sábado, 29 de janeiro de 2011

Reconhecimento

Há dias no programa 30 minutos da RTP, fizeram uma reportagem sobre as visitas domiciliárias de uma equipa de enfermagem às diferentes famílias de uma comunidade. Mostraram o quão é importante o apoio, a ajuda do enfermeiro para aquelas pessoas. Mostraram os laços que se criam nas duras realidades que se encontram. Qualquer um de nós certamente sentiu orgulho por estarem a reconhecer aquela que é a nossa profissão.
Também nesse mesmo programa, mas já há mais tempo, relevaram o dia a dia de uma enfermeira que acompanha mães adolescentes. Mais uma vez senti orgulho pelo justo reconhecimento que fizeram à colega. Senti orgulho, porque mais uma vez estavam a elogiar o nosso trabalho.
Mas querem que vos diga uma coisa e os mais sensíveis que me perdoem a frontalidade, quero que se foda este reconhecimento, já estou farto que me digam que enfermagem é uma profissão bela e digna!
Quero é que esses bandalhos que estão no governo nos reconheçam como licenciados, quer a nível de carreira, quer a nível monetário! Quero é que esses bandalhos nos reconheçam como profissão de risco, com alta penosidade! Quero é que esses bandalhos respeitem os meus colegas que estão no desemprego e criem soluções, porque efectivamente há trabalho para grande parte deles! Quero é que esses bandalhos resolvam de uma vez por todas o excessivo número de vagas abertas para o curso de enfermagem! Quero é que esses bandalhos fechem escolas de enfermagem que abriram, como cogumelos!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Curtas estapafúrdias Vol VIII - Demora muito???

Na triagem de Manchester (local do Serviço de Urgência onde o enfermeiro ouve a queixa do utente e de seguida encaminha-o)...



Mãe da criança – Bom dia, o meu filho tá com tosse há mais de uma semana… e não anda a comer muito bem.
Enfermeiro – Vamos ver a temperatura.
Mãe da criança – Não tem tido.
Enfermeiro – Confirma… 36,8ºc. Mais algum problema?
Mãe da criança – Não… de resto ta tudo.
Enfermeiro – Ok, pode ir. Aguarda na sala de espera de pediatria.
Mãe da criança – Vai demorar ??? É que ao meio-dia tenho lá gente em casa a almoçar.


Enfermeiro – Bom dia, então o que se passa?
Utente – Sr. Enfermeiro, estou com tosse, dor no estômago, só me apetece, desculpando o termo, vomitar.



Enfermeiro – Bom dia, de que se queixa o senhor?
Filha do senhor - O meu pai tem andado mal, tem convulsões na garganta.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Hospitais particulares - O comércio da saúde

Quando era miúdo lembro-me de uma mercearia que tinha um “livrinho” com as contas fiadas. Mais tarde soube-se que os clientes fiados acabavam por pagar mais do que aquilo que deviam, ou seja eram roubados indecentemente. A maior parte daqueles que pediam fiado, faziam-no por necessidade, por falta de dinheiro, mas o ladrão do dono não se incomodava com isso, ludibriou os clientes durante anos. Nos hospitais particulares passa-se a mesma coisa, mas em proporções bem maiores.
Quantas vezes um utente é submetido a determinada intervenção, onde é gasto o material x+y, sendo-lhe debitado na conta a pagar o material x+y+z, fora a mão-de-obra. O infeliz do utente como não sabe o que foi gasto, nem o que é o x o y ou o z, paga e cala-se. Isto é uma das muitas coisas que me faz repudiar os hospitais particulares. Desprezo-os profundamente. Para mim os gestores dos hospitais particulares são comerciantes de saúde, que só vêem o lucro e a melhor forma de explorar utentes e funcionários.
Ao longo da minha vida profissional ouvi histórias repletas de absurdos e canalhices. Deixo-vos com uma e convido-vos a expor outras.

Quantas vezes terá ido a viatura de emergência (vmer) assistir doentes internados em hospitais particulares, que se encontravam em estado grave? Os doentes vão descompensando dia após dia, não se tomam as medidas adequadas, porque não há condições, nem saber e o que interessa são internamentos prolongados para manter as taxas de ocupação e depois… e depois é chamada a vmer. E ainda se tem a lata de pedir para desligar as sirenes e entrar pelas traseiras… Para não dar mau aspecto.. Parece mal aqueles tolinhos de fluorescente andarem a correr para o hospital particular, para ir a um internamento tentar salvar uma vida.
Outros absurdos aproximam-se

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Natal foi inventado

O espírito de Natal é quente, acolhedor, é sem dúvida uma época bonita, luminosa. Mas continua e há-de ser sempre uma época hipócrita e puramente comercial. O Natal poderia ser todos os dias, mas para muitos não é nenhum dia.
Deixo-vos com a melhor mensagem que encontrei, para vos desejar um Natal em família feliz


sábado, 18 de dezembro de 2010

Como entupir um serviço de urgência

Este post, tal como todos os outros, não passa de uma mera opinião do autor. Os autores nem sempre têm razão e o verdadeiro autor é aquele que sabe dar a mão à palmatória


Porque razão os doentes ficam então acumulados no serviço de urgência? Há uma série de motivos, como por exemplo:

  • Banalização do serviço de urgência pela população em geral;
  • Fecho de SAP´s;
  • Ausência de medicina interna em Ponte de Lima durante a noite;
  • Ausência de determinadas especialidades em dias e períodos específicos;
  • Recobros no serviço de urgência de doentes de ortopedia submetidos a intervenções cirúrgicas consideradas simples;
  • Serviços de internamento lotados, em alguns casos, com doentes que apenas aguardam a “oficialização” da alta,
  • etc, etc (quem quiser que continue)
Mas um dos principais motivos e será esse o tema central do post, passa por uma certa passividade ou inércia propositada de alguns médicos em drenar os doentes, principalmente durante a noite.
Um dos exemplos mais flagrantes é quando ficam retidos no serviço de urgência doentes críticos e instáveis, quando temos, por exemplo, 5 vagas numa unidade intermédia. A isto se chama a evidência do poder médico numa espécie de revolta contra decisões superiores. A decisão superior, neste caso foi retirar o médico em permanência na referida unidade.
Se foi uma boa ou má decisão, é outro assunto. O que está em questão é que, quem sofre é sempre o elo mais fraco, é o doente que está instável e a equipa de enfermagem que por diversas vezes assegura os cuidados a estes doentes, sem as mínimas condições de organização e equipamentos, precisamente porque o serviço está lotado, já para não falar que não compete aos enfermeiros assegurar determinadas responsabilidades. 


sábado, 11 de dezembro de 2010

Crónicas estapafúrdias vol. XI - "Peixinho fora de água"

A história que se segue é mais uma das crónicas estapafúrdias. Esta será porventura superestapafúrdia...

Era já de madrugada quando entra numa Unidade de Cuidados Intermédios um doente com Edema Agudo do Pulmão (EAP).
Para quem desconhece, um EAP é uma complicação respiratória grave, súbita, inesperada e emergente, na qual o doente tem uma sensação de morte eminente, com uma dificuldade respiratória extrema, devido à presença de liquido nos alvéolos dos pulmões. É tão emergente que é considerado um dos principais motivos de implementação de manobras de "life saving", que é o mesmo que dizer "despachem-se senão o doente morre".
Voltando atrás,
A enfermeira recebe o doente e a médica é chamada aos seus aposentos. Acorda da mesma forma que costuma passar o seu dia a dia hospitalar - mal disposta. Olha para o doente que, como na gíria de profissionais de saúde se diz, mais parecia um "peixinho fora de água" e revoltada com a interrupção do sono, descarrega:

ENTÃO VOCÊ VEM PARA AQUI A ESTAS HORAS ??!! É SEMPRE A MESMA HISTÓRIA! BLABLABLA BLABABA %YZXPO$7&QH JDBHJBFLKJD BLABLABLA ETC ETC ETC
É de facto lamentável que o doente não tivesse escolhido as 9:30 (de preferência depois do café da manhã) para manifestar o EAP.
Agora a sério, a meu ver só há uma solução: Acabem com as 24 horas de urgência nos médicos.
É mau para eles, é mau para todos nós (utentes do serviço nacional de saúde)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A resposta à Reclamação

A pedido da D. Lúcia, publico a transcrição da resposta do Hospital em causa, 

"As questões que V. Exa. Coloca relativamente ao Serviço de Urgência estão identificadas e merecem a nossa preocupação, algumas relacionadas com o afluxo excessivo de doentes, outras com a desadequação das instalações.
Tendo como objectivo melhorar a forma e as condições de prestação de cuidados de saúde dos utentes, está em análise o plano de obras de remodelação de todo o serviço.
Agradecemos-lhe a chamada de atenção que alerta os responsáveis do serviço e da instituição para a necessidade de continuar a intervir na melhoria das condições estruturais e de atendimento do serviço.
Lamentamos todo o incómodo causado

Com os melhores cumprimentos,



O presidente do CA"



quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Enganos em vencimentos

Já não bastava a crise,
o corte nos salários,
o não aumento sucessivo,
a redução substancial das horas suplementares,
o não pagamento de horas extraordinários desde há longos meses

...E AINDA SE ENGANAM REPETIDAMENTE (PARA BAIXO CLARO) NOS VENCIMENTOS??!!!
É DE BRADAR AOS CÉUS!!

Conselho de amigo: façam as continhas ao fim do mês. Para saques já chega na gasolina e supermercado

sábado, 20 de novembro de 2010

Reclamações

O texto seguinte é da responsabilidade do seu autor. O blog pddse neste caso e tal como em momentos anteriores, apenas serve de meio de exposição de factos.
Cada qual retira as ilações que entender 
Recebemos então o seguinte pedido via email:

"Exmo. Sr. Moderador do blog.

Este email serve para demonstrar o meu descontentamento com o hospital de Viana do Castelo (ULSAM), e venho pedir que esta reclamação, pois já fiz 3 exposições no livro de reclamaçôes, seja publicada no blog como um post, com o titulo, A DOENÇA DO HOSPITAL DE VIANA DO CASTELO. Peço que,caso autorize a publicação do post, este seja da forma original como segue em email.

A DOENÇA DO HOSPITAL DE VIANA DO CASTELO (ULSAM)


ANTÓNIO MARTINS PARADELA JÚNIOR, meu pai, está novamente internado na cama 21, piso 4, cirurgia 1. Este internamento foi decidido após uma espera de 26 horas nos corredores da URGÊNCIA, chamado na ULSAM de VIANA DO CASTELO, de OBS - MACAS, com horas de visitas marcadas, como se estivesse o doente num OBS. Um corredor de loucos !
Os maqueiros batem com as camas nas macas por falta de espaço, auxiliares que gritam de um lado para o outro, parece que estão no "Campo d' Agonia", os enfermeiros correm de um lado para o outro porque não são suficientes, os médicos saem da urgência para o bloco e o doente fica sem saber nada sobre o seu diagnóstico, porque só pode ser dito pelo médico que o acompanha e o mesmo está no bloco. O resultado de uma TAC mandada fazer às 9h45m, só chega ao conhecimento dos familiares às 21h30m.
O meu pai entrou na urgência no dia 7 de Outubro de 2010, às 21h45m, e subiu para internamento, no dia 8 de Outubro de 2010, às 23h50m. Apesar dos seus 87 anos, não é permitido acompanhante, porque está em OBS - MACAS, no corredor de um manicómio, onde todos gritam e ralham, e ninguém tem razão.
Sra. Ministra Ana Jorge, permita-me que lhe faça um convite especial. Venha passar 26 horas em OBS - MACAS, nos corredores da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo. Ofereço-lhe a MACA I, do Sr. António Martins Paradela Júnior, meu pai, a quem AMO muito, como com certeza a Sra. Ministra, ama o seu. Venha sentir na própria pele o desespero da espera, da solidão, do afastamento da família junto com a doença, razão pela qual permanecemos nesse corredor o tempo que nos obrigam.
Por onde anda a Sra. Ministra Ana Jorge? Em 3 meses é a terceira vez que exponho neste livro o meu descontentamento (14/10/2010), e nunca obtive resposta do seu gabinete. Isto só prova que a saúde também está muito mal no seu Ministério. Venha para a rua, venha para os hospitais. O que os olhos não vêem, o coração não sente!
Os utentes, que também são contribuintes é que sofrem com a má gestão feita dos dinheiros públicos. E agora só se ouve falar em "CONTENÇÃO".
ABUNDÂNCIA PARA OS MAIS FAVORECIDOS, CONTENÇÃO PARA OS MAIS NECESSITADOS.

É isto que a Sra. Ministra tem para nos dar ?!
É este o país que temos ?!
Espero que a Sra. Ministra esteja bem de saúde e se lembre da saúde dos outros. Onde estão os direitos dos doentes? Será que os mesmos só têm deveres? A Sra. Ministra, sabe quais são os seus deveres? Ou só sabe os seus direitos ?
O HOSPITAL DISTRITAL DE VIANA DO CASTELO, hoje, ULSAM, foi construído para prestar cuidados de saúde cinco estrelas, só que, quatro já caíram e a quinta está balançando.
Isto é um exemplo da saúde da Urgência do ULSAM de Viana do Castelo, com certeza o câncer já tem ramificações suficientes para infectar muitos utentes que por ali passam. É caso para dizer, pensem, antes de ficar doentes!.

LÚCIA FRANCISCA PARADELA
Rua do Calvário Nº 89
Vila Mou - Viana do Castelo
Estrada da Papanata Nº 73 - 1º Esq.
Viana do Castelo
Contribuinte – 124572650"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A jogada do SIGIC



Nota prévia: O SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia) foi criado há uns anos com o objectivo de reduzir listas de espera para cirurgia. Parece que funciona em rede, onde o doente parece que é encaminhado para outro hospital caso o de origem não responda ao que é necessário, no que diz respeito ao tipo de cirurgia. Depois também parece que há um "cheque" e os privados estão envolvidos, tal como explica a imagem.
Tudo isto implica mais trabalho dos profissionais, o que justamente deverá ser mais bem pago. Até aí parece que está tudo bem. Agora o que não está nada bem é o que de seguida vos digo.
...

Há uns posts atrás, após receber um email do PSD sobre ideias de poupança para o estado, falei na vergonha das horas extra em altas patentes médicas (AQUI). Nesta sequência de ideias lembrei-me do seguinte: porque não acabar com a vergonha do SIGIC?
A ideia original do SIGIC até seria interessante, diminuir a lista de espera porque não fazia muito sentido que uma pessoa esperasse mais de 5 anos por uma intervenção cirúrgica. Mas o problema é que depois tudo se distorceu, aqueles doentes que nada tinham a ver com o conceito de SIGIC eram “tornados” SIGICs para entrarem mais uns cobres valentes ao fim do mês no ordenado dos profissionais.
E aquilo é ganho à peça e em determinadas peças, como na da anca, ganha-se a olho. E eles bem se mexem, quantos mais melhor e o povinho paga. Acabem com esta manigância, estamos em crise, ou pelo menos parece que estamos, não sei. E não se esqueçam! O Robin anda por aí atento na defesa dos pobres, à procura dos podres.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Retalhos

Alguns cirurgiões observam o doente como se ele já tivesse na mesa de operações. Não informam o que vão fazer, por que é que o vão fazer, nem sequer de que jeito o vão fazer. Fazem-no sem pudor, de forma crua e visceral, tal como se tivessem a palpar uma fruta ou um pedaço de carne.
E não são os cirurgiões os únicos que manifestam este total desrespeito pelo corpo do outro… também enfermeiros e outros médicos. Há tempos um gastroenterologista destapa um doente na maca, olha para a barriga que tinha uma sonda e lamenta-se junto ao doente, dizendo “Que trampa!”
Justo será dizer que também há (boas) excepções. Outras escolas, outra educação, outro conceito de vida

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Crónicas estapafúrdias vol X - novas matreirices do sistema nervoso central


Numa qualquer unidade intensiva...
2h da manha e o Sr António insistia persistentemente com os enfermeiros, para falar ao telefone com a Dona Alice, a sua esposa. Insistia tanto que ninguém consegui ter um minuto de sossego naquele serviço já às escuras.

Sr António não são horas para ligar à sua esposa, amanha trata-se disso! Explicavam repetidamente os profissionais.
Mas não pode ser!! Tenho mesmo que falar com ela!!

Vendo que não era possível convencê-lo, decidem agir...

Toca o telefone portátil...

Pronto tome lá homem!! Atenda que é a sua mulher!
Ahhh Finalmente! Tou Alice!?
Então Tone!! Ouvi dizer que tás aí a pintar o caralho aos senhores enfermeiros!!
Ohh mulher cala-te e ouve-me, traz-me a carteira que tá em cima do frigorifico e uma muda de roupa!
Mas pra quê Tone não precisas nada disso agora!
Faz o que te digo mulher e diz ao Zé pra pegar no carro e levar-me pró hospital..
Ohh homem mas tu já tás no hospital, tás nos serviços intensivos.

E o Sr António começa a desconfiar...
Mas esta não é a minha Alice, é uma voz de homem!!

E não é que pelo menos os ouvidos estavam a funcionar! Quanto ao resto... talvez quando mudasse de ares

domingo, 31 de outubro de 2010

A década da decadència - Vol III

Esta também foi a década em que os hospitais se tornaram empresas. O principal objectivo seria o corte nas despesas e para isso aparecem economistas ou gestores, que apesar de perceberem de números, pouco ou nada percebem de gestão em saúde.
O meu hospital, após anos sucessivos de desaires orçamentais, anunciou balanços positivos nos últimos anos, isto apesar de ainda dever dinheiro aos enfermeiros. Outros, em vez de diminuir, aumentaram o défice, como em Braga p.e.
Parece evidente que de uma maneira geral cortou-se nas despesas, mas também se cortou na formação em serviço, qualidade de cuidados, qualidade de materiais, rácios e autonomia das classes, principalmente de enfermagem.
As gestões hospitalares do SNS cada vez se assemelham mais com as privadas, o que importa é ter anúncios bonitos à entrada a dizer que são os maiores, o que importa é o lucro sem se olhar aos meios, o lucro a qualquer custo com o menor número possível de profissionais de saúde a tratar o maior número de doentes possível

domingo, 17 de outubro de 2010

Olha pró que eu digo, não olhes pró que eu como

Hoje, dia 15 de Outubro, é o dia mundial da alimentação.
Parece que um canal de televisão andou a entrevistar profissionais de saúde sobre o que comiam.
Não é necessário ser muito observador para concluir que uma significativa parte destes tem maus hábitos alimentares. Em casa não sei o que comem, mas nos hospitais, que é onde a maioria passa a maioria do tempo, é o que se vê.

Sempre que vou ao bar do hospital, perco o apetite. O menu é quase sempre igual:
Panados, rojões, bife, fêveras e filetes, acompanhados de, invariavelmente, arroz aos grumos e batatas fritas ressequidas.
Também não será necessário ser perito em nutrição, para verificar as quantidades excessivas de gordura e hidratos de carbono que daqui advêm.
Na minha opinião um hospital deveria dar o exemplo no que diz respeito a hábitos alimentares e poderia começar pelo seu bar. Será que é por isso mesmo, por ser bar?! Bom… o refeitório muito melhor também não será, mas sempre há mais variedade e qualidade nutricional talvez, apesar de nem sempre estar acessível aos profissionais e ser um espaço pouco apetecível.

Acho que nestes últimos anos, as pessoas preocupam-se mais com o que comem e o conceito de cozinha alternativa surge em força.
Porque não repensar os menus? Seria um bom desafio para quem gere este bar. Aqui ficam algumas sugestões simples, económicas e saudáveis:
Empadão de espinafres
Hambúrgueres de soja com quinoa
Panados de peru com ervas
Sopa de batata doce e courgette
Croquetes de marisco com esparregado
Tagliatelle com pesto de rúcula
Arroz integral com grelos e panados de tofu
Douradinhas no forno com hortelã e batatinha assada
Truta em papelote com legumes salteados

... e sobremesas:
Tarte de arroz integral
Bolo de manga e coco
Aspic de fruta

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A década da decadência - Vol II


Ainda recordo o tempo em que haviam escolas de enfermagem que só admitiam alunos com uma nota mínima de 17. Eram raras as escolas com nota mínima de acesso abaixo de 14.
Hoje com 9,6 val. já se vai para enfermagem.
Enfermagem agora é um curso de escape para se entrar no ensino superior.
Passou de curso de primeira linha, a curso terciário. Desvalorizado completamente, passou de uma meta a um meio para atingir outra qualquer meta.
Quem é que no seu perfeito juízo vai colocar enfermagem nas suas opções de entrada no ensino superior?!
Perdeu-se por completo o rumo, as escolas estão pura e simplesmente a formar para o desemprego ou emigração.
Durante este trágico período, construíram-se novas escolas, aumentou-se exponencialmente o número de vagas, numa sede incontrolável de formação para o vazio.
Brevemente já nem os países importadores de enfermeiros aceitam novas remessas, já devem estar quase lotados.
Tenho fortes dúvidas sobre a competência das entidades que regulam este tipo de coisas. Tenho vergonha deste país que permite estas políticas.
Por muitos de defeitos que tenha a classe médica, dou-lhes valor, pois têm a inteligência de se resguardarem numa redoma, regulando assim as entradas para medicina.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A década da decadência - Vol I


Há uns tempos li um post dos colegas do Cogitare forumenfermagem, sobre alguns dos problemas que enfermagem atravessa e atravessou, ao longo destes últimos 10 anos. Esse título fez-me ver que, de facto, esta foi a... DÉCADA DA DECADÊNCIA PARA ENFERMAGEM.
E então lembrei-me de iniciar aqui uma colectânea de posts sobre este assunto. Vamos ver se não tem muitos volumes... A tua colaboração será sempre bem-vinda, caso esqueça algum ponto relevante, relembrem-me.
                                              .....

Após uma época de orgulho e sentimento de dever cumprido, com a conquista da legítima licenciatura para os enfermeiros, inicia-se inesperadamente a época negra para enfermagem.
Por pouco ou nada que ela viesse acrescentar (outros assuntos...), os enfermeiros eram definitiva e justamente licenciados.
O compromisso tinha sido estabelecido, os enfermeiros passariam brevemente a ser pagos e reconhecidos como licenciados.
Passados todos estes anos... nem uma coisa, nem outra.
A situação manteve-se e, para alguns, até se agravou.
A frustração, desmotivação e sentimento de injustiça e desconsideração são por demais evidentes nos discursos dos enfermeiros.
Continuamos uns simples técnicos bacharéis...

CONTINUA...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

GANÂNCIA, MANIPULAÇÃO E PASSIVIDADE

A ganância e manipulação incomodam-me profundamente.
Enquanto que, há VÁRIOS MESES, os enfermeiros esperam que lhes sejam pagas as horas extraordinárias, de turnos que são mesmo extraordinários, temos médicos, directores de serviço, que "sugam" as horas extraordinárias para si e são-lhes pagas pequenas fortunas a tempo e horas. Ou seja, fazem todos aqueles turnos valiosos de fins de semana e afins, onde são pagos a peso de ouro, porque estão no topo da hierarquia.
Vemos folhas de vencimento deste senhores com valores (SÓ DE PAGAMENTOS DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS) superiores a 5000 euros.
Como é que isto acontece? Como é que isto é permitido? Expliquem-me!

Se os administradores hospitalares quiserem de facto demonstrar trabalho e poupança ao Sócrates, que tanto se queixa da crise, sejam justos, coerentes e rigorosos e não permitam esta vergonha!
Existe um site criado pelo PSD, que possibilita que o cidadão sugira medidas de poupança. Eu fiz o meu dever, expus este facto vergonhoso e ao mesmo tempo deixei uma alternativa, que não é nada mais nada menos, do que analisar esta situação e não permitir esta manipulação gananciosa.
Visitem http://www.cortardespesas.com/ e façam também a vossa sugestão. Ela é analisada obrigatoriamente pelo gabinete de estudos nacionais do PSD e eventualmente, caso seja pertinente, poderá ir à Assembleia. Depois não digam que ninguém vos ouve. Cá está a vossa oportunidade!
POR ROBIN DOS HOSPITAIS

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Atende o telemobele


O telemóvel é capaz de ter sido uma das invenções do século. Para muitas pessoas tornou-se um objecto tão ou mais íntimo quanto um vibrador.
Vive atrelado ao seu dono e é continuamente tocado e observado. E é devido a esta dependência desmedida, que muitas pessoas perdem a noção do sensato e cometem as cenas mais absurdas, como por exemplo:
Atender o telemóvel quando se está à mesa a jantar com a família.
Deixar o telemóvel tocar, numa sala de aula, a alto e bom som, não pedir desculpa e sair para o atender.
Atender o telemóvel enquanto se está numa consulta médica ou de enfermagem, ou a ser atendido pelo funcionário dos correios ou finanças, etc
Atender o telemóvel quando se está a tratar ou observar um doente.
E por último, mas não o último,
Parar de fazer a massagem cardíaca a uma vítima de paragem cardio-respiratória, para atender o telemóvel.
Não façam essa cara... é mesmo verdade.
O som do telemóvel a tocar parece tornar as pessoas tão cegas e estúpidas ao ponto de ter que atendê-lo incondicionalmente, mesmo que se esteje a fazer a coisa mais importante do mundo.
Agora pensemos 2 vezes antes de atender o telemóvel que está no bolso. Que tenhamos bem presente que ele pode tocar sem ser atendido e que tem lá uma opção que diz rejeitar ou silêncio.

sábado, 18 de setembro de 2010

A Saúde mental dos portugueses

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A geração dos queixosos

Na triagem...
Entra uma doente com cerca de 80 anos, Rosa de seu nome, acompanhada por uma senhora que aparentava 50.

Acompanhante - Sr. Enfermeiro, a minha tia está muito mal da barriga, anda com muitas dores!

Enfermeiro - Então D. Rosa, você está com dores?

D. Rosa - Humm.. Um pouquito de vez em quando...

Acompanhante - Oh! Não ligue Sr. Enfermeiro, ela não se queixa! Não é do nosso tempo!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Enfermeiro de serviço de urgência no top ten de profissões mais ingratas


No mesmo estudo divulgado no post anterior, sobre boas maneiras e bons costumes dos utentes/acompanhantes, conclui-se que ser enfermeiro de serviço de urgência é considerado uma das profissões mais ingratas. Veja em seguida a lista completa,

1. Porteiro
2. Funcionário dos correios
3. Revisor da CP
4. Polícia
5. Auxiliar de acção médica
6. Caixa de estabelecimento comercial
7. Enfermeiro (serviço de urgência)
8. Bombeiro
9. Enfermeiro (outros serviços)
10. Professor

O que nos vale é que ainda temos uns poucos que nos reconhecem e dão valor. Há dias recebi um email que circulou com um agradecimento de um utente, extensivo a vários serviços do hospital e alguém terá comentado (e bem)  - "Haja alguém que ainda nos dá valor".
Para quem não leu o post anterior, tudo isto é inventado

sábado, 4 de setembro de 2010

Mais de metade dos utentes do SNS não diz "Obrigado"


Um estudo efectuado pela Universidade de Aveiro em parceria com porquedeixeideserenfermeiro.blogspot.com, chegou a conclusão que, em cada 20 utentes dos serviços nacionais de saúde,

12 não cumprimentam os profissionais
11 não agradecem o(s) serviço(s) prestado(s)
3 tem atitudes ofensivas (injúria, ameaça, desrespeito, insinuação).

NOTA: Todos estes dados são pura invenção. Não passam de uma mera estatística mental do autor, que encontrou assim uma forma de expôr a cruel evidência - a medida que passam os anos, a sociedade (TODOS NÓS) perde as boas maneiras e os bons costumes.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A última e derradeira petiçao de enfermagem

Como já vos tinha dito, enfermagem é certamente a profissão que mais petições cria.
Entendo por petição, um último recurso, uma tentativa desesperada de tentar expressar algo tremendamente injusto a altas instâncias. Terá algum efeito?! Não sei... Mas nada custa tentar.
Assina e divulga. Entra em:

PETIÇÃO PELA CARREIRA DE ENFERMAGEM

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Queixas despercebidas

Aguardava observação uma idosa vítima de traumatismo craneano...
Acompanhante - Srª Enfermeira, a minha tia está a queixar-se muito do peito!
Enfermeira - Mas a sua tia tem é que se queixar da cabeça!

Passados uns minutos a senhora estava a ser tratada na sala de emergência por um edema agudo do pulmão.
Nunca desvalorizemos as queixas por mais estranhas que pareçam

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ajuda para reportagem

Olá colegas! O blog tem passado por alguns conflitos, alguma polémica, vamos lá amainar... respirar fundo, relax, respiração diafragmática, a brisa fresca lá fora, som das ondas, dos pássaros.......
Bom agora coisas sérias.
Fui contactado por alguém, que não interessa quem, para uma ajuda sobre "uma reportagem de fundo sobre assédio sexual por parte de profissionais de saúde. O tema, aprofundado, poderá incluir não apenas assédio propriamente dito, mas comportamentos impróprios de cariz sexual ou íntimo: desde um discurso ambíguo, a toques corporais desadequados, comentários incómodos, posturas pouco profissionais perante pacientes (acordados ou sedados), etc."
É algo sério e desde já é pedido a vossa ajuda, completamente livre de identificações (garantia do autor). Se assistiram, tiveram conhecimento, ou saibam quem tem conhecimento de casos, entrem em contacto comigo e eu servirei de intermediário entre vós e o autor. Participem, divulgem, acho que é nosso dever. Obviamente que não vos vão pedir para falar em nomes, apenas de situações.
Abraço a todos e não esqueçam o som das ondas.
Para relembrar o meu email é guilhermedecarmo@iol.pt