quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cultura machista nos assistentes operacionais

Ser assistente operacional ou melhor, ser uma boa assistente operacional não é nada fácil. Elas trabalham que se fartam. Reparem que estou a realçar o sexo feminino, porque também há assistentes operacionais masculinos.
No fundo pertencem todos a mesma carreira e todos têm ou deveriam ter os mesmos deveres funcionais, no entanto elas aspiram e limpam o chão, limpam armários, bancas e WC´s. Aquecem, preparam e dão refeições aos doentes. Vestem, despem e lavam doentes. Desinfectam e fazem camas. Transportam o que for necessário, inclusivamente macas. Colaboram nos diferentes cuidados médicos e de enfermagem como p.e. algaliações, entubações, aspirações, punções, posicionamentos, banhos na cama etc. Têm responsabilidades na esterilização, roupa de doentes e fardas de enfermeiros. Lavam e desinfectam material e repõem caso seja necessário. Transportam e colocam arrastadeiras e urinóis, limpam vómitos, reúnem o lixo, mudam os sacos de lixo, etc etc..
Os assistentes operacionais homens transportam macas e um ou outro tipo de material e repõem material (a maioria contrariado... dizem que não faz parte dos seus deveres). Quando um toma a iniciativa de fazer algo que está "subentendido" ser função da assistente operacional mulher, é criticado pelos seus colegas homens.
A culpa não será deles, a culpa é de quem instituiu ao longo dos anos uma certa cultura machista dos assistentes operacionais  homens ("maqueiros") e de quem é responsável pela gestão e formação de recursos humanos. Conheço alguns hospitais, principalmente da zona norte onde esta cultura não existe. Assistentes operacionais são todos, com as mesmas funções, independentemente do sexo. Se um assistente operacional homem tiver que mudar uma fralda fá-lo, tal como a assistente operacional mulher o faz.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O funcionário ausente

O funcionário ausente é aquele que recebe o vencimento por trabalhos não prestados.
Por outras palavras é pago, mas não trabalha… nem sequer põe os pés no trabalho… não faz um corno, népia, zero, rien.

E perguntam vocês como é isso possível? Também quero!
Então metam-se na política e no sindicato e adquiram uma licença de dispensa vitalícia…

Crise? Qual crise? Este é o pais do xico esperto e dos xicos burros que permitem este tipo de vergonha.
Eu tinha vergonha na cara…

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desabafo urgente

Caro Guilherme e restantes colegas do SU do HSL (ULSAM). Por momentos achei que já tinhamos batido no fundo e era impossivel piorar, enganei-me. Aquilo que era desrespeito pela dignidade profissional dos enfermeiros transformou-se em violação da dignidade humana das pessoas que exercem enfermagem naquele serviço. Acontece que agora já sou mais cauteloso quando me questiono se será ainda possivel piorar mais, pois acredito que embora díficil basta pensar um pouco para encontrar uma ideia manhosa para tapar mais um buraco.

Outra questão que me coloco é até quando isto irá continuar?
Obviamente que não consigo responder. Todos os meus anteriores prognósticos foram totalmente erróneos.
A equipa de enfermagem está totalmente fraccionada e desgastada, que nem para lutar consegue arranjar forças, torna-se facilmente manipulável. A maior parte dos colegas perdeu o respeito por si próprios.

Reconheço que mesmo nestas condições parte significativas dos colegas conseguem manter um nível de qualidade e profissionalismo magnificos. Agora peço-vos um esforço mental para imaginar enfermagem de urgencia/emergência se se cumprissem algumas metas fundamenais:

- racios seguros;
- horários normais (35h/semana);
- formação em serviço;
- supervisão clinica em enfermagem;
- organização dos medicamentos e material de consumo clinico;
- integração e acompanhamento dos elementos recém-chegados;
- equipa de transferência de doente crítico;
- reuniões de serviço para aferir formas de actuação, resolver confiltos e estabelecer objectivos alcansáveis;
- manutenção adequados dos equipamentos;
- dotação de Assistentes Operacionais adequadas;
- orientação desses mesmos Assistentes Operacionais sobre estratégias de trabalho e objectivos a atingir;
- Reuniões multiprofissionais para construir objectivos e estratégias comuns (respeito efectivos pelas várias classes profissionais, nomeadamente os menos diferenciados, porque como seres humanos são iguais ao director de serviço ou ao primeiro ministro)
...
.....

Ops, desculpem estava a sonhar!
Voltando à realidade.
Este comentário serve apenas para desabafar. Não vai trazer qualquer mais-valia. Tem o valor que lhe os leitores lhe queiram dar. Para mim ajudou a fazer um pouco se psicoterapia.

Não me identifico por razões óbvias.
Perguntarão vocês porquê? E eu repondo... Já vi coisas que pensei não serem possiveis.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Serviço de urgência com falta de soluções

Ano após ano, com início da época de férias sente-se a angústia da equipa de enfermagem pelo excesso de carga de trabalho.
Para aqueles que desconhecem como as coisas funcionam, numa empresa normal os rácios podem ficar diminuídos durante as férias, porque o trabalho de X pode esperar, ou até pode ser substituído pelo de Y, ou a produção pode até passar a ser menor, mas numa empresa de saúde, isso não pode acontecer. Os rácios têm que ser mantidos e assim, com as férias, surgem os problemas que tardam a ser solucionados. Os que lá estão, quer queiram quer não, têm que dar resposta e fazer bastantes mais horas do que aquelas estipuladas.
Na minha opinião, quando há problemas deste género num hospital o serviço de urgência deveria ser o primeiro a ser resguardado com um reforço de recursos humanos, nem que fosse temporário. Mas ano após ano a história repete-se e a indignação da equipa pela inércia sucessiva dos responsáveis aumenta.

terça-feira, 14 de junho de 2011

TV enfermagem

Passo por aqui para vos recomendar o novo canal de enfermagem, "TV enfermagem".
Não sei se será bem bem novo, mas pelo menos parece e promete. Digo isso porque já no ano passado tinha falado num canal de enfermagem, mas não sei se será o mesmo.
Seja como for aborda assuntos que são do nosso interesse e eu gosto sempre de divulgar tudo o que seja pela enfermagem.
Além disso fiquem atentos porque pode ser que apareça numa reportagem! (olha o gajo convencido.... :))

Beijos

ps tive a ver melhor e afinal parece que é mesmo novo...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O cliente tem (quase) sempre razão.

Uma idosa cai e dá uma pancada no cotovelo com uma ferida aberta. A ferida é suturada e o cirurgião e a interna preparam-se para lhe dar alta quando ela diz:
E não vou fazer RX ao braço shor doutor?
Não, não é necessário, respondem os médicos.
Passados segundos…

Olhe que eu parti o braço, peça-me um rx por favor!
Você não partiu o braço fique descansada! Mexe bem, ora tá a ver!
A mulher pouco convencida, insiste indignada pela terceira vez..

E vai-me mandar embora sem o rx!?
Pronto para ficarmos descansados eu peço-lhe o rx, mas garanto-lhe que não tem nada, mas tá bem..

E não é que tinha mesmo uma fractura do olecrâneo..(cotovelo)
Grande lição que aprendemos, o cliente tem sempre razão... Ou quase sempre..

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quem são os responsáveis?

Gostava de saber a vossa opinião.
Imaginem o seguinte cenário de um qualquer hospital.

Um sector do Serviço de Urgência que engloba:

  • Uma sala de emergência onde chegam os doentes efectivamente emergentes que como calculam exigem muito tempo cuidado e atenção dos enfermeiros,
  • Uma sala de "agudos" onde são observados doentes em estado crítico e onde se prestam os mais variados cuidados a doentes do foro cirúrgico, médico, ortotraumatológico e outros.
  • Uma sala de Pequena Cirurgia que recebe diariamente várias dezenas doentes com feridas, escaras, abcessos, queimaduras, etc 
  • Uma "sala de espera de ortopedia" onde aguardam medicação e outros procedimentos vários doentes observados por Ortopedia, acabando muitos destes por ter que ser preparados para o Bloco Operatório e por fim,
  • Um corredor com vários doentes em maca encostados à parede ("OBS" Macas), necessitados dos mais variados cuidados como medicação, vigilância de Sinais Vitais, alimentação, higiene, posicionamentos, etc etc etc…
Há vários turnos onde se verifica nenhum doente neste corredor o que quer dizer bom trabalho da equipa médica e de enfermagem ou pouca afluência, mas há também muitos turnos em que estão dezenas de doentes neste mesmo corredor, o que quer dizer, das duas uma, trabalho ineficaz da equipa médica ou internamentos e OBS lotados.

Estão a imaginar? Isto é só uma panorâmica geral...

Para este sector descrito estão 2 enfermeiros que tem que se coordenar e saber trabalhar em equipa.
Um mais “responsável” pelo tal corredor e ortopedia e o outro mais “responsável” por todas as outras áreas descritas. Importante realçar que quando entra um doente para a Sala de Emergência ou Sala de Agudos deverão estar presentes os 2 enfermeiros durante o tempo que for necessário (que poderá ser bastante), o que faz com que todas as outras áreas fiquem desfalcadas da vigilância de enfermagem. Importante também acrescentar que frequentemente há transferências de doentes para outros hospitais, com acompanhamento por um destes enfermeiros.

Agora imaginem que um dos doentes que está em "OBS Macas", numa maca há 2 ou 3 dias, desenvolve escaras (úlcera ou ferida em doentes acamados) devido à sua débil condição física e/ou incapacidade de se virar na maca.

Lanço a seguinte questão,
Na vossa opinião quem são os responsáveis em ordem decrescente?


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Finalistas mal preparados

Sempre critiquei a abertura desmesurada de escolas de enfermagem. Para mim este é um dos principais motivos da decadência da enfermagem, já discutido várias vezes no PDDSE aqui e aqui.
Como consequência vemos alunos finalistas mal preparados para a vida profissional. Inseguros, sem brilho, sem brio e com pouca bagagem teórico-prática.
Mas o pior é que a culpa não é deles.
A culpa é deste fenómeno que a Ordem dos enfermeiros permitiu, a culpa é das suas Escolas e dos seus planos curriculares que passam por campos de estágio em Lares, Consultas externas e Unidades de cuidados continuados. Isto até ao último ano de curso, sem que os alunos passem por serviços cruciais para a aprendizagem, como por exemplo internamentos de cirurgia e medicina.
A enfermagem está a ir pelo pior caminho possível em Portugal...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O elogio de Miguel Portas aos enfermeiros



Ba lá... alguma coisa para aumentar o nosso ego que tem andado tão em baixo.

Não é por este elogio que o digo, mas sempre achei o Miguel Portas uma pessoa sensata e inteligente. É um dos poucos políticos que admiro... vendo bem, deve ser o único. Prova disso é o video em baixo... Recomendo, tal como o primeiro.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

III Passeio de bicla - "É disto que eu gosto!"


Recebi na minha caixa de correio um convite aberto a todos os interessados, para o espetacular passeio à serra amarela 

"Dia 8 de Maio mais uma subida à serra Amarela em BTT . Passeio livre a todos os amantes da modalidade, em pleno Parque Peneda Gerês e passagem pela Ermida. O ponto de encontro vai ser junta a Pousada de Juventude em Viana do Castelo às 8 horas, ou Entre Ambos-os-Rios às 9h, estrada Ponte da Barca Lindoso, para depois ir até ao ponto de partida que vai ser no Castelo do Lindoso."

nota: Levar reforço alimentar, e alguns trocos para o almoço... e uma bicicleta afinada 
Fim da aventura prevista para qualquer hora a partir das 16h.

MAbreu

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vergonhoso

Sabiam que há Administrações hospitalares que diminuem o rácio de assistentes operacionais dos serviços, por estarem alunos de enfermagem em estágio?
Nota: não é no hospital de Viana... Consta que é lá prós lados de Braga..
É por esta e por tantas outras como esta que o título deste blog faz todo o sentido..

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Engenharias no Hospital


Custa-me a acreditar quando a incompetência é promovida.
No meu hospital parece que tudo passa pelo aval de um senhor que de saúde nada percebe.
Ele decide, ele manda, ele insiste, ele controla, ele não ouve, só ele é que sabe..
Há várias histórias e jogadas desse senhor…
Consta que havia um concurso para escolher um ecógrafo para Obstetrícia. Os obstetras testaram alguns e optaram por um determinado. Mas eis que surge o senhor que manda e decide por um ecógrafo que nem a concurso foi.
Huum.. Cheira-me a esturro...
Agora os  obstetras (que são aqueles profissionais que utilizam efectivamente o ecógrafo) são obrigados a utilizar um aparelho que não gostam, porque o senhor que sabe tudo, decidiu que assim fosse, porque ele é que sabe, ele é que decide e a opinião dos profissionais de SAÚDE nada interessa.

Em obras também é perito...

Obras na psiquiatria... ele é que sabe, ele é que manda e no final da obra as camas não entravam na enfermaria... Fantástico

E outras tantas haveria por contar...

Mais uma seta do Robin dos hospitais

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O livro das (s)ocorrências

Leio o livro de “ocorrências” de enfermagem e entre os vários problemas eternamente insolúveis e as várias lamentações esquecidas o que salta mais a vista são as infindáveis transferências efectuadas por enfermagem.
Enfº X efectuou a transferência do doente Z para hospital S. Marcos, saiu às 20h chegou às 23h, enfº P efectuou transferência de um doente para hospital S. João, saiu às 12 regressou as 14:30…
Tenho a sensação que se escreve apenas pelo acto descritivo, como se fosse um diário de bordo. Qual o sentido? Justificar a necessidade de mais um enfermeiro por turno? Justificar a necessidade de uma equipa de transferência? Dizem que sim... Mas não estamos a conseguir... E já lá vão anos, anos, anos e mais anos e o problema persiste.
Ainda num post recente falou-se deste problema das transferências, seria bom que os nossos superiores lá do piso 8 percebessem de uma vez por todas que se trabalhar com 7 enfermeiros na urgência já é por si só problemático para não dizer caótico, imaginem o que será com 6.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Pânico na Urgência Pediátrica

A Urgência Pediátrica é certamente o pior sector de trabalho para o(a) enfermeiro(a) do Serviço de Urgência.
As queixas dos profissionais que lá trabalham são contínuas e demasiadamente graves.
Reivindicámos:

  • 2 elementos de enfermagem em permanência no turno da Manha e tarde (já para não falar da noite… É desumano deixar a Urgência Pediátrica à responsabilidade de apenas 1 enfermeiro. É impensável este sector ter 3 ou 4 pediatras para apenas 1 enfermeiro).
  • 1 assistente operacional de permanência (há apenas uma assistente para a Triagem e Urgência Pediátrica, dois locais extremamente exigentes).
  • Melhores e mais eficazes formas de segurança de profissionais e utentes (qualquer pessoa entra na Urgência pediátrica, quer por uma porta de acesso aos contentores, quer pela conivência dos porteiros e os episódios de ofensas aos enfermeiros e médicos são constantes).
  • Maior controlo do número de acompanhantes (pelo mesmo motivo anterior).
  • Maior e mais adaptado espaço físico (isto só será possível com obras ou com a nova Urgência que se fala... Há dias em que este local mais parece um cenário dantesco, com as crianças e pais amontoados num espaço ínfimo sentados no chão e em escadas.
  • Algum bom senso e critério da parte médica. (muitos são os pediatras que dão indicação aos pais de trazerem a criança a urgência como se de uma consulta externa se tratasse. Além disso nota-se cada vez mais um aumento absurdo e inexplicável nas prescrições, principalmente de procedimentos clínicos. Imaginam o que é um enfermeiro a executar 6 ou 7 procedimentos clínicos prescritos pelos 3 ou 4 pediatras para cada criança?! Parece que as prescrições são feitas como que se o enfermeiro se tratasse de uma máquina fabril.
  • Uma larga sensibilização aos pais para recorrer ao Serviço de Urgência só em caso estritamente necessário (aqui também os enfermeiros têm responsabilidades e deveres)
Espero que isto chegue a quem manda!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Integração de enfermeiros no novo Serviço de Cardiologia

A todos os colegas tenho que manifestar a minha felicidade quando soube que no projecto de criação/remodelação do S. Cardiologia, no que respeita aos recursos de enfermagem, foi projectado um período de integração (5 semanas) com passagem por vários serviços específicos na área da cardiologia. Adicionando a este período o facto de se tratar de enfermeiros provenientes de unidades bastante diferenciadas, parece-me que se está a desenvolver um processo adaptativo consistente, que garanta a segurança e qualidade dos cuidados de enfermagem.
Com isto só me resta felicitar o responsável pelo projecto de integração destes enfermeiros. Digo mais, gostaria de o felicitar pessoalmente.

Abel Campos


Concordo inteiramente com o Abel, devemos acima de tudo, realçar aquilo que se faz bem e não apenas aquilo que se faz mal, contrariando assim o negativismo característico deste blog
Aproveito desde já para desejar as maiores felicidades às enfermeiras Mabilda e Lurdes. São ambas uma perda enorme para o Serviço de Urgência e tudo merecem pois são duas excelentes pessoas e profissionais. E tal como avisei aqui, os bons profissionais continuam a sair da urgência… quem se segue??

quinta-feira, 31 de março de 2011

Perito em emergência a cadáveres

Outra história fantástica tem como protagonista um pseudo conceituado médico, especialista em assédio e despedimentos infundados e que costuma ir buscar doentes a casa para os internar no seu estaminé.
Este ser iluminado certo dia insistiu em por um tubo guedel a um doente com dispneia perfeitamente acordado, mesmo com o enfermeiro a alertar a contra-indicação.
Passados minutos voltou para o seu gabinete (não devia ser muito importante vigiar e estabilizar a doente) e o enfermeiro retirou o tubo que, como seria expectável, causava intensa aflição à senhora.
Depois o tal iluminado, perito em emergência (a cadáveres só se for), veio avaliar os resultados da sua técnica inovadora.
Resultado: insultou o enfermeiro por ter tirado o guedel.
Só ao estalo!

Nota: acho que a imagem é capaz de demonstrar que deve ser um tanto ou quanto incómodo levar com um tubo daqueles pela guela, estando acordado.

sábado, 19 de março de 2011

Alta e andor!

"Tem aqui a receita e a carta para o IPO. Pode ir, tem alta.
E agora como vou embora doutora?
Isso agora é problema seu, desenrasque-se."

Concordo que o hospital tenha normas rígidas para o pedido de ambulâncias para transporte de doentes, mas é preciso ter bom senso na resposta e além disso deveria ser também norma avaliar a situação dos diferentes doentes.
Agora assistimos ao velho ditado "paga o justo pelo pecador", durante anos não houve controlo, pedia-se ambulâncias a torto e a direito, inclusivamente para pessoas auto-suficientes e fisicamente capazes.
Agora qualquer pessoa que fale e dê uns passos tem alta sem transporte, sem que se avalie a situação pessoal, familiar e social.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Transferência de doentes - o eterno problema do serviço de urgência

Algumas sugestões a administrações hospitalares já foram feitas neste blog, no sentido de cortar na despesa.
Como vêem na barra Palavras-Chave à direita, administrador hospitalar é uma das mais frequentes. É sinal que nos vamos preocupando com a gestão hospitalar, apesar de sabermos que os nossos gestores nem sequer devem conhecer o PDDSE… pode ser que um dia conheçam. Contudo posso garantir-lhes que, tanto eu como muitos outros, terão ideias inteligentes para reduzir custos.
Uma das características que reconheço na enfermagem é a capacidade de gerir... Talvez por sermos uma classe maioritariamente feminina, talvez por termos muita formação a esse nível... Não sei. Só sei que alguns por vezes têm ideias inteligentes e desde já, tal como noutros posts, convido-vos a partilharem.

Sendo assim, na minha realidade (Serviço de Urgência) constato que muito dinheiro é deitado ao lixo com as transferências de doentes.
Quantas vezes foram enfermeiros transferir doentes para Braga, sabendo a partida que o doente poderia regressar?! Nesses casos vamos servir de estafetas, levando a película do TAC ao neurocirurgião, para ele avaliar e decidir se o doente fica ou não.
Porque não investir em teleconferência ou outra coisa do género?
Além do dinheiro gasto em sucessivas transferências (há turnos em que há duas) Imaginam as complicações que isto traz para o serviço devido a ausência do enfermeiro??
Outro gasto inusitado ainda relacionado com as transferências, tem a ver com falta de critério médico a pedir ambulâncias medicalizadas. Para quem não sabe uma ambulância medicalizada tem um custo acrescido, porque basicamente vem com um monitor (dos anos 60). Quantas vez se pede ambulância medicalizada quando não é necessário e não se pede quando é (mas isto são outras questões que envolve outros assuntos).
Na minha opinião o hospital assumiria a monitorização e os preços seriam renegociados. Além de dever ser exigido ao médico o preenchimento de uma folha de transferência de doentes, onde constasse explicitamente quais os cuidados durante o transporte.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tabaco no Hospital


É expressamente proibido fumar no hospital… menos no Serviço de Instalações e Equipamentos (Oficinas)

Como é que é possível fumar e permitir que se fume num espaço fechado, que por sinal faz parte do hospital e ainda por cima é um local de alto risco de incêndio?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Enfermeiros fogem da Urgência

Já por algumas vezes AQUI no PDDSE falei de stress e burnout. É um tema que me preocupa particularmente, pela saúde mental de todos nós.
A Urgência caracteriza-se por ser um dos serviços que mais problemas cria a esse nível. Não é novidade para ninguém, toda a gente o sabe. Devia haver um exame tipo psicotécnico para saber se uma pessoa teria ou não o perfil ou capacidade para trabalhar na Urgência. Aqueles que tivessem seriam de seguida encaminhados para um psiquiatra (esta era a brincar).
Bom isto é o exagero, mas qualquer um de nós deve ter um bocado de louco ou masoquista, para suportar vários anos seguidos de trabalho na Urgência.
O problema não está em trabalhar na Urgência, antecipando o que alguns de vos poderão comentar, o problema está em trabalhar na Urgência sem condições, sem motivação e sem recursos, principalmente humanos.
Por isto e por muitos outros motivos já discutidos neste blog, enfermeiros com largos anos de experiência em Urgência, disseram "basta" e apresentaram pedido de transferência.
O mais preocupante no meio disto tudo é que estes que fogem e outros tantos que têm ideias de fugir são profissionais competentes e reconhecidos como bons colegas.
Pergunto onde é que isto vai parar, se mesmo aqueles amantes e peritos em emergência estão saturados e com ideias de partir?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Enfermeiro chauffeur

Por que motivo o carro amarelo de emergência do INEM diz apenas “MÉDICO” no vidro da frente? Já se questionaram sobre isso? E o enfermeiro? É um chauffeur??
É algo que sempre me intrigou e já há alguns tempos tinha anotado esta questão nos meus rascunhos, para que futuramente surgisse um desenvolvimento. Este surgiu com um comentário do Henrique Martinho, que vai ao encontro da discriminação da enfermagem e endeusamento do médico, por parte da opinião pública. O mais curioso é que o Henrique não é enfermeiro, nem profissional de saúde, é alguém com uma cabeça que pensa e dois olhos na cara.
Deixo-vos então com o seu comentário...
“Na passada segunda-feira fiquei estarrecido com a notícia que passou na TVI, um incêndio nas Caldas da Rainha que matou 3 pessoas e feriu umas quantas, algumas com gravidade. A questão é que o jornalista ao apresentar a notícia disse: "Os médicos do INEM fizeram tudo por tudo para salvar as vidas..." É sempre a mesma coisa! Os enfermeiros, os bombeiros, os TAE´s e os psicólogos são sempre ignorados e espezinhados pela comunicação social, quando deveriam ter a máxima consideração de todos nós.
Já quando foi a notícia sobre o desastroso acidente que ocorreu na A25 no verão passado foi o mesmo. "dezenas de médicos acorreram ao acidente para salvar vidas", disse o iluminado jornalista da TVI, sem mencionar o número de bombeiros, TAE's, enfermeiros, psicólogos, e até os civis que arriscaram as suas vidas para salvar a dos outros.
Eu ainda estou para perceber por que razão este país vê nos médicos a figura divina. Aliás, que tal promoverem os médicos a representantes de Deus em vez dos padres? Até poderiam andar com um crucifixo escarrapachado nas suas batas e tudo! Fica lançada a questão! ;)
Esta forma de jornalismo que a TVI pratica já me mete um bocado de nojo!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Contrariedades na Manchester

Partilho inteiramente da ideia de que quando é necessário averiguar algo que terá corrido mal, deve-se começar, passando o pleonasmo, pelo início. Num serviço de urgência, esse início é na triagem de Manchester, o local onde se encaminham os doentes, estabelecem prioridades, é onde se efectua uma PRÉ-TRIAGEM.
Não partilho de todo da ideia de que quando algo terá corrido mal, se procure sistematicamente tentar responsabilizar o enfermeiro que faz a PRÉ-TRIAGEM, facto que por demasiadas vezes tenho verificado.
A triagem de Manchester não é um "mecanismo" perfeito, é falível e tem as suas lacunas, tal como já se comprovou. Não passa apenas de um algoritmo, de uma forma prática e rápida de fazer uma PRÉ-TRIAGEM, mediante sinais e queixas, que tanto podem estar exacerbados como contidos. Funciona muitas vezes dependendo da intuição do enfermeiro e está condicionada pela elevada pressão externa a que estamos sujeitos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Médico fala com médico, enfermeiro fala com enfermeiro


Cada vez mais me consciencializo que o frequente mau ambiente entre médicos e enfermeiros, vai persistir. Sempre pensei que com as novas gerações de médicos, certos maneirismos iriam acabar. Mas quando dizem em tom prepotente,
“Médico fala com médico enfermeiro fala com enfermeiro”, como que a dizer eu sou médico, estou aqui em cima, tu estás aí em baixo, não me incomodes, continuamos na mesma.
Temos que ter a habilidade de responder com inteligência e elegância, porque muitas vezes calamo-nos e metemos o rabinho entre as pernas.
Lembrava-me agora de uma médica que me confrontou no corredor pelo motivo de não a ter ido chamar para observar um jovem. Quinze minutos antes quando ela se preparava para observar o doente, eu tinha-lhe dito para aguardar, pois o doente estava a ver se conseguia urinar deitado (o que não deve ser propriamente fácil). Acatou, foi a vida dela e eu fui à minha, mas pelos vistos ficou à espera que eu a fosse chamar. Mais valia ter-se sentado, sempre descansava mais as varizes dos tacões (outra coisa gira nos médicos). Fiquei estupefacto a olhar para ela, só me ocorreu dizer, “Sou enfermeiro, não sou estafeta, queria ver o doente esperava”.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Reconhecimento

Há dias no programa 30 minutos da RTP, fizeram uma reportagem sobre as visitas domiciliárias de uma equipa de enfermagem às diferentes famílias de uma comunidade. Mostraram o quão é importante o apoio, a ajuda do enfermeiro para aquelas pessoas. Mostraram os laços que se criam nas duras realidades que se encontram. Qualquer um de nós certamente sentiu orgulho por estarem a reconhecer aquela que é a nossa profissão.
Também nesse mesmo programa, mas já há mais tempo, relevaram o dia a dia de uma enfermeira que acompanha mães adolescentes. Mais uma vez senti orgulho pelo justo reconhecimento que fizeram à colega. Senti orgulho, porque mais uma vez estavam a elogiar o nosso trabalho.
Mas querem que vos diga uma coisa e os mais sensíveis que me perdoem a frontalidade, quero que se foda este reconhecimento, já estou farto que me digam que enfermagem é uma profissão bela e digna!
Quero é que esses bandalhos que estão no governo nos reconheçam como licenciados, quer a nível de carreira, quer a nível monetário! Quero é que esses bandalhos nos reconheçam como profissão de risco, com alta penosidade! Quero é que esses bandalhos respeitem os meus colegas que estão no desemprego e criem soluções, porque efectivamente há trabalho para grande parte deles! Quero é que esses bandalhos resolvam de uma vez por todas o excessivo número de vagas abertas para o curso de enfermagem! Quero é que esses bandalhos fechem escolas de enfermagem que abriram, como cogumelos!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Curtas estapafúrdias Vol VIII - Demora muito???

Na triagem de Manchester (local do Serviço de Urgência onde o enfermeiro ouve a queixa do utente e de seguida encaminha-o)...



Mãe da criança – Bom dia, o meu filho tá com tosse há mais de uma semana… e não anda a comer muito bem.
Enfermeiro – Vamos ver a temperatura.
Mãe da criança – Não tem tido.
Enfermeiro – Confirma… 36,8ºc. Mais algum problema?
Mãe da criança – Não… de resto ta tudo.
Enfermeiro – Ok, pode ir. Aguarda na sala de espera de pediatria.
Mãe da criança – Vai demorar ??? É que ao meio-dia tenho lá gente em casa a almoçar.


Enfermeiro – Bom dia, então o que se passa?
Utente – Sr. Enfermeiro, estou com tosse, dor no estômago, só me apetece, desculpando o termo, vomitar.



Enfermeiro – Bom dia, de que se queixa o senhor?
Filha do senhor - O meu pai tem andado mal, tem convulsões na garganta.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Hospitais particulares - O comércio da saúde

Quando era miúdo lembro-me de uma mercearia que tinha um “livrinho” com as contas fiadas. Mais tarde soube-se que os clientes fiados acabavam por pagar mais do que aquilo que deviam, ou seja eram roubados indecentemente. A maior parte daqueles que pediam fiado, faziam-no por necessidade, por falta de dinheiro, mas o ladrão do dono não se incomodava com isso, ludibriou os clientes durante anos. Nos hospitais particulares passa-se a mesma coisa, mas em proporções bem maiores.
Quantas vezes um utente é submetido a determinada intervenção, onde é gasto o material x+y, sendo-lhe debitado na conta a pagar o material x+y+z, fora a mão-de-obra. O infeliz do utente como não sabe o que foi gasto, nem o que é o x o y ou o z, paga e cala-se. Isto é uma das muitas coisas que me faz repudiar os hospitais particulares. Desprezo-os profundamente. Para mim os gestores dos hospitais particulares são comerciantes de saúde, que só vêem o lucro e a melhor forma de explorar utentes e funcionários.
Ao longo da minha vida profissional ouvi histórias repletas de absurdos e canalhices. Deixo-vos com uma e convido-vos a expor outras.

Quantas vezes terá ido a viatura de emergência (vmer) assistir doentes internados em hospitais particulares, que se encontravam em estado grave? Os doentes vão descompensando dia após dia, não se tomam as medidas adequadas, porque não há condições, nem saber e o que interessa são internamentos prolongados para manter as taxas de ocupação e depois… e depois é chamada a vmer. E ainda se tem a lata de pedir para desligar as sirenes e entrar pelas traseiras… Para não dar mau aspecto.. Parece mal aqueles tolinhos de fluorescente andarem a correr para o hospital particular, para ir a um internamento tentar salvar uma vida.
Outros absurdos aproximam-se