
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Desabafo de um Enfermeiro

sábado, 11 de abril de 2009
Musicoterapia
para relaxar e meditar. Boas páscoas, cuidado com as cáries.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Voltei pelos piores motivos…

Mas de quem será a culpa? Na minha opinião é da crise existencial que há já 6 ou 7 anos assola enfermagem, desde que estagnámos, e porquê?! Porque deixamos. Perdemos autonomia, perdemos poder, identidade, ganhámos desalento, desmotivação, desesperança e depois?!… Depois todos se atacam, todos se odeiam.
O post anterior é a verdadeira análise da enfermagem actual, poderia e deveria ser tema para tese: Quem “cuida” afinal dos enfermeiros?!
Por tudo isto faço um apelo, transformem toda esta vossa energia negativa, em energia positiva, para colaborar no processo de mudança em enfermagem, que tanto exigimos. Sei que é difícil e revoltante viver num meio que cada vez mais se assemelha a um armário de cozinha. Mas se pensarem, um dia o mundo poderá ser bem mais justo, evitem esforços em vão ao remar contra os poderes e lobbys instalados, basta canalizar essa tal energia para a luta certa, a luta por uma carreira digna e acima de tudo autónoma, o resto virá depois...
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Quem cuida quem
domingo, 29 de março de 2009
Passeio de bicla - "É disto que eu gosto!"

Nos últimos tempos o ambiente no nosso serviço está um pouco pesado, os temas do Blogue também. Penso que será oportuno lançar novos desafios e pensar em tratar do nosso bem-estar físico e mental, alias, é o que eu faço. Como eu me dou bem com o tratamento quero convidar todos os colegas, e não só, desde que venham por bem, para algumas sessões.
O primeiro desafio, e que já tenho na minha agenda há muito tempo, é um passeio em BTT no dia 1 de Maio com subida a serra Amarela, em pleno Parque Peneda Gerês e passagem pela Ermida.
Para começar, eu sei que não é a melhor oferta, o percurso é de dificuldade média/alta, mas vale a pena, e os aventureiros menos preparados tem muito tempo para se preparar.
Mais lá para a frente dou mais informações. Boas pedaladas !!
AH! Para os mais curiosos aqui em cima fica a foto da "gaja" que me põe no espeto.
terça-feira, 24 de março de 2009
A nossa equipa ruiu

A vontade ou o jeito de uns prevalece em detrimento ao desejo, à razão de 50, ou seja toda a equipa de enfermagem. É tudo uma questão de dinheiro, diz-se por ai! Outros dizem que é tudo uma questão de "poleiro". (engraçado dinheiro rima com poleiro... )bom, adiante..
Meus amigos, isto vai acabar por dar tudo ao mesmo! E quem vai pagar?! Quem lá está... ou seja nós. Quero ver quando chegarem as transferências, dois enfermeiros a ir para Braga e para o Porto ao mesmo tempo, expliquem-me senhores do piso 8, como vai ser depois! Acho que vamos ficar pelo apelo... Da Urgência vocês só sabem que fica no piso 2 e pouco mais. Que experiência, que contacto é que têm com a Urgência para tomar uma decisão tão complexa (mas sem sentido neste contexto) como esta?
O espírito de cooperação entre os colegas de OBS e Urg. Geral vai afrouxar, se não extinguir. Acho que já não vai haver aquele: "Vou-te mandar um doente com tudo por fazer!!" "Como!? Também não mandas um doente com tudo por fazer para o Bloco, pois não?! Serviços distintos meu amigo! Desimerda-te! Tu és um dos escolhidos, preferidos do chefe… as rivalidades que se podem formar… a inveja. E quem permitiu tudo isto?
Vai ser bonito... tenho pena... a minha equipa, a minha super-equipa ruiu
Agora dividiram-se, giro não é?... Salve-se quem puder, o barco está a afundar! Uns com receio da esfrega constante, do espaço restrito, escolhem Urg. Geral, outros preferindo a estabilidade escolhem OBS, outros ganham coragem e escolhem chefes, outros gostam de emergência e fogem a sete pés de um OBS que se assemelha a um internamento (rotina), outros nem se pronunciam, indignados, com a (des)esperança que notem nas suas revoltas, no seu descontentamento, outros tentam comprar os chefes, neste caso o chefe, a fugir do que se sabe. Outros dizem que é indiferente, já resignados, vencidos.
Depois há aqueles que escolhem uma coisa, mas calha na rifa a outra, os chefes assim o entenderam... será que o vão justificar?! Agora venham as baixas e mais baixas, já são poucas! Ahhh ! Mas há mais dinheiro, assim paga-se melhor as horas extraordinárias. Venham os pedidos de transferência também, já agora!
Mas o Robin anda por aí a roubar aos ricos para salvar os pobres! Ajuda-me Frade Tuck, João Pequeno... sniff, tou deprimido, sinto-me impotente, estou preso pelas garras do maquiavélico Príncipe João! Será que vem o Rei Ricardo, coração de leão em nossa defesa?!
Por Robin dos Hospitais
quinta-feira, 19 de março de 2009
Caros Srs. Bombeiros

quinta-feira, 12 de março de 2009
Chamem o 112 para os Bombeiros Voluntários de Viana

Cumprimentos
António Oliveira
Título:Chamem o 112 para os Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo
Não sendo eu profissional de saúde...fui obrigado pelas circunstancias da vida a entrar um pouco no vosso mundo...a doença da minha mulher, fez com que a minha vida passasse a ser: lidar com médicos, enfermeiros, maqueiros, bombeiros e toda a comunidade que gira em torno da saúde...nesta infelicidade da doença são muitas as vezes que recorro ao 112 para levar a minha mulher ao hospital quando a sua doença agrava...e meus caros amigos foi ver como anda o nosso socorro em Viana do Castelo que me fez ir procurar mais informação à cerca deste mundo que desconhecia totalmente...e foi nesta busca pelo abençoado mundo da Internet que no meio de muita coisa má tem a capacidade de nos abrir os olhos que cheguei a este maravilhoso blog e me vi tentado a contar as minhas peripécias com os Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo.
Longe vão os anos em que associamos às Corporações de Bombeiros Voluntários o estereótipo que os seus membros eram Homens humildes com pouca formação, mas com um dever de missão único associado à vontade em ajudar o próximo...talvez por isso era com orgulho que víamos a sua missão, pois sabíamos que o faziam sem pedir nada em troca...Hoje em dia as exigências da evolução dos cuidados associado à profissionalização do sector da Emergência fez esta filosofia mudar...e em muitos caso ainda bem, pois veio trazer qualidade ao socorro em Portugal...ou não! Portugal tem evoluído em muitos campos, nomeadamente nos sistemas de combate a Incêndios, quer em meio Rural quer em meio Urbano, no sistema de Emergência Médica, com a criação de meios mais diferenciados pondo equipas médicas a ir ao encontro das vítimas e não o velho conceito de levar rapidamente a vítima ao encontro dos meios médicos, apostando na formação dos elementos que tripulam ambulâncias, numa tentativa de unificar e criar uma só língua na emergência pré-hospitalar...ou não! Pois continuamos a assistir a dois tipos de socorro...o de Primeira classe, praticada nas grandes cidades, em que o próprio Instituto Nacional de Emergência Médica possui meios próprios de socorro, nomeadamente, ambulâncias de Suporte Básico de Vida tripuladas pelos Técnicos de Emergência Médica (TAE), Ambulâncias Suporte Imediato Vida (Medicalizadas) tripuladas por um TAE e um Enfermeiro e em fim de linha as Viaturas de Emergência Médica e Reanimação tripuladas por um Médico e Enfermeiro para os casos mais graves...No socorro de segunda classe temos o praticado nas regiões mais recondidas do nosso País em que apenas podemos contar com a boa vontade de pequenas Corporações de Bombeiros com escassos meios que prestam o socorro conforme podem...ou não!!!Pois aqui mesmo bem na nossa Cidade de Viana do Castelo, por sinal Capital de Distrito, por sinal à beira mar, por sinal inserido num meio urbano e industrial vasto, o nosso socorro está CAÓTICO!!!! A Ambulância do Instituto de Emergência Médica para a área de Viana do Castelo está entregue aos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo...estes por sua vez são responsáveis por assegurar as tripulações 24h horas por dia, 365 dia por ano...para além disso são responsáveis por assegurar a formação dos seus tripulantes devendo estes possuir o curso de Tripulante de ambulância de Socorro...
Pelo que apurei o serviço de Ambulância de INEM dos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo é assegurado de dia por dois elementos...e agora entendo porquê que sempre que chamava o 112 de dia eu pensava "Que azar calham-me sempre estes dois!" Pudera! Para começar por estes dois elementos um casal maravilha que a rapidez deve ser a alma do negócio, pois quer a minha mulher esteja bem o mal é sempre empurrada para ambulância dando a ideia que eles devem ganhar à peça e quantas mais pessoas socorrerem mais ganham...muitas vezes a minha esposa está aflita com falta de ar...sou obrigado a pedir por favor para lhe colocarem oxigénio...mas por incrível que pareça não são os piores...pois à noite e ao fim-de-semana a coisa complica...
Numa dada noite acordei sobressaltado com a minha esposa a dizer que não estava bem...lá rezei...e chamei o 112! Aparece-me dois elementos em que o Tripulante que vinha socorrer a minha mulher não sabia trabalhar com o Medidor de Pressão Arterial ( não sei se é assim que se chama), quando me cheguei junto dele para o ajudar é que entendi o porquê de tanta dificuldade...o senhor estava alcoolizado! É verdade! Para além de ter uma imagem física acabada com falta de alguns dentes e sujo...não estava sequer capaz de levar a minha esposa na maca....
Caros leitores deste blog...estava aqui horas a escrever as pripécias que já me aconteceram...eu pergunto-me é quem é que orienta, selecciona estes elementos?Os bombeiros?O INEM? Isto assim não pode ser! não é essa imagem que quero ter dos Bombeiros...mas sinceramente neste momento julgo que eles é que precisam de ajuda!!!!
Por António Oliveira
domingo, 8 de março de 2009
Carta aberta à Sr Enfª Directora

Passo a explicar, foi dito à equipa que a decisão já estava tomada, era irreversível, aí o tumulto instalou-se… “Então para que é que nos quiseram ouvir?!”, “Afinal já estava tudo decidido!” e os enfermeiros uniram-se e fizeram um documento onde estão claras todas as razões que desacreditam neste projecto.
Esta ideia de separação do SU em unidades funcionais OBS e Urg. Geral, o propósito de tudo isto, é uma ideia muito interessante, mas só quando se construir uma nova urgência, a nova urgência que todos desejamos!! Por enquanto não Srª Directora. Com todo o respeito, ainda não tem a perfeita percepção da realidade desta Urgência, acabou de chegar, vem de outra realidade, apesar de conhecer os seus créditos. E é bom que venham pessoas de fora conhecedoras de outras realidades e com outra mentalidade, mas ainda não conhece a urgência, nunca lá trabalhou, nunca lá passou umas horas seguidas naqueles turnos alucinantes que todos, os que lá estão, conhecem. Não sabe que não há ninguém que deseje ser enfermeiro unicamente do OBS, já para não falar dos que não desejam ficar unicamentamente na urgência geral. Todos querem continuar com a polivalência, que é o que caracteriza um enfermeiro de urgência. O trabalho tornar-se-ia extenuante apenas num sítio em exclusivo. É evidente que tenho em conta que muitas decisões tomadas pelas gestões, em qualquer que seja a área e contra o desejo dos trabalhadores, possam ser muito válidas. Agora quando 100% dos trabalhadores estão contra e apontam justificações é porque alguma coisa não está bem. E afinal de contas somos nós quem lá está, dia a dia, hora a hora, ano após ano.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Manifestação de enfermeiros dia 13

Colegas,
Atravessamos uma crise, não se trata da crise que por aí se fala, é a crise em enfermagem.
Querem-nos impor uma carreira miserável, com uma posição remuneratória inicial de 1000 euros, quando temos licenciados, que não são mais que nós, com um início de carreira a rondar os 1400 euros. Os professores fizeram os seus complementos e foram de imediato reposicionados de acordo com o seu novo grau… e os enfermeiros?! Querem-nos impor uma avaliação de desempenho estupidamente injusta, onde se vai beneficiar muito provavelmente os lambe-botas. Querem-nos impor uma carreira estratificada, onde nem todos têm a possibilidade de atingir o topo, querem acabar com os suplementos, enfim … quem andar atento facilmente perceberá o atentado.
A luta tem sido difícil e já longa, mas meus amigos a guerra está a terminar, as eleições aproximam-se, senão nos mexermos agora, depois vai ser tarde. Pensem que é o nosso futuro que está em causa, participem em todas as formas de reivindicação, façam-se ouvir!!
Dia 13 de Março, estão todos os enfermeiros convidados para a Manifestação em Lisboa, junto aos aposentos da Ministra, não esperem que os outros lutem por nós!!
Tens transporte gratuito, convívio garantido, só não te pudemos ir buscar a casa..
Organizem-se nos serviços, façam trocas, passem a palavra, pensem que agora é o momento!!
Inscrições estão abertas nos serviços, ou então liguem para 914869019 ou 963168306
segunda-feira, 2 de março de 2009
Porque deixei de ser médico

Há vários tipos de médicos e a sua forma de trabalhar é bem visível no serviço de urgência:
-O Sr. Dr. A, que já nasceu cansado, por isso não vê doentes, independentemente do tempo de espera, até porque o trabalho não faz bem á pele;
- O Sr. Dr. B, que vê essencialmente os seus doentes da privada, será que depois lhes cobra a consulta?!
- O Sr. Dr. C que sai 3 horas para almoçar e 2 para jantar porque, afinal, tem de estar com a família ou já tinha aquela almoçarada marcada há algum tempo com os amigos;
- O Sr. Dr. D que anda sempre de um lado para o outro a tratar de “questões logísticas” e que por isso não tempo para ver doentes;
- Por fim o Sr. Dr. E, a excepção, aquele que trabalha, que se preocupa realmente com os doentes, que não gosta de os deixar à espera porque não gostaria que lhe fizessem o mesmo… Este tipo de médicos, em vias de extinção, são os mais criticados, olhados de lado pelos outros colegas.
Os internos ainda vão a tempo de fazer a sua escolha, mas quantos vão preferir o caminho fácil ao tortuoso? Será que num futuro próximo ainda vamos encontrar alguém que se dedique realmente ao trabalho? Será que este tipo de médico vai conseguir remar contra a maré ou também, um dia, vai desistir dos princípios que o fizeram escolher a profissão?
Por “In determinado”
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Desafio

Algumas pessoas atribuíram demasiada importância a alguns acontecimentos, posts, ao blog em si. Tinha idealizado algo restrito, quase como familiar, mas a internet de restrito não tem nada e depois algumas pessoas assustaram-se…
Não se trata da morte anunciada, como se vaticinou, acho que é o momento oportuno para fazer uma pausa, um retiro reflexivo. Mas o blog, o conceito continua e agora lanço um desafio. Escrevam um post, há por aqui pessoas muito criativas, com espírito crítico, com sentido de humor, conjuguem tudo isto e surpreendam-me, surpreendam-nos. Escolham uma foto para o post, se quiserem escolherei eu, identifiquem-se, nem que seja um nome fictício… estas são as regras, agora é a vossa vez. Podem falar do que quiserem (da mesma maneira que eu falo de música e cinema, etc), do que sempre quiseram falar, não se esqueçam que este se tornou um bom meio de divulgação, mas entendam que se achar o post inadequado, não o publicarei, são esses os riscos. Um conselho útil, não sejam extensivos, um post curto é muito mais facilmente lido. Enviem para Email: guilhermedecarmo@iol.pt, ou através dos comentários.
Até um dia
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
O Brutus, o Sr. Serafim e a Dona Lurdes
O Brutus é um cão de grande porte, este tipo de cães geralmente não dura mais que 7 ou 8 anos. A veterinária suspeita de uma encefalite ou uma neoplasia cerebral. Os donos estão tristes, o Brutus já não se acha capaz de ser aquele cão de guarda imponente, que quando ladrava fazia tremer o intruso mais incauto, perdeu a sensibilidade proprioceptiva e em momentos de maior stress, como idas ao veterinário, perde o controle de esfíncteres esvaíndo-se em merda. Merda pra isto, mas que vida de cão é esta? Pensará ele.. A médica de animais, prudentemente sugeriu aguardar uma semana para avaliar a evolução, mas avisou que eutanasiar poderá ser a melhor solução para terminar com o sofrimento do cachorro. O mundo animal parece estar mais avançado, eutanasiar já é palavra do vocabulário.
O Sr Serafim trabalhou toda a vida, homem sério, de bom trato. Pelas minhas contas há mais de 5 anos foi-lhe diagnosticado neoplasia intestinal, neste último ano perdeu por completo a pouca qualidade de vida que ainda lhe restava, a metastização do tumor, deteriorou por completo a sua condição física e mental, é completamente dependente em todas as necessidades básicas. A família agoniza com o seu sofrimento, exaspera com os seus gritos que aumentam apenas com um toque.
A D. Lurdes criou os 2 netos que hoje têm 14 e 11 anos. Apesar de passar os sessenta, aparenta menos dez. Calma, mas eléctrica, mulher de sete ofícios, teve uma vida difícil, mas rica e farta, nasceu na Venezuela e chegou a estar emigrada no Canadá, agora dedicava-se ao campo e às oliveiras. Foram estas inocentes árvores que a atiraram para o suplício, caiu de uma e fracturou a coluna cervical. Passa os dias entre o serviço de Ortopedia e cuidados intensivos. Estabiliza, ortopedia, pára de respirar, intensivos. A fractura é superior, atingiu a vértebra C4, a função respiratória está seriamente comprometida, o que ainda a mantém viva é uma traqueostomia. Mantém o seu perfeito juízo e já manifestou o desejo de morrer. Os filhos amam-na, daquele jeito de amar, que apenas os mais afortunados têm a possibilidade de perceber, revezam-se para, sempre que permitido, permanecerem junto dela e depois choram e desacreditam no Deus que trouxe ao mundo os seus filhos e o pão para as suas mesas.
A vida para ela já não faz qualquer sentido e sem o manifestar condena quem a prolonga, reanimando-a sucessivamente, Perdoai-lhes senhor, porque eles não sabem o que fazem, reza ao Salvador. Para ela e ao contrário do parecer dos filhos, já não tem vida de relação, não os encara, mal lhes fala. A única relação baseia-se no alívio disfarçado dos filhos de ainda puderem ver a mãe querida viva. Tamanho egoísmo que só pensam no seu pseudo-conforto.
Muitas vezes vejo escrito em diários clínicos e notas de enfermagem, “sem vida de relação”, a verdade nua e crua e a garganta entala-se-me. A vida vive do afecto e da relação, que é o seu verdadeiro motor. O resto é conversa. Quando médicos e enfermeiros escrevem “sem vida de relação” apesar de cair mal, procuro ser realista e penso, É um facto. O desenlace ideal, seria uma morte junto da família, do lar, da terra, morte serena, em paz, com a família consciencializada que é o melhor a fazer. Agora quem não passa por elas não compreende, nem muito menos sabe o que significa eutanásia. A igreja traça-lhes as ideias e o juízo.
E se o Sr Serafim fosse o papa, e a Dona Lurdes mãe de um ministro? Talvez apressassem o debate público, esclarecessem e constituíssem a eutanásia como um direito constitucional (evidentemente sustentado em princípios bioéticos) desembrulhada de preconceitos e ignorância. Sabemos que a realidade do país, o próprio sistema de saúde não estão ainda preparados para lidar com a eutanásia, comecem a trabalhar nesse sentido.
G.
Nota: recomendo o filme Mar Adentro, vejam um pouco em cima
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
As socas carpe diem

Viver o dia é o seu lema. Uma grande ajuda para neste meio triunfar. Médico de convicções, educado e ponderado. Capaz de passar horas da madrugada no bloco a operar e vir depois à urgência resolver situações inacabadas. Frontal e preciso, disse a quem de direito que este era o pior serviço de urgência em termos organizacionais em que alguma vez tinha trabalhado. É alguém que admiro, porque ao contrário de muitos, tem prazer e orgulho no seu trabalho. Outros que têm, não o deveriam.
G.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Crónicas estapafúrdias vol. V - Tragédias

Sr. Enfermeiro você é impecável;
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Ben X, um dos filmes da minha vida
Há filmes que marcam e este é um deles.
A história (verídica) gira em torno de um jovem com síndrome de Asperger, uma s. do espectro autista e que consequentemente é vítima de bullying.
Mas a história tem muito mais que estes temas complicados e anexados pelos automatismos da sociedade egocêntrica e preconceituosa.
Let's look at the trailer
Mais um ataque a enfermagem...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
A enfermeira mais simpática do Serviço de Urgência
Aquilo deixou-me a pensar, é difícil escolher a enfermeira mais simpática da urgência. É injusto escolher apenas uma.
Lembro-me de, no post "O Início... 2ª versão", no meio das lamentações, que no fundo foram o propósito do blog, ressalvar o prazer que tinha, de trabalhar com a generalidade dos meus colegas. Assegurei que mais tarde os relembraria.
Mas quem é a enfermeira mais simpática?! Não é propriamente fácil ser-se simpático na Urgência, vamos sendo prestáveis, uns dias mais animados, outros dias mais exasperados.
Acima de tudo admiro o espírito, a força, o dinamismo das nossas colegas mulheres... os homens que me desculpem, mas não é o vosso tributo.
Para a Ana, Adriana, Anabela, Carmen, Delfina, Graça, Mabilda, Maria João, Lurdes, Raquel, Teresa, Sara, Andreia, Paula M., Rita, Sandra B., Susana, Rosa Olívia, Ângela, Cristina, Daniela, Goreti, Karine, Luísa, Carmo, Paula P., Carla, Lígia, Sónia, Vânia e Sandra R. e todas as outras que por cá passaram, a minha admiração. Continuem a segurar a Urgência, é que nós, homens, somos um pouco mais impulsivos, é importante manter a impulsão e o travão, nivelados na balança.
Continuem a colorir esta Urgência, que às vezes parece tão cinzenta e a assegurar que, parafraseando o Filipe, somos a melhor equipa do mundo.
É importante durante a vida, relembrar e elogiar aqueles que consideramos, porque depois pode ser tarde.
Beijos
G.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
A estrutura dos Serviços de Urgência

Não acredito que metade da equipa deseje ficar única e exclusivamente em OBS e outra metade na Urgência Geral. A equipa ficou de se pronunciar e apresentar projectos. Podem aqui começar a reflexão.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Fórum Sindicatos
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Alcoolismo em profissionais de saúde - parte II

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Save Miguel

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Alcoolismo em profissionais de saúde

Depois foi lançada a já tão badalada bomba pelo Sr. Tasqueiro (quem desconhece, recomendo consultar os comentários ao post “Crónicas estapafúrdias vol. IV – Ruídos”).
Pensei que seria o momento oportuno para abordar o tal tema tabu, o alcoolismo em profissionais de saúde.
Para ter um suporte científico, comecei por pesquisar no Google académico, trabalhos sobre o tema. Surpreendentemente encontrei zero. Inseri “alcoolismo em profissionais de saúde” no motor de busca e as centenas de trabalhos de investigação/artigos que surgiram, incidiam sobre alcoolismo numa amostra aleatória de pessoas e enfatizavam o papel dos profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros, no combate ao problema.
Outros trabalhos direccionavam-se para burnout. Duas premissas importantes: o burnout pode conduzir ao alcoolismo; Os profissionais de saúde são das classes mais propícias a desenvolver burnout. Associando-as, facilmente concluímos que os profissionais de saúde correm algum risco de consumir álcool em excesso. Porque é que não encontro então, estudos sobre isso??! Se calhar sou um nabo a pesquisar.
Ser profissional de saúde, tem as suas recompensas, as suas amarguras. Há um vasto leque de vantagens e inconvenientes, já por demais conhecidos. Lidar com o insucesso, fadiga, stress, sofrimento dos outros, problemas familiares associados à ausência ou não, etc, pode levar a angústia, depressão e por possível sucessão, a vícios, onde o álcool assume posições de liderança.
É problemático ser alcoólico, é ainda mais problemático ser um profissional de saúde alcoólico. Porém, na minha opinião, é muito mais que problemático, é gravíssimo, é ultra-condenável, permitir que estes profissionais estejam em trabalho, sem que haja vigilância, acompanhamento e tratamento.
Em grandes locais de trabalho como Portucel e Estaleiros Navais, onde os trabalhadores desempenham cargos de alta responsabilidade, há vigilância rigorosa dos níveis de alcoolemia nos trabalhadores. No nosso hospital, onde evidentemente os trabalhadores desempenham cargos de ainda maior responsabilidade, já vi testes de alcoolemia, mas foram aqueles que a GNR vem fazer aos traumatizados em acidentes de viação. Agora em funcionários??! Nunca vi, nem nunca ouvi falar. Posso estar enganado, mesmo que esteja, é impossível que este controle seja eficaz. O Sr. Tasqueiro lançou a bomba que toda a gente tem conhecimento, mas que finge não ter. É um problema de saúde pública, é um problema nosso, dos nossos gestores e responsáveis pelos departamentos de medicina no trabalho. Acordem senhores, qualquer dia pode ser tarde. Enfrentem o problema, não discriminem, encontrem saídas.
G.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Um bom conselho
Vale a pena ouvir este senhor, fundador da Macintosh e Pixar.
Apesar de estar escrito que está legendado em português, quem o disse deve ser brasileiro.
Só não concordo muito com o seu conceito de envelhecer, tudo o resto acho que é uma boa lição para a vida.
O video seguinte é a 1ª parte, se quiserem continuar, vejam a 2ª parte, clicando aqui
G.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Crónicas estapafúrdias vol. IV - Ruídos

Outra Doutora, igualmente de alta patente, incomodou-se também com a gargalhada de uma enfermeira. Terá pedido: Srª Enfermeira, não se importa de se rir atrás do armário.
Confesso que também me incomoda um pouco o barulho excessivo, às vezes nem nos apercebemos do ruído que fazemos, principalmente no turno da noite. O bom silêncio, aquele que provoca tranquilidade, é importante para o processo de cura e para o nosso bem-estar. Agora garanto-vos, não vou deixar de fazer o que estava a fazer, para atender um telefone e de certeza que não me vou rir atrás de um armário, até porque já não os há.
G.
