quarta-feira, 15 de abril de 2009

Desabafo de um Enfermeiro


Tomei a liberdade de publicar este texto que chegou à minha cx de correio electrónica. Desconhece-se o seu autor, decerto não levará a mal.

A UMA BOA CARTA PARA FAZER CHEGAR À MINISTRA DA SAÚDE.

Como Enfermeiro, estive hoje de greve assegurando cuidados mínimos. Revejo-me integralmente nas reivindicações da classe. Mas pergunto-me como as outras pessoas vêm a nossa classe, a nossa profissão, a nossa posição na sociedade. Será que não seremos o parente pobre de um sistema de saúde que só tem olhos para outros interesses…

Sou licenciado. Ganho como bacharel ou nem isso. Deveria fazer 140h por mês e trabalho 160 ou mais. Não recebo nada por essas horas a mais, acumulando horas. Tenho colegas com quase 200h positivas, ou seja, 200 horas que prestaram serviço de qualidade e que não viram compensado o esforço, e porque não dizê-lo, dedicação à causa pública, fazendo os possíveis todos os dias para não faltar nada em termos de cuidados de enfermagem. Essas 200 horas deveriam ser pagas como extraordinárias, ou melhor ainda, deveriam ser realizadas por um dos 5mil enfermeiros que actualmente não tem emprego. No meu serviço devem-se mais de 2000h. No meu hospital há umas dezenas de serviços e a média é nalguns casos superior. Devem-se no país, talvez um milhão de horas de cuidados. O que daria trabalho a mais 7000 Enfermeiros. E já nem estou a falar no aumento do numero de enfermeiros por cada turno, senão o número teria de ser ainda maior. No meu serviço, para 32 doentes, podem estar apenas 2 enfermeiros de serviço. E ao contrário do que por vezes pensamos (os enfermeiros pensam) só temos 2 mãos, 2 olhos, 2 pernas e 1 cabeça. E não somos omnipresentes.

Sou contratado há mais de 4 anos, trabalhando um pouco à margem da lei com contratos de 6 meses 'miraculosamente' renovados. Mas será que algum dia deixarão de precisar realmente dos enfermeiros para termos um contrato tipo 'hipermercado' ou pior? Depois, nestes 4 anos vi o meu ordenado ser aumentado pouco mais de 40€, ou seja 10€ ano. Não subi nenhum escalão, grau, etc, porque simplesmente não há carreira de enfermagem definida, e como contratado a coisa complica-se. Qual é o meu estímulo todos os dias? Apesar de ainda adorar o que faço, trabalho porque preciso do €€€€. É frustrante pensar que todos os anos ao contrário do que deveria ser, ganharei menos. Deveria ganhar como licenciado e ganhar horas extras se me fossem exigidas. Eu que ganho 6,5€ à hora, bem menos que alguns funcionárias da limpeza (sem desprimor para o seu trabalho), não me pagam horas extra. Mas pagar 2500€ por 24h de um médico, já é moralmente e legalmente aceite. Deixemos de ser hipócritas. Sou mal pago. Sinto todos os dias na pele, o peso e o risco desta profissão, que não é dar injecções e medir tensões. Está redondamente enganado quem dessa forma pensa. Somos um elo central nas relações clínicas, um peça chave. Quem esteve internado e já precisou de nós saberá a que me refiro. Formação adicional é sempre condicionada pelos serviços e instituições, num país que quer ter miúdos com computadores por todo o lado, num país em que se não formos doutores não somos ninguém, mas apelar a uma formação contínua, tendencialmente gratuita, é só para outras classes. A qualidade afinal é para outros verem. O doente que se trame.

Se tenho um curso de suporte básico de vida, devo-o a mim. 200€ e tem de ser renovado em 2-3 anos.
Se tenho um curso de suporte avançado de vida, devo-o a mim. 400€ e renovado em 2-3anos.
Se quero ser especialista, terei de ter pelo menos mais 6000€ de propinas para pagar. E depois, esperar que me aceitem numa instituição, que abram concursos, que se desbloqueiem verbas, etc. Um médico depois de médico torna-se especialista praticamente sem ir à escola em 6 anos. A prática é quase tudo. Nós seremos muito diferentes? Se quero tirar uma pós-graduação ou mestrado, arrisco-me a queimar as pestanas e tirar tempo à família, não esquecendo mais 3000€ ou 6000€ de propinas. Em troca recebo mais 0€ ao fim do mês. É isto um estímulo ao desenvolvimento? É assim que a profissão está. É assim que nos sentimos.

sábado, 11 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

Voltei pelos piores motivos…


É por tudo isto que este blog surgiu… Por tudo o que vejo, por tudo o que sinto, por tudo isto que me revolta e faz pensar “porque é que às vezes gostaria de deixar de ser enfermeiro”. A temática, o ponto de partida seriam as nossas lamentações, no fundo tudo isto que por aqui se vê não passa disso… lamentações reprimidas de fúria, revolta, indignação, ódio. A mágoa, a desolação ocupa-me a alma quando penso na nossa “classe” que, com o passar dos tempos constato cada vez mais, de classe tem muito pouca.
Mas de quem será a culpa? Na minha opinião é da crise existencial que há já 6 ou 7 anos assola enfermagem, desde que estagnámos, e porquê?! Porque deixamos. Perdemos autonomia, perdemos poder, identidade, ganhámos desalento, desmotivação, desesperança e depois?!… Depois todos se atacam, todos se odeiam.
O post anterior é a verdadeira análise da enfermagem actual, poderia e deveria ser tema para tese: Quem “cuida” afinal dos enfermeiros?!
Por tudo isto faço um apelo, transformem toda esta vossa energia negativa, em energia positiva, para colaborar no processo de mudança em enfermagem, que tanto exigimos. Sei que é difícil e revoltante viver num meio que cada vez mais se assemelha a um armário de cozinha. Mas se pensarem, um dia o mundo poderá ser bem mais justo, evitem esforços em vão ao remar contra os poderes e lobbys instalados, basta canalizar essa tal energia para a luta certa, a luta por uma carreira digna e acima de tudo autónoma, o resto virá depois...

G.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quem cuida quem

Caro G.
Há uns tempos, no meu hospital, Ponte de Lima existiu uma Enf.ª Directora de Enfermagem, que ainda hoje deixa saudades, pelo seu empenho em ir de encontro às necessidades dos enfermeiros e dos doentes e não da Administração e dos seus números.
Ela sempre disse o seguinte: "Os enfermeiros, cuidam dos doentes, As Direcções de Enfermagem cuidam dos Enfermeiros da Instituição, A Ordem e Sindicatos cuidam da carreira, da dignificação da profissão, da regulamentação da mesma."
Agora, Os enfermeiros continuam a cuidar dos doentes com a certeza que cuidam melhor hoje do que antes, e irão cuidar amanhã melhor do que hoje. A Ordem continua a "regulamentar" a Classe (discutível, dependendo das perspectivas e das expectativas de cada um). Os Sindicatos continuam a tentar, bem, (na minha opinião) ou menos bem, (dependendo das perspectivas e das expectativas de cada um), a Carreira de Enfermagem!
Agora, as Direcções de Enfermagem, essas deixaram de cuidar do enfermeiros e passaram a cuidar dos Números, dos Conselhos de administrações, pois agora são por nomeação politica e não por eleição, tal como sabemos. Assim têm que provar a sua competência em gerir uma classe perante o CA e não mostrar a sua competência perante uma classe de enfermagem que agora anda defraudada, enganada, desiludida, e com uma questão sempre na ponta da lingua! "Quem cuida dos enfermeiros?
À Ordem, que diz que "regulamenta" a enfermagem, pedia que apenas cuide de nós de foma holística, tal como nos pede que cuidemos o doente da mesma forma, mas bem vistas as coisas, o grosso dos elementos da ordem são docentes com a carreira definida e salvaguardada, ou pertencem às direcções de enfermagem ou chefias e estas apenas cuidam dos interesses dos conselhos de administrações, APESAR DOS NUMEROS DIZEREM O CONTRÁRIO, deixando de cuidar dos enfermeiros! Excluo aqui alguns colegas que são chefes e que lutam para cuidar da equipa de enfermagem que tem! Tenho a sorte de ter uma assim, (enquanto não for mobilizado ou ela ser mobilizada)! A classe de enfermagem sempre foi uma classe de alguém que cuida de alguém de forma holística! É e foi o que nos ensinaram nas escolas! Porque será que esses profissionais não cuidam da enfermagem de forma holística?
Por Mais um que Enfermeiro Não Vota PS.

domingo, 29 de março de 2009

Passeio de bicla - "É disto que eu gosto!"


Caro Guilherme, como anunciaste que ias de ferias, pensei em dar-te uma ajuda. Não, não te vou tirar o lugar, nem por sombras, estamos muito bem representados, que não te faltem forças, nem coragem para continuar.
Nos últimos tempos o ambiente no nosso serviço está um pouco pesado, os temas do Blogue também. Penso que será oportuno lançar novos desafios e pensar em tratar do nosso bem-estar físico e mental, alias, é o que eu faço. Como eu me dou bem com o tratamento quero convidar todos os colegas, e não só, desde que venham por bem, para algumas sessões.
O primeiro desafio, e que já tenho na minha agenda há muito tempo, é um passeio em BTT no dia 1 de Maio com subida a serra Amarela, em pleno Parque Peneda Gerês e passagem pela Ermida.
O ponto de encontro vai ser em Entre Ambos-os-Rios às 8,30h, estrada Ponte da Barca Lindoso, para depois ir até ao ponto de partida que vai ser no Castelo do Lindoso.
Para começar, eu sei que não é a melhor oferta, o percurso é de dificuldade média/alta, mas vale a pena, e os aventureiros menos preparados tem muito tempo para se preparar.
Mais lá para a frente dou mais informações. Boas pedaladas !!
AH! Para os mais curiosos aqui em cima fica a foto da "gaja" que me põe no espeto.

Para mais informações, visitem o site da nossa equipa do SU http://sites.google.com/site/surgenciahsl/ (site que surge no contexto de ?ruptura? divisão da equipa do SU, criado por Abel Campos, com o intuito de criar pontos de união e convívio entre os membros do SU).
Por Manuel Abreu

terça-feira, 24 de março de 2009

A nossa equipa ruiu


Tenho pena a nossa equipa desmoronou... Ruiu.
A vontade ou o jeito de uns prevalece em detrimento ao desejo, à razão de 50, ou seja toda a equipa de enfermagem. É tudo uma questão de dinheiro, diz-se por ai! Outros dizem que é tudo uma questão de "poleiro". (engraçado dinheiro rima com poleiro... )bom, adiante..
Meus amigos, isto vai acabar por dar tudo ao mesmo! E quem vai pagar?! Quem lá está... ou seja nós. Quero ver quando chegarem as transferências, dois enfermeiros a ir para Braga e para o Porto ao mesmo tempo, expliquem-me senhores do piso 8, como vai ser depois! Acho que vamos ficar pelo apelo... Da Urgência vocês só sabem que fica no piso 2 e pouco mais. Que experiência, que contacto é que têm com a Urgência para tomar uma decisão tão complexa (mas sem sentido neste contexto) como esta?
O espírito de cooperação entre os colegas de OBS e Urg. Geral vai afrouxar, se não extinguir. Acho que já não vai haver aquele: "Vou-te mandar um doente com tudo por fazer!!" "Como!? Também não mandas um doente com tudo por fazer para o Bloco, pois não?! Serviços distintos meu amigo! Desimerda-te! Tu és um dos escolhidos, preferidos do chefe… as rivalidades que se podem formar… a inveja. E quem permitiu tudo isto?
Vai ser bonito... tenho pena... a minha equipa, a minha super-equipa ruiu
Agora dividiram-se, giro não é?... Salve-se quem puder, o barco está a afundar! Uns com receio da esfrega constante, do espaço restrito, escolhem Urg. Geral, outros preferindo a estabilidade escolhem OBS, outros ganham coragem e escolhem chefes, outros gostam de emergência e fogem a sete pés de um OBS que se assemelha a um internamento (rotina), outros nem se pronunciam, indignados, com a (des)esperança que notem nas suas revoltas, no seu descontentamento, outros tentam comprar os chefes, neste caso o chefe, a fugir do que se sabe. Outros dizem que é indiferente, já resignados, vencidos.
Depois há aqueles que escolhem uma coisa, mas calha na rifa a outra, os chefes assim o entenderam... será que o vão justificar?! Agora venham as baixas e mais baixas, já são poucas! Ahhh ! Mas há mais dinheiro, assim paga-se melhor as horas extraordinárias. Venham os pedidos de transferência também, já agora!
Mas o Robin anda por aí a roubar aos ricos para salvar os pobres! Ajuda-me Frade Tuck, João Pequeno... sniff, tou deprimido, sinto-me impotente, estou preso pelas garras do maquiavélico Príncipe João! Será que vem o Rei Ricardo, coração de leão em nossa defesa?!
Por Robin dos Hospitais

quinta-feira, 19 de março de 2009

Caros Srs. Bombeiros


Caros Srs. Bombeiros,
Para mim um bombeiro é um colega de trabalho, companheiro de alegrias e tristezas. É alguém que valorizo, pela coragem, pela atitude, pela vontade de servir sem esperar contrapartidas. Concordo com o anónimo que disse que às vezes os enfermeiros são arrogantes para os bombeiros, não passará do mau humor acumulado devido ao stress da urgência, mas posso-lhe garantir que os enfermeiros respeitam o vosso trabalho.
O post anterior não se trata de um "bilhete para o circo", quis dar tempo de antena a todos, ninguém "abusou", realmente lavou-se alguma roupa suja, o que também é importante, apenas um ou dois comentários foram eliminados, mas agora é altura de parar, reflectir e agir (se assim o desejarem).
Muito do que por aqui se leu é polémico, nunca imaginei que este post ("Chamem o 112 para os BVVC") do senhor Oliveira originasse esta "rebelião". Sinceramente acho que deviam agradecer e não condenar, podem tornar tudo isto uma grande ajuda, pensem bem nisso!
Já reparei que poucos devem ser os bombeiros da corporação que não vieram dar a sua opinião, agora façam-no na vossa casa, no vosso meio, na vossa família, entre os vossos camaradas.
Solicitem uma reunião, falem com o vosso comandante, provavelmente ele espera ser abordado e concerteza vai ter em conta as vossas opiniões.
Critiquem de uma forma construtiva. Na vida, o que mais se valoriza é a humildade, exponham os problemas de uma forma assertiva, não procurem o conflito, unam-se.
Vejo tanta vontade, tanta energia, frustração, utilizem-na da melhor forma. Cada um deveria apontar num papel o que está mal, reflectir sobre isso, corrigir, voltar a escrever, reflectir mais uma vez e só depois expor.
Um apelo ao Senhor comandante, que provavelmente também deve ler o que por aqui é escrito, (se não lê, deveria, porque estão mencionados factos do seu interesse) utilize tudo isto como um contributo, não censure os seus bombeiros por se querem exprimir, reivindicar, melhorar. A culpa não é sua, nem deste ou daquele, é do vosso orgulho, da vossa competitividade exacerbada, mais uma vez canalizem toda esta energia para definitivamente colocar os bombeiros no lugar que merecem, que é lá bem no alto.
Para terminar, de facto ninguém valoriza quando se faz um bom trabalho, só quando algo corre mal é que se apontam os dedos, mas isto, meus senhores, é um mal geral, não pensem que é exclusivo dos bombeiros.
Good night and good luck
G.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Chamem o 112 para os Bombeiros Voluntários de Viana



Caro administrador do Blog, dado o seu apelo à escrita decidi usar o seu blog para expor um assunto que me doi na alma e que muito tem a ver com a nossa Cidade e com a "nossa Saúde" espero sinceramente que o publique

Cumprimentos

António Oliveira

Título:Chamem o 112 para os Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo

Não sendo eu profissional de saúde...fui obrigado pelas circunstancias da vida a entrar um pouco no vosso mundo...a doença da minha mulher, fez com que a minha vida passasse a ser: lidar com médicos, enfermeiros, maqueiros, bombeiros e toda a comunidade que gira em torno da saúde...nesta infelicidade da doença são muitas as vezes que recorro ao 112 para levar a minha mulher ao hospital quando a sua doença agrava...e meus caros amigos foi ver como anda o nosso socorro em Viana do Castelo que me fez ir procurar mais informação à cerca deste mundo que desconhecia totalmente...e foi nesta busca pelo abençoado mundo da Internet que no meio de muita coisa má tem a capacidade de nos abrir os olhos que cheguei a este maravilhoso blog e me vi tentado a contar as minhas peripécias com os Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo.

Longe vão os anos em que associamos às Corporações de Bombeiros Voluntários o estereótipo que os seus membros eram Homens humildes com pouca formação, mas com um dever de missão único associado à vontade em ajudar o próximo...talvez por isso era com orgulho que víamos a sua missão, pois sabíamos que o faziam sem pedir nada em troca...Hoje em dia as exigências da evolução dos cuidados associado à profissionalização do sector da Emergência fez esta filosofia mudar...e em muitos caso ainda bem, pois veio trazer qualidade ao socorro em Portugal...ou não! Portugal tem evoluído em muitos campos, nomeadamente nos sistemas de combate a Incêndios, quer em meio Rural quer em meio Urbano, no sistema de Emergência Médica, com a criação de meios mais diferenciados pondo equipas médicas a ir ao encontro das vítimas e não o velho conceito de levar rapidamente a vítima ao encontro dos meios médicos, apostando na formação dos elementos que tripulam ambulâncias, numa tentativa de unificar e criar uma só língua na emergência pré-hospitalar...ou não! Pois continuamos a assistir a dois tipos de socorro...o de Primeira classe, praticada nas grandes cidades, em que o próprio Instituto Nacional de Emergência Médica possui meios próprios de socorro, nomeadamente, ambulâncias de Suporte Básico de Vida tripuladas pelos Técnicos de Emergência Médica (TAE), Ambulâncias Suporte Imediato Vida (Medicalizadas) tripuladas por um TAE e um Enfermeiro e em fim de linha as Viaturas de Emergência Médica e Reanimação tripuladas por um Médico e Enfermeiro para os casos mais graves...No socorro de segunda classe temos o praticado nas regiões mais recondidas do nosso País em que apenas podemos contar com a boa vontade de pequenas Corporações de Bombeiros com escassos meios que prestam o socorro conforme podem...ou não!!!Pois aqui mesmo bem na nossa Cidade de Viana do Castelo, por sinal Capital de Distrito, por sinal à beira mar, por sinal inserido num meio urbano e industrial vasto, o nosso socorro está CAÓTICO!!!! A Ambulância do Instituto de Emergência Médica para a área de Viana do Castelo está entregue aos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo...estes por sua vez são responsáveis por assegurar as tripulações 24h horas por dia, 365 dia por ano...para além disso são responsáveis por assegurar a formação dos seus tripulantes devendo estes possuir o curso de Tripulante de ambulância de Socorro...

Pelo que apurei o serviço de Ambulância de INEM dos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo é assegurado de dia por dois elementos...e agora entendo porquê que sempre que chamava o 112 de dia eu pensava "Que azar calham-me sempre estes dois!" Pudera! Para começar por estes dois elementos um casal maravilha que a rapidez deve ser a alma do negócio, pois quer a minha mulher esteja bem o mal é sempre empurrada para ambulância dando a ideia que eles devem ganhar à peça e quantas mais pessoas socorrerem mais ganham...muitas vezes a minha esposa está aflita com falta de ar...sou obrigado a pedir por favor para lhe colocarem oxigénio...mas por incrível que pareça não são os piores...pois à noite e ao fim-de-semana a coisa complica...

Numa dada noite acordei sobressaltado com a minha esposa a dizer que não estava bem...lá rezei...e chamei o 112! Aparece-me dois elementos em que o Tripulante que vinha socorrer a minha mulher não sabia trabalhar com o Medidor de Pressão Arterial ( não sei se é assim que se chama), quando me cheguei junto dele para o ajudar é que entendi o porquê de tanta dificuldade...o senhor estava alcoolizado! É verdade! Para além de ter uma imagem física acabada com falta de alguns dentes e sujo...não estava sequer capaz de levar a minha esposa na maca....

Caros leitores deste blog...estava aqui horas a escrever as pripécias que já me aconteceram...eu pergunto-me é quem é que orienta, selecciona estes elementos?Os bombeiros?O INEM? Isto assim não pode ser! não é essa imagem que quero ter dos Bombeiros...mas sinceramente neste momento julgo que eles é que precisam de ajuda!!!!


Por António Oliveira

domingo, 8 de março de 2009

Carta aberta à Sr Enfª Directora


O meu nome é Robin e sou enfermeiro do serviço de urgência.
Quando soube que desejava reunir com os enfermeiros do SU, para escutar as suas opiniões e discutir o que os enfermeiros poderiam fazer para melhorar o serviço, fiquei impressionado, digo-lhe mesmo maravilhado. Nunca ninguém o tinha feito. Falou-se que seria necessária uma mudança, mas toda a gente foi da opinião que a mudança não dependia exclusivamente da enfermagem, a enfermagem, como muitos médicos afirmam, é quem “segura” este serviço de urgência. Mesmo assim alguma coisa teria que mudar nos enfermeiros, fiquei com a sensação que seria obrigatório mudar qualquer coisa, só porque se tinha que mudar. A mudança, Srª directora, é um dos pressupostos de uma boa gestão e eu sei que é isso mesmo que pretende, porque de facto vejo-a com competência, mas garanto-lhe que a mudança nem sempre é benéfica e muito menos o será se a totalidade dos enfermeiros não a deseja.
Passo a explicar, foi dito à equipa que a decisão já estava tomada, era irreversível, aí o tumulto instalou-se… “Então para que é que nos quiseram ouvir?!”, “Afinal já estava tudo decidido!” e os enfermeiros uniram-se e fizeram um documento onde estão claras todas as razões que desacreditam neste projecto.
Esta ideia de separação do SU em unidades funcionais OBS e Urg. Geral, o propósito de tudo isto, é uma ideia muito interessante, mas só quando se construir uma nova urgência, a nova urgência que todos desejamos!! Por enquanto não Srª Directora. Com todo o respeito, ainda não tem a perfeita percepção da realidade desta Urgência, acabou de chegar, vem de outra realidade, apesar de conhecer os seus créditos. E é bom que venham pessoas de fora conhecedoras de outras realidades e com outra mentalidade, mas ainda não conhece a urgência, nunca lá trabalhou, nunca lá passou umas horas seguidas naqueles turnos alucinantes que todos, os que lá estão, conhecem. Não sabe que não há ninguém que deseje ser enfermeiro unicamente do OBS, já para não falar dos que não desejam ficar unicamentamente na urgência geral. Todos querem continuar com a polivalência, que é o que caracteriza um enfermeiro de urgência. O trabalho tornar-se-ia extenuante apenas num sítio em exclusivo. É evidente que tenho em conta que muitas decisões tomadas pelas gestões, em qualquer que seja a área e contra o desejo dos trabalhadores, possam ser muito válidas. Agora quando 100% dos trabalhadores estão contra e apontam justificações é porque alguma coisa não está bem. E afinal de contas somos nós quem lá está, dia a dia, hora a hora, ano após ano.
Por Robin dos Hospitais

sexta-feira, 6 de março de 2009

Manifestação de enfermeiros dia 13


Caro Guilherme, aproveito o teu blog para lançar um apelo a todos os enfermeiros, se assim o permitires.
Colegas,
Atravessamos uma crise, não se trata da crise que por aí se fala, é a crise em enfermagem.
Querem-nos impor uma carreira miserável, com uma posição remuneratória inicial de 1000 euros, quando temos licenciados, que não são mais que nós, com um início de carreira a rondar os 1400 euros. Os professores fizeram os seus complementos e foram de imediato reposicionados de acordo com o seu novo grau… e os enfermeiros?! Querem-nos impor uma avaliação de desempenho estupidamente injusta, onde se vai beneficiar muito provavelmente os lambe-botas. Querem-nos impor uma carreira estratificada, onde nem todos têm a possibilidade de atingir o topo, querem acabar com os suplementos, enfim … quem andar atento facilmente perceberá o atentado.
A luta tem sido difícil e já longa, mas meus amigos a guerra está a terminar, as eleições aproximam-se, senão nos mexermos agora, depois vai ser tarde. Pensem que é o nosso futuro que está em causa, participem em todas as formas de reivindicação, façam-se ouvir!!
Dia 13 de Março, estão todos os enfermeiros convidados para a Manifestação em Lisboa, junto aos aposentos da Ministra, não esperem que os outros lutem por nós!!
Tens transporte gratuito, convívio garantido, só não te pudemos ir buscar a casa..
Organizem-se nos serviços, façam trocas, passem a palavra, pensem que agora é o momento!!
Inscrições estão abertas nos serviços, ou então liguem para 914869019 ou 963168306

Por "um colega"

segunda-feira, 2 de março de 2009

Porque deixei de ser médico


Não sei como era a medicina há umas décadas atrás mas sei no que transformou… São anos e anos de estudo, afogados em teoria e em que a prática e o contacto humano são postos de lado. Depois há um exame teórico, um único exame, duas horas de vida que nos dão uma nota, como se de uma etiqueta se tratasse e deixamos de ser pessoas para ser números… Com esse número escolhemos uma especialidade, na maioria das vezes sem saber o que nos espera… Se me perguntassem hoje se voltava a escolher a mesma coisa a resposta seria não. Se me perguntassem se tinha escolhido tirar o curso de medicina a resposta também seria não. Porquê? Tenho vergonha do que vejo no dia-a-dia hospitalar…
Há vários tipos de médicos e a sua forma de trabalhar é bem visível no serviço de urgência:
-O Sr. Dr. A, que já nasceu cansado, por isso não vê doentes, independentemente do tempo de espera, até porque o trabalho não faz bem á pele;
- O Sr. Dr. B, que vê essencialmente os seus doentes da privada, será que depois lhes cobra a consulta?!
- O Sr. Dr. C que sai 3 horas para almoçar e 2 para jantar porque, afinal, tem de estar com a família ou já tinha aquela almoçarada marcada há algum tempo com os amigos;
- O Sr. Dr. D que anda sempre de um lado para o outro a tratar de “questões logísticas” e que por isso não tempo para ver doentes;
- Por fim o Sr. Dr. E, a excepção, aquele que trabalha, que se preocupa realmente com os doentes, que não gosta de os deixar à espera porque não gostaria que lhe fizessem o mesmo… Este tipo de médicos, em vias de extinção, são os mais criticados, olhados de lado pelos outros colegas.
Os internos ainda vão a tempo de fazer a sua escolha, mas quantos vão preferir o caminho fácil ao tortuoso? Será que num futuro próximo ainda vamos encontrar alguém que se dedique realmente ao trabalho? Será que este tipo de médico vai conseguir remar contra a maré ou também, um dia, vai desistir dos princípios que o fizeram escolher a profissão?

Por “In determinado”
(ESTA FOI A 1ª RESPOSTA AO DESAFIO, CONTINUO À VOSSA ESPERA! - Guilherme de Carmo)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Desafio


10000 visitas… apesar de achar estes contadores estatísticos estranhos ou pouco fidedignos, é com orgulho que o menciono. O blog atingiu um nível e repercussão que eu não estava à espera, muito se elogiou, muito se falou, pelo bem e pelo mal.
Algumas pessoas atribuíram demasiada importância a alguns acontecimentos, posts, ao blog em si. Tinha idealizado algo restrito, quase como familiar, mas a internet de restrito não tem nada e depois algumas pessoas assustaram-se…
Não se trata da morte anunciada, como se vaticinou, acho que é o momento oportuno para fazer uma pausa, um retiro reflexivo. Mas o blog, o conceito continua e agora lanço um desafio. Escrevam um post, há por aqui pessoas muito criativas, com espírito crítico, com sentido de humor, conjuguem tudo isto e surpreendam-me, surpreendam-nos. Escolham uma foto para o post, se quiserem escolherei eu, identifiquem-se, nem que seja um nome fictício… estas são as regras, agora é a vossa vez. Podem falar do que quiserem (da mesma maneira que eu falo de música e cinema, etc), do que sempre quiseram falar, não se esqueçam que este se tornou um bom meio de divulgação, mas entendam que se achar o post inadequado, não o publicarei, são esses os riscos. Um conselho útil, não sejam extensivos, um post curto é muito mais facilmente lido. Enviem para Email: guilhermedecarmo@iol.pt, ou através dos comentários.
Até um dia

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Brutus, o Sr. Serafim e a Dona Lurdes


O Brutus é um cão de grande porte, este tipo de cães geralmente não dura mais que 7 ou 8 anos. A veterinária suspeita de uma encefalite ou uma neoplasia cerebral. Os donos estão tristes, o Brutus já não se acha capaz de ser aquele cão de guarda imponente, que quando ladrava fazia tremer o intruso mais incauto, perdeu a sensibilidade proprioceptiva e em momentos de maior stress, como idas ao veterinário, perde o controle de esfíncteres esvaíndo-se em merda. Merda pra isto, mas que vida de cão é esta? Pensará ele.. A médica de animais, prudentemente sugeriu aguardar uma semana para avaliar a evolução, mas avisou que eutanasiar poderá ser a melhor solução para terminar com o sofrimento do cachorro. O mundo animal parece estar mais avançado, eutanasiar já é palavra do vocabulário.
O Sr Serafim trabalhou toda a vida, homem sério, de bom trato. Pelas minhas contas há mais de 5 anos foi-lhe diagnosticado neoplasia intestinal, neste último ano perdeu por completo a pouca qualidade de vida que ainda lhe restava, a metastização do tumor, deteriorou por completo a sua condição física e mental, é completamente dependente em todas as necessidades básicas. A família agoniza com o seu sofrimento, exaspera com os seus gritos que aumentam apenas com um toque.
A D. Lurdes criou os 2 netos que hoje têm 14 e 11 anos. Apesar de passar os sessenta, aparenta menos dez. Calma, mas eléctrica, mulher de sete ofícios, teve uma vida difícil, mas rica e farta, nasceu na Venezuela e chegou a estar emigrada no Canadá, agora dedicava-se ao campo e às oliveiras. Foram estas inocentes árvores que a atiraram para o suplício, caiu de uma e fracturou a coluna cervical. Passa os dias entre o serviço de Ortopedia e cuidados intensivos. Estabiliza, ortopedia, pára de respirar, intensivos. A fractura é superior, atingiu a vértebra C4, a função respiratória está seriamente comprometida, o que ainda a mantém viva é uma traqueostomia. Mantém o seu perfeito juízo e já manifestou o desejo de morrer. Os filhos amam-na, daquele jeito de amar, que apenas os mais afortunados têm a possibilidade de perceber, revezam-se para, sempre que permitido, permanecerem junto dela e depois choram e desacreditam no Deus que trouxe ao mundo os seus filhos e o pão para as suas mesas.
A vida para ela já não faz qualquer sentido e sem o manifestar condena quem a prolonga, reanimando-a sucessivamente, Perdoai-lhes senhor, porque eles não sabem o que fazem, reza ao Salvador. Para ela e ao contrário do parecer dos filhos, já não tem vida de relação, não os encara, mal lhes fala. A única relação baseia-se no alívio disfarçado dos filhos de ainda puderem ver a mãe querida viva. Tamanho egoísmo que só pensam no seu pseudo-conforto.
Muitas vezes vejo escrito em diários clínicos e notas de enfermagem, “sem vida de relação”, a verdade nua e crua e a garganta entala-se-me. A vida vive do afecto e da relação, que é o seu verdadeiro motor. O resto é conversa. Quando médicos e enfermeiros escrevem “sem vida de relação” apesar de cair mal, procuro ser realista e penso, É um facto. O desenlace ideal, seria uma morte junto da família, do lar, da terra, morte serena, em paz, com a família consciencializada que é o melhor a fazer. Agora quem não passa por elas não compreende, nem muito menos sabe o que significa eutanásia. A igreja traça-lhes as ideias e o juízo.

E se o Sr Serafim fosse o papa, e a Dona Lurdes mãe de um ministro? Talvez apressassem o debate público, esclarecessem e constituíssem a eutanásia como um direito constitucional (evidentemente sustentado em princípios bioéticos) desembrulhada de preconceitos e ignorância. Sabemos que a realidade do país, o próprio sistema de saúde não estão ainda preparados para lidar com a eutanásia, comecem a trabalhar nesse sentido.

G.

Nota: recomendo o filme Mar Adentro, vejam um pouco em cima

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

As socas carpe diem


Nem todas as aquisições podem ser um fiasco, encontrem o médico das socas Carpe diem e perceberão o que digo. Tem uma escola enriquecedora, onde se aprende a valorizar a dor do doente, o sofrimento da doença.
Viver o dia é o seu lema. Uma grande ajuda para neste meio triunfar. Médico de convicções, educado e ponderado. Capaz de passar horas da madrugada no bloco a operar e vir depois à urgência resolver situações inacabadas. Frontal e preciso, disse a quem de direito que este era o pior serviço de urgência em termos organizacionais em que alguma vez tinha trabalhado. É alguém que admiro, porque ao contrário de muitos, tem prazer e orgulho no seu trabalho. Outros que têm, não o deveriam.
G.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Crónicas estapafúrdias vol. V - Tragédias


Plagiando o Capitão, durante 8 horas consecutivas ouvimos o matraquear de maleitas. Sr. Enfermeiro dói-me o peito, Sr. Enfermeiro falta de ar, Sr. Enfermeiro vomitei, Sr. Enfermeiro dei cabo dos dedos, Sr. Enfermeiro ando triste, Sr. Enfermeiro dói-me a barriga, perco sangue, é a febre, é a alergia, é o pé, são os dentes, é a tosse, são os ouvidos, são os gazes. Sr. Enfermeiro não come, não mija, Sr. Enfermeiro bebeu demais, comeu demais, não bebe, não come. Caiu de 5 metros, caiu de 10, de 20. Sr. Enfermeiro partiu o braço, a perna, o queixo, as costelas, os dentes… chegaaa!! Mit tausend Teufeln!! Só tragédia porra. Por que é que de vez em quando, não nos vêem visitar só pra dizer:
Sr. Enfermeiro hoje não me queixo de nada, sinto-me mesmo bem;
Sr. Enfermeiro você é impecável;
Sr. Enfermeiro onde é que você arranjou tanto estilo?!
Sr. Enfermeiro trago-lhe aqui estes chocolates.. gosta do negro ou de leite?
Sr. Enfermeiro ganhou o 3º prémio do Euromilhões;
Sr. Enfermeiro sou o homem mais feliz do mundo, hoje fui pai;
Sr. Enfermeiro, vim aqui de propósito só pra dizer que os enfermeiros são pessoas excepcionais;
Sr. Enfermeiro, trago-lhe aqui um capuccino, gosta de vanila ou moka?
Sr. Enfermeiro o Benfica ganhou a liga dos campeões;
Sr. Enfermeiro a Juventude de Viana é campeã nacional;
Sr. Enfermeiro o Cavaco mandou o Sócrates de frosques...
Mas não… é só tragédia…
G.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ben X, um dos filmes da minha vida

Recentemente vi o filme Ben X.
Há filmes que marcam e este é um deles.
A história (verídica) gira em torno de um jovem com síndrome de Asperger, uma s. do espectro autista e que consequentemente é vítima de bullying.
Mas a história tem muito mais que estes temas complicados e anexados pelos automatismos da sociedade egocêntrica e preconceituosa.
Let's look at the trailer

Mais um ataque a enfermagem...



Estava aqui a ler um email que tem já umas semanas e digo-vos,
Estou indignado, revoltado...
Então não é que o presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência, disse que os enfermeiros "não têm competências nem as habilitações necessárias para fazer parte de uma equipa de ambulância"?!
É incrível... Nós fizemos mal a alguém?! O mundo da saúde cada vez é mais triste, enrolado em mentira e difamação; é a hiper-competitividade, em que as pessoas lançam as mais absurdas acusações sem qualquer base de argumento, para tentar melhorar a sua própria situação.
Querem os TAE's ocupar os lugares dos enfermeiros?!
Até aqui não temos trabalhado em parceria e com frutos?
Quem é que faz a formação dos TAE's?! Não são também os enfermeiros?! O aprendiz volta-se contra o professor..
Como é possível atacarem uma classe (enfermagem), que tem anos de provas dadas em pré-hospitalar, no INEM, nas Corporações de Bombeiros, na formação, etc, etc..
Deixo-vos com as palavras do tal senhor presidente... Para melhor perceber, visitem o site da Fórum enfermagem, que vou adicionar à minha lista de Blogs e afins que vou visitando (na coluna do lado direito)
"Antes de prosseguir, o Presidente do STAE frisou que a defesa da criação da Carreira dos Técnicos de Ambulância de Emergência quer-se que possa incluir também os bombeiros, que tenham formação e desempenhem idênticas funções, dado que actualmente estes são responsáveis por cerca de 65% do auxílio pré-hospitalar prestado.De seguida explicitou que estes técnicos são os únicos que têm competências pré-hospitalares e o INEM é o único que detém ambulâncias profissionais com equipas compostas por estes técnicos. O facto de a carreira não existir origina carência de técnicos devidamente habilitados, pelo que o INEM recorreu à requisição de enfermeiros para suprir as necessidades, sendo que estes não têm as competências nem as habilitações necessárias para fazer parte de uma equipa de ambulância."
G.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A enfermeira mais simpática do Serviço de Urgência

Há uns tempos ouviu-se na Urgência,
Vá ter ali com aquela enfermeira! apontando para o outro lado do corredor.
Mas qual enfermeira?! perguntava a senhora.
Olhe, é a enfermeira mais simpática da urgência, você descobre...
Aquilo deixou-me a pensar, é difícil escolher a enfermeira mais simpática da urgência. É injusto escolher apenas uma.
Lembro-me de, no post "O Início... 2ª versão", no meio das lamentações, que no fundo foram o propósito do blog, ressalvar o prazer que tinha, de trabalhar com a generalidade dos meus colegas. Assegurei que mais tarde os relembraria.
Mas quem é a enfermeira mais simpática?! Não é propriamente fácil ser-se simpático na Urgência, vamos sendo prestáveis, uns dias mais animados, outros dias mais exasperados.
Acima de tudo admiro o espírito, a força, o dinamismo das nossas colegas mulheres... os homens que me desculpem, mas não é o vosso tributo.
Para a Ana, Adriana, Anabela, Carmen, Delfina, Graça, Mabilda, Maria João, Lurdes, Raquel, Teresa, Sara, Andreia, Paula M., Rita, Sandra B., Susana, Rosa Olívia, Ângela, Cristina, Daniela, Goreti, Karine, Luísa, Carmo, Paula P., Carla, Lígia, Sónia, Vânia e Sandra R. e todas as outras que por cá passaram, a minha admiração. Continuem a segurar a Urgência, é que nós, homens, somos um pouco mais impulsivos, é importante manter a impulsão e o travão, nivelados na balança.
Continuem a colorir esta Urgência, que às vezes parece tão cinzenta e a assegurar que, parafraseando o Filipe, somos a melhor equipa do mundo.
É importante durante a vida, relembrar e elogiar aqueles que consideramos, porque depois pode ser tarde.
Beijos
G.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A estrutura dos Serviços de Urgência


Este post vai de encontro à sondagem lançada aqui mesmo ao lado. Consta que hoje aconteceu algo de extraordinário para a equipa de enfermagem do serviço de Urgência. As enumeras lamentações dos elementos da equipa foram finalmente ouvidas por quem tem o poder de decisão – a direcção de enfermagem. Esta, ao que parece, apresentou-se com um estilo inovador, baseado no diálogo, na cooperação e com uma ideia fundamental: MUDANÇA. Parece que todos estavam de acordo que a mudança na urgência é urgente, mas que não depende exclusivamente dos enfermeiros. Ideias interessantes foram debatidas, notou-se optimismo, pelo interesse dos órgãos de gestão de incluir a equipa na tomada de decisões, mas receio pela ideia chave que foi proposta: A equipa de enfermagem ser dividida em duas, OBS /Urgência geral. Este é o espaço para se reflectir sobre os prós e os contras dessa proposta. Pelo que percebi, o objectivo será potencializar cada unidade funcional, tornando OBS e Urgência Geral dois serviços distintos e independentes. Mas será esta uma das soluções?! Não será possível atingir os mesmos objectivos de outra forma?!
Não acredito que metade da equipa deseje ficar única e exclusivamente em OBS e outra metade na Urgência Geral. A equipa ficou de se pronunciar e apresentar projectos. Podem aqui começar a reflexão.
Ate já!
G.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Fórum Sindicatos


O meu amigo colaborador Shadow pediu, eu cumpri ,
Entramos num novo ano e a luta por uma carreira digna na nossa profissão continua acesa. Tenho recebido vários emails sobre o que se vai passando e as notícias não são animadoras. Parece que o Ministério da Saúde continua a evitar os enfermeiros, adiando decisões, divergindo em medidas. A luta vai-se arrastando há já muito tempo, tanto que até já vamos perdendo a noção. Reparo numa maior mobilização, no entanto continuamos muito inertes. Muitos nos queixamos, muitos falamos no incrível movimento dos professores, mas parece que grande parte de nós continua metidinho no seu canto. Muitos ainda não perceberam, que se estiverem informados, unidos e esclarecidos, estão no caminho para fazer tremer o SNS.
Criticamos os sindicatos, a Ordem, mas desses, muitos nem num lado nem no outro, pagam quotas, participam. Compreendo também a frustração, mas é o momento para a deixarmos de parte.
Sendo assim, abro aqui este espaço para o debate em torno de:
Qual a tua opinião sobre o papel dos sindicatos?
Qual a tua opinião sobre o papel da Ordem?
Quais são os pontos emergentes para actuar, na tua opinião?
Quais as soluções?
Aguardo as vossas opiniões
Abraço
G.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Alcoolismo em profissionais de saúde - parte II


NOTA PRÉVIA: Caros participantes, a síntese que vão ler de seguida trata-se de um artigo da revista SÁBADO nº 221, cujo título é: Médicos viciados. Para lerem o artigo completo, pesquisem, "revistas online" no google e solicitem a revista.
1. Não se trata da minha parte de nenhum "ataque" aos médicos, que fique bem claro! Como já referi nada tenho contra os médicos, apenas me incomoda a arrogância e elitismo de alguns. Tenho muito respeito e consideração pela classe médica. Ser médico, não é nada fácil. As recompensas são benéficas, os dissabores podem ser catastróficos.
2. Este é um trabalho de investigação da jornalista Isabel Lacerda, que descobri por conversa com uma amiga e que serve de complemento ao penúltimo post, Alcoolismo em profissionais de saúde.
3. É importante reforçar o "PROFISSIONAIS DE SAÚDE". Na minha opinião o artigo é muito completo, mas será injusto, pois retrata apenas a classe médica, quando a questão abrange todas as classes. Não serão apenas médicos, os profissionais de saúde com este problema. Claro que para efeitos de audiência, vende muito mais, MÉDICOS VICIADOS, do que enfermeiros viciados ou auxiliares viciados, etc. Sendo assim, mais uma vez, que fique claro que acho este artigo pertinente, completo e interessante, mas INJUSTO, não venham por aqui os anónimos azucrinar-me a cabeça.
«A médica era viciada em drogas duras e foi apanhada a roubar. Castigo: aposentação. (...) Atendia vários doentes ao mesmo tempo enquanto os tratava por "tu" e fumava cigarros, (...). Há vários anos que as pessoas da região lhe conheciam a dependência de drogas duras - heroína e cocaína. Muitos doentes recusavam ser atendidos por ela. Mais de 10 registaram as suas queixas no livro de reclamações. Já em 2005 os colegas do posto médico se tinham juntado para exigir que ela fizesse análises ao sangue. Recusou. (...) Há médicos dependentes de drogas pesadas. Mas ainda são mais os que abusam de outras substâncias como álcool e comprimidos, para relaxar ou ganhar energia. A maioria dos estudos comparativos conclui que a propensão para o abuso de substâncias aditivas lícitas (medicamentos) é mesmo superior nos médicos do que nas restantes profissões. Num trabalho sobre stresse e esgotamento na classe médica, Maria Antónia Frasquilho, psiquiatra e investigadora, afirma, baseada em estudos internacionais: constata-se que os médicos recorrem aos tóxicos para aliviarem o sofrimento emocional - 12% a 14% abusam do álcool ou dependem de tóxicos. (...) A dependência química alia-se à dependência de álcool e assume uma dimensão e gravidade superiores às de outras profissões com status sócio-económico equivalente.
(...) os médicos têm altas taxas de stresse, insónia, ansiedade, depressão e suicídio (...). A psiquiatra nomeia as longas horas de trabalho, a frustração com o declínio das condições técnicas e humanas para exercer a medicina e a desilusão (...). Conheço muitos médicos que me dizem: "Só aguentei a Urgência tomando pastilhas, porque a minha vontade era fugir."
Luís Santos (nome fictício), médico de um hospital de Lisboa (...). Começou a tomar comprimidos no fim da faculdade (1975/76): "havia matérias extremamente árduas e um colega desafiou-me a tomar uns estimulantes." (...), um delegado de informação médica abordou-o com uns novos comprimidos que dizia serem óptimos para quando se estava de banco: "Foram os melhores que alguma vez tomei. Acho que era anfetamina ou coisa do género" (...) Ao fim de muitos anos, o médico, (...), reconheceu que tinha um problema de adição a comprimidos e também ao álcool, (...). Procurou um psiquiatra. Mas ainda foi pior. "Ele insistiu que eu estava enganado, que o meu problema era depressão." Receitou-lhe antidepressivos - vários. (...) A dependência durou mais de 20 anos. Sendo médico, Luís tinha acesso fácil à substância em que era viciado: prescrevia-se a si próprio. (...) Ele próprio explica que doses altas de estimulantes podem provocar efeitos com os de doentes bipolares na fase eufórica: "A pessoa perde alguma noção dos limites e do bom senso, acha que é o super-homem. (...) Por sorte, a sua especialidade não é cirúrgica. (...) E diz que nunca foi trabalhar "com os copos". Porque nas alturas em que lhe dava para beber até adormecer, ou faltava no dia seguinte ou faltava durante semanas ou meses - metia baixa.
No Brasil, um estudo da Universidade de São Paulo sobre os hábitos de consumo de médicos em tratamento de toxicodependência ou uso nocivo de substâncias revela que o padrão mais frequente é a associação de álcool e drogas (36,8%), seguido do álcool isolado (34,3%) e das drogas (28,3%). Uma profissional de saúde aposentada conta à SÁBADO como, ao longo da sua carreira, sempre em Lisboa, se cruzou com médicos com os três problemas: " Um especialista em medicina interna, na casa dos 40 anos, assim que chegava ia direito a um armário de medicamentos e tomava um tranquilizante. Dizia que o acalmava a tarde toda." Noutro hospital, um cirurgião com mais de 50 anos que tinha dores provocadas por um traumatismo de guerra, enchia-se de analgésicos, especialmente antes de entrar no bloco operatório. Só que os tomava com whisky. Nos intervalos entre operações engolia mais comprimidos e bebia mais whisky. Chegava a esvaziar uma garrafa por dia. "Que eu saiba, nunca teve nenhum acidente cirúrgico", "E depois havia outro internista, com menos de 40 anos, completamente alcoólico. Chegou a estar duas vezes internado, em coma. Acabou por morrer em deterioração orgânica provocada pelo álcool." (...) Domingos Neto, ex-director do Centro Regional de Alcoologia do sul. O psiquiatra especializado em adições já tratou mais de uma dezena de médicos com problemas de alcoolismo: "Uns estão óptimos, com uma vida profissional excelente. Outros não estão assim tão bem." Um dos problemas do abuso do álcool (...): "É uma espécie de toxicodependência de estimação dos portugueses." Mesmo os médicos têm dificuldade em reconhecer o seu problema. (...), têm maior renitência do que a população em geral em procurar ajuda e são melhores a esconder os sintomas. (...) Mesmo quando percebem que alguma coisa está errada, o alheamento, o corporativismo ou o receio tornam a ajuda e a denúncia raras (nenhum dos profissionais de saúde que relataram situações à SÁBADO falou com superiores ou com os colegas). Muitos poucos processos originados por esses motivos chegam à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS). E, destes, menos ainda terminam em sanções aos profissionais: as reacções, adianta fonte da IGAS, acabam quase sempre em recomendações de atenção às entidades. Além disso, a SÁBADO sabe que, nos últimos anos, os planos de actividade da Inspecção não tem previsto nenhuma acção de fiscalização a este tipo de situações. O Ministério da Saúde não quis comentar o assunto (...).
Em Lisboa, o hálito de um conhecido cirurgião não engana quem trabalha com ele. O seu comportamento muito menos. "É completamente irascível, anda sempre aos berros, maltrata toda a gente, ameaça os colegas de nunca mais operarem na vida", conta uma enfermeira. Com a perda de precisão, os erros, mesmo em cirurgias simples, apareceram. "Enganava-se e cortava artérias; numa operação a um quisto dermóide atrapalhou-se tanto que deixou a rapariga com uma cicatriz horrível (...). No momento em que percebia os enganos reagia quase sempre da mesma maneira: batia com os pés no chão, atirava com os instrumentos cirúrgicos, gritava: "Sou mesmo um estúpido, sou uma besta!" Há cerca de oito anos, numa cirurgia a uma hérnia, de repente o enfermeiro-instrumentista perguntou: " Mas isso não era o canal espermático?" Pausa. Gritos (do próprio cirurgião a chamar nomes a si próprio por ter cortado no sítio errado). Nova pausa, para se acalmar: "Cale-se! Não fale do que não sabe. Não era nada, está tudo bem." Mas era. Toda a gente que estava no Bloco percebeu que era. Só que ninguém disse nada. O rapaz de 20 e poucos anos nunca soube do erro que pôde eventualmente ter-lhe atrofiado um testículo. Formalmente, nunca nenhum colega fez queixa dos abusos do cirurgião, mas a SÁBADO sabe que foram várias as recomendações informais que chegaram à direcção de pelo menos um dos hospitais por onde passou para que ele fosse afastado dos blocos operatórios. Nunca nada foi feito. O médico continua com os seus excessos, verbais e de consumo, embora ultimamente se tenha dedicado mais a funções administrativas. "Pode haver tendência para proteger o colega, mas isso faz-lhe mal. Uma atitude firme da parte do superior ("Ou te tratas ou vais ter problemas connosco") é muito mais humana e benéfica do que a tolerância", sublinha o psiquiatra Domingos Neto. Até porque, se quase nenhum alcoólico procura ajuda sem pressão dos familiares, amigos ou colegas, nos médicos - está provado - os tratamentos têm taxas de sucesso superiores. Sobretudo se, como acontece nalguns países, a sua recuperação (de álcool e/ou drogas) for feita em centros de tratamento especializado só para profissionais clínicos. Nos Estados Unidos há pelo menos 40 instituições destas. Em Portugal a tentativa que houve em 2001, em Coimbra, acabou em menos de um ano: "Ainda atendemos cerca de 12 médicos, a maioria com problemas de álcool. Aquilo funcionava na base da boa vontade, por iniciativa da Ordem dos Médicos, mas necessitava de condições logísticas e financeiras para continuar", explica o psiquiatra mentor da iniciativa, Morgado Pereira.
O elevado estatuto social da classe médica e a própria natureza da profissão faz com que os próprios tenham renitência em recorrer aos serviços de saúde públicos, onde estão mais expostos e podem, inclusive, cruzar-se ou ficar internados ao lado de pacientes. A secção regional do sul da Ordem está a acompanhar o Programa de Atenção Integral ao médico Enfermo, de Barcelona (...): "Permite um internamento incógnito - a pessoa vai com um nome de código".
Em Portugal, os profissionais de saúde representam 3,2% dos Alcoólicos Anónimos (AA). (...) Carlos Ferreira (nome fictício) foi um deles. Começou a beber ainda durante o curso e só parou 20 anos mais tarde (...) o álcool estragou-lhe a carreira de gastroenterologista no IPO de Lisboa. Mas proporcionou-lhe outra: " Quando entrei nos AA comecei a ler tudo que havia sobre adições em Portugal. Depois fui para o Canadá estudar medicina de adição. Quando regressei tornei-me também psicoterapeuta." Há 15 anos que trata pessoas com os mesmos problemas pelos quais já passou. Deixa um recado: "Os médicos têm de perceber e aceitar que o alcoolismo é uma doença crónica como a hipertensão, a doença cardiovascular ou pulmonar (...) não se pode deixar que estejam a exercer - para o bem delas e para o bem dos doentes, porque esses é que não têm culpa nenhuma.
(...) O marido de Zélia Ferreira foi atendido por um médico visivelmente alcoolizado. Morreu poucas horas depois: "Tinha os botões da bata desencontrados e os sapatos a chinelar. Até pensei - raio de médico, parece que está a dormir" (...) Morreu a caminho do segundo hospital. Deixou duas filhas e uma viúva inconformada: Zélia Ferreira escreveu uma queixa no livro amarelo do hospital e iniciou um processo em tribunal contra o médico. A reclamação originou um inquérito na IGAS, que terminou com a mera recomendação para que as sub-regiões de saúde instaurem formas de monitorizar e prevenir este tipo de situações. O processo judicial não passou da instrução, em 2007. (...) De nada valeram as 11 testemunhas apresentadas pela viúva, todas a referir o habitual estado de embriaguez do clínico geral.
Paulo Agostinho (...) levou a filha de 8 anos, engripada e febril ao mesmo hospital (...) À saída perguntou na secretaria se era permitido ouvir música na urgência, (...) "Nisto aparece o médico a dizer que o rádio tinha desaparecido, como se eu o tivesse roubado." Levantou-se a confusão e Paulo chamou a PSP - insistia em ser revistado para desfazer as dúvidas. Mas quando a polícia chegou, o pedido das dezenas de utentes que lá estavam foi outro: "Ponham-no (o médico) a soprar ao balão!". A polícia não chegou a testar a alcoolemia, mas umas semanas depois Paulo Agostinho recebeu um telefonema do director do hospital e mais tarde alguém lhe disse que o médico tinha sido retirado das urgências nocturnas. Esse médico tem hoje 60 anos. Continua a exercer».
A minha opinião:
1. Por que é que as entidades competentes se escondem atrás do problema, por que é que não encontram soluções? "O Ministério não comenta? Porquê?
2. Todos sabemos que há médicos que têm pavor, detestam a Urgência, fazem-na por obrigação, daí vem os comprimidos para relaxar. Não há formas de se dedicarem àquilo que gostam e deixar a urgência para outros, aqueles que gostam (criar "urgencistas", p.e.).
3. A causa do problema também está no próprio SNS, alguns motivos que foram apontados no artigo são da exclusiva responsabilidade do SNS. Questões organizativas, condições de trabalho, melhoria infra-estruturas, aumento das equipas, ......
4. Médicos que se auto-prescrevem, como é possível?!
Obrigado Patrícia, este post não existiria sem a tua preciosa ajuda.
G.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Save Miguel


Vejam isto, vale a pena! Não tem nada a ver com enfermagem.
O pddse também não é só enfermagem e todas as questões associadas a saúde, senão começa a cansar.
Como se consegue aliar humor a uma boa causa, clica aqui SAVE MIGUEL

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alcoolismo em profissionais de saúde


Há uns tempos atrás, nos meus apontamentos, tinha anotado um tema que cada vez mais me parece tabu. Escândalos e notícias tristes depressa se propagam neste hospital e, vendo bem, em qualquer local de trabalho no nosso país. As boas notícias, excluindo o aumento de vencimentos, demoram mais um pouco a alcançar um destino, nesta corrente de propagação de informação.
Depois foi lançada a já tão badalada bomba pelo Sr. Tasqueiro (quem desconhece, recomendo consultar os comentários ao post “Crónicas estapafúrdias vol. IV – Ruídos”).
Pensei que seria o momento oportuno para abordar o tal tema tabu, o alcoolismo em profissionais de saúde.
Para ter um suporte científico, comecei por pesquisar no Google académico, trabalhos sobre o tema. Surpreendentemente encontrei zero. Inseri “alcoolismo em profissionais de saúde” no motor de busca e as centenas de trabalhos de investigação/artigos que surgiram, incidiam sobre alcoolismo numa amostra aleatória de pessoas e enfatizavam o papel dos profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros, no combate ao problema.
Outros trabalhos direccionavam-se para burnout. Duas premissas importantes: o burnout pode conduzir ao alcoolismo; Os profissionais de saúde são das classes mais propícias a desenvolver burnout. Associando-as, facilmente concluímos que os profissionais de saúde correm algum risco de consumir álcool em excesso. Porque é que não encontro então, estudos sobre isso??! Se calhar sou um nabo a pesquisar.
Ser profissional de saúde, tem as suas recompensas, as suas amarguras. Há um vasto leque de vantagens e inconvenientes, já por demais conhecidos. Lidar com o insucesso, fadiga, stress, sofrimento dos outros, problemas familiares associados à ausência ou não, etc, pode levar a angústia, depressão e por possível sucessão, a vícios, onde o álcool assume posições de liderança.
É problemático ser alcoólico, é ainda mais problemático ser um profissional de saúde alcoólico. Porém, na minha opinião, é muito mais que problemático, é gravíssimo, é ultra-condenável, permitir que estes profissionais estejam em trabalho, sem que haja vigilância, acompanhamento e tratamento.
Em grandes locais de trabalho como Portucel e Estaleiros Navais, onde os trabalhadores desempenham cargos de alta responsabilidade, há vigilância rigorosa dos níveis de alcoolemia nos trabalhadores. No nosso hospital, onde evidentemente os trabalhadores desempenham cargos de ainda maior responsabilidade, já vi testes de alcoolemia, mas foram aqueles que a GNR vem fazer aos traumatizados em acidentes de viação. Agora em funcionários??! Nunca vi, nem nunca ouvi falar. Posso estar enganado, mesmo que esteja, é impossível que este controle seja eficaz. O Sr. Tasqueiro lançou a bomba que toda a gente tem conhecimento, mas que finge não ter. É um problema de saúde pública, é um problema nosso, dos nossos gestores e responsáveis pelos departamentos de medicina no trabalho. Acordem senhores, qualquer dia pode ser tarde. Enfrentem o problema, não discriminem, encontrem saídas.
G.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Um bom conselho

Nem todos os discursos são enfadonhos, como os do Sócrates, Manuela F. Leite, etc...
Vale a pena ouvir este senhor, fundador da Macintosh e Pixar.
Apesar de estar escrito que está legendado em português, quem o disse deve ser brasileiro.
Só não concordo muito com o seu conceito de envelhecer, tudo o resto acho que é uma boa lição para a vida.
O video seguinte é a 1ª parte, se quiserem continuar, vejam a 2ª parte, clicando aqui

G.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Crónicas estapafúrdias vol. IV - Ruídos


Um Serviço de Urgência é um sítio cheio de vida, de movimento, de riso, de choro, de choque, de gestos e por tudo isto, de barulho excessivo. Existe um médico de alta patente, alérgico ao ruído. Quase sempre acorda mal-disposto. Quando é confrontado com mais que um assunto ao mesmo tempo, ou quando começa a ouvir barulho a mais então essa má disposição triplica. Consta que durante a azáfama que é um turno da manhã em OBS terá dito, após o telefone tocar continuamente, Ao 3º toque do telefone, é para atender!!. A Enf. P. respondeu, enquanto se ocupava com a higiene da D. Fátima, com ajuda da Auxiliar D. R., Não vamos parar o que estamos a fazer! E o telefone tocou e tocou...
Outra Doutora, igualmente de alta patente, incomodou-se também com a gargalhada de uma enfermeira. Terá pedido: Srª Enfermeira, não se importa de se rir atrás do armário.
Confesso que também me incomoda um pouco o barulho excessivo, às vezes nem nos apercebemos do ruído que fazemos, principalmente no turno da noite. O bom silêncio, aquele que provoca tranquilidade, é importante para o processo de cura e para o nosso bem-estar. Agora garanto-vos, não vou deixar de fazer o que estava a fazer, para atender um telefone e de certeza que não me vou rir atrás de um armário, até porque já não os há.
G.