
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
A imagem que vale por mil palavras

terça-feira, 25 de novembro de 2008
Crónicas estapafúrdias vol. II - "Sem palavras"

Enquanto lia a história da "formiguinha" (Não, não é uma fábula, pelo contrário) dei por mim a imaginar o cenário, começando de certa forma a inventar. Espero que ninguém me leve a mal, sem querer de forma alguma distorcê-las, permitam-me que às vezes comece a divagar sobre elas..
Era um domingo de manhã, a equipa estava toda preparada, nos seus rostos adivinhava-se o receio. O CODU tinha telefonado, "Atropelado, com aproximadamente 80 anos, quase amputação do membro inferior esquerdo e péssimo estado do membro inferior direito". Quando o CODU ligava, normalmente não era para dar boas notícias, desenvolto o enfermeiro da área de trauma\reanimação apressou-se a reunir o anestesista, o cirurgião e o ortopedista. O Enf. P tinha telefonado ao seu colega da equipa da vmer para saber mais detalhes, A vítima é trazida pelos bombeiros, a vmer está noutro acidente, acrescentou. Além do velhinho vir sem os cuidados da vmer, ainda lá vem outro acidente, desabafava alguém. É a lei de Murphy, quando algo está mal, só tem tendência a piorar!
Lá vêm eles! Entram em passo de corrida, 3 bombeiros ainda jovens, suados e descorados. " Foi atropelado por um carro que fugiu", informa um.
A Sala de Emergência já estava aberta, a passagem entre macas foi rápida. O Sr. João estava obnubilado, pálido, muito provavelmente hipotenso pelo volume de sangue perdido. Ambas pernas com ligaduras colocadas à pressa, tingidas de sangue e coágulos. Foi o que conseguimos fazer, lamentava o bombeiro que aparentava mais experiência, ao reparar no descrédito do enfermeiro que as cortava. A perna esquerda estava de facto desfeita, teria que ser amputada, na direita via-se uma fractura (muito) exposta. O Sr. João começava a acordar e com ele as dores que se tornavam lancinantes. Tinha a perfeita noção de onde estava, o TCE deveria ter sido ligeiro. Num ápice tinha um expansor plasmático e sangue em perfusão, as tensões estavam a subir, a morfina começou a fazer efeito. O stress começava a atenuar, a anestesista mantinha-se à cabeça dando indicações sobre as drogas e tentando tranquilizar dentro do possível o Sr. João, o cirurgião ocupava-se fundamentalmente do tórax, os enfermeiros tinham iniciado as perfusões e já iam adiantando registos de sinais vitais. O Sr. João estava calmo, sabia a gravidade da situação, mas era uma pessoa forte, habituada aos dissabores e imprevistos da vida.
Eis que surge em cena o Dr. E, médico ortopedista, médico dos "ossos" como frequentemente se auto-apelidam, "Ó avózinho, umas das pernas já se foi e a outra....vamos lá ver!!!!" na altura a formiguinha ficou sem palavras, o ambiente tinha sido abalado, ficaram todos sem palavras... incluindo o Sr. João.
sábado, 22 de novembro de 2008
Crónicas estapafúrdias vol. I - "Mais eu durmo.."

Quantas vezes não ouviram ou participaram até, em episódios cómicos, hilariantes, incríveis, surreais, anormais, tristes, deprimentes, no fundo estapafúrdios, em contexto de trabalho??! Não tenho dúvidas que sim.. Eu já assisti, já ouvi, e se calhar até já fui protagonista..
Este não é o meu espaço, é o nosso! A partir deste momento estão abertas as "Crónicas estapafúrdias". Relatem, através dos "Comentários", tudo o que achem que vale a pena outros conhecerem, para assim rirem, ou chorarem convosco..
Este é o primeiro volume e de seguida apresento-vos as primeiras crónicas. As seguintes vão sendo expostas por mim e por vós. Lembrem-se! Por nós! Eu apenas faço o papel de gerir, de compilar e espero eu "publicar" os próximos volumes.
Involuntariamente estas crónicas já começaram com o post "As Setas", quem ainda não o conhece, recomendo.
Nota: As Crónicas reflectem interacções entre todas as classes profissionais e/ou utentes: enfermeiros-médicos; médicos-AAM; utentes-AAM;Técnicos RX-enfermeiros; fisioterapeutas-médicos; Técnicos laboratório-farmacêuticos, etc, etc, etc.. todos os cruzamentos possíveis!
Todos os nomes nelas contidos são pura ficção. Baseado em factos verídicos.
Vol. I
Pouco passava da 1h da madrugada quando a Dr. L entra em OBS, dirigindo-se à cama 6. Sr. António, você tem que ser operado! atira fulminante. Após 4 segundos de um longo silêncio, responde ainda atónito, operado??! eu? Sim! o Senhor precisa de ser operado, repete. O Sr. António era uma homem da lavoura, que com os seus 82 anos ainda semeava batatas, braços carregados de veias do trabalho duro, pele um pouco estragada pelos anos e pelo sol. Suspeitavam de uma peritonite, sabiam o risco, sabiam que muitos como o Sr. António, apavoravam-se com a mesa de operações, preferiam morrer em sofrimento mas em casa, do que no escuro, na solidão, num bloco operatório.
Os verdadeiros cirurgiões fecham a cortina da cama 6 de OBS e sentam-se na cama, junto ao Sr António. Está melhor? ainda são muito fortes as dores de barriga? Já aliviaram um pouco Srº Doutor, obrigado, Deus o abençoe. Srº António o senhor está com um grave problema na barriga e se nós não o operarmos o senhor vai continuar a ter muitas dores e muito possivelmente não vai resistir. Mas eu tenho 82 anos doutor, já não tenho idade pra operações..
Tem razão, já não tem idade pra estas andanças, mas nós também não o operaríamos se não achássemos que era o correcto. E acredite em nós, o mais correcto é percebermos a causa da sua dor, que agora aliviou mas durante a noite pode ser insuportável, e amanha e depois de amanha piorar ainda mais.. pois doutor o que eu quero é que este sofrimento passe, completa o doente. Hoje em dia tudo é muito mais seguro, nada é como antigamente, no tempo em que muitas coisas ainda se estavam a experimentar, a estudar. Não lhe digo com toda a certeza que tudo vai correr bem, mas posso assegurar-lhe que temos muitas hipóteses para que não corra mal. Pronto Drº vamos a isso então, termina menos assustado.
Depois de uma primeira crónica um pouco extensa, finalizo com outra mais curta e com pouco enredo..
Doutor! chama ao longe, no corredor, o enfermeiro T. O que é que o doente da maca C vai fazer ao Porto? Não sei o que é que isso lhe pode interessar, responde o médico. Incrédulo, não ouvi como acabou esta crónica estapafúrdia, mas com tempo, sendo comigo, talvez lhe tivesse respondido que provavelmente interessaria, para puder explicar ao doente o que de facto vai fazer ao Porto.. por muitos defeitos que tenhamos acho que os enfermeiros evitam dizer: "Olhe Sr. Araújo, você tem uma PCR elevada, as enzimas estão normais, vamos ver...." é preciso ver, ver.. logo... E assim sem querer passou a 3ª crónica estapafúrdia... é a vossa vez!!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
(Dis)Stress em Enfermagem

A expressão ajuda à emancipação!
Para complementar e finalizar deixo-vos com um interessantíssimo trabalho de investigação da Psicóloga Susana Cabanelas, cliquem aqui e garanto-vos que não vão perder o vosso tempo. Trata-se de uma síntese em power point, de rápida leitura, mas suficientemente esclarecedora. Apresento-vos apenas algumas conclusões do seu estudo: Stress ocupacional em profissionais de saúde: Um estudo com enfermeiros portugueses
"Elevada experiência de mal-estar e pressão profissional afectam percentagem significativa de trabalhadores"
Factores negativos:
- Níveis elevados de stress e exaustão emocional.
- Tomar decisões onde os erros podem ter consequências graves e a incompetência e/ou inflexibilidade dos superiores hierárquicos são os problemas que mais geram stress.
Factores positivos:
- Baixos níveis de despersonalização
- Elevado sentimento de competência e realização profissional
Baixo desejo de abandonarem a profissão - A maioria dos enfermeiros voltaria a optar pelo mesmo curso
Como muito se tem discutido por cá, está provada então a nociva pressão que os nossos "chefes", sejam eles enfermeiros ou não, podem exercer. Portanto encaminhem este estudo para a caixa correio dos vossos chefes, pode ser que se mudem atitudes...
....para fugir um pouco ao stress recomendo este magnífico video, deixem passar cerca de 1 minuto e meio e disfrutem, clicando aqui
Cá estarei...Abraço!!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Euro-milhões dos hospitais

No post anterior falou-se dos enfermeiros chefes, agora dos nossos "patrões", que não se pense ser uma perseguição a quem manda. Simplesmente uma constatação de factos, uma exposição de verdades.
Nunca fui a favor da anarquia.. minto.. quando tinha 13 anos usava o pin anarquista... mas não sabia o que aquele A significava.. era radical. Hoje sei que em qualquer grupo, empresa, instituição tem que haver quem mande. Agora há aqueles (muitos) que mandam à maneira antiga, de forma ditatorial e mercantil e existem os outros(poucos) que mandam atendendo às opiniões dos seus trabalhadores/colaboradores, motivando-os, liderando-os, recompensando-os justamente e acima de tudo respeitando-os. Já justifico o porquê de salientar o respeito.
- Temos administradores de fábricas/empresas que por obra do espírito santo se tornam administradores hospitalares e julgam que continuam a lidar com mercadoria.
- Temos administradores hospitalares (AH) que acham os enfermeiros dispensáveis e que se estes reclamam muito, haverá outro tantos em lista de espera para os substituir (exemplo disso as tristes declarações off-record de um A.H. , que também muito circularam pela net).
- Temos AH que acham que um aumento de 40 cêntimos mensais é justo. (H. Particular de Viana do Castelo)
- Temos AH que, por "castigo", baixam os suplementos a enfermeiros contratados, reduzindo para 25% o valor das horas suplementares; o que significa, para ser mais claro, um ROUBO que ultrapassa os 200 eur. Onde estão os valores de justiça e igualdade supostamente conquistados com o 25 Abril?! (espantados pelo "castigo"?! leiam então esta circular, clicando aqui )
- Temos AH que justificam este roubo face ao défice do hospital, ou seja os enfermeiros (contratados) são os que saem prejudicados pelos erros sucessivos de administrações passadas.
...podem continuar, se quiserem, pois já me cansei...
... e o pior, é que estas comissões de administradores são constituídas por enfermeiros. Enfermeiros que no passado lutavam pela evolução de enfermagem, lutavam contra a exploração, por melhores salários ou.. aguardavam o desenrolar dessa luta, passando o tempo talvez a.. limpar sapatos.. digo eu.. (hoje também é assim... há quem se mexa e há quem fique à espreita................................)
Enfermeiros que deveriam assumir um papel de defesa, mas pelo contrário mantêm posição de ataque, com reduções de custo a todo custo. Vão competindo para ver qual apresentará os melhores resultados no combate ao défice, isto através de ginásticas e artimanhas desmedidas, por exemplo na mobilização de enfermeiros e execução de horários (meses críticos sobrecarregam os horários sem pagamento de horas extraordinárias, nos meses não críticos, "dispensam", mandando os enfermeiros para casa vários dias seguidos. Nem de uso se classifica, mas sim de abuso.
Enfermeiros que compactuam com o roubo de 200 euros que referi acima, mas que auferem 52.067 euros de remuneração base e 13.389 euros de despesas de representação mais 891 eur de subsídio de refeição (anualmente), ou seja, remuneração base mensal de 3.719,08 eur 14 vezes por ano; despesas de representação de 1.115,72 12 vezes por ano
PAGUEM-ME EM DESPESAS DE REPRESENTAÇÃO POR FAVOR!
Este é o país em crise?! pudera...
Haja respeito! Exijo respeito!
SESSENTA E SEIS MIL E TREZENTOS E QUARENTA E SETE EUROS de rendimento anual??! deve ser um 2º ou 3º prémio do euromilhões anualmente!!
ok.. têm mais anos de serviço, há um investimento curricular (nós todos também investimos e nada..), há o jogo político, o factor C, gerem milhões, etc.. mas porra! nós colaboramos na "gestão" de vidas!! Mais uma vez o $$$$ prevalece.
Querem poupar dinheiro?? perguntem aos enfermeiros como! Todo os dias vejo dinheiro nos hospitais a ser jogado ao lixo. Lanço o desafio, enumerem formas de poupar num hospital. Eu começo com uma: médicos que fazem turnos de 48h?!? Sabem quanto eles ganham nesse fim de semana?! Não sabem?!.. nem eu... mas sei que são uma largas centenas de euros...e se despertam o seu precioso e valioso sono ui ui...
hasta la vitoria, siempre!
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
O inquérito obrigatório
Depois de uns dias de ausência, onde ocupei o meu tempo livre a tentar perceber (com ajuda), as potencialidades de um blog e funcionalidades até aqui desconhecidas, com o intuito de o tornar mais dinâmico (ainda não está como quero!), regresso com a promessa de abordar temas escaldantes!Devo agradecer à colega Helena Neves que autorizou a publicação do seu inquérito sobre "Assédio Moral" aqui no nosso blog, pois foi assim que finalmente percebi como colocar um documento numa pagina web.. de facto a internet é uma coisa maravilhosa, é um dos acontecimentos do século.
Num dos posts anteriores foram abordados os temas "Agressão/Assédio Moral", nessa altura o Assédio moral ficou em 2º plano (para perceberem o porquê, leiam-no).
Tudo começou quando chega à minha caixa de correio um pedido para responder ao tal inquérito, de imediato o fiz, aproveitando claro para guardar o email desta colega, para ser mais um na minha ainda curta lista de destinatários para divulgação do blog.
Assim mantivemos um contacto, através do qual faz o seguinte comentário:
"Caro colega,efectivamente o assedio moral é uma praga que assola a enfermagem e que tem consequências devastadoras para quem é assediado. Interessante verificar que quem assedia mais os enfermeiros são os seus chefes, também enfermeiros. Despotismo destes e falta de consciência de quem é assediado nos seus mais básicos direitos humanos,leva a que se torne urgente DENUNCIAR, DENUNCIAR, DENUNCIAR todas as situações para acabar com a praga do século XXI.Helena Neves"
esta conclusão interessante e polémica, advém do seu trabalho de investigação.
Neste âmbito, podemos subdividir a AGRESSÃO em duas: a física e a moral. Agressão moral ou Assédio moral é uma forma de condicionamento, de repressão, de opressão, de discriminação em ambiente de trabalho.
Para a percebermos melhor, convido-vos, finalmente, a visitar:
este link
Além de ser oportuno e cativante, deu-me uma trabalheira criá-lo, por isso leiam e vejam se são vítimas de assédio moral.
Recentemente caracterizei o perfil do Guilherme de Carmo, referindo ser "ouvido atento". Principalmente agora, nada me escapa, por isso constato que enumeros são os colegas que por isso ou por aquilo, se queixam dos seus chefes.
O problema começa com o próprio conceito. Consultei o dicionário e reparei na definição de chefe: "o principal entre outros; o encarregado de dirigir um serviço; comandante; cabecilha; capitão; caudilho"
Sempre tive a conotação de que chefe é alguém que pode, quer e manda e que a sua ideia prevaleçe sempre.
De facto alguns levam à risca esta definição e conotoção, impondo as suas "políticas" sem diálogo, criando desagrado com o autoritarismo e arrogância.
Agora nesta nova reformulação da carreira deveriamos apelar à Ordem para mudar o "chefe" para Enf. coordenador ou Enf. motivador, sei lá.. sugiram!!
Temos bons e maus chefes assim com temos bons e maus enfermeiros.
É difícil, de facto, agradar a todos..
Agora ser justo e agir de igual forma com todos os elementos da equipa é fundamental, mas grande parte não o faz, na minha opinião.
Decididamente, não é surpresa a conclusão do trabalho de investigação da colega Helena...
Como nota final devo realçar a honra que foi receber um comentário do famoso administrador do blog "doutor enfermeiro". É gratificante perceber que o blog está a ser divulgado não apenas por mim. Não percebi foi o que ele quis dizer: "Ex.mo colega,a liberdade do outro acaba onde a deixar-mos acabar." Porém vou finalmente visitar o seu blog e ter a oportunidade de lhe perguntar.
Assim me despeço, com o desejo de vos ver por cá
sábado, 1 de novembro de 2008
Sala de pânico

Não posso abordar a questão apenas num sentido.
Não tenho conhecimento de casos em que foram vítimas de agressão física, haverá decerto.. agora de agressão verbal.. todos temos conhecimento. Mais uma vez tenho que exemplificar com casos do meu dia a dia..
No meu serviço existem várias áreas/salas/gabinetes de trabalho, uma delas, a que eu vou retratar, vou denominá-la de "sala de pânico". Não vos vou dizer qual.. mas vão chegar lá. Quantas vezes, na triagem de Manchester, os utentes perguntam: "Sr. Enfermeiro, quem é o médico de serviço, não me diga que é o Dr. Q?!" eu respondo, fingindo-me de ingénuo: "por acaso não" ao que ele comenta: "ui que alívio!". Ou então respondo: "por acaso é.." e aí é fácil perceber o seu pensamento "já fui.." e algumas vezes vão mesmo.. vão pra casa. Outros arriscam a sua sorte e esperam não calhar nas mãos do Dr. Q.
Mas quem é o Dr. Q?! O Dr. Q é alguém que foi para medicina, mas detesta pessoas.
É alguém que trata as pessoas com desprezo.
É alguém que já classificou uma pessoa de animal (pelo menos que eu tivesse ouvido)
É alguém que não sabe o que é dor, nem sabe o que é aliviá-la ou pelo menos tentar (mas aqui não é o único)
É alguém que gosta de zombar com as pessoas, principalmente os indefesos.. porque com os outros pensa duas vezes.. às vezes!!
É alguém que se acha com piada..
É alguém que (naturalmente) já foi agredido.. portanto algumas das agressões têm um pontinho de justificáveis.. e eu sou anti-violência..
É alguém que frequentemente berra: "Esteja quieta c...lho..!!! f....da-se.."
É alguém que age como que se o utente fosse o culpado da situação, por vezes trágica, que o levou ao hospital...
Já chegaram lá?! Apesar de haver alguns que se assemelham nalguns pontos... este é caso único de brutalidade..
Felizmente a reforma avizinha-se.. felizmente, pra todos nós..... e para ele.. pois não deve ser de 200 euros.. tem mais uns zeros à direita.. deveriam ser à esquerda
Continuando na sala de pânico.. havia também o Dr. Z que também era hábil no relacionamento e tratamento do utente..
Gostava de chamar os enfermeiros e pedir: "quero 2 ligaduras de 5, 3 de 10 e 2 de 15... e retire os invólucros" inteligente era o colega que enquanto o Dr. Z pedia as de 10cm já tinha abandonado a sala.. grande Filipe! (já agora obrigado pelo comentário.. as setas esquece-as, que não vale a pena).
Reconheço que não tive essa acertada atitude.. hoje já a teria, porque, sendo confrontado, era muito fácil argumentar o porquê da saída da sala.. os anos não nos trazem apenas cabelos brancos.. também trazem integridade
Outro colega igualmente inteligente, acrescentava: "desta vez retiro eu, mas na próxima retira o senhor"
Agora que o homem era poupado ai isso era... guardava sempre as luvas de doente pra doente, não vá o hospital ter despesas excessivas...
Por fim me despeço apenas salvaguardando que isto das agressões verbais não toca exclusivamente aos médicos... todos os outros, voluntária ou involuntariamente agridem verbalmente o utente.. conversas pra outros posts..
Até breve!
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
i have a dream!
Viram a reportagem da SIC sobre assédio moral/agressões? (ler o post anterior p.f)
eu vi.. grande parte..
Porém, pela parte que nos toca, fiquei desiludido.
Apenas no fim da reportagem quando um jornalista lê vários testemunhos, (apenas)um deles é de um enfermeiro. Queixava-se de já varias vezes ter sido agredido e que ainda por cima ganhava mal (era mais ou menos isto). Agora levanto varias questões:
Será que a comunicação social dá pouca relevância aos enfermeiros?
Será que nós (mais uma vez) ficamos indiferentes à problemática e não denunciámos?
Será que esta reportagem foi pouco divulgada?
Pode ser tudo verdade..
Ainda por cima o testemunho, a meu ver, foi infeliz.. pois, não se pode relacionar o facto de qualquer profissional (mais os enfermeiros) estar sujeito a levar um murro, com o facto de ganharmos mal!! que não haja confusões! Como diz um grande amigo meu "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa" palavras sábias...
O que depreendo e o que muito provavelmente o cidadão comum depreende das palavras do colega, é que: "ora já que levamos na trombeta, ao menos que nos paguem melhor" foi triste...
Mas ao menos denunciou e só por isso merece toda a minha consideração, apesar de ter confundido as coisas..
E o que é que se vai conseguir com um único testemunho, que foi misturado com outros N casos de assédio moral e violência das outras profissões??? NADA..
O poder politico, as administrações, talvez abrissem os olhos se houvesse um debate público ou uma grande reportagem sobre esta "epidemia" direccionada SÓ para as instituições de saúde, talvez voltassem a pôr um policiazinho no hospital.. se calhar é muito caro.. os polícias ganham muito dinheiro..
O meu sonho, desejaria que também vosso sonho, é que este blog funcione como um meio de transmissão, exposição de casos, discussão de ideias.. e quem sabe, quando ele tiver bem recheado, (o que por um lado seria mau sinal.. sinal que as agressões continuam) não chegará aos ouvidos de um repórter qualquer, de uma ministra qualquer, de uma bastonária qualquer!
Por isso, mais uma vez apelo à vossa intervenção: passem informação, exponham casos, deixem contactos, forneçam-me emails.. lutem pela mudança.. temos um grande aliado que é a Internet
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Agressões / assédio moral... uma nova epidemia
Sinto-me feliz.. começo a receber uns "feed-backs" que me dão ânimo pra continuar a reflectir, a levantar questões, a abrir polémicas sobre os "prós e contras" de enfermagem.. e é mesmo por estas que continuarei sempre no anonimato... como compreendem, se desejo um blog polémico, com total liberdade de expressão, nunca revelarei a identidade.. porque ainda não vivemos num mundo completamente livre..Agora era meu desejo, que aqueles que pudessem, se identificassem, pra eu perceber a abrangência.. aqueles que não puderem.. não há crise.. desde que participem, já é óptimo !
Relativamente fácil será perceber o meu local de trabalho.. a isso é impossível fugir.. pra meu regozijo, tem havido neste, reacções positivas e há até já quem arrisque a adivinhar o respectivo autor, mas continuam muito longe de o conseguir..
Bem há pouco tempo, via email, fui confrontado com dois temas críticos: "agressões físicas/assédio moral". Num dos emails perguntam se conheço alguém que tenha sido vitima de violência em contexto trabalho, para possíveis entrevistas numa reportagem da SIC. De imediato respondi, ainda revoltado com os recentes acontecimentos: " esta semana foi mordido e arranhado um colega de um serviço de Medicina, por um doente com alucinações/paranóia e com hepatite B. Há já algum tempo, alguém que não terá ficado satisfeito com a cor da pulseira atribuída na Triagem de Manchester do Serviço de Urgência, parte os óculos a um colega. Numa noite entram 3 indivíduos pelo S.U, amigos de um utente, partindo tudo à sua frente. São comuns as agressões no nosso hospital, mais frequentes, por razões evidentes, no S.U. Alguns são os colegas que já levaram ou um murro, ou um estalo, ou uma patada, de de utente desorientado/com alterações de comportamento, ou não." E reparem, sem querer dar a imagem de vitima, são quase sempre os enfermeiros os alvos, pois são eles que estão nas enfermarias, nos corredores, junto dos doentes, não outros (alguns!) que estão sentados nos gabinetes, porque acreditem meus amigos (e aqui dou-lhes valor) se o problemas os abrangesse da forma que nos abrange eles já teriam conseguido soluções.
Muitos destes episódios passaram-se após a nossa luminosa administração achar que estava a gastar muito dinheiro com UM policia permanente num posto, no SU. Seria melhor continuar a pagar balurdios a médicos que às vezes nem presentes em serviço estão" mas isso são outras conversas..
Na minha resposta não incluí as já conhecidas agressões morais, que passam despercebidas no âmbito de violência, mas não deixam de o ser. Estas ainda mais frequentes são.. quem não foi o colega que de uma forma ou de outra foi caluniado, insultado, ameaçado?!..
Não podemos andar sistematicamente a lamentar, é necessário denunciar! Desde já faço o apelo! Se foste, ou tens conhecimento de quem tenha sido, alvo de violência, relata aqui mesmo essa experiência, deixando nomes... contactos... emails... para assim reencaminhar à colega que fala da reportagem que uma jornalista da SIC quer fazer
Aproveito também para pedir aos leitores que divulguem o link deste blog a todos os colegas do CHAM, excluindo os da urgência, ou melhor ainda que enviem esses emails para guilhermedecarmo@iol.pt, prometo que apenas os utilizarei para divulgar assuntos relacionados com o blog.. pois o meu desejo era proporcionar uma discussão a todos os enfermeiros e não apenas alguns..
O outro email que recebi aborda o tema " assédio moral" que é uma forma de agressão moral.. um tema que finalmente começa a ser trabalhado e estudado no nosso meio. Parece coincidência mas não é.. pode ser um sinal.. esta poderia ser a "semana da agressão"
As agressões vão continuar, porque apesar de não ser considerada ou tida como, somos uma profissão de risco.. várias o são.. e no mundo em que vivemos cada vez mais o serão..
Mas temos o dever de as diminuir..enfrentando e combatendo este problema.. o dever de alertar o poder politico, alertar a população, exigir segurança, exigir meios..
Este blog poderá ser um pequeníssimo passo,o meu papel é de incitar ao movimento.. o resto é contigo.. convosco.. connosco. Não caminhem cada um para o seu lado, caminhemos no mesmo sentido
beijos e abraços
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Enfermagem multi-usos

..ou então após duas tentativas sem sucesso o Sr. Dr volta a pedir as folhas de internamento ao enfermeiro, mas desta vez como se tivesse a pedir ao seu filho de 6 anos pela 43ª vez pra ir lavar as mãos que eram horas de jantar "Eu quero as folhas de internamento!! ora aqui podemos ter várias hipóteses de resposta:
a) voltar a fazer de conta que não ouvimos
b) "vá ver se eu estou no messenger"
c) "quer ver que se calhar tão aqui no bolso! ahhh.. afinal não.."
d) "vá ver se eu estou com o Sr Celestino"
e) "será que eu tirei o curso de administrativo e estou aqui a cuidar de pessoas?! tu queres ver?!
ou então.. e parvoíces aparte, simplesmente:
f) "não é da minha competência"
por muito que me custasse e porque sou uma pessoa de bem, teria que escolher a f)
Agora por que é que não se consegue enfrentar o problema e não ir de facto buscar a merda da folha??! tiramos o curso para tratar pessoas doentes ou tratar das vontades de outros?! Mudemos de atitude! Sejamos inteligentes! Atitudes inteligentes mudam mentalidades..
Nós de facto regulamos todo um funcionamento do hospital, temos que ser realistas, sem qualquer tipo de presunção, o hospital vive dos enfermeiros, como o coração vive das artérias, recordo até uma mente médica brilhante que terá afirmado qualquer coisa deste género "O que seria deste hospital sem os enfermeiros?!" confirmo que sem qualquer ponta de ironia.. quando assim é, merece o elogio.. foi mesmo brilhante.
Mas podemos continuar a ser parte vital do funcionamento hospitalar sem nos rebaixarmos, sem que nos façam passar por humilhações.. não! não pensem que é termo exagerado.. é mesmo assim.. já assisti.. já experienciei..
Agora companheiros, o problema começa no nosso próprio meio! Vejo tanta amargura.. parece que às vezes estamos todos uns contra os outros.. parece não!! Estamos! Os de ortopedia mulheres contra os homens, os de cirurgias contra os de especialidades, os de medicina contra os da urgência, os intensivos contra o bloco, as de neonatologia contra as de pediatria........... e todos uns contra os outros.
Por que é que não fazemos uns jogos sem fronteiras?! Ou então uma liga de Serviços com respectivo totobola e tudo!.. ora, medicina p7 vs ginecologia 1, cirurgia 2 vs Unidade Exames x, Bloco vs Consulta externa x, Intensivos vs oncologia 2, Urgência vs Morgue 1, e resolvíamos a questão?
Por que é que ficamos ofendidos e decidimos participar uns dos outros quando recebemos um doente com a fralda suja? eu sei que não é fácil de digerir.. mas as falhas resolvem-se dialogando.. Será que alguém é verdadeiramente enfermeiro ao aperceber-se que o doente necessitava de uma higiene, mesmo antes de ir para outro serviço, por muito trabalho que tivesse?! eu acho que não é.. claro que isto leva à eterna discussão.. e é um pormenor.. mas é importante.. várias questões se levantam e desde já aguardo-as (vá lá, confessem-se)
Agora que me digam que ponderaram "recambiar" um doente, porque ele tinha uma mancha de sangue no lençol?!.. não consigo perceber.. só demonstra a tal amargura que la para cima referi.. felizmente a colega ponderou bem.. mas nem devia ponderar!
Depois acontecem episódios tristes mas hilariantes, como quando um saudoso colega recebe um telefonema, onde questionavam o porquê de o doente recebido não estar algaliado e após discussão, prevalece ou deixa-se que prevaleça a ideia de que o doente deveria ser algaliado pelo serviço de origem.. e assim foi.. mas neste caso o serviço de origem foi ter com o doente.. ou seja este colega subtilmente, traz consigo o material e coloca no outro serviço a sondita ao doente.. mas no fim fez questão de passar pelo colega reclamador (que por acaso estava a relaxar na copa) e atirar: "Adeuzinho, já está algaliado o senhor" eu acho que me iria custar a digerir.. e a vós?
Até breve
Aguardo os vossos comentários!! senão não tem piada!
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
As setas
Confesso que quando me contaram achei muita piada.. imaginei o cenário e pensei: "de facto o homem (às vezes) tem piada e.. tem coragem" não é qualquer um que desafia toda uma equipa de enfermagem!Consta que, certo dia numa dada sala de enfermagem, o Dr X (mais uma vez.. mas é a ultima prometo! senão torna-se maçador), ao ver um poster oferecido por um enfermeiro no seu jantar de despedida, com as fotos de todos os ex e actuais elementos da equipa de enfermagem daquele serviço lança o seguinte comentário: "Eu gostava era de levar isto pra casa pra atirar uma setas!"
É engraçado... mas é grave! Outros até nem deverão ter achado piada nenhuma, o que é compreensível..
Com isto queria chegar a um tema crítico que é: relações entre as pessoas numa equipa multidisciplinar
Por que é que há tanta inveja?
Por que é que há tanta prepotência?
Por que é que há tanta má-educação?
Por que é que há tanta falta de humildade?
Por que é que há tanta falta de companheirismo?
.........................................................................................
...............................................................................................
............................. ...........................................................................
Uma das poucas coisas que realço na aprendizagem do curso de base é a abordagem de: equipa multidisciplinar... lembro-me de pensar: "olha que porreiro deve ser o ambiente de trabalho em saúde.. funciona tudo em equipa.. multidisciplinar.. que bonito.. vários em conjunto com diferentes funções mas mesmos objectivos.. fantástico! é isso mesmo que eu quero..
Desilusãoooo...
Como é que isso é possível, se (imaginem o cenário) um médico, um enfermeiro e um maqueiro no mesmo metro quadrado, vira-se o médico: "Sr enfermeiro peça ao maqueiro pra levar o doente Y ao Serviço P" diz o enfermeiro: "Mas ele está aqui mesmo ao lado, porque não pede o senhor?" ao que ele responde "Não! eu digo a si, você diz a ele".. parece uma anedota, não? mas infelizmente é a realidade..
O curso de medicina terá alguma cadeira: "introdução à mania das grandezas"? "A realeza no hospital II"? Não, a sério.. por favor! alguém que me explique se no curso de medicina ensinam a achar que os médicos são seres superiores.
Alguns foram nota 20 nestas cadeiras, felizmente sobram os que tiveram o bom senso e tiraram nota negativa..
A meu ver tudo também passa pela educação. Será que aqueles pais ensinaram estes filhos a não olhar só para os seus umbigos?! Por muitas lavagens cerebrais que possam fazer no curso, ( e digo possam, porque eu não sei e agradeço mais uma vez que me digam) tudo é uma questão de princípios, de educação... o saber ser (outras das poucas coisas que ficaram de positivo com o curso). Imaginem aquele maqueiro o que terá pensado após ouvir tamanha barbaridade?! Imaginem a situação em se deparou aquele incrédulo enfermeiro? Agora imaginem a revolta, a raiva que isso origina.. agora multipliquem por todos os outros episódios tristes.
Revolta, raiva, ódio, inveja, arrogância, falta de humildade/ companheirismo.. todas estas coisas fazem envelhecer,amigos.. pensem nisso.. e tudo me leva a crer infelizmente que todos vamos envelhecer muito rápido.. eu não quero, acho que ninguém quer.. eu cá vou fazer os possíveis pra não conviver com estes maus ideais
E, meus amigos, o sermão não toca só aos médicos.. toca a todos! a todaaaaaaa a "equipa multidisciplinar" (nunca pus umas aspas tão irónicas..) Assim como os médicos têm os seus defeitos, os enfermeiros, os AAM, administrativos,etcetce também os têm.. e não são poucos.. podem começar a enumerá-los, lanço o desafio.. cá vos espero!
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Resposta às "novas oportunidades" (1º comentario ao 1º texto)
Não nego que gostaria de voltar a estudar e dedicar-me a algo completamente diferente, mas para as minhas perspectivas (ajudar o próximo), enfermagem é o que mais se adequa.. mas não neste formato.
Pode ser num próximo formato para o qual estamos (alguns) a lutar.. que é partires para uma especialização dentro daquilo que tu gostas e investes..
De certa forma mostrei o meu lado pessimista da situação.. o lado piegas, com o intuito de dar algum impacto ao blog.. o próprio título o demonstra, de facto..
Mas também tenho o meu lado optimista.. e luto para que cada dia este prevaleça
Agora não me venhas dizer que és um enfermeiro super feliz no dia-a-dia de trabalho, que eu não acredito.. porque meu amigo as estatísticas provam-no.. e mais tarde abordarei isso mesmo..digo-te só que na minha equipa se tiver 1% dos elementos satisfeitos com as suas condições de trabalho, motivados, nesta altura do campeonato, será muito..
Obrigado pelo teu comentário
Volta sempre
O cordial Dr. X

Eu percebi que aquela conversa que critica é entre enfermeiras e não com um utente.. o que não concordo é com o que diz a dado momento da sua resposta, "não há mudança sem trauma", realmente temos que aprender a viver com o conflito.. mas a mudança consegue-se ou poder-se-á conseguir sem trauma, desde que as pessoas aprendam a assumir as suas falhas, aprendam a pedir desculpa quando assim se justificar, aprendam a ponderar as situações e a entender a posição do outro, aprendam a dar e receber nesta mesma ordem, aprendam que o poder não lhes pode "subir a cabeça" e mandar da maneira "é assim porque eu digo que é assim, porque eu mando" etc, etc.. eu sei que é difícil Dr. X, mas basta alguns insistirem para outros perceberem.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
O Maléfico Dr. X
Primeiro leiam o trecho do blog que está na ordem dos dias, sim, porque como assim me chegou às mãos, a muitas também segundo consta, terá chegado:
"15:30h começa a passagem do turno das enfermeiras. Ouço o matraquear continuo de uma voz que descreve os factos que se passaram no turno que agora deixa, sempre no discurso directo – eu disse:... e ele disse: e depois eu respondi: ... e ele ... .Acabou de passar os seis doentes às 16:15h. Uff!!! Felizmente que não são todas assim! Há anos que tropeço em profissionais sem poder de síntese que narram qualquer facto em discurso directo, esforçando-se por dizer todas as palavras que ouviram e disseram com as respectivas entoações dos intervenientes, num Eu disse: e ... Ele disse: ... intermináveis.
Embora este falar seja comum na população para florir a banalidade, quando o vejo usar nas relações profissionais, entendo-o como tentativa de encher a vacuidade das suas intervenções!Mas... há quem diga que é ... estilo!"
A minha resposta:
"Realmente faz todo o sentido o que disse.. de vez em quando as pessoas perdem-se em "banalidades" tentando descrever o diálogo que aqui procura retratar: "o eu disse.. ele disse, eu disse e eu depois respondi.." Pelo que vejo entre aquela senhora enfermeira e o senhor utente conseguiu-se manter de certa forma um diálogo, alguma partilha.. Agora como o senhor tropeça em banalidades deste tipo, eu também farto-me de tropeçar em médicos que não têm a mínima noção de partilha e que dificilmente trocam duas frases com o senhor utente.. agora questiono-me, qual destas atitudes é a mais vazia?!Eu cá prefiro o banal ao vazio.. e o senhor? Quantos milhares de euros poupariamos em terapêuticas inusitadas prescritas quase por reflexo? O diálogo não tem uma dose (nem que seja ligeira) terapêutica? uns falam de mais.. outros de menos..
De certo que deveria ter alguma coisa mais ÚTIL a fazer do que escutar as "passagens" das enfermeiras. Não poderia estar a conversar com o senhor utente?! falar sobre os seus receios, sobre o que o faz sentir melhor, se precisa de alguma coisa que esteja ao seu alcançe e que o torne um pouco menos angustiado.. de certeza que iria ficar bem menos desesperado por se encontrar naquele sitio estranho, com uma atitude desse genero.. ou isso é uma "banalidade"? "estilo" não será com certeza.
Por último, apos ter lido umas passagens do seu interessante blog, fico com a ideia (pode ser errada) que não encontrei também nenhuma referência aos maneirismos (que não serão poucos) da sua classe... é sempre de bom tom primeiro caracterizarmo-nos e só depois estudar os trejeitos dos outros, não acha?
Devo acrescentar que nenhuma "guerrinha" pretendo alimentar, porque o meu desejo seria que TODOS (num hospital) convivessem em harmoniaaaa (que muito precisamos!) e em espírito de equipa, ou acha que não Senhor Doutor? huumm talvez não.. o melhor é atirar setas aos enfermeiros..
e assim foi..
Até breve!
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
O inicio..2ª versão

Não é ironia quando digo "linda profissão" sem dúvida poucas mais o serão, como enfermagem o é, agora com ironia posso dizer, lindo é o dia a dia que o enfermeiro vive.. e sem sombra de dúvida poderei generalizar.. mais tarde o comprovarei.
Talvez por acreditar na mudança, pelo menos por enquanto continuarei a ser enfermeiro.. fundamentalmente por aquele "obrigado" sentido, ou por aquele "Sr. Enfermeiro tem umas mãos santas" ou "Deus lhe dê tudo bom" que de vez em quando vamos ouvindo daquelas pessoas humildes, simples, pessoas da "terra" com velhos costumes, que sabem a importância que tem um agradecimento, uma palavra de apreço.. quanto aos outros (os que te abordam com uma pedra na mão).. bem os outros ficam pra mais tarde, pois já me estava aqui a perder a caracterizá-los e isso é texto para outros desabafos. Para ser justo, haverá também mais pontos positivos que me dão ânimo pra continuar.. como alguns, ou grande parte dos colegas de trabalho, mas também mais tarde mencionarei.
Desabafos, lamentos, meus amigos.. é disto que este blog trata.. talvez seja inédito mas é o momento para abrir oficialmente o blog das lamentações dos enfermeiros, porque devo dizer-vos que já estou farto dos meus e dos vossos lamentos.. como se costuma dizer a respeito das reclamações: "escrevam! Deixem tudo no papel, só assim serão ouvidas"" ora aqui está essa a oportunidade! Escrevam! Pode ser que um dia este blog se torne famoso, ao ficar repleto de coisas absurdas que entopem a nossa carreira.. (que, já agora, está mesmo entupida, mas isso também são outras conversas)..
Então este blog surge exactamente por isso, quase todos os dias ouço uma parvoíce, uma injustiça, um episódio marcante,um.. absurdo, relacionado com o nosso dia-a-dia, com o que nos rodeia... e pensei... ora o melhor era anotar todas esta idiotices, podia escrever sobre isto.. porque isto é surreal e o que é surreal é bom! É como o Salvador Dali.. portanto meus amigos escrevam! Eu cá escreverei! Porque isto é "o início.."
O meu primeiro agradecimento vai para o Dr. X. Foi este senhor, ao escrever "coisas menos simpáticas", (neste caso a respeito dos enfermeiros) no seu blog, me fez abrir os olhos e pensar "olha! eu podia criar um blog que também relate coisas parvas" e assim foi... e agora pensam.. mas que "coisas" esse senhor escreveu?! humm.. estava a pensar convidar-vos a visitar o seu blog, mas pensei melhor e acho que isso só faria aumentar o seu ego.. e ele já é tão grande.. não vale a pena..
Resumidamente, MAIS UMA VEZ este Senhor Doutor volta a denegrir a imagem dos enfermeiros e porque agora já é um pouco tarde e amanhã meus amigos acordarei cedo para...trabalhar...(tenho que ser cuidadoso, para continuar no anonimato, pois, meus amigos, fica a promessa de deixar algumas "bombas"), tentarei numa próxima oportunidade, analisar o que esse senhor tentou dizer dos enfermeiros.. a polémica já está no ar! não percam!
Aquele Abraço

