarcamos na mesma onda, que credibilidade teremos para dizer as dificuldades da nossa Classe?
Será que vamos ter uma Ordem que vive de aparências e imagem? É isso que, e não as ideias e os factos, hão de melhorar as condições dos Enfermeiros.
Que loucura!
Mas neste fim-de-semana, mesmo com os seus parcos vencimentos todos os Enfermeiros vão poder ir ao cinema pois apresentando a Cédula Profissional nas bilheteiras da Zon Lusomundo vão poder ter o seu bilhete por 50% do preço normal. Assim não ficam desculpas para que TODOS os Enfermeiros vejam o Spot que a OE fez para o DIE e a OE dizer que o Spot foi um sucesso.
Nesta espécie de pescadinha de rabo na boca quero agradecer à OE por lutar por aquilo que realmente importa... um bilhete de cinema por metade do preço (uma espécie de pagamento a todos para que se possa ver todo o trabalho que os narcisos têm feito).
Agradeço ao Colega Enf Guilherme do Carmo a publicação do meu comentário
e eu agradeço o teu comentário! A minha opinião,
Concordo com algumas questões lançadas pela colega. Seria importante saber quanto custou esta brincadeira, que decerto foi paga com o nosso dinheiro, com as nossas quotas, que tanto nos custam a pagar (pelo menos a mim, bem me custa). Se custou pouco e foi financiada por outras entidades, ainda estou como o outro, apesar de ser um anúncio fatela, ok valeu. Se custou bem mais que isso, ai dou toda a razão à colega.
Agora falando do anúncio em si.... bahhhh.. mau gosto, podiam ter sido mais originais... mãozinha da grávida sobre a mãozinha da enfermeira, o avozinho enfermeiro a puxar a cadeira de rodas, já a passar a mensagem que vais trabalhar até à terceira idade... subtis os gajos..
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Cuido do seu idoso durante o dia ou à noite...
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Guilherme de Carmo
Encontrei esta relíquia cultural na montra de um estabelecimento comercial.
É um retrato claro do significado do idoso para a sociedade... um fardo, sem querer generalizar obviamente.
Quando li, só me lembro de pensar que uma altura também vi um anúncio que dizia "Cuido do seu cão, dou-lhe banho, faço a tosquia e levo-o a passear".
Eu em casa tenho um idoso, um cão e um papagaio... será que me cuida do papagaio também??
quarta-feira, 2 de maio de 2012
CIPE na Unidade Polivalente? Bom ou mau?
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Guilherme de Carmo
Apartir do momento em que a Unidade Polivalente se tornou um serviço autónomo, várias foram as mudanças. A que mais impacto teve para os enfermeiros foi a implementação da CIPE. Ouvem-se muitas críticas, na sua totalidade negativas, por isso achei importante levantar a discussão.
- Será que a implementação da CIPE veio melhorar a qualidade de cuidados prestados ao doente?
- Será que a implementação da CIPE veio retirar tempo ao enfermeiro? Tempo este fundamental para a vigilância do doente, permissa primordial num serviço de observação ao doente crítico.
- Será que se justifica a implementação da CIPE, num serviço onde os doentes permanecem em média 24h?
Gostava de saber a opinião daqueles que trabalham na área, mas também de todos os outros, deste ou de outros contextos.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Ex-maqueiros já dão banhos!
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Guilherme de Carmo
Já por aqui se defendeu a existência de uma única categoria de Assistentes Operacionais, onde homens e mulheres fazem o mesmo.
Legalmente é isso que está preconizado, mas na prática, pelo menos no nosso Hospital de Viana, ainda existe o trabalho para homens e o trabalho para mulheres.
Mesmo assim já se assiste a alguns avanços, que num passado bem recente, não passavam pela cabeça de ninguém, já temos homens (ex-maqueiros) a fazer todo o trabalho de um Assistente Operacional na Unidade Polivalente, antigo OBS.
Colaboram nas higienes de doentes, nas limpezas entre todas as outras funções.
São apenas 2, mas já é qualquer coisa!
Triste é o facto de estes 2 elementos serem colocados um pouco à margem por alguns colegas e serem alvo de chacota.
É esta a mentalidade que temos.
Obrigado Miguel!
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Guilherme de Carmo
Tenho admiração e estima por muito poucos políticos. Este senhor é um deles.
Não é apenas por ter reconhecido a enfermagem, mas pelos seus princípios e pela sua frontalidade. O país perdeu um homem inteligente, íntegro e verdadeiro.
Até sempre e obrigado Miguel!
Já em tempos tinha publicado estes vídeos, mas nunca é demais repetir.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Serviço de Obstetrícia de Viana em risco de fechar
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Guilherme de Carmo
Com as recentes notícias do fecho da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, saliento também o risco de fecho do Serviço de Obstetrícia de Viana. Com todas estas políticas economicistas, com encerramentos de Unidades, Serviços, Hospitais e Centros de Saúde pelo país, há um risco considerável de fechar.
Consta que se não forem atingidos os 1500 partos anuais, haverá essa possibilidade e o que parece ser uma realidade é o decréscimo constante de partos ano após ano, pelos motivos que todos conhecem. Os últimos dados eram de 1800, quando num passado recente ultrapassava os 2000 (que me corrijam em caso de erro)
Obviamente todos esperamos que algo não aconteça, pois trata-se de um serviço de referência, com elevado nível de profissionalismo.
sábado, 7 de abril de 2012
Curtas estapafúrdias Vol. X - "Sabe onde estamos?"
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Guilherme de Carmo
Hoje ouvi uma muito boa na Pequena-cirurgia...
A médica tentava algumas respostas de um senhor que tinha caído. Perguntava alto, ou porque o doente ouvia mal, ou simplesmente porque já é aquele nosso hábito de falar alto para os doentes (pensando que todos ouvem mal).
A dada altura perguntou: "Sabe onde estamos? O que lhe aconteceu?" Devido à ausência de resposta, insistiu: mais alto, "Sabe onde estamos?". "Estamos na Arábia Saudita", ouviu-se a resposta num tom sereno.
Resultado: risada geral na sala de espera.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Hospital de Braga Escala (Grupo Mello) - A polémica mantém-se...
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Guilherme de Carmo
A discussão em torno do novo Hospital de Braga reacendeu. Achei importante publicar as palavras de um dos seus funcionários:
"Sou também uma profissional de saúde no hospital de braga e exerço a minha profissão há muitos anos. Confirmo tudo o que o vosso colega aqui "confidenciou" e partilho a mesma insatisfação.
Se quisessem averiguar a sério como realmente este hospital funciona, bastava questionar profissionais de outras classes... a voz de descontentamento é a mesma!!
Transformaram o nosso hospital velhinho numa máquina de fazer dinheiro e apenas actuam com esse fim.
Tenho conhecimento que por exemplo na área dos meios complementares de diagnóstico, foram criados protocolos completamente absurdos, sobretudo na área de atendimento do SU, em que os doentes são literalmente depositados em salas de observações com a agravante de, inicialmente preparadas para apenas receberem 18 pacientes, sobrelotarem a capacidade para 40!!!! A esta situação assisti eu.
Se um paciente recorre ao SU, hoje, faz 3 exames à entrada (protocolo criado): análises clínicas, RX tórax e electrocardiograma.
Se voltar no dia seguinte, volta a fazer os mesmos exames: nem se dão, muitas vezes ao cuidado de verificar os resultados anteriores.
Grande parte dos médicos triadores contratados por esta administração, não sabendo ler os exames radiológicos (um simples RX), pede uma TAC (porque tem sempre relatório)submetendo os pacientes a doses de radiação brutais, sem necessidade!
Estas situações são constantemente relatadas com a crescente revolta dos profissionais dessa área.
Quanto às chefias... estão de acordo com esta política escalabrosa de gestão! Pudera!!!
Todos eles recebem acréscimos/prémios no seu salário ao fim do mês e têm parque pago.
Cumprimentos,
Funcionária pública insatisfeita
sábado, 31 de março de 2012
Pernas para que te quero
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Guilherme de Carmo
Há uns dias atrás entrou um rapaz no Serviço de Urgência com uma fractura muito complicada na perna, ou seja, tinha a perna virada do avesso. Ia no lugar do morto, no carro de um colega tuningueiro (*) que se espatifou, por excesso de velocidade.
Foi operado e depois internado no serviço de Ortopedia e aí as coisas complicaram ainda mais. Consta que quem entrava na enfermaria onde o rapaz estava, sentia logo um cheiro a podre, sinal que aquela perna não estava muito famosa. Os enfermeiros lá iam alertando os ortopedistas, mas estes diziam que não havia perigo, pois o doente já estava com antibiótico. Como se previa, mais uma vez a coisa deu para o torto e o jovem chegou mesmo a assinar o consentimento para se amputar a perna. O ortopedista perguntou-lhe: "Queres assinar a tua certidão de óbito?". O rapazinho respondeu: "Desculpe, não tou a perceber..."
Nem eu percebia se tal ouvisse e provavelmente teria fugido, mesmo com uma perna só. Teria feito como o outro cirurgião que salvo erro tinha uma apendicite e pegou no carro e foi para o Porto.
Bom, mas adiante... o rapaz lá safou a perna graças a prudência de um outro médico, ponderado e já com larga experiência. Foi transferido e ainda hoje conserva a sua perninha.
É por estas e por outras que tenho pavor que algo aconteça aos meus... e a mim.
(*) digo colega, porque amigos deste eu não queria, tuningueiro refere-se à moda parola dos tunings
segunda-feira, 26 de março de 2012
Greve 22 Março - Vai tudo à bastonada
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Guilherme de Carmo
Sem querer generalizar, é por isto que associo a polícia à ignorância, cobardia e violência.
Acto puro de manifestação de indignação social, com milhares de portugueses em desespero pela situação actual e qual é a resposta do Governo e seus marmanjos? Bastonada indiscriminada, até os repórteres não escapam.
Tenham vergonha na cara, quando vocês reivindicam pela vossa situação precária, o povo está do vosso lado! Tenham vergonha que esta luta também é vossa!
Onde está a vossa formação para lidar com manifestações? À mínima agitação e desobediência, desata tudo à bastonada?? Por meia dúzia de cadeiras de esplanada arrastadas, começa-se a espancar quem nada fez?Haviam de estar no Egipto, na Síria ou até na Grécia, para verem o que é agitação a valer... Havia alguém ou algo em risco para terem tido esta violenta atitude? A população em risco? A polícia? Os políticos? As lojas? Nada! Rigorosamente nada em risco. Espero enganar-me, mas a vossa atitude apenas acendeu um rastilho que mais cedo ou mais tarde vai rebentar.
Que me desculpem os bons polícias (que existem), mas foi uma vergonha para a vossa classe.
segunda-feira, 19 de março de 2012
U24 na RTP? Muito bom pra quem gosta de telefilmes
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Guilherme de Carmo
Mas que treta de programa é aquele sobre "emergência"?
Tal como tinha dito no último comentário, já andava a meditar sobre este tema e afinal parece que não sou o único com esta opinião, dado o desafio lançado pelo último anónimo.
Já vi uns três ou quatro programas e fiz questão de assistir a outro, antes de publicar este post, para confirmar a imagem distorcida que a RTP passa cá para fora, sobre a emergência em Portugal.
Vemos TAE´s muito eficientes, a assistir pessoas com queixas abdominais, outros com febre, ou luxações do ombro e outros traumatismos minor, etilizados, toxicodependentes, crises de ansiedade, hipoglicemias e outras situações mais ou menos urgentes, mas NUNCA EMERGENTES! Onde estão os traumatismo major, os AVC´s, as Paragens cárdio-respiratórias, as complicações cardíacas e respiratórias súbitas, onde estão as vítimas efectivamente críticas???
Depois transportam a "vítima" para o hospital e aqui acontece algo surreal. Vemos atendimento imediato, como que encenado para a câmara, num cenário improvável vazio de doentes, com uma banda sonora digna de filme de suspense fatela. Pergunto que hospital será aquele? Fantástico diria, sem doentes nos corredores e sem filas de espera. Será que encostaram os doentes para a RTP passar?
Pelo que li, neste e noutro Blog (DE), alguns já falam em inveja e azia, mas deixem que vos diga com toda a sinceridade, não sinto inveja rigorosamente nenhuma, apenas um forte sentimento de injustiça pelos enfermeiros e médicos do pré-hospitalar. A RTP mostra (e bem) o trabalho dos TAE´s, mas na rua também andam as vmer´s e as siv´s. Com este programa acho que as pessoas vão identificar o TAE como o único interveniente no pré-hospitalar, mas não se esquecem que há outros e esses não merecem ser esquecidos. Querem fazer um programa sobre emergência em Portugal, façam-no com pés e cabeça.
Nota: Acabei de enviar o post para o Provedor da RTP
Nota: Acabei de enviar o post para o Provedor da RTP
terça-feira, 13 de março de 2012
Médico simpático?
Publicada por
Guilherme de Carmo
Outro dia um urologista pediu-me ajuda numa intervenção delicada a um doente. Muito educado explicou o material que queria e de que forma precisava da minha ajuda. Explicou-me o procedimento com minúcia, foi atencioso com o doente e no fim, muito educadamente, agradeceu a todos a colaboração. A técnica tinha corrido bem e todos saíram satisfeitos.
Ao comentar com a minha colaboradora especial, já em casa, disse: "O gajo foi extremamente simpático... Deve ser gay." "Lá estás tu, deve ser gay porquê?! Achas que se estava a atirar a ti?! Pode ser simplesmente simpático.
Não sei, talvez tenha razão, mas não achei normal tanta simpatia num médico...
Peço desculpa se por algum motivo alguém se sentiu lesado, mas foi o natural pensamento que surgiu, nada tenho contra médicos e muito menos contra gays.
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