domingo, 29 de novembro de 2009

O novo quê??!!


Há dias, foi publicado na revista Sábado um ranking dos melhores hospitais do país. Será importante frisar o "um ranking" e não o ranking. A classificação foi a seguinte:
1º CH Lisboa Norte
2º Hospital S. João - Porto
3º Hospital Universidade de Coimbra
4º Hospital S. Teotónio - Viseu
5º CH Cova da Beira - Covilhã
6º CH Coimbra
7º IPO Lisboa
8º CH Alto Minho - Viana do Castelo
9º CH Lisboa Ocidental
10º Hospital da Feira - S.ta Mª da Feira
Depois também se estabeleceram rankings por áreas, a de traumatismos e lesões acidentais saiu nessa edição. Outras se seguirão,
1º Hospital S. Teotónio - Viseu
2º Hospital Amadora Sintra
3º Unidade Local Saúde Guarda
4º CH Tâmega-Sousa
5º CH Alto Minho - Viana do Castelo
A minha primeira reacção traduziu-se por uma sensação ambígua, se por um lado satisfeito por ver o Hospital onde trabalho, o hospital do meu distrito (Viana), no top ten nacional, por outro, fiquei com dúvidas quanto à credibilidade dos critérios de avaliação, pois apesar de achar que temos (algumas) boas equipas, este hospital está longe, na minha opinião, de ser considerado uma referência... ou então o país anda mesmo muito mal servido.
Depois a credibilidade que vejo nestes dados continuou em queda, após a segunda classificação, a dos traumatismos e lesões acidentais. 5º lugar para CH Alto Minho??! Agora é que ponho mesmo em dúvida os critérios utilizados.
Depois fui pesquisar um pouco mais e encontrei no DE pormenores da reportagem que os jornalistas da Sábado fizeram num hospital de Lisboa e assim desacreditei de vez neste ranking. Em linhas gerais dão o completo protagonismo aos médicos (*), elevando-os a seres iluminados, atirando mais uma vez os enfermeiros para o ridículo. Não acreditam?! Então cliquem na carta publicada no DE e fiquem a conhecer todos os pormenores desta triste reportagem da Sábado.


(*) Não me julguem frustrado, ou invejoso por dizer que estão a atribuir completo protagonismo aos médicos. Apenas o refiro porque não tolero ingratidão e muito menos injustiça. O que sempre defendi é que, os médicos têm o seu protagonismo, os enfermeiros têm o seu e os auxilares também o têm. Todos, numa equipa multidisciplinar têm o seu protagonismo. Ahhh mas os médicos é que decidem e tomam as atitudes que salvam vidas! Dirão alguns. Aos quais eu antecipo-me na resposta, Claro que sim! E os enfermeiros também.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ganhem juízo!!


Consta para os lados do Hospital de Viana que por lá há enfermeiros de 1ª e de 2ª categoria... (Será uma nova carreira??)
Constou-se também que enfermeiros de um determinado serviço estavam a "anos luz" dos de outro serviço??!! Sim!! Não estou a brincar... Podia ser um exagero de um ou de outro... mas não, foi mesmo verdade, pois a novidade foi noticiada por vários e difundiu-se à mesma velocidade que o H1N1 se propaga! (por falar de h1n1.. onde é que ele anda esse malandro?!).
E depois também se falou que o facto de alguns colegas saírem tarde e a más horas do serviço, deve-se unicamente à sua própria desorganização de trabalho... a enfermeiros desorganizados... Ufff.. já estou com opressão torácica, a minha angina de peito já está a disparar... é que injustiças e "machadadas" nas costas é coisa que o Robin não tolera... Mas que merda é esta??!! Andamos a trabalhar que nem bestas e depois cospem-nos na cara??! Pedem-nos para falarmos na essência dos cuidados de enfermagem e depois quando se diz que não há almofadas para pôr aos doentes, já não estamos a falar em cuidados de enfermagem??! Então estamos a falar de quê porraaaaa??!!
Zelamos pelo bem-estar do doente, temos mais doentes sob a nossa responsabilidade do que aqueles que devíamos, temos "papelada e mais papelada" para tratar, andamos a 200 à hora, saímos tarde e mal para tentar passar um turno decente ao colega e depois dizem-nos que só saímos tarde porque fomos desorganizados??!! Por favor... tenham respeito... o mínimo de respeito... para não dizer mesmo, não me f...dam! Um enfermeiro poderá ser desorganizado, mas serão todos??!! Não será o próprio serviço que estará desorganizado?? E quem são os responsáveis máximos de enfermagem pela desorganização dos serviços??! Sim, porque quando um enfermeiro sai meia hora mais tarde é porque perdeu uma hora a fazer algo que não será da sua competência... poderia deixar aqui uma lista dessas acções, mas deixava isso para um colega aventureiro que me acompanhasse neste meu desafogo... Mas afinal o que se passa nestas mentes captas? Será do H1N1?! É o flagelo na enfermagem atacam-se uns aos outros quando devíamos era atacar os que estão no topo, exigindo melhores condições de trabalho...

sábado, 14 de novembro de 2009

O padrinho


Lembram-se da HELPO?! (ver o post aqui ).
Há já alguns meses que me tornei padrinho. Não! Não sou um padrinho qualquer, não sou padrinho de nenhuma criança que tem tudo ao seu dispor, não sou padrinho para dar prendas inúteis nas páscoas e afins. Sou padrinho do Pedro (foto), dou o meu pequeno/grande contributo para melhorar alguma coisa útil - a sua educação. Quem sabe um dia o Pedro não se tornará professor ou um "Pedro Mantorras", como é seu desejo. E tu? Já és padrinho/madrinha? (Entra pro IRS)

domingo, 8 de novembro de 2009

Que cara é essa?!


Começo a ficar preocupado com a minha cara. Ultimamente, quando sou abordado, por diferentes motivos, em ambiente de trabalho, as pessoas queixam-se da minha cara ou expressão. Costumam dizer:
Que cara é essa?!
Estás com má cara!
Que sisudo!
Tás chateado comigo?!

Acho que é razão para ficar preocupado. Será sinal de envelhecimento? Será sinal de stress? Será que sou assim tão feio?! Será que me estou a tornar intolerante, antipático? Será que devo consultar um psiquiatra? Será do Guaraná?!
Se houver alguém que entenda da matéria, peço uma ajudinha, por favor.

Obrigado

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nervos à flor da pele


Passou há dias uma reportagem na RTP 2 sobre um tema que eu acho que devemos estar atentos e que já por algumas vezes se falou no pddse - Burnout ou sindrome exaustão. Vejam a reportagem, está muito interessante, na minha opinião. Cliquem no seguinte link - Nervos à flor da pele

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Um enfermeiro ateu


Após a controvérsia lançada pelo livro de Saramago, surgiu o mote para reflectir sobre um tema nunca antes falado, talvez por me sentir inseguro ou relutante, talvez pela complexidade do assunto – a religião.
A melhor forma que encontrei para dissecar a religião foi contrapor os seus prós e contras, analisando o seu reflexo nos povos. Nada mais poderia fazer, porque só fiz a primeira comunhão, portanto nem sei o que fez o Caim, nem sei quem era o Abel, nem muito menos o Moisés. Estou mais interessado na obra dos nossos Nobels da Medicina e literatura, ou na obra do Eusébio e do Johann Cruyff.

Nunca li a bíblia (apesar de, desde há algum tempo, ter alguma curiosidade), prefiro a FHM e não sei qual o papel do papa, ou se o terá, prefiro estar mais interessado no papel da Ministra da saúde.
Encontrei a síntese ideal para a minha teoria, numa frase proferida por Saramago, na célebre entrevista com Judite de Sousa, que ao citar Hans Küng, um teólogo suíço, encontrou forma de complementar a sua tese ateísta: “As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros “. É a grande verdade… Ou melhor, o seu oposto é uma grande mentira - as religiões serviram sempre para aproximar os seres humanos uns dos outros. Como diria um blogista que visitei agora mesmo, o mundo seria muito mais pacífico se todos fossem ateus.
E tu, o que é que tens a dizer sobre isto? A religião é importante para a tua vida profissional e pessoal? A religião e enfermagem deveriam ser inseparáveis? O enfermeiro deverá delinear a sua linha de actuação, o seu método, baseado na religião? Deixo-vos com a tabela que a meu ver, expõe os aspectos positivos e negativos da religião. De um lado a fé, como se costuma dizer, a fé move montanhas, é capaz de impulsionar o individuo, gerar optimismo e capacidade de enfrentar problemas da vida, tanto nos crentes como não crentes. Por exemplo, eu tenho fé que o Benfica ganhe a Liga Europa, mas não sou crente.
Por outro lado temos os aspectos negativos e só os mais ingénuos é que terão dúvidas sobre esta conclusão. É evidente que todo o ódio, guerras, etc.. não são unicamente inteira responsabilidade da religião, mas também o são.
Passei 3 noites a tentar perceber como colocar uma tabela no blog de forma simples, por isso ao menos dêem uma vistinha de olhos, ok?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Foi comprar cigarros e nunca mais voltou...


Parece um título do Jornal O crime, mas não. Trata-se da realidade no Hospital de Viana. Temos um digníssimo médico que muitas vezes, em serviço, lembra-se de passar do estado sólido a gasoso, ou seja, tem a invulgar capacidade de se evaporar, de desaparecer em serviço. Há relatos fidedignos que asseguram que vai prestar serviço(s) para outras freguesias e noutros departamentos. Questiono se os responsáveis não têm conhecimento da situação, ou fingem não ter??! Alguém que me esclareça p.f.
Obrigado.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Morangos com pimenta




Assusta-me pensar como serão as nossas crianças/adolescentes no futuro. Liga-se a televisão, vemos desenhos animados parvos e violentos (que é feito das Aventuras de Tom Sawyer, do Dartacão, da Alice no país das Maravilhas e do Benji e Oliver?!); séries tipo CSI's, NCIS's e outras que tais, onde o crime é o cenário principal (volta MacGyver, que saudades!); Concursos musicais género Ídolos e Nasci pra cantar ou Só um pode ganhar, onde se apresenta o mundo virtual da fama aos principais alvos, crianças e jovens, sedentos de protagonismo e afirmação (volta Bota Botilde, estás perdoada!) e por último temos o ex libris da parvoíce da televisão nacional, a novela Morangos com açucar, que já lá vai na 8ª ou 9ª série e promete ir para a 47ª ou mais, onde os putos são malcriados com os pais e entre eles, comem fastfood e os melhor sucedidos, nesse vazio conto, são aqueles que são mais bonitos, têm mais pinta e sabem cantar ou dançar, (já não se produzem novelas tipo, Meu pé de laranja lima, Roque Santeiro e Tiêta do Agreste). Aii a Tiêta.. Tiêta do Agreste, Lua cheia de tesão, É lua, estrela, nuvem, Carregada de paixão.. ops, desculpem já estava a cantarolar.

Bom adiante, mas perguntam vocês o que é que isto tem a ver com enfermagem??! Tem tudo.. cabe ao enfermeiro proporcionar uma boa saúde infantil, e como tal, educar, principalmente os pais, encontrando alternativas ao lixo da TV nacional (salvo raras excepções). Como estamos na época do download, que saquem As Aventuras do Tom Sawyer, olha eu vou fazê-lo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O senhor que esperava por otorrino


Nota prévia: Convém mais uma vez relembrar que esta e todas as outras histórias/crónicas são baseadas em factos reais e que todos os nomes nelas contidos são fictícios. Isto para não se pôr em causa questões de sigilo profissional, como de forma injusta e injustificável se mencionou num anterior comentário. Será importante realçar que esta e todas as outras histórias nunca têm como objectivo denegrir a imagem de quem quer que seja, (muito menos a dos utentes). Apenas pretendem alertar e consciencializar o leitor para situações de funcionamento inadequado, neste caso, dos serviços de saúde. Todos sabemos que os mesmos dificilmente serão perfeitos, mas podemos tentar que sejam cada vez melhor. Se qualquer uma destas histórias contribuir de alguma forma para isso, tanto melhor.
Acabou o turno, saio desgastado após triar 207 utentes. Triar é um trabalho mecanizado, de rápida sistematização, comparável ao de um operário fabril. Às vezes, quando vejo chegar as “fichas” em catadupa, penso, maldita a hora que a triagem foi atribuída aos enfermeiros, mas tenho que reconhecer que é útil e que os enfermeiros serão os mais aptos para tal.
Foi um pequeno desabafo, o que me traz aqui nem é isso, voltando atrás.
Acabou o turno, passo em passo rápido pelo corredor, olho para o lado e reparo com surpresa e comoção no senhor que esperava por otorrino.
O senhor Jorge tinha chegado às 9h, tal como lhe tinha sido indicado no dia anterior. Nesse mesmo dia anterior também esperava por otorrino e esperou… todo o dia. Fazia parte daqueles doentes que são encostados, atirados para o esquecimento. Doentes que chegam para uma especialidade que não está presente ou até nem sequer escalada, ficando assim atribuídos a uma outra que está em presença física e que pouco ou nada se vai interessar. Justo será mencionar que o excessivo volume de doentes neste (e outros) Serviço de Urgência agrava esta situação, pois os profissionais de saúde dificilmente conseguem atender aqueles utentes que estão sob a sua responsabilidade directa, quanto mais os outros. Foi outro pequeno desabafo, continuarei com a história que me fez meditar.
O senhor Jorge tinha cancro da laringe, o que consequentemente lhe provocava uma alteração de imagem. O que me despertou atenção e o sentido de reflexão, foi a sua evidente serenidade, como vos disse, esperava por otorrino há já um total de 24 horas, eu repito, 24 horas de espera e continuava sentado no corredor apinhado, com o olhar distante e de aparente indiferença ao seu infortúnio e espera prolongada. Parecia esse mesmo pescador tranquilo no paredão sob o reconfortante pôr-do-sol, aguardando paciente, o morder do anzol.
Agora questiono-me, porque outros de saúde plena, chamam uma ambulância sem necessidade, exigem atendimento imediato e destabilizam o ambiente pelo gosto do protesto sem razão?!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

I Aniversário pddse


13 de Outubro de 2008... como se costuma dizer, parece que foi ontem. A nossa página de reflexão, crítica e enterteiner já faz 1 ano, o nosso blog está de parabéns! O balanço transcende aquilo que eu alguma vez imaginaria, o que se iniciou por uma brincadeira, tornou-se, pelo menos para mim, um saudável vício. Sem a vossa presença e colaboração, isto não faria qualquer sentido, mas pelos vistos constituiu-se um sentido com destino, tal como a própria descrição do pddse predestinava.
Um abraço a todos e obrigado!!
Espero por vós aqui e sempre. Parafraseando Santana, andarei por aí...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Opiniões II - A crise na Enfermagem



A Enfermagem atravessa uma crise de identidade, ou se quiserem um deserto, que tem na sua base uma OE obsoleta, desconectada da realidade, onde promove acções de formação sobre a importância do aleitamento a crianças de 4 anos, em vez de gestantes!
A Lei sobre a Educação Sexual das Escolas já saiu, mas não está definido quem a fará, mas a OE em vez de defender que devem ser os Enfermeiros, mais se alheia à tomada de uma posição. Logo não faltará no futuro elementos NÃO ENFERMEIROS a reivindicar a Promoção da saúde como sendo sua!
Incentivem os Enfermeiros a aconselhar os utentes, que para sua segurança não devem fazer pensos ou injectáveis nas farmácias!
Revoltem-se contra o facto dos técnicos de laboratório estarem a fazer colheitas de sangue, usurpando dessa forma as nossas funções!
Denunciem o facto dos técnicos de Rx administrarem corticóides por via EV, aquando da realização de TACs com contraste.
REFLICTAM sobre o número de Enfermeiros que todos os anos se formam a nas Escolas a GRANEL.
Reflictam sobre o desemprego que reina na classe e sobre a EXPLORAÇÃO a que são sujeitos os recém-formados!
ENFIM ACORDEM PARA A REALIDADE
Por um anónimo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Curtas estapafúrdias


Nota: Qualquer semelhança com anedota é pura coincidência. Baseadas em factos verídicos.
Na Triagem...
O enfermeiro questiona D. Florinda que, por sua vez, ouvia muito mal.
Boa noite! Então de que se queixa?
Dói-me o peito, Sr. Enfermeiro.
Dói-lhe o peito!? Certifica-se.
Nada feito?! Returque admirada
Também na triagem...
Sr. António o que o trouxe cá?
A mota Sr. Enfermeiro.
A descrição ao detalhe... ainda na triagem
Sr. Enfermeiro, na 6ª feira ia na carreira da Auto Viação Minho, o condutor era o Sr. Mário, caí no 2º degrau ao descer, estou toda dorida, dói-me o peito, o braço direito e as duas pernas... E o homem nem sequer se levantou para me ajudar.
Na consulta...
Doutor tenho comichão pelo corpo todo
Minha senhora, vá para casa coçar-se e volte amanhã.

Ao telefone...
O Sr. Fonseca está pior, está com mais falta de ar.
Mas é urgente, urgente, urgente?
(Resposta imaginada por mim - Não... é só urgente, urgente. Urgente, urgente, urgente, é demasiadamente urgente para o caso. Urgente quatro vezes é mesmo mesmo urgente e urgente cinco vezes é quando já não vale a pena fazer nada, porque já é tarde).
No internamento...
Dona Assunção vá lá baixo à urgência ter com a Drª Ana Lisa para assinar estas requisições.
Passados longos minutos...
Srª Enfermeira ando farta de perguntar mas ninguém me sabe dizer onde anda essa Doutora analista.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

o perdedor que venceu


Pela sondagem no pddse, o Bloco de esquerda ganharia com maioria absoluta. Em vez disso temos uma maioria relativa de um partido liderado por um vendedor, (sem desprimor pelos vendedores) onde são mais os maus do que os bons políticos. Deixo-vos com a análise de um entendido na matéria e com um vídeo delicioso. Agora cada qual faça a sua análise

O perdedor que venceu
por Baptista-Bastos

A "extraordinária vitória" do PS, proclamada pelo secretário-geral do partido, não assegura uma identidade "socialista". Coloquemos a euforia em formol, paremos um pouco para pensar, e verificaremos, assim, que o vencedor é refém da fluidez da sua vitória. O reordenamento parlamentar, com as subidas (essas, sim, extraordinárias) do Bloco e do CDS, causam uma dependência política do PS, sob uma espécie de dupla imposição, incapaz de afrouxar pela própria índole daqueles dois partidos. Não auguro nada de bom, para todos nós, nos próximos tempos.
O PSD está esfrangalhado. Não é de agora. Depois dos intermezzos cómicos de Durão e de Santana, Luís Filipe Menezes tentou conciliar o partido com o respeito por si mesmo. Menezes é um homem culto, lido, cortês, que procurou, na prática, ter em conta as "sensibilidades" do PSD e, acaso, restitui-lo à matriz inicial. Foi dizimado, entre outros, por Pacheco Pereira, para quem a convivência política torna-se num impedimento a suprimir. Com a derrota do PSD, o Pacheco é, por sua vez, olhado de viés, e os ajustes de contas não tardarão. Que faz correr, e ter atitudes intelectualmente reprováveis, este homem calculado, gelado e inteligente? O atabalhoamento com que tenta atenuar a derrota da sua estratégia chega a ser uma piada cruel, como abundantemente ficou demonstrado anteontem, na SIC-Notícias, no encontro com Pedro Silva Pereira.
Manuela Ferreira Leite, católica, antiga e distante, foi, de repente, colocada à frente de um partido cujas características variam, por ausência total de ideologia e excesso de ressentimentos. Dois terços do PSD não a tomavam a sério. O outro terço bajulava-a sem convicção. Uma fatia larga da vitória do PS deve-se à sua total incapacidade de criar laços e ao canhestro das suas proposições; não propostas, proposições.
Este imenso cenário está montado numa extraordinária bizarria do sistema. Vejamos: todos os partidos aumentaram de deputados, incluindo o PSD. O PS, o único que perdeu em votos e em parlamentares, foi, afinal de contas, o vencedor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Faz-me espécie...


Às vezes penso que estamos a sofrer as consequências dos tempos das vacas gordas. Temos enfermeiros com anos consideráveis de serviço que ganham para cima de 4000 euros, por outro lado, temos enfermeiros com alguns anos de serviço que ganham para baixo de 900 euros, (tendo em conta que, na maioria dos casos, este último trabalha mais, tem mais responsabilidade e mais risco).
Outra coisa que me faz espécie são as ginásticas das chefias...
Ora agora vais chefiar o Bloco, depois, porque aquele senhor doutro quer, vais chefiar a Consulta externa, agora é melhor saíres da Consulta externa, porque parece mal, já lá há muitos chefes.
Ok boss..
Também há um serviço, se assim o poderei chamar, onde temos um enfermeiro chefe a chefiar um enfermeiro... imagino a complicação para fazer o horário e incutir dinâmicas de grupo. Depois temos a variante de um serviço com um enfermeiro chefe a chefiar zero enfermeiros. Ou seja, é um serviço onde o enfermeiro faz a coordenação... dele próprio. Também havia um célebre serviço onde coabitavam dois enfermeiros chefes para uma equipa, mas depois optaram pelo remendo mais acessível, dividir a equipa em duas, para assim encaixar as chefias. Por último, lá a beira lethes, temos o inverso, um enfermeiro chefe a chefiar duas equipas, constituindo-se assim um ser omnipresente. Tudo é possível, basta querer... e poder.

Chegou o Robin dos Hospitais!



Há um novo autor neste blog! Apelida-se de Robin dos Hospitais. Já alguns posts tinham sido publicados em seu nome, enviados para o meu email. Em jeito de comemoração do 1º aniversário do pddse, achei que devia torná-lo colaborador. Brevemente nas bancas um post da sua autoria. Promete...
Consulta o seu perfil na barra lateral "Quem é o Guilherme de Carmo, e já agora quem é o Robin dos Hospitais" e fica a conhecê-lo melhor. Não te esqueças... também tu poderás ser um colaborador, só é preciso originalidade, acutilância e pertinência.

sábado, 26 de setembro de 2009

Manifestação silenciosa - Enfº não vota PS


Os colegas de Ponte de Lima estão de parabéns. Foram poucos mas bons. Triste foi passarem por lá alguns e virarem a cara

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Carreira, manifestação e política


... e a história continua, adiamento, reunião, retrocesso, manifestação.... e por aí adiante. Está mais que comprovado que o MS goza com os enfermeiros e trata-os com uma indiferença desmesurada.
Dou uma passagem pelos diversos comentários do blog doutor enfermeiro e desacredito cada vez mais na nossa capacidade em encontrar saída para este buraco, onde enfermagem se está a afundar. Vejo a maioria revoltada, furiosa com sindicatos, contra as formas de luta, (neste caso manifestações) e questiono-me, Porquê? Por que se revoltam contra as formas de luta, contra os sindicatos e não se revoltam contra o governo, mostrando a indignação.

E como se mostra a indignação?! A história prova-nos que é com manifestações, com a revolta na rua, diante do povo. Mas não... os enfermeiros são finos de mais, são chiques de mais para irem a manifestações, fica mal andar a gritar e a levantar bandeiras.
Claro que as greves são fundamentais, mas, lembrem-se disto colegas, para o povo, que é aquele que devemos ter como aliado, a manifestação é o maior sinal de injustiça. Mais uma vez vejam os professores e tantos outros exemplos, neste e noutros países, onde as classes saíram para a rua em massa e os governos tremeram e até ruíram. Imaginem uma manifestação de enfermeiros em larga escala!
Já há semanas, houve uma "campanha" anti PS pela blogsfera: "Enfermeiro não vota PS". Eu não quero acreditar que haja enfermeiros que o façam, que continuem a confiar na política que pisou esta e outras classes de trabalhadores, mais concretamente dentro da FP.
Eu não iniciarei campanha nenhuma, cada qual votará conforme os seus ideais, mas se de alguma forma vos ajudar com a alguma suposta indecisão e se vos interessar, deixo a minha preferência.
Eu cá votarei Bloco de Esquerda, e faço-o porque acredito no seu líder. Claro que os políticos são um pouco como os bancários, aliciar é com eles, mas na hora do aperto são como lobos, é sempre preciso ter o pé atrás. Mesmo assim, vejo o Louça como alguém inteligente, justo e com coragem, o único que, para mim, poderá constituir a solução dentro do vazio que nos apresentam.
O BE será o único partido com referências concretas a enfermagem, nos seus programas: Gestão das unidades do SNS: administradores seleccionados por concurso e directores técnicos por eleição dos respectivos corpos profissionais (médicos, enfermeiros); gestão participada por utentes e autarquias, sujeita a avaliação periódica pág. 22-Um programa de emergência para a formação de profissionais de saúde e para responder ao risco de ruptura de médio prazo com o agravamento da falta de enfermeiros e médicos;(pág. 24)-Integração de todos os técnicos de saúde especializados (médicos, enfermeiros, auxiliares) nos mapas de pessoal em regime de contrato de funções públicas.(pág. 25)-Providenciar formação continuada e ao longo da vida, enquadrada dentro da carreira profissional (carreira médica, carreira de enfermagem), e que não seja dominada pela indústria farmacêutica ou com custos incomportáveis para quem dela pretende usufruir.(pág. 26)-A formação de técnicos tais como médicos do trabalho, enfermeiros do trabalho, psicólogos, técnicos de segurança e outros, de molde a criar um quadro técnico competente e em número suficiente para cobrir as necessidades. (pág. 33)-O Bloco de Esquerda defende o princípio fundamental da separação entre o exercício de actividades privadas e públicas, criando-se uma carreira específica para profissionais de saúde dedicados em exclusivo ao SNS.
Estes são os temas, carreira, manifestação e política, quem quiser mande a sua posta e já agora vote na sondagem

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O problema dos Maqueiros


Sou contra a designação MAQUEIRO. Ao maqueiro associamos maca, indivíduo no qual o seu trabalho gira em torno de uma maca. É um termo, a meu ver, um tanto ou quanto redutor. Até porque sabemos que, no caso deste SU, para alguns maqueiros, o seu trabalho não fica unicamente confinado a uma maca. Às vezes repõem material, uma vez ou outra, a muito custo, colocam um urinol a um doente e uma vez já vi um maqueiro a limpar um vomitado... minto, duas. Numa das vezes estragou tudo quando, após o elogio de UMA auxiliar de acção médica, disse, "Isto devia ser para vós". Ora, daqui só me ocorre um termo - MACHISMO em bruto.
A ideia de que o maqueiro só serve para desempenhar funções exclusivamente de carga, trabalho de peso, só para homens, já devia ter terminado há muito, até porque a categoria de MAQUEIRO, já há muito foi extinta, agora são todos e muito bem, assistentes operacionais. Pena é que só o são de carreira, na teoria, porque na prática continuam como maqueiros.
Da mesma forma que eu vejo uma auxiliar a "puxar" macas, por que é que não vejo um maqueiro a mudar uma fralda?! Por que é que eu vejo uma auxiliar a ser escalada como maqueira e não vejo um maqueiro a ser escalado como auxiliar?! As mulheres são mais que os homens, é??!
Claro que neste momento não estou a ver muitos maqueiros com perfil para Auxiliar de acção médica na íntegra, capazes de ajudar a prestar cuidados ao doente, participar nas limpezas, esterilizações, etc, mas com formação tudo se consegue.
É evidente que se houvessem mais assistentes operacionais por turno, este problema não se colocaria e as coisas talvez pudessem continuar como estão. Mas não há... Nas circunstãncias actuais e com um serviço atómico, não se justifica perder 5 minutos atrás de uma auxiliar para preparar o doente para o internamento e mais 10 minutos para conseguir um maqueiro para o levar (e no fim desses 10 minutos já não pode porque é a passagem de turno ou a divisão para a refeição). Seria 2 em 1, um elemento assumia estas duas responsabilidades, quer fosse maqueiro, quer fosse auxiliar... o tempo que não se ganharia...
Quando vou ao Porto ou a Braga transferir doentes já reparo noutra cultura, os auxiliares fazem todos o mesmo, quer sejam homens ou mulheres. Em Viana é que mais uma vez continuamos atrasados.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Opiniões - Carreira de Enfermagem


Recebi há dias este email. Trata-se da opinião de dois colegas enfermeiros sobre a Carreira que recentemente foi acordada. É importante salientar desde já que não concordo com algumas ideias dos autores, mas de certa forma entendo-as. Fica aqui o meu agradecimento por participarem, agora seria interessante iniciar-se aqui uma discussão sobre aquilo que mais nos interessa e incomoda - a carreira de Enfermagem. Deixo-vos então com o email:
Caro colega:
Sou leitor diário do teu blog e após reflexão com uma colega da mesma Instituição onde trabalho, gostaria de expor e ver publicado no teu blog a nossa opinião relativamente às negociações da carreira de Enfermagem. Ficamos sinceramente "comovidos" com a ingenuidade de alguns colegas (de enfermagem) quando só conseguem ver aspectos positivos na nova Carreira de Enfermagem... Uma carreira onde ninguém é premiado por ter mais formação, onde a progressão é feita a conta gotas e de forma arbitrária (leia-se não premiando o mérito!) e onde a remuneração nem se imagina o que será! Ficamos realmente, surpreendidos com o argumento (reunião do SEP em Viana do Castelo) de que a formação na área da investigação (mestrados e doutoramentos) nada acrescentam ao exercício, no âmbito de competências técnicas.
Para além de discordar desta posição, por considerar que toda a formação dá contributos para o exercício desde que quem a faça saiba mobilizar e colocar em prática esse conhecimento, parece-me que estamos a assumir a nossa incapacidade (de todos os ENFERMEIROS!) de conduzirmos a enfermagem para uma CIÊNCIA, criando um limite de progressão (os Curso de Pós-Licenciatura em Enfermagem), ou seja, a Enfermagem é uma profissão que não irá evoluir para ciência ficando confinada a um domínio puramente técnico! Face a tudo isto, deixamos a nossa proposta aos colegas do sindicato: Revejam o vosso trabalho, lutem pelo interesse de TODOS aqueles que vocês representam e não pensem somente nos vossos interesses particulares, caso contrário, permitam-me o conselho: "Assumam a vossa falta de visão, DEMITAM-SE e venham para a prática serem vítimas da desgraça que conquistaram!"
Fernando Ricardo Sousa

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Prémio Blog


Fiquei a conhecer esta iniciativa com o reconhecimento dos amigos blogistas do Coguitare em saúde, quando nomearam o PDDSE. Já fiz questão de agradecer internetemente o "louvor". O jogo consiste em premiar cerca de 8 blogs, explicando os motivos. Confesso que visito com pouca frequência outros blogs, (mal tenho tempo para o PDDSE), mas ao que vejo, constato que há por aí grandes artistas. Mas este foi um bom motivo para conhecer melhor alguns blogs que já estavam na mira. Sendo assim,
Nota: Esta escolha não tem nenhuma ordem, são apenas os oito favoritos,
"Kaputodeblog", um blog que nada tem a ver com enfermagem, que descobri por acaso e que algumas vezes faz-me chorar... de tanto rir. Cuidado que é um tanto ou quanto... como direi... pouco convencional talvez.
"Enfermeiro com CIO", despertou-me o título, a guideline assemelha-se muito com o PDDSE, ou seja, o conceito vai de encontro aquilo que eu acho interessante, que são reflexões do nosso dia a dia. Tem posts muito interessantes, aos quais, já tinha feito questão de deixar o meu comment.
Evidentemente o "Doutor enfermeiro", por ser pioneiro (julgo eu), por ser mega conhecido, por ser um dos mais visitados blogs de blogosfera nacional e claro, por ser interessante, polémico e inteligente.
Ao "Coguitare em Saúde", até ficava mal não reconhecer... mas nem é por isso. Excelentemente organizado e pensado. Um dos primeiros blogs ao qual dediquei atenção.
"Esse enfermeiro é..." descobri pelos autores anteriores, é recente e promete. Gostei muito do "Karting"
"Cheirinho a éter", despertou-me também pelo curioso título. Original, um sentido de humor muito interessante, uma escrita acutilante.
"A beira Lethes", o blog que originou, de certa forma, o PDDSE. Apesar de por vezes manter um ligeiro atrito (internetemente) com o seu autor, não posso deixar de reconhecer que por vezes publica posts interessantes, com observações perspicazes.
"Não compreendo as mulheres", o design é do melhor que vi, a temática também. O autor nota-se que tem muita experiência nestas coisas de conseguir atrair grandes audiências, com as suas "conversas" sublimes.
O último louvor vai para o blog de alguém que eu não posso identificar, pelo risco de perder o meu próprio anonimato, mas ela sabe de quem estou a falar. Tem bom gosto, bons conselhos, boa música e observações tal e qual como ela própria.
Agora quem quiser entra no jogo.

domingo, 23 de agosto de 2009

Porque deixei de ser português


Ontem, como sabem, aconteceu uma tragédia numa praia do Algarve, 5 pessoas perderam a vida depois de uma derrocada. É muito provável qualquer um de nós pensar que estes 5 infelizes não deveriam estar naquela zona, pois havia um sinal a avisar o perigo. Muito mais provável será, qualquer um de nós, indo a uma praia no Algarve, nem sequer reparar no sinal, pois o que quer é desfrutar de uma sombra, lá vai imaginar que aquela semi-falésia ou aglomerado de terra e pedras vai ruir.
Decerto que todos nós já fomos às praias do Algarve, não sei se repararam, mas grande parte delas são minúsculas, têm um areal muito limitado e estão repletas daquelas semi-falésias, género aquela que vitimou estas 5 pessoas. Para mim a culpa, ao contrário do que muitos devem pensar, não é destas 5 pessoas, a culpa é das entidades responsáveis!
Por que é que nesta treta de país só se tomam medidas depois das merdas acontecerem??!! Agora já veio pra aí um iluminado qualquer dizer que se vai fazer uma vistoria às praias todas da costa Algarvia. Quer dizer, sabiam do risco, mas estavam à espera que alguém morresse para agir. Porra! Doa a quem doer é mesmo assim!! Faz-me lembrar o episódio da ponte de Entre-os-Rios, em que dezenas de pessoas morreram, quando todos sabiam que aquela ponte estava por um fio. Depois todos se apressaram a remendar a de Viana e outras que tais.
Mas há tantos outros exemplos por esse país fora que me deixam fo#?&do e a desejar "Porque deixei de ser português, ou melhor por que é que às vezes gostaria de deixar de o ser".
Quem é que nunca ouviu nas notícias qualquer coisa deste género: "Criança morre atropelada, após atravessar estrada sem semáforo, junto à escola", "População fartou-se de exigir passadeira e semáforo no local onde idosa foi atropelada", " 3 pessoas morrem em acidente de viação no IP9 numa curva onde os acidentes são comuns", "Casal de idosos é colhido por comboio numa passagem de nível", etc, etc, etc, etc e etc
Vivemos no país da tolerância 0 e já agora da prevenção 0.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ameaça de Bomba no piso 6


Aconteceu mesmo! Não é brincadeira! Ontem, dia 17, ameaça de Bomba no piso 6, serviço Medicina 1, 2ª fase.
Parece que a notícia foi abafada, mas deixo-vos aqui os pormenores em 1º mão,
Será que foi o Sr. Antunes que se fartou da comida do refeitório e decidiu por uma bomba no hall de entrada?! Ou será que a Al Quaeda anda por ai?! Deve ser o Ulsam Said...
Agora a sério...
A Brigada de Minas e Armadilhas foi chamada, após uma denúncia telefónica anónima. Com eles veio o Rex, o cão polícia (fonix não consigo parar de gozar... é que isto dá-me vontade de rir, desculpem...). Consta que levaram um embrulho e o assunto foi resolvido.
A ver se não é preciso chamar o CSI (lá estou eu...).

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Eduardo, uma criança anorética


Ao longo da nossa curta/longa experiência como enfermeiros decerto que já nos deparamos com situações que mexeram connosco de alguma forma. Umas deitam-nos abaixo, outras engrandecem-nos, umas deixam-nos enfurecidos, outras fortalecem-nos. Mas acima de tudo há situações que marcam, que sensibilizam. Esta é uma delas,
A mãe do Eduardo já o teve fora de tempo, mas não seria por isso que seria indesejado, muito pelo contrário. A mãe teve uma gravidez de risco, o período fértil tinha sido ligeiramente ultrapassado. O Eduardo nasceu prematuro e de saúde débil. Foi a partir desse momento que se tornou o protegido da família. Era o menino querido dos olhos da mãe. Também era o único macho de três irmãos. Tinha os olhos doces, cor de mel, de um sorriso fino e meigo. Tinha 14 anos e costumava ser titular nos juvenis do Fão, jogava a central com número 5 às costas, o do seu ídolo, Fernando Couto. Nos últimos tempos tinha perdido a titularidade, passava os tempos mais nos hospitais. Tinha perdido 12 quilos em 9 meses, sofria de anorexia.
A sua fragilidade e superprotecção tinham alimentado o distúrbio.
Permanecia sereno, deitado numa maca, com sua mãe em pé, a seu lado. O seu coração trabalhava lentamente, era a forma do seu corpo responder ao défice de proteínas. Tinha alturas que batia a 30 pulsações por minuto, mas com o estímulo da conversa que com ele mantínhamos, logo subia para valores razoáveis. A Pediatra adoptou uma postura radical logo desde o início, o que eu não condenei, achei que podia funcionar esta terapia abrupta, Eduardo, tu podes morrer, se o teu coração continua a bater desta forma, podes morrer. Sua mãe chorou de imediato e eu engoli em seco. Ele apenas comunicava com os olhos, dando a entender que percebia a gravidade da situação. A médica também se comoveu e moderou o discurso, Tu não tens amigos? Sim, respondeu. E então não queres continuar a ter?! Olha o mundo lá fora, tens tanta coisa a tua espera. O dia ajudou, amanhecia lá fora, e mesmo dali dava para saborear aquele dia de Verão perfeito.
Os raios de sol penetravam timidamente pela vidraça e o silêncio da manhã reinava quando o Eduardo também chorou. As lágrimas deslizavam pela sua face esguia, a sua expressão permanecia quase inalterável. Aquelas lágrimas poderiam ser a sua salvação, senti-as como o sinal de mudança.

Assim o espero Eduardo, o mundo espera por ti.

Enfermeiros atirados aos leões


Quando comecei a trabalhar recordo que o tempo de integração era sagrado. Aquele mês, mês e meio, ou até mais, consoante o serviço, era cumprido à risca. Nessa altura os tempos eram outros, de certa forma valorizava-se o bem-estar e adaptação do enfermeiro.
Depois chegou a crise, as EPE´s, as perdas de autonomia e poder dos chefes e a gestão anárquica de recursos humanos, porque afinal de contas o que interessa é o $$$$.
Eu quero lá saber que aquele enfermeiro esteja ou não integrado, tem é que começar a trabalhar apartir do momento que eu o contrato, tem o curso, é porque já sabe fazer tudo, preciso dele é agora e não daqui a um mês, (isto sou eu a imaginar o que deve ir na cabeça dos gestores quando atiram um enfermeiro para os leões).
Os leões não são só os doentes, são: os protocolos, os circuitos, os programas, as rotinas, os materiais, os arrumos, as características, as patologias, as terapêuticas, as equipas, a logística etc etc etc, de todo um serviço.
Como é possível alguém estar em integração 2 ou 3 turnos e no seguinte ficar responsável por 20 doentes e uma área de Reanimação?!! De quem é a culpa? Será dos gestores, será dos chefes?! Ou não será de ninguém... é o mais provável, é não ser de ninguém.
Nota: Este post nasce da sugestão de um colega do S.U, não interessa quem.