
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Sr. Utente, se tiver um Enfarte, trate-o em casa. As Urgências estão lotadas…

domingo, 13 de dezembro de 2009
Teoria da conspiração ou da verdade?! - ex-ministra da saúde Finlândia
... e o Dignissímo Senhor Bastonário da Ordem dos médicos ainda dizia que os enfermeiros eram ignorantes ao não fazer a vacina... Não sei qual será o ignorante...
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Curtas estapafúrdias II - Matreirices do Sistema Nervoso Central
O Sr. Fernando, igualmente desorientado, mas numa versão mais agitada, precisou de ser imobilizado ao leito, por segurança do próprio. Como ninguém gosta de se ver preso, pede insistentemente por ajuda.
E há-de ser o Sócrates a salvá-lo... Talvez o Sr. Haloperidol... digo eu
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Opiniões III - Evidências & lamentações

A criação dos hospitais EPE teve como objectivo reduzir os gastos mas em vez disso esses aumentam significativamente, basta ver o relatório respeitante aos custos da saúde em Portugal no que se refere aos EPE’s; PREJUÍZO. Mas pergunto? Onde se tem gasto tanto dinheiro? Será má gestão dos recursos materiais e humanos?
Tem sido hábito em todas as instituições EPE’S, e não só, manter o número de enfermeiros abaixo do nível seguro e necessário. Propala-se aos ventos a qualidade da prestação dos cuidados de saúde dos quais os de Enfermagem são essenciais, mas mantêm-se as equipas de Enfermagem no fio da navalha , sujeitando os Enfermeiros a horários e a condições de trabalho miseráveis e desumanas.
Não só desrespeitam o direito dos Enfermeiros com a Lei. E fazem-no impunemente por falta de denúncia a quem de direito. A Ordem e os sindicatos.
Muitos dirão: “A Ordem e os sindicatos não fazem nada!", mas se as denúncias não lhes chegarem por email ou telefone , nada poderá ser feito e o tango continuará.
Diz o Artigo 124º da Lei 59/2008 que a entidade empregadora pública “deve observar o princípio geral da adaptação do trabalho ao homem, (…) em função do tipo de actividade e das exigências em matéria de segurança e saúde, em especial no que se refere às pausas durante o tempo de trabalho.
Ora em cada turno os enfermeiros têm direito 15 minutos de pausa a meio da manhã ou da tarde e a 30 minutos para o almoço e jantar. (Pausas Obrigatórias)
Alimentar o corpo é uma das necessidades básicas do ser humano, por isso é inadmissível que os enfermeiros não tenham condições que permitam reconstruir essas necessidades. Os enfermeiros têm de começar a exigir os direitos e a não se deixarem atropelar por arbitrariedades . É nas cedências pontuais que fazemos hoje, amanhã e depois que se perdem as garantias e os direitos e se transformam as ilegalidades em norma. Enquanto nós Enfermeiros continuarmos a andar com "a língua de fora" para cumprirmos o plano de trabalho na totalidade , sem olharmos para nós, estaremos sujeitos a maior exigência e a mais arbitariedades.
Os critérios especiais da definição do horário de trabalho estão no Artigo 134º da mesma Lei , que diz o seguinte:
1 - Na definição do horário de trabalho, a entidade empregadora pública deve facilitar ao trabalhador a frequência de cursos escolares, em especial os de formação técnica ou profissional.
2 - Na definição do horário de trabalho são prioritárias as exigências de protecção da segurança e saúde dos trabalhadores.
3 - Havendo trabalhadores pertencentes ao mesmo agregado familiar, a fixação do horário de trabalho deve tomar sempre em conta esse facto.
São prioritárias as exigências de protecção da segurança e saúde dos trabalhadores. Aqui estão incluídos o tipo de horário , o tipo de exigência de cumprimento do plano de trabalho , o tipo de actividade e sua penosidade , os tempos para formação , as pausas obrigatórias (Artigo 136 e 137).
Um comentador focou as prioridades na prestação dos cuidados de Enfermagem , pode ser e é uma boa ideia , mas tal não basta , porque os enfermeiros acabam por correr para tudo fazerem.
No hospital de Guimarães a urgência entupiu porque só havia três médicos, mas logo passaram a cinco. Quantos enfermeiros a mais colocaram ? ZERO. Porque fazem "das tripas coração" para que tudo seja feito mesmo com prejuízo dos seus direitos mais elementares. É tempo de dizer BASTA.
Quanto às enfermeiras chefes, que dispensam enfermeiros de um qualquer turno que acabam por ficar com “ horas negativas”, mesmo contra a vontade destes, só posso dizer que tal comportamento é ilegal porque nenhum chefe tem poder para proceder à "suspensão do contrato de trabalho" ou para "redução do horário de trabalho" . E é nisso que se traduz o reenvio do enfermeiro para casa. Tal situação não se coloca se houver concordância do trabalhador. E para facultar mais esclarecimento refiro o Artigo 135º da lei 59/2008 que diz:
1 - Não podem ser unilateralmente alterados os horários individualmente acordados.
2 - Todas as alterações dos horários de trabalho devem ser fundamentadas e precedidas de consulta aos trabalhadores afectados, à comissão de trabalhadores ou, na sua falta, à comissão sindical ou intersindical ou aos delegados sindicais e ser afixadas no órgão ou serviço com antecedência de sete dias, ainda que vigore um regime de adaptabilidade.
Artigo 136.º
Intervalo de descanso
A jornada de trabalho diária deve ser interrompida por um intervalo de descanso, de duração não inferior a uma hora nem superior a duas, de modo que os trabalhadores não prestem mais de cinco horas de trabalho consecutivo.
Embora o intervalo de descanso esteja alterado para a jornada contínua, está previsto , no mínimo , o intervalo necessário para a alimentação .
Os Enfermeiros não podem fazer tudo , com prejuízo da sua saúde, já que esta é um dos bens de elevado valor para qualquer ser humano, e enfermeiro não está excluído desta condição de humanidade.
Ora será que o trabalho dos enfermeiros não pode ser interrompido para usufruírem do que a lei prevê ?
Não percam direitos Colegas . DENUNCIEM ILEGALIDADES mesmo que pareçam insignificantes . Não se auto-flagelem…
por Margarida Barros
2º
A total insatisfação com o nosso trabalho;
A terrível sensação de que algo ficou por fazer aos doentes;
A sensação de Impotência para responder às solicitações;
O sentimento de incapacidade para resolver os problemas e intervir para criar uma dinâmica de mudança…
Todos estes sentimentos têm origem no meio de nós!
Sem dúvida que os enfermeiros com funções de direcção (sejam eles chefes, supervisores ou directores) são o eixo e a origem da actual situação mas não podemos negligenciar os contributos diários de todos os outros enfermeiros (prestadores de cuidados de enfermagem) para o cimentar do edifício concebido e estruturado pelos primeiros.
Alguém comentava que enquanto um Director de Serviço (médico) ou um Director Clínico (médico) nunca imporá condições de trabalho para a classe médica abaixo de um determinado limite porque mais tarde ou mais cedo (quando deixar de ser director) irá trabalhar com e nas condições que criou. Ou melhor, ele já trabalha no dia-a-dia nas condições por si criadas (seja na urgência, na UCI, no BO, nos Intermédios, no Internamento, na Consulta, etc.).
Na enfermagem é o oposto. Seja ele Enfermeiro Director, seja Enfermeiro Chefe, seja Enfermeiro Supervisor, sabe que por mais que degrade as condições do exercício da profissão, por pior ambiente de trabalho que exista, por mais instabilidade individual ou colectiva (equipa) que exista, SABE QUE NUNCA IRÁ PRESTAR CUIDADOS NESSAS CONDIÇÕES, aturar doentes insatisfeitos, doentes em sofrimento e sem capacidade para responder às suas necessidades, familiares angustiados ou implicativos devido á incapacidade do enfermeiro em responder às suas solicitações. Graças a uma carreira que diferencia a gestão de cuidados da sua prestação e as torna estanquem uma da outra.
Contou num dia deste um médico que certo dia um director de serviço entra no gabinete da enfermeira chefe e solicita o apoio de uma enfermeira para realizar um procedimento a um doente. A enfermeira chefe diz que não podia disponibilizar ninguém porque já faltava uma enfermeira e estavam todas ocupadas. O director de serviço disse-lhe “ Minha Sr.ª, eu sou Director de Serviço, fiz urgência esta noite, vou ver doentes na consulta e vou fazer uma série de exames a doentes,… eu sou médico.” Após uma pausa continuou: “ A Sr.ª… é … Enfermeira!”
!!! Ponto paragrafo !!!
Há tempos contava-me um(a) Enfermeiro(a) Chefe que nas reuniões da Direcção de Enfermagem era habitual referirem-se aos enfermeiros da prestação de cuidados por:
“Eles isto…”; “Eles aquilo…”; “Eles querem assim…”; “Eles vão…”
Eu prefiro falar em NÓS. Nós todos os enfermeiros independentemente da categoria.
E NÓS nos últimos anos fomo-nos vendendo e vendendo a profissão aos pouco e poucos;
Vendemo-nos pelo horário acrescido e por umas horas extraordinárias;
Vendemo-nos por um horário que permitisse acumular na clínica, na fábrica, na escola, no particular;
Vendemo-nos pelo SIGIC;
Vendemo-nos para não mudar de serviço durante o complemento, ou durante a especialidade ou pós-graduação;
Vendemo-nos para ficar mais “amigos” da chefia e termos a vida “facilitada”;
Vendemo-nos para evitar chatices com os dirigentes;
Vendemo-nos para mostrar que somos melhores e que fazemos melhor que o dirigente que esteve lá antes;
Vendemo-nos para manter o posto;
Vendemo-nos sem olhar às consequências dos nossos actos para a profissão e para os colegas.
A ENFERMAGEM SÓ SE PODE QUEIXAR DOS ENFERMEIROS.
E EU SÓ ME POSSO QUEIXAR DE MIM MESMO POR NÃO TER ACTUADO QUANDO DEVIA
PDSE: bem haja!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Missão sorriso - S. Pediatria ULSAM
Em 2009 estão a concurso 27 projectos oriundos de Hospitais Pediátricos, Maternidades ou Hospitais com serviço de Pediatria e/ou Obstetrícia
Este ano, a Missão Sorriso, convida a população a votar no projecto apresentado pelo hospital da sua localidade.
Toda a População Pediátrica do Alto Minho, isto é, cerca de 44.000 crianças e jovens, que são os utentes do Serviço de Pediatria do Hospital de Santa Luzia.
OBJECTIVO
Remodelar o Serviço de Internamento de Pediatria, de modo a criar condições para que as crianças e adolescentes fiquem internadas por grupos etários, num ambiente mais seguro e confortável. Transformar as enfermarias em quartos com um máximo de duas camas e instalações sanitárias privativas. Climatização de todo o Serviço, melhorando o bem-estar dos doentes, e criando condições mais favoráveis à cura. Criar espaço lúdico para os jovens (até aos 18 anos) internados, independente do dos mais pequenos.
Vamos ajudar este projecto a vencer!
Há 27 projectos em concurso, mas só 5 serão contemplados.
Para votar basta "clicar" no link
Precisamos da ajuda de todos os amigos!!!!!!
Vamos fazer com que a região do ALTO MINHO tenha melhores cuidados Pediátricos.
domingo, 29 de novembro de 2009
O novo quê??!!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Ganhem juízo!!

sábado, 14 de novembro de 2009
O padrinho

domingo, 8 de novembro de 2009
Que cara é essa?!

Começo a ficar preocupado com a minha cara. Ultimamente, quando sou abordado, por diferentes motivos, em ambiente de trabalho, as pessoas queixam-se da minha cara ou expressão. Costumam dizer:
Que cara é essa?!
Estás com má cara!
Que sisudo!
Tás chateado comigo?!
Acho que é razão para ficar preocupado. Será sinal de envelhecimento? Será sinal de stress? Será que sou assim tão feio?! Será que me estou a tornar intolerante, antipático? Será que devo consultar um psiquiatra? Será do Guaraná?!
Se houver alguém que entenda da matéria, peço uma ajudinha, por favor.
Obrigado
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Nervos à flor da pele

| Acho: |
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Um enfermeiro ateu

A melhor forma que encontrei para dissecar a religião foi contrapor os seus prós e contras, analisando o seu reflexo nos povos. Nada mais poderia fazer, porque só fiz a primeira comunhão, portanto nem sei o que fez o Caim, nem sei quem era o Abel, nem muito menos o Moisés. Estou mais interessado na obra dos nossos Nobels da Medicina e literatura, ou na obra do Eusébio e do Johann Cruyff.
Encontrei a síntese ideal para a minha teoria, numa frase proferida por Saramago, na célebre entrevista com Judite de Sousa, que ao citar Hans Küng, um teólogo suíço, encontrou forma de complementar a sua tese ateísta: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros “. É a grande verdade… Ou melhor, o seu oposto é uma grande mentira - as religiões serviram sempre para aproximar os seres humanos uns dos outros. Como diria um blogista que visitei agora mesmo, o mundo seria muito mais pacífico se todos fossem ateus.
Deixo-vos com a tabela que a meu ver, expõe os aspectos positivos e negativos da religião. De um lado a fé, como se costuma dizer, a fé move montanhas, é capaz de impulsionar o individuo, gerar optimismo e capacidade de enfrentar problemas da vida, tanto nos crentes como não crentes. Por exemplo, eu tenho fé que o Benfica ganhe a Liga Europa, mas não sou crente.Por outro lado temos os aspectos negativos e só os mais ingénuos é que terão dúvidas sobre esta conclusão. É evidente que todo o ódio, guerras, etc.. não são unicamente inteira responsabilidade da religião, mas também o são.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Foi comprar cigarros e nunca mais voltou...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Morangos com pimenta
Assusta-me pensar como serão as nossas crianças/adolescentes no futuro. Liga-se a televisão, vemos desenhos animados parvos e violentos (que é feito das Aventuras de Tom Sawyer, do Dartacão, da Alice no país das Maravilhas e do Benji e Oliver?!); séries tipo CSI's, NCIS's e outras que tais, onde o crime é o cenário principal (volta MacGyver, que saudades!); Concursos musicais género Ídolos e Nasci pra cantar ou Só um pode ganhar, onde se apresenta o mundo virtual da fama aos principais alvos, crianças e jovens, sedentos de protagonismo e afirmação (volta Bota Botilde, estás perdoada!) e por último temos o ex libris da parvoíce da televisão nacional, a novela Morangos com açucar, que já lá vai na 8ª ou 9ª série e promete ir para a 47ª ou mais, onde os putos são malcriados com os pais e entre eles, comem fastfood e os melhor sucedidos, nesse vazio conto, são aqueles que são mais bonitos, têm mais pinta e sabem cantar ou dançar, (já não se produzem novelas tipo, Meu pé de laranja lima, Roque Santeiro e Tiêta do Agreste). Aii a Tiêta.. Tiêta do Agreste, Lua cheia de tesão, É lua, estrela, nuvem, Carregada de paixão.. ops, desculpem já estava a cantarolar.
Bom adiante, mas perguntam vocês o que é que isto tem a ver com enfermagem??! Tem tudo.. cabe ao enfermeiro proporcionar uma boa saúde infantil, e como tal, educar, principalmente os pais, encontrando alternativas ao lixo da TV nacional (salvo raras excepções). Como estamos na época do download, que saquem As Aventuras do Tom Sawyer, olha eu vou fazê-lo.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O senhor que esperava por otorrino

Foi um pequeno desabafo, o que me traz aqui nem é isso, voltando atrás.
O senhor Jorge tinha chegado às 9h, tal como lhe tinha sido indicado no dia anterior. Nesse mesmo dia anterior também esperava por otorrino e esperou… todo o dia. Fazia parte daqueles doentes que são encostados, atirados para o esquecimento. Doentes que chegam para uma especialidade que não está presente ou até nem sequer escalada, ficando assim atribuídos a uma outra que está em presença física e que pouco ou nada se vai interessar. Justo será mencionar que o excessivo volume de doentes neste (e outros) Serviço de Urgência agrava esta situação, pois os profissionais de saúde dificilmente conseguem atender aqueles utentes que estão sob a sua responsabilidade directa, quanto mais os outros. Foi outro pequeno desabafo, continuarei com a história que me fez meditar.
O senhor Jorge tinha cancro da laringe, o que consequentemente lhe provocava uma alteração de imagem. O que me despertou atenção e o sentido de reflexão, foi a sua evidente serenidade, como vos disse, esperava por otorrino há já um total de 24 horas, eu repito, 24 horas de espera e continuava sentado no corredor apinhado, com o olhar distante e de aparente indiferença ao seu infortúnio e espera prolongada. Parecia esse mesmo pescador tranquilo no paredão sob o reconfortante pôr-do-sol, aguardando paciente, o morder do anzol.
Agora questiono-me, porque outros de saúde plena, chamam uma ambulância sem necessidade, exigem atendimento imediato e destabilizam o ambiente pelo gosto do protesto sem razão?!
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
I Aniversário pddse

Espero por vós aqui e sempre. Parafraseando Santana, andarei por aí...
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Opiniões II - A crise na Enfermagem

terça-feira, 6 de outubro de 2009
Curtas estapafúrdias

Doutor tenho comichão pelo corpo todo
Minha senhora, vá para casa coçar-se e volte amanhã.
O Sr. Fonseca está pior, está com mais falta de ar.
(Resposta imaginada por mim - Não... é só urgente, urgente. Urgente, urgente, urgente, é demasiadamente urgente para o caso. Urgente quatro vezes é mesmo mesmo urgente e urgente cinco vezes é quando já não vale a pena fazer nada, porque já é tarde).
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
o perdedor que venceu
Pela sondagem no pddse, o Bloco de esquerda ganharia com maioria absoluta. Em vez disso temos uma maioria relativa de um partido liderado por um vendedor, (sem desprimor pelos vendedores) onde são mais os maus do que os bons políticos. Deixo-vos com a análise de um entendido na matéria e com um vídeo delicioso. Agora cada qual faça a sua análise
O perdedor que venceu
por Baptista-Bastos
A "extraordinária vitória" do PS, proclamada pelo secretário-geral do partido, não assegura uma identidade "socialista". Coloquemos a euforia em formol, paremos um pouco para pensar, e verificaremos, assim, que o vencedor é refém da fluidez da sua vitória. O reordenamento parlamentar, com as subidas (essas, sim, extraordinárias) do Bloco e do CDS, causam uma dependência política do PS, sob uma espécie de dupla imposição, incapaz de afrouxar pela própria índole daqueles dois partidos. Não auguro nada de bom, para todos nós, nos próximos tempos.
O PSD está esfrangalhado. Não é de agora. Depois dos intermezzos cómicos de Durão e de Santana, Luís Filipe Menezes tentou conciliar o partido com o respeito por si mesmo. Menezes é um homem culto, lido, cortês, que procurou, na prática, ter em conta as "sensibilidades" do PSD e, acaso, restitui-lo à matriz inicial. Foi dizimado, entre outros, por Pacheco Pereira, para quem a convivência política torna-se num impedimento a suprimir. Com a derrota do PSD, o Pacheco é, por sua vez, olhado de viés, e os ajustes de contas não tardarão. Que faz correr, e ter atitudes intelectualmente reprováveis, este homem calculado, gelado e inteligente? O atabalhoamento com que tenta atenuar a derrota da sua estratégia chega a ser uma piada cruel, como abundantemente ficou demonstrado anteontem, na SIC-Notícias, no encontro com Pedro Silva Pereira.
Manuela Ferreira Leite, católica, antiga e distante, foi, de repente, colocada à frente de um partido cujas características variam, por ausência total de ideologia e excesso de ressentimentos. Dois terços do PSD não a tomavam a sério. O outro terço bajulava-a sem convicção. Uma fatia larga da vitória do PS deve-se à sua total incapacidade de criar laços e ao canhestro das suas proposições; não propostas, proposições.
Este imenso cenário está montado numa extraordinária bizarria do sistema. Vejamos: todos os partidos aumentaram de deputados, incluindo o PSD. O PS, o único que perdeu em votos e em parlamentares, foi, afinal de contas, o vencedor.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Faz-me espécie...

Chegou o Robin dos Hospitais!

