segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A estrutura dos Serviços de Urgência


Este post vai de encontro à sondagem lançada aqui mesmo ao lado. Consta que hoje aconteceu algo de extraordinário para a equipa de enfermagem do serviço de Urgência. As enumeras lamentações dos elementos da equipa foram finalmente ouvidas por quem tem o poder de decisão – a direcção de enfermagem. Esta, ao que parece, apresentou-se com um estilo inovador, baseado no diálogo, na cooperação e com uma ideia fundamental: MUDANÇA. Parece que todos estavam de acordo que a mudança na urgência é urgente, mas que não depende exclusivamente dos enfermeiros. Ideias interessantes foram debatidas, notou-se optimismo, pelo interesse dos órgãos de gestão de incluir a equipa na tomada de decisões, mas receio pela ideia chave que foi proposta: A equipa de enfermagem ser dividida em duas, OBS /Urgência geral. Este é o espaço para se reflectir sobre os prós e os contras dessa proposta. Pelo que percebi, o objectivo será potencializar cada unidade funcional, tornando OBS e Urgência Geral dois serviços distintos e independentes. Mas será esta uma das soluções?! Não será possível atingir os mesmos objectivos de outra forma?!
Não acredito que metade da equipa deseje ficar única e exclusivamente em OBS e outra metade na Urgência Geral. A equipa ficou de se pronunciar e apresentar projectos. Podem aqui começar a reflexão.
Ate já!
G.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Fórum Sindicatos


O meu amigo colaborador Shadow pediu, eu cumpri ,
Entramos num novo ano e a luta por uma carreira digna na nossa profissão continua acesa. Tenho recebido vários emails sobre o que se vai passando e as notícias não são animadoras. Parece que o Ministério da Saúde continua a evitar os enfermeiros, adiando decisões, divergindo em medidas. A luta vai-se arrastando há já muito tempo, tanto que até já vamos perdendo a noção. Reparo numa maior mobilização, no entanto continuamos muito inertes. Muitos nos queixamos, muitos falamos no incrível movimento dos professores, mas parece que grande parte de nós continua metidinho no seu canto. Muitos ainda não perceberam, que se estiverem informados, unidos e esclarecidos, estão no caminho para fazer tremer o SNS.
Criticamos os sindicatos, a Ordem, mas desses, muitos nem num lado nem no outro, pagam quotas, participam. Compreendo também a frustração, mas é o momento para a deixarmos de parte.
Sendo assim, abro aqui este espaço para o debate em torno de:
Qual a tua opinião sobre o papel dos sindicatos?
Qual a tua opinião sobre o papel da Ordem?
Quais são os pontos emergentes para actuar, na tua opinião?
Quais as soluções?
Aguardo as vossas opiniões
Abraço
G.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Alcoolismo em profissionais de saúde - parte II


NOTA PRÉVIA: Caros participantes, a síntese que vão ler de seguida trata-se de um artigo da revista SÁBADO nº 221, cujo título é: Médicos viciados. Para lerem o artigo completo, pesquisem, "revistas online" no google e solicitem a revista.
1. Não se trata da minha parte de nenhum "ataque" aos médicos, que fique bem claro! Como já referi nada tenho contra os médicos, apenas me incomoda a arrogância e elitismo de alguns. Tenho muito respeito e consideração pela classe médica. Ser médico, não é nada fácil. As recompensas são benéficas, os dissabores podem ser catastróficos.
2. Este é um trabalho de investigação da jornalista Isabel Lacerda, que descobri por conversa com uma amiga e que serve de complemento ao penúltimo post, Alcoolismo em profissionais de saúde.
3. É importante reforçar o "PROFISSIONAIS DE SAÚDE". Na minha opinião o artigo é muito completo, mas será injusto, pois retrata apenas a classe médica, quando a questão abrange todas as classes. Não serão apenas médicos, os profissionais de saúde com este problema. Claro que para efeitos de audiência, vende muito mais, MÉDICOS VICIADOS, do que enfermeiros viciados ou auxiliares viciados, etc. Sendo assim, mais uma vez, que fique claro que acho este artigo pertinente, completo e interessante, mas INJUSTO, não venham por aqui os anónimos azucrinar-me a cabeça.
«A médica era viciada em drogas duras e foi apanhada a roubar. Castigo: aposentação. (...) Atendia vários doentes ao mesmo tempo enquanto os tratava por "tu" e fumava cigarros, (...). Há vários anos que as pessoas da região lhe conheciam a dependência de drogas duras - heroína e cocaína. Muitos doentes recusavam ser atendidos por ela. Mais de 10 registaram as suas queixas no livro de reclamações. Já em 2005 os colegas do posto médico se tinham juntado para exigir que ela fizesse análises ao sangue. Recusou. (...) Há médicos dependentes de drogas pesadas. Mas ainda são mais os que abusam de outras substâncias como álcool e comprimidos, para relaxar ou ganhar energia. A maioria dos estudos comparativos conclui que a propensão para o abuso de substâncias aditivas lícitas (medicamentos) é mesmo superior nos médicos do que nas restantes profissões. Num trabalho sobre stresse e esgotamento na classe médica, Maria Antónia Frasquilho, psiquiatra e investigadora, afirma, baseada em estudos internacionais: constata-se que os médicos recorrem aos tóxicos para aliviarem o sofrimento emocional - 12% a 14% abusam do álcool ou dependem de tóxicos. (...) A dependência química alia-se à dependência de álcool e assume uma dimensão e gravidade superiores às de outras profissões com status sócio-económico equivalente.
(...) os médicos têm altas taxas de stresse, insónia, ansiedade, depressão e suicídio (...). A psiquiatra nomeia as longas horas de trabalho, a frustração com o declínio das condições técnicas e humanas para exercer a medicina e a desilusão (...). Conheço muitos médicos que me dizem: "Só aguentei a Urgência tomando pastilhas, porque a minha vontade era fugir."
Luís Santos (nome fictício), médico de um hospital de Lisboa (...). Começou a tomar comprimidos no fim da faculdade (1975/76): "havia matérias extremamente árduas e um colega desafiou-me a tomar uns estimulantes." (...), um delegado de informação médica abordou-o com uns novos comprimidos que dizia serem óptimos para quando se estava de banco: "Foram os melhores que alguma vez tomei. Acho que era anfetamina ou coisa do género" (...) Ao fim de muitos anos, o médico, (...), reconheceu que tinha um problema de adição a comprimidos e também ao álcool, (...). Procurou um psiquiatra. Mas ainda foi pior. "Ele insistiu que eu estava enganado, que o meu problema era depressão." Receitou-lhe antidepressivos - vários. (...) A dependência durou mais de 20 anos. Sendo médico, Luís tinha acesso fácil à substância em que era viciado: prescrevia-se a si próprio. (...) Ele próprio explica que doses altas de estimulantes podem provocar efeitos com os de doentes bipolares na fase eufórica: "A pessoa perde alguma noção dos limites e do bom senso, acha que é o super-homem. (...) Por sorte, a sua especialidade não é cirúrgica. (...) E diz que nunca foi trabalhar "com os copos". Porque nas alturas em que lhe dava para beber até adormecer, ou faltava no dia seguinte ou faltava durante semanas ou meses - metia baixa.
No Brasil, um estudo da Universidade de São Paulo sobre os hábitos de consumo de médicos em tratamento de toxicodependência ou uso nocivo de substâncias revela que o padrão mais frequente é a associação de álcool e drogas (36,8%), seguido do álcool isolado (34,3%) e das drogas (28,3%). Uma profissional de saúde aposentada conta à SÁBADO como, ao longo da sua carreira, sempre em Lisboa, se cruzou com médicos com os três problemas: " Um especialista em medicina interna, na casa dos 40 anos, assim que chegava ia direito a um armário de medicamentos e tomava um tranquilizante. Dizia que o acalmava a tarde toda." Noutro hospital, um cirurgião com mais de 50 anos que tinha dores provocadas por um traumatismo de guerra, enchia-se de analgésicos, especialmente antes de entrar no bloco operatório. Só que os tomava com whisky. Nos intervalos entre operações engolia mais comprimidos e bebia mais whisky. Chegava a esvaziar uma garrafa por dia. "Que eu saiba, nunca teve nenhum acidente cirúrgico", "E depois havia outro internista, com menos de 40 anos, completamente alcoólico. Chegou a estar duas vezes internado, em coma. Acabou por morrer em deterioração orgânica provocada pelo álcool." (...) Domingos Neto, ex-director do Centro Regional de Alcoologia do sul. O psiquiatra especializado em adições já tratou mais de uma dezena de médicos com problemas de alcoolismo: "Uns estão óptimos, com uma vida profissional excelente. Outros não estão assim tão bem." Um dos problemas do abuso do álcool (...): "É uma espécie de toxicodependência de estimação dos portugueses." Mesmo os médicos têm dificuldade em reconhecer o seu problema. (...), têm maior renitência do que a população em geral em procurar ajuda e são melhores a esconder os sintomas. (...) Mesmo quando percebem que alguma coisa está errada, o alheamento, o corporativismo ou o receio tornam a ajuda e a denúncia raras (nenhum dos profissionais de saúde que relataram situações à SÁBADO falou com superiores ou com os colegas). Muitos poucos processos originados por esses motivos chegam à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS). E, destes, menos ainda terminam em sanções aos profissionais: as reacções, adianta fonte da IGAS, acabam quase sempre em recomendações de atenção às entidades. Além disso, a SÁBADO sabe que, nos últimos anos, os planos de actividade da Inspecção não tem previsto nenhuma acção de fiscalização a este tipo de situações. O Ministério da Saúde não quis comentar o assunto (...).
Em Lisboa, o hálito de um conhecido cirurgião não engana quem trabalha com ele. O seu comportamento muito menos. "É completamente irascível, anda sempre aos berros, maltrata toda a gente, ameaça os colegas de nunca mais operarem na vida", conta uma enfermeira. Com a perda de precisão, os erros, mesmo em cirurgias simples, apareceram. "Enganava-se e cortava artérias; numa operação a um quisto dermóide atrapalhou-se tanto que deixou a rapariga com uma cicatriz horrível (...). No momento em que percebia os enganos reagia quase sempre da mesma maneira: batia com os pés no chão, atirava com os instrumentos cirúrgicos, gritava: "Sou mesmo um estúpido, sou uma besta!" Há cerca de oito anos, numa cirurgia a uma hérnia, de repente o enfermeiro-instrumentista perguntou: " Mas isso não era o canal espermático?" Pausa. Gritos (do próprio cirurgião a chamar nomes a si próprio por ter cortado no sítio errado). Nova pausa, para se acalmar: "Cale-se! Não fale do que não sabe. Não era nada, está tudo bem." Mas era. Toda a gente que estava no Bloco percebeu que era. Só que ninguém disse nada. O rapaz de 20 e poucos anos nunca soube do erro que pôde eventualmente ter-lhe atrofiado um testículo. Formalmente, nunca nenhum colega fez queixa dos abusos do cirurgião, mas a SÁBADO sabe que foram várias as recomendações informais que chegaram à direcção de pelo menos um dos hospitais por onde passou para que ele fosse afastado dos blocos operatórios. Nunca nada foi feito. O médico continua com os seus excessos, verbais e de consumo, embora ultimamente se tenha dedicado mais a funções administrativas. "Pode haver tendência para proteger o colega, mas isso faz-lhe mal. Uma atitude firme da parte do superior ("Ou te tratas ou vais ter problemas connosco") é muito mais humana e benéfica do que a tolerância", sublinha o psiquiatra Domingos Neto. Até porque, se quase nenhum alcoólico procura ajuda sem pressão dos familiares, amigos ou colegas, nos médicos - está provado - os tratamentos têm taxas de sucesso superiores. Sobretudo se, como acontece nalguns países, a sua recuperação (de álcool e/ou drogas) for feita em centros de tratamento especializado só para profissionais clínicos. Nos Estados Unidos há pelo menos 40 instituições destas. Em Portugal a tentativa que houve em 2001, em Coimbra, acabou em menos de um ano: "Ainda atendemos cerca de 12 médicos, a maioria com problemas de álcool. Aquilo funcionava na base da boa vontade, por iniciativa da Ordem dos Médicos, mas necessitava de condições logísticas e financeiras para continuar", explica o psiquiatra mentor da iniciativa, Morgado Pereira.
O elevado estatuto social da classe médica e a própria natureza da profissão faz com que os próprios tenham renitência em recorrer aos serviços de saúde públicos, onde estão mais expostos e podem, inclusive, cruzar-se ou ficar internados ao lado de pacientes. A secção regional do sul da Ordem está a acompanhar o Programa de Atenção Integral ao médico Enfermo, de Barcelona (...): "Permite um internamento incógnito - a pessoa vai com um nome de código".
Em Portugal, os profissionais de saúde representam 3,2% dos Alcoólicos Anónimos (AA). (...) Carlos Ferreira (nome fictício) foi um deles. Começou a beber ainda durante o curso e só parou 20 anos mais tarde (...) o álcool estragou-lhe a carreira de gastroenterologista no IPO de Lisboa. Mas proporcionou-lhe outra: " Quando entrei nos AA comecei a ler tudo que havia sobre adições em Portugal. Depois fui para o Canadá estudar medicina de adição. Quando regressei tornei-me também psicoterapeuta." Há 15 anos que trata pessoas com os mesmos problemas pelos quais já passou. Deixa um recado: "Os médicos têm de perceber e aceitar que o alcoolismo é uma doença crónica como a hipertensão, a doença cardiovascular ou pulmonar (...) não se pode deixar que estejam a exercer - para o bem delas e para o bem dos doentes, porque esses é que não têm culpa nenhuma.
(...) O marido de Zélia Ferreira foi atendido por um médico visivelmente alcoolizado. Morreu poucas horas depois: "Tinha os botões da bata desencontrados e os sapatos a chinelar. Até pensei - raio de médico, parece que está a dormir" (...) Morreu a caminho do segundo hospital. Deixou duas filhas e uma viúva inconformada: Zélia Ferreira escreveu uma queixa no livro amarelo do hospital e iniciou um processo em tribunal contra o médico. A reclamação originou um inquérito na IGAS, que terminou com a mera recomendação para que as sub-regiões de saúde instaurem formas de monitorizar e prevenir este tipo de situações. O processo judicial não passou da instrução, em 2007. (...) De nada valeram as 11 testemunhas apresentadas pela viúva, todas a referir o habitual estado de embriaguez do clínico geral.
Paulo Agostinho (...) levou a filha de 8 anos, engripada e febril ao mesmo hospital (...) À saída perguntou na secretaria se era permitido ouvir música na urgência, (...) "Nisto aparece o médico a dizer que o rádio tinha desaparecido, como se eu o tivesse roubado." Levantou-se a confusão e Paulo chamou a PSP - insistia em ser revistado para desfazer as dúvidas. Mas quando a polícia chegou, o pedido das dezenas de utentes que lá estavam foi outro: "Ponham-no (o médico) a soprar ao balão!". A polícia não chegou a testar a alcoolemia, mas umas semanas depois Paulo Agostinho recebeu um telefonema do director do hospital e mais tarde alguém lhe disse que o médico tinha sido retirado das urgências nocturnas. Esse médico tem hoje 60 anos. Continua a exercer».
A minha opinião:
1. Por que é que as entidades competentes se escondem atrás do problema, por que é que não encontram soluções? "O Ministério não comenta? Porquê?
2. Todos sabemos que há médicos que têm pavor, detestam a Urgência, fazem-na por obrigação, daí vem os comprimidos para relaxar. Não há formas de se dedicarem àquilo que gostam e deixar a urgência para outros, aqueles que gostam (criar "urgencistas", p.e.).
3. A causa do problema também está no próprio SNS, alguns motivos que foram apontados no artigo são da exclusiva responsabilidade do SNS. Questões organizativas, condições de trabalho, melhoria infra-estruturas, aumento das equipas, ......
4. Médicos que se auto-prescrevem, como é possível?!
Obrigado Patrícia, este post não existiria sem a tua preciosa ajuda.
G.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Save Miguel


Vejam isto, vale a pena! Não tem nada a ver com enfermagem.
O pddse também não é só enfermagem e todas as questões associadas a saúde, senão começa a cansar.
Como se consegue aliar humor a uma boa causa, clica aqui SAVE MIGUEL

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alcoolismo em profissionais de saúde


Há uns tempos atrás, nos meus apontamentos, tinha anotado um tema que cada vez mais me parece tabu. Escândalos e notícias tristes depressa se propagam neste hospital e, vendo bem, em qualquer local de trabalho no nosso país. As boas notícias, excluindo o aumento de vencimentos, demoram mais um pouco a alcançar um destino, nesta corrente de propagação de informação.
Depois foi lançada a já tão badalada bomba pelo Sr. Tasqueiro (quem desconhece, recomendo consultar os comentários ao post “Crónicas estapafúrdias vol. IV – Ruídos”).
Pensei que seria o momento oportuno para abordar o tal tema tabu, o alcoolismo em profissionais de saúde.
Para ter um suporte científico, comecei por pesquisar no Google académico, trabalhos sobre o tema. Surpreendentemente encontrei zero. Inseri “alcoolismo em profissionais de saúde” no motor de busca e as centenas de trabalhos de investigação/artigos que surgiram, incidiam sobre alcoolismo numa amostra aleatória de pessoas e enfatizavam o papel dos profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros, no combate ao problema.
Outros trabalhos direccionavam-se para burnout. Duas premissas importantes: o burnout pode conduzir ao alcoolismo; Os profissionais de saúde são das classes mais propícias a desenvolver burnout. Associando-as, facilmente concluímos que os profissionais de saúde correm algum risco de consumir álcool em excesso. Porque é que não encontro então, estudos sobre isso??! Se calhar sou um nabo a pesquisar.
Ser profissional de saúde, tem as suas recompensas, as suas amarguras. Há um vasto leque de vantagens e inconvenientes, já por demais conhecidos. Lidar com o insucesso, fadiga, stress, sofrimento dos outros, problemas familiares associados à ausência ou não, etc, pode levar a angústia, depressão e por possível sucessão, a vícios, onde o álcool assume posições de liderança.
É problemático ser alcoólico, é ainda mais problemático ser um profissional de saúde alcoólico. Porém, na minha opinião, é muito mais que problemático, é gravíssimo, é ultra-condenável, permitir que estes profissionais estejam em trabalho, sem que haja vigilância, acompanhamento e tratamento.
Em grandes locais de trabalho como Portucel e Estaleiros Navais, onde os trabalhadores desempenham cargos de alta responsabilidade, há vigilância rigorosa dos níveis de alcoolemia nos trabalhadores. No nosso hospital, onde evidentemente os trabalhadores desempenham cargos de ainda maior responsabilidade, já vi testes de alcoolemia, mas foram aqueles que a GNR vem fazer aos traumatizados em acidentes de viação. Agora em funcionários??! Nunca vi, nem nunca ouvi falar. Posso estar enganado, mesmo que esteja, é impossível que este controle seja eficaz. O Sr. Tasqueiro lançou a bomba que toda a gente tem conhecimento, mas que finge não ter. É um problema de saúde pública, é um problema nosso, dos nossos gestores e responsáveis pelos departamentos de medicina no trabalho. Acordem senhores, qualquer dia pode ser tarde. Enfrentem o problema, não discriminem, encontrem saídas.
G.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Um bom conselho

Nem todos os discursos são enfadonhos, como os do Sócrates, Manuela F. Leite, etc...
Vale a pena ouvir este senhor, fundador da Macintosh e Pixar.
Apesar de estar escrito que está legendado em português, quem o disse deve ser brasileiro.
Só não concordo muito com o seu conceito de envelhecer, tudo o resto acho que é uma boa lição para a vida.
O video seguinte é a 1ª parte, se quiserem continuar, vejam a 2ª parte, clicando aqui

G.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Crónicas estapafúrdias vol. IV - Ruídos


Um Serviço de Urgência é um sítio cheio de vida, de movimento, de riso, de choro, de choque, de gestos e por tudo isto, de barulho excessivo. Existe um médico de alta patente, alérgico ao ruído. Quase sempre acorda mal-disposto. Quando é confrontado com mais que um assunto ao mesmo tempo, ou quando começa a ouvir barulho a mais então essa má disposição triplica. Consta que durante a azáfama que é um turno da manhã em OBS terá dito, após o telefone tocar continuamente, Ao 3º toque do telefone, é para atender!!. A Enf. P. respondeu, enquanto se ocupava com a higiene da D. Fátima, com ajuda da Auxiliar D. R., Não vamos parar o que estamos a fazer! E o telefone tocou e tocou...
Outra Doutora, igualmente de alta patente, incomodou-se também com a gargalhada de uma enfermeira. Terá pedido: Srª Enfermeira, não se importa de se rir atrás do armário.
Confesso que também me incomoda um pouco o barulho excessivo, às vezes nem nos apercebemos do ruído que fazemos, principalmente no turno da noite. O bom silêncio, aquele que provoca tranquilidade, é importante para o processo de cura e para o nosso bem-estar. Agora garanto-vos, não vou deixar de fazer o que estava a fazer, para atender um telefone e de certeza que não me vou rir atrás de um armário, até porque já não os há.
G.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os artistas dos hospitais


A hierarquia do futebol assemelha-se em quase tudo à dos hospitais.
Os presidentes dos clubes são os administradores hospitalares, tanto uns como outros gerem (mal ou bem) os dinheiros, as contratações e decidem as politicas a ser implementadas.
Os Enf. chefes são os treinadores, fazem os horários, tal como o treinador decide quando se treina e quando se folga, tramam a vida a vida a um gajo que não gostem da mesma maneira que um treinador queima um bom jogador, só porque teima que não deve jogar. Depois orientam e rentabilizam a equipa.
Tony hoje jogas a ponta de lança, vais prá Manchester; Brandão vais pró miolo, no meio-campo, ficas com a reanimação; Ana Bela, jogas a trinco na Admissão, vais ter que correr muito, joga simples e rápido. Na defesa em OBS, joga a Delfina, o Tiago e a Lígia.
Eii chefe hoje falta o Adão!
Não faz mal, jogamos menos um.
Oh chefe, mas hoje é um jogo (turno) complicado!!
Vocês são capazes disso e muito mais, somos raçudos, invencíveis!
Oh chefe mas andar a jogar sistematicamente com menos um… qualquer dia vai correr mal e vamos perder pontos (vidas)! Temos que começar a pedir jogadores (enfermeiros) emprestados!
Não dá! Os outros clubes (serviços) também estão desfalcados!
Porra, contratem! Anda aí tanto jogador sem clube (trabalho).
Quem manda é o administrador, eu não tenho voto na matéria…


No fim da hierarquia estão os enfermeiros, que são os jogadores. Apesar de no futebol os jogadores serem os últimos da hierarquia, são os que ganham mais, já que são eles os artistas, os que proporcionam o espectáculo. Ora, nós, os enfermeiros, de uma forma geral, também somos os artistas, somos criativos e decisivos (qualidades vitais a um bom jogador), somos nós que também proporcionamos o espectáculo, que também não aconteceria se não houvesse utentes, neste caso os adeptos (que são aqueles senhores que aplaudem, elogiam, mas que também insultam se for necessário).
Agora questiono, se somos os artistas, por que é que ganhamos menos?!
Temos que falar com os nossos empresários (sindicatos) a ver se conseguem negociar o contrato. Mas os patrões dos clubes (ministério) não estão para aí virados. Temos que fazer greve, como o Estrela da Amadora.
G.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal dos hospitais II



O post anterior falava de filhos desnaturados, no lado oposto temos os verdadeiros filhos, os filhos de coração.
A Dona Catarina tem 53 anos e carrega com ela há três, um cancro no intestino já disseminado. Fala com ternura e sem pressas, com olhar fixo, face encovada e com os lábios quase estáticos. A pele é seca e tem um tom acinzentado, os braços são delgados, procuro-lhe uma veia. Não tem saúde, mas é feliz, tem o amor dos filhos.
O filho já não se lembrava de mim, ela topou-me logo pela pinta.
Enquanto retirava das suas veias escondidas um pouco de sangue para análises, o filho mantinha-se debruçado na maca, abraçado aos ombros da mãe, segredava-lhe palavras com meiguice.
Dona Catarina vou dar-lhe uma medicação para a dor, nós estamos por aqui, se continuar com dor, é só chamar.
Pois é mãe, se precisares chamas o Sr. enfermeiro, e fazes outra medicação, não se justifica ficares com dores!
Acrescentava com a voz embargada, dando a entender que a mãe era de poucas queixas.
Expliquei ao Jaime, seu filho, quanto tempo demoravam as análises e outras coisas básicas de funcionamento. Agradeceu-me e nos seus olhos enevoados via-se a tristeza da necessidade de ter a mãe no corredor da urgência no dia de Natal.
G.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal dos hospitais I



Retiro-me temporariamente do prazer do calor da família nesta noite de consoada, para partilhar convosco algo que me atormenta.
No dia 23 de Dezembro a urgência estava calma, estranhamente calma, normalmente quando assim é, algo de mal se avizinha.
Dia 24 passei na urgência, reparei nas macas apinhadas, de um lado e de outro, no "corredor dos despejos". É a denominação certa, literalmente os velhinhos são despejados pelos seus familiares. Nunca quis acreditar que um filho, já pai ou mãe de família, fosse capaz de abandonar a avó dos seus filhos pelo corredor do hospital, só porque esta urinava na fralda, mal se mexia, precisava de ajuda para comer e porque por vezes gritava sem se perceber porquê (não seria grito de dor, mas sim associado a demência).
Será que esta besta conseguirá estar tranquilo e alegre neste jantar especial?!
Como são capazes de fazer perguntas/afirmações deste género:
Sr. Enfermeiro, acha que dá para ficar cá a minha mãe?
Olhe Sr. Enfermeiro, tem doido a barriga ao meu pai há já uns dias, decidimos hoje trazê-lo cá

O Natal dos hospitais não é o que o Jorge Gabriel, a Catarina Furtado e o Goucha apresentam nos canais. O Natal dos hospitais é este.
Paz e amor
G.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

SICKO - A vergonha


"Quando eu vejo um filho da pátria com a camisa dos Estados Unidos Eu fico puto Eu fico louco Eu fico logo mordido (...).
Quando eu vejo esses babacas esses panacas esses pamonhas Que tem coragem de ir pra rua com boné ou camiseta Com as cores da bandeira mais nojenta do planeta!(...)
Amigo cê tá perdido enganado iludido
Já devia ter sabido o que são os Estados Unidos Um país infeliz
O mais hipócrita da terra Malucos suicidas e imbecis que adoram guerra Misturados num lugar cheio de farsa e preconceito
Me diz porque essa merda de bandeira no seu peito?
O quê que cê quer dizer quando verte uma camisa exaltando os opressores que te pisam?
O quê que cê quer passar pra pessoa que olhar pro seu peito e não entender de que lado você tá?
Mas não precisa responder Cê tá do lado de baixo Você é uma fêmea no cio e o Tio Sam é o seu macho Você é o capacho dos norte-americanos
Por isso ainda acho que existe algum engano Porque eu não me rebaixo a passear vestido Com a roupa do inimigo: os Estados Unidos."

in Gabriel o Pensador - filho da pátria iludido
(não encontrei a música no youtube)

O nosso sistema nacional de saúde não é perfeito, todos sabemos que apresenta graves lacunas, contudo há piores… e bem piores. Um dos países que mais abomino é os Estados Unidos da América.
Abomino porque adoram armas, são broncos, vivem da e para a guerra e muitas vezes metem-se onde não são chamados. Julgam-se os donos do mundo, ignoram toda a cultura e história de outras civilizações, são parolos, incultos, obesos e só mais uma vez, são broncos.
Permitiram os dois mandatos possíveis sucessivos, com a política do cowboy tirano Bush, mesmo depois das atrocidades que cometeu no primeiro, (à primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer).
Têm desportos estúpidos como futebol americano e wrestling.
Pensam que vivem o verdadeiro sonho americano quando na verdade vivem o pesadelo americano, pelo menos no fundamental, que é a saúde, graças a um sistema podre, escabroso e bárbaro, completamente controlado por companhias seguradoras que unicamente visam o lucro. Recomendo vivamente o filme Sicko, de Michael Moore, polémico realizador norte-americano, para melhor perceberem toda esta teia. Vejam o seguinte excerto, vão ficar abismados, revoltados, sensibilizados, vão deixar de, pelo menos por uns tempos, se queixar do nosso pobre país, que eticamente, afinal, não é assim tão pobre.

Se tiverem a gostar ou a odiar, neste caso vai dar ao mesmo, continuem, pois o youtube possibilitou todo o filme/documentário, deixo-vos aqui todas as partes, vale a pena, garanto-vos
G.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Palavras mágicas


A educação assume um papel preponderante na vida das pessoas, com ela tudo se torna mais simples, mais acessível. Grande parte das vezes nem damos por ela, é algo natural. Podemos valorizar o facto de alguém ser demasiadamente bem-educada, há quem elogie, há quem torça o nariz (acho que há um dito popular sobre isso, mas não me ocorre).
Quando num primeiro contacto me abordam sem o mínimo desejável de boas maneiras, apertasse-me logo o estômago, faço o que me compete, mas sem a prontidão e simpatia com que devia. Penso que há na Bíblia um versículo qualquer que diz para tratar o próximo com amabilidade, independentemente de este te ter tratado com indiferença ou arrogância. Se não há, deveria haver. Nem sempre consigo, mas tenho treinado. Às vezes as pessoas percebem e aprendem.
Desabafo sobre este tema porque em muitos turnos, o meu trabalho consiste em escutar as queixas de várias dezenas ou mesmo a passar a centena de pessoas, mediante esta(s), determino uma prioridade e um encaminhamento, a conhecida triagem de Manchester, onde se vira à esquerda (outros queriam que se virasse à direita, não percebi porquê), mas também porque entre as relações profissionais, deparo-me enumeras vezes com falta de educação. Ainda há bem pouco tempo alguém comentava num post recente, “e como é que vós tratais/chamais os auxiliares?” da minha parte peço desculpa se alguma vez tratei mal, a má disposição que às vezes trazemos de casa, reflecte-se no comportamento, nas maneiras, por isso se diz que os problemas ficam em casa, mas muitas vezes não ficam.
Entre profissionais...
Surge repentina uma administrativa e diz-me no corredor, Preciso falar com a Dr. T, Não sei onde está, respondo. Ficamos por ali, resposta ou reacção perfeitamente normal. Boa tarde! Viu a Dr. T? Precisava falar com ela, Olhe que não sei onde está, mas espere um minuto e já a ajudo. E encontraria a Dr. T, como é costume nos enfermeiros, temos a capacidade de encontrar toda a gente, nos mais inesperados locais. Cá está! A administrativa resolveu o seu problema com apenas mais umas palavras! Simples..
Entre profissionais e utentes…
Na triagem, Bom dia Srº Enfermeiro, olhe dói-me a barriga e já não dou de corpo há 3 dias, Mas dói-lhe muito, pouco?… é uma dor branda, suporta-se. Pela sua simpatia e boas maneiras, até permitiria uma pequena mentira se tivesse dito muito. Teria levado a pulseira amarela, mas como era sincera e percebia facilmente que há quem venha pior, foi ela própria, correcta, levando a verde.

A minha atitude arrefece logo quando entram, sentam-se e dizem secamente, Tou com gripe, doe-me a cabeça! Algumas vezes procuro dar no instante, subtilmente, uma lição de boas maneiras, entoando com decibéis aumentados, BOM DIA! Algumas enxergam e rebobinam, apesar de não ser um bom dia, fica sempre bem. Outras vezes, deixo passar, atendendo à possível distracção ou dor que a provoque. Mas como está a dor? Dói-me muito! Aumentando ela desta vez os decibéis, Se não me doesse acha que vinha para aqui?! Já vi quase tudo, penso, Olhe eu tenho que lhe fazer perguntas para poder triar da melhor maneira, há quanto tempo lhe dói? Começou há pouco, E tomou alguma coisa? Não tenho nada em casa. De 0 a 10, como está a sua dor? Imagine que 0 é sem dor, 10 é a pior dor que alguma vez teve, uma dor insuportável. Eh pá, então é 9, 10. Tu queres ver.. cefaleias, laranja.. é pra medicina, raciocino irónico… vão-me comer vivo!

(APARTE: Por estatística mental, 95% dos utentes na triagem, quando questionados através da escala de dor, nunca responderam menos de 7. Seriam todos laranjas… mas não são, porque os enfermeiros têm um 6º sentido, não há ninguém melhor que nós para conhecer, avaliar a dor, diariamente lidamos com ela, conhecemos-lhe as manhas, os silêncios, as expressões.)
Assim se percebe a importância das palavras mágicas: Bom dia, Se faz favor, Obrigado… mas sem exageros, ora vejam



Abraço
G.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Deixa andar...

APELO: Aos poucos que sabem e aos muitos que julgam saber a identidade do Guilherme, peço que saibam ser discretos. Muito boa gente faz as mais incríveis associações e teorias de conspiração. Esqueçam quem é o G! O G. somos todos nós, aqueles que gostam de um bom debate, de um bom tema, que gostam de pensar e no fundo divertir-se um pouco.



Cada vez mais me convenço que vivemos no país do deixa andar.
A lei do deixa andar aplica-se a vários níveis da vida pessoal, profissional, social e política.
O marido trai a mulher (ou vice-versa) e… deixa andar. As contas no final do mês começam a falhar, mas sempre dá para um empréstimo para um plasma e… deixa andar. Os filhos tiram más notas sucessivas, têm mau comportamento e… deixa andar.
O projecto de obras está mal feito e… deixa andar. As estradas andam continuamente a ser esburacadas e… deixa andar.
Os ministros falham sucessivamente com as promessas e… deixa andar. A Ana Jorge brinca com os enfermeiros e… deixa andar. O défice, a inflação aumentam e… deixa andar. O boy continua a arranjar o job e… deixa andar.
O processo Casa Pia arrasta-se e… deixa andar. O Pinto da Costa não paga pelos crimes e… deixa andar. O Glorioso não vai à liga dos campeões e… deixa andar, o Quique não mete o Cardoso e… deixa andar. (estas duas últimas foi para descomprimir um pouco)
A parte que mais nos toca: Nos hospitais faltam enfermeiros (já para não falar dos AAM, médicos, etc) e… deixa andar.

Vivemos num contra-senso… temos enfermeiros a ir trabalhar para a Irlanda, Espanha e Austrália, a ir para pastelarias, lojas do shoping, etc, enquanto que por cá, pelos serviços, continuam a faltar. Esta é a base do problema, mas o que me traz por cá nem é isso.

Como devem imaginar, os enfermeiros também adoecem, facilmente tem problemas físicos e psíquicos. Outro dia li uma expressão do nosso pensador “Melga” – enfermo(eiro) no post Euromilhões dos hospitais…. E de facto esta associação de enfermo com enfermeiro faz todo o sentido. Os enfermeiros andam doentes e ficam doentes quando têm que trabalhar com menos elementos devido à falta de quem efectivamente anda doente.

Existe um serviço do hospital que tem um plano de trabalho composto por 9 enfermeiros de manha, 9 à tarde e 6 à noite. Deve pensar-se que à noite os doentes deixam de o ser, portanto 6 enfermeiros é mais que suficiente. Claro que 9 é impensável, mas 7 é o mínimo que se pode pedir. Este também é um grande problema, mas mais uma vez o que me traz por cá nem é isso.

O que me traz por cá é sentir e viver a revolta de uma equipa que se vê privada de outro elemento apenas porque não houve possibilidade de o substituir em virtude da sua falta por doença, ou doença fictícia (não sejas assim Guilherme, isso é outro assunto).
9 já são poucos.. agora 8?!!

RT vai faltar o Feliciano, ligou agora mesmo! Tamos fo&#’%s.. Liga ao ERC, pode ser que resolva! Ao ERC?! Ainda acreditas no pai Natal?

Mas não resolve e… deixa andar
Quem leva com a fava?! Quem lá está… redobram-se em esforços, tapam buracos, andam a 200 à hora para ir desenrascando, porque no desenrasca também somos bons.

Alarme! Catástrofe! Multi-vítimas!! Um acidente ali nos acessos da A28 com 10 politraumatizados!! Eh pá e agora?! Ainda por cima a Joana foi levar um doente a Braga! Tamos fo%#’&s mais uma vez. Vamos chamar os colegas do Bloco que estão em prevenção, como o Melga disse! Melga?! Mas quem é o Melga?! Oh pá é um gajo que tem umas ideias fixes! De facto… ponham esse tipo a presidente do conselho!

De prevenção não sei se estão, agora que os colegas do Bloco são intocáveis, disso não tenho dúvidas. Alguma vez foram mobilizados?! Não me parece, mas posso estar enganado... a ver se aparece por aqui algum bloquista a defender-se... Abram alas como diz o nosso Noddy.

Não nos esqueçamos, mal ou bem tudo se vai fazendo, vai-se desenrascando, os “gestores” depressa concluirão, Ora se um faz o trabalho de dois, em vez de aumentar vamos é diminuir o rácio.
Boicote!!
A todos aqueles que trabalham por 2 e por 3

G.

Nota: RT – responsável turno; ERC – Enfermeiro responsável ao Centro

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Crónicas estapafúrdias vol. III - Dr. M&M


Não se trata de algum médico viciado em M&M, o M está associado ao facto de ser um apaixonado por música e por coincidência associado também ao seu próprio nome... Passo a explicar,
O Dr. M&M é um médico calmo, acho que nunca o vi a subir o tom de voz, acorda todos os dias as 6h para dar a sua caminhada e mergulho matinal, o seu momento Zen. Tem bom gosto.. Mar e musica, novamente o M&M… Curioso.
A Dona Prazeres tinha passado o dia muito bem-disposta, gostava de meter conversa com as enfermeiras para falar das novelas. Já tinha recuperado de um edema agudo do pulmão, mas chegando a noite a conversa era outra.
Mitologicamente, a noite corresponde às trevas, ao lado negro, ao diabo. Não poderia deixar de fazer todo o sentido, pelo menos para os enfermeiros e doentes com idades mais avançadas, como a Dona Prazeres. Por muita lucidez que os nossos idosos possam ter, caindo a noite, caem muitas vezes também os seus sentidos de orientação e percepção. A agonia, a agitação está instalada, estão numa cama estranha, rodeados de estranhos, estão num mundo novo, obscuro e desconhecido. Ninguém acalmava a Dona Prazeres, nem mesmo o haloperidol atenuava o seu desespero. A enfermeira só desejava nunca mais fazer noites, ou outros doentes, pediam saturados, Alguém que lhe ponha uma venda na boca, por favor!!

O Dr. M&M fazia endoscopias, costumava perguntar, Quer com ou sem música? Surpreendidos respondiam, Oh dôtor, você é que sabe… Então vai com! E cantava… É uma forma original e inovadora de tranquilizar num exame que de tranquilo nada tem.
Cantou também ao ouvido da Dona Prazeres, num novo esforço de tréguas, chamada a terapia da música ou musicoterapia, para ser mais técnico,

Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim,
Tudo o que eu sonhei,
Tu serás assim,
Tudo o que eu te dou,
Tu me dás a mim e tudo o que eu te doooou…


Só faltavam os óculos escuros…
E a Dona Prazeres adormeceu ao som do refrão do poeta Abrunhosa

Nunca percam a originalidade!
Um abraço
Espero as vossas crónicas ansiosamente.
Nota para os não profissionais de saúde (leigos soa mal) – haloperidol é um medicamento neuroléptico para tratamento de sintomas psicóticos, utilizado para controlar agitação e agressividade.
G.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Helpo - O nosso mundo é humano


Natal!! Época de sonhos, fantasia, presentes e alegria!! E... no topo do pinheirinho, hipocrisia...
Dar, receber, dar, receber, o rebuliço dos presentes, às vezes não recebemos e ficamos discretamente intrigados. Altura remotamente pré-definida para pelo menos uma vez no ano tentar ou fingir ser generoso.
E se neste Natal em vez de recebermos presentes, recebermos sorrisos?!
Nunca se questionaram,
Será que o que eu faço é suficiente?
Será que não devo deixar uma marca nesta breve "passagem" da minha existência?
Será que não posso contribuir para tornar alguém menos infeliz?
Será que não devo participar numa causa maior? (sem querer plagiar o Modelo)
Será que não posso possibilitar oportunidades a alguém?
Será que não posso provar que a humanidade ainda não é completamente indiferente?
Será que não posso dar o exemplo?
Aos nossos filhos..

Os nossos filhos têm oportunidades, aos nossos filhos damos playstations e gameboys, GiJoe's e Barbies, telemóveis, bicicletas e às vezes motas e carros. Aos nosso filhos damos amor, carinho e atenção; damos lápis, canetas e cadernos, damos roupa de marca e sapatilhas Nike e Adidas.
Este Natal tornem os vossos filhos mais humanos, menos materialistas, é a melhor prenda que algum dia receberão. Não estou de forma alguma a julgar a educação que lhes damos, mas todos vemos o exagerado egocentrismo das crianças dos nossos dias. Sentem-nos à vossa beira e contem-lhes uma história:
Era uma vez uma menina chamada Ana. A Ana tem 7 anos e vive em Moçambique, um país pobre em África. Em África as crianças morrem de fome e de falta de vacinas. A Ana não conhece os pais, apenas uma irmã que ajuda a cuidar dela. Anda na 2ª classe da escola primária de Namialo, às vezes não tem sala de aula, aprende no recreio, anda descalça porque não tem quem lhe dê umas sapatilhas. Adora a escola, é muito atenta e tem bom comportamento. Este Natal o que ela mais queria era uns lápis de cor, porque adora pintar. O seu sonho era ser pintora.
E se este Natal tivermos menos prendas para darmos um presente também à Ana?! E se juntássemos todos os meses um dinheirinho para a Ana e os amigos terem material para a escola e puderem ter mais roupa e comida?!

Não tenho dúvidas que concordariam de imediato.
Neste Natal visita http://www.helpo.pt/ e entra no programa de apadrinhamento de crianças à distância ajudando crianças como a Ana, porque “o nosso mundo é humano”
Feliz Natal para todos!
Beijos e abraços.
G.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A imagem que vale por mil palavras


Enquanto fazia a minuciosa pesquisa de fotos para publicar no nosso blog, encontrei esta relíquia... A qualidade não é brilhante, vivia-se ainda no tempo do preto e branco ou.. branco e preto. Já analisaram bem a sua intensidade e profundidade?
Possivelmente uma das fotos mais inteligentes que vi em toda a minha vida.
Dedico-a a todos aqueles que ainda vivem atolados com preconceitos, presos por teias de ódio, segregação e discriminação.
Abraço
G.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Crónicas estapafúrdias vol. II - "Sem palavras"


Estou radiante! Recebi até agora poucas, mas estupendas "crónicas estapafúrdias", enviadas pela "formiguinha", pelo "Nel", "shadow chronicles", "bla....bla.."; "Glosa" e uma última de uma colega anónima que decerto vos terá sensibilizado.
Enquanto lia a história da "formiguinha" (Não, não é uma fábula, pelo contrário) dei por mim a imaginar o cenário, começando de certa forma a inventar. Espero que ninguém me leve a mal, sem querer de forma alguma distorcê-las, permitam-me que às vezes comece a divagar sobre elas..

Era um domingo de manhã, a equipa estava toda preparada, nos seus rostos adivinhava-se o receio. O CODU tinha telefonado, "Atropelado, com aproximadamente 80 anos, quase amputação do membro inferior esquerdo e péssimo estado do membro inferior direito". Quando o CODU ligava, normalmente não era para dar boas notícias, desenvolto o enfermeiro da área de trauma\reanimação apressou-se a reunir o anestesista, o cirurgião e o ortopedista. O Enf. P tinha telefonado ao seu colega da equipa da vmer para saber mais detalhes, A vítima é trazida pelos bombeiros, a vmer está noutro acidente, acrescentou. Além do velhinho vir sem os cuidados da vmer, ainda lá vem outro acidente, desabafava alguém. É a lei de Murphy, quando algo está mal, só tem tendência a piorar!

Lá vêm eles! Entram em passo de corrida, 3 bombeiros ainda jovens, suados e descorados. " Foi atropelado por um carro que fugiu", informa um.
A Sala de Emergência já estava aberta, a passagem entre macas foi rápida. O Sr. João estava obnubilado, pálido, muito provavelmente hipotenso pelo volume de sangue perdido. Ambas pernas com ligaduras colocadas à pressa, tingidas de sangue e coágulos. Foi o que conseguimos fazer, lamentava o bombeiro que aparentava mais experiência, ao reparar no descrédito do enfermeiro que as cortava. A perna esquerda estava de facto desfeita, teria que ser amputada, na direita via-se uma fractura (muito) exposta. O Sr. João começava a acordar e com ele as dores que se tornavam lancinantes. Tinha a perfeita noção de onde estava, o TCE deveria ter sido ligeiro. Num ápice tinha um expansor plasmático e sangue em perfusão, as tensões estavam a subir, a morfina começou a fazer efeito. O stress começava a atenuar, a anestesista mantinha-se à cabeça dando indicações sobre as drogas e tentando tranquilizar dentro do possível o Sr. João, o cirurgião ocupava-se fundamentalmente do tórax, os enfermeiros tinham iniciado as perfusões e iam adiantando registos de sinais vitais. O Sr. João estava calmo, sabia a gravidade da situação, mas era uma pessoa forte, habituada aos dissabores e imprevistos da vida.

Eis que surge em cena o Dr. E, médico ortopedista, médico dos "ossos" como frequentemente se auto-apelidam, "Ó avózinho, umas das pernas já se foi e a outra....vamos lá ver!!!!" na altura a formiguinha ficou sem palavras, o ambiente tinha sido abalado, ficaram todos sem palavras... incluindo o Sr. João.
nota: porque pra meu agrado, este blog não é lido apenas por profissionias de saúde, aqui vai: CODU - centro de orientação de doentes urgentes; VMER - viatura médica emergência e reanimação; TCE - traumatismo crâneo-encefálico
Espero ansiosamente as vossas crónicas estapafúrdias!!!

sábado, 22 de novembro de 2008

Crónicas estapafúrdias vol. I - "Mais eu durmo.."


Amigos blogistas,
Quantas vezes não ouviram ou participaram até, em episódios cómicos, hilariantes, incríveis, surreais, anormais, tristes, deprimentes, no fundo estapafúrdios, em contexto de trabalho??! Não tenho dúvidas que sim.. Eu já assisti, já ouvi, e se calhar até já fui protagonista..
Este não é o meu espaço, é o nosso! A partir deste momento estão abertas as "Crónicas estapafúrdias". Relatem, através dos "Comentários", tudo o que achem que vale a pena outros conhecerem, para assim rirem, ou chorarem convosco..
Este é o primeiro volume e de seguida apresento-vos as primeiras crónicas. As seguintes vão sendo expostas por mim e por vós. Lembrem-se! Por nós! Eu apenas faço o papel de gerir, de compilar e espero eu "publicar" os próximos volumes.
Involuntariamente estas crónicas já começaram com o post "As Setas", quem ainda não o conhece, recomendo.
Nota: As Crónicas reflectem interacções entre todas as classes profissionais e/ou utentes: enfermeiros-médicos; médicos-AAM; utentes-AAM;Técnicos RX-enfermeiros; fisioterapeutas-médicos; Técnicos laboratório-farmacêuticos, etc, etc, etc.. todos os cruzamentos possíveis!
Todos os nomes nelas contidos são pura ficção. Baseado em factos verídicos.
Vol. I
Pouco passava da 1h da madrugada quando a Dr. L entra em OBS, dirigindo-se à cama 6. Sr. António, você tem que ser operado! atira fulminante. Após 4 segundos de um longo silêncio, responde ainda atónito, operado??! eu? Sim! o Senhor precisa de ser operado, repete. O Sr. António era uma homem da lavoura, que com os seus 82 anos ainda semeava batatas, braços carregados de veias do trabalho duro, pele um pouco estragada pelos anos e pelo sol. Suspeitavam de uma peritonite, sabiam o risco, sabiam que muitos como o Sr. António, apavoravam-se com a mesa de operações, preferiam morrer em sofrimento mas em casa, do que no escuro, na solidão, num bloco operatório.

Os verdadeiros cirurgiões fecham a cortina da cama 6 de OBS e sentam-se na cama, junto ao Sr António. Está melhor? ainda são muito fortes as dores de barriga? Já aliviaram um pouco Srº Doutor, obrigado, Deus o abençoe. Srº António o senhor está com um grave problema na barriga e se nós não o operarmos o senhor vai continuar a ter muitas dores e muito possivelmente não vai resistir. Mas eu tenho 82 anos doutor, já não tenho idade pra operações..
Tem razão, já não tem idade pra estas andanças, mas nós também não o operaríamos se não achássemos que era o correcto. E acredite em nós, o mais correcto é percebermos a causa da sua dor, que agora aliviou mas durante a noite pode ser insuportável, e amanha e depois de amanha piorar ainda mais.. pois doutor o que eu quero é que este sofrimento passe, completa o doente. Hoje em dia tudo é muito mais seguro, nada é como antigamente, no tempo em que muitas coisas ainda se estavam a experimentar, a estudar. Não lhe digo com toda a certeza que tudo vai correr bem, mas posso assegurar-lhe que temos muitas hipóteses para que não corra mal. Pronto Drº vamos a isso então, termina menos assustado.

Na verdade, como a Dr. L não era uma verdadeira cirurgiã, esperou que o Sr António dissesse que não queria ser operado e então, desta vez, termina ela "Olhe, mais eu durmo.." E será que dorme bem?! pergunto eu...FIM
Depois de uma primeira crónica um pouco extensa, finalizo com outra mais curta e com pouco enredo..
Doutor! chama ao longe, no corredor, o enfermeiro T. O que é que o doente da maca C vai fazer ao Porto? Não sei o que é que isso lhe pode interessar, responde o médico. Incrédulo, não ouvi como acabou esta crónica estapafúrdia, mas com tempo, sendo comigo, talvez lhe tivesse respondido que provavelmente interessaria, para puder explicar ao doente o que de facto vai fazer ao Porto.. por muitos defeitos que tenhamos acho que os enfermeiros evitam dizer: "Olhe Sr. Araújo, você tem uma PCR elevada, as enzimas estão normais, vamos ver...." é preciso ver, ver.. logo... E assim sem querer passou a 3ª crónica estapafúrdia... é a vossa vez!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

(Dis)Stress em Enfermagem



Nota prévia: CAROS COLEGAS INTERVENIENTES! Gostaria de apelar à vossa imaginação! Se não se quiserem identificar, encontrem uma personagem como o Melga, CSI Viana, Guilherme, Soldado raso, Glosa, Shadow chronicle, etc.. torna tudo muito mais aliciante, curioso e organizado, como calculam.


Há dias, num jantar de amigos, estivemos a ver umas fotos dos tempos do curso. Reparei que uma razoável parte dos colegas estavam hoje mais magros, retirei-me e anotei a constatação no meu bloco virtual:"Enfermagem emagrece... exemplo: fotos do curso", já a pensar num futuro post. Magiquei sobre o assunto e associei este emagrecimento com o stress do dia a dia de trabalho.
Após discussão com a minha colaboradora especial, depressa exclui esta associação, ou seja, não posso generalizar. Todos temos as mais variadíssimas respostas fisiológicas ao impacto do stress, uns perdem o apetite, consequentemente o peso; outros comem desalmadamente logo dão trabalho à balança.
Poderíamos enumerar uma lista infindável das nossas formas de reagir ao stress. Pode ser um desafio interessante, enfrentem os vossos medos e confidenciem-se, (não! não sou pároco, condutor espiritual ou um ávido curioso, apenas alguém que às vezes tem ideias que podem ajudar). Eu começo: O (dis)stress provoca-me perda de apetite, torna-me menos paciente, por vezes áspero; o (dis)stress limita os meus movimentos, os meus pensamentos, aumenta negativamente a minha carga emocional. E a vós?

A expressão ajuda à emancipação!

Para complementar e finalizar deixo-vos com um interessantíssimo trabalho de investigação da Psicóloga Susana Cabanelas, cliquem aqui e garanto-vos que não vão perder o vosso tempo. Trata-se de uma síntese em power point, de rápida leitura, mas suficientemente esclarecedora. Apresento-vos apenas algumas conclusões do seu estudo: Stress ocupacional em profissionais de saúde: Um estudo com enfermeiros portugueses

"Elevada experiência de mal-estar e pressão profissional afectam percentagem significativa de trabalhadores"
Factores negativos:
  • Níveis elevados de stress e exaustão emocional.
  • Tomar decisões onde os erros podem ter consequências graves e a incompetência e/ou inflexibilidade dos superiores hierárquicos são os problemas que mais geram stress.

Factores positivos:

  • Baixos níveis de despersonalização
  • Elevado sentimento de competência e realização profissional
    Baixo desejo de abandonarem a profissão
  • A maioria dos enfermeiros voltaria a optar pelo mesmo curso

Como muito se tem discutido por cá, está provada então a nociva pressão que os nossos "chefes", sejam eles enfermeiros ou não, podem exercer. Portanto encaminhem este estudo para a caixa correio dos vossos chefes, pode ser que se mudem atitudes...

....para fugir um pouco ao stress recomendo este magnífico video, deixem passar cerca de 1 minuto e meio e disfrutem, clicando aqui


Cá estarei...Abraço!!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Euro-milhões dos hospitais


O email que mais vezes tenho recebido esta semana intitula-se: "Quanto vale a nossa administração". Parece que está a circular a alta rotação! Até o Guilherme o recebeu!! Pra quem não teve a oportunidade de o receber pode clicar aqui . Leiam e indignem-se.
No post anterior falou-se dos enfermeiros chefes, agora dos nossos "patrões", que não se pense ser uma perseguição a quem manda. Simplesmente uma constatação de factos, uma exposição de verdades.
Nunca fui a favor da anarquia.. minto.. quando tinha 13 anos usava o pin anarquista... mas não sabia o que aquele A significava.. era radical. Hoje sei que em qualquer grupo, empresa, instituição tem que haver quem mande. Agora há aqueles (muitos) que mandam à maneira antiga, de forma ditatorial e mercantil e existem os outros(poucos) que mandam atendendo às opiniões dos seus trabalhadores/colaboradores, motivando-os, liderando-os, recompensando-os justamente e acima de tudo respeitando-os. Já justifico o porquê de salientar o respeito.

  • Temos administradores de fábricas/empresas que por obra do espírito santo se tornam administradores hospitalares e julgam que continuam a lidar com mercadoria.

  • Temos administradores hospitalares (AH) que acham os enfermeiros dispensáveis e que se estes reclamam muito, haverá outro tantos em lista de espera para os substituir (exemplo disso as tristes declarações off-record de um A.H. , que também muito circularam pela net).

  • Temos AH que acham que um aumento de 40 cêntimos mensais é justo. (H. Particular de Viana do Castelo)

  • Temos AH que, por "castigo", baixam os suplementos a enfermeiros contratados, reduzindo para 25% o valor das horas suplementares; o que significa, para ser mais claro, um ROUBO que ultrapassa os 200 eur. Onde estão os valores de justiça e igualdade supostamente conquistados com o 25 Abril?! (espantados pelo "castigo"?! leiam então esta circular, clicando aqui )

  • Temos AH que justificam este roubo face ao défice do hospital, ou seja os enfermeiros (contratados) são os que saem prejudicados pelos erros sucessivos de administrações passadas.

...podem continuar, se quiserem, pois já me cansei...
... e o pior, é que estas comissões de administradores são constituídas por enfermeiros. Enfermeiros que no passado lutavam pela evolução de enfermagem, lutavam contra a exploração, por melhores salários ou.. aguardavam o desenrolar dessa luta, passando o tempo talvez a.. limpar sapatos.. digo eu.. (hoje também é assim... há quem se mexa e há quem fique à espreita................................)
Enfermeiros que deveriam assumir um papel de defesa, mas pelo contrário mantêm posição de ataque, com reduções de custo a todo custo. Vão competindo para ver qual apresentará os melhores resultados no combate ao défice, isto através de ginásticas e artimanhas desmedidas, por exemplo na mobilização de enfermeiros e execução de horários (meses críticos sobrecarregam os horários sem pagamento de horas extraordinárias, nos meses não críticos, "dispensam", mandando os enfermeiros para casa vários dias seguidos. Nem de uso se classifica, mas sim de abuso.
Enfermeiros que compactuam com o roubo de 200 euros que referi acima, mas que auferem 52.067 euros de remuneração base e 13.389 euros de despesas de representação mais 891 eur de subsídio de refeição (anualmente), ou seja, remuneração base mensal de 3.719,08 eur 14 vezes por ano; despesas de representação de 1.115,72 12 vezes por ano


PAGUEM-ME EM DESPESAS DE REPRESENTAÇÃO POR FAVOR!


Este é o país em crise?! pudera...


Haja respeito! Exijo respeito!

SESSENTA E SEIS MIL E TREZENTOS E QUARENTA E SETE EUROS de rendimento anual??! deve ser um 2º ou 3º prémio do euromilhões anualmente!!

ok.. têm mais anos de serviço, há um investimento curricular (nós todos também investimos e nada..), há o jogo político, o factor C, gerem milhões, etc.. mas porra! nós colaboramos na "gestão" de vidas!! Mais uma vez o $$$$ prevalece.

Querem poupar dinheiro?? perguntem aos enfermeiros como! Todo os dias vejo dinheiro nos hospitais a ser jogado ao lixo. Lanço o desafio, enumerem formas de poupar num hospital. Eu começo com uma: médicos que fazem turnos de 48h?!? Sabem quanto eles ganham nesse fim de semana?! Não sabem?!.. nem eu... mas sei que são uma largas centenas de euros...e se despertam o seu precioso e valioso sono ui ui...
hasta la vitoria, siempre!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O inquérito obrigatório

Depois de uns dias de ausência, onde ocupei o meu tempo livre a tentar perceber (com ajuda), as potencialidades de um blog e funcionalidades até aqui desconhecidas, com o intuito de o tornar mais dinâmico (ainda não está como quero!), regresso com a promessa de abordar temas escaldantes!
Devo agradecer à colega Helena Neves que autorizou a publicação do seu inquérito sobre "Assédio Moral" aqui no nosso blog, pois foi assim que finalmente percebi como colocar um documento numa pagina web.. de facto a internet é uma coisa maravilhosa, é um dos acontecimentos do século.
Num dos posts anteriores foram abordados os temas "Agressão/Assédio Moral", nessa altura o Assédio moral ficou em 2º plano (para perceberem o porquê, leiam-no).

Tudo começou quando chega à minha caixa de correio um pedido para responder ao tal inquérito, de imediato o fiz, aproveitando claro para guardar o email desta colega, para ser mais um na minha ainda curta lista de destinatários para divulgação do blog.
Assim mantivemos um contacto, através do qual faz o seguinte comentário:

"Caro colega,efectivamente o assedio moral é uma praga que assola a enfermagem e que tem consequências devastadoras para quem é assediado. Interessante verificar que quem assedia mais os enfermeiros são os seus chefes, também enfermeiros. Despotismo destes e falta de consciência de quem é assediado nos seus mais básicos direitos humanos,leva a que se torne urgente DENUNCIAR, DENUNCIAR, DENUNCIAR todas as situações para acabar com a praga do século XXI.Helena Neves"

esta conclusão interessante e polémica, advém do seu trabalho de investigação.
Neste âmbito, podemos subdividir a AGRESSÃO em duas: a física e a moral. Agressão moral ou Assédio moral é uma forma de condicionamento, de repressão, de opressão, de discriminação em ambiente de trabalho.
Para a percebermos melhor, convido-vos, finalmente, a visitar:
este link
Além de ser oportuno e cativante, deu-me uma trabalheira criá-lo, por isso leiam e vejam se são vítimas de assédio moral.

Recentemente caracterizei o perfil do Guilherme de Carmo, referindo ser "ouvido atento". Principalmente agora, nada me escapa, por isso constato que enumeros são os colegas que por isso ou por aquilo, se queixam dos seus chefes.
O problema começa com o próprio conceito. Consultei o dicionário e reparei na definição de chefe: "o principal entre outros; o encarregado de dirigir um serviço; comandante; cabecilha; capitão; caudilho"
Sempre tive a conotação de que chefe é alguém que pode, quer e manda e que a sua ideia prevaleçe sempre.
De facto alguns levam à risca esta definição e conotoção, impondo as suas "políticas" sem diálogo, criando desagrado com o autoritarismo e arrogância.
Agora nesta nova reformulação da carreira deveriamos apelar à Ordem para mudar o "chefe" para Enf. coordenador ou Enf. motivador, sei lá.. sugiram!!
Temos bons e maus chefes assim com temos bons e maus enfermeiros.
É difícil, de facto, agradar a todos..
Agora ser justo e agir de igual forma com todos os elementos da equipa é fundamental, mas grande parte não o faz, na minha opinião.
Decididamente, não é surpresa a conclusão do trabalho de investigação da colega Helena...

Como nota final devo realçar a honra que foi receber um comentário do famoso administrador do blog "doutor enfermeiro". É gratificante perceber que o blog está a ser divulgado não apenas por mim. Não percebi foi o que ele quis dizer: "Ex.mo colega,a liberdade do outro acaba onde a deixar-mos acabar." Porém vou finalmente visitar o seu blog e ter a oportunidade de lhe perguntar.
Assim me despeço, com o desejo de vos ver por cá

sábado, 1 de novembro de 2008

Sala de pânico



Assim como nós somos vítimas, os utentes também o são.. e em maior número.
Não posso abordar a questão apenas num sentido.
Não tenho conhecimento de casos em que foram vítimas de agressão física, haverá decerto.. agora de agressão verbal.. todos temos conhecimento. Mais uma vez tenho que exemplificar com casos do meu dia a dia..

No meu serviço existem várias áreas/salas/gabinetes de trabalho, uma delas, a que eu vou retratar, vou denominá-la de "sala de pânico". Não vos vou dizer qual.. mas vão chegar lá. Quantas vezes, na triagem de Manchester, os utentes perguntam: "Sr. Enfermeiro, quem é o médico de serviço, não me diga que é o Dr. Q?!" eu respondo, fingindo-me de ingénuo: "por acaso não" ao que ele comenta: "ui que alívio!". Ou então respondo: "por acaso é.." e aí é fácil perceber o seu pensamento "já fui.." e algumas vezes vão mesmo.. vão pra casa. Outros arriscam a sua sorte e esperam não calhar nas mãos do Dr. Q.

Mas quem é o Dr. Q?! O Dr. Q é alguém que foi para medicina, mas detesta pessoas.
É alguém que trata as pessoas com desprezo.
É alguém que já classificou uma pessoa de animal (pelo menos que eu tivesse ouvido)
É alguém que não sabe o que é dor, nem sabe o que é aliviá-la ou pelo menos tentar (mas aqui não é o único)
É alguém que gosta de zombar com as pessoas, principalmente os indefesos.. porque com os outros pensa duas vezes.. às vezes!!
É alguém que se acha com piada..
É alguém que (naturalmente) já foi agredido.. portanto algumas das agressões têm um pontinho de justificáveis.. e eu sou anti-violência..
É alguém que frequentemente berra: "Esteja quieta c...lho..!!! f....da-se.."
É alguém que age como que se o utente fosse o culpado da situação, por vezes trágica, que o levou ao hospital...
Já chegaram lá?! Apesar de haver alguns que se assemelham nalguns pontos... este é caso único de brutalidade..
Felizmente a reforma avizinha-se.. felizmente, pra todos nós..... e para ele.. pois não deve ser de 200 euros.. tem mais uns zeros à direita.. deveriam ser à esquerda

Para descongestionar um pouco, recomendo-lhe, Dr. Q, o seguinte vídeo:

a mim tocou-me, a ver se a si lhe toca.. vai de encontro ao tema já falado, relações entre as pessoas e a distância, frieza, desprezo entre elas..
Continuando na sala de pânico.. havia também o Dr. Z que também era hábil no relacionamento e tratamento do utente..
Gostava de chamar os enfermeiros e pedir: "quero 2 ligaduras de 5, 3 de 10 e 2 de 15... e retire os invólucros" inteligente era o colega que enquanto o Dr. Z pedia as de 10cm já tinha abandonado a sala.. grande Filipe! (já agora obrigado pelo comentário.. as setas esquece-as, que não vale a pena).
Reconheço que não tive essa acertada atitude.. hoje já a teria, porque, sendo confrontado, era muito fácil argumentar o porquê da saída da sala.. os anos não nos trazem apenas cabelos brancos.. também trazem integridade
Outro colega igualmente inteligente, acrescentava: "desta vez retiro eu, mas na próxima retira o senhor"
Agora que o homem era poupado ai isso era... guardava sempre as luvas de doente pra doente, não vá o hospital ter despesas excessivas...

Por fim me despeço apenas salvaguardando que isto das agressões verbais não toca exclusivamente aos médicos... todos os outros, voluntária ou involuntariamente agridem verbalmente o utente.. conversas pra outros posts..
Até breve!