sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sindicato dos enfermeiros (SE) envergonha a classe de enfermagem


Leiam com atenção este post publicado no Cogitare em saúde.

Já leram? Leiam tudo e com atenção, é que seria importante todos os enfermeiros saberem quem é que nós temos a representar sindicatos de enfermagem.

Como é que há pessoas tão baixas e malvadas?!

Para mim em nada me interessam as cores dos sindicatos e muito menos todas estas "guerrinhas sindicais" que muitos alimentam e que são um dos principais motivos para enfermagem estar como está hoje. 
Estou profundamente incrédulo e estupefacto em constatar que um dos sindicatos que representa a minha classe profissional, desceu tão baixo, é inimaginável o quão baixo desceu. Podia ter sido qualquer um, que a minha opinião manter-se-ia, mas não, foi o Sindicato dos Enfermeiros (SE) que envergonhou duramente a classe, numa atitude reles, de enxovalho público a uma enfermeira, no site oficial do seu sindicato. 
A Sr. Enf Paula Maia que se demita, o SE se ainda quer sair disto com alguma dignidade, que emita um pedido de desculpas público, tenham vergonha na cara, é mau demais para ser verdade. 
Já li este triste episódio várias vezes e ainda estou para acreditar em como é que é possível terem feito o que fizeram.
Depois aparecem alguns frustrados nos comentários do post, a criticar a questão da colega, a pôr em causa a sua carreira, a defender o SE e como se não bastasse, a atacar o SEP que não é chamado para esta matéria. É por estas e por outras que Enfermagem está como está, só nos atacámos uns aos outros, só nos rebaixamos.
Por muito desconexa que possa ser a sua questão, nunca, mas nunca deverá ser tornada pública. E pior que isso é a resposta provocatória e irónica que lhe dão. Já pensaram que cada serviço de saúde tem as suas normas, procedimentos, que por muito mal que tenham sido formulados, estarão enraizados há anos?? 
Haja o mínimo de respeito... 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Problemas psiquiátricos aumentam nos enfermeiros


Tenho reparado num fenómeno muito preocupante para a enfermagem e por inerência, para a população em geral. Nos últimos anos aumentaram significativamente os "casos psiquiátricos" nos enfermeiros. Não é preciso muitas investigações e estatísticas para chegar a esta conclusão, está aos nossos olhos.
Vemos enfermeiros em estados de depressão, cabisbaixos e deprimidos, outros em estados de "negação crónica", onde tudo está sempre mal, onde um simples diálogo com quem quer que seja, será uma discussão, um conflito, outros em estados de loucura... loucura mesmo (*); vemos baixas prolongadas e recorrentes e eu questiono-me, quando é que chegará a minha vez?? Sim!... Não tenham dúvidas que há uma grande probabilidade de chegar a nossa vez, não tenham dúvidas que com o aumento dos anos de serviço, aumentam as probabilidades de enlouquecer-mos. Até aqueles que nós vemos como exemplo da pureza e integridade mental não escapam.
Temos uma profissão de desgaste rápido, de risco e absentismo elevados e todas estas más notícias para a profissão (desde há uns anos a esta parte), não ajudam em nada para a harmonia, paz de espírito, qualidade de trabalho, satisfação e motivação profissional que tanto se deseja e necessita, em enfermagem... e não só.
Fico preocupado porque penso demasiadas vezes que a minha sanidade mental enquanto profissional de saúde, não vai ser eterna. Fico preocupado porque custa-me ver estes enfermeiros doentes a "cuidarem" de outros doentes.

Vocês já pensaram por que é que rapidamente esgotam os stocks de comprimidos de diazepan no Serviço de Urgência??? Ok, o povo também anda a enlouquecer e muitos são prescritos, mas muitos outros vão para consumo da casa, para consumo próprio de enfermeiros e médicos. 
Posto isto, deixo-vos uma questão, 
Como anda a vossa sanidade mental? 


(*) loucura mesmo é quando não se bate mesmo nada bem da cabeça, com aqueles comportamentos a razar o  obsessivo-compulsivos e/ou paranóico, para ser mais científico.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Enfermagem bateu no fundo.


Agora penso que muitos de vós, entenderá o porquê do título e sub-título deste Blog. 
Não deve haver um enfermeiro que não sinta vergonha por tudo isto que se está a passar. Se já antes, as notícias de enfermeiros a trabalhar de graça e a tostões, nos deixavam estupefactos e revoltados, imagino agora, COM ENFERMEIROS NO SNS A RECEBER 4 EUR/HORA.
É uma vergonha para o país, é uma vergonha para a Ordem, é uma vergonha para os sindicatos, é uma vergonha para nós, enfermeiros. 
Isto bateu mesmo no fundo... custa-me fazer este tipo de comparações, mas profissionais de saúde licenciados a receber menos que uma empregada doméstica?!
Isto já não vai lá com petições, manifestações ou "grevinhas"! 
Colegas, acordem! É um insulto grave à classe, isto é greve a 100% por tempo indeterminado, para estourar! Este é o momento para enfermagem, de uma vez por todas, se unir e dizer BASTA! É agora, ou então esqueçam um futuro melhor. Por este caminho, para os que já têm anos de carreira, o futuro será pior. 
Lutem pelos que estão a chegar, lutem por vós!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Enfermagem intercontinental II


Olá enfermeiro Guilherme, nesta tarde de quinta-feira, me vi em reflexão sobre meu papel quanto enfermeiro e inevitavelmente lembrei-me do nosso contato anterior. Em saudosismos fui ao teu blog e li o primeiro post presente: "ALERTO PARA O CONTEÚDO DA MENSAGEM DO BASTONÁRIO A PROPÓSITO DO 10 DE JUNHO". Triste esta situação putefra ao qual a enfermagem está. Me entristece saber que esta é uma dura realidade não apenas nas Terras Lusitanas, mas também nas latino-americanas. Sou graduado há mais de ano e até o momento não consegui um emprego, ou pior um subemprego. Vivo de aulas esporádicas para enfermeiros em cursos de atualização e preparatórios para concursos e processos seletivos. O Brasil não está a passar a mesma crise financeira que se alastra pela Europa, mas estamos em forte crise de desemprego, principalmente para a saúde.
As vezes me sinto envergonhado por dizer que sou enfermeiro, afinal nada consegui e tão pouco conseguirei por um bom tempo. Tenho a cada dia tentado acreditar e ter esperanças que na luta sindical, na luta trabalhista e formação de profissionais críticos esta dura realidade irá mudar, mas as esperanças estão por fim. O Estado Brasileiro humilha seus professores, devasta suas universidades, escolas e colégios.
A nossa educação acadêmica já passou por momentos gloriosos, nossos serviços de saúde, sejam eles públicos ou particulares também. Enxergamos emergências lotadas, falta de verbas, materiais, altos índices de mortalidade materna, mortalidade infantil e não por falta de recursos, mas pela má administração e corrupção dos nossos governantes.
A promiscuidade política está a destruir um país, uma nação...
Queria saber de ti amigo de longas léguas além mar, ainda tens esperança na enfermagem? Acredita que um dia teremos um lugar ao sol?

Abraços fraternos,

Enf. Thiago Fiel

Olá Thiago, é com emoção que leio as tuas palavras. Partilho e tua tristeza e revolta e lamento do fundo do coração. 
É tal e qual como dizes, a responsabilidade é dos nossos governantes incompetentes. Cá em Portugal vivemos uma crise na enfermagem (e geral) muito por culpa do excesso de vagas para estudantes de enfermagem, para as escolas encherem os bolsos e só agora, passados 10 anos, é que se lembraram que talvez fosse melhor diminuir em 10% as vagas para admissão para estudantes de enfermagem... enfim.
Não tens que te sentir envergonhado, porque tens uma profissão das mais dignas que existe, uma profissão de excelência, pena é toda essa situação que vives, mas como se diz por ai, vamos torcer para que as coisas dêem uma volta! E vamos ter esperança que sim, caso contrário vens para Europa e cá encontras trabalho (mas não em Portugal :( ).
Esperança na enfermagem??! É uma boa questão... um lugar ao sol, nem num futuro muito longínquo imagino, nem para os enfermeiros, nem para muitas outras classes, talvez só para os gestores e administradores... mas acredito que vamos melhorar, porque piorar mais que isto, acho que é difícil, pois neste momento parece que estamos no fundo, mas como diriam muitos pessimistas, "isto ainda não é nada e ainda vai piorar..." a ver vamos.

Um grande abraço e que tudo corra pelo melhor!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

ALERTO PARA O CONTEÚDO DA MENSAGEM DO BASTONÁRIO A PROPÓSITO DO 10 DE JUNHO

Por: Ana

"Está tudo doido?

Na mensagem do Bastonário para os enfermeiros da Diáspora (http://www.ordemenfermeiros.pt/comunicacao/Paginas/MensagemBastEnfermeirosDiaspora10junho2012.aspx) a propósito do dia 10 de junho de 2012 e falando da necessidade de empreendedorismo face ao problema do desemprego na Enfermagem apontando o exemplo da Enf.ª Isabel Santos Melo cita o Enf. Germano Couto mais um "curioso" exemplo:

"Têm surgido exemplos desses também em Portugal. Um deles em Miranda do Douro de duas jovens enfermeiras que resolveram transformar uma situação de desemprego numa oportunidade, trabalhando voluntariamente a troco de casa e alimentação. Não julgo que essa seja uma situação que se deva prolongar indefinidamente, mas reconheço o espírito de abnegação e empreendedorismo destas profissionais e que gostaria de destacar. Tenho esperança que esta situação precária venha a dar lugar a uma situação condigna."

Mas está tudo doido? Um exemplo de mendicidade em que 2 jovens Enfermeiras trabalham a troco de comida e roupa lavada é apontado como um exemplo de empreendedorismo???
Eu chamo a isto uma situação de desespero e nunca empreendedorismo. Quererá por ventura o Enf. Germano Couto mais exemplos destes???

É assim que se luta pela dignificação da Classe?

É reconhecendo como "normal" a mendicidade na Enfermagem e até "maquilhando" a mesma adjectivando-a pomposamente com palavras como "abnegação" e "empreendedorismo" que conseguiremos um reconhecimento e justa remuneração do nosso trabalho?

Vários têm sido os Colegas que se insurgem contra esta situação. E agora vemos o nosso Bastonário elogiar esta situação? Já ficaria descontente com a inexistência do repudiar desta situação mas vejo-me agora chocada com o ELOGIO que o Enf. Germano faz.

Passamos a ter uma situação de mendicidade (pois é disso mesmo que se trata) com o carimbo de aprovação, pasme-se, da Ordem dos Enfermeiros."

sábado, 9 de junho de 2012

Sabe o que é o olecrâneo?


História real...
Entra na Triagem, um miúdo de 9 anos com pinta de intelectual, acompanhado pela mãe.
A mãe explica,
Caiu a brincar, tem uma ferida no cotovelo, nao consegue esticar o braço.
E ele completa,
Devo ter fracturado o olecrâneo

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A todos os enfermeiros: Vamos ajudar o João a decidir o seu futuro.


Recebi este email, o qual me orgulho de publicar,

"Muito bom dia! Sorriso rasgado Peço desde já desculpa por não me identificar, mas peço que me compreenda, pois não fico muito à vontade em lhe dar a minha identidade, sem ofensa alguma. Obti o seu mail apartir do blog porquedeixeideserenfermeiro.blogspot.pt (admiro muito os seus post's). Sou estudante do 12ºano, no distrito de Setúbal e como tal este é ano da minha candidatura ao ensino superior.
Eu tenho interesse em seguir Enfermagem, contudo as informações que encontrei na internet não me desfazem por completo as dúvidas acerca do curso e da profissão e a maior parte da informação são páginas brasileiras. Gostaria de saber qual o seu lado positivo da enfermagem, o bom da profissão que o fez levar a segui-la. Gostava também de esclarecer um dúvida que me intriga bastante: o quão é preciso ser psicologicamente forte para poder seguir esta área, isto é, sei que na profissão fazem tratamentos com pacientes que podem ferir a sensibilidade e aos quais eu tenho dúvidas se seria capaz de os realizar tais como traqueostomias ou sondas vesicais. Aos enfºs estes processos também lhes "fazem impressão" contudo têm a capacidade de se abstrair do sofrimento do paciente e meter as impressões de lado ou simplesmente têm uma mente forte e aguentam tudoMais uma única pergunta, como é o dia-a-dia do enfermeiro? As rotinas, o convívio com os colegas, etc etc.. Seria muito importante para mim que me pudesse responder, se assim entender, pois eu não tenho alguém próximo que exerça a profissão e que me pudesse explicar todas estas dúvidas.

Muito obrigado! Sorriso


A MINHA RESPOSTA:
Olá! Antes de mais trata-me por tu! Vou tratar-te por João, para ser mais fácil a comunicação, não leves a mal! Não sei se és M ou F, mas caso sejas F, penso que as F's não se incomodam tanto como os M´s na eventual troca de sexos. 
É de facto gratificante receber este pedido de ajuda de um jovem que está numa fase muito importante da sua vida e por isso, faço desde já o apelo a todos os enfermeiros que se interessam pelo futuro dos nossos jovens, a responder a estas simples questões que o João coloca.
João, fiz um "apanhado" de posts desde o início deste Blog, que te poderão interessar e levar a perceber as vantagens e desvantagens em optar por seguir a carreira de enfermagem. Muito provavelmente, caso leias, vais levantar muitas reticências e pontos de exclamação/interrogação em relação à enfermagem, isto porque muitos dos posts são de crítica, lamentações, desabafos, ou seja, aspectos negativos, mas deixa que te diga que a enfermagem também tem alguns aspectos positivos... (curioso que primeiro escrevi "muitos", mas rapidamente corrigi para "alguns") que também são mencionados neste Blog.
Vou então, por ordem cronológica, referir os posts e depois é só consultares na barra lateral direita "Arquivo". Ao clicares vais ter acesso aos comentários dos leitores, o que também é importante, pois não te deves "fiar" só na minha opinião ;)


Enfermagem Multi-usos (OUT/2008)
(Dis)Stress em enfermagem (NOV/2008)
Natal dos hospitais II (DEZ/2008)
Os artistas dos hospitais (DEZ/2008)
Quem cuida quem (Abril/2009)
Desabafo de 1 enfermeiro (Abril/2009)
Um dia na vida de 1 enfermeiro da admissão (4 episódios) (JUN/2009)
Enfermeiros atirados aos leões (AGO/2009)
Opiniões II - A crise na Enfermagem (OUT/2009)
Nervos à flor da pele (NOV/2009)
Ganhem juízo (NOV/2009)
Opiniões III - Evidências e lamentações (DEZ/2009)
Enfermagem, classe profissional ostracizada in Jornal O Público (JAN/2010)
Os desabafos de um enfermeiro açoriano (JUN/2010)
Opiniões VI - A mãe enfermagem (JUN/2010)
A erosão nos hospitais (JUL/2010)
A década da decadência VOL I, II e III (OUT/2010)
Reconhecimento (JAN/2011)
O elogio de Miguel Portas aos enfermeiros (MAI/2011)
Finalistas mal preparados (MAI/2011)
Os enfermeiros são os que mais levam nos dentes (JAN/2012)


Estes posts provavelmente vão responder-te directamente a algumas dúvidas tuas, no entanto haverá outros que abordam questões relacionadas com a enfermagem de uma forma mais periférica. 
Agora respondendo directamente às tuas questões: Fui para enfermagem com algum receio, pois como qualquer jovem da tua idade, não tinha noção do que é ser enfermeiro. Houveram pessoas que me aconselharam e que me disseram que a enfermagem era uma profissão bonita e que tirando o curso, depois poderia optar por vários caminhos dentro dessa área. Este facto não deixa de ser verdade, enfermagem é uma profissão muito digna e pode ser muito interessante e há vários caminhos a seguir. Caso tires o curso, depois podes optar por uma especialização (p.e. saúde materna, pediatria, reabilitação, psiquiatria, etc, etc), no entanto o problema é que a carreira de enfermagem em termos "legais", sofreu duros golpes e hoje em dia, não se abrem vagas para estes enfermeiros especialistas (apesar de haver trabalho a fazer), nem são reconhecidos, nem recompensados monetariamente como tal. Ou seja, muitas vezes são aproveitados as habilitações destes enfermeiros pelas instituições, mas o enfermeiro não vê o retorno do seu investimento, porque não é pago como especialista.
Quem possui aquela vertente humana, que é o gosto de ajudar alguém, proporcionar o bem-estar e aliviar o sofrimento, a dor, então enfermagem será uma boa opção. Esse é o lado positivo da enfermagem, incluindo aqui, o proporcionar uma morte digna à pessoa. A morte não pode ser encarada como o lado negativo. O enfermeiro deve construir a capacidade de saber lidar com a morte, ajudando a tornar este processo menos doloroso para a pessoa e seus familiares. Temos que ter presente que a morte é um processo natural, nascemos, vivemos e morremos, tão simples como isso. A morte inesperada e em idades improváveis é bem mais difícil de enfrentar, no entanto, de um modo geral, os elementos das equipas apoiam-se uns aos outros. Enfermagem também é muito isso... o espírito de equipa, caracterizado pela partilha, confidência, camaradagem. Claro que também há chatices, como em todo o lado.
O lado positivo da enfermagem também é a sua diversidade de áreas. Podes trabalhar em diferentes contextos e em poucos o trabalho é rotineiro, repetitivo e monótono. Quanto mais souberes, quantos mais conhecimentos tiveres, mais diversificado é o teu trabalho, mais partido disso tira o doente.
Quanto à questão que colocas do "psicologicamente forte", penso que as pessoas mais sensíveis ao sofrimento do outro devido a intervenções invasivas, conseguirão ser enfermeiros, sem dúvida alguma. Lembro que no meu primeiro dia de estágio tive que sair da enfermaria após ver um doente com uma ulcera de pressão (aquelas "lesões" que aparecem a doentes acamados por tempo prolongado), com o passar do tempo, fui-me habituando, passou a ser normal. O importante é perceber que com um bom plano, as coisas vão melhorar e que com prevenção, não voltarão a surgir. Plano e prevenção são duas palavras-chave em enfermagem.
Nenhum enfermeiro aguenta tudo. Às vezes pode parecer que aguentam, mas temos que ter a noção que é necessário descomprimir para o nosso bem-estar físico e mental. Pode haver alguns que se abstraem ao sofrimento dos outros, ao ponto de nada fazerem para o aliviar. Esses serão os maus profissionais. Mas há aqueles que têm a capacidade de se abstrair, mas saber agir, aí é que está o segredo. Nunca deverás levar o sofrimento dos outros para casa. Sofrimento faz parte da vida humana e há sofrimento no mundo muito mais intenso do que aquele que hás-de ver enquanto enfermeiro, num hospital português/europeu.
Quanto ao dia-a-dia do enfermeiro e o convívio, depende do caminho que segues. Imagina que vais para um Centro de saúde, terás um horário mais fixo e regular, muito provavelmente trabalhando de 2f a 6f, eventualmente alguns sábados, com umas folgas pelo meio da semana e isto sempre trabalho diurno. Se fores para um hospital, eventualmente vais trabalhar por turnos, podes ter que trabalhar num domingo ou feriado, durante a noite, no Natal , Páscoa, passagem de ano (mas nem sempre claro, roda por todos). A nível de carga semanal, até não nos podemos queixar, está definido por lei que o horário de trabalho para um enfermeiro são de 35h semanais. Há profissões onde trabalham muitas mais horas. O convívio depende do espírito das equipas. Há boas relações entre enfermeiros e entre enfermeiros e médicos, mas também há maus ambientes, como em todo o lado. Depende muito das chefias, das condições de trabalho que são criadas e do volume de trabalho. Quantas mais condições de trabalho tiveres, quanta mais segurança em trabalho, volume de trabalho adequado, sem ser excessivamente elevado, melhor é o ambiente e relação profissional.
O teu trabalho depende sempre do bom funcionamento de outras categorias profissionais. Quando os profissionais são poucos, o caldo pode-se entornar.
João, espero que tenha sido esclarecedor. Alguma questão cá estarei!
Boa sorte, abraço!
G.

sábado, 12 de maio de 2012

Publicidade ao enfermeiro



Antes de mais, neste dia especial para a enfermagem, o meu abraço a todos os enfermeiros que se preocupam pelo bem-estar do doente e por melhorar no exercício das suas funções. Deixo-vos com um comentário de uma colega acerca do anúncio lançado pela OE.

(...) Mesmo assim espero que publique o meu "grito de alma": A pensar no Dia Internacional do Enfermeiro, a OE criou (ou ao que parece copiou dos Colegas Brasileiros) um spot publicitário (de gosto duvidoso - algo que poderá ser constatado pelos comentários que tecerei em seguida sobre o mesmo) de 30 segundos que passará 68 vezes em 4 canais diferentes de TV ( 2 em sinal aberto e 2 em cabo ) e que há de passar inúmeras vezes em 189 Salas de Cinema. 
Perante tantos números que nos são dados a conhecer no site da OE, só quero saber mais um número: quanto custa esta brincadeira? Como é que num País em Crise como o nosso, em que há gente a passar fome, doentes que não têm dinheiro para os medicamentos e para taxas moderadoras, com tantos Enfermeiros desempregados e outros tantos a verem-se forçados a emigrar como é que se cai neste ridículo? 
O que hão de dizer as pessoas quando ouvirem os Enfermeiros a reclamar por melhores salários, melhores condições de trabalho, a afirmar que há muitos Enfermeiros no desemprego e outros que emigram? Que legitimidade há para reclamar quando um Spot de 30 segundos (que já de si não deve ser barato- equipas criativas, equipas de filmagem, actores) e todos os tempos de antena e espaços publicitários em salas de cinema? Um Spot que terá custado largas dezenas de milhares de Euros para dizer o quê? Que os Enfermeiros querem um abraço ou que estão cá para dar um abraço? Se o País não estivesse na Crise em que está e a situação dos Enfermeiros Portugueses fosse outra seria a primeira a apoiar, mas assim? Quando tudo aperta o cinto passamos a ideia que não podia estar mais errada de que os Enfermeiros estão tão bem que até podem dar-se ao luxo de gastar largas dezenas de milhares de Euros em marketing e publicidade. Isto fora todo o que demais se fará. Meu Deus! Será que a Direcção da OE perdeu o juízo? Será que não há bom-senso? Não viram que durante 6 anos o Sócrates e tantos outros políticos antes deste viveram da fumaça do marketing mas que obra concreta nada? Que de concreto só mesmo o que custou todo o circo! E que fomos nós fazer? Embarcamos na mesma onda, que credibilidade teremos para dizer as dificuldades da nossa Classe? Será que vamos ter uma Ordem que vive de aparências e imagem? É isso que, e não as ideias e os factos, hão de melhorar as condições dos Enfermeiros. Que loucura! Mas neste fim-de-semana, mesmo com os seus parcos vencimentos todos os Enfermeiros vão poder ir ao cinema pois apresentando a Cédula Profissional nas bilheteiras da Zon Lusomundo vão poder ter o seu bilhete por 50% do preço normal. Assim não ficam desculpas para que TODOS os Enfermeiros vejam o Spot que a OE fez para o DIE e a OE dizer que o Spot foi um sucesso. Nesta espécie de pescadinha de rabo na boca quero agradecer à OE por lutar por aquilo que realmente importa... um bilhete de cinema por metade do preço (uma espécie de pagamento a todos para que se possa ver todo o trabalho que os narcisos têm feito). 
 Agradeço ao Colega Enf Guilherme do Carmo a publicação do meu comentário

e eu agradeço o teu comentário! A minha opinião,
Concordo com algumas questões lançadas pela colega. Seria importante saber quanto custou esta brincadeira, que decerto foi paga com o nosso dinheiro, com as nossas quotas, que tanto nos custam a pagar (pelo menos a mim, bem me custa). Se custou pouco e foi financiada por outras entidades, ainda estou como o outro, apesar de ser um anúncio fatela, ok valeu. Se custou bem mais que isso, ai dou toda a razão à colega.
Agora falando do anúncio em si.... bahhhh.. mau gosto, podiam ter sido mais originais... mãozinha da grávida sobre a mãozinha da enfermeira, o avozinho enfermeiro a puxar a cadeira de rodas, já a passar a mensagem que vais trabalhar até à terceira idade... subtis os gajos..   

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Cuido do seu idoso durante o dia ou à noite...


Encontrei esta relíquia cultural na montra de um estabelecimento comercial.
É um retrato claro do significado do idoso para a sociedade... um fardo, sem querer generalizar obviamente.
Quando li, só me lembro de pensar que uma altura também vi um anúncio que dizia "Cuido do seu cão, dou-lhe banho, faço a tosquia e levo-o a passear".
Eu em casa tenho um idoso, um cão e um papagaio... será que me cuida do papagaio também??

quarta-feira, 2 de maio de 2012

CIPE na Unidade Polivalente? Bom ou mau?

Apartir do momento em que a Unidade Polivalente se tornou um serviço autónomo, várias foram as mudanças. A que mais impacto teve para os enfermeiros foi a implementação da CIPE. Ouvem-se muitas críticas, na sua totalidade negativas, por isso achei importante levantar a discussão.

  • Será que a implementação da CIPE veio melhorar a qualidade de cuidados prestados ao doente?
  • Será que a implementação da CIPE veio retirar tempo ao enfermeiro? Tempo este fundamental para a vigilância do doente, permissa primordial num serviço de observação ao doente crítico.
  • Será que se justifica a implementação da CIPE, num serviço onde os doentes permanecem em média 24h?


Gostava de saber a opinião daqueles que trabalham na área, mas também de todos os outros, deste ou de outros contextos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ex-maqueiros já dão banhos!

Já por aqui se defendeu a existência de uma única categoria de Assistentes Operacionais, onde homens e mulheres fazem o mesmo. 
Legalmente é isso que está preconizado, mas na prática, pelo menos no nosso Hospital de Viana, ainda existe o trabalho para homens e o trabalho para mulheres.
Mesmo assim já se assiste a alguns avanços, que num passado bem recente, não passavam pela cabeça de ninguém, já temos homens (ex-maqueiros) a fazer todo o trabalho de um Assistente Operacional na Unidade Polivalente, antigo OBS. 
Colaboram nas higienes de doentes, nas limpezas entre todas as outras funções.
São apenas 2, mas já é qualquer coisa!
Triste é o facto de estes 2 elementos serem colocados um pouco à margem por alguns colegas e serem alvo de chacota. 
É esta a mentalidade que temos.

Obrigado Miguel!

Tenho admiração e estima por muito poucos políticos. Este senhor é um deles. 
Não é apenas por ter reconhecido a enfermagem, mas pelos seus princípios e pela sua frontalidade. O país perdeu um homem inteligente, íntegro e verdadeiro. 
Até sempre e obrigado Miguel! 

 Já em tempos tinha publicado estes vídeos, mas nunca é demais repetir.


 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Serviço de Obstetrícia de Viana em risco de fechar

Com as recentes notícias do fecho da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, saliento também o risco de fecho do Serviço de Obstetrícia de Viana. Com todas estas políticas economicistas, com encerramentos de Unidades, Serviços, Hospitais e Centros de Saúde pelo país, há um risco considerável de fechar.
Consta que se não forem atingidos os 1500 partos anuais, haverá essa possibilidade e o que parece ser uma realidade é o decréscimo constante de partos ano após ano, pelos motivos que todos conhecem. Os últimos dados eram de 1800, quando num passado recente ultrapassava os 2000 (que me corrijam em caso de erro)
Obviamente todos esperamos que algo não aconteça, pois trata-se de um serviço de referência, com elevado nível de profissionalismo.

sábado, 7 de abril de 2012

Curtas estapafúrdias Vol. X - "Sabe onde estamos?"

Hoje ouvi uma muito boa na Pequena-cirurgia...
A médica tentava algumas respostas de um senhor que tinha caído. Perguntava alto, ou porque o doente ouvia mal, ou simplesmente porque já é aquele nosso hábito de falar alto para os doentes (pensando que todos ouvem mal).
A dada altura perguntou: "Sabe onde estamos? O que lhe aconteceu?" Devido à ausência de resposta, insistiu: mais alto, "Sabe onde estamos?". "Estamos na Arábia Saudita", ouviu-se a resposta num tom sereno.
Resultado: risada geral na sala de espera.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Hospital de Braga Escala (Grupo Mello) - A polémica mantém-se...


A discussão em torno do novo Hospital de Braga reacendeu. Achei importante publicar as palavras de um dos seus funcionários:

"Sou também uma profissional de saúde no hospital de braga e exerço a minha profissão há muitos anos. Confirmo tudo o que o vosso colega aqui "confidenciou" e partilho a mesma insatisfação.
Se quisessem averiguar a sério como realmente este hospital funciona, bastava questionar profissionais de outras classes... a voz de descontentamento é a mesma!!
Transformaram o nosso hospital velhinho numa máquina de fazer dinheiro e apenas actuam com esse fim.
Tenho conhecimento que por exemplo na área dos meios complementares de diagnóstico, foram criados protocolos completamente absurdos, sobretudo na área de atendimento do SU, em que os doentes são literalmente depositados em salas de observações com a agravante de, inicialmente preparadas para apenas receberem 18 pacientes, sobrelotarem a capacidade para 40!!!! A esta situação assisti eu.
Se um paciente recorre ao SU, hoje, faz 3 exames à entrada (protocolo criado): análises clínicas, RX tórax e electrocardiograma.
Se voltar no dia seguinte, volta a fazer os mesmos exames: nem se dão, muitas vezes ao cuidado de verificar os resultados anteriores.
Grande parte dos médicos triadores contratados por esta administração, não sabendo ler os exames radiológicos (um simples RX), pede uma TAC (porque tem sempre relatório)submetendo os pacientes a doses de radiação brutais, sem necessidade!
Estas situações são constantemente relatadas com a crescente revolta dos profissionais dessa área.
Quanto às chefias... estão de acordo com esta política escalabrosa de gestão! Pudera!!!
Todos eles recebem acréscimos/prémios no seu salário ao fim do mês e têm parque pago.

Cumprimentos,
Funcionária pública insatisfeita

sábado, 31 de março de 2012

Pernas para que te quero


Há uns dias atrás entrou um rapaz no Serviço de Urgência com uma fractura muito complicada na perna, ou seja, tinha a perna virada do avesso. Ia no lugar do morto, no carro de um colega tuningueiro (*) que se espatifou, por excesso de velocidade.
Foi operado e depois internado no serviço de Ortopedia e aí as coisas complicaram ainda mais. Consta que quem entrava na enfermaria onde o rapaz estava, sentia logo um cheiro a podre, sinal que aquela perna não estava muito famosa. Os enfermeiros lá iam alertando os ortopedistas, mas estes diziam que não havia perigo, pois o doente já estava com antibiótico. Como se previa, mais uma vez a coisa deu para o torto e o jovem chegou mesmo a assinar o consentimento para se amputar a perna. O ortopedista perguntou-lhe: "Queres assinar a tua certidão de óbito?". O rapazinho respondeu: "Desculpe, não tou a perceber..."
Nem eu percebia se tal ouvisse e provavelmente teria fugido, mesmo com uma perna só. Teria feito como o outro cirurgião que salvo erro tinha uma apendicite e pegou no carro e foi para o Porto.
Bom, mas adiante... o rapaz lá safou a perna graças a prudência de um outro médico, ponderado e já com larga experiência. Foi transferido e ainda hoje conserva a sua perninha.
É por estas e por outras que tenho pavor que algo aconteça aos meus... e a mim.

(*) digo colega, porque amigos deste eu não queria, tuningueiro refere-se à moda parola dos tunings 

segunda-feira, 26 de março de 2012

Greve 22 Março - Vai tudo à bastonada

Sem querer generalizar, é por isto que associo a polícia à ignorância, cobardia e violência.
Acto puro de manifestação de indignação social, com milhares de portugueses em desespero pela situação actual e qual é a resposta do Governo e seus marmanjos? Bastonada indiscriminada, até os repórteres não escapam. 
Tenham vergonha na cara, quando vocês reivindicam pela vossa situação precária, o povo está do vosso lado! Tenham vergonha que esta luta também é vossa!
Onde está a vossa formação para lidar com manifestações? À mínima agitação e desobediência, desata tudo à bastonada?? Por meia dúzia de cadeiras de esplanada arrastadas, começa-se a espancar quem nada fez?Haviam de estar no Egipto, na Síria ou até na Grécia, para verem o que é agitação a valer... Havia alguém ou algo em risco para terem tido esta violenta atitude? A população em risco? A polícia? Os políticos? As lojas? Nada! Rigorosamente nada em risco. Espero enganar-me, mas a vossa atitude apenas acendeu um rastilho que mais cedo ou mais tarde vai rebentar.
Que me desculpem os bons polícias (que existem), mas foi uma vergonha para a vossa classe.

segunda-feira, 19 de março de 2012

U24 na RTP? Muito bom pra quem gosta de telefilmes


Mas que treta de programa é aquele sobre "emergência"? 
Tal como tinha dito no último comentário, já andava a  meditar sobre este tema e afinal parece que não sou o único com esta opinião, dado o desafio lançado pelo último anónimo.
Já vi uns três ou quatro programas e fiz questão de assistir a outro, antes de publicar este post, para confirmar a imagem distorcida que a RTP passa cá para fora, sobre a emergência em Portugal.
Vemos TAE´s muito eficientes, a assistir pessoas com queixas abdominais, outros com febre, ou luxações do ombro e outros traumatismos minor, etilizados, toxicodependentes, crises de ansiedade, hipoglicemias e outras situações mais ou menos urgentes, mas NUNCA EMERGENTES! Onde estão os traumatismo major, os AVC´s, as Paragens cárdio-respiratórias, as complicações cardíacas e respiratórias súbitas, onde estão as vítimas efectivamente críticas???  
Depois transportam a "vítima" para o hospital e aqui acontece algo surreal. Vemos atendimento imediato, como que encenado para a câmara, num cenário improvável vazio de doentes, com uma banda sonora digna de filme de suspense fatela. Pergunto que hospital será aquele? Fantástico diria, sem doentes nos corredores e sem filas de espera. Será que encostaram os doentes para a RTP passar?
Pelo que li, neste e noutro Blog (DE), alguns já falam em inveja e azia, mas deixem que vos diga com toda a sinceridade, não sinto inveja rigorosamente nenhuma, apenas um forte sentimento de injustiça pelos enfermeiros e médicos do pré-hospitalar. A RTP mostra (e bem) o trabalho dos TAE´s, mas na rua também andam as vmer´s e as siv´s. Com este programa acho que as pessoas vão identificar o TAE como o único interveniente no pré-hospitalar, mas não se esquecem que há outros e esses não merecem ser esquecidos. Querem fazer um programa sobre emergência em Portugal, façam-no com pés e cabeça.
Nota: Acabei de enviar o post para o Provedor da RTP

terça-feira, 13 de março de 2012

Médico simpático?

Outro dia um urologista pediu-me ajuda numa intervenção delicada a um doente. Muito educado explicou o material que queria e de que forma precisava da minha ajuda. Explicou-me o procedimento com minúcia, foi atencioso com o doente e no fim, muito educadamente, agradeceu a todos a colaboração. A técnica tinha corrido bem e todos saíram satisfeitos.
Ao comentar com a minha colaboradora especial, já em casa, disse: "O gajo foi extremamente simpático... Deve ser gay." "Lá estás tu, deve ser gay porquê?! Achas que se estava a atirar a ti?! Pode ser simplesmente simpático.
Não sei, talvez tenha razão, mas não achei normal tanta simpatia num médico...
Peço desculpa se por algum motivo alguém se sentiu lesado, mas foi o natural pensamento que surgiu, nada tenho contra médicos e muito menos contra gays.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ruptura explosiva


Em Março de 2009 desabafava convosco sobre o facto de discordar com a divisão da equipa de enfermagem em 2 equipas distintas, SU e UP (ex-OBS). Já nessa altura previa-se certas situações que hoje se confirmam. Em Janeiro de 2010, confirmava-se a mau ambiente instalado.

Passados 3 anos, mantenho a minha opinião, a divisão da ex-super equipa do Serviço de Urgência, trouxe mais problemas do que soluções.
Analisemos...
Para começar o ambiente entre enfermeiros das duas equipas não é de todo saudável, para não dizer mau. Grande parte dos que estão lá dentro (UP) critica pesado o trabalho que é feito pelos colegas de cá de fora (SU), esquecendo-se rapidamente que há uns anos atrás estavam nesse mesmo lado, fazendo as mesmas coisas, com as mesmas dificuldades, com os mesmos problemas de sempre.  
A maior parte parte dos que estão cá fora critica duramente a postura dos que estão lá dentro, pelo elitismo, por se mostrarem fechados e críticos na admissão dos doentes, que todos sabemos o motivo de, ocasionalmente, não chegarem à UP nas condições ideais.
Alguns de fora já dizem que só falta pôr muros na UP. Outros revoltam-se e emocionam-se pelo mau ambiente que se criou e principalmente pela mudança radical de mentalidades de alguns que estão lá dentro, completamente indiferente ao que se passa cá fora.
Com a divisão dos enfermeiros, dividiram-se também os Assistentes operacionais e hoje ainda não se sabe bem quem vai fazer um internamento da UP durante a noite. Será o maqueiro? Será a auxiliar? Cada qual tem a sua ideia e informação. E é mesmo durante a noite, quando os chefes não estão, que os conflitos acontecem. Os poderosos decidem, as consequências são para os que estão abaixo.
A UP pode estar com um turno tranquilo e cá fora o SU estar ao rubro, que a assistente operacional de dentro, tem ordens para lá permanecer, porque estamos a falar de um serviço autónomo. Resultado: uma única auxiliar para as limpezas ao chão, tratamento de lixos e para todos os cuidados aos vários doentes do SU. Ou seja, uma pode estar a descansar e outra a fazer o trabalho de duas ou mais... o espírito de equipa entre Assistentes Op. parece que também está a ir pelo mesmo caminho do dos enfermeiros.

Depois temos o grande problema que surgiu recente, o enfermeiro de fora (SU) perdeu quase por completo a autonomia de gestão de doentes candidatos à UP. Era algo que fazíamos na perfeição, seleccionando os doentes mais críticos e dependentes. Agora quase que é preciso pedir um requerimento para um doente ser admitido na UP... o médico tem praticamente a totalidade do "poder" nesta matéria. Os problemas devido a este facto já começam a chover, notando-se que, quem chega primeiro é que tem a vaga, ou seja, podemos ter um doente independente a ser admitido para a única vaga, quando temos uma lista de dependentes e críticos ainda em espera. Depois acontecem situações como uma doente sub-85, acamada, há 3 dias no corredor, só foi admitida porque o enfermeiro de cá de fora reparou no quadro das datas de admissões de OBS MACAS e teve a sorte de ter uma vaga após um óbito na UP, pedindo à médica para internar o doente. Sim!! ouviram bem, agora a UP é um internamento, com toda aquela burocracia inerente a um internamento... só em folhas de papel Deus me livre...
Por falar em gastos, questiono quais os ganhos em termos de dinheiro após a criação da UP?? A meu ver o saldo é negativo.
Claro que alguns departamentos melhoraram na UP, há almofadas topo de gama, parece mais asseado e organizado, mas não seria de esperar coisa diferente, tendo em conta que há uma pessoa responsável pela gestão do Serviço, mas também poderia estar assim com uma única equipa... bastava querer. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

RE...CI...CLA...GEM

Eu digo devagar pois há muita gente que parece que desconhece esta palavra... para estas, o lixo é todo no mesmo saco. Ou são daltónicas ou então ignorantes, porque até os miúdos da 2ª classe sabem quais as cores para reciclar.
Nos hospitais há formações para a separação de lixo, mas mesmo assim há muitos enfermeiros, médicos e assistentes operacionais que não separam lixo nenhum, é tudo pro mesmo saco, ou então nem para um saco vai, fica mesmo ali na banca (esta é mais para os médicos que fazem gasimetrias e deixam o invólucro em cima da banca de trabalho do enfermeiro), mas isso é outro assunto que diz respeito ao respeito, à educação e higiene.
O assunto de hoje é mesmo reciclagem e o apelo que faço para que se mude de atitude. É um pouco incomodativo, tanto para o emissor como para o receptor, ter que dizer,  "Olha que essa caixa do medicamento é para o saco azul, Olhe que essas luvas usadas são pró saco branco, Olha que esses toalhetes de limpar as mãos são pró saco preto", etc etc, porque somos todos adultos com formação. Por isso por favor, aqueles que não reciclam, mudem de atitude, pensem no futuro dos vossos filhos. Sejam o exemplo para todos os outros que não a fazem.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PEDITÓRIO NACIONAL - Roupa para o Hospital de Viana


Esta ideia surgiu a partir de um comentário de uma assídua leitora, no post anterior.
Não se trata de ironia, nem de sátira. A ideia é mesmo lançar um peditório.
Já várias vezes falei do problema da falta de roupa para os doentes, especialmente no meu serviço (Serviço de Urgência), mas parece que nos outros Serviços o problema é o mesmo.
É sistemático haver rupturas nos stocks, é sistemático não haver lençois, cobertores e pijamas.
É sistemático ter que andar a "pedinchar" roupa a outros serviços, quando eles também não têm capacidade de resposta e pouco ou nada emprestam.
É lamentável ter que dizer a um doente que não temos um cobertor para lhe dar, uma almofada, ou um pijama em condições.
Por isso, caros amigos, abro aqui um espaço para o vosso espírito de solidariedade.
Pensem no efeito que isto não teria?? Imaginem só? No mínimo, quem gere iria ter vergonha. Mas o objectivo seria mesmo mudar o estado da situação.
Claro que por enquanto não há contas, nem NIBs, nem nada do género, apenas aguardo a vossa receptividade a esta ideia.. O que dizem em contribuir? Nem que fosse com 1 Euro. Eu alinho. E tu?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A "C R I S E" afecta os cuidados de saúde


Ao contrário do que o Ministro assegurava, a "Crise" afecta mesmo os cuidados de saúde, não tenham dúvidas disso. Ainda recentemente alertei para esta mesma situação (aqui), mas agora ainda estou mais convencido disso.
Há várias questões que se colocam, a principal é que a "Crise" nunca afectaria os cuidados de saúde se a gestão nos hospitais fosse adequada. Já por várias vezes temos falado disso no PDDSE, não fosse "administrador hospitalar" a etiqueta mais frequente no Blog. Resume-se ao simples facto de se gastar muito dinheiro no acessório e pouco no essencial e não se investir para acabar com aquilo que faz aumentar o gasto.
Deixemo-nos de economia e falemos de realidade...
A realidade é que com a "Crise", aparecem pela primeira vez as situações confrangedoras de processos super-lentos para renovação de contratos (que ainda não se sabe bem se vão ser renovados).
A realidade é que com a "Crise" o material de consumo clínico no hospital escasseia cada vez mais.
É lamentável ter vários doentes que necessitam de oxigenoterapia e ter que seleccionar alguns em detrimento de outros, porque as balas ou "botijas" de oxigénio esgotaram. 
É lamentável não ter um cobertor para um doente, porque (das duas uma) ou o serviço de distribuição é péssimo ou não há mesmo roupa.
É lamentável não ter uma seringa de 5cc
É lamentável não ter um plano duro
É lamentável...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Por 100 anos que viva, não me vou esquecer do que a doutora me disse


O Nelinho tinha pouco mais de 20 anos e já era alcoólico. Bom rapaz, filho da terra e de gente boa e humilde.
De manhã já estava na tasca a entornar e à tarde a tombar.
Vários foram os episódios de urgência do Nelinho por convulsões no meio da rua e outros tantos no Centro de Saúde, a tratar as consequências das quedas.
Depois de assistir pessoalmente a novo espalhanço do Nelinho à porta do Centro de Saúde, onde ficou com a cara pior que um chapéu do pobre, a médica decide propor-lhe uma nova saída.
Nelinho, Se eu te arranjar uma consulta com o psiquiatra, tu vais?
Bou doutora! Quero curar este bício filho da puta.. 
A médica liga logo na hora pró especialista.
Nelinho ele vai ajudar-te mas tens que ficar internado!
Tá bem doutora, se tem que ser… Mas só na sexta-feira, porque na quinta tenho que tratar da baixa.
Assim foi… E hoje o Nelinho é presidente do rancho, ajuda idosos, conduz a carrinha da junta e só bebe água, porque o álcool é um bício filho da puta. 

Naquele dia a vida do Nelinho mudou, tinha mudado mesmo antes do internamento, no momento em que a médica lhe disse algo.
Por 100 anos que viva não me vou esquecer do que a médica me disse naquela terça-feira! Tudo depende da nossa cabeça, se a cabeça não quer, não há volta a dar. Costumava repetir como resumo das maiores aprendizagens da sua vida.
Passados vários anos, durante a preparação de uma palestra, a médica precisava saber o que é que afinal naquela terça-feira, tinha dito de tão importante ao Nelinho, ao ponto de lhe mudar a vida.
Conseguiu encontrar forma de o rever na consulta e no meio de algumas recordações e boas noticias sobre a nova vida do Nelinho, finalmente questionou:
Então Nelinho, afinal o que é que eu te disse naquele dia, de tão importante?
Você não se lembra doutora? Por 100 anos que viva nunca me vou esquecer do que me disse.
Já não recordo Nelo, já faz muito tempo.
Disse-me,  Nelo tu tens que deixar de beber!!
E deixou mesmo…

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Os enfermeiros são os que mais levam nos dentes

Insegurança, agressões, insultos, ameaças, etc etc, são temas que me preocupam seriamente.
Já há uns anitos, nos primeiros posts do Blog, levantava (aqui) estes violentos temas.

Os anos passam e continuamos a levar nos dentes, a ser ameaçados, insultados, etc etc, mas o pior é que as incidências aumentam e soluções não as vejo.
Recebi um email de uma colega sobre os dados estatísticos (da DGS), relativos às agressões físicas e verbais a profissionais de saúde e fiquei assustado.
Acho que devemo-nos preocupar e acima de tudo mexer, pois é a nossa segurança que está em causa.
Como podem ver nos gráficos, as incidências não são ocasionais, são frequentes, estão a aumentar e isto sem contabilizar as incidências não denunciadas.
Os enfermeiros, naturalmente, são os que mais apanham, seguidos dos médicos. Confiram isso e muito mais no documento integral
Caso leves nos dentes (a ver se não...), tem em conta estas importantes recomendações . Para terminar, vejam que, ainda por cima, as mulheres são as mais atingidas.. A desviar qualquer ideia sexista, a apanhar, que apanhem os homens...


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mistério no piso 4


Ainda há bem pouco tempo, na sala de espera do piso 4, onde se unem 3 serviços (Intensivos, Ortopedia e Bloco), havia uma televisão daquelas modernas, para que as visitas/familiares dos doentes se pudessem distrair um pouco, nas várias horas que por vezes têm que aguardar.
Consta que essa televisão foi oferecida por um entidade sem fins lucrativos (?), se não estou em erro, pela Liga dos Amigos do Hospital. (Deve ser mesmo a Liga dos Amigos, porque (honra lhes seja feita) eles oferecem muita coisa ao hospital).
Tive que ir ver com os meus próprios olhos e de facto, naquele espaço onde costumava estar uma televisão para as visitas, encontrei o vazio.
Então onde pára a televisão? Mistério... Terá sido mais um bem material desviado para o exterior, por pessoas menos sérias, já conhecidas da casa?? Desta vez parece que não... pelo menos não foi para o exterior.... Consta que foi desviada, a pedido de um iluminado cirurgião, para a copa ou sala de pausa ou outra sala qualquer, do Bloco.
Agora pergunto, a televisão não era para as visitas?! E agora a sala de espera vai ficar sem televisão, porque alguém se lembrou que ficava melhor no Bloco, para que os profissionais pudessem ver televisão com melhor definição, nos seus momentos de pausa?!
Que raio de lata...